terça-feira, abril 26, 2016

“Afugentadores”

Por Jean Ousset
Traduzido por Andrea Patrícia




Devemos desconfiar, acima de tudo, dessa categoria de “fariseus”, jovens ou velhos, que nada mais sabem fazer do que perorar. Campeões puramente verbais da ortodoxia. Mas que, por pouco que se lhes observe, tem os mesmos gostos, obedecem às mesmas modas, são sensíveis aos mesmos slogans, estão devorados pelas mesmas ambições, estão penetrados do mesmo espírito materialista ou hedonista, que o do mundo que pretendem reformar. Sua ortodoxia não é mais do que um simples jogo engenhoso, quando não uma simples ideologia de classe ou de ambiente.
Longe de serem apóstolos, essas pessoas não são mais do que “afugentadoras”. Jamais se dirá o bastante sobre o dano que causam. Em muitos lugares sua presunção,sua loquacidade, sua incapacidade de apresentar a verdade senão de forma desagradável, tem arruinado por muito tempo todo espírito de conquista.
Nosso trabalho já não é tão fácil nem tão agradável.  É muito mais interessante realizá-lo com essa “alegria da verdade” da qual fala Santo Agostinho. Se é certo que os santos tristes são tristes santos, pode-se dizer que os animadores doentes e carrancudos não merecem nem sequer o nome de animadores. São Francisco de Sales desejava que sua “Filoteia” fosse a mais alegre, e até... a mais bem vestida do grupo. Pensamos que um desejo análogo deve se manifestar no que diz respeito à nossa luta.
É certamente muito legítimo regozijar-se bastante sabendo rir da absurdidade e da estupidez. Eis a única vantagem que se pode tirar delas.

Jean Ousset, “La acción”, Ediciones del Cruzamante, Buenos Aires, 1979.