domingo, junho 28, 2015

Comentários Eleison: Falsos Argumentos

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDXV (415) - (27 de junho de 2015): 


FALSOS ARGUMENTOS


Menzingen deveria pedir a Roma que o reconhecimento lhe seja concedido?
Não! Como podem apóstatas conceder tal pedido?

            No último número da publicação interna da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (principalmente para sacerdotes da Fraternidade), “Cor Unum”, o Superior Geral publica argumentos para defender e justificar a sua busca incessante pela incorporação da FSSPX na Igreja convencional. Ele alega que a Fraternidade está certa em dialogar com os oficiais romanos de hoje, e apresenta basicamente dois argumentos. Eles precisam ser examinados para que não continuem a causar confusão.

            O primeiro dos dois argumentos é o seguinte: a Igreja Católica, como Esposa Imaculada de Cristo, é muito mais que apenas seus oficiais corruptos, porque é um todo do qual esses oficiais são apenas uma parte. Mas a católica Fraternidade São Pio X deve permanecer em contato com a Igreja Católica. Por isso deve manter contato com os oficiais corruptos, e continuar a negociar com eles.

            O argumento é fácil de refutar, logo que alguém o traga à luz da Fé. De fato, os católicos devem obter da Esposa Imaculada de Cristo tudo o que precisam para chegar ao Céu, mas nunca poderão ter sua vida espiritual na corrupção dos oficiais corruptos da Igreja. E se esses oficiais são tão corruptos na Fé que o contato com eles põe inequivocamente em perigo essa fé dos católicos que é a própria base da vida espiritual dos católicos, então os católicos devem inequivocamente evitar tais oficiais. Ora, o neomodernismo dos oficiais romanos de hoje é altamente corrupto e corruptor, e ainda mais objetivamente perigoso por ser mais ou menos, da parte deles, subjetivamente inocente. Portanto, os católicos que desejam manter a fé devem permanecer bem afastados desses romanos. “Cor Unum” argumenta como se os neomodernistas não apresentassem perigo para a Fé!

            Dom Lefebvre obteve a reta conclusão. Quando na primavera de 1988, após ele fazer tudo que podia ter feito (e mesmo, pode-se dizer, mais do que deveria ter feito) para conseguir que os oficiais romanos cumprissem com o seu dever de cuidar da Tradição Católica – e mesmo depois de dez anos de esforços do arcebispo eles ainda se recusavam, mostrando que, longe de querer cuidar da Tradição, pretendiam simplesmente absorvê-la dentro de sua Neoigreja –, o arcebispo concluiu que eles estavam tão corrompidos na Fé que ele não deveria mais ter nada com eles até que voltassem a professar a Fé dos grandes documentos papais antiliberais, tais como o Syllabus, a Pascendi, e a Quas Primas.
           
            Pois, de fato, a Fé não existe para os oficiais nomeados pela Igreja, mas eles existem para a Fé. Assim, se seus frutos demonstram para além de qualquer dúvida que eles estão destruindo a Fé, então, para defender a Fé, não apenas não deveria a Fraternidade estar falando com os oficiais conciliares, mas deveria sim, enquanto observa com toda caridade e respeito, estar fugindo deles como de praga, por medo de ser infectada pelos perigosos erros conciliares infecciosos; a menos e até que, exatamente como disse Dom Lefebvre, eles mostrem que estão deixando seu conciliarismo e retornando à verdadeira doutrina.

            O segundo argumento é que os bispos concedidos por Roma para visitar os seminários da Fraternidade (incluindo Écône) é prova da “benevolência” de Roma para com a Fraternidade, porque Roma “não sabe mais como lidar com a Fraternidade”. E mais uma vez uma andorinha aqui e outra ali são tomadas como significado do verão da conversão de Roma. A ingenuidade é de tirar o fôlego. Roma sabe exatamente como lidar com a Fraternidade: enviar bispos conciliares para dentro dos seminários da Fraternidade para mostrar a seus futuros sacerdotes quão bons são os homens da Igreja conciliar. Assim, eventualmente a Fraternidade fluirá para dentro da Neoigreja.

            A FSSPX não tem de pedir o que quer que seja a esses oficiais romanos, que talvez tenham autoridade, mas são certamente apóstatas. E se ela faz com que eles pensem que, objetivamente e coletivamente, são algo mais do que apóstatas, será como eles, uma mentirosa (cf Jo 8, 55).

Kyrie eleison.

sábado, junho 27, 2015

Família é isso

Por Jorge Ferraz


   A respeito do casamento gay hoje aprovado pela Suprema Corte americana, um amigo (Arthur Danzi) me perguntava quais os argumentos, ou antes o "principal argumento", contra o seu reconhecimento civil. Perdão pelos erros tipográficos. Escrevo do celular. E matando aula.

           Difícil sintetizar. Posso arriscar quanto segue: o casamento não é uma ficção criada pelo mundo jurídico (como, sei lá, a personalidade jurídica). É, antes, o reconhecimento de um dado da realidade: as pessoas se casam "antes" (se não temporal, ao menos logicamente antes) do ordenamento jurídico estabelecer as regras daquilo que se vem a chamar de casamento civil.

           Isso significa que (para horror dos juspositivistas mais radicais) a liberdade criadora do Direito, neste quesito ao menos, não é absoluta. O direito disciplina uma realidade que lhe preexiste. Não pode, a seu alvitre, dar-lhe a feição que lhe aprouver. Não está propriamente criando, e sim reconhecendo.

           Existem, e sempre existiram, em todas as sociedades, incontáveis agrupamentos sociais, formados pelas pessoas as mais diversas e por razões as mais distintas. Existem os amigos que dividem apartamento, existem os irmãos que moram juntos, existe a trupe de circo que vive em acampamentos nômades, existem os homossexuais que moram juntos, existem as comunidades hippies. De todos esses agrupamentos sociais, um e somente um mereceu especial proteção da sociedade: a união duradoura e fecunda entre o homem e a mulher.

           Primeiramente, não interessa fazer juízo de valor sobre essas realidades sociais, não importa tanto tentar justificar o porquê de uma delas ter (sempre) merecido especial tratamento da sociedade. Importa, prima facie, e tão somente, mostrar que elas *são diferentes*. Uma coisa é uma coisa e outra coisa, outra coisa. 

            Há diferença entre os irmãos que moram juntos e a trupe de circo que mora junta também, uma coisa é João e Tiago que dividem um apartamento perto da faculdade para estudar - e pouco importa se eles fazem sexo entre si ou não - e, outra coisa, duas velhinhas solteironas, amigas de infância, que moram em casas contíguas e comunicantes. E ainda, diferente de todas essas coisas, é a união fecunda e duradoura entre o homem e a mulher que, aqui, para fins de economia de teclas, vai se chamar apenas de "o casal".

           De todos os agrupamentos sociais, o casal apresenta duas características particularíssimas e que o distinguem de todos os outros. Primeiro, a durabilidade: ser casal é firmar um compromisso pra toda a vida. Segundo, a fecundidade: o casal tem uma potencial capacidade de gerar uma prole.

          A família, formada pelo casal, é assim a chamada célula mater da sociedade. Uma célula é a menor parte constituinte de um todo orgânico, de um plexo vivo. A célula tem em si algo do corpo; a família encerra em seu seio algo da diversidade da sociedade (homens e mulheres, e diacronicamente velhos e crianças). A célula (ao menos em certa medida) se auto-sustém e se replica; a família é uma unidade coesa e, simultaneamente, aberta à multiplicidade, à continuidade. É pelo instinto genesíaco, leciona Clovis Beviláqua, que o homem se une à mulher; é pelo cuidado da prole fruto dessa união, acrescenta, que ambos permanecem juntos.

          Duas são as características da família: a durabilidade e a fecundidade. Por ser duradoura, ela é forte e coesa; por ser fecunda, ela se perpetua. A instituição familiar, assim, é e sempre foi a resistência natural ao desejo de dominação dos poderosos. Interessa aos que detêm o poder (e o querem exercer em seu benefício próprio) que os seus súditos estejam fracos, dispersos e dele dependam. Interessa-lhe enfraquecer as instituições sociais intermediárias, mormente as mais básicas. Interessa-lhe, em suma, desestabilizar a instituição da família.

         Porque toda família é um porto seguro contra os arbítrios dos poderosos. Toda instituição familiar é um corpo diversificado do qual o homem é cabeça, é um castelo fortalecido do qual a mulher é rainha. Toda família é um mundo em si mesma. E todo mundo é resistente às ingerências exógenas.

         Duas são as características próprias da família, a unicidade e a fecundidade. Para destruir a primeira veio o divórcio, para vulnerar a segunda, o "casamento" gay. É este o sentido em que se diz que essas coisas intentam destruir a família: eliminar características de uma definição é ampliá-la, ampliar uma definição é colocar nela coisas distintas, chamar coisas diferentes da mesma coisa, e tratá-las igualmente, é desdiferenciar. 
        
        E isso é bárbaro, é anticivilizatório, simplesmente porque o refinamento que diferencia as coisas é próprio do pensamento mais elaborado e, as palavras que são idênticas para se referir a uma gama de coisas distintas, são típicas de agrupamentos sociais primitivos. Trata-se de questão de rigor científico, quando menos, para o qual distinguir e ser capaz de expressar a distinção é condição prévia para entender. Poder referir-se ao aparelho de marcapasso é em si mesmo melhor do que só conseguir dizer "o negócio que fica coisando aqui".

          Se tudo é importante, nada é importante. Se tudo é família, nada é família. Se tudo merece proteção especial, então nada merece proteção especial. Generalizar um tratamento específico é perder a espécie na generalidade indistinta. Chamar tudo de família é perder de vista o que são famílias, e as razões pelas quais estas devem ser protegidas.

          Porque a proteção da família é útil à sociedade e útil ao indivíduo. À sociedade, porque esta precisa continuar existindo, e é às famílias que compete gerar e educar os futuros membros da sociedade. Ela é o locus naturalis onde isso ocorre, e o advento de técnicas de reprodução assistida não muda essa realidade mais do que a nutrição nasogástrica torna obsoleta a alimentação humana. E o reconhecimento de uma dada organização social como "Família" tem um custo social, evidentemente, quando menos em termos de renúncia de impostos. 
             
          Não é flatus vocis. A direitos correspondem deveres, e deveres não são de graça. Não faz sentido onerar a sociedade com a universalização dos benefícios próprios da família para todos os agrupamentos sociais, mesmo para aqueles que não podem, em si mesmos, prestar o serviço social que a família presta. 
           
         E tampouco faz sentido conferir arbitrariamente direitos a uns agrupamentos e não a outros que, juridicamente, são idênticos: a dupla de homossexuais "casados" e que amanhã pode se divorciar é indistinguível, para o direito, dos amigos que dividem apartamento para economizar nos estudos universitários. Simplesmente não faz sentido que um daqueles possa colocar o outro como dependente do plano de saúde e, um destes, não o possa.

           Mas as famílias são importantes para os indivíduos, e é talvez principalmente por isso que elas devem ser protegidas: a entrega duradoura e fecunda a uma pessoa diferente de você é, se não o único, ao menos - decerto - o meio ordinário para que as pessoas escapem à mediocridade da vida e se realizem plenamente.

          Constituir família - e família é responsabilidade, não "amor" no contemporâneo sentido prostituído - é, se não o único, ao menos o meio ordinário de deixar de ser massa, de deixar de ser poeira social para integrar algo maior do que você próprio e do que, mesmo assim, você é próprio.

          A família nunca sai de moda, disse há não muito tempo uma famosa e rica dupla de homossexuais. Nem se pode substituir pelas ideologias da moda, eu poderia acrescentar. É este o sentido do compartilhamento que fiz antes: digam o que disserem os lunáticos de plantão, o casamento é um tipo específico de união, entre o homem e a mulher. E é por respeito à realidade das coisas, por rigor científico e terminológico, por isonomia jurídica, pela proteção e promoção dos benefícios à sociedade e ao indivíduo, em suma, que ela merece proteção civil.

domingo, junho 21, 2015

Comentários Eleison: Fátima Invertida?

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDXIV (414) - (20 de junho de 2015): 

FÁTIMA INVERTIDA?


Já não tem a Consagração da Rússia validade?
Ela é indispensável, ainda que seja tarde.

            Quando Nossa Senhora apareceu para a Irmã Lúcia em Tuy, na Espanha, no dia 13 de junho de 1929, para pedir pela Consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração, isto fazia perfeitamente sentido, porque desde que a Revolução Russa estourou em outubro de 1917, a Rússia vinha perseguindo a Igreja e agindo como o principal instrumento do Comunismo para espalhar seus erros mortais pelo mundo. Contudo, a Rússia está agora a desempenhar um papel diferente no cenário dos assuntos internacionais, que faz com que muitos católicos estejam a se perguntar se aquela Consagração ainda é necessária. Será que ela não foi superada pelos acontecimentos?
           
            É verdade que com a queda do Muro de Berlin em 1989, o povo russo começou a repudiar o Comunismo ateu sob o qual ele tanto sofreu durante setenta anos, e desde então não parou de evoluir em direção a Deus ao invés de afastar-se Dele. Tem liderado esta evolução o Primeiro Ministro ou Presidente da Rússia desde 1999, Vladimir Putin (nascido em 1952), que com seu exemplo pessoal e com sua liderança pública tem feito tudo o que pode para promover o verdadeiro ressurgimento da religião cristã ortodoxa dentro da Rússia. Alguns observadores ainda duvidam da sinceridade de Putin, mas os frutos estão aí: milhares de igrejas e catedrais reconstruídas por toda a Rússia, e a moralidade defendida; enquanto que, fora da Rússia, ele já retardou mais de uma vez a deflagração da Terceira Guerra Mundial ao enganar os delinquentes políticos ocidentais, fantoches da ímpia Nova Ordem Mundial que se esforçam para que ela triunfe.

            Pode-se então dizer que a Rússia hoje não precisa mais ser convertida? Não, porque o Cristianismo Ortodoxo ainda não é Catolicismo, e porque o Comunismo tem, pelo que se diz, deixado sua marca na moral do povo russo, por exemplo, na ainda difundida prática do aborto. Mas o que se pode seguramente dizer é que pelo atual ressurgimento religioso na Rússia, testemunhado há muitos anos pelos visitantes ocidentais, Nossa Senhora está preparando a completa conversão daquela nação, e ainda que essa completa conversão possa não ser mais necessária para pôr um fim ao comunismo russo, no século XXI ela se faz ainda mais necessária para vencer o Globalismo mundial. Vamos especular sobre como isto poderia acontecer.

             Para quebrar o cerco agressivo estruturado por bases militares de uma tal potência ocidental que se permitiu ser instrumentalizada pelos maus Mestres do Globalismo, a Rússia, o aparente mas não o verdadeiro agressor (os dois não são sempre o mesmo), invade e conquista a Europa completamente corrompida pelo materialismo ateísta. Sob a pressão da guerra e da ocupação, o Papa finalmente realiza a Consagração da Rússia, conforme pedido por Nossa Senhora em Fátima, e dá-se início à completa conversão miraculosa, mas não para a pútrida religião da Roma conciliar, e sim para um Catolicismo totalmente novo (e totalmente velho) (Mt 13, 52), no qual toda a Verdade da Roma Eterna e do outrora fiel Ocidente é revitalizada pelo frescor religioso dos russos pós-comunistas, que se valem de tudo o que há de mais verdadeiro e de melhor em suas próprias tradições orientais.

            Está-se a priorizar o desejo em detrimento da realidade? Os detalhes aqui costurados a partir das profecias, e mesmo as linhas gerais da especulação podem estar errados, mas de qualquer forma, algum milagre será feito por Nossa Senhora para limpar o Oriente de seus erros e o Ocidente de sua corrupção, de modo que a Igreja possa novamente respirar com ambos os pulmões, e para que assim sobrevenha o “período de paz para o mundo” que ela prometeu em Fátima. Em todo caso, os crentes clamarão com São Paulo: “Ó profundidade das riquezas da sabedoria e da ciência de Deus; quão incompreensíveis são os seus juízos e imperscrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11, 33). Se nós estamos entre os sobreviventes, devemos nos maravilhar com as obras de Deus e de sua Mãe Santíssima.


Kyrie eleison.

quinta-feira, junho 18, 2015

Mestre espiritual muçulmano?



Podemos considerar um muçulmano como mestre espiritual? Segundo Francisco sim! Ali Al-Khawwas, um sufi, foi citado na Encíclica Laudato Si, como um mestre espiritual... uau! E agora legalistas? E agora neocons?

A carta parece um texto do Boff, e ainda cita Teillhard de Chardin, oh my!

Se não fosse algo tão sério, eu riria da cara de certas pessoas, mas tenho vontade de chorar ao ver que tanta gente está caminhando para cair no Inferno enquanto que ditos católicos preferem calar e fingir que as coisas não vão tao mal assim, que devemos baixar a cabeça para esta Roma infectada pela heresia do Modernismo, que não podemos criticar o Papa, que não devemos andar por aí com Bispos como Dom Williamson, mas sim aceitar docilmente as sandices que saem da boca de certos bispos modernistas... é dose! Sou rad-trad? Que seja! Paciência, porque o dia do Juízo vai chegar para todos nós.

O pior cego é aquele que não quer ver! 

Video Aula sobre "O papa herético" do Prof. Carlos Nougué.



segunda-feira, junho 15, 2015

Ideologia de Gênero: cuidado!

Assista os videos, são bem curtinhos, informe-se!


sábado, junho 13, 2015

Comentários Eleison: Rotina Diária

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDXIII (413) - (13 de junho de 2015): 


ROTINA DIÁRIA


Já não são os meios antigos funcionais?
Ou só requerem por trás deles todos uma força nova a mais?

            Não poucos e-mails que cruzam meu escritório eletrônico merecem ser compartilhados com os leitores destes “Comentários”. Permitam-me citar aqui dois deles (resumidos e adaptados, como de costume). O primeiro é o de um jovem leigo, um antigo seminarista de Winona e agora pai de uma família numerosa. Eis um católico que nunca deveria ser acusado de subestimar o poder da atual apostasia universal, ainda que esteja certo de que resta algo que pode, e deve, ser feito. Ele escreve:

            O liberalismo institucionalizado de hoje e o pedido ensurdecedor da multidão moderna por Barrabás pode muito bem resultar em uma safra de mártires. Eu posso apreciar a preocupação do senhor ao perguntar se Deus ainda quer hoje uma instituição tradicional como um seminário, por exemplo. No século XIX, Dom Bosco criou um novo tipo de “co-operador” leigo para seu trabalho com meninos, não uma Confraternidade nem uma Terceira Ordem, porque ele disse que o mal tinha mudado suas táticas, e por isso ele teve de fazer o mesmo. Os bons católicos foram tomados de surpresa, mas sua nova adaptação aos antigos provou-se eficaz.

            Eu menciono isso porque manter a Fé hoje é como mover-se contra as corredeiras mais selvagens. Manter toda a minha família e a mim mesmo no caminho para o Céu requer tudo o que sou e tudo o que tenho. Adaptando as palavras de São Paulo (II Co 11, 29), “Quem está enfermo, que eu não esteja enfermo?”. Eu lembro do senhor dizendo a nós seminaristas anos atrás que onde quer que nós nos encontrássemos mais tarde, teríamos de pôr ordem em um caos voador. Esse caos é mais intenso agora do que era há 25 anos, porque a vida diária mudou enormemente durante os últimos 15, 30, 45 anos. O mundo está agora comendo almas no almoço de uma forma sofisticada e implacável. Os pais devem adaptar princípios provados e verdadeiros para combater as novas táticas do Diabo, porque o que funcionava antes não necessariamente funciona hoje. São essas “lanças e flechas” da atual educação dos filhos que me fazem questionar se a necessidade de diferentes meios para alcançar os mesmos fins não deveriam se aplicar também aos seminários e vocações.

            O segundo e-mail vem de um sacerdote da “Resistência” que diz que os velhos meios ainda são bons, mas precisam ser fielmente aplicados. Ele escreve:

            É incrível como tantos membros de nosso povo não estão fazendo as coisas básicas da vida católica. Eles querem agradar a Deus. Mas bem, iniciativas e empresas católicas especiais não são más em si mesmas, mas são muito menos importantes, difíceis e meritórias que a rotina diária. Nosso povo quer evitar o pecado mortal, e isso é quase tudo. Quantas vezes eu ouvi que eles se “esqueceram” de fazer suas preces da manhã e da noite, ou as de antes e depois das refeições? E a leitura da Bíblia, da vida dos santos, do catecismo! É por isso que eu trabalho oportuna e inoportunamente para tentar convencer meu povo a ter uma vida católica constante e regular, para convencê-lo de que é o que verdadeiramente agrada a Deus.

            O mesmo se aplica à “Resistência”. Eu tenho dito ao meu povo que a verdadeira prova será a da continuidade, a da perseverança. Isso foi relativamente fácil dois ou três anos atrás, quando estávamos em uma batalha campal, batendo à direita e à esquerda, mas agora é mais como guerra e trincheiras. E nós defenderemos nossas posições como um movimento se cada sacerdote e cada leigo católico mantiver sua posição em sua vida diária.

            Deus não criou nenhuma alma para o Inferno (1 Tm 2, 4). Segue-se que cada alma pode encontrar os métodos para chegar ao Céu, se ela quiser. Esses métodos podem ser difíceis, mas não são complicados, ou seriam inacessíveis para muitos. Os antigos meios, especialmente o Rosário diário, não são complicados, mas devem ser empregados.

Kyrie eleison.

domingo, junho 07, 2015

Comentários Eleison: Papas Conciliares - II


Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDXI (412) - (6 de junho de 2015):
 
PAPAS CONCILIARES – II

Estariam, ao causar danos, os Papas conciliares bem intencionados?
Aguardemos nos braços fortes de Deus. Só por Ele podem eles ser julgados.


            Estes “Comentários” sempre voltam ao problema do subjetivismo porque sustentam que a Igreja e o mundo de hoje não podem ser bem compreendidos sem ele. Subjetivismo significa essa podridão da mente pela qual a pessoa, ou sujeito, permite que sua mente se desconecte da realidade, ou objeto, e então fique livre para refazer a realidade de acordo com sua própria fantasia. Daí o mundo de fantasia em toda sua loucura hoje à nossa volta, incluindo a fantasia da Neoigreja (Igreja e mundo são reconciliáveis) e a mesma fantasia da Neofraternidade (Tradição e Neoigreja são reconciliáveis).

            Para se manter o apego mental à realidade e o equilíbrio na Fé, é essencial distinguir sempre o subjetivo do objetivo. Por exemplo, os Papas Conciliares estão gravemente equivocados na Fé, objetivamente falando, mas subjetivamente falando, eles estão convencidos de que estão certos, e podem bem estar, ao menos parcialmente, (só Deus sabe) bem intencionados. Mas se eu falho em distinguir entre o objetivo e o subjetivo, posso cair facilmente em um dos dois erros já conhecidos: se digo que esses Papas estão objetivamente equivocados, então eles devem estar subjetivamente equivocados, e assim não poderiam estar bem intencionados, e devem saber o que estão fazendo – portanto eles não podem ser Papas, e eu caio no dogmático sedevacantismo; ou, se eu digo que eles estão convencidos e são convincentes, então eles estão subjetivamente certos e assim devem estar também objetivamente, então eu devo segui-los, e caio no liberalismo (eis como Bento XVI, por exemplo – objetivamente –, enganou muitos bons católicos, quaisquer que fossem as suas intenções).

            Pelo contrário, se eu tenho uma fé clara e sei distinguir entre a realidade objetiva e a fantasia universal de hoje, então, ao medir em última análise Roma pela Fé e não a Fé por Roma, eu posso perceber que os Papas Conciliares podem estar convencidos e ter, ao menos em parte – Deus sabe –, boas intenções, mas eu jamais os seguirei toda vez que tentarem me  distanciar da verdadeira Fé e da verdadeira Igreja. Por outro lado, não excluirei a possibilidade de uma medida de boas intenções de sua parte, nem vou ter como pessoal o juízo dessa medida, mas esperarei que a Igreja julgue, depois de uma audiência, sua pertinácia e heresia.
           
            Mas os homens da Igreja de hoje estão tão universalmente infectados pela fantasia da liberdade, igualdade e direitos do homem em oposição ao dever, à hierarquia e aos direitos de Deus, que a probabilidade de tal audiência se dar em algum momento próximo é mínima. Portanto, em minha própria mente eu posso ter de deixar em suspenso a questão desses Papas. Tal suspensão não é confortável, mas eu sei que Deus em Seu próprio bom tempo há de vir restaurar Seu Papado.

            Enquanto isso, toda a estrutura de Sua Igreja, pela qual toda autoridade descende desde o Papa, não mudou. Assim, como o Papa Francisco condena a Tradição sempre que tem chance, a Tradição não pode fazer mais que permanecer lutando para sobreviver. Quanto à fundação de Dom Lefebvre e a liderança da Fraternidade Sacerdotal São Pio X que se seguiu, a aprovação oficial de seus Estatutos por parte do bispo diocesano local foi de imensa importância. Isso fez da FSSPX a luz de emergência da Igreja oficial, e o movimento da “Resistência” só pode ser uma tentativa de reparar essa luz de emergência da Igreja oficial. Esta tentativa está sendo prejudicada tanto pelos eletricistas oficiais quanto pelos da emergência? Que assim seja. Mas devem-se manter ao menos umas poucas luzes na Igreja. Contudo, que ninguém espere da “Resistência” prodígios ou maravilhas contra tal oposição dos colegas eletricistas. Paciência. Deus tem tudo sob controle.

Kyrie eleison.

            N.B. Eu deverei estar Confirmando neste verão: (na França) próximo a Pau em 7 de junho, próximo a Vichy em 14 de junho; (no Canadá) em Calgary no dia 29 de junho; e (nos EUA) em Denver no dia 1º de julho, em Nashville no dia 2 de julho e em Jacksonville no dia 5 de julho.

            

quarta-feira, junho 03, 2015

A falsa segurança do preservativo de látex

(a castidade continua sendo o único preservativo eficaz no contágio da AIDS)

Leia o artigo, aqui.

Trechinho:

"“Quem procura o bônus deve aceitar o ônus”. Ninguém tem o direito de unir-se ao corpo alheio antes do casamento (fornicação), de trair o cônjuge (adultério), de vender o próprio corpo (prostituição), de praticar atos antinaturais (homossexualismo). Quem pratica tais pecados contra a castidade, já deve estar contando com a possibilidade de contrair a AIDS ou outra doença sexualmente transmissível. Não é função do governo garantir aos devassos a segurança em suas aberrações."

terça-feira, junho 02, 2015

Tolerância e apatia



"Tolerância e apatia são as últimas virtudes de uma sociedade moribunda" - Aristóteles.

segunda-feira, junho 01, 2015

Palácio Nymphenburg...

...na Alemanha.