quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Como agir quando um local de trabalho exige compromissos morais?


Por Atila S. Guimarães
Traduzido por Andrea Patricia
 

Caro Sr. Guimarães,

Primeiramente quero agradecê-lo pela clareza com a qual o senhor tem provido os leitores do site Tradition in Action. Eu encontro uma grande consolação em sua perspectiva, enquanto eu leio mais e mais os artigos postados.
Eu gostaria de pedir que o senhor, por favor, me ajude com a seguinte questão: eu obtive um Doutorado num campo profissional de terapia anos atrás, e ensinei meio período numa universidade local (como temos filhos, eu tenho deveres e demandas em casa).
Aproximadamente dois anos atrás, quando eu acordei para os problemas na Igreja Católica, bem como para os meus próprios pecados, eu também percebi que a associação nacional a qual eu pertencia, a partir qual eu recebi algumas das minhas credenciais, possuía uma história relativamente longa de prover uma plataforma para avançar a agenda homossexual. (Ano passado, eles também contrataram uma palestrante para a sua convenção nacional que era uma forte apoiadora da Planned Parenthood, embora isso nunca tenha sido propagandeado em sua biografia impressa no boletim nacional).
Além disso, uns dois anos atrás, uma mulher católica escreveu uma carta ao editor da publicação mensal da associação nacional expressando sua preocupação sobre a afiliação da associação nacional com um grupo imoral. Ela foi subsequentemente caluniada e censurada nas edições seguintes da publicação por outros membros da associação, tudo com apoio do editor. Eu fiquei horrorizada. Devido a estes acontecimentos, eu havia decidido que eu não poderia mais justificar a adesão à associação nacional, pois eu não queria contribuir para a imoralidade do mundo, e temia estar diante de Deus quanto a isso.
O que aconteceu em seguida foi que eu pedi meu emprego porque a universidade não contrata profissionais que não são credenciados pela associação nacional. A adesão à associação nacional é vinculada às credenciais da pessoa, por mais estranho que pareça. Eu poderia recuperar minha adesão, o que me devolveria as minhas credenciais, mas o pensamento de fazer isso gerou um conflito em mim. Parece que se eu fizer isso eu estarei traindo a verdade (conhecida também pelo nome de Jesus Cristo) por causa de um emprego.
Eu não quero trair, mas sem as credenciais, é quase impossível obter um emprego. Eu tenho especialização e embora não trabalhe muito, eu sei que eu posso oferecer uma grande ajuda a pessoas que vierem buscar meu conhecimento.
Por favor, o senhor poderia me dar uma perspectiva sobre essa questão?
Eu o agradeço muito por qualquer ajuda que possa me prestar quanto a esta situação, e mais uma vez, pela luz que o senhor possa dar em um momento tão escuro.
Sinceramente,

E.S.
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O Editor responde:

Cara E.S.,

Obrigado por suas palavras gentis e por sua consideração em pedir meu conselho nesse assunto delicado.

Talvez você não saiba, mas eu não tenho nenhuma formação especial em Moral. Quando eu respondo questões como a sua, eu estou apenas aplicando os princípios do senso católico próprio para cada leigo. Com esse pressuposto, deixe-me ver se eu poderei ou não ajudá-la ao tentar interpretar a mente da Santa Madre Igreja e dar a você alguns parâmetros para orientá-la.

Resumindo, o problema é que você precisa de credenciais para exercer sua profissão, e o único órgão que as emite requer um juramento ou uma assinatura ou outro tipo de adesão (você não especificou qual) concordando que você irá respeitar homossexuais, planejamento familiar e outras coisas contra a Moral Católica.

Regra geral de caridade

O primeiro ponto que você deve esclarecer é em que grau essa associação nacional demanda sua adesão à promoção da homossexualidade e outras questões morais que você mencionou.

A princípio, um católico deve dar assistência a qualquer um de seus semelhantes em caso de emergência, independente de quem seja. Isso é o que Nosso Senhor nos ensinou na parábola do Bom Samaritano. Foi isso o que as inúmeras instituições católicas de caridade sempre fizeram através de toda a História.

Então, se os requisitos desta associação são gerais em termos, referindo-se a tais emergências onde homossexuais são incluídos entre outras vítimas, eu acredito que eles devem ser assistidos como qualquer outra pessoa.  Então, a minha opinião é que você pode concordar com tais requisitos sem preocupação de estar cometendo um pecado.

Enfrentando demandas imorais dos órgãos oficiais

Entretanto, se os requisitos são específicos, demandando tanto que você dedique uma parte considerável de seu tempo assistindo homossexuais ou se engajando na promoção de causas sobre os direitos homossexuais, então a questão demanda atenção maior.

A solução desse problema depende da sua resposta a esta questão: o quanto você realmente precisa trabalhar e ganhar dinheiro para sustentar sua família?
 
Para responder a esta questão, você deve considerar que com relação à necessidade, existe uma hierarquia. Quando você diz que você precisa trabalhar, você deve determinar qual o grau de sua necessidade a partir das seguintes categorias:

·       Indispensável – algo essencial para a vida – você precisa de dinheiro para manter a sua família; sem isso seus filhos irão passar fome ou sua mãe irá perder a assistência médica da qual ela precisa para viver, ou você irá perder sua casa porque você não consegue pagar as contas mensais;

·       Necessário - você precisa de dinheiro o qual seus filhos podem viver sem, mas na faltado dinheiro eles não poderão continuar com seus estudos, ir ao médico, ou se vestir de acordo com o nível social de sua família;

·        Conveniente – com esse dinheiro extra você poderia pagar por cursos de idiomas, e assim seus filhos poderiam ter empregos melhores, frequentar círculos sociais melhores, casar com pessoas de melhor situação econômica. Se não forem idiomas, então algo similar: associar-se a um clube adequado, vestir-se de modo mais digno e adequado aos princípios católicos.

·          Supérfluo – com esse dinheiro extra você poderia enviar seus filhos para passar férias na Flórida ou fazer uma viagem familiar para esquiar no Colorado para se livrar do estresse, ou você poderia remodelar o seu pátio num estilo mais na moda para o seu prazer e para causar uma boa impressão em os seus amigos.

Se a renda que você está procurando é para necessidades supérfluas ou convenientes, não tente pegar de volta a licença para seu trabalho. O acordo que você terá de fazer representa um prejuízo moral muito acima de suas necessidades.

Entretanto, se você precisa trabalhar para ganhar um salário para coisas indispensáveis ou necessárias, então você pode submeter-se às regras da associação sem concordar com elas. Ou seja, você aceita tais regras não pelo que elas representam, mas para adquirir meios para a sobrevivência de sua família. 

Se eu não estou enganado, isso é o que em Moral é chamado de princípio do duplo efeito.

Um exemplo simples é este: um homem precisa do seu carro para ganhar dinheiro para sobreviver; o único posto de gasolina da cidade apoia a homossexualidade. Quando ele vai encher o tanque de seu carro, ele não está apoiando a homossexualidade, mas adquirindo os meios para prover a si e sua família.

Concluindo: se a associação que dá as credenciais para seu emprego é o único órgão apto a fazer isso, e você precisa (indispensavelmente e necessariamente) desse emprego para prover sua família, você pode se submeter aos termos deles sem concordar com eles.  

Se esse é o caso, quando situações concretas se levantarem com as quais você não concordar, você pode fazer arranjos práticos para evitar promover a homossexualidade, planejamento familiar, etc. Se esses arranjos são impossíveis, é melhor deixar o emprego e buscar outros meios para prover sua família. Nunca é lícito promover a homossexualidade ou quaisquer outros assuntos contra a moral católica.

Tendo provido estas orientações, creio que você é a única pessoa que deve julgar como sua situação se encaixa nesses parâmetros.

Eu espero que esses princípios a ajudem a seguir em frente com a consciência em paz.

Cordialmente,

Atila S. Guimarães

Original aqui.