sexta-feira, março 04, 2016

Existem milagres fora da Igreja Católica?



Em resposta aos Comentários Eleison de Mons. Williamson sobre os milagres eucarísticos de Buenos Aires, o Rev. P. Ernesto Cardozo escreveu o texto que tem título homônimo ao deste artigo, porém, a questão que ele levantou encontra resposta positiva (há milagres fora do corpo visível da Igreja em modo extraordinário) nos seguintes textos do Prof. Carlos Nougué:


Sendo assim, a pergunta do Padre Cardozo obteve uma resposta que refuta o seu primeiro texto, mas onde está a sua contestação? A Cereja do Bolo? Não vi ali respostas dele as respostas dadas pelo Professor Carlos Nougué. Santo Tomás, citando Santo Agostinho, não relatou o milagre da Vestal, como sendo “De potentia” (apesar de constar no livro “De potentia” de Santo Tomás, não significa que ele defendeu uma potência), mas como milagre mesmo. Me recordo mais ou menos das seguintes palavras dele na “cereja” do bolo: “De potência absoluta Deus pode fazer até uma imagem de Buda chorar, mas de potência ordenada não. O mesmo se aplica a Missa Nova”. Porém, Santo Tomás no livro “De potentia”, narra o milagre da Vestal relatado por S. Agostinho, não como uma “Potência” absoluta ou ordenada, mas como um fato. Daí vem a dúvida se o Padre Cardozo leu a argumentação que pretendeu contestar: o que falou sobre o “De potentia”, não tem nada a ver com os milagres realizados fora da Igreja , até porque o próprio Santo Tomás na Suma Teológica diz:

“À terceira deve dizer-se que os milagres são sempre verdadeiros testemunhos daquilo que confirmam. Por isso, os maus que ensinam falsas doutrinas não poderiam jamais fazer verdadeiros milagres para confirmar seu ensinamento, embora, às vezes, possam fazê-los em nome de Cristo, que eles invocam, e pela virtude dos sacramentos que administram…” “Se os maus podem fazer milagres” (Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, II-II, q. 178, a. 2)

Santo Tomás não afirmaria uma coisa no “De potentia” e outra na Suma Teológica, mas segundo alguns, ele neste trecho da Suma, estaria se referindo a pecadores (chegou-se ao absurdo de se distorcer textos de Santo Tomás em benefício próprio), mas pecadores pecam contra doutrina, não a negam e em seu lugar ensinam outras que são falsas, quem faz isso são os hereges. O Padre do Milagre de Lanciano, por exemplo, duvidava da transubstanciação, ele não ensinava que ela não acontecia, não ensinou falsa doutrina. Quando alguém contesta o argumento contrário, se espera a contestação do argumento, não se espera de uma contestação apenas a utilização do título do livro que é fonte deste argumento, foi isso que o Padre Cardozo fez com o “De potentia”, falou apenas do título, de seu conteúdo não disse nada. Bom, tudo foi muito bem explicado e respondido pelo Prof. Carlos Nougué, que até agora não foi refutado e resumidamente, diz o seguinte em seus textos:
1 – Texto de Santo Tomás que afirma a possibilidade dos hereges fazerem milagres (como se viu logo acima);
2 – O milagre citado por Santo Tomás e narrado por Santo Agostinho de uma vestal, que carregou água em um jarro furado para provar a sua virgindade;
3 – Os milagres do Padre João de Cronstad comentados pelo Cardeal Leipicier.
4- Os seguintes milagres na Igreja Conciliar que continuam:
  1. “O milagre da liquefação do sangue de São Genaro;
  2. A conservação datilma de Guadalupe
  3. E outros vários milagres permanentes que ainda continuam a acontecer na Igreja, no âmbito dos Novus Ordo Missae.
Mesmo após essa resposta ter sido dada, miraculosamente, como se nenhuma resposta houvesse (não houve nenhuma contra-argumentação) de um bolo com sabor de erro, continuam a surgir “cerejas”. Mas por que o bolo tem sabor de erro? Simplesmente porque os milagres que podem ser lidos nos textos do Professor Nougué são análogos (analogia se baseia em semelhança e dissemelhança) ao relato do milagre eucarístico de Buenos Aires. Não que a Igreja Católica tenha desaparecido e deixado de existir ou que se identifique plenamente com a conciliar, como defendem. O caso é que a Igreja conciliar é cismática, e de um cisma sempre nasce uma nova Igreja,  a antiga não morre ou desaparece, ela continua a existir. Veja-se o caso do grande cisma do ocidente e do oriente, após o cisma, passou a existir a Igreja Ortodoxa, que é cismática, mas apesar de terem feito um cisma, pode se dizer que ela não tem nada de católico? [Nda.: Leia-se a este respeito o artigo “Uma Igreja para duas hierarquias” dos Dominicanos de Avrillé]  Isso é um outro tema, continuemos com a questão dos milagres… os princípios que a eles se aplicam [relatados no texto do Prof. Carlos Nougué], também se aplicam nos milagres eucarísticos de Buenos Aires, mas os princípios que aplicaram Padre Cardozo e seus fiéis, se fossem aplicados nos milagres relatados por Santo Agostinho e Santo Tomás  o Cardeal Leipicier e os outros, o que teríamos, é o que vamos ver agora:
  1. a) Sacerdotisa Vestal:
Um milagre de uma sacerdotisa pagã Vestal, só serviria aos pagãos para permanecerem no paganismo. Serviria para provar seu sacerdócio, seu culto e a divindade de Vesta, a deusa pagã que ela serve. Santo Agostinho e Santo Tomás estão errados, não pode existir milagre fora da Igreja.
  1. b) Os milagres do Padre João de Cronstad:
Um milagre de um sacerdote cismático, apesar dele possuir sacerdócio válido e celebrar sacramentos válidos, só serviria aos cismáticos para permanecer no cisma. O Cardeal Leipicier, está errado, fora da Igreja não existem milagres.
  1. c) Milagre do sangue de São Januário, a Tilma de Guadalupe e outros milagres permanentes que acontecem no âmbito da Igreja Conciliar:
Isso não pode acontecer mais no âmbito do Novus Ordus, porque apesar da boa vontade dos fiéis tomariam como verdade erros. Esses milagres são falsos, obra do demônio, não pode haver milagres fora da Igreja.

E para terminar a aplicação, apliquemos a “cereja do bolo II”, trecho do Padre Cerruti, aos milagres supracitados:

A razão vê logo, já a priori, que deve ser possível discernir os verdadeiros milagres divinos dos prodígios do demônio. Deus com efeito: 1) não pode induzir que o homem seja induzido invencivelmente no erro em matéria moral e religiosa e acerca de sua salvação eterna: opõem-se a Veracidade, a Santidade e a Providência divina; seria pôr a Providência em contradição consigo mesma, guiando os homens para a salvação e juntamente colocando-os em circunstâncias tais, que, apesar de suas diligências e da sua boa vontade, tomariam invencivelmente, como verdades que conduzem à salvação, erros que de fato afastam dela; 2) nem pode permitir que o milagre, único critério primário para reconhecer a verdadeira revelação divina, perca seu valor e eficácia, como aconteceria se não se pudesse discernir dos prodígios do demônio: opõe-se a isso a Sabedoria divina”. 

A cereja do bolo II…

Foi isso o que fizeram Santo Agostinho, Santo Tomás, o Cardeal Leipicier, quando relataram os milagres da Vestal e do Padre Ortodoxo João de Cronstad?

Não, não foi! Então, vê-se claramente através da aplicação dos princípios que aplicaram ao Milagres do NOM, Padre Cardozo e seus fiéis, uma aplicação de princípios próprios, porque se é verdade o que dizem a respeito dos milagres no NOM, estariam em erro Santo Agostinho e Santo Tomás, como também o Cardeal Leipicier e todos aqueles que sustentam a verdade católica. Assim, é bom saber que se D. Williamson está “errado” ele está errado com Santo Tomás, Santo Agostinho, o Cardeal Leipicier  e a Igreja Católica Apostólica Romana que os tem em grande conta. Através disso, pode se concluir que toda essa polêmica não tem o menor sentido: os milagres da sacerdotisa Vestal, não tornaram bom o paganismo e os milagres de João de Cronstad não tornaram bom o cisma ortodoxo, então, por que milagres eucarísticos no NOM tornariam bom o próprio NOM [1], quando se sabe que provam apenas a presença real de Jesus na Eucaristia? Talvez, eu esteja errado e alguém que defende o contrário, consiga provar que por Santo Agostinho ter falado do milagre de uma sacerdotisa pagã, em um tempo de transição do paganismo para o cristianismo, muitos católicos se tornaram pagãos e os pagãos permaneceram no paganismo. O mesmo em relação ao Padre João de Cronstad, será que por ter tido seus milagres reconhecidos pelo Cardeal Leipicier e pelo Padre Giusepe Casali, católicos se tornaram ortodoxos e os cismáticos permaneceram no cisma?

O caso do Padre João de Cronstad é particularmente interessante e responde àqueles que argumentaram que devemos acreditar apenas em milagres aprovados pela Igreja. Na pesquisa que empreendi sobre o caso do Padre João de Cronstad, não encontrei nenhuma informação sobre processo ou aprovação de seus milagres pela Igreja Católica Apostólica Romana, mesmo assim, o Cardeal Leipcier e o Padre Giusepe Casali comentam que ele fez milagres e através dele mostram que extraordinariamente pode haver milagres fora dos limites visíveis da Igreja. Portanto, não encontrei uma aprovação oficial da Igreja para os milagres, mas mesmo assim, o livro do Cardeal Leipicier e a “Suma de Teologia Dogmática” do Padre Giusepe Casali possuem o Nihil obstat e o Imprimatur, não consta erro. Se é errado falar publicamente de milagres não aprovados pela Igreja, por que o fizeram os dois eclesiásticos? E por que a Igreja lhes concedeu o Nihil obstat (Nada consta contra a fé católica do ponto de vista moral e doutrinário…) e o Imprimatur, e não o Index, como o fariam outros?

A questão se podemos ou não acreditar em revelações e milagres sem a aprovação da Igreja, foi respondida por Urbano VIII em um decreto de 25 de Março de 1625, de 5 de junho de 1631, como ainda nos decretos da Sagrada Congregação dos Ritos (também Clemente IX). Esses decretos possibilitaram ao Padre Giovanni Battista Lemoyne escrever as “Memórias biográficas de D. João Bosco”, a sua biografia em 1898, dez anos depois de sua morte que se deu em 1888 e 36 anos antes de sua canonização que se deu em 1934 realizada por Pio XI. Prevendo Padre Lemoyne que o fato de São João Bosco não ter sido ainda canonizado ocasionaria questionamentos, uma vez que em suas memórias biográficas constam seus milagres, suas profecias, as revelação privadas que recebeu e sonhos, ele escreveu o seguinte protesto, logo no começo do livro:

Protesto do autor  

Conformando-me aos decretos de Urbano VIII, de 13 de março de 1625 e de 5 de junho de 1631, como ainda aos decretos da Sagrada Congregação dos Ritos, declaro solenemente que salvo os dogmas, as doutrinas e tudo aquilo que a Santa Romana Igreja definiu, em tudo aquilo que diz respeito aos milagres, aparições e Santos não ainda canonizados, não entendo de prestar, nem requerer outro que a fé humana. Em nenhum modo quero, prevenir o juízo da Sé Apostólica da qual me professo e me glorio de ser filho obedientíssimo”. [VII]http://www.donboscosanto.eu/memorie_biografiche/Scritti/Don_Bosco-Memorie_biografiche_Vol_01.html#A001000069 ehttp://www.donboscosanto.eu/memorie_biografiche/concordanze/D/001/Decreti.html

Podemos pedir a D. Williamson para reproduzir o protesto do Padre Lemoyne nos Comentários Eleison, não é uma boa idéia?

Meus caros, salvo os dogmas, as doutrinas e tudo aquilo que a Santa Igreja definiu não constitui nenhum absurdo D. Williamson escrever sobre milagres, revelações e profecias ainda não aprovadas pela Igreja. Por outro lado, diga-se de passagem, quem foi que definiu que “Fora da Tradição [não existe mais a Igreja?[2]] não existe salvação? Quem foi que definiu que “Fora da Igreja não pode haver milagres”? Quem sentenciou que milagres na Missa Nova significa ipso facto que ela é boa? O Magistério da Santa Igreja Católica não foi, então, aqui, não se deve se observar o critério que dá Bento XV na Ad Beatissimi Apostolorum Princis Cathedram [3]? Essa posição ultrapassa a Regra de São Vicente de Lérins (“se um dia o erro chegasse a invadir também a Igreja inteira, seria necessário fazer e acreditar naquilo que a Igreja sempre mandou e ensinou. Quod semper, quod ubique quod ab omnibus” – Commonitorium, III, 15), e pretende dar solução para os problemas da Igreja, é a via do faça você  mesmo ou, seja você mesmo o Papa e o magistério da Igreja: condene formalmente o Concílio e indiretamente a Igreja Conciliar. E em alguns isto se faz com o mesmo zelo impregnado de azedume que S. Pio X condenou na sua primeira encíclica a “E supremi apostolatus” [4].  Zelo ao qual estes ainda têm a coragem de chamar de caridade, mas que é na verdade comoção, contra a qual disse São Pio X na “E supremi Apostolatus: “gravemos isto fortemente na nossa memória, ó Veneráveis Irmãos, pois o Senhor não está na comoção (III Rs 19,11)”. O que um católico requer quando publica algo sobre milagres, aparições e santos ainda não canonizados, respeitado os dogmas e as definições da Igreja, é fé humana, assim pode se dar ou não dar o assentimento. Quando se sabe disso, questiona-se o porquê de tanta confusão entorno dos Comentários Eleison de Buenos Aires que é uma questão secundária: será que não se tem outras intenções por trás disso? A essa questão se responde dizendo que, o fim próximo da negação da possibilidade dos Milagres no NOM é exatamente tudo o que sabemos sobre o NOM e D. Williamson não negou em momento algum, mas é apenas uma cortina de fumaça. Essa defesa se entende a partir do momento que conhece o seu fim remoto, que é a afirmação de que na Igreja Conciliar não existe nada de católico, porque se há possibilidade de milagres no NOM, algo há de católico na Igreja Conciliar, mas isto não poder ser porque o “Magisterium Suplet” de Padres e leigos, decidiu que não existe mais nada de católico na Igreja Conciliar. Contudo existe algo de Conciliar nessa postura, porque tal defesa assume as características de um Colégio de Leigos presididos por um Padre, assim como se defende na Lumen Gentium, o Colégio de Bispos presidido pelo Papa.

Bom, em relação aos que disseram que nem todos podem entender a argumentação de D. Williamson, isso é um fato, porque aqueles mesmos que se levantaram contra os Comentários Eleison não entenderam a sua argumentação. Acusaram no de imprudência, mas a sua prudência não se difere daquela de Santo Agostinho, que em um Império que estava passando do paganismo para o cristianismo,  relatou milagres de uma sacerdotisa pagã. Não há relatos de contestação do ensinamento de Santo Agostinho, muito menos acusações de que o Hiponate tenha sido imprudente. O que se vê nessas polêmicas sobre os milagres, é uma tempestade em copo d’água, feita por pessoas que não pensam como católicos, aja vista que não pensam como Santo Agostinho, Santo Tomás e o Cardeal Leipicier. De qualquer modo, não é porque as pessoas não entendem, que o bispo deve deixar de ensinar, pois como sucessores dos apóstolos e Daquele que ensinou “não é dado a todos conhecer o mistério do reino dos céus”, ele deve continuar a sua missão de ensinar, assim como o Espírito Santo continuará a sua de iluminar aqueles que tem boa vontade.

Por fim, Mons. Lefebvre a fim de perpetuar a sua obra sagrou os 4 bispos e por isso foi excomungado. Se nenhum dos 4 bispos não correspondeu às expectativas de Mons. Lefebvre, a decisão de sagra-los não foi a mais acertada, não teve a bênção de Deus, e toda a sua obra foi por água abaixo. Se Mons. Lefebvre imaginasse que sua obra continuaria com um Padre e um punhado de leigos, por que fez as sagrações? Ou será que o Padre Cardozo é o Bispo que D. Lefebvre deveria ter sagrado e não sagrou?


Notas:

[1] Segundo o Padre Giusepe Casali em sua “Soma de teologia dogmática”, Deus através do Padre João de Cronstad operou milagres  para provar a presença de Jesus na Eucaristia dos Ortodoxos, não para provar o cisma ortodoxo, vejam:
“Deus então pode operar o milagre para aprovar uma singular verdade, seja de ordem natural, como de ordem sobrenatural. Assim, se conta sobre os verdadeiros milagres feitos pelo missionário cismático, certo Padre João de Cronstad, para confirmar a verdade da presença de Jesus na SS.ma Eucarístia. O valor demonstrativo dos milagres, por Padre Giusepe Casali – http://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/1386

[2] “Fora da Santa Tradição não existe salvação” é uma admissão tácita de que a Igreja desapareceu, o Eclesiavacantismo. Se não for também uma afirmação de adesão a heresia feeneíta, que nega a salvação fora da Igreja de forma extraordinária, negando o batismo de desejo e de sangue. Seria este o caso? Será que negam o batismo de desejo e de sangue?

A questão da salvação fora da Igreja, também já foi suficientemente tratada pelo Professor Carlos Nougué exatamente no texto “A salvação pelo batismo de desejo”. Se não for suficiente, leia-se o artigo do Padre Júlio Meinvielle “La predicacion missioneira dela Iglesia desalentada em Karl Rahner”, onde defende o renomado tomista, que Rahner fez da via extraordinária a ordinária, e falando das duas vias, escreveu:

Karl Rahner es un teólogo, que ha adquirido gran notoriedad estos últimos años. Su teología se distingue por su fecundidad en suscitar problemas cuya solución lejos de satisfacer, produce malestar. Su problematicismo sistemático engendra legítimamente escepticismo. A su vez, este problematicismo denuncia una evidente falta de claros principios que pueden dejar de ser tales y convertirse en errores si se los desplaza del lugar que les corresponde y se les asigna un lugar y una significación preponderante. Tal, por ejemplo, la enseñanza de la Iglesia de que Dios da la gracia necesaria para la salvación a todo fiel o infiel que hace lo necesario para salvarse, de acuerdo con el axioma teológico que dice: Facienti quod est in se, Deus no denegat gratiam. Al que hace lo que está en sus manos, Dios no niega la gracia. Esta enseñanza tiene especial significación para los infieles que no tienen oportunidad de recibir la influencia del cristianismo. Aunque esta verdad sea manifiesta, como luego veremos, no hay que asignarle en el plan cristiano de la Iglesia y de la Salvación un lugar primario como si luego la incorporación a la Iglesia visible e histórica no fuera tan necesaria y ocupara sólo un lugar secundario o de supererogación. Porque las cosas se ordenan precisamente al revés. La Revelación cristiana está toda ella dirigida a exponer el Plan de Dios sobre la Salvación con la venida de Jesucristo a este mundo y con la fundación de la Iglesia, como medio necesario para la Salvación. Este es el camino ordinario y necesario por el que Dios salva a los hombres. A los que sin falta propia no pueden echar mano de este medio, Dios, en sus misteriosos designios, les ha de hacer llegar su gracia —gracia sobrenatural— por caminos que sólo El se reserva, de suerte que puedan salvarse”.

Aqui não é preciso acrescentar nada, mas em relação ao termo Eclesiavacantismo, é preciso esclarecer que: não usamos o termo eclesiavacantismo só porque defendem que na “Igreja conciliar não restou nada de Católico”, mas porque essa posição é a do sedevacantismo absoluto. Assim, atrapalhados como são, ou estão de boa fé defendendo algo que não sabem e nem tem a menor idéia do que se trata, ou estão escondendo o seu verdadeiro posicionamento atrás dessas palavras. Se não restou nada de católico na Igreja Conciliar, resolve-se com uma afirmação o que vem sendo discutidos há anos por muitos católicos: o problema da validade dos Ritos reformados por Paulo VI, ou seja, obviamente se não sobrou nada de católico na Igreja Conciliar, afirma-se (sem provar e argumentar, como é de praxe) que todos os Ritos são inválidos, sendo assim, nenhum Padre é Padre e nenhum bispo é bispo, e ao menos Bento XVI e Francisco, nem Padre foram. Portanto, não se tem mais ritos válidos de nenhuma espécie e ninguém na hierarquia, advirto aos fiéis do Padre Cardozo que ao aderirem a essa posição estão aderindo a uma forma de sedevacantismo absoluto, que de fato, defende que não restou nada de católico na Igreja Conciliar. A partir do momento que se faz essa defesa se está totalmente fora do que defendeu e ensinou Mons. Lefebvre, ele era contra o sedevacantismo e ainda mais essa forma  absoluta. Sendo assim, você fiel que aderiu a posição do Padre Cardozo, saiba que se tornou, sabendo ou não sabendo, um sedevacantista absoluto ao fazer sua a posição dele. Agora, é preciso saber, como pode se manter como “filho de Dom Marcel Lefebvre” quem assume uma posição que ele não assumiu: é possível?

Para terminar esta nota, Padre Curzio Nitoglia foi quem defendeu primeiramente a questão da Igreja Vacante, ao falar exatamente do sedevacantismo absoluto, como pode se ler no artigo “A tese de Cassiciacum – O Papado Material para um debate sereno”. E não podemos nos esquecer, que é dogma de fé definido pelo Concílio Vaticano I:

“Doctrina de la Iglesia.

1) La perennidad del Primado está definida explícita y directamente en el Concilio Vaticano (D 1824s). [D 1825 Canon. Si alguno, pues, dijere que no es de institución de Cristo mismo, es decir, de derecho divino, que el bienaventurado Pedro tenga perpetuos sucesores en el primado sobre la Iglesia universal… sea anatema. Nota del blog].
2) La perennidad de la Iglesia está definida explícita, pero indirectamente, en el mismo Concilio (D 1821 1824s).
3) La perennidad de la Jerarquía la definió implícitamente el Concilio Vaticano I. En efecto, definió explícitamente la perennidad del Primado (D 1824s). Es así que también definió que es propio del Primado el tener subordinados a él y  gobernar a los Pastores u Obispos de la Iglesia universal (D 1827-1831). Luego siempre habrá Pastores u Obispos subordinados al Primado. Esto mismo se enseña explícitamente en la introducción a la Constitución de la Iglesia (D 1821).” (Sacrae Theologiae Summa, por los Padres de la Compañía de Jesús, B.A.C., 1955, trat. III, “De la Iglesia de Jesucristo”, págs. 595-596).

[3] Critério de Bento XV na Ad Beattissimi Apostolorum Princis Cathedram para “União e concórdia”:

“Y ante todo, como quiera que en toda sociedad de hombres, sea cualquiera el motivo por el que se han asociado, lo primero que se requiere para el éxito de la acción común, es la unión y concordia de los ánimos, Nos procuraremos resueltamente que cesen las disensiones y discordias que hay entre los católicos y que no nazcan en otros en lo sucesivo; de tal manera, que entre los católicos no haya más que un solo sentir y un solo obrar. Saben bien los enemigos de Dios y de la Iglesia que cualquiera disensión de los nuestros en la lucha es para ellos una victoria; por lo que, cuando ven a los católicos más unidos, entonces emplean la antigua táctica de sembrar astutamente la semilla de la discordia, esforzándose por deshacer la unión. ¡Ojalá que semejante táctica no les hubiese proporcionado tan frecuentemente el éxito apetecido, con tanto daño de la Religión! Así, pues, cuando la potestad legítima mandare algo, a nadie sea lícito quebrantar el precepto por la sola razón de que no lo aprueba, sino que todos sometan su parecer a la autoridad de aquel al cual están sujetos, y le obedezcan por deber de conciencia. Igualmente ninguna persona privada se tenga por maestra en la Iglesia, ya cuando publique libros o periódicos, ya cuando pronuncie discursos en público. Saben todos a quien ha confiado Dios el magisterio de la Iglesia; a sólo éste, pues, se deje el derecho de hablar como le parezca y cuando quiera. Los demás tienen el deber de escucharlo y obedecerlo devotamente. Mas en aquellas cosas sobre las cuales, salvo la fe y la disciplina, no habiendo emitido su juicio la Sede Apostólica, se puede disputar por ambas partes, a todos es lícito manifestar y defender lo que opinan. Pero en estas disputas húyase de toda intemperancia de lenguaje que pueda causar grave ofensa a la caridad; cada uno defienda su opinión con libertad, pero con moderación, y no crea serle lícito acusar a los contrarios, sólo por esta causa, de fe sospechosa o de falta de disciplina.

Motes indebidos que deben evitarse
   Queremos también que los católicos se abstengan de usar aquellos apelativos que recientemente se han introducido para distinguir unos católicos de otros, y que los eviten, no sólo como innovaciones profanas de palabras, que no están conformes con la verdad ni con la equidad, sino también porque de ahí se sigue grande perturbación y confusión entre los mismos. La fe católica es de tal índole y naturaleza, que nada se le puede añadir ni quitar: o se profesa por entero o se rechaza por entero: “Esta es la fe católica; y quien no la creyere firme y fielmente no podrá salvarse”[xxvii]. No hay, pues, necesidad de añadir calificativos para significar la profesión católica; bástale a cada uno esta profesión: Cristiano es mi nombre, católico, mi apellido; procure tan sólo se en efecto aquello que dice”.

[4] S. Pio X ensina na “E supremi apostolatus”, onde defendeu o “Instaurare ominia in Christo”, sobre a caridade:

 A Caridade Cristã.
  1. Mas, para que esse zelo em ensinar produza os frutos que dele se esperam e sirva para formar Cristo em todos, nada mais eficaz do que a caridade; gravemos isto fortemente na nossa memória, ó Veneráveis Irmãos, pois o Senhor não está na comoção (III Rs 19,11). Debalde esperaríamos atrair as almas a Deus por um zelo impregnado de azedume; exprobrar duramente os erros, e repreender os vícios com aspereza, muitíssimas vezes causa mais dano do que proveito. Verdade é que o Apóstolo, exortando Timóteo, lhe dizia: Acusa, suplica, repreende, mas acrescentava: com toda paciência (II Tim 4,2). Nada mais conforme aos exemplos que Jesus Cristo nos deixou. É Ele quem nos dirige este convite: Vinde a mim vós todos que sofreis e que gemeis sob o fardo, e eu vos aliviarei (Mt 11,28). E, no seu pensamento, esses enfermos e esses oprimidos outros não eram senão os escravos do erro e do pecado. De feito, que mansidão nesse divino Mestre! Que ternura, que compaixão para com todos os infelizes! O seu divino Coração é-nos admiràvelmente pintado por Isaías nestes termos: Pousarei sobre ele o meu espírito; ele não contestará nem elevará a voz: jamais acabará de quebrar o caniço meio partido, nem extinguirá a mecha que ainda fumega (Is 42,1ss). Essa caridade paciente e benigna (I Cor 13,4) deverá ir ao encontro daqueles mesmos que são nossos adversários e nossos perseguidores. Eles nos maldizem, assim o proclamava São Paulo, e nós bendizemos; perseguem-nos, e nós suportamos; blasfemam-nos, e nós oramos (I Cor. 4,12,ss). Talvez que, afinal de contas, eles se mostrem piores do que são realmente. O contacto com os outros, os preconceitos, a influência das doutrinas e dos exemplos, enfim o respeito humano, conselheiro funesto, inscreveram-nos no partido da impiedade; mas, no fundo, a vontade deles não é tão depravada como eles se comprazem em fazer crer. Porque então não haveríamos de esperar que a chama da caridade dissipe enfim as trevas da alma deles, e faça reinar nelas, com a luz, a paz de Deus? Mais de uma vez o fruto do nosso trabalho talvez se faça esperar; mas a caridade não se cansa, persuadida de que Deus mede a suas recompensas não pelos resultados, mas pela boa vontade.