sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Livro Inédito - Os pensamentos de Santo Agostinho



Lançamento de mais um livro pelas Escravas de Maria! Informações delas:



Resumo: É um pensamento de Santo Agostinho para cada dia do ano.

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ESCRAVAS DE MARIA

Faça parte desta Cruzada do Santo Agostinho, que é uma Santa leitura e Meditação para cada dia do ano.

quinta-feira, fevereiro 27, 2014

Maria de Ágreda na América - Parte IV e final

Quem foi Madre Maria de Ágreda?

Por Margaret C. Galitzin
Traduzido por Andrea Patrícia



 Madre Maria de Jesus (1602-1665)


Para finalizar essa série sobre as bilocações milagrosas da Ven. Maria de Ágreda, eu achei que o leitor gostaria de saber mais sobre ela. Quem foi a freira enclausurada espanhola que se bilocou para o Sudoeste da América no século XVII para instruir os índios na Fé Católica e prepará-los para o batismo? Essa curta biografia irá responder a essa questão.

 ***
Ela nasceu com o nome de Maria Coronel y Arana em 2 de abril de1602 na cidade de Ágreda, situada na Província de Soria ao norte da Espanha. Era filha de Francisco Coronel e Catalina de Arana, uma família de nobre linhagem mas com recursos reduzidos. O pio casal teve 11 crianças, mas apenas quatro chegaram à vida adulta: Francisco, José, Maria e Jerônima. Os filhos – e também seus pais – iriam todos se tornar religiosos na família de São Francisco.
Desde a infância, ela foi favorecida por Deus com êxtases e visões. Fez seu voto de castidade com oito anos de idade, e quatro anos depois pediu permissão aos pais para entrar em um convento Carmelita das redondezas. Esse curso mudou, entretanto, quando sua mãe teve uma visão na qual Nosso Senhor revelou a ela Seu desejo de que deveria criar um convento em sua própria casa.

Depois de vencer muitas dificuldades, em janeiro de 1618, a mãe e suas duas filhas tomaram o hábito em seu lar, que se tornou o Convento Franciscano da Imaculada Conceição. No mesmo dia o pai dela se tornou um monge na Ordem de São Francisco, onde seus dois filhos já eram religiosos.

Oito anos mais tarde, aos 25 anos de idade com aprovação papal, Maria de Jesus tornou-se Abadessa, um fardo que ela tomou relutantemente em seus jovens ombros. Ela continuaria a governar o Convento de Ágreda – exceto por um breve período – até sua morte em 1665.
No começo de A Cidade Mística de Deus, ela escreveu:
“O Altíssimo em Sua pura bondade favoreceu tanto nossa família que todos nós fomos consagrados a Ele no estado religioso. No oitavo ano de fundação desse convento, no 25º ano de minha vida, no ano de 1627 de Nosso Senhor, a santa obediência impôs a mim o cargo de Abadessa, que até hoje eu indignamente mantenho.” (1)

Duas investigações e palavras de louvor


A casa da família tornou-se o primeiro convento


Como se espalhou a notícia sobre as visões e escritos da santa Abadessa, a atenção da Inquisição espanhola virou em sua direção. Em 1635 – pouco após a primeira visita do Pe. Alonso de Benavides ao seu Convento (veja
Parte II) – uma primeira inquirição foi feita. A maior parte das questões foi sobre suas bilocações para a América. Seus inquisidores estabeleceram que ela era inocente e louvaram sua virtude, caridade e inteligência.
Em janeiro de 1650, uma segunda investigação foi aberta. Inquisidores vieram ao Convento de Ágreda e questionaram Madre Maria de Jesus por 11 dias com 80 questões que cobriam suas bilocações, seus escritos e também a informação errônea de que ela estava envolvida em um complô contra o Rei espanhol. O caso foi fechado com Maria de Ágreda livre de todas as suspeitas. Mais uma vez, os Inquisidores elogiaram sua vida de oração e sua fidelidade a Santa Madre Igreja.

Através de sua vida, Maria de Jesus iria afirmar que a obediência era sua “bússola” na vida. Ela sempre abriu sua alma aos seus diretores espirituais, manifestando a graça e os favores recebidos de Nosso Senhor e pedindo sua aprovação e conselho.
Nós conhecemos os nomes de seus vários diretores por causa dos registros da Inquisição: foram eles Pe. Juan de Torrecilla, Pe. Juan Bautista de Santa Maria e Pe. Tomás Gonzalo. Por ordem do Provincial, Pe. Francisco Andrés de la Torre iria dirigi-la de 1623 a 1647, quando ele morreu. Durante alguns anos difíceis passaram para Madre Maria de Jesus diretores espirituais temporários, até que finalmente, em 1655, Pe. Andrés de Fuenmayor assumiu a direção e a manteve até a morte dela em 1665.
Nós temos um vívido exemplo do seu espírito pronto para obedecer na redação da sua famosa e controversa obra, A Cidade Mística de Deus, uma vida da Santa Virgem ditada à freira Concepcionista pela própria Rainha do Céu. Em 1643, sob a ordem do Pe. de la Torre, ela escreveu a obra maciça com suas próprias mãos. Durante a ausência dele, entretanto, um diretor temporário a instruiu a queimar o manuscrito e o resto de seus escritos. Ela cumpriu prontamente.
Quando o padre de la Torre retornou, ele a repreendeu fortemente e mandou-a começar de novo. Quando ele morreu em 1647, outra ordem de outro diretor temporário veio a destruir o manuscrito. Ele foi queimado pela segunda vez.
Finalmente, seu último diretor, Pe. de Fuenmayor ordenou Maria de Ágreda a tomar sua pena pela terceira vez. Em 1655 ela completou a magnífica obra que nós temos hoje sobre a vida da Virgem Maria. O mesmo Pe. Fuenmayor escreveu a primeira biografia dela e testemunhou sob juramento sua vida de virtude e santidade no processo de beatificação que foi aberto sete anos após a morte dela.

Uma longa correspondência com o Rei

Filipe IV correspondeu-se frequentemente com Maria de Ágreda.

Em 1642 Maria de Jesus enviou ao Rei Filipe IV um relato de uma de suas visões, na qual ela viu um concílio de demônios conspirando para destruir o Catolicismo e a Espanha. O Rei, que já havia lido o Memorial do padre Benavides sobre suas bilocações místicas para a Nova Espanha, arranjou uma reunião para encontrar a Abadessa em seu caminho para suprimir a rebelião da Catalunha em 1643.
Então começou uma longa correspondência com o Rei que durou mais de vinte anos até a morte dela em 29 de março de 1665. As mais de 600 cartas que sobreviveram até hoje revelam a grande confiança que o Monarca da Espanha tinha na Abadessa enclausurada. Ele a consultava tanto para assuntos espirituais quanto temporais. (2) Era comum para o Rei escrever suas questões em um lado da página, e a Abadessa escrever as respostas dela no outro lado.
As cartas revelam os tópicos prementes que o Rei enfrentava: as guerras e querelas da Espanha com a França, Flandres, Itália e Portugal, as rebeliões catalãs e a falta de recursos de suas muitas iniciativas. Elas mostram também claramente que a Madre Maria de Jesus não hesitava em lembrá-lo de seus deveres católicos perante Deus concernentes a sua desordenada vida pessoal.  
Ela escreveu cartas a Papas, Reis, Gerais de Ordens Religiosas, Bispos, nobres e toda classe de pessoas na Igreja e na sociedade. Embora algumas tenham se perdido, muitas sobreviveram, e nós não podemos deixar de admirar o volume, a extensão, a qualidade e a variedade de sua atividade epistolar. De sua cela apertada, ela tocou verdadeiramente o mundo de sua época.

Uma obra controversa sobre Nossa Senhora

 
A cela de Maria de Ágreda

Após a sua morte em 1665, milagres e favores foram relatados, concedidos por sua intercessão. Sua extraordinária virtude era tão bem conhecida que quase imediatamente os Bispos espanhóis e outros eminentes homens da Igreja tomaram a causa de sua beatificação. Oito anos após sua morte Madre Maria de Jesus de Ágreda foi declarada Venerável pelo Papa Clemente X, pela sua heroica prática de virtudes.
Obstáculos à sua beatificação, entretanto, logo apareceram na forma de objeções à doutrina Mariana em A Cidade Mística de Deus, que havia sido publicada cinco anos após a sua morte e foi recebida com grande entusiasmo na Espanha. A Inquisição Espanhola escrutinizou a obra por 14 anos e não encontrou nada contrário à Fé ou à Moral.
Essa foi a era dourada mariana na Espanha, e sua Imaculada Conceição foi ferozmente debatida. De um lado, como defensores ferrenhos, estavam os teólogos que seguiam Duns Scotus, os Franciscans e as Universidades Espanholas de Salamanca, Madri, Granada, entre outras. Do outro lado estavam os teólogos tomistas franceses e, em particular, a Universidade de Sorbonne. Nesse clima de debate a obra de Madre Maria de Ágreda, que defendia a Imaculada Conceição, ficou sob suspeita.
Em 1681, o Santo Ofício censurou o livro, em 4 de agosto do mesmo ano, foi incluído no Index de Livros Proibidos. Por ordem do Beato Inocêncio XI, entretanto, o decreto de condenação foi removido três meses mais tarde depois de se mostrar que uma falha da tradução francesa foi o motivo da censura.
Mas o incidente teve uma influência negativa em sua causa de beatificação, e desde então repetidas campanhas tem sido feitas contra A Cidade Mística de Deus. Os Jansenistas e os Galicanos no século XVIII renovaram o ataque dizendo que a obra era “excessiva” em sua devoção a Maria. Várias vezes a causa da Venerável Maria de Ágreda foi promovida, e então silenciada.
Em anos recentes, após o 400o aniversário e seu nascimento em 2002, houve uma renovação de esforços por vários grupos Marianos para fazer andar para frente o processo de beatificação. Mas outra barreira permaneceu no caminho: a forte ênfase em Nossa Senhora como Co-redentora e Medianeira encontrado em A Cidade Mística de Deus está em desacordo com as doutrinas ecumênicas do Concílio Vaticano II. Maria de Ágreda, mais uma vez, é posta de lado por promover a devoção a Nossa Senhora.

Corpo incorrupto




Seu corpo incorrupto é mostrado na Capela do Convento



A santidade e a admirável vida de Madre Maria de Jesus nunca foram contestadas. Dentro dos muros do convento concepcionista de Ágreda encontramos uma memória viva da venerável Abadessa. Lá nós podemos ver os oito livros da Cidade Mística de Deus, sua cela com duas janelas e o hábito franciscano que ela usava. Mas a visão mais extraordinária para o admirado peregrino é o corpo incorrupto da Venerável Madre Maria de Jesus.

Em 1909 seu caixão foi aberto pela primeira vez depois de sua morte em 1665. Seu corpo foi encontrado completamente incorrupto. Um relato completo da condição de seu corpo foi preparado por médicos e autoridades. Em 1989, outra cuidadosa investigação científica foi realizada. O médico espanhol Andreas Medina relatou que o corpo estava no mesmo estado que foi descrito no relatório médico de 1909. “Nós percebemos que não houve absolutamente nenhuma deterioração nos últimos 80 anos.”

Ele continua a mostra na Capela do Convento de Ágreda, o qual ela governou por tantos anos. No 400º aniversario de sua morte, mais de 12.000 peregrinos visitaram Ágreda para venerá-la e pedir a intercessão da venerável Senhora de Azul.

Notas:

1.Traduzido por Fiscar Marison, 4 vols, (Chicago, 1916), Livro I, p. 19-20.
2. María de Jesús de Ágreda: Correspondencia con Felipe IV, Religión y Razón de Estado, Introdução e notas por Consolación Baranda (Madrid: Editorial Castalia, 1991)

Original aqui.


quarta-feira, fevereiro 26, 2014

terça-feira, fevereiro 25, 2014

“O Católico e os Regimes Políticos” em perguntas e respostas


Um ótimo texto extraído do SPES, que eu recomendo vivamente a leitura. 

Para os que buscam a verdade, a Fé, a vida Tradicional e fiel a Igreja, e possuem dúvidas sobre a situação política atual, é leitura obrigatória!

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“O Católico e os Regimes Políticos” em perguntas e respostas
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C. N.
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1) O estados devem ordenar-se essencialmente a Cristo Rei e pois à Igreja?
Resposta. Sim. Como o dizem numerosos documentos do magistério* e Santo Tomás de Aquino, os estados devem ordenar-se essencialmente (não acidentalmente) a Cristo Rei e pois à Igreja assim como a alma se ordena ao corpo no composto humano; como a natureza se ordena à Graça no justo; e como a razão se ordena à Fé na Sacra Teologia. Em verdade, o estado católico é, como pessoa moral e analogamente, tão membro da Igreja como o é cada fiel, ou, em outras palavras: não se trata tão só de o estado defender a Igreja e a religião, mas de fazê-lo por ser membro dela.
2) Mas os estados, desde a afronta de Felipe, o Belo, ao Papa Bonifácio VIII (século XIII), vieram progressivamente deixando de fazer parte da Igreja, até que hoje já não há nenhum que o faça.
Resposta. Assim como, analogamente a qualquer fiel, o estado pode ser membro da Igreja, assim também, como todo e qualquer fiel, pode apostatar – e foi exatamente o que se deu desde então. É a apostasia geral das nações anunciada no Evangelho.
3) Se porém já não parece factível, no mundo de hoje, a restauração do Reino de Cristo, devemos insistir na tese da ordenação essencial?
Resposta. Sem dúvida alguma, assim como diante de um mundo pecador devemos insistir em que o é e não fazer-nos pecadores nós mesmos. O que Deus nos pede não é que “vençamos o bom combate”, mas sim que “combatamos o bom combate” – como o diz o Apóstolo –, até porque a vitória, do ângulo de Cristo Rei mesmo e da Jerusalém Celeste (nossa verdadeira pátria), está conquistada de antemão, desde toda a eternidade e desde a Cruz no Calvário.
4) Se assim é, não podemos então apoiar nenhuma alternativa política atual?
Resposta. Sem dúvida alguma, nenhuma, porque todas de algum modo deixam de ordenar-se essencialmente à Igreja e a Cristo Rei.
5) Mas não se pode apoiar algum mal menor?
Resposta. Apoiar um mal, menor ou maior, sempre será pecar contra a reta ordem a Deus. Isso, todavia, não quer dizer que não possamos, por exemplo, votar em algum candidato menos indigno, o que não seria apoiá-lo, mas tolerá-lo ou valer-se dele por um bem qualquer. Insista-se: isto é de todo diferente de apoiá-lo.
6) Em outras palavras, não devemos apoiar a democracia liberal contra o comunismo?
Resposta. Devemos entender o assunto de maneira responsável, ou seja, religiosa e científica a um só tempo – e o que diremos a seguir decorre diretamente dos referidos documentos do magistério da Igreja, os quais nenhum católico pode furtar-se a seguir sob pena de pecado contra a Fé. Vamos pois por partes.
a) Todos os regimes políticos atuais – a democracia liberal, o comunismo de uma Coreia do Norte, o populismo comunistizante do chavismo, o populismo esquerdista do PT, o regime da Rússia atual (de difícil definição ainda), os movimentos fascistas ou nazistas – são maus por razões diversas, antes de tudo porque não se ordenam a Cristo Rei, mas também porque ferem de algum modo a Lei Natural.
b) A democracia liberal de hoje implica uma grave afronta à Lei Natural, porque de modo geral segue a chamada “pauta globalista” (aborto, pansexualismo livre, etc.), em ordem a um governo mundial que não será senão o cenário para o advento do último Anticristo. É por essa ordem que se debilitam ou esfacelam as nações europeias com uma dissolvente crise econômica; que os Estados Unidos esmagam os restos de Cristandade e de autoridade no Oriente Médio; que se tenta desestabilizar até os mesmos regimes esquerdistas da América ibérica. Quanto menos se sustentem os estados atuais – esses mesmos estados que são já resultantes da desagregação liberal e revolucionária da Cristandade –, mais se imporá a “necessidade” de um efetivo poder mundial.   
c) Mais que isso, todavia: a própria economia dita liberal (tanto da parte de seus propugnadores “puros” quanto de seus aplicadores “impuros”) foi uma das causas, precisamente, do fim da Cristandade, da família, dos chamados “corpos intermediários” da sociedade – para constatar o quê basta uma leitura superficial da história da revolução industrial, da revolução francesa, etc. Ademais, o próprio regime democrático instaurado com a revolução francesa funda-se numa mentira perversa: após alardear que “a voz do povo é a voz de Deus” (quando se deveria dizer que cabe ao povo e a qualquer de nós escutar a verdadeira voz de Deus), acaba por instituir, em verdade, mediante a propaganda e o mecanismo enganoso do sufrágio universal, uma tirania de poderes político-econômicos mais ou menos ocultos.
c) Por outro lado, os restos de regime comunista puro (Coreia do Norte, Cuba) prosseguem em sua tirania e em sua monstruosidade antinatural – sobretudo porque põem o estado acima não só da Igreja, mas da própria família e dos corpos intermediários da sociedade, caráter que compartilham com o fascismo e o nazismo. Mas, de algum modo, não fazem o mesmo as democracias liberais, ao, por exemplo, obrigar as famílias a aceitar que as escolas ensinem a seus filhos segundo cartilhas antinaturais? E não se diga que isto é próprio de um governo esquerdista como o do PT, que o quer implantar, porque já está implantado na larga maioria dos regimes ditos de democracia liberal, como o do Canadá, o de muitos estados dos EUA, o de grande parte dos países europeus, etc.
d) Os regimes esquerdistas da América ibérica oscilam mais ou menos entre aqueles extremos.  
e) Já os regimes atualmente vigentes nos países que compunham a antiga Cortina de Ferro, os quais, como já dito, são ainda de difícil definição, buscam manter-se independentes da “pauta globalista” e guardam alguns itens da Lei Natural (e em alguns casos, como a Hungria, até da Lei Divina Positiva) de modo como já não se faz em nenhuma outra parte do mundo. Até quando conseguirão manter-se assim, aí está o que é difícil prever; mas o que se deve ter em perfeita conta é que tais regimes tampouco se ordenam perfeitamente à Lei Natural nem, sobretudo, à Igreja e a Cristo Rei, ainda que a mesma Hungria tenha tentado de algum modo fazê-lo, como veremos mais abaixo.    
Vê-se assim que a nenhum de tais regimes pode o católico prestar apoio, ainda que, naturalmente, não possamos deixar de contentar-nos com que, por exemplo, a Rússia de Putin, ainda que por razões meramente geopolíticas, defenda os cristãos da Síria da sanha norte-americana. Quando nos contentamos com isto, contudo, tão somente suportamos um mal menor, porque acidentalmente ele propicia um bem (a sobrevivência, ainda que parcial e provisória, do resto de Cristandade oriental).
7) Não é porém verdade que a ilegitimidade de um regime se dá, antes de tudo e automaticamente, quando impede a propagação da Fé? E o comunismo não o faz mais que todos?
Resposta. Ainda a esta pergunta deve responder-se por partes.
a) Sem dúvida alguma, o impedir a propagação da Fé, ou, o que é o mesmo, o perseguir à Igreja, é causa de ilegitimidade automática de um regime político.
b) Não se esqueça, no entanto, que todos os regimes políticos atuais são de algum modo apóstatas, e que o impedimento da propagação da Fé pode dar-se duplamente: ou por repressão direta, ou por meios mais sutis de operar – o que em algum grau sucede atualmente em todo o mundo com o ataque maciço dos media, das artes, das cartilhas escolares, das leis, etc., contra o depósito da Fé e a Lei Natural. Tal ataque maciço cria como que uma couraça na mente dos cidadãos que os torna impenetráveis à Fé e suas verdades, o que, repita-se, é outro modo de impedir a propagação da Fé.
c) Ademais, está à vista de todos que a democracia socialdemocrata francesa atual ou que o democratismo liberal de Obama (este no Oriente Médio) perseguem ou esmagam diretamente os católicos, visando precisamente a destruir a Fé. E, se assim é e quanto a isto, não se diferenciam sequer acidentalmente dos países comunistas.
d) Por fim, a ilegitimidade de um regime ou governo nunca pode ser absoluta. E, para entender em que sentido o dizemos, lembre-se que por ordem do papa os católicos que viviam sob Juliano, o Apóstata, lhe obedeciam no que não ferisse gravemente a Lei Natural nem ofendesse a Lei Divina Positiva – porque com efeito todos os governantes, como dizia São Pedro, se têm a espada, a têm dada por Deus mesmo para punir os maus. Em palavras mais simples e exemplares: não é porque vivamos sob uma tirania de qualquer classe que devemos furtar-nos a obedecer-lhe ou no justo ou ainda no injusto que não fira os principais itens da Lei Natural – e iria contra este princípio aquele que deixasse de pagar impostos agravantes se os pudesse pagar. Esta é doutrina certa – magisterial e tomista ou agostiniana –, de que não nos podemos esquivar.

    8) Desde o início, no entanto, se fala aqui do magistério da Igreja. Mas o Vaticano II e a Hierarquia que o segue não só anularam a condenação à maçonaria (um dos principais fautores do mundo moderno e anticristão), mas induziram os mesmos estados católicos a deixar formalmente de sê-lo. Não se poderia pois considerar que o magistério da Igreja mudou?
Resposta. Antes de tudo, o magistério da Igreja, enquanto infalível ou certo, ou é imutável ou não o é. Ademais, o chamado magistério conciliar não só, por seu liberalismo, sempre se negou a impor doutrina cingida das chamadas “quatro condições vaticanas” (as que dão a um documento magisterial precisamente o caráter de infalível), mas, muito mais que isso, desde sempre se opõe ao magistério infalível ou certo de dois mil anos. Logo, não só não lhe devemos obediência alguma em ponto algum, mas devemos mover-lhe ininterrupta oposição católica. E, para que se tenha como exemplo outra ignomínia do magistério conciliar, recorde-se o sucedido recentemente na Hungria: seu governo decidiu entregar toda a educação nacional à Igreja Católica, que, porém, pela voz da Conferência Episcopal local, rejeitou a oferta. Ora, uma igreja que comete crime tão ignóbil – essencialmente idêntico ao cometido por Paulo VI ao induzir os estados católicos a deixar de sê-lo – não pode contar com as notas da catolicidade (que só se dão, de algum modo, onde quer que se mantenha íntegra a Fé) e não se pode dizer católica senão a título precário – o que todavia é assunto para outro lugar.
E, por isso mesmo que se viu tristemente acontecer na Hungria, é que não podemos depositar nossas esperanças sequer na nação do Rei Santo Estêvão. Com efeito, não é ordenar-se a Cristo Rei ordenar-se a uma igreja que não se quer d’Ele.
9) Não pode o católico, portanto, em definitivo, ter esperanças em nenhum regime e em nenhuma nação da Terra atual. Que lhe resta, então?
RespostaResta-lhe a oração ensinada pelos Apóstolos: “מרנא תא, Maranata”, “Vinde, Senhor Jesus”, mas vinde logo, para fazer passar a figura deste mundo e introduzir a sua verdadeira Igreja e seus fiéis na derradeira Jerusalém, a Celeste. Sim, porque nem sequer com respeito aos estados cristãos e à Cristandade medieval nos foi e é infundida a virtude teologal da Esperança: foi-nos e é-nos dada sobretudo para que suspiremos pela vida definitiva, a vida em que os salvos pela misericórdia divina poderão descansar, já sem nenhumas tribulações, na visão d’Aquele que É.




* Ei-los:
• Documento de excomunhão e deposição de Henrique IV (São Gregório VII);
• Epístola Sicut universitatis (Inocêncio III);
• Bula Unam Sanctam (Bonifácio VIII);
• Constituição Licet iuxta doctrinam (Erros de Marsílio de Pádua e de João de Jandun sobre a constituição da Igreja; João XX);
• Encíclica Quanta cura (Pio IX);
• O Syllabus (Erros sobre a Igreja e seus direitos; Erros sobre a sociedade civil considerada quer em si mesma, quer em suas relações com a Igreja; Erros sobre o principado civil do Romano Pontífice; Pio IX);
• Encíclica Etsi multa luctuosa (Pio IX);
• Encíclica Quod Apostolici muneris (Pio IX);
• Encíclica Diuturnum illud (Leão XIII);
• Encíclica Immortale Dei (Leão XIII);
• Encíclica Libertas, praestantissimus (Leão XIII);
• Encíclica Sapientiae christianae (Leão XIII);
• Encíclica Annum Sacrum (Leão XIII);
• Encíclica Rerum novarum (Leão XIII);
• Encíclica Graves de Communi Re (Leão XIII);
• Encíclica Vehementer Nos (S. Pio X);
• Encíclica Ubi arcano (Pio XI);
• Encíclica Quas primas (Pio XI);
• Encíclica Divini illius magistri (Pio XI);
• Encíclica Quadragesimo anno (Pio XI);
• Encíclica Firmissimam constantiam (Pio XI);
• e Encíclica Summi Pontificatus (Pio XII).
Extraído de SPES.

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

O Teto de Marie-Antoinette

Teto do quarto da Rainha Marie-Antoinette em Versailles

sábado, fevereiro 22, 2014

Comentários Eleison: Humanização Fatal

Comentários Eleison – por Dom Williamson
CCCXLV (345) - (22 de fevereiro de 2014): 

Humanização Fatal


            Alguns católicos que sustentam que a Sé Apostólica está vacante protestam veementemente contra os números recentes destes “Comentários”, que parecem pôr a heresia universal do liberalismo em pé de igualdade com a opinião particular do sedevacantismo. Mas enquanto estes “Comentários” constantemente acusam a praga do liberalismo, eles seguramente não têm feito ultimamente mais do que argumentar que ninguém é obrigado a aderir ao sedevacantismo, que – mesmo levando-se em consideração o tipo armadilha esterilizante que este prova ser em alguns casos – é certamente uma posição muito moderada por se tomar.

            Contudo, os “Comentários” sustentam que o sedevacantismo, enquanto admirável como um esforço para combater o liberalismo, é, na melhor das hipóteses, um meio inadequado para fazê-lo, pois ele compartilha com os liberais um de seus erros básicos, a saber, a exageração da infalibilidade papal. Em seu cerne, esse erro nos leva ao coração da atual e sem precedente crise da Igreja, e eis a razão pela qual os “Comentários” insistirão na questão, enquanto pedem o perdão de alguns leitores indevidamente aborrecidos ou ofendidos. A Igreja inteira está em jogo, e não somente as sensibilidades desses ou daqueles de seus membros.

            O cerne desse erro consiste na humanidade virando as costas de modo lento e constante, pelos últimos 700 anos, a Deus, Seu Filho e Sua Igreja. No auge da Idade Média, os católicos, apegada à unicidade e à exclusividade do Deus objetivo e Sua Verdade não contraditória, tinham uma fé clara e forte. Dante não teve problema em colocar Papas no Inferno. Mas como no decorrer dos séculos o homem se pôs mais e mais no centro das coisas, Deus perdeu Sua transcendência absoluta sobre todas as criaturas, e a verdade se tornou mais e mais relativa, não para a autoridade de Deus, mas para a do homem.

            Dentro da Igreja, tomem por exemplo a 13º das 17 “Regras Para Sentir Com a Igreja” do famoso livro de Santo Inácio de Loyola, Os Exercícios Espirituais, elogiado por inúmeros Papas desde então e, sem dúvida, responsável por ajudar a salvar milhões de almas. Santo Inácio escreve: “Para em tudo chegarmos à verdade, devemos sempre sustentar o princípio de que o branco que eu vejo é preto se a Hierarquia da Igreja assim decidir”. Tal posição poderia apoiar a autoridade dos homens da Igreja a curto prazo, mas não oferece um sério risco de separá-la da verdade a longo prazo?

De fato, no fim do século XIX o liberalismo tanto se fortaleceu que a Igreja teve que apoiar sua própria autoridade por meio da Definição de 1870 de seu Magistério, operando a pleno vapor, ou seja, sempre que 1) um Papa 2) define 3) um ponto de Fé ou de moral 4) de modo a obrigar toda a Igreja. Mas pensando muito humanamente desde então, muitos católicos, ao invés de relacionarem esse Magistério Extraordinário a Deus e à Verdade imutável do Magistério Ordinário da Igreja, tendem a prestar à pessoa humana do Papa uma infalibilidade que provém apenas de Deus e só pertence a Ele. Esse processo humanizante gerou uma infalibilidade cada vez mais exagerada que quase inevitavelmente resultou na absurda alegação de Paulo VI de ser capaz de remodelar a Tradição da Igreja em nome de um “Solene Magistério Ordinário”. A grande maioria dos católicos permitiu que ele saísse com essa, e até hoje tantos e tantos deles estão a se tornar liberais dia após dia enquanto seguem os Papas conciliares, ao passo que uma pequena minoria de católicos está sendo levada a negar que aqueles responsáveis pelo absurdo conciliar possam ser, de alguma forma, Papas.

            Por fim, eu pessoalmente tenho respeito por muitos sedevacantistas, na medida em que eles creem na Igreja e estão desesperados por encontrar uma solução para um problema infinitamente sério da Igreja. Mas, em minha opinião, eles precisam procurar mais alto e mais profundamente – a infinita alteza e profundidade do próprio Deus.

Kyrie eleison


O problema do sedevacantismo é o mesmo do mundo e da Igreja moderna: atribuir muita importância ao homem e pouca importância a Deus. 

quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Maria de Ágreda na América - Parte III


Testemunhos da Sua Presença nos EUA 
Por Margaret C. Galitzin
Traduzido por Andrea Patrícia




Uma gravura na Madeira do século XVII


Na Parte I da Ven. Maria de Ágreda na América, nós vimos como os índios Jumanos no território do Novo México relataram em 1630 que a Senhora de Azul os estava visitando e ensinando a Fé Católica. Os índios descreveram a mulher com detalhes, e contaram aos Franciscanos na missão de Isleto fora de Albuquerque que ela os tinha enviado para pedirem o Batismo. Dois missionários foram enviados numa missão exploratória à aldeia dos Jumanos (cerca de 250 a 300 milhas a leste de Santa Fe) e viram que os Jumanos e outras tribos dos arredores já conheciam os rudimentos da Fé.  Todos eles relataram o mesmo fenômeno da Senhora de Azul que os tinha visitado.

A Parte II explica como o Pe. Alonso de Benevides, Inquisidor e Superior da Colônia do Novo México, fez um relato detalhado da situação da missão em 1630 – incluindo um relato da Senhora de Azul – e o entregou ao Rei da Espanha e ao Superior Franciscano espanhol. Enquanto estava lá, ele visitou a Madre Maria de Ágreda em seu convento. Após uma investigação cuidadosa, ele ficou convencido de que ela era a Senhora de Azul.


Quando os padres Salas e Lopez deixaram a aldeia dos Jumanos em 1630, eles evidentemente pretendiam retornar. Os índios perceberam que aqueles padres estavam fazendo uma excursão de inspeção preliminar e fizeram tudo o que podiam para convencê-los a estabelecer uma missão permanente no território Jumano. A decisão, de fato, foi a favor deles, embora os eventos tenham terminado saindo diferentes dos planos.
Os missionários espanhóis iriam ministrar aos Jumanos pelo resto do século, mas não na área dos Altos Planos. Logo após a primeira visita dos primeiros missionários, os Jumanos, uma tribo nômade caçadora, tiveram de deixar suas costumeiras áreas de caça.

Pareceu que, com a ajuda dos Franciscanos, eles foram reassentados na Missão da Imaculada Conceição, em Quarai, no Novo México, estabelecida em 1629-1630 (hoje conhecida como Gran Quivira). Em 1670 – uns 40 anos após a última visita documentada da Senhora de Azul – uma última parte dos Jumanos dos Altos Planos foi reassentada na Missão Manso fundada pelos Franciscanos perto de El Paso em 1659.(1)

Para os incrédulos europeus, os Memoriais de 1630 e 1633 do Pe. Benavides, registros históricos válidos, iriam oferecer a prova de que as bilocações de Madre Maria de Ágreda não foram apenas lendas fantásticas de ‘atrasados’ povos supersticiosos.

Para os índios, a documentação era desnecessária. De uma geração para outra, as histórias da freira Concepcionista que usava capa azul eram recontadas, as evidências de suas visitas milagrosas eram preservadas verbalmente, uma história oral duradoura.


“Eu não quero nenhuma outra cor a não ser azul”



Os índios recontavam histórias da senhora de azul visitando seus antepassados.

 

Os Memoriais do Pe. Benavides não são, entretanto, a única evidência documentada da presença da Madre Maria de Ágreda no Novo Mundo. Quando outros espanhóis chegaram ao território onde Maria de Ágreda fez suas visitas, eles encontraram índios que se lembravam da Senhora de Azul e de seus ensinamentos sobre a doutrina de Jesus Cristo.

Em 1689, 24 anos após a morte de Maria de Jesus, o explorador espanhol
Alonso de Leon fez sua quarta expedição dentro do território do Texas. Em sua carta ao representante do Rei, um relatório dando um detalhado registro da expedição, (2) ele escreveu que alguns dos índios Tejas com quem ele se encontrou já tinham sido parcialmente instruídos na Fé Católica por causa das visitas da Senhora de Azul aos seus antepassados. Essas são as suas palavras:

“Eles realizavam muitos ritos cristãos, e o chefe índio pediu aos missionários para instruí-los, dizendo que há muitos anos atrás uma mulher foi ao interior para instruí-los, mas ela não tinha ficado lá por muito tempo.” (3)

O padre Franciscano Damian Massanet acompanhou de Leon nessa expedição. Dois anos antes, ele tinha estabelecido a Missão São Francisco dos Tejas, a primeira missão no Leste do Texas. Num relatório ao representante do Rei, ele conta sobre um incidente que teve lugar nessa expedição entre os índios Tejas.
Os líderes da expedição estavam distribuindo roupas aos índios. O chefe deles, ou “governador” como o padre Massanet o chamava, pediu um pedaço de tecido grosso azul para enterrar sua mãe quando ela morresse.
Pe. Massanet escreve:
“Eu disse a ele que um tecido leve seria melhor, e ele disse que ele não queria nenhuma outra cor a não ser azul. Eu perguntei então qual mistério estava ligado à cor azul, e o governador disse que eles eram muito apaixonados por azul, particularmente para roupas de funeral, porque em tempos passados uma mulher muito bela os visitou lá, que desceu das alturas, e aquela mulher estava vestida de azul e eles queriam estar como ela.
“Sendo questionado se isso aconteceu há muito tempo, o chefe disse que não havia sido na época dele, mas a mãe dele, que era idosa, a tinha visto, assim como outras pessoas também tinham visto. A partir disso vê-se claramente que aquela era a Madre Maria de Jesus de Ágreda, que esteve frequentemente naquelas regiões, como ela mesma havia reconhecido ao Padre Superior no Novo México” (4)

Os Índios do Arizona se lembram de histórias sobe a belíssima mulher

Outro testemunho escrito sobre a presença da Madre Maria de Ágreda entre os índios do Arizona vem do livro de registros do Capitão Mateo Mange, que viajou com os padres jesuítas Eusebio Francisco Kino e Adamo Gil na expedição para descobrir o Colorado e o Rio Gila em 1699.
Uma vez, quando estava conversando com alguns índios muito idosos, os exploradores perguntaram se eles alguma vez haviam ouvido seus anciãos falarem sobre um capitão espanhol passando pela região deles com cavalos e soldados. Eles estavam procurando informações sobre a expedição de Don Juan de Oñate  em 1606.
Os índios disseram a eles que conseguiam lembrar-se de ter ouvido dos anciãos que já haviam morrido sobre um grupo assim. Então, eles acrescentaram – sem qualquer pergunta que os levasse a isso – que quando eles eram crianças uma belíssima mulher branca, vestida de branco, marrom e azul, com um tecido leve cobrindo a sua cabeça, veio à terra deles.

Uma senhora com uma cruz que “desceu do alto” para ensinar aos índios.

Mange recontou mais sobre o que os índios contaram a ele:
Ela falava, gritava e arengava com eles... e mostrava-lhes uma cruz. As nações do Rio Colorado atiraram flechas nela, deixando-a para morrer em duas ocasiões. Ao reviver ela desapareceu no ar. Eles não sabiam onde era sua casa e morada. Após alguns dias ela voltou novamente, e então muitas vezes depois para pregar para eles.” (5)
Isto iria concordar com o relato do padre Benavides, que havia entrevistado Madre Maria de Ágreda em seu convento (veja Parte II). Ela disse a ele em várias ocasiões que os índios haviam se voltado contra ela e atirado fleches nela, deixando-a para morrer. Ela sentiu a dor dos ataques, mas quando ela voltava a si no convento mais tarde, não havia sinal de ferimentos.
Mange observa, além disso, que os índios de São Marcelo tinham contado a ele a mesma história cinco dias antes, embora naquele momento eles não tivessem acreditado nela. Mas o fato de eles terem ouvido a mesma coisa repetida em um lugar um tanto distante fez com que começassem a suspeitar de que aquela mulher era Madre Maria de Jesus de Ágreda. Os missionários estavam familiarizados com sua vida e obra, e sabiam a partir dos Memoriais do padre Benavides que durante os anos de 1620 a 1631 ela havia pregado aos índios da América do Norte. (6)
Quase 70 anos tinham passado desde aquela época, e esse homens velhos – que aparentavam ter uns 80 anos – teriam sido jovens rapazes na época que a Senhora de Azul os visitou.

A lenda da flor azul Bluebonnet


 
As flores azuis comemoraram as visitas de Maria de Ágreda

Documentos históricos indicam claramente que Maria de Ágreda visitou o sudoeste dos Estados Unidos muitas vezes em 1620 para instruir os índios. Isso não é uma lenda.
Pe. Benavides, um Inquisidor de confiança, saiu de Ágreda convencido de que Maria de Ágreda havia estado fisicamente presente no Novo Mundo, e que as visitas dela haviam continuado durante o mesmo ano, 1631. Em 1635 ele se tornou o Bispo de Goa, e sempre se recomendou às orações da Abadessa Concepcionista e manteve a mais alta estima por ela.

Houve, entretanto, uma lenda encantadora que surgiu entre os índios Tejas, inspirada pelo seu amor e respeito pela Senhora de Azul.

De acordo com ela, após os Franciscanos virem para batizar e catequizar o povo, a Senhora de Azul contou aos Jumanos que suas visitas chegariam ao fim. Quando ela os deixou misteriosamente de sua maneira costumeira, a encosta onde ela apareceu ficou coberta com lindas flores azuis; uma memória da presença dela entre eles. Aquela espécie de flor veio a ser conhecida como Bluebonnet, e hoje é a flor do estado do Texas.

Notas:

1. Nancy P. Hickerson, "The Visits of the 'Lady in Blue': An Episode in the History of the South Plains, 1629" Journal of Anthropological Research, Vol. 46, No. 1 (Spring, 1990), pp. 67-90; http://www.jstor.org/stable/3630394

2. Damian Massanet, Letter of Fray Damian Massanet to Don Carlos de Siguënza, in Bolton, Herbert Eugene Bolton (ed.), Spanish Exploration in the Southwest, 1542-1706 (New York: Charles Scribner's Sons, 1916). Pp. 347-38;
www.americanjourneys.org/aj-018/

3. W. Donahue, “Mary of Ágreda and the Southwest United States,” p. 310; veja Artigo I, Nota 1).
4. Idem, in Ibid., p. 310
5. Ibid., p. 311
6. Ibid.

(Continua)

Original aqui.