quinta-feira, agosto 21, 2014

Nós Devemos Atacar e Desacreditar o Agente do Erro



Por Tradition in Action
Traduzido por Andrea Patrícia




"Ao combater o erro é errado e é falta de caridade atacar a pessoa que o sustenta”. É contra este “dogma” liberal, tão frequente em nosso meio católico, que o padre Felix Sardá y Salvani argumenta. Ele prova que é indispensável atacar aqueles que promovem o erro; de modo contrário não se defende eficientemente a causa católica.

Pe. Felix Sardá y Salvani


Apologistas católicos são frequentemente acusados de fazer ataques pessoais durante debates. E quando os liberais e aqueles contaminados pelo Liberalismo lançam essa acusação contra um de nós, eles imaginam que essa acusação é o bastante para condená-lo.

Mas eles enganam a si mesmos. Para combater e desacreditar falsas ideias, nós precisamos fazê-las abomináveis e desprezíveis para a mesma multidão que eles tentam convencer e seduzir... Acontece que as ideias não podem sustentar a si mesmas no ar, nem podem espalhar-se e propagar-se por si mesmas. Deixadas por si sós, elas nunca produziriam todo o mal que fere a sociedade. É apenas quando elas são aplicadas por aqueles que as concebem que elas tem efeito. Ideias são como flechas e balas que não machucariam ninguém se não fossem atiradas do arco ou da pistola. É o arqueiro ou o artilheiro, portanto, que deve ser o primeiro alvo em nossa mira se queremos parar este inimigo. Qualquer outro método de guerrear, seja liberal ou não, não faz sentido.
Os autores e propagadores de doutrinas heréticas são soldados com armas envenenadas em suas mãos. Suas armas são livros, jornais, discursos públicos e sua influência pessoal. Não é o bastante evitar as balas que eles disparam. A primeira coisa necessária é tornar o próprio atirador ineficaz para que ele não possa mais fazer o mal.

Portanto, nós devemos não somente desacreditar o livro, jornal ou palestra do inimigo, mas também em alguns casos desacreditar a pessoa dele. Pois na guerra o principal elemento de combate é a pessoa engajada, assim como o artilheiro é o principal fator na artilharia e não o canhão, pólvora ou bomba.
É assim lícito em certos casos mostrar publicamente a infâmia de um oponente liberal, ridicularizar seus costumes, jogar seu nome na lama. Sim, isso é totalmente admissível, admissível em prosa e verso, seja numa veia séria ou com zombaria, em caricatura, ou por quaisquer meios e métodos ao alcance no presente ou no futuro. O único cuidado que nós devemos tomar é o de não usar mentiras no serviço da justiça. Isso, nunca. Sob nenhum pretexto nós manchemos a verdade, mesmo ao colocar um pingo no i...

Os Pais da Igreja apoiam essa tese. Os próprios títulos dos trabalhos deles claramente mostram que em seus combates contra as heresias, o seu primeiro golpe era nos heresiarcas. Quase todos os títulos das obras de Santo Agostinho levam o nome do autor da heresia contra a qual ele estava escrevendo: Adversus (Contra) Fortunatum, Adversus Faustum Manichaeum, Adversus Adamanctum, Adversus Felicem, Adversus Secundinum. Ou: Quis fuerit Petriamus (Quem é Petrianus?), De gestis Pelagii (Sobre as Ações de Pelágio), Quis fuerit Julianus, etc.

Então nós vemos que a maior parte das polêmicas do grande Agostinho eram pessoais, agressivas e biográficas, bem como doutrinais, uma luta face a face com o herege bem como com a heresia. Nós podemos dizer o mesmo sobre os outros Pais da Igreja.

Que direito têm os liberais de nos impor a nova obrigação de lutar contra o erro apenas abstratamente ou abrindo grandes sorrisos e tecendo-lhes elogios? Que os Ultramontanos defendam a fé de acordo com a tradição católica como sempre vem sendo defendida na Igreja de Deus. Que a espada do polemista católico acerte direto no coração. Este é o único modo real e eficaz de combate!


(Felix Sardá y Salvani, El Liberalismo es pecado, Barcelona: 1960, p. 60-62)


Original aqui.



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Nota da tradutora:

* O Liberalismo é Pecado. Este livro foi traduzido para a língua portuguesa e está à venda no Mosteiro da Santa Cruz, por apenas R$30,00. 

“Grande clássico da literatura antiliberal. Este livro era muito recomendado por Dom Lefebvre que insistia tanto na necessidade de estudar o liberalismo para melhor combatê-lo.”