quinta-feira, setembro 18, 2014

O Museu das Pobres Almas do Purgatório – parte I



Por Margaret C. Galitzin
Traduzido por Andrea Patrícia




Chiesa del Sacro Cuore del Suffragio. Lungotevere Prati 12, Roma
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Numa visita a Roma, uma boa amiga que lá vivia prometeu mostrar-me algo surpreendente, e que muitos turistas nunca encontram. É o Pequeno Museu das Pobres Almas do Purgatório. Ele é composto por uma grande vitrine em uma única parede no fundo da Chiesa del Sacro Cuore del Suffragio – A Igreja do Sagrado Coração do Sufrágio.
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A Igreja do Sagrado Coração em Roma, dedicada às Pobres Almas

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Fica a uma pequena distância do Vaticano, na rua que corre paralela ao Tibre, a Lungotevere. Se você estiver em Roma, vale a pena tirar um tempinho para ver isso.
A Igreja em si é uma joia gótica brilhante em meio às igrejas predominantemente Renascentistas de Roma. Dentro, há três naves coroadas com altares de santos: fora, sua torre central sobe acima das restantes, apontando para o Céu elevando a alma.
No caminho de entrada há uma maravilhosa escultura das Pobres Almas, que também olham esperançosamente para o alto, pois o Céu é o lar destinado a elas após seu tempo de sofrimento ter terminado. Elas olham para o alto a buscar alívio. A doutrina católica nos ensina que o Purgatório é um lugar de sofrimento, onde as almas expiam seus pecados.
Os artefatos do Museu atestam essas verdades. Cada vitrine possui um item diferente, Escrituras, livros de oração, um tampo de mesa, um artigo de vestuário, que portam as marcas chamuscadas de mãos das almas do Purgatório.
Deus permitiu que essas almas retornassem à terra para pedir orações ou Missas aos seus familiares e amigos, e deixar alguma evidência de seu sofrimento. Assim, elas dão testemunho para católicos de todas as épocas de que o Purgatório existe, um lugar físico de fogo e sofrimento.

Origem do Museu
No século XIX, sob a influência do Iluminismo, as mentes ‘modernas’ já estavam a duvidar dessas verdades da Fé Católica. Uma boa defesa da Fé veio de um sacerdote francês, Pe. Victor Jouet da Ordem do Sagrado Coração – fundada em 1854 pelo Pe. Jules Chevalier com o propósito de rezar Missas e orações para o repouso das Pobres Almas.
Em 1897, a Ordem em Roma possuía uma capela dedicada a Nossa Senhora do Rosário que, em 15 de setembro, pegou fogo. Quando as chamas diminuíram, a imagem clara de uma face em sofrimento, retratando uma alma no Purgatório, foi notada numa parede carbonizada. Isto impressionou profundamente o Pe. Jouet, e ele se interessou por encontrar outras evidências concretas de manifestações das almas do Purgatório àqueles que vivem na terra.
Com o apoio do papa São Pio X, o Pe. Jouet viajou pela Bélgica, França, Alemanha e Itália coletando essas relíquias – provas da existência do Purgatório – para a casa na Igreja Gótica que a Ordem estava construindo para substituir sua capela em Roma.

Parte da modesta vitrine que compõe o pequeno Museu.

O Pequeno Museu abriu ao público oficialmente no mesmo ano. A Igreja abriu para culto em 1917. O sucessor do Pe. Jouet, Pe. Gilla Gremigni, fechou o Museu em 1920, supostamente para dar tempo para que as peças fossem autenticadas, que então permaneceu fechado por 30 anos.
Hoje, o peregrino que vai a Roma pode ainda ver a dúzia de mostras aprovadas, mas talvez não por muito tempo. Nos anos 90, discutiu-se no Vaticano sobre o fechamento do Museu. Devido à Nova Teologia que triunfou desde o Vaticano II, muitos teólogos do Vaticano negam o ensino do Purgatório como um lugar físico de sofrimento. Por enquanto, entretanto, o Museu permanece aberto, embora o peregrino deva geralmente fazer um pedido especial para vê-lo. Peça apenas para ver “il museo,” e você será guiado para a vitrine.

Marcas das Pobres Almas
Deixem-me mostrar-lhes alguns desses artefatos impressionantes e preciosos.


A marca de mão queimada na roupa de dormir de Joseph Leleux; abaixo, impressões digitais no livro de oração alemão.

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Em uma mostra, nós vemos uma marca feita pela falecida Sra. Leleux na manga da camisa de seu filho Joseph quando ela apareceu para ele na noite de 21 de junho de 1789, em Wodecq, Bélgica. Mais tarde seu filho relatou que por 11 noites consecutivas ele havia sido acordado na noite por barulhos assustadores.
Na 12ª noite, sua mãe apareceu para ele para lembrá-lo do dever de mandar rezar Missas por sua alma em conformidade com os temos de uma herança deixada para ele por seu pai. Então ela o repreendeu por seu caminho de vida e implorou que mudasse seu comportamento e praticasse sua Fé Católica.
Antes de desaparecer, ela colocou sua mão na manga da roupa de dormir, deixando uma impressão clara. Joseph Leleux foi convertido e mais tarde fundou uma congregação piedosa para os leigos.
A segunda mostra é a de um livro de oração de George Schitz, que contém as impressões digitais chamuscadas de seu falecido irmão Joseph.
Ele apareceu para George em 31 de dezembro de 1838, em Sarrabe na Lorena, França, e pediu orações. Joseph contou ao seu irmão que estava expiando no Purgatório por sua falta de piedade durante sua vida na terra.
Antes de desaparecer, ele tocou com sua mão direita o livro de orações de George, que seu irmão vinha usando para rezar, deixando marcas de fogo.
Marca da mão deixada por Marguerite Demmerle

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Em outra mostra, você pode ver a marca deixada na cópia de Imitação de Cristo que havia pertencido a Marguerite Demmerlé, da Paróquia de Ellinghen na Diocese de Metz, por sua sogra.
Ela apareceu para Marguerite em 1815, 30 anos após sua morte em 1785, vestida como peregrina num vestido tradicional da região. Ela vinha descendo as escadas com um rosto triste, como se estivesse procurando por algo, Marguerite contou ao seu pároco. Quando Marguerite perguntou quem era, ela respondeu: “Eu sou a sua sogra que morreu ao dar a luz trinta anos atrás. Vá à peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora de Mariental e peça para rezarem duas Missas por mim lá.”
Quando Marguerite pediu a ela um sinal, ela colocou sua mão na cópia de Imitação de Cristo que sua nora estava lendo e deixou marcas de fogo de seus dedos. Ela lhe apareceu novamente para dizer que havia sido libertada do Purgatório. Tudo isso foi documentado por seu pároco. 

Como é novembro, o mês das Pobres Almas, na próxima semana iremos continuar o tour pelo nosso Piccolo Museo del Purgatorio em Roma e ver diversas outras provas da existência do Purgatório guardadas lá. Eu espero que esta demonstração encoraje todos os meus leitores a rezar e oferecer Missas pelas almas de seus parentes e amigos, bem como por todas as almas que sofrem no Purgatório.


(Continua)




Postado em 12 de novembro de 2011.

Original aqui.