quinta-feira, abril 30, 2015

O Dogma do Inferno – Parte III



As Crianças de Fátima Veem o Inferno
Por Dr. Remi Amelunxen
Traduzido por Andrea Patrícia




Os três videntes após a visão do Inferno

 
No Prólogo de sua Fourth Memoir [Quarta Memória], Irmã Lúcia escreveu um relato da Visão do Inferno que ela e seus primos, Jacinta e Francisco, tiveram em Fátima no dia 13 de julho de 1917. Lúcia tinha 10 anos de idade, Francisco 9 e Jacinta 7. Ela afirmou:
“Eu devo começar então minha nova tarefa, e assim cumprir os comandos recebidos de Sua Excelência, bem como os desejos do Rev. Dr. Galamba. Com exceção daquela parte do Segredo que eu não tenho permissão de revelar no presente, eu devo dizer tudo. Não devo omitir nada conscientemente, embora suponha que possa esquecer algum pequeno detalhe de menor importância.”

A visão do Inferno: 13 de julho de 1917
 
Na aparição de julho de 1917, na qual o Segredo foi revelado, Nossa Senhora disse para as crianças fazerem sacrifícios pelos pecadores e recitarem esta oração frequentemente ao fazerem os sacrifícios: “Jesus, isto é por amor a Vós, pela conversão dos pecadores, e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.”
Lúcia continuou: “Enquanto Nossa Senhora falava essas últimas palavras, ela abriu suas mãos mais uma vez como havia feito durante os dois meses anteriores. Os raios de luz pareciam penetrar a terra, e nós vimos como se fosse um mar de fogo.
Imersos nesse fogo estavam demônios e almas em forma humana, queimando como brasas transparentes, todas enegrecidas ou como bronze polido, a flutuar sobre a conflagração, agora erguidas ao ar pelas chamas que saíam de dentro delas mesmas junto com nuvens de fumaça, e então caindo de volta por todo lado como faíscas em fogos gigantes, sem peso ou equilíbrio, em meio a gritos e gemidos de dor e desespero, que nos horrorizava e nos faziam tremer de medo.
 (Deve ter sido essa visão que me fez chorar, como disseram as pessoas que me ouviram). Os demônios podiam ser distinguidos pela sua terrível e repelente semelhança com animais pavorosos e desconhecidos, negros e transparentes como carvão queimando.
Assustados e como que a pedir socorro, nós nos voltamos para cima olhando para Nossa Senhora, que nos disse gentilmente, mas com tristeza:
‘Vocês viram o Inferno, para onde os pobres pecadores vão. Para salvá-los, Deus deseja estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. Se o que eu disser a vocês for feito, muitas almas serão salvas e haverá paz.
A guerra terminará; mas se as pessoas não cessarem de ofender a Deus, uma pior surgirá no pontificado de Pio XI. Quando vocês virem uma noite iluminada por uma luz desconhecida, saibam que este é o grande sinal dado a vocês por Deus de que Ele está prestes a punir o mundo por seus crimes, por meio da guerra, fome e perseguições à Igreja e ao Santo Padre.
Para prevenir isso, eu virei pedir a Consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração, e a Comunhão de Reparação nos Primeiros Sábados. Se os meus pedidos forem atendidos, a Rússia se converterá, e haverá paz; se não, ela espalhará seus erros pelo mundo todo, causando guerras e perseguições à Igreja.
Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, mas no fim Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo padre consagrará a Rússia a mim e ela será convertida, e um período de paz será dado ao mundo.’”

O pedido pela Consagração


Uma representação da visão que Lúcia teve da Trindade em Tuy

Doze anos mais tarde, em 13 de junho de 1929, Nossa Senhora apareceu novamente a Lúcia, que era noviça doroteana em Tuy, Espanha. Tendo recebido permissão de seu superior para fazer uma hora santa de 23 horas até a meia-noite, ela estava rezando as orações do Anjo, prostrada diante do altar.

Repentinamente a capela foi iluminada por uma luz sobrenatural. Lúcia teve uma visão da Santíssima Trindade e Nossa Senhora, e foi concedida a Lúcia uma compreensão profunda daquele mistério. Durante esta aparição, Nossa Senhora revelou o que é, em minha opinião, um dos mais importantes pedidos da História. A Santíssima Virgem disse a Lúcia:

É chegado o momento no qual Deus solicita ao Santo Padre, em união com todos os Bispos do mundo, que faça a Consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração, prometendo salvá-lo através destes meios. A quantidade de almas que a justiça de Deus condena pelos pecados cometidos contra mim é tão grande, que eu tenho de pedir por reparação: sacrifiquem-se por esta intenção e rezem.” (1)

Neste momento, um leitor pode fazer duas perguntas:
  1. Por que não foi feita a Consagração da Rússia em obediência ao pedido de Nossa Senhora?
  1. Por que discutir a Consagração da Rússia num artigo sobre as crianças de Fátima vendo o Inferno?

Ambas as questões serão respondidas a seguir.

A Consagração não feita

Por que Pio XI não obedeceu ao pedido do Céu após ter ciência disso por semanas ou meses subsequentes a 1929? Uma palavra é o suficiente para explicar isso tudo: um falso ecumenismo que já estava sendo buscado com a Igreja Cismática na Rússia e continua até os dias atuais.


Pio XI preferiu seguir a política do ecumenismo em vez do comando de Nossa Senhora

O cumprimento de um ato tão solene de reparação e Consagração da Rússia pelo Papa e Bispos pressupõe uma condenação formal, doutrinal do Comunismo, e uma política firme, independente em relação à Rússia Bolchevique. Em vez disso, a diplomacia do Vaticano, que já estava tentando satisfazer os cismáticos, viu o pedido de Nossa Senhora como um obstáculo aos seus objetivos.

Esta razão, já presente no tempo de Pio XI, tornou-se evidente sob João XXIII quando o Card. Eugène Tisserant, Secretário da Sagrada Congregação para as Igrejas Orientais, evitou o assunto Fátima e qualquer referência contra o Comunismo no Vaticano II para que observadores cismáticos russos comparecessem ao Concílio. Foi assim que o pedido de Nossa Senhora foi completamente enterrado.

Hoje, 85 anos se passaram desde aquele pedido e a Consagração não foi feita em obediência a Mãe Santíssima. Analisar completamente as razões para isso iria alongar demais este artigo. Permanece o fato de que não foi feita apesar das “tentativas parciais” e promessas feitas a Nossa Senhora – três por Pio XII, um por Paulo VI e quatro por João Paulo II – nenhum deles cumpriu o pedido exato de Nossa Senhora.

Se a Consagração tivesse sido feita…

Tendo respondido a primeira questão, a segunda será feita: Por que a Consagração está relacionada à visão do inferno que as crianças tiveram?

Se Pio XI tivesse feito a Consagração, este ato teria mudado a História dramaticamente. Podemos deduzir o seguinte das palavras de Nossa Senhora: 



Um anjo olha para baixo penosamente para a bombardeada cidade de Dresden....

  1. Não teria havido a II Guerra Mundial.
  1. Milhões de pessoas não teriam sido mortas durante a Guerra, frequentemente por morte repentina sem tempo para arrependimento. Quantas destas almas foram para o Inferno!
  1. Milhões de russos teriam sido convertidos, e muitos deles teriam assim encontrado a salvação em vez de sofrer a danação como cismáticos.
  1. A terrível apostasia na Igreja que nós sofremos há tanto tempo – e que fica pior diariamente – não teria ocorrido. Quantos católicos estariam ainda seguindo a doutrina da Fé verdadeira, em vez de estarem no caminho do Progressismo, que dominou a Igreja abertamente após o Vaticano II e introduziu o Novus Ordo Missae!
  1. Em sua brilhante Coleção sobre o Vaticano II, Atila Sinke Guimarães documentou completamente cada aspecto da devastação que o Concílio causou ao expandir a apostasia.
  1. Todas as guerras subsequentes teriam sido evitadas, e, mais provavelmente, haveria sido introduzido no mundo o Reino de Maria.

Portanto, se Pio XI tivesse feito a Consagração da Rússia mesmo no ultimo ano de seu Pontificado, isto é, 1939, todas as consequências listadas acima não teriam acontecido.
Embora Pio XI tenha escrito a encíclica Divini Redemptoris (1937) contra o Comunismo, o Comunismo espalhou seus erros pelo mundo inteiro. Isso não teria acontecido se a Rússia tivesse sido convertida, como prometido por Nossa Senhora, se a Consagração tivesse sido feita.
Não teria sido infinitamente mais importante e louvável para Pio XI ter atendido ao pedido de Nossa Senhora? Considere a multidão de almas que não teriam caído no Inferno se tal ato tivesse sido feito.
O Terceiro Segredo

Finalmente, por causa de sua íntima ligação com Fátima, parece oportuno mencionar que o Terceiro Segredo foi revelado por Nossa Senhora às três crianças na mesma data em que elas viram o inferno. Mais tarde Lúcia afirmou que, a pedido de Nossa Senhora, ele deveria ter sido revelado ao mundo em 1960.
Como nós sabemos, o pedido foi rejeitado. Em 1960, João XXIII fechou a questão: "Este assunto não é para os nossos tempos." Ele fez isso em contradição direta com o comando da Mãe de Deus: De acordo com alguns Prelados que leram o Terceiro Segredo, ele se refere a uma apostasia dentro da Igreja.
Por exemplo, Card. Mario Luigi Ciappi escreveu: “No Terceiro Segredo é predito, entre outras coisas, que a grande apostasia na Igreja começaria no topo.” De acordo com o Card. Silvio Oddi, o Vaticano II foi a revolução na Igreja predita no Terceiro Segredo. Você pode ler as palavras dele aqui. [em inglês].
A revelação do Terceiro Segredo poderia ter tido um efeito salutar nos fiéis e os avisado sobre o perigo do Progressismo. Isso poderia tê-los prevenido do iminente Vaticano II e evitado que o Novus Ordo Missae tivesse efeito. Em vez de uma política de concessões e conciliação com os inimigos da Igreja, isso não teria acordado o espírito de militância para defender a verdade e a boa moral? E isso não teria contribuído grandemente para a salvação de muitas almas que de terminaram por sofrer a danação?

Considerações finais

A questão candente permanece: Quando a Consagração será feita? Nossa Mãe Santíssima nos fez uma promessa: “No fim, Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre irá consagrar a Rússia a mim e ela será convertida, e será concedido algum tempo de paz ao mundo.”



O Segredo mencionou o desastroso Concílio e seus Papas?

Pe. Alonso, um confidente de Irmã Lúcia, que escreveu 11 livros sobre Fátima que foram subsequentemente suprimidos pelo Vaticano, interpretou as palavras de Nossa Senhora: “O triunfo final do Coração de Maria é certo e será definitivo. Mas ele tomará lugar ‘no fim’ – quer dizer, após a terrível purificação da humanidade pecadora no batismo de fogo, sangue e lágrimas.” (2)
Em minha opinião, o próximo “batismo de fogo, sangue e lágrimas” pode bem se referir a um castigo nuclear anterior à Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Qual seria o resultado de um holocausto nuclear?
Dos sete bilhões de pessoas na terra, mais de dois terços seriam facilmente aniquilados. Quantos católicos dentre eles irão para o Inferno por não conhecerem o Terceiro Segredo? Provavelmente um número enorme.
E onde recai a culpa primária por tal perda maciça de almas? Nos Papas que não fizeram a Consagração, nos eclesiásticos e teólogos sem fé. Se Pio XI houvesse seguido o plano do Céu em vez dos projetos dos homens em 1930… Ou se os Papas subsequentes tivessem feito a Consagração, quanto da destruição da Igreja poderia ter sido evitada?
Como ocorrerá a conversão da Rússia? Alguns especulam que poderia haver uma aparição da Mãe Santíssima, tal como em Guadalupe, que causaria uma completa e imediata conversão da Rússia ao Catolicismo. Quem viver verá…
O que é certo é que a Mãe Santíssima enfatizou que nós temos uma escolha, Céu ou Inferno, que é o resultado final e irreversível da vida de todo homem.

(Continua)

  1. Mark Fellows, Fatima in Twilight, Niagara Falls: Marmion Publications, 2003, p. 48-49
  2. Ibid. p 334

Original aqui.

Veja as outras partes: Parte I, Parte II.

domingo, abril 26, 2015

Comentários Eleison: A Cultura Importa!

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDVI (406) - (25 de abril de 2015): 

A CULTURA IMPORTA!

Caso lhe seja possível, venha ao Dr. White escutar,
Para a verdadeira Fé com o homem moderno corretamente relacionar.


            Da tarde da sexta-feira dia 1º de maio, até o meio-dia do domingo, 3 de maio, será proferida aqui na Casa Rainha dos Mártires, Broadstairs, outra palestra do Dr. David White. Tal como o fez no ano passado sobre Charles Dickens, neste ano falará sobre T. S. Eliot (1888 – 1965), outro gigante da literatura inglesa com uma conexão direta com este canto da Inglaterra. Foi em um pavilhão ao ar livre com vista para a praia de Margate, que fica a cerca de oito quilômetros ao norte de Broadstairs, que entre outubro e novembro de 1921 o poeta anglo-americano mundialmente famoso retomou a caneta e compôs umas cinquenta linhas da terceira das cinco partes do poema mais influente do século XX, ao menos na língua inglesa: A Terra Desolada (1922).
           
            O poema é um retrato brilhante do vazio nos corações e nas mentes dos homens logo após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Em A Terra Desolada, Eliot criou um novo modo fragmentário de escrever poesia, que capturou a condição espiritual fragmentada do homem moderno. Por sua compreensão ampla e profunda das obras de arte do passado, notadamente Dante e Shakespeare, Eliot foi capaz de dar forma à pobreza espiritual dos tempos atuais. Por exemplo, em seis linhas do poema que estão claramente conectadas a Margate, uma das três meninas da classe trabalhadora conta como perdeu sua honra por nada, e para iluminar o vazio das vidas das três donzelas, as palavras destas estão enquadradas em fragmentos da canção das três donzelas do Reno, que abre e fecha a visão cósmica do épico de Wagner, O Anel do Nibelungo.
           
            O vazio e o nada. Por que raios os católicos devem se preocupar com autores tão deprimentes? A salvação é por Nosso Senhor Jesus Cristo, não pela cultura, especialmente não pela cultura niilista. Uma resposta particular concerne a T. S. Eliot. Uma resposta geral concerne a toda a “cultura”, definida como aquelas narrativas, pinturas e músicas com as quais todos os homens de todas as épocas não podem deixar de suprir e formar seus corações e mentes.

            Quanto a T. S. Eliot, ele mesmo logo descartou que A Terra Desolada se tratasse de “resmungos rítmicos”, e poucos anos depois veio a se tornar membro da Igreja Anglicana. Ele deu brilhante expressão ao nada moderno, mas não chegou a chafurdar nele. Passou a escrever um número de peças e especialmente o longo poema dos Quatro Quartetos, que não são de modo algum niilistas, e sobre os quais o Dr. White, que adora Eliot, estará também falando em Broadstairs em alguns dias. Depois de ter entendido honestamente o problema, Eliot não tomou nenhuma solução de avestruz, como têm feito os inúmeros católicos que se deixaram levar pelo Vaticano II.   

            Pois, decerto, a cultura em geral está para a religião (irreligião), como os subúrbios estão para o centro da cidade. E, assim como um general militar que tem a tarefa de defender uma cidade seria tolo de deixar os subúrbios serem ocupados pelo inimigo, assim também nenhum católico preocupado com a sua religião pode estar indiferente às narrativas, pinturas e músicas que estão a moldar as almas em torno dele. É claro que a religião (ou irreligião) é central na vida humana, e comparada a ela, a “cultura” é periférica, pois a cultura do homem é, no fundo, um produto derivado de sua relação com seu Deus. No entanto, a cultura e a religião interagem. Por exemplo, se muitos católicos não estivessem enfeitiçados pela “Noviça Rebelde”, eles teriam se deixado levar tão facilmente pelo Vaticano II? Ou, se os atuais líderes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X tivessem, ao contrastar a cultura católica com a anticultura moderna, se atido à profundidade do problema moderno, estariam agora pretendendo voltar a se submeter aos perpetradores do Vaticano II? A cultura pode importar tanto como o Céu e o Inferno!


Kyrie eleison. 

quarta-feira, abril 22, 2015

segunda-feira, abril 20, 2015

Orgulho ou Preconceito?


Resposta do Mosteiro da Santa Cruz à Revista VEJA
Quarta-Feira, 15 de Abril de 2015
Por Dom Tomás de Aquino


 
A revista VEJA publicou uma matéria sobre as controvertidas cerimônias realizadas no mosteiro da Santa Cruz (Nova Friburgo – RJ) entre as quais a de maior importância foi a sagração episcopal de Mgr Jean-Michel Faure. Esta sagração feita por Mgr Richard Williamson foi seguida da ordenação sacerdotal do Irmão André Zelaya de León, da Guatemala, monge de nosso mosteiro há mais de vinte anos. Ambas cerimônias foram apresentadas como atos de rebelião. Aliás, o título do artigo é: “Rebelião no altar”, artigo que se termina da seguinte maneira: “O francês Faure, cheio de orgulho, tem até apelido para o racha: La Resistance”. Orgulho mesmo ou preconceito da revista? Eis a questão.

Orgulho se pode tomar em dois sentidos. Ou será o senso da dignidade de sua condição como quando um filho da Santa Igreja se declara, com justo orgulho, católico, apostólico, romano. Ou será um vício, um pecado; pecado de rebelião contra Deus. O pecado de Lúcifer.
 
Talvez o autor do artigo quisesse deixar ao leitor a escolha, já que o jornalista da VEJA foi bastante cordial conosco, embora o tom geral do artigo indique de preferência o sentido de revolta. Seja como for, a pergunta permanece: orgulho de Mgr Faure, de Mgr Williamson e dos monges de Santa Cruz ou preconceito contra eles? A questão continua não respondida.
 
Retrocedamos no tempo, pois assim fazendo encontraremos o fio de Ariane  que nos tirará do labirinto em que a crise atual da Igreja nos lançou, e nos fornecerá o necessário para responder à pergunta já feita. Retrocedamos até a Reforma protestante e ao declínio do Cristianismo na Europa e no mundo. Declínio contra o qual lutaram vitoriosamente, mas só por um tempo, o Concílio de Trento e os grandes santos da Contra-Reforma. Duas forças se chocaram então e se chocam até hoje. Uma nova religião que põe o homem no centro da civilização e combate a Igreja Católica antes de combater Nosso Senhor Jesus Cristo em pessoa para terminar negando a existência de Deus, com o marxismo, e mesmo corrompendo a eterna noção de Verdade com o Modernismo, condenado por São Pio X.
 
Dois mundos, dois amores; o amor de Deus levado até o esquecimento de si, e o amor de si mesmo levado até a negação de Deus. Dois mundos, duas forças, duas correntes históricas que se opõem há mais de cinco séculos. Qual das duas é movida pelo orgulho? Eis mais do que uma pista para encontrarmos a resposta à nossa pergunta inicial.
 
Aprofundemos pois a pista já indicada e entremos na atualidade, ou melhor, na história recente da Igreja. Falemos de Vaticano II. Os Papas do século XIX e do século XX até a morte de Pio XII haviam condenado o Liberalismo Católico dos que queriam a união da Igreja com os princípios da Revolução Francesa. Não só o Liberalismo mas também o Modernismo, o Neomodernismo, o Progressismo e demais erros modernos haviam sido devidamente condenados. A Igreja Católica dizia e dirá sempre “não” a estes erros.
 
Porém o velho sonho dos mais cruéis inimigos da Igreja realizar-se-ia. Um Concílio consagraria os teólogos modernistas, liberais e progressistas. Este Concílio foi o Concílio Vaticano II. Mas dois Bispos permaneceram fiéis e denunciaram este Concílio. Mas só dois? Não é pouco demais? Para um mundo que preza mais a quantidade do que a Verdade, dois é igual a nada. Mas em questão de doutrina não é o número que conta, e as doutrinas apregoadas pelo Vaticano II já haviam sido condenadas por Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII, São Pio X, Bento XV, Pio XI e Pio XII para citar apenas alguns da longa série de Papas que dista de São Pedro à Pio XII, os quais guardaram o depósito da Fé que lhes havia sido confiado por Deus Ele mesmo.
 
Mas o que isso tem que ver com a sagração do 19 de março de 2015 em Nova Friburgo? Isto tem tudo que ver com essa sagração, já que Mgr Williamson foi ele mesmo sagrado por estes dois bispos fiéis à Tradição bimilenar da Igreja. Estes dois bispos são Mgr Marcel Lefebvre e Mgr Antônio de Castro Mayer.
 
Contudo, eles sagraram Mgr Williamson, assim como Mgr Fellay, Mgr Tissier e Mgr de Galarreta, contra a vontade de João Paulo II em junho de 1988? Sim, é verdade. Logo eles são uns rebeldes e uns orgulhosos? Não. A verdade não se deixa encontrar tão facilmente assim. Desobedecer ao Papa pode ser, em casos extremos, um ato de virtude, enquanto que obedecê-lo pode ser, em casos extremos, um pecado. “Quem faz o mal porque lhe ordenaram, não faz ato de obediência, mas de rebelião”, diz São Bernardo.
 
A rebelião no altar não se deu em Nova Friburgo, no dia 19 de março. Se aprofundarmos a questão veremos que a rebelião no altar se deu não em Friburgo, mas em Roma desde o Concílio até hoje. 
 
Quem duvidar do que afirmamos, que estude os livros que falam da crise atual e lá verão que o próprio Cardeal Ratzinger, futuro Bento XVI, afirma que o Vaticano II foi um “contra-Syllabus”, ou seja, que ele vai o ensinamento do Magistério da Igreja, contra uma doutrina já definida pelos Papas anteriores.
 
Não! Mgr Faure não falou com orgulho, ou melhor, falou com justo orgulho de defender este Magistério infalível da Igreja contra os erros de Vaticano II. Mas como um Concílio pode ensinar erros? Eis a grande pergunta. Leiam pois as obras de Mgr Marcel Lefebvre. Estudem, aprofundem-se na Fé, pois o mal é grande e a abominação da desolação foi posta no lugar santo. Portanto, a revolta no altar não está no mosteiro da Santa Cruz. A revolta no altar está – é triste repeti-lo – no Vaticano.
 
Mas quem nos crerá? Orgulho nosso ou preconceito da VEJA? Só estudando. Só rezando. Sem oração e estudo ninguém poderá encontrar a resposta. Ela está ao alcance de quem a procura, mas antes de tudo é preciso procurá-la. O que já dissemos é o suficiente por ora. Agora, caro leitor, lhe cabe a sua parte, caso deseje tirar a limpo se é orgulho nosso ou preconceito da VEJA chamar-nos de rebeldes. Bom trabalho.
 

sábado, abril 18, 2015

Comentários Eleison: Bom Senso Sobre a Vacância da Sé

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDV (405) - (18 de abril de 2015): 


BOM SENSO SOBRE A VACÂNCIA DA SÉ – I

Concílios da Igreja podem desligar um Papa herege,
Mas Cristo o depõe, pois de sua total destruição Ele a protege.


            Os sacerdotes Dominicanos de Avrileé, França, fizeram a todos nós um grande favor ao republicar as considerações sobre a Sé vacante de Roma escritas há uns quatrocentos anos por um famoso teólogo tomista da Espanha, João de Santo Tomás (1589-1644). Por ser um fiel sucessor de Santo Tomás de Aquino, ele se beneficia daquela sabedoria superior da Idade Média, época em que os teólogos podiam medir os homens por Deus ao invés de medir Deus pelos homens, uma tendência que começou como uma necessidade (se as almas não podiam mais tomar a penicilina medieval, teriam de tomar um remédio menos eficaz), mas que culminou no Vaticano II. Eis aqui, de forma bem resumida, as principais ideias de João de Santo Tomás sobre a deposição de um Papa:

I Pode um Papa ser deposto?
Reposta: sim, pois os católicos são obrigados a se separar dos hereges depois destes terem sido advertidos (Tt 3, 10). Além disso, um Papa herético põe toda a Igreja em um estado de legítima defesa. Mas o Papa deve ser primeiro advertido tão oficialmente quanto seja possível, para que possa se retratar. Também sua heresia deve ser pública, e declarada tão oficialmente quanto seja possível, para evitar confusão generalizada entre os católicos, vinculados entre si pela obediência.

II Por quem ele deve ser oficialmente declarado herege?
Resposta: não pelos Cardeais, porque embora eles possam eleger um Papa, não podem depor nenhum, porque é a Igreja Universal que é ameaçada por um Papa herético, e então a maior autoridade universal possível da Igreja é a única que pode depô-lo, a saber, um Concílio da Igreja composto de um quorum de todos os Cardeais e Bispos da Igreja. Estes poderiam ser convocados não autorizadamente (o que só o Papa pode fazer), mas entre eles.

III Por qual autoridade poderia um Concílio da Igreja depor o Papa?
(Aqui está a principal dificuldade, porque Cristo dá ao Papa poder supremo sobre toda a Igreja, sem exceção, tal como o Vaticano I definiu em 1870. Já João de Santo Tomás deu argumentos de autoridade, razão e Direito Canônico para provar esse supremo poder do Papa. Então, como pode um Concílio, sendo inferior ao Papa, ainda assim depô-lo? João de Santo Tomás adota a solução fornecida por outro famoso teólogo dominicano, Tomás Caetano (1469-1534). A deposição do Papa por parte da Igreja cairia não sobre o Papa enquanto Papa, mas sobre a ligação entre o homem e seu Papado. Isso pode parecer um tanto sutil, mas é lógico.)

            Por um lado, nem mesmo o Concílio da Igreja tem autoridade sobre o Papa; mas por outro lado, a Igreja é obrigada a evitar os hereges e a proteger o rebanho. Portanto, como em um Conclave os Cardeais são os ministros de Cristo para vincular esse homem ao Papado, mas somente Cristo dá a ele sua autoridade papal; assim o Concílio da Igreja seria por sua declaração solene os ministros de Cristo para desvincular esse herege do Papado, mas somente Cristo, por sua autoridade divina acima do Papa, poderia autorizadamente depô-lo. Em outras palavras, o Concílio da Igreja deporia o Papa não autorizadamente, mas apenas ministerialmente. João de Santo Tomás confirma esta conclusão com base no Direito Canônico da Igreja, que afirma em muitos lugares que somente Deus pode depor o Papa, mas que a Igreja pode julgar sua heresia.

            Infelizmente, como assinalam os Dominicanos de Avrilée, quase todos os Cardeais e Bispos da Igreja hoje estão tão infectados pelo modernismo que não há esperança humana de um Concílio da Igreja que veja de modo claro o bastante para condenar o modernismo dos Papas conciliares. Nós podemos apenas orar e esperar pela solução divina, que virá na boa hora de Deus. A seguir: não estaria um Papa automaticamente deposto por uma simples heresia sua?


Kyrie eleison. 

quinta-feira, abril 16, 2015

O Dogma do Inferno – Parte II



As Dores Infligidas aos Réprobos no Inferno
Por Dr. Remi Amelunxen
Traduzido por Andrea Patrícia
 

 
O fogo do Inferno é um fogo real 


O Inferno foi revelado por Nosso Senhor pelo menos 50 vezes no Evangelho, como vimos no artigo anterior. Aqui nós iremos examinar as dores do Inferno, como os católicos devem pensar sobre o Inferno, o medo salutar que dele nós devemos ter, e como isso deve influenciar nossas ações diárias.
Algo predominante nas palavras da Escritura Sagrada sobre o Inferno é a tortura terrível do fogo. As Escrituras chamam o Inferno de “lago de enxofre e fogo”, “a Geena de fogo,” “o fogo eterno”, e a “fornalha ardente onde o fogo nunca se apaga.”
“O fogo do Inferno é um fogo real ”, afirma o Pe. François Xavier Schouppe em seu livro The Dogma of Inferno Illustrated by Facts Taken from Profane and Sacred History [O Dogma do Inferno Ilustrado por Fatos Extraídos da História Profana e Sacra].

“É um fogo que queima como o fogo do mundo, embora seja infinitamente mais ativo. Não deve haver um fogo real no Inferno, visto que existe um fogo real no Purgatório?”(1)
“É o mesmo fogo”, diz Santo Agostinho, “que tortura os condenados e purifica os eleitos.” (2)
A horrível agonia de ser consumido pelo fogo na terra termina quando o fogo consome a pessoa. Mas no Inferno a angústia das dores do fogo nunca cessa, já que o fogo de lá queima, mas não consome. É por isso que é bom para nós pensar sobre o Inferno como um meio de nos encorajar a desistir dos prazeres culposos, das amizades e das ligações que estejam nos levando para lá.
Só a visão de uma alma que cai no Inferno já causa incomparável dor. Santa Margarida Maria Alacoque observou a aparição de uma de suas irmãs na religião que havia morrido recentemente. Esta irmã disse à Santa Margarida Maria que ela estava sofrendo cruelmente no Purgatório, e implorou por suas orações e sufrágios.
“Veja a cama onde estou deitada” ela disse à Santa Margarida, “onde estou suportando dores intoleráveis.”
“Eu vi a cama” a santa reportou em seus escritos “e isso ainda me faz estremecer. Era toda eriçada com pontas afiadas e flamejantes que entravam na carne. A falecida disse-me que ela estava sofrendo esta tortura por causa de sua preguiça e negligência em observar a regra.”
“Mas isso não é tudo”, continuou a irmã. “Meu coração é rasgado em meu peito para punir meus murmúrios contra meus superiores. Minha língua sofre dor por causa de minhas palavras contrárias à caridade e minhas violações do silêncio. Mas tudo isso é coisa pequena em comparação com outra dor que Deus me fez experimentar. Embora não tenha durado muito, foi mais dolorosa para mim do que todos os meus sofrimentos.”
Então ela contou à Santa Margarida Maria que Deus havia mostrado a ela uma de suas parentas que havia morrido em estado de pecado mortal sentenciada pelo Supremo Juiz e lançada no Inferno, uma visão que causou a ela tal pavor, horror e dor que nenhuma palavra poderia descrever. (3)

 Todos os sentidos são atormentados pelos demônios no Inferno


Este é apenas um relato. Pe. Schouppe apresenta muitas histórias tanto de religiosos quanto de leigos revelando os horrores do Inferno. Um curto incidente envolveu um santo sacerdote que exorcizava um homem possesso. Durante o exorcismo, ele perguntou ao Diabo quais dores ele tinha no Inferno. Ele respondeu: “Um fogo eterno, uma maldição eterna, uma raiva eterna e um pavoroso desespero por nunca poder olhar para Aquele que me criou.”
Numa ocasião parecida, o exorcista inquiriu ao Diabo qual era a maior de suas dores. Ele respondeu com um tom de indescritível desespero: "Sempre, sempre! Nunca, nunca!" (4)
Outro sofrimento do Inferno é o mau cheiro corporal, que é mais insuportável que o mau cheiro dos cadáveres. Se o corpo de uma pessoa condenada, diz São Boaventura, fosse colocado na terra, ele somente seria suficiente para tornar a terra inabitável. Iria preencher a terra com seu mau cheiro e com infecção, como um cadáver deixado para apodrecer numa casa espalharia seu insuportável mau cheiro por tudo à sua volta. (5)
Perto do fim da vida de São Martinho de Tours, o Diabo veio tentá-lo sob uma forma visível. O espírito da mentira apareceu diante dele com magnificência real, uma coroa de ouro em sua cabeça, e disse que ele era o Rei da Glória, o Filho de Deus. O Santo Bispo reconheceu o tentador sob estas aparências de grandeza humana e expulsou-o com desprezo. O orgulhoso Satã foi confundido; ele desapareceu. Mas deixou o quarto cheio de mau cheiro imundo tão terrível que o Santo não conseguiu permanecer mais lá.

Pensar no Inferno para evitar cair nele

Um leitor pode objetar: “Qual o sentido de ouvir todas essas histórias aterrorizantes? É melhor pensar na bondade e na misericórdia de Deus.”
Isso não é difícil de responder. Antes do Vaticano II, confessores costumavam contar histórias como estas do púlpito, e encorajavam as pessoas a pensar sobre os tormentos do Inferno para preveni-las de cair nele. É muito fácil ser condenado, e o número de condenados é muito grande.
Santa Teresa D’Ávila compara aquelas almas perdidas a flocos de neve que caem no inverno, de tão numerosas que são. (6)
Um Bispo, por permissão especial de Deus, recebeu uma visita de um pecador que havia morrido impenitente pouco tempo antes. Esta alma condenada perguntou ao Bispo se ainda havia sobrado algum homem na terra. Então ele explicou: “Desde quando vim para esta triste habitação, eu tenho visto tal prodigiosa multidão chegar que eu não consigo conceber que ainda haja homens na terra." (7)
De fato, nós somos avisados exatamente disto no Evangelho. "Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos há que irão para lá. Quão estreita é a porta e reto é o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem" (Mt 7,13-14).
Para evitar o Inferno, é vital evitar o caminho para ele. Para isso, nós devemos evitá-lo sob todas as formas e lutar para permanecer sempre em estado de graça.
Quem quer que pense no Inferno está no caminho de evitá-lo. Pois, no momento da tentação, este pensamento irá ajudá-lo a não pecar. Nós temos o exemplo de São Martiniano, um eremita de Cesaréia na Palestina no século IV. Ele viveu 25 anos em solidão quando Deus permitiu que sua fidelidade fosse posta a prova num violento teste.

 Grande é o número de almas que caem na boca do Inferno


Um dia, uma cortesã chamada Zoe, disfarçada de mendiga, foi até a sua cela durante uma tempestade e implorou por abrigo. O santo anacoreta a deixou entrar e acendeu um fogo para ela secar suas roupas. Mas a prostituta, jogando a esfarrapada capa emprestada, apareceu num sedutor vestido e começou a usar de todo o seu charme fascinante.
Quando ele percebeu o quanto estava tentado, Martiniano sentou diante do fogo e colocou seus pés descalços dentro dele diante dos olhos da perplexa cortesã. A dor arrancou lágrimas dele, mas ele gritou: "Ai, minha alma, se você não consegue aguentar o fogo agora, como poderá suportar o fogo do Inferno?"
A tentação foi vencida, Zoe foi convertida e mais tarde tornou-se freira em Belém. Tal foi o efeito salutar do pensamento sobre o Inferno.
  
A sociedade dos demônios é horrenda

Outra tortura do Inferno é a horrível sociedade dos demônios e dos condenados. Algumas almas tolas suavizam este aspecto e até mesmo fazem piada sobre isso dizendo: “Bom, pelo menos não ficarei lá sozinho.” Na realidade, elas não irão encontrar consolo, mas a miséria dos condenados sentenciados a usar ferros juntos nas galeras. Mas mesmo um condenado pode encontrar algum consolo na companhia de outros seres humanos. Mas não é assim no Inferno, onde os condenados são torturadores mútuos.
Santo Tomás diz: “No Inferno os associados de uma alma condenada, longe de aliviar seu sofrimento, tornarão este ainda mais intolerável para ela.” (8) Mesmo a sociedade daquelas pessoas que foram os mais queridos amigos é insuportável para a alma condenada no Inferno.
No Inferno as almas condenadas lamentam pelo tempo perdido em diversões vãs, por deixar de cumprir sua obrigação dominical indo à Missa, por um pecado mortal intencionalmente não confessado. Então, elas anseiam retornar por uma hora para fazer uma boa confissão, mas não adianta nada. O tempo na terra previsto para eles por Deus terminou, e agora eles devem encarar a consequência que dura uma eternidade.
Pe. Schouppe conta-nos uma história verdadeira, sobre a qual nós faríamos bem em ponderar seriamente.
Um sacerdote, encontrando-se num lugar isolado onde estava retirado para rezar, ouviu gemidos pesarosos que só poderiam proceder de uma causa sobrenatural. Ele exigiu saber quem eram os autores daqueles gritos lastimosos, e o que eles tencionavam.
Então, uma voz triste respondeu: "Nós somos os condenados. É preciso que se saiba que estamos lamentando no Inferno o tempo perdido, o tempo precioso que desperdiçamos na terra em vaidades e crimes. Ah! Uma hora nos daria o que uma eternidade não nos pode dar mais." (9)

(Continua)
  1. Francois Xavier Schouppe, The Dogma of Inferno, Illustrated by Facts Taken from Profane and Sacred History, Rockford, IL: TAN, 1989, p. 21
  2. Ibid.
  3. Ibid., pp. 25-26.
  4. Ibid., p. 31
  5. Ibid., p. 30
  6. Ibid., p. 34
  7. Ibid.
  8. Santo Tomás de Aquino, Summa Theologica, Suppl. 9, 86, A.1., apud F.X. Schouppe, The Dogma of Inferno, pp. 30-31.
  9. F.X. Schouppe, The Dogma of Inferno, p. 34

Original aqui.