quinta-feira, maio 01, 2014

Quem é quem no que diz respeito às “canonizações”


Por Atila Sinke Guimarães
25 de abril de 2014
 
Traduzido por Andrea Patrícia 





Papas nomeados santos desprezando uma séria investigação de suas vidas, escritos e milagres


 
Daqui a dois dias as “canonizações” de João XXIII e João Paulo II serão celebradas no Vaticano. Em poucas palavras: elas significam a “canonização” do Vaticano II. Para comentar sobre isso, eu irei categorizar os católicos de acordo com suas tendências e analisar as reações de cada grupo em face do grande carnaval religioso que o Papa Francisco estará acolhendo.
A maioria meio-termo – O mundo inteiro, incluindo seus líderes maçons, seus inspiradores judeus, sua quase unânime mídia e suas estrelas características, estão completamente satisfeitos.
A grande multidão de católicos, que ama o mundo moderno, está agradecida a Igreja Conciliar pelas “canonizações” desses dois Papas que puseram fim a “antiga” militância católica e a substituíram por uma face “mais humana”. Essa neo-Igreja tolera sua péssima moral e crenças relativistas. Então, eles estão indo para Roma em grande euforia para expressar sua aprovação desses papas e a transformação da Igreja numa instituição alegre em consonância com a Jornada Mundial da Juventude.
Esta maioria incentivadora de católicos hedonistas não quer se submeter a hierarquia alguma e busca aprovação para qualquer tipo de comportamento moral que eles adotem:  divórcio, sexo-livre, contracepção, aborto, homossexualismo, etc. Eles estão indo para Roma porque João XXIII  e João Paulo II são símbolos dessa mentalidade.
Progressistas – Dois tipos de progressistas devem ser distinguidos aqui. O primeiro tipo, mais superficial, entende que essas “canonizações” representam a glorificação da Revolução na Igreja, o fim da Militância Católica. Eles concordam completamente com essas duas “canonizações”, bem como com tudo o que o Papa Bergoglio tem feito até agora para destruir as características sacrais e hierárquicas da Igreja. Esses progressistas são representados pelo jornal da cidade do Kansas, National Catholic Reporter.
O Segundo tipo, mais perceptivo, não concorda com essas “canonizações” apressadas. Eles explicitamente ou tacitamente acreditam que é uma infantilidade declarar esses agentes do Progressismo – Roncalli e Wojtyla hoje, Montini, amanhã – “santos.” Tomar essa posição, eles acreditam, é prestar um tributo à velha “papolatria”, a qual eles sempre se opuseram. Estrategicamente falando, isso expõe o Progressismo a um fácil contra-ataque: como esses homens obviamente não são santos, quase ninguém pode provar isso com facilidade. Portanto, apresentá-los como santos é um abuso da autoridade do Papa que abre um flanco vulnerável ao seu inimigo. Esses progressistas são representados pela revista de Londres, The Tablet.
Conservadores – Eles são católicos que não são movidos por princípios, mas por hábitos. Eles conservam o que receberam de seus pais. Portanto, eles se opõem a alguns excessos dos progressistas com relação ao aborto, eutanásia, casamento de homossexuais e sua adoção de crianças, etc.

 
Um "exemplo de pureza": acima, Card. Wojtyla acampando com mulheres em trajes imorais; abaixo, numa Missa de JPII uma mulher nua leva presentes ao Ofertório [Nota da tradutora: eu censurei a foto. Para ver a original, vá até o site do TIA]. Para mais de sua “pureza heroica” clique aqui, aqui, aqui e aqui

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Eles entram em pânico, entretanto, com a possibilidade de se deparar com censura por uma autoridade religiosa ou com o escárnio dos católicos meio-termo. Então, eles vagarosamente adaptam seus hábitos aos novos ventos da Igreja Conciliar com relação a contracepção, situações de  casais não casados que vivem juntos, mães solteiras ou parentes divorciados, para mencionar apenas algumas questões morais.

Esses conservadores aprovam as “canonizações” dos dois Papas porque elas são feitas pela autoridade de outro Papa. Eles nem sonham em questionar a decisão de um Papa. Para fazer com que os outros aceitem essas “canonizações”, eles fogem para não discutir o que realmente importa: essas canonizações são inválidas.

Em vez disso, eles desviam a atenção desse ponto crucial para discutir se as “canonizações” são infalíveis ou não. Essa é uma forma indireta de afirmar que elas são válidas.

Alguns comentaristas conservadores, para fazer com que essas canonizações falsas pareçam com aquelas do passado, negam que todas as prévias canonizações foram infalíveis. Eles sustentam, contra a verdade histórica, que as canonizações do passado nunca foram consideradas infalíveis. Então eles concluem que essas duas “canonizações” também não são infalíveis.

Outros voltam ao tempo em que não havia processos e dizem que as “canonizações” dos Papas conciliares devem ser consideradas canonizações equipolentes. Este termo refere-se a canonizações no passado feitas pela fama de santidade somente, opostas as canonizações formais, com um devido processo de investigação sobre a vida, os escritos e os milagres do candidato.

Na sua pressa em aceitar essas canonizações, os conservadores convenientemente esquecem que o Código de Direito Canônico de1983 aboliu os 141 principais cânones que regulavam beatificações e canonizações. Em outras palavras, após essa drástica remoção, os processos tornaram-se, praticamente falando, uma escolha pessoal do Papa e perderam a seriedade e a integridade das investigações precedentes. Atualmente não há mais um processo rigoroso para verificar a prática de virtude heroica, a ortodoxia dos escritos e a indiscutibilidade de milagres.

Embora a infalibilidade estivesse claramente envolvida nas canonizações anteriores – desde o século XVII (Urbano VII e Bento XIV) até 1983, do Novo Código em diante – não é mais possível falar em infalibilidade. A nomeação de santos tornou-se simplesmente uma manifestação da preferência do Papa reinante. Nós podemos imaginar JPII dizendo: “Eu gosto de Edith Stein porque sua tese sobre a Filosofia Moderna é similar a minha”. Com isso, os sicofantas do Vaticano apressaram-se a fazer dela uma beata, e em seguida uma santa.

Joseph Ratzinger sempre adorou o convertido inglês John Henry Newman. Então, após ele ter se tornado Papa, Newman foi feito beato apenas para agradá-lo, sem uma investigação séria sobre sua vida ou escritos. Esse novo sistema não indica que essas pessoas estão no Céu. Fala apenas sobre as predileções dos Papas conciliares.

Tem algo que ver, também, com canonizações equipolentes. As anteriores eram baseadas na sólida fama de santidade entre os fieis autenticamente piedosos. Atualmente, o que temos é um processo de propaganda artificial insuflada pelo Progressismo.

Como alguém pode fingir que João XXIII era santo quando todo mundo sabe que ele foi, durante toda a sua vida, um admirador de Buonaiutti, condenado como herege por São Pio X? Como alguém pode fingir que JPII era santo quando centenas de fotos dele causando escândalo relacionadas a impureza são encontradas em domínio público? Não, essas “canonizações” não são equipolentes: quanto a esses dois Pontífices não há fama de santidade, mas fama de heresia e escândalo.

Podem-se encontrar muitos blogs e websites conservadores de pequeno e médio porte pela internet tomando essas duas posições suspeitas.

Tradicionalistas e Contrarrevolucionários – A maioria dos tradicionalistas e contrarrevolucionários católicos não aceita essas “canonizações.” Eles sabem que elas são outra jogada da propaganda progressista para glorificar o Vaticano II. A maioria deles está farta dessa apoteose da Revolução na Igreja, 50 anos de tirania: um cativeiro similar aquele predito para o tempo do Anticristo.

Esses contrarrevolucionários resistem sem medo à autoridade religiosa progressista. Eles fazem o que podem para abrir os olhos de seus companheiros católicos para que estes enxerguem essa grande apostasia. Mas principalmente, eles rezam pela divina intervenção que porá fim nesse anormal estado de coisas.

Eles esperam uma nova época livre desse domínio apocalíptico do Progressismo. O Diabo, a heresia e seus agentes serão combatidos e vencidos novamente, e glória será dada a Deus por todas as nações. Será o Reino de Maria predito em Fátima [Nota da tradutora: Até onde eu sei essa história de Reino de Maria era crença da TFP. Eu não sou especialista em Fátima para confirmar ou negar tal reinado, mas não sei o que dizer com relação a isso, somente não espero por um reinado de Deus longo nesta terra, espero sim pelo Céu somente. Se enquanto eu estiver viva vier um tempo de paz, ótimo, se não vier, seja o que Deus quiser e pronto, não vou ficar pensando nisso].

O Tradition in Action sente-se honrado de ser uma dessas organizações contrarrevolucionárias. [Nota da tradutora: E eu sinto-me honrada por fazer parte da Resistência Católica.]


Original aqui.