terça-feira, setembro 02, 2014

A Igreja Católica condena o capitalismo


Recomendo a leitura deste texto, muito interessante:

A Igreja Católica condena o capitalismo

 

Trechos:

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"O capitalismo é um sistema econômico baseado na racionalização dos meios de produção tendentes a acumular capitais em proveito do próprio sistema, retroalimentando-o, enfatizando o capital em detrimento do trabalho.
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O capitalismo tem como fim estabilizar-se na sociedade através de mecanismos como a livre iniciativa, a propriedade privada e, sobretudo, as leis de mercado, as quais são entronizadas como parâmetro de todas as coisas.
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É um sistema que busca a maximização dos resultados com a minimização dos esforços, sendo um sistema econômico que tem como fim a eficiência, expressão comum a uma espécie de racionalismo, embora desligado de premissas extra-econômicas.
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Esta é a razão pela qual as definições acima são apenas “meias verdades”, evidenciando que o capitalismo não é um mero sistema econômico, mas acima de tudo um tipo de mentalidade materialista que encadeia as relações sociais, que escalona a ciência sobre a moral.
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Por conta deste materialismo que lhe é intrínseco, emancipando-se de coordenadas morais, o capitalismo é condenável pela Igreja.  Com efeito, o capitalismo tem como ideologia operante o liberalismo econômico, que, como é sabido, resulta da aplicação dos princípios do liberalismo filosófico na seara econômica, ou seja, fruto de uma concepção enganosa e desordenada da liberdade.
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O mero fato de o capitalismo propiciar aparente eficiência econômica não o torna moralmente desejável, pois a economia não é somente uma ciência, mas uma relação humana sujeita, portanto, a intervenções de ordem religiosa e moral.
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Assim, conceituar o capitalismo como um simples sistema econômico é adotar-lhe uma definição reducionista e desonesta.
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Da própria interpretação das Escrituras Sagradas é possível extrair a condenação deste sistema desordenado desde o princípio, já que inverte as premissas cristãs dos meios pelos fins buscados.
No livro do Gênesis, é possível observar a primazia do trabalho: “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te hás de tornar.” (Gn 3, 19) Assim, também, nas Cartas Paulinas, tal premissa é reafirmada: “Quem não quiser trabalhar, não tem o direito de comer.” (II Ts 3, 10).  Ora, se para o mínimo de subsistência o trabalho é imperioso, o que dirá para o acúmulo de um mínimo de capitais excedentes.
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(...)

São Tomás escreveu na Summa Theologica o que se segue:
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Se os próprios cidadãos devotam sua vida a matérias dos negócios, o caminho será aberto a muitos vícios.  Na medida em que a principal tendência dos negociantes é fazer dinheiro, avareza é despertada nos corações dos cidadãos através da busca do comércio.  O resultado é que tudo na cidade se tornará venal; a boa fé será destruída e o caminho aberto a todos tipos de fraudes; cada um trabalhará somente para seu próprio proveito,  desprezando o bem público; o cultivo da virtude fracassará, visto que a honra e a recompensa à virtude, serão entregues aos ricos.  Assim, em uma tal cidade, a vida cívica necessariamente será corrupta.” [34]
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As palavras acima de São Tomás soam proféticas.  Com efeito, no sistema triunfante do capitalismo, o ser humano volta todas suas energias intelectuais para a acumulação de capital, relegando a terceiro plano os eventuais obstáculos morais e religiosos, de modo que o próprio tempo acabou se convertendo num custo de oportunidade para ganhos (time is Money), algo impensável numa sociedade católica em que a contemplação era o seu modus operandi.  O mal não repousa, entretanto, na posse das riquezas, mas em convertê-las no fim da vida.  Nisso, todos os escolásticos concordam, desde São Tomás a Santo Antonino de Florença e o Cardeal Gaetano. [35]"

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