quinta-feira, outubro 09, 2014

O Museu das Pobres Almas do Purgatório – parte II



Por Margaret C. Galitzin
Traduzido por Andrea Patrícia




Chiesa del Sacro Cuore del Suffragio
 Lungotevere Prati 12, Roma


Após ver algumas mostras no Museu das Pobres Almas do Purgatório em Roma, muitos leitores perguntaram-me como uma Pobre Alma, um puro espírito, poderia aparecer com um corpo a pessoas na terra e deixar provas concretas de seu sofrimento.
Não há grande dificuldade em explicar como as almas dos mortos (sejam as Abençoadas no Céu, as que sofrem no Purgatório ou as condenadas no Inferno) podem aparecer em forma corpórea na terra. A Igreja ensina que, com permissão de Deus, um espírito pode assumir alguma substância material para representar a si mesmo ao olho humano, seja esta substância um corpo de raios de luz ou algum tipo de nuvem ou vapor. (1)
 
Dentro da Igreja do Sagrado Coração do Sufrágio em Roma
 

Assim nós temos artefatos como aqueles do Pequeno Museu, devidamente aprovados pela Igreja, que resultaram das aparições das Pobres Almas que tiveram permissão de retornar a terra e pedir orações, Missas ou aconselhar aos seus entes queridos para mudar de vida.
O que a Igreja proíbe é tentar entrar em contato com as almas dos mortos, como Deuteronômio nos aconselha: “Que não se encontre entre vós quem pratique adivinhação ou feitiçaria, interprete presságios, envolva-se com bruxaria ou lance feitiços, ou quem seja mediu ou espiritista que consulte os mortos”. (18,10-11) A Igreja nos ensina que, sob essas circunstâncias, o Diabo – também um puro espírito – pode tomar formas corpóreas para enganar aqueles que seguem tais práticas. Porque é tão fácil ser enganado, o fiel deve ter extrema cautela em lidar com qualquer tipo de aparição de espíritos ou invocá-los a aparecer.
Em meu último artigo, eu prometi continuar o tour pelo Pequeno Museu das Pobres Almas na vizinhança de Lungotevere na sessão Prati da rua que corre paralela ao Tibre. Então deixe-me cumprir minha promessa ao dar uma olhada em mais diversas mostras interessantes.

Uma marca de mão queimada na madeira


Uma das mostras mais interessantes expostas é uma placa retangular de madeira quem exibe duas marcas de fogo – uma marca de mão queimada e um sinal da cruz. Estas marcas foram deixadas numa pequena mesa de madeira pelo falecido Pe. Panzini, antigo Abade da Ordem Beneditina Olivetana em Mântua. Em 1º de novembro de 1731, Pe. Panzini apareceu a Venerável Madre Isabella Fornari, Abadessa do Monastério das Pobres Clarissas de São Francisco em Todi enquanto ela sentava-se a sua mesa de trabalho. Ele disse a ela que estava sofrendo no Purgatório.

A marca da mão e a cruz deixadas pelo Pe. Panzini


Como evidência desse estado, ele colocou sua mão flamejante no tampo da mesa e deixou uma marca dela, e então ele gravou uma cruz com seu dedo. Antes de desaparecer, ele tocou a manga de sua túnica com sua mão direita, deixando uma marca de fogo na túnica que passou através da camisa direto para a pele. Há uma marca clara na camisa, que é manchada com sangue da queimadura que Madre Fornari recebeu. A túnica e a camisa estão expostas em outra exibição.
A Abadessa reportou esta visita ao seu confessor, Pe. Isidoro Gazata, um padre da Santa Cruz. Ele escreveu um relatório e ordenou que ela cortasse de sua túnica e de sua camisa as partes com as marcas queimadas e entregá-las a ele para guarda-las. Ele também preservou o tampo da mesa com as marcas da mão queimada e da cruz. Estes artefatos foram examinados pelos teólogos e outros peritos na Diocese, e foi determinado que eles tinham origem sobrenatural.
Quando Pe. Victor Jouet começou sua busca no início do século XX para encontrar evidências de vestígios deixados pelas Pobres Almas do Purgatório, o Monastério entregou a ele todas estas relíquias, quer foram devidamente autenticadas e estão agora expostas no Pequeno Museu. Esta coleção, como eu notei em meu artigo anterior, era parte do legado que ele deixou para a Ordem do Sagrado Coração do Sufrágio, que foi fundado com o objetivo de difundir a devoção ao Sagrado Coração como fonte de socorro para as almas do Purgatório, de acordo com as revelações de Santa Margarida Maria Alacoque.

Expiação por sua falta de paciência

Na noite de 5 de junho de 1894, a falecida Irmã Maria de São Luis Gonzaga, conhecida por sua piedade, apareceu para Irmã Margherita, outra freira no Convento das Pobres Clarissas de Santa Clara em Bastia, Perúgia. Para surpresa de Irmã Margherita, Irmã Maria disse que ela estava no Purgatório.
Uma vista mais próxima da marca queimada deixada no travesseiro da Irmã Margherita



Como gravados nos anais do Convento, Irmã Maria havia sofrido muito de tuberculose, febre, tosse e asma. Ela ficou deprimida e rezou para que morresse logo para não ter que suportar aquele sofrimento. Ela teve uma morte santa poucos dias depois, na manhã de 5 de junho de 1894.

Foi na mesma noite em que ela apareceu para a Irmã Margherita vestida com seu hábito de Pobre Clarissa. Embora a atmosfera em volta dela fosse nebulosa, Irmã Margherita conseguiu reconhecê-la. Irmã Maria disse a ela que estava no Purgatório para expiar por sua falta de paciência em aceitar a vontade de Deus, e pediu a ela orações.
Como prova de sua aparição, ela colocou seu dedo indicador no travesseiro da Irmã Margherita, deixando uma marca queimada, e prometeu retornar. De fato, ela apareceu novamente para a mesma freira em 20 e 25 de junho para agradecê-la por suas orações e para dizer que ela seria libertada do Purgatório. Ela também ofereceu alguns conselhos espirituais para a comunidade.

Impressões digitais num livro de orações


 
 Três impressões digitais queimadas na capa do livro de orações de Maria Zaganti

Em 5 de março de 1871, Palmira Rastelli, que morreu em 28 de dezembro de 1870, apareceu a sua amiga Maria Zaganti. Ela pediu a Maria para dizer ao seu irmão, Pe. Sante Rastelli, para rezar Missas por sua alma porque ela estava sofrendo no Purgatório.
Palmira deixou prova de sua aparição tocando a capa do livro de orações de Maria. Três marcas de dedos queimados podem ser vistas nela.

Um lugar de fogo e expiação
 
O que fica claro destes exemplos é que existe um fogo no Purgatório, como no Inferno. Mas no Purgatório, as almas sofrem com perfeita resignação, sabendo que isso está levando-as para o Céu. Anna Katharina Emmerick (d.1824) teve contatos frequentes com as Pobres Almas. Descrevendo uma de suas visitas ao Purgatório, ela disse:
“É comovente ver as Pobres Almas tão quietas e tristes. Contudo suas faces revelam que elas têm alegria em seus corações, por causa de sua lembrança da amorosa misericórdia de Deus. Num trono glorioso, eu vi a Santíssima Virgem, mais linda ainda do que eu havia observado. Ela disse: ‘Eu suplico que você ensine as pessoas a rezar pelas Sofredoras Almas do Purgatório, pois elas irão rezar muito por nós em gratidão. Rezar por essas santas almas é muito agradável a Deus porque permite que elas O vejam mais cedo.’”
Desses exemplos, nós vemos que Deus permitiu certas Almas Sofredoras a retornar para a terra para pedir orações e Missas por suas almas para que elas possam ter alívio em seus sofrimentos e terminar seu tempo de expiação mais cedo. Certamente isso deve nos estimular a ajudar as Pobres Almas do Purgatório, especialmente nesses dias de crise na Igreja quando elas são tão esquecidas.

  1. Santo Tomás de Aquino, Summa Theologica, I, q.51, a.2, ad.3, em Antonio Royo Marin, The Theology of Christian Perfection, p. 579-580. Martin Luther

Original aqui.