segunda-feira, abril 04, 2016

Respostas a acusações levantadas recentemente contra Bispos da Resistência – II

Por R. de Souza


Sobre Bispos da Resistência e a Roma modernista:

1- Os Bispos da Resistência também pretendem se entregar à Roma modernista, tal como os atuais líderes da Neofraternidade?

R. É claro que não. Alguns críticos da Resistência têm recortado trechos de palestras e entrevistas dos Bispos para interpretá-los fora do contexto, falazmente.

2- Mas não disse Dom Faure em entrevista no ano passado: Se no futuro fosse convidado a ir a Roma conversar com o Papa, iria com Mons Williamson

R. Eis as palavras de Dom Faure na ocasião: Antes de tudo, digo que tal entrevista (com o Papa) é praticamente impossível, já que uma condição sine qua non seria a presença de Dom Williamson e de outros sacerdotes nossos, estando excluído absolutamente qualquer tipo de “negociação” visando a um acordo de qualquer tipo, enquanto, como dizia Dom Lefebvre, não exista uma conversão radical de Roma aceitando, de fato e de direito, todas as encíclicas anteriores ao Vaticano II, assim como as condenações contra o liberalismo e o modernismo que elas contêm.
Portanto, tal encontro é praticamente impossível tanto porque o Papa deveria mostrar que se converteu de fato (e então o encontro obviamente teria de ocorrer), como porque Dom Williamson é persona non grata no Vaticano não só por sua postura tradicionalista, mas também por suas famosas declarações em 2008.

3- Mas o mesmo Dom Williamson não disse em uma conferência em 2014 que se por um milagre o Papa lhe telefonasse e dissesse: Excelência, o senhor e eu tivemos nossas divergências, mas neste exato momento eu o estou autorizando a fundar uma fraternidade... pelo bem da Igreja, ele, para ter tal autorização por escrito, tomaria o próximo avião para Roma?

R. Sim. Mas também não há manifestação nenhuma de desejo acordista nestes dizeres. Veja:

- O Papa chamar o Bispo após mudar sua postura por um milagre, como disse, é uma coisa; o Papa fazê-lo como estratégia para atacar e minar a Resistência, conforme sugerem os acusadores, é outra. 
Se um milagre faz o Papa mudar sua postura, não pode ser para atacar a Tradição.

- O Papa dizer ao Bispo: “tivemos nossas divergências”, na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo, é uma coisa; outra seria dizer “tivemos e ainda mantemos nossas divergências”, conforme sugerem os acusadores.
Ora, se por um milagre não há mais divergências, é porque o Papa se converteu.

- O Papa dizer por um milagre que o Bispo pode fundar uma Fraternidade pelo bem da Igreja, é uma coisa; outra é dizer: “pelo sucesso da Neoigreja”, como sugerem os acusadores.
Está claro que se o Papa permitisse por um milagre que o Bispo fundasse uma Fraternidade, estaria reconhecendo que atacar o modernismo e defender a Tradição é um bem para a Igreja.

4- Então, essa suposta ida de Dom Williamson a Roma sem a conversão do Papa é também quase impossível?

R. Sim. E ademais, fundar uma Fraternidade é uma coisa, fazer acordo com a Roma modernista é outra. Quem quer que leia o Capítulo XIX de “Carta Aberta aos Católicos Perplexos” de Dom Lefebvre, percebe o esforço que fez para tentar demonstrar para as autoridades romanas (e também para os fieis), com base no Direito Canônico, que sua Fraternidade foi fundada e assim permanecia dentro dos parâmetros legais.
Atente, pois, para o fato de que a Fraternidade estava legalizada, e não havia acordo nenhum.

          5- Então, de fato não há nenhum desejo de acordo com a Roma modernista.

          R. Não. Não há nenhuma conversação, nenhuma relação entre os três bispos da Resistência e a Roma modernista. E, inclusive, em uma palestra dada informalmente na ocasião de sua recente visita ao Brasil, Dom Williamson ratificou a posição de Dom Lefebvre, confirmando as próprias palavras do Arcebispo em relação à impossibilidade de qualquer negociação com a Roma modernista sem que haja conversão à Tradição por parte desta.

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