segunda-feira, março 30, 2015

Sagração de Dom Faure: entrevista com o prof. Carlos Nougué

Publico abaixo a entrevista com o professor Carlos Nougué feita pelo confrade Eugênio Lima, fiel da Resistência.


"Fiz algumas perguntas simplórias ao Prof Carlos Nougué, para auxílio dos fiéis da tradição e certeza do combate aos fiéis da resistência.Simplórias não pela capacidade do Prof. em responder, mas pela incapacidade dos fiéis, às vezes, de compreender."
1) Quais as consequências desta sagração? 
RESPOSTA. O fortalecimento da Resistência à abominação da desolação instalada no lugar santo e às tentativas de entregar qual Judas, por 30 dinheiros, a tradição aos hereges instalados na hierarquia da Igreja. Trata-se, claro, das tentativas da Neo-FSSPX.

2) Os bispos e os fiéis sofrerão pena de excomunhão justa de fato? 
RESPOSTA. Uma excomunhão feita por hereges não só não é justa, mas é inválida; inexiste. Esta é tão inválida como a feita contra Dom Lefebvre e seus quatros bispos.

3) O estado de necessidade, como se aplica nessa situação? 
RESPOSTA. Como sempre se aplicou: enquanto a hierarquia for herética, temos por necessidade de salvaguardar a fé e o sacerdócio. E fazemo-lo, como diz o Mandato Apostólico escrito e lido na sagração por Dom Williamson, com a esperança de um dia depositar todos os nossos atos nas mãos de um papa outra vez verdadeiramente católico.

4) Qual o caminho futuro da Igreja? 
RESPOSTA. Creio que só Deus o sabe.

5) Existe esperança de Roma abdicar do modernismo e voltar a fé? 
RESPOSTA. Humanamente falando, não. Mas, se Deus submergir o mundo no terrível castigo que este merece já há muitos séculos e cada vez mais, quem sabe?

6) Ou esse é um caminho sem volta?
RESPOSTA. São segredos da providência divina. Mas dou-lhe meu parecer (apenas uma opinião): já se cumpriram os sinais que, como profetizado nos Evangelhos, antecedem o último e terrível Anticristo: a apostasia geral das nações e a abominação da desolação instalada no lugar santo (ou seja, a heresia instalada na hierarquia católica). Mas atenção: isto não quer dizer que devamos ficar parados. Ao contrário, e digo-lhe o que vemos todos por aqui: a Resistência cresce a um ritmo inesperado; o que Deus nos prepara, só ele obviamente o sabe. Mas não devemos, como quer que seja, entristecer-nos pelo fim dos tempos. Ao contrário, devemos rezar com os apóstolos: Maranata, Vinde Senhor Jesus – mas vinde logo, para levar-nos enfim à nossa verdadeira Pátria, a Jerusalém Celeste.


Um abraço, espero ter ajudado de alguma forma, e fique com Deus.
Carlos Nougué

domingo, março 29, 2015

Comentários Eleison: Bispo Novo

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDII (402) - (28 de março de 2015): 

BISPO NOVO


São José, Patrono da Igreja, muito obrigado,
Por ter o número de seus verdadeiros bispos aumentado!


            A sagração do Pe. Jean-Michel a bispo que se deu na semana passada no Mosteiro da Santa Cruz, no Brasil, foi uma ocasião deleitante. O tempo estava quente e seco. O sol brilhava. Os monges e as Irmãs próximos de Dom Tomás de Aquino se destacaram por transformar uma garagem de concreto e metal em um santuário digno da nobre liturgia, que, aliás, eles também prepararam muito bem. Apesar da notícia tardia, um grupo de padres vindo de todos os lugares das Américas se fez presente; e uma congregação de uma centena de almas, também de muitos países diferentes, seguiu atentamente a cerimônia de três horas.

            Desde então têm se regozijado todos os católicos que estavam até então cientes da necessidade de haver ao menos mais um bispo para ajudar a assegurar a sobrevivência de uma “Tradição Resistente”. A preservação da compreensão que tinha Dom Lefebvre sobre a defesa da Fé católica não podia mais depender de um bispo somente. Aquela sua sagração de quatro bispos em 1988 sem a permissão de Roma, pela “Operação Sobrevivência” em oposição à “Operação Suicídio”, tinha de ser estendida no século XXI. Minhas desculpas a todos os católicos que gostariam de ter comparecido se tivessem sido devidamente informados, mas tudo teve de ser feito, e isso incluía uma medida de discrição, para que se tivesse certeza de que a sagração se realizaria.  
           
            Ela tinha adversários poderosos. A Igreja oficial em Roma reagiu declarando que o sagrante foi “automaticamente excomungado”, mas, assim como em 1988, essa declaração é falsa, porque, segundo a Lei da Igreja, quem comete um ato punível não incorre na penalidade normal prevista – por exemplo: excomunhão por sagrar um bispo sem a permissão de Roma – se tiver agido por necessidade. Isso é bom senso, e havia indubitavelmente necessidade no presente caso. Enquanto o mundo se aproxima mais e mais da Terceira Guerra Mundial, que indivíduo na terra pode estar seguro de sua própria sobrevivência?

            Paralelamente, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X oficial em Menzingen, na Suíça, condenou a sagração de Dom Jean-Michel Faure em um comunicado de imprensa emitido no mesmo dia. Digno de nota neste é a admissão de que o sagrante foi excluído da Fraternidade em 2012 por causa de sua “crítica vigorosa” dos contatos da Fraternidade com Roma nos últimos anos. Menzingen alegava até então que o problema era de “desobediência”. Agora, finalmente, admite que estava sendo continuamente acusado de “traição do trabalho de Dom Lefebvre”. Sem dúvida. Traição e destruição.

            A própria Roma confirma a traição. No dia seguinte ao da sagração, Dom Guido Pozzo, Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, logo após declarar a inexistente “excomunhão”, continuou afirmando que Várias reuniões (entre Roma e a FSSPX) foram realizadas, e mais estão planejadas com certos prelados (romanos), para discutir os problemas que ainda precisam ser esclarecidos em uma relação de confiança; problemas doutrinais e internos à Fraternidade.

            Dom Pozzo prosseguiu: O Papa está esperando que a Fraternidade se decida a entrar na Igreja, e nós estamos sempre prontos com um projeto canônico conhecido (uma prelatura pessoal). É necessário um pouco mais de tempo para que as coisas se tornem claras dentro da Fraternidade, e para que Dom Fellay obtenha um amplo e suficiente consenso antes de dar esse passo.

            Do que mais alguém precisa para ver o que está escrito no muro?


Kyrie eleison.

sexta-feira, março 27, 2015

Novo curso de Carlos Nougué: A Existência de Deus e a Criação do Mundo – segundo Santo Tomás de Aquino

A Existência de Deus e a
Criação do Mundo – segundo
Santo Tomás de Aquino
Curso on-line ministrado por 
Carlos Nougué
 “A felicidade última do homem está na contemplação da Verdade.”
Santo Tomás de Aquino
A Sabedoria é a barca de que falava Platão:
é nela que podemos atravessar com mais 
segurança o mar tempestuoso desta vida.
1) A partir do dia 10 de abril de 2015, estarão abertas as inscrições para o curso on-line A Existência de Deus e a Criação do Mundo – segundo Santo Tomás de Aquino, de 16 horas.
2) As inscrições far-se-ão em nosso site (cursos.carlosnougue.com.br).
Observação. As inscrições permanecerão abertas após o início do curso.
VALOR E FORMAS DE PAGAMENTO
1) Valor total:
a) ou R$ 180,00 em até 6 parcelas sem juros no cartão de crédito;
b) ou R$ 165,30 por pagamento à vista mediante débito on-line ou boleto bancário.
Observação. Ambas as formas de pagamento se farão, em nosso próprio site, mediante o PagSeguro.
INÍCIO E DURAÇÃO DO CURSO 
1) curso terá início no dia 15 de abril de 2015, com a postagem do primeiro vídeo.
2) Cada quarta-feira se liberará aos alunos um novo vídeo (sempre de cerca de 1:30 hora). Mas todos os vídeos, depois de liberados, poderão ser vistos a qualquer dia e hora.*
3) Para cada inscrito, os vídeos-aula permanecerão disponíveis oito meses em nosso site, a contar do dia mesmo de sua inscrição.
EMENTA DO CURSO
I) O estado atual da questão e a finalidade deste curso.
II) Se a existência de Deus é evidente.
III) Se é possível demonstrar a existência de Deus.
IV) As provas tomistas da existência de Deus.
IVa) Da parte do movimento.
IVb) Da parte da causa eficiente.
IVc) Segundo o possível e o necessário.
IVd) Da parte dos graus que se encontram nas coisas.
IVe) Da parte do governo das coisas.
IVf) Da parte da ordem do mundo (desdobramento da prova anterior).
V) O ente por participação e o ser por essência.
VI) Da criação do mundo ex nihilo (de nada).
VII) Da sustentação do mundo no ser.
VIII) Da premoção divina.
IX) Conclusão.
Observação 1. O curso pretende-se uma espécie de questão disputada, ou seja, os alunos – que esperamos sejam não só católicos, mas de outras religiões e agnósticos ou ateus – poderão enviar ao professor suas dúvidas ou, ainda, suas objeções, às quais se responderá por e-mail (carlosnouguefilosofia@gmail.com) enviado ao conjunto dos alunos. Só não se responderá a questões que escapem ao âmbito e escopo do curso nem a ofensas, a escárnios e a outras coisas que tais. A própria inscrição no curso implicará, com valor legal, a aceitação destas condições. – Para que todavia se tenha uma ideia, no curso Por uma Filosofia Tomista o professor escreveu cerca de 500 páginas de respostas, e no curso Para Bem Escrever na Língua Portuguesa cerca de 600.
Observação 2. Como cremos se provou no curso Por uma Filosofia Tomista, parte considerável da escola tomista submeteu a importantes desvios filosóficos a doutrina de Santo Tomás. E isto se reflete, às vezes gravemente, também nos assuntos de que tratará o novo curso. Pois bem, também aqui nos esforçaremos por fazer voltar o tomismo a Santo Tomás, com todas as precisões ou correções terminológicas, conceptuais e doutrinais que tal requer.
CURRÍCULO DE CARLOS NOUGUÉ
I) Dados pessoais:
Nome: Carlos (Augusto Ancêde) Nougué;
Nacionalidade: brasileira;
Idade: 63 anos.
II) Qualificações profissionais:
1) Professor de Filosofia por diversos lugares;
2) Professor de Tradução e de Língua Portuguesa em nível de Pós-graduação;
3) Tradutor de Filosofia, Teologia e Literatura (do francês, do latim, do espanhol e do inglês);
4) Lexicógrafo.
III) Outros cursos on-line:
Por uma Filosofia Tomista;
Para Bem Escrever na Língua Portuguesa.
IV) Obras no prelo ou em produção:
Suma Gramatical da Língua Portuguesa – Gramática Geral e Avançada (É Realizações: lançamento, junho de 2015);
As Artes do Belo: Essência e Fim (ainda sem editora).
V) Prêmio e indicações para prêmio:
• Prêmio Jabuti de Tradução/1993;
• Indicação ao Prêmio Jabuti/1998;
• Finalista do Prêmio Jabuti/2005 pela tradução de D. Quixote da Mancha, de Miguel de Cervantes (edição oficial do Quarto Centenário da edição princeps).
VI) Responsável pelas seguintes páginas:
VÍDEO DE APRESENTAÇÃO
___________
Uma iniciativa conjunta
Central de Cursos Contemplatio
Associação Cultural Santo Tomás




* Como se vê, ao contrário do que se dá nos demais cursos do mesmo professor, neste não se liberarão duas aulas por semana, mas uma. Tal alteração se impõe pela gravidade mesma do tema.

quinta-feira, março 26, 2015

O Dogma do Inferno – Parte I



Inferno dos Condenados, o Lugar Onde as Almas Permanecem Para Sempre
Por Dr. Remi Amelunxen
Traduzido por Andrea Patrícia
 

 Nosso Senhor Jesus Cristo presidindo o Juízo Final



Após estudar o Purgatório, (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) parece lógico discorrer sobre o Inferno. Este dogma também foi muito esquecido e até mesmo negado, especialmente como sendo um lugar onde as almas dos condenados estão por toda a eternidade.
A fonte principal para esta série de artigos é o livro excepcional de Pe. François Xavier Schouppe intitulado Hell: The Dogma of Hell Illustrated by Facts Taken from Profane and Sacred History. [Inferno: O Dogma do Inferno Ilustrado por Fatos Extraídos da História Profana e Sacra](1) Esta série irá resumir esta obra, escrita há mais de 100 anos, e também apresenta pensamentos e opiniões de outros autores.
O dogma de que o Inferno existe é, como observa o Pe. Schouppe: “a mais terrível verdade de nossa fé. Nós temos tanta certeza do Inferno como temos da existência de Deus.” (2) Nosso Senhor mesmo proclamou isto ao menos 50 vezes no Evangelho.
A Revelação é apoiada pela razão, e a existência do Inferno está em harmonia com a Lei Natural, que é a expressão da imutável Justiça Divina. De fato, na história nunca existiu um povo que não tivesse um sistema de punição para aqueles que não seguissem as leis comuns. Uma variedade de punições terminando com a pena de morte é a regra normal de qualquer sociedade.

Esta realidade penal que existe em toda parte não é nada mais senão o reflexo da Justiça Divina. Não é difícil enxergar que uma punição eterna – o Inferno – é um prato da balança da Lei Divina. O outro prato é a recompensa eterna para aqueles que são fieis. Isto é o que a razão nos diz sobre o Inferno.

Algumas noções explícitas sobre o Inferno sempre foram conhecidas por muitos povos. O Inferno nunca foi negado por hereges, Judeus e Maometanos. Ironicamente, foi apenas na era do Iluminismo, no século XVIII, que separou-se a fé da razão, e criou esta enorme estupidez chamada Ateísmo. Um filósofo ateu é tão estúpido quanto um cientista que finge que a luz e o calor que beneficiam a terra não vêm do sol. Então, após essa “iluminação” nós temos que suportar estas toupeiras que não conseguem enxergar um palmo diante de seus narizes e negam Deus como causa da Criação e da Lei Natural. Ateus também negam o Inferno.

Tristemente, em nossos dias, com o objetivo de “adaptar-se ao mundo moderno”, o Progressismo aceita as pressuposições desses ateus e também minimiza – quando não rejeita – a  existência do Inferno. Mesmo altos escalões eclesiásticos na própria Igreja Católica estão fazendo o mesmo…


Tolos sofismas
 


Pe. Schouppe retrata algumas pessoas infelizes que persuadem a si de que o Inferno não existe baseadas em interesseiros sofismas internos. O raciocínio delas é o seguinte:
  1. Eu não acredito em Inferno;
  2. Aqueles que acreditam neste dogma não têm prova de sua existência, já que a futura vida após a morte é um problema insolúvel, um invencível “talvez”;
  3. Ninguém retornou do além da tumba para testemunhar que existe um Inferno.
 
Aqueles que negam o Inferno são tolos insensatos, caminhando numa perigosa corda bamba


Vejamos brevemente cada um desses raciocínios. “Eu não acredito em Inferno”, alguns simplesmente dizem. O Inferno deixará menos de existir porque você não quer acreditar nele? Se você negar sua própria existência, você cessará de existir? (3)  
“Ninguém sabe o que é a vida futura e o Inferno é apenas um ‘talvez’”. De fato, este argumento é resolvido pela Revelação, que fala sem incertezas sobre o Inferno. A verdade do Inferno é conhecida pela infalível palavra de Deus. Apenas o mais tolo dos homens se basearia num “talvez” e assim exporia a si mesmo à punição do fogo eterno
Quanto ao terceiro argumento, existem, de fato, almas condenadas que retornaram para revelar seus castigos eternos como veremos na última parte deste artigo.

As Sagradas Escrituras falam sobre o Inferno


Há muitas referências à existência do Inferno (4) no Antigo Testamento. Dentre outras, as seguintes:
• O perverso deverá ser lançado no Inferno, e todas as nações que se esqueceram de Deus. (Sl 9,18)
• Portanto, o Inferno alargará sua alma e abrirá sua boca sem quaisquer limites, e seus fortes e seu povo, e seus altos e gloriosos cairão dentro dele. (Is 5,14)
 
As Escrituras falam frequentemente de um lugar de fogo eterno onde os Demônios e as almas dos condenados ficam

• Que a morte venha sobre eles e que eles caiam vivos no Inferno. Pois há perversidade entre eles e em suas moradas. (Sl 54,16)
• Eu abalei a nação com o som de sua queda, quando o lancei no Inferno com aqueles que caem dentro do abismo. (Ez 31,16)
• Pois eles também deverão cair com ele no Inferno para perto daqueles que foram mortos pela espada: e o braço de cada um deverá cair sob sua sombra em meio às nações. (Ez 31,17)
• Vós os transformareis em fornalhas ardentes no tempo de vossa ira: o Senhor irá confundi-los com Sua ira e o fogo os devorará. (Sl 20,10)
No Novo Testamento nós encontramos estas palavras infalíveis: 



• Se vossa mão os escandaliza, corte-a fora; é melhor entrar na vida mutilado do que ter duas mãos e ir para o Inferno, dentro do fogo infindável: onde os vermes não morrem e o fogo não se extingue. (Mc 9,43)
• E vós, Cafarnaum, que vos eleva até o Céu, deverá ser lançada no Inferno. (Lc 10,15)
• Deus não poupou os anjos que pecaram, mas lançou-os com cordas infernais no fundo do Inferno entre tormentos, onde estão reservados até o julgamento. (2 Pe 2,4)
• Então Ele dirá para aqueles que estiverem à sua esquerda: apartem-se de mim, malditos, para o fogo eterno que foi preparado para o demônio e seus anjos. (Mt 25,41)
• Desceu fogo vindo de Deus no Céu e os devorou, e o demônio, que os seduziu, foi lançado num lago de fogo e enxofre, onde tanto a besta quanto o falso profeta serão atormentados dia e noite, para sempre. (Apoc 20,9-10)
• Eles irão para o castigo eterno. (Mt 25,46)

O ensino De fide da Igreja


Em seu Fundamentals of Christian Dogma [Fundamentos do Dogma Cristão], o teólogo Ludwig Ott apresenta estes dois ensinamentos de fide no tópico sobre reprovação e Inferno:
1. As almas daqueles que morrem em condição de pecado mortal entram no Inferno (5) – O Credo Atanasiano declara: “Aqueles que fizeram o mal irão para o fogo eterno” (Denzinger 40).
Bento XII declarou na Constituição Benedictus Deus: “De acordo com o decreto geral de Deus, as almas daqueles que morrem em pecado mortal descem imediatamente ao Inferno, onde serão atormentadas pelas dores do Inferno” (Denz. 531). 
Os Pais da Igreja atestam unanimemente a realidade do Inferno. Por exemplo, Santo Inácio de Antioquia afirma que aqueles que corrompem a fé em Deus através de ensinos errôneos “irão para o fogo insaciável – assim como aqueles que deram ouvidos a eles.” São Justino baseia a punição do Inferno na ideia de Justiça Divina, que exige punição para aqueles que transgridem a lei de Deus. (6)
2. O castigo do Inferno dura por toda a eternidade – Afirmando a natureza eterna do Inferno, falada com frequência na Sagrada Escritura, (7) o Quarto Concílio de Latrão (1215) declarou: “Aqueles [os rejeitados] receberão uma punição perpétua com o demônio.” (Denz. 429) 


Uma impressionante manifestação do Inferno


Em Sua misericórdia, Deus ajuda nossa fé sobre a verdade do Inferno através de manifestações de uma natureza sensível. Estas são mais numerosas do que se pensa, e são apoiadas por provas suficientes. Eis um exemplo impressionante, provado judicialmente no processo de canonização de São Francisco de Jerome (1642-1716) e atestado sob juramento por um grande número de testemunhas oculares.
São Francisco estava pregando em Nápoles sobre o Inferno e os terríveis castigos que esperam pecadores obstinados. Uma prostituta descarada da região chamada Catarina veio perturbar seu sermão com gestos e gritos.


São Francisco de Jerome pregando as Últimas Coisas

O santo gritou para ela: “Cuidado, minha filha, ao resistir à graça. Antes que se tenham passado oito dias, Deus irá puni-la.”

Em vez de prestar atenção às palavras dele, a mulher apenas zombou dele com mais veemência.

Após oito dias, o santo estava novamente naquela região e disseram a ele que Catarina havia morrido subitamente naquele mesmo dia. Ele disse: “Bem, vamos deixar que ela nos diga agora o que ela ganhou ao rir do Inferno.”

Seguido por uma multidão, ele foi até a câmara mortuária, descobriu o cadáver, e disse em voz alta: “Catarina, diga-nos onde você está agora.”

A mulher morta levantou a cabeça e abriu os olhos. Suas feições tomaram uma expressão de desespero e, numa voz lamentosa, ela disse: “No Inferno. Eu estou no Inferno.” Então ela caiu de volta na condição de cadáver.

Pe. Schouppe registra as palavras de uma testemunha, que disse: “Eu nunca pude transmitir a impressão que este incidente produziu em mim e nos espectadores, e que eu ainda sinto toda vez que eu passo por aquela casa e vejo aquela janela. Eu ainda ouço grito triste ressoando: ‘No Inferno. Eu estou no Inferno’.” (8)

Este é apenas um exemplo das manifestações de almas que retornaram a terra para admitir que elas sofrem punição eterna.

(Continua)
  1. Francois Xavier Schouppe, The Dogma of Inferno, Illustrated by Facts Taken from Profane and Sacred History, Rockford, IL: TAN, 1989
  2. Ibid., p. 1.
  3. Ibid., p. 2.
  4. Outras referências no Antigo Testamento, Ez 31,18, Ez 32,21, 27, Pr 7,27, Pr 9,18, Pr 15,24, Is 29,10, Is 24,21f., Judt 6, Ecl 21,10-12, Sl 87,5,7, Sl 37,12f, Sb 4,20, Jó 22,17-20, Dan 12,2, Sb 5,1-3, Sb 5,4f, Sb 5,79, Is 33,14, Deut 32,39.
    Outras referências no Novo Testamento, Mc 9,46-47., Mt. 7,13, Mt. 10,23, Mt 7,13, 2 Pet 2,9, Mt. 18,8, Lc 13,27, 2 Ts 1,9, Mt 25,30, Mt 3,12, Mc 9,44, Lc 16,23, 2 Pet 2,9, Ef 5,6, Rom 1,28-32, Ap 22,15, Ap 21,8
  5. Ludwig Ott, Fundamentals of Christian Dogma, St. Louis, Herder, 1969,p. 479-480.
  6. Ibid., p. 480
  7. Dan 12,2; Sb 4,19; Judith 16,21, 7; Mt 18,8, 25,41, 46, 3,12; Mc 9,43; Mc 9,45f, 2 Ts 1,9; Ap 19,3, 20,10.
  8. F.X. Schouppe, The Dogma of Inferno, p. 3-4.
Original aqui.