Por Gederson Falcometa em Salve Regina
A teóloga disse isto (em um texto que parece uma árvore de natal):
“2. “…toda a árvore boa dá bons frutos, e toda a árvore má da maus frutos”.
Adaptando para facilitar a compreensão:
“…toda a árvore de maçãs dá maçãs, e toda a árvore de laranjas dalaranjas””.
“…toda a árvore de maçãs dá maçãs, e toda a árvore de laranjas dalaranjas””.
E:
“Não pode uma árvore boa dar maus frutos, nem uma árvore mádar bons frutos.”
Adaptando para facilitar a compreensão:
Não pode uma árvore de maçãs dar laranjas, nem uma árvore de laranjas dar maças.”
“http://farfalline.blogspot.com.br/2016/04/metaforas-I.html
Começo dizendo aos nossos leitores que, o
dicionário não é um lugar teológico. Nele não se encontra
interpretações e explicações dos Padres da Igreja, ele como vulgarmente
se diz, é o pai dos burros (e se sobre burros e mulas, recomendo a
leitura: “Todo “penso” é torto. Considerações sobre a mula sem cabeça“).
Curiosamente, tem que se ter uma dose cavalar de burrice se se pensa
encontrar respostas nele para questões teológicas. Geralmente quando
temos uma questão teológica, buscamos na Catena Aurea, nos Padres da
Igreja, em Santo Tomás, no Magistério, etc nunca no dicionário. Dito
isto, passemos a comentar a árvore de natal da teóloga do Pale Ideas.
Na primeira citação, ela coloca a árvore
boa que produz bons frutos, como a macieira que produz maçãs e a árvore
má que produz maus frutos, como a laranjeira que produz laranjas. Será
que não gosta de laranjas? Continua na segunda citação, aplicando a sua
falsa interpretação. Ao que dizemos: de fato, uma macieira não produz
laranjeiras, nem uma laranjeira produz maçãs, porque realmente não
existem árvores de uma espécie que produzem frutos de outra, logo, não
podemos julgar uma coisa que não existe boa ou má. Assim, essa
interpretação é notoriamente falsa, porque uma árvore é julgada boa ou
má pelos frutos da espécie que produz. De forma que, uma macieira só
pode produzir boas ou más maçãs, como a laranjeira só pode produzir boas
ou más laranjas, e serem consideradas boas ou más a partir da qualidade
do fruto que produzirem. Por essa razão também diz Nosso Senhor:
Ou dizeis que a árvore é boa e seu
fruto bom, ou dizeis que é má e seu fruto, mau; porque é pelo fruto que
se conhece a árvore. Mt 12, 33
Esse versículo confirma o que temos
dito, porque se é pelo fruto que conhecemos a árvore, então, o que
podemos conhecer de uma maçã e de uma laranja, é que uma é fruto da
macieira e a outra da laranjeira. Se o fruto for bom, poderemos concluir
que a árvore é boa, se for mau, que a árvore é má. Uma macieira e seus
frutos não podem ser consideradas boas apenas por produzir maçãs, e não
há nenhuma razão para se considerar uma laranjeira má apenas por se
produzir laranjas. Não tem sentido, até porque a árvore má, e os frutos
maus, não existiriam de verdade, toda árvore existente seria boa pelo
simples fato de existir. Isso que dá em se arvorar em intérprete das
escrituras e ler a bíblia como os protestantes. Em todos esses meses de
polêmica, o que temos visto são apenas interpretações pessoais do Padre e
dos fiéis. Se não tivéssemos usado os Padres da Igreja, o Magistério,
Santo Tomás e os bons teólogos católicos, teríamos conhecido mais o
livre exame que fizeram, e menos a tradição da Igreja.
Afirmar que uma macieira dá bons frutos
pelo simples fato de produzir maçãs é o que fazem os protestantes com a
doutrina da Sola Fides. Essa doutrina faz o homem pensar que pelo
simples fato de ter fé em Jesus Cristo, ele sempre vai produzir bons
frutos. Por essa razão mesmo, Lutero ensinava aos seus: “Peca fortemente
e crê mais firmemente e serás salvo”. Evidentemente a interpretação da
teóloga do Pale Ideas e a de Lutero, contradizem a interpretação dos
Padres da Igreja e de Santo Tomás, que são unânimes em considerar a
árvore a vontade humana, que pode ser boa ou má, sendo boa os frutos
serão bons e sendo má os frutos serão maus. Por essa razão questionou
São Jerônimo, doutor da Igreja:
““Perguntamos aos hereges que admitem
em si mesmos duas naturezas contrárias: se, segundo seu modo de pensar,
uma árvore boa não pode produzir maus frutos, como então Moisés, árvore
boa, pecou junto às águas da contradição (Nm 26,72), São Pedro negou ao
Senhor na paixão dizendo: ‘Não conheço esse homem’, e o sogro de Moisés,
árvore má que não cria no Deus de Israel, lhe deu um bom conselho?”
[extraído da Catena aurea de Santo Tomás de Aquino]”. Diz São Jerônimo ao comentar Mateus VII, 15-20
Lúcifer, quando produziu um mau fruto,
foi expulso do céu e nunca mais pode produzir um bom fruto. São Miguel, o
príncipe do exército celestial, só pode produzir bons frutos. São
Pedro, Moisés e seu sogro, foram homens, não eram árvore e nem anjos.
Por essa razão questiona São Jerônimo, na mesma linha do que afirmou D.
Tomás, sem contradizer Nosso Senhor. O pecado não é e nunca foi um bom
fruto. Assim, de nossa parte afirmamos que a bondade ou a maldade do
homem dependem de sua vontade, que pode ser boa ou má (como vimos no
exemplo do questionamento de São Jerônimo). A vontade do homem não é
como a árvore que é um vegetal, e nem como a dos anjos, que são puros
espíritos. Como disse o Padre Trincado, Nosso Senhor não disse verdades
sobre botânica, e muito menos aplicou essas verdades botânicas sobre o
homem, para transforma-lo em uma árvore. Mas se consideramos, com eles,
que, uma macieira é boa pelo simples fato de produzir maçãs, como os
luteranos, então, não há como não considerar os pecados de Moisés e São
Pedro frutos bons, e o conselho do sogro de Moisés, mau, pelo simples
fato dele não ter fé no Deus de Israel. De qualquer forma, São Jerônimo
todos os Padres da Igreja, Santo Tomás e o nosso Bispo terem se tornado
deuses, é apenas um nome dado a uma realidade que não existe. Quero
dizer que, é puro nominalismo, bem como diz Padre Curzio Nitoglia, como
pode se ler:
“…para Ockham a razão
não pode conhecer a essência das coisas e nem mesmo o Transcendente, a
lógica não é um conhecimento objetivo e real do mundo extramental (In Ium Sent., dist.
3, q. 8). O homem possuí apenas um conhecimento sensível do singular,
do fênomeno que cai sob os sentidos, daquilo que é experimentável (Quodl., I, q. 13; In IIIum Sent., dist.
9, q. unica). Nisto ele é um precursor do sensismo empirista do
iluminismo inglês do século XVII enquanto o próprio Ockham “reduz a
realidade a só àquilo que é empiricamente verificável”. Então “da
posição Ockhamista ao subjetivismo moderno não existe senão um passo
brevissimo”. Do nominalismo ao modernismo passando pelo empirismo.
É
esse nominalismo Ockhamista, esse subjetivismo que temos visto de
nossos adversários nesses meses de polêmica. Mal mal citaram autores da
tradição católica, quando citam, os citam mal (e praticando livre exame
se dizem os autênticos defensores da tradição católica). Ora,
é regra de fé católica que, não se pode interpretar as Escrituras fora
do sentido dado pelos Padres da Igreja. No que diz respeito a isso, a
questão da árvore e dos frutos, pode se considerar encerrada pelo
sentido que dão os Padres da Igreja na Cátena Aurea.
Por
fim, a questão: é o pecado um bom fruto? Parece ter sido respondida com
um sim pela teóloga do Pale Ideas, porque a partir de sua interpretação
luterana, o pecado pode sim ser um fruto bom. Certamente
São Pedro e Moisés, foram macieiras, então, só poderiam produzir maçãs,
não poderiam produzir laranjas. Então, pela linha da sapiente teóloga
da série “metáforas”, eles como árvores boas, que produzem apenas maçãs,
só podem produzir bons frutos, mesmo pecando. É uma interpretação de
fazer inveja a Lutero, por alguém que se arvora a pertencer a
“verdadeira tradição da Igreja”.
