terça-feira, abril 05, 2016

Sobre desaparecimentos misteriosos, e algumas réplicas.

Por R. de Souza


Estão a dizer que há postagens sumindo misteriosamente aqui neste blog, e mais: que das postagens em que apareciam o Pe. Cardozo, restaram apenas as que se restringem a injuriá-lo deleitosamente por ter dito que Dom Williamson mudou seu discurso.
Mas basta conversar com os autores dos textos que se referem ao Padre, como já fizemos, para constatar sua consternação em relação a este, a quem muito estimavam; e basta dar uma lida nas réplicas que têm sido publicadas aqui e em outros sites afins para perceber que também não é verdade que Dom Williamson teria mudado seu discurso em favor do modernismo.

Quanto às postagens, desapareceram, realmente. A dona apagou. Mistério solucionado? Não completamente, como se verá mais adiante.

É normal que uma pessoa que busque seguir a verdadeira religião partilhe, caso tenha algum espaço de publicação, como um blog, informações de bom grado sobre outras que seguem a mesma corrente e estejam (ou aparentem estar) a produzir bons frutos.
Mas se algumas destas resolvem se voltar contra a corrente que até então seguiam – que, ao contrário do que sugerem, permanece fiel aos princípios –, deixam de produzir bons frutos, começam a caluniar seus antigos sacerdotes, seus confrades, a difamá-los ao estilo leninista, a tomar atitudes notoriamente cismáticas depois de estreitarem relações com outro grupo que já vinha fazendo o mesmo, é natural que as antigas informações outrora partilhadas de bom grado sejam eliminadas, inclusive a fim de que a mesma pessoa responsável pelo blog não seja cúmplice de algum modo na produção desses maus frutos. 

A situação atual é grave. Grave a ponto de se ver gente que recebeu (ou ao menos parece ter recebido) boa instrução, sobretudo católica, não perceber (ou fingir não perceber), dentre outras coisas:
- que parábolas podem ser aplicadas a outros objetos com certas alterações sem que seu sentido original seja minimamente afetado;
- que, assim, torna-se possível acrescentar à parábola das árvores e seus frutos o fato de que há árvores doentes que darão alguns frutos comestíveis e outros não;
- que no corpo de uma pergunta pode haver afirmações (é o que se dá com aquela feita por São Jerônimo aos hereges citada por Santo Tomás), e que seu verdadeiro contexto é o texto de origem;
- que um curto parêntese em acréscimos em uma primeira edição de um Catecismo (no caso, o de São Pio X), pouco depois substituída (e contendo imprecisões), formulado para ser uma breve síntese de outro, não está ali para encerrar uma questão teológica, e de fato não o faz;
- que não se deve rejeitar os ensinamentos de Santo Tomás sobre os milagres por ser ele ninguém menos que o Doutor Comum da Igreja;
- que não se deve descontextualizar e interpretar maliciosamente dizeres de ninguém, sobretudo de Bispos;
- que os antigos escritos de Dom Tissier, que já foi um grande defensor da fé, não estão contaminados por sua atual postura, sem dúvida lamentável;
- que para se resolver casos misteriosos de desaparecimentos de textos, e até de um vídeo, deve-se primeiramente perguntar o motivo a quem os publicou – algo simples, elementar. Foi, aliás, o que fizemos. E mais uma vez constatamos que nesta vida por vezes algo que parece dizer respeito a alguém, na realidade não diz. Eis o caso. Mas há gente que gosta de mistério, e que prefere alimentá-lo ao invés de tentar solucioná-lo enviando uma simples mensagem.

O mistério em si pode ser salutar, pode fazer com que percebamos melhor nossas limitações, causar-nos certo maravilhamento. Mas por outro lado pode ser perturbador, como quando não identificamos um mal que nos assola; pode também permitir, por exemplo, que o sujeito mau intencionado encontre falsas justificativas para produzir os seus maus frutos, e que o paranoico fomente as suas paranoias.
O que terá feito essa gente que seguia (ou parecia seguir) o que há de mais reto na Tradição Católica dar as costas para a graça que recebeu? É um mistério. Há inegavelmente, por trás do desaparecimento das tais postagens deste blog, um mistério. Mistério que faz essa mesma gente fingir que não leu um sem número de objeções às suas acusações; mistério que motiva essa mesma gente a trocar verdadeiros Bispos católicos (que têm defeitos, como entes humanos que são, mas que têm verdadeira Fé e lutam por ela) por “bispos” cismáticos (ou talvez nem isto), de procedência... misteriosa.