quinta-feira, maio 28, 2015

O Dogma do Inferno – Parte IV



Como Evitar o Inferno em Nossas Vidas Diárias
Dr. Remi Amelunxen          
Traduzido por Andrea Patrícia




Devemos viver nossas vidas no caminho estreito para evitar a danação eterna no Inferno.


O que nós devemos fazer para salvar nossas almas? Esta é a pergunta definitiva da vida, e inclui o tema do presente artigo da série sobre Inferno. Para respondê-la, nós precisamos resolver a questão apresentada por Nosso Senhor: “De que vale um homem ganhar o mundo inteiro e sofrer a perda de sua própria alma?” (Mt 16,26).

A Sagrada Escritura é repleta de citações poderosas sobre como o homem deve viver para evitar o Inferno (por exemplo, Mt 26,24, 5,48). O problema ao usá-las é que seus conselhos podem frequentemente ser interpretados de diferentes maneiras, tornando difícil o trabalho de entendê-las a fim de se evitar o Inferno e se alcançar o Céu. (1)

Sabendo disso, Nosso Senhor providenciou um instrumento importante para tornar mais fácil o entendimento das nossas obrigações morais: Ele estabeleceu a Santa Igreja Católica, uma instituição que há de durar para todo o sempre, visando a ensinar a humanidade, com autoridade, para que nós possamos ter um guia a fim de alcançarmos a salvação. O perene Magistério da Igreja Católica, tal como estabelecido por Cristo, que sobreviveu seguindo o mesmo caminho seguro até o século XX, é o verdadeiro caminho para a salvação.

Modernismo e Progressismo, um parêntesis no Magistério.

O desvio do caminho infalível já havia começado no fim do século XIX, com o Modernismo promovido por homens como Pe. George Tyrrell (1861-1909). Tyrell foi excomungado pelo Papa São Pio X, que combateu os erros modernistas em sua famosa Encíclica Pascendi Dominici Gregis (1907) e no Syllabus Lamentabili (1907).

Mas um dos estudantes de Tyrell, o infame Pe.Teilhard Pierre de Chardin, continuou sua obra. Suas noções panteístas sobre evolução foram prelúdios para a vitória progressista no Vaticano II e a apostasia geral deste resultante, que continua até hoje. As heresias abundam na Igreja Conciliar, fazendo com que o Purgatório e o Inferno sejam ignorados, minimizados ou negados pelos eclesiásticos e até mesmo por Papas. O conceito herético da salvação universal encontra aceitação geral, apoiado por teólogos progressistas e também por Papas.

As sugestões feitas por João Paulo II em sua Encíclica Ut Unum Sint de que aqueles que estão nas falsas religiões podem ser salvos (2) são suficientes para muitos católicos desconsiderarem a própria noção de Inferno, presumindo, em vez disso, que um Deus todo misericordioso irá salvar a todos os que possuem algumas boas intenções. Assim, os católicos hoje devem aumentar sua vigilância e ficar cientes sobre tudo aquilo que é requerido para a salvação. Se não, um longo Purgatório, ou pior, um eterno Inferno será o seu destino…

Pecado material e formal

Há muitos tipos de pecados que os moralistas católicos incluem sob os preceitos dos Dez Mandamentos. Segue uma sinopse.

Ao falar de pecado mortal e também de pecado venial, a Igreja é cuidadosa em não fazer pronunciamentos definitivos, porque a seriedade do pecado pode variar, baseada na matéria subjetiva da má ação, nas circunstâncias à volta dele ou no conhecimento da pessoa sobre o seu grau de pecaminosidade. Estes fatores determinam se o pecado é mortal ou venial, ou mesmo se em alguns casos não há pecado.

Teólogos Moralistas distinguem entre pecado “material” e “formal”. Uma ação que é contrária à Lei Divina, mas que não é conhecida como tal pela pessoa, constitui um pecado material. De maneira simples, se alguém comete uma ação contra a lei Divina sem saber disso, esta ação é considerada um pecado material, ou seja, havia matéria para pecado, mas a pessoa não sabia disso. Um pecado formal é cometido quando a pessoa transgride conscientemente um dos Mandamentos.

Então, no pecado mortal devem estar presentes três elementos: matéria grave, conhecimento suficiente e consentimento da vontade. Assim, uma pessoa que equivocadamente toma a propriedade de outra enquanto acredita ser dela própria, comete um pecado material. Mas o pecado é formal se ela toma a propriedade na crença de que esta pertence à outra, seja sua crença correta ou não.

Pecado Mortal

O meio mais importante de evitar o Inferno é não cometer pecado mortal. Infelizmente, hoje muitos jovens – mesmo aqueles nas escolas católicas – nunca ouviram sobre pecado mortal por causa da geral preocupação liberal de que isso possa “assustá-los”. Esse é o triste resultado das catequeses que resultaram do Vaticano II.

 O anjo segura as balanças no julgamento privado de uma alma.

A Igreja ensina que alguns pecados são sempre mortais. Como nós mencionamos antes, há três fatores determinantes:

  1. Matéria grave, julgada a partir do ensino das Escrituras, das definições dos Concílios e dos Papas, e também da razão da pessoa;

  1. Conhecimento suficiente, que é um entendimento da gravidade da matéria;

  1. Pleno consentimento da vontade.

O primeiro efeito do pecado mortal é privar a alma da graça santificante e desviar o homem de seu verdadeiro fim último. Se um homem morre neste estado sem arrependimento, ele irá para o Inferno. Portanto, é de absoluta importância confessar cada pecado mortal durante a nossa vida para garantir a salvação.

Como nós podemos parar de cometer pecados mortais? Deve ser lembrado que a maioria dos pecados que cometemos são habituais, isto é, nós tendemos a cometer o mesmo tipo de pecado várias vezes. Portanto, nós devemos focalizar naquelas coisas mortalmente erradas que fazemos habitualmente. Pessoas preocupadas com a salvação devem também lutar para eliminar todos os pecados veniais intencionais, sabendo que eles ofendem a Deus e levam a pecados mortais.

Os pecados mortais comuns são geralmente os mais perigosos para a salvação porque eles não carregam um estigma social – isto é, “todo o mundo está fazendo isso” –, o que produz a perda do horror em cometê-los. Hoje, muitos pecados contra a Fé (1º Mandamento) e contra a pureza (6º e 9º Mandamentos) caem nesta categoria.
   
Os Dez Mandamentos

Um breve sumário de transgressões contra cada um dos Mandamentos, com uma ênfase no horror do pecado mortal, pode ser útil para muitos católicos. Assim, são apresentados aqui. Certos pecados são sempre mortais, e as circunstâncias nunca alteram o caso.

Para o Primeiro Mandamento: estes incluem pecados diretamente contra Deus, como o de idolatria, o de desespero, de blasfêmia, de rejeição da Fé Católica, de apostasia da Fé (tão predominante na Igreja progressista de hoje), de heresia e cisma, e o de falha em oferecer a Deus somente o culto supremo que a Ele é devido.

O Segundo MandamentoNão tomeis o nome do Senhor teu Deus em vão – proíbe irreverência com o nome de Deus, a quebra de juramentos ou votos a Deus e simonia.

O Terceiro Mandamento Guardar domingos e festas de guarda – manda que nós adoremos a Deus no Santo Sacrifício da Missa, proíbe a realização de tarefas servis desnecessárias que requerem o trabalho do corpo, e aconselha que nós não negligenciemos a oração e os trabalhos espirituais que levam a salvação.

O Quarto MandamentoHonrar pai e mãe – pede-nos para respeitar e amar os nossos pais, obedecê-los em tudo o que não for pecaminoso, e ajudá-los quando eles tiverem necessidade. Também manda que os pais providenciem o bem estar espiritual e físico de seus filhos.


Roupas imodestas ofendem Nosso Senhor e Nossa Senhora, especialmente quando usadas na Igreja.

O Quinto Mandamento Não matarás – proíbe assassinato, suicídio, lutas pecaminosas e ira, ódio, vingança, gula, embriaguez, mau exemplo, risco de vida temerário e participação em duelo.

Os pecados contra o Sexto e Nono Mandamentos Não cometer adultério e Não cobiçar a mulher do próximo – inclui adultério, fornicação, masturbação, prazer em pensamentos impuros intencionais, olhares e ações, seja sozinho ou com outros. Na maioria das vezes estes são pecados mortais. Com relação à impureza, um horror especial está ligado aos atos homossexuais, porque eles são também pecados contra a natureza, que clamam por justiça.

O Sétimo e o Décimo MandamentosNão roubarás e Não cobiçarás os bens do próximo – proíbe reter voluntariamente o que pertence a outro; roubar secretamente é furto, e roubar violentamente é roubo. Também proíbe fraude e aceitação de subornos. Além disso, censura o desejo de ter ou manter injustamente o que pertence aos outros, e proíbe qualquer inveja do sucesso alheio.

O Oitavo Mandamento Não levantar falso testemunho – proíbe mentiras, julgamento precipitado, detração, calúnia e segredos obrigados.

Muitos livros de oração antigos costumavam incluir uma seção com um exame de consciência antes da Confissão. Estes exames levantavam questões pertinentes sobre cada Mandamento, bem como para os Sete Pecados Capitais e os Seis Mandamentos da Igreja. A leitura das questões ajuda a pessoa a ficar em alerta com relação às transgressões – tanto as sérias quanto as leves – que podem ser cometidas. Para a conveniência dos leitores, um exame assim pode ser encontrado aqui. [1]

(Continua)

Francois Xavier Schouppe, The Dogma of Hell, Illustrated by Facts Taken from Profane and Sacred History, p.129-132.
  1. E.g. see Ut Unum Sint, Nos.11, 14, 40, 42, 45, 49, 50, 58, 62, 75, 78, 84, 87, 96

Original aqui.
Veja as outras partes: Parte I, Parte II, Parte III

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Notas da tradutora:

[1] Veja também: