sexta-feira, abril 29, 2016

Respostas a acusações levantadas recentemente contra Bispos da Resistência - IV

Por R. de Souza


Sobre Dom Williamson e recomendações polêmicas:



1- É verdade que os que apoiam Dom Williamson o defendem também em relação às recomendações que partem de seus gostos particulares por não admitirem qualquer erro por parte do Bispo?


R. Obviamente não. Todos reconhecem, como católicos, que qualquer ente humano é passível de erro, e que o Bispo não é exceção.


2- Que pensar de certas opiniões polêmicas de Dom Williamson, como a que tem sobre a obra de Valtorta, sobre as aparições de Akita e Garabandal, sobre a obra de Elliot, Wagner, etc.?


R. Discordamos de algumas, mas sempre respeitosamente, cientes de que não se trata de questão doutrinária, e que em nada comprometem todo o bom histórico do Bispo e o grande bem que ele já fez e continua a fazer por tantas almas católicas.


3- Que dizer daqueles que hoje atacam virulentamente essas recomendações do Bispo (bem como a sua pessoa em razão delas), principalmente a obra de Valtorta, mas que até o segundo semestre do ano passado somente discordavam comedidamente?


R. Depõem contra si mesmos. Estão a mostrar que suas posições em relação aos autores e obras indicados pelo Bispo variam conforme a postura que assumem em relação a este, e não pelo conteúdo em si e seu contexto. Ou seja, provam que estão a agir de má fé, com desonestidade contra um Príncipe da Igreja.
Será que se dirigiriam da mesma forma ao santo Padre Pio de Pietrelcina por ter recomendado a mesma obra em 1967 (mais de meia década depois de ter sido inclusa no ILP e no ano seguinte ao de sua extinção) à sua filha espiritual Elisa Lucchi? Ou ao Pe. Barrielle, diretor espiritual do seminário de Écone, o Padre “com coração de fogo”, segundo Dom Lefebvre, que muito o reverenciava e o tinha como confessor, e justo quem recomendou a este e ao próprio Dom Williamson a obra de Valtorta?


4- Mas não há acusações de blasfêmia contra a obra de Valtorta no artigo de Marian Horvat, também publicadas em alguns dos principais sites dos que recentemente se puseram a atacar o Bispo?


R. Estão refutadas, por exemplo, neste artigo: http://www.valtorta.org.au/refutation-of-horvat-valtorta-article.pdf, que demonstra haver trechos e costumes não analisados em seus devidos contextos, análises teológicas insatisfatórias, desconhecimento de passagens bíblicas, referências mal feitas, etc. A primeira (“criança concebida com o pecado original”) está refutada a partir da página 68; a segunda (“tendências homossexuais”), a partir da página 45; a terceira (insinuação de caso de amor), a partir da página 18; a quarta, na página 37 (“pecar para ser perdoado”); a quinta (sensualidade e tendência à bestialidade), a partir da página 32.
Vale ainda observar que não há acusações de blasfêmia no texto referente à inclusão no ILP nem nos comentários de Dom Lefebvre sobre a obra.


5- Que dizer então em relação à recomendação da obra de Valtorta, inclusive da leitura de capítulos selecionados para as crianças, pelo Bispo?


R. Discordamos, respeitosa e cordialmente (tal como fizeram os Dominicanos de Avrilée neste artigo em que tecem uma crítica lúcida: http://nonpossumus-vcr.blogspot.com.br/2016/01/que-pensar-de-maria-valtorta.html), e sem termos consultado a edição italiana recomendada pelo Bispo com as notas explicativas, por termos certa dificuldade em aceitar sua tréplica na qual afirma que o Santo Ofício, quando condenou a obra de Valtorta em 1959-1960, provavelmente já teria sido infiltrado pelos inimigos da Fé (sem deixar de reconhecer, porém, que tal possibilidade torna sua postura no mínimo escusável).


6- Que dizer da opinião de Dom Williamson sobre a validade das supostas aparições de Akita e Garabandal?


R. Pensamos ser prudente, ao menos por hora, rejeitar – ainda que não haja ali casos de heresia tão evidentes como em Merdjugorje –, por seus pontos polêmicos (alguns bem indicados por sites como o Avec L’Immaculée) e por não haver decisão magisterial.


7- Que dizer de recomendações como as das obras de Elliot e Wagner?


R. Está-se aqui no âmbito artístico, não, reiteramos, no doutrinal. Uma coisa, por exemplo, é recomendar a descrição de Elliot sobre o homem atual, como fez o Bispo; já outra seria aconselhar que alguém desse ouvidos às suas crendices (o que, aí sim, seria condenável, mas o Bispo recomenda prudentemente o contrário em seus Comentários Eleison 433). Da mesma forma, também não age mal quem recomenda sob o aspecto cultural a obra de Bach, que era protestante, ou a de Mozart, que era maçom, e de outros gênios da música envolvidos com heresias ou com o ocultismo; ou os livros de alguns dos mestres da literatura brasileira, como Guimarães Rosa (quando pertinente, com as devidas ressalvas), também ocultistas, etc. (a lista é interminável).


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Anexo:


Tradução da citação de Dom Lefebvre sobre Valtorta (original):
Nas bibliotecas de nossos conventos e seminários existem incontáveis escritores que têm tratado sobre Nosso Senhor. Poderíamos encher uma biblioteca inteira só com esses textos. Certamente, existem coisas muito boas, muito santas, e que foram aprovadas pela Igreja. A Imitação de Cristo, todos esses livros que tratam sobre a Sagrada Escritura, certos comentários e explicações a esta; de qualquer maneira, não nos faltam livros assim. Mas temos outros livros que não só são explicações ou comentários da Sagrada Escritura, mas que se apresentam também como certa revelação sobre Nosso Senhor Jesus Cristo. Temos, por exemplo, um livro que apareceu recentemente, e que tem se espalhado muito rapidamente e pode facilmente ser visto nas mãos de muitas pessoas: é o livro de Maria Valtorta. Certamente ouviram falar deste livro, quiçá algum dos senhores o leu, e que é enorme, creio que são 13 volumes sobre a vida de Nosso Senhor.
Que devemos pensar sobre ele? Realmente, é necessário ser muito cuidadoso, muito cuidadoso e não relacioná-lo imediatamente com a fé, já que essa pessoa, que se autodenomina inspirada, e que disse que viu todos os seus escritos em visões, e em particular, em todos os seus detalhes, em detalhes muito pequenos, inclusive nas coisas mais insignificantes. Os apóstolos são apresentados de forma muito detalhada, assim como as conversações entre os apóstolos e a Santíssima Virgem, entre Felipe e Tiago, no caráter de uns e outros, tudo é escrito com o mínimo detalhe. Admito que já li uma parte, pois o Padre Barrielle promoveu bastante esse livro de Maria Valtorta. Ele estava convencido de que era absolutamente correto, de que não podia ser falso, de que faria muito bem. Eu não diria que não faria bem entrar assim na companhia dos apóstolos e da Santíssima Virgem, contemplar a vida da Santíssima Virgem, contemplar a vida do Menino Jesus, vendo-o crescer. É verdade que pode chegar a nos colocar em uma atmosfera que nos faz viver mais com Nosso Senhor. Mas também há um perigo. O de que pode nos fazer descer um pouco, rebaixar a ideia que temos feito de Nosso Senhor plasmada nos Evangelhos. Quando lemos somente as Escrituras e os comentários sobre elas, permanecemos em um nível muito espiritual, precisamente porque os Evangelhos não entram nesses detalhes físicos e materiais, na casa de Nazaré e todos os seus detalhes, na arrumação da cozinha, a preparação dos alimentos, todos esses pequenos detalhes, os pequenos pássaros em suas gaiolas e tudo mais, são encantadores e cativantes. Mas talvez haja em tudo isso algo que faça com que Nosso Senhor desça quase ao nosso nível. Sem dúvida, é claro que o Bom Deus quis viver entre nós.
Ele não quis viver como um anjo, não foi como Rafael, que acompanhou Tobias e lhe disse: “em verdade creste que eu comia e bebia, mas não comia nem bebia, porque me sustentava com outro alimento. Sou um dos entes que têm entrada ante a divina majestade!”. Tobias estava no chão, temeroso! E parecia que comia, mas não o fazia; poderíamos dizer o mesmo de Nosso Senhor?  Não o creio! Nosso Senhor verdadeiramente quis viver como um de nós; quando Nosso Senhor comia, Ele realmente o fazia. Não teve um corpo aparente, teve um Corpo Verdadeiro, como o nosso. Ele sofreu em Seu Corpo, Seu Sangue foi derramado.
Portanto, existe um pequeno perigo em deixar que se materialize demasiadamente a vida de Nosso Senhor. Inclusive li algo da obra de Maria Valtorta, e afirmo-lhes que deparei com uma passagem que não gostei muito: a conversa de Maria Madalena com a Santíssima Virgem ao pé da Cruz. Realmente não creio que Santa Maria Madalena tenha dito coisas como aquelas à Santíssima Virgem Maria. Foi quase uma grosseira. Maria Madalena dizendo à Santíssima Virgem Maria: “Tu, tu és pura; e eu, tudo o que conheci em minha vida eu transformei em algo impuro. Eu sou deste jeito, enquanto tu és assim”. Isto me impactou, falar à Santíssima Virgem deste modo. Por que recordar seus adultérios, sua vida dissoluta, e de uma maneira quase grosseira? Não creio que seja possível que Santa Maria Madalena tenha se dirigido dessa maneira à Santíssima Virgem ao pé da Cruz. Não é possível.
Assim, não sei, mas admito pôr um sinal de interrogação em suas revelações. Digo-lhes isto porque creio que não são importantes. É necessário manter-se no nível do conhecimento de Nosso Senhor, no conhecimento do Evangelho, no nível do Evangelho, e não descer as coisas...
Existem outros livros: sobre Catarina Emmerich, Maria de Agreda. Penso que têm coisas muito belas, e quiçá mais aprovadas que as de Maria Valtorta. Podem fazer muito bem, sem dúvida. No entanto, penso que não nos devemos dar a essas coisas uma equivalência ao Evangelho. Penso que temos muitos livros de santos que têm escrito sobre suas vidas com Nosso Senhor e tudo o que Ele os inspirou. Creio que me estou estendendo um pouco, mas leiamos esses livros que são muito edificantes... Nunca substituamos a Sagrada Escritura, consequentemente, devemos ter em grande estima as palavras do Evangelho, e tratar de descobrir nele, em profundidade, o Bom Deus.