segunda-feira, abril 04, 2016

O Padre Pfeiffer e o falso bispo Moran: é um dever avisar os fiéis - Parte 1



Traduzido por R. de Souza

 

 
 O "Bispo" Moran com o Pe. Pfeiffer e Gregory Taylor, editor de "The Recusant"


“Infelizmente, é evidente a necessidade de denunciar essas ações com os dois estudos do caso Moran. Se não o fazemos, há um grave perigo de comprometer os princípios e unidade da Resistência Católica. Nós, como católicos, não podemos tolerar que aqueles que afirmam combater pela Fé católica se associem com um sujeito comprovadamente cismático e impostor.”


P. Juan Carlos Ortiz 

Os  padres Pfeiffer e Hewko associaram-se no ano passado com um falso bispo católico, o que ocasionou um grave escândalo entre os fieis e os sacerdotes que tinham laços com eles, em razão de ambos terem permitido que esse falso bispo celebrasse missa no altar da capela do Seminário da FSSCP-MC e confessasse os fieis.

O R.P. Juan Carlos Ortiz escreveu em dezembro de 2015 um amplo estudo canônico e teológico com numerosas provas, no qual demonstrou de maneira irrefutável que William (Ambrose) Moran é um falso bispo católico.

Esse estudo completo pode ser lido aqui

Diz o P. Ortiz:

        No ano de 2015, um homem chamado William (conhecido como Ambrose) Moran-Dolgorouky entrou em contato com os sacerdotes do seminário Nossa Senhora do Monte Carmelo em Boston, KY, os padres Joseph Pfeiffer e David Hewko, afirmando ser um “Arcebispo Católico” em boa relação com a Igreja Católica e asseverando ter recebido a “missão” para ajudar o movimento tradicional católico latino por pedido do falecido Cardeal Joseph Slypyj (1892-1984), o antigo Arcebispo Maior da Igreja Católica Ucraniana.
        Descobrimos, porém, muitas graves inconsistências sobre a vida anterior de Ambrose Moran que abrem o caminho para se questionar legitimamente a autenticidade e a validade de suas afirmações. Consultamos o confiável testemunho das autoridades religiosas (católicas e ortodoxas), muitos documentos, e entrevistas disponíveis na internet sobre a vida e as afirmações de William Moran.

Em suas conclusões, o R. P. Ortiz afirma:
1. Recebeu Moran as Ordens válidas? Expusemos na terceira parte deste estudo que todos os FATOS PROVADOS tomados conjuntamente, nos levam a concluir que todas as Ordens recebidas por Moran foram de mãos de bispos ortodoxos cismáticos, e jamais de um sacerdote católico.
SACERDÓCIO: Apesar do fato de que Moran apresentou um certificado de Ordenação Sacerdotal, não há prova da validade de tal “ordenação” em 1974, porque Nicolas Ilnyckyi, o bispo cismático que supostamente o ordenou, foi consagrado bispo em 1978! Portanto, não somente Moran não é um sacerdote católico, porque nunca foi ordenado sacerdote por um Bispo católico, como sua “ordenação sacerdotal” cismática é gravemente questionável.
EPISCOPADO CISMÁTICO: O “Certificado de Consagração Episcopal” de Moran em 1976 pelo bispo cismático Hryhorij [Gregory] Ohouchuk, e outros dois bispos da igreja ortodoxa autocéfala ucraniana nos Estados Unidos, não pode ser uma prova legal, porque duas importantes datas foram alteradas: o ano da data da cerimônia foi visivelmente alterado à mão para indicar “1976” e a data de seu “Santo Batismo e Crisma” foi substituída por “1953”. Portanto, Moran tem uma duvidosa, talvez inválida, consagração episcopal por parte dos ortodoxos.
EPISCOPADO CATÓLICO: O suposto “Certificado” de Consagração Episcopal pelo Cardeal Slipyi em Roma em 1976, provido pelo mesmo Moran, comprovou-se sem sombra de dúvida tratar-se de um documento falsificado, tanto por graves inconsistências internas como externas. Portanto, Moran jamais foi consagrado como bispo católico.
2 Moran é católico? Esta pergunta é muito importante, pois independentemente de Moran ter recebido Ordens “válidas” dos ortodoxos cismáticos, ele deveria ser um católico em boa posição não só pela profissão da integridade da Doutrina católica, como também por não estar excluído pelo Direito Canônico de exercer LICITAMENTE as funções sacerdotais. Respondendo a essa questão, provaremos que Moran não é católico e, como consequência, seria um grave pecado para qualquer católico, seja sacerdote ou leigo, participar e receber “coisas sagradas” dele (orações públicas, bênçãos ou sacramentos), ou ajudá-lo a dar essas “coisas sagradas”.

E termina o P. Ortiz dizendo:
Agora podemos afirmar, seguindo toda a evidência dos fatos apresentados, e consultando a Teologia e o Direito Canônico, que William, conhecido como Ambrose Moran, não é católico.
        Moran apostatou da fé católica ao se unir a várias denominações ortodoxas cismáticas, aderindo aos seus erros, e recebendo deles ordens duvidosas, talvez inválidas, e afirmando ter dignidades eclesiásticas.
        Também utilizou documentos eclesiásticos adulterados e falsificados, alegando que recebeu as Santas Ordens e dignidades católicas por parte de católicos.
        Como consequência, Moran incorreu em muitas censuras e penas severas reservadas àqueles que saem da Igreja Católica e cometem tais crimes.
        Todos os católicos, sacerdotes e leigos, têm a grave obrigação de evitar receber dele os ritos sagrados; do contrário incorrerão nas penas previstas pelo Direito Canônico por communicatio in sacris.
        Se Moran quer voltar à Igreja Católica, será somente com a condição de que rechace publicamente seus erros e ações, e ainda assim ele somente regressaria como leigo, não sendo capaz de exercer nenhuma das Ordens Santas.
        Portanto, Moran não tem nenhuma “missão” por cumprir entre os Católicos Tradicionalistas; é uma pessoa muito perigosa.

O "Bispo" Moran firmando seu rechaço ao Papado


Apesar de os Padres Pfeiffer e Hewko terem recebido este estudo e muitas advertências sobre esse mal por parte de seus confrades e fieis amigos, eles os ignoraram e continuaram afirmando que Moran seria católico, e por isso o Pe. Ortiz teve de publicar a segunda parte de seu estudo (que pode ser lido inteiro aqui), onde diz (extrato):
        Depois de expor em um primeiro estudo a falsidade da identidade e das afirmações de Moran, este segundo estudo tratará da responsabilidade pessoal dos padres Pfeiffer e Hewko por se associarem com Moran.
Ironicamente, a associação destes padres com Moran é pior que a associação com as pessoas que os mesmos padres afirmam combater... Pior que se associar com Dom Fellay e a Neofraternidade, que pelo menos condenam o ecumenismo; pois Moran praticou o ecumenismo a maior parte de sua vida ao “mudar de igrejas” continuamente... Pior que associar-se com os sedevacantistas, que se desviam por declarar a Sé de Pedro vacante, pois Moran, como todos os ortodoxos, negou o dogma do Primado do Papa... Pior que se associar com a gente do novus ordo, que afirma pertencer à Igreja Católica, pois Moran viveu confortavelmente a maior parte de sua vida como um ortodoxo cismático.
Meu primeiro estudo dirigiu-se a desmascarar a identidade e as afirmações de Moran, sem expor, todavia, a implicação moral dos padres com o impostor. Mas o estudo continha uma advertência amigável aos padres, convidando-os claramente a se desassociarem de Moran.
Tudo o que os padres deveriam ter feito, depois de ser confrontados com a total evidência dos fatos expostos no primeiro estudo, era denunciar publicamente a Moran como não católico, e rechaçar todas as suas outras afirmações. Uma declaração clara dos padres teria deixado manifesto definitivamente que eles lamentavam por essa associação, que haviam sido enganados por um estelionatário, e que fechariam as portas para qualquer associação futura com Moran.
Os padres, porém, jamais denunciaram Moran como cismático e nunca reconheceram sua associação com ele como algo mau.
Uma prova clara de que os padres não se desassociaram de Moran é que o P. Pfeiffer rejeitou e atacou publicamente as provas apresentadas em meu estudo, e tomou, outra vez, a defesa de todas as afirmações de Moran durante um sermão em seu seminário em 7 de janeiro de 2016, o qual afirma ser a “resposta” ao meu estudo. Enfatizou que Moran era “católico” (repetiu isto quatro vezes...), deixou claro que não lamentava em nada sua associação com ele e, novamente, não mencionou a razão real de sua “separação” de Moran em sua “Declaração” de sete de novembro.

O "Bispo" Moran celebrando "missa" no Seminário do Pe. Pfeiffer. Certamente "esqueceu" de rezar o Credo.


        Particularmente, quero provar neste estudo que, em tempos normais da Igreja, os padres Pfeiffer e Hewko teriam sido responsabilizados ante as autoridades católicas e culpados por:
1) Participação ativa em communicatio in sacris (“assistir ativamente ou tomar parte nas funções sagradas dos acatólicos”, cânone 1258), ao permitir que Moran, um cismático, celebrasse “missa” várias vezes e escutasse “confissões” em sua capela do seminário.
2) Cooperar e permitir que Moran celebrasse “Missa” várias vezes e escutasse “confissões” na capela de seu seminário apesar de estar canonicamente impedido.
        Consequentemente, os padres têm a grave obrigação de se desassociar de Moran, denunciando-o publicamente como cismático e impostor, condenando a sua própria cooperação na celebração de missas inválidas e administração de absolvições inválidas por Moran.
        Se essas medidas não fossem tomadas dentro dos seis meses que seguem a primeira communicatio in sacris, os padres incorreriam canonicamente em uma communicatio in sacris formal, e seriam considerados suspeitos de cisma.
        Desde a publicação do primeiro estudo, mais e mais fieis estão-se dando conta de que a impostura de Moran foi mais séria do que esperavam, e ao mesmo tempo se perguntam por que os padres continuam defendendo esse impostor.
        Como consequência, alguns centros de Missa deixaram de pedir aos padres que os visite, e outros grupos estão divididos pela retórica ambígua dos padres utilizada para minimizar seu envolvimento com Moran, ou para se passarem eles mesmos por “vítimas”.
        Agora os padres lançaram uma campanha de cortina de fumaça atacando nossos Bispos e alguns padres da Resistência, a fim de desviar a atenção de sua própria responsabilidade com o caso Moran. Enquanto isso, eles estão tentando em vão atrair para seu lado alguns padres da Resistência que não estão muito bem inteirados do caso.
        Para estabelecer a responsabilidade moral e canônica dos padres nesse caso, resumiremos estas nos sete pontos seguintes:
1. Os padres estavam completamente conscientes dos princípios morais e canônicos referentes à ilicitude para os católicos de participar em communicatio in sacris com os acatólicos.
2. Os padres descuidaram gravemente da condução de uma investigação formal para verificar se Moran era um bispo católico válido e legítimo.
3. Os padres descartaram intencionalmente toda a evidência provando que Ambrose Moran era um cismático, que não tinha Ordens válidas e que era canonicamente irregular.
4. Os padres ignoraram voluntariamente as advertências repetidas de sacerdotes confiáveis e de leigos com respeito à impostura e às pretensões de Moran.
5. Os padres, por sua própria iniciativa, livremente convidaram Moran para celebrar “Misas” várias vezes e para escutar “confissões” em seu seminário.
6. Os padres têm a obrigação grave de fazer reparação por sua associação com Moran.
7. Os padres, por sua ativa participação em communicatio in sacris com Moran, um cismático, seriam, em tempos normais, declarados suspeitos de cisma pelas autoridades católicas.
        Infelizmente, é evidente a necessidade de denunciar essas ações com os dois estudos do caso Moran. Se não o fazemos, há um grave perigo de comprometer os princípios e a unidade da Resistência Católica. Nós, como católicos, não podemos tolerar que aqueles que afirmam combater pela Fé católica se associem com um sujeito comprovadamente cismático e impostor. Essa ímpia associação que os afeta diretamente, pode nos afetar indiretamente se não a rechaçarmos firmemente.
        Resta dizer que essa triste situação é somente o resultado da própria imprudência dos padres e uma falta de aplicação dos princípios católicos. Ninguém mais pode ser culpado por ela...
        Os padres negaram-se a fechar, como se lhes propôs no primeiro estudo, o último capítulo desse caso Moran, denunciando-o como cismático e “bispo” impostor; mas, todavia, se negam a se retratar claramente de sua associação com ele, e em vez disso, continuam afirmando que Moran é “católico” e tem Ordens válidas.
        Tememos que sua negativa em denunciar a Moran AGORA, deixará a porta aberta para uma nova associação com Moran em um futuro próximo, porque esse impostor poderia ser mantido em “stand by” nos planos dos padres...
        Uma futura colaboração entre eles e Moran é facilmente previsível, especialmente no que concerne à “ordenação” de seus seminaristas. O Pe. Pfeiffer está obcecado por ordená-los a qualquer preço, e Moran seria aquele que faria o “trabalho”.
        E ademais, o que impediria inclusive a “sagração” episcopal do próprio Pe. Pfeiffer por Moran, especialmente quando continua afirmando que Moran é católico e tem “Ordens válidas”? Se isso sucede, poderíamos chegar a ver uma “cambada” de sacerdotes inválidos, como advertiu o Pe. Chazal, pior ainda que a linha Thuc, enganando as pobres almas, e então o cisma estaria abertamente consumado.

Continua...


Original aqui.

Veja parte 2.