quinta-feira, outubro 22, 2015

Comentários Eleison: A Angústia de Um Pai

Caros leitores,
Informamos que os Comentários Eleison são agora traduzidos pela consóror Leticia Fantin Vescovi.

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Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDXXXI (431) - (17 de outubro de 2015): 
A ANGÚSTIA DE UM PAI
 



Um pai de família não sabe para onde ir?
Querido pai, Nosso Senhor nunca o irá trair!

Vossa Excelência,

Desculpe-me importuná-lo, mas sou um pai responsável por levar ao céu alminhas que Deus me confiou, e nunca estive tão perdido ou confuso sobre como proceder quanto estou agora. Estou tentando não me desesperar ao ver tanto meu mundo católico quanto o resto do mundo numa espiral descendente, na iminência de um colapso. Nos Estados Unidos atual, um clérigo é mandado à prisão se se recusar a emitir uma licença para um casamento entre pessoas do mesmo sexo. O que virá depois? Eu, de fato, continuo esperançoso, porque Deus nos deu muitos filhos e outro está a caminho. Por que Deus nos permite trazer mais filhos ao mundo quando parece que este está para acabar? Minha esposa e eu deveríamos nos preparar para ver nossos filhos martirizados? Até hoje, eu não achava tão fácil a devoção a Nossa Senhora, mas agora até eu voltei-me a Ela.

O problema atual é o que achamos que está acontecendo em nossa paróquia, que é católica tradicional. Mudamo-nos para cá com o intuito de garantir especialmente às crianças, mas também a nós, a verdadeira missa e uma formação católica. Infelizmente, muitas coisas vieram à tona e nos deixaram chocados, confusos e com um sentimento de derrota. Parece que influências demoníacas estão em jogo, tanto que até nos questionamos se os padres não estariam sob as garras do demônio, porque já não eram os mesmos que havíamos conhecido um ano atrás. No último ano, fizemos tudo o que pudemos para ajudar, mas nossos esforços foram em vão. Ao passo que continuávamos a ir à missa nesta localidade, rezávamos, jejuávamos e fazíamos novenas na esperança de que as coisas mudassem. Nós “oramos e vigiamos” e, tal qual a esposa de um alcoólatra, criamos desculpas para eles o quanto pudemos. Finalmente, algumas coisas aconteceram e elas nos estão levando a procurar por outro lugar, se não quisermos que nossos filhos fiquem confusos em relação à sua fé.

Então, para onde vamos? Obviamente, quero que meus filhos tenham os sacramentos e que continuem a crescer na fé frequentando uma missa válida, desde que ela esteja lá. Para conduzir a alma destas crianças a Cristo, também minha esposa e eu precisamos essencialmente das graças da missa. Queremos permanecer longe de grandes cidades. Minha situação empregatícia é tal que posso procurar por um trabalho em qualquer lugar dos Estados Unidos. Para onde vamos?

Querido pai de uma grande família,

Antes de tudo, tendo lido o que escreveu, deixe-me aconselhá-lo a refletir sobre suas bênçãos. Deus Todo-Poderoso não está tornando as coisas fáceis para você, mas tampouco as tornou para seu próprio Filho na terra. Este é um “vale de lágrimas”, mas entre as lágrimas Deus está dando a você e à sua família muitas graças. Você está mantendo a fé, lhe foi dado ver a necessidade da verdadeira tradição. Você ter tornado isto prioridade para levar sua família ao céu é outra grande graça. O demônio pode ter colocado alguns obstáculos em seu caminho, mas você percebeu que era ele o autor. Conte com isto: haverá muito mais obstáculos antes de a crise terminar, e é provável que o pior de todos venha da parte dos padres (“Levamos nossos tesouros em vasos de barro”, diz São Paulo). Nunca se surpreenda com a maldade hodierna, o demônio está correndo solto. Sobretudo, tenha verdadeira consciência do quanto Deus está fazendo por você, tal qual Ele fez pela Sagrada Família apesar de todas as aparentes dificuldades. Isto as porá na perspectiva correta. E não se surpreenda se, como pai de família, Deus quiser que tome algumas decisões importantes para o futuro. Ele não as tomará por você.

Certo, você diz, mas a pergunta permanece: “para onde vamos?” Resposta: para um lugar onde você tenha certeza de que encontrará, primeiramente, trabalho para si e, em segundo lugar, a verdadeira missa, nesta ordem, porque a família não pode sobreviver sem quem a sustente. Em relação à missa, vinte anos atrás ninguém hesitaria em dizer que deveria ser uma da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Hoje, isto já não é tão certo. Eu diria que você deve guiar-se antes por um padre do que por sua Congregação ou “etiqueta”. Espere falhas e traições. Estamos todos à deriva no mar da apostasia. Mas mantenha uma ilimitada, uma sólida confiança em Nosso Senhor e em Sua Mãe. Eles nunca o abandonarão, a não ser que você queira. Tenha compaixão de seus irmãos, que são humanos. Deus o abençoe.

Kyrie eleison.

segunda-feira, outubro 12, 2015

Comentários Eleison: Conselhos Positivos

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDXXX (430) - (10 de outubro de 2015): 

CONSELHOS POSITIVOS


Não é que nada há que possamos fazer.
Querer é poder, e há um modo de para além disso ver.

Os americanos têm uma expressão, cuja tradução literal é “pensar fora da caixa” [“to think outside the box”]. Ela significa pensar diferente do modo comum de pensar. Se já houve alguma época para se "pensar fora da caixa", essa época é esta em que vivemos. Há seis ou sete centenas de anos, a humanidade começou a separar-se de Deus, em um processo escolhido livremente por ela, e no qual Deus não interveio para interromper – como Ele poderia facilmente ter feito –, já que não deu a nós, homens, o nosso livre-arbítrio para em seguida retirá-lo. Demais disso, se Ele está agora permitindo que esse processo esteja alcançando em nosso tempo a sua conclusão lógica, deve estar esperando que com o aprofundamento da crise e o aumento das pressões, mais e mais almas estejam sendo levadas a “pensar fora da caixa" de seu materialismo, e assim, por fazê-lo, retomando o caminho para o Céu.

Agora, como os próximos anos se desdobrarão, permanece segredo de Deus, especialmente Seu calendário. Contudo, parece altamente provável que as áreas suburbanas e urbanas onde a maioria de nós vive serão seriamente desestabilizadas, em primeiro lugar porque essas áreas estão largamente imersas no materialismo e vivendo alegremente sem Deus, que deve fazer cair a Sua ira; e em segundo lugar, porque estão tão intrinsecamente instáveis, que são artificiais, e separadas da natureza, dependendo mais e mais do frágil sistema de supermercados para o sustento e para a sobrevivência, da insuficiente força policial para a manutenção de toda paz e ordem, dos vulneráveis satélites de Internet para sua informação e comunicações, dos bancos corruptos para manter os tetos sobre suas cabeças. 

De fato, somente quando a crise realmente se abater, teremos verdadeiramente percebido quão frágil era nosso ambiente, que parecia tão natural como a própria natureza. Por conseguinte, para a subsistência e a sobrevivência certamente faz sentido estocar comida e água; para a informação e a orientação, ter em mãos um rádio que funcione com bateria (com as baterias); para a lei e a ordem, dispor de alguns meios físicos para a autodefesa e estabelecer contato com vizinhos mais próximos, por pouco que se possa tê-los escolhido, porque os amigos na necessidade são amigos de verdade; e para o teto sobre a cabeça, fazer tudo o que puder, e o mais breve possível, para sair das dívidas e das garras dos banqueiros, ainda que seja tarde para isso.

Um leitor católico vai além e sugere que os católicos em uma mesma área se agrupem para estabelecer refúgios católicos, tanto materiais como espirituais, invisíveis como tais desde fora, mas nos quais a alegria da Fé reinará internamente. Esse parece um pensamento estranho. É certamente “fora da caixa”. Exigiria que alguns católicos vivessem próximos de outros, e que compartilhassem o mesmo senso de urgência em relação aos eventos iminentes; mas é uma ideia que com o tempo poderia ser realizada. Além disso, algum ‘estudante’ poderia fazer bom uso de seu tempo na ‘universidade’ escrevendo uma tese sobre como os católicos mantiveram a Fé sob a brutal repressão comunista. O Globalismo não é ainda fisicamente brutal, mas isto pode torná-lo ainda mais perigoso para as almas.

E finalmente, um sacerdote dá umas poucas sugestões clássicas de meios espirituais para suprir as necessidades espirituais de hoje, que são suficientemente urgentes, mesmo sem os graves eventos que são iminentes. Os quinze mistérios do Rosário todos os dias têm a garantia do Céu para sua eficácia. Um jejum de vinte e quatro horas com pão e água pode até mesmo obter milagres. Uma obra de misericórdia corporal, por exemplo, esmolas reais para um mendigo real (mais difícil que escrever um cheque) faz descer a graça, tal como uma obra de misericórdia espiritual, como dar um folheto católico ou uma Medalha Milagrosa para não católicos. A abstinência total da Internet por um ou vários dias pode pôr um freio nos hábitos de perda de tempo, e pode deixar meia hora disponível para meditar na Paixão de Nosso Senhor, que está apenas esperando e ansiando que façamos bom proveito de tudo o que Ele sofreu.


Kyrie eleison.

quinta-feira, outubro 08, 2015

Novo curso on-line de Carlos Nougué (de acesso livre)


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domingo, outubro 04, 2015

Comentários Eleison: Corroboração Argentina

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDXXIX (429) - (3 de outubro de 2015):  

CORROBORAÇÃO ARGENTINA


Pelos profetas da desgraça não se deve deixar ser atraído,
Mas, vale por dois um homem prevenido.

Um leitor da América do Sul corrobora o que um leitor da América do Norte escreveu e foi comentado nestes “Comentários” há poucas semanas. Coragem, leitores – semana que vem veremos aqui várias sugestões positivas.

“O modo como esse norte-americano, irmão na Fé de sempre, vê o presente e o futuro, é excelente. Eu concordo com ele inteiramente. Por mais de trinta anos, uns poucos amigos e eu temos alertado como esta situação, aparentemente irreversível – humanamente falando –, terminará. Nós somos poucos, é certo, porque à luz de toda a loucura presente conseguimos estar preocupados com o futuro, podemos ver o que está por vir e o que está agora às portas; mas quando argumentamos com as pessoas que elas devem se preparar para isso, como poderiam não se escandalizar com nossas preocupações? Como poderia alguém não nos tomar por humoristas, niilistas ou loucos?

“Como as massas de hoje, elas estão preocupadas em preencher cheques, em ganhar dinheiro para pagar suas contas, em calcular se podem ou não se endividar novamente. Para tais pessoas, é obviamente uma distração insana e psicótica se alguém lhes fala da possibilidade de uma crise bancária, quanto mais de uma catástrofe apocalíptica. Não podem aceitar que possa cair o frágil castelo de cartas que elas têm sacrificado tanto para levantar, entre labirintos de propaganda financeira e empréstimos cativantes oferecidos pelos bancos. Na busca desesperada por taxas de empréstimo mais baixas ou por financiamentos sem juros, elas esforçam-se constantemente para manter o consumismo perverso, que é seu modo de vida, com as cabeças enterradas no atoleiro moderno.

“Quem, senão um ‘louco’ pode estar pensando em fontes de água, comida enlatada e produtos caseiros, fontes de informação independente da Internet, fontes não tradicionais de energia, impressoras que funcionam com baterias pesadas recarregáveis, resmas de papel A4, materiais para encadernação, medicamentos básicos, desinfetantes e anestésicos, instrumentos cirúrgicos, combustíveis sólidos, especialmente madeira, carvão e líquidos, etc., etc.; tudo necessário para encarar as piores contingências? Pois eu estou absolutamente convencido de que é o que virá adiante, porque ninguém sai de uma crise como a que nós estamos sem uma purificação em nível mundial, como nunca vista antes.

“Contudo, estar espiritualmente preparado é o mais importante, estar capacitado para deixar de lado as próprias necessidades nos terríveis momentos que virão e ajudar aqueles mais próximos de nós, com uma palavra de encorajamento, um pedaço de pão, um pouco d'água, alguma explicação do desastre total que se terá abatido. Desse modo, em vez de acusar Deus, eles poderão, uma vez desprendidos das distrações esmagadoras do mundo, redescobrir o verdadeiro caminho para salvar suas almas. Uma esposa e mãe da Síria disse a uma Irmã de seu país que a guerra de agressão que este agora sofre está permitindo-lhes perceber que o conforto no qual viviam antes havia feito com que perdessem de vista o estilo de vida simples tão necessário para os verdadeiros cristãos, e que em meio a tal crise elas tornaram-se mais felizes do que antes porque estavam agora focadas no essencial: a vida cotidiana do cristão, elevando seus olhos a Deus e à Santa Virgem Maria.

“Eis porque apesar de todo o mal circundante, eu particularmente vejo boas novas por todos os lados, que inspiram em mim alegria e esperança de possibilidades celestiais ilimitadas, inimagináveis no presente, uma vez que este mundo perverso esteja derrotado e liquidado. Pessoas a fazer sacrifícios para prestar auxílio ao próximo, a vida honorável de muitos soldados, os exemplos dos mártires, os pais de família esforçando-se para dar uma educação cristã aos seus filhos, milhares de pessoas pensando como o americano mencionado acima, tradicionalistas reagindo, e muitos outros exemplos. São todas boas notícias, e deverão alegrar nossas almas com a brisa refrescante da confiança em Deus. Ele nunca falha. Basta que imitemos a vida de Seu Filho. Mas como não há Redenção sem sofrimento, então é absolutamente certo que este mundo de mentiras infame, pervertido e diabólico não cairá por si sem um castigo exemplar”.


Kyrie eleison.