Por Henrique Paranhos
A teóloga disse isto:
“A ÁRVORE
EVANGÉLICA SÓ PODE DAR UM
TIPO DE FRUTOS. OU ELA
É BOA E DÁ FRUTOS BONS. OU ELA
É MÁ E DÁ FRUTOS MAUS. QUALQUER OUTRA COMBINAÇÃO É CONTRÁRIA AO EVANGELHO. E, POR ISSO,
CONTRÁRIA À VERDADE. AINDA MAIS
QUANDO É O PRÓPRIO DEUS QUEM FALA.
E QUANDO DEUS FALA... É
DOGMA.”
Logo, a definição de dogma seria, segundo a
teóloga: tudo o que Deus diz.
Se é
assim, equivoca-se o reconhecido manual de Teologia Dogmática de Ludwig Ott (Barcelona,
Herder, 1966, p. 30), quando define assim o dogma: “uma verdade
diretamente (formalmente) revelada por Deus e proposta como tal
pela Igreja para ser crida pelos
fiéis”.
Equivoca-se também o afamado Dictionnaire de
Théologie Catholique (DTC), quando define assim o dogma: “uma verdade revelada por Deus e diretamente
proposta como tal pela Igreja
para nossa crença”.
Enfim, equivocam-se todos os teólogos pré-conciliares ortodoxos de prestígio,
pois a teóloga, tal como os protestantes,
prescinde da mencionada proposição necessária da parte do Magistério da Igreja,
sustentando que algo pode ser dogma sem
que a Igreja o proponha como tal.
Fazemos à nossa teóloga a mesma pergunta que fez o P. Trincado ao P.
Cardozo, mas que este jamais respondeu: É
uma verdade dogmática que a semente de mostarda é a menor de todas as que há no
mundo? Porque isso é o que afirma Nosso Senhor, e então – segundo a nossa
teóloga – é um dogma que a menor de todas as sementes do mundo é essa, e todo aquele
que negar que essa é a menor de todas as sementes peca gravemente contra a fé,
porque, “quando um batizado nega ou põe em dúvida deliberadamente um verdadeiro
dogma, cai em pecado de heresia (CIC 1325, § 2) e incorre ipso facto em excomunhão (CIC 2314, § 1)” (Ott, obra citada, p. 31).
Senhora neoteóloga: Que propôs a
Igreja para ser crido pelos fiéis acerca da semente de mostarda?
Que propôs a Igreja para ser crido pelos
fieis acerca das árvores e dos frutos bons e das árvores e dos frutos maus?
Diz Nosso Senhor em Lucas 14, 28: “Quem de vós, desejando edificar uma
torre, não se senta primeiro e calcula o custo, para ver se tem o suficiente
para terminá-la?”
Senhora teóloga: se um católico,
em lugar de sentar-se para fazer esse cálculo, o faz de pé, atenta contra um
dogma?
Diz Cristo em Mateus 15, 29: “Se teu olho direito te é ocasião de pecar,
arranca-o e arroja-o de ti”.
Senhora teóloga: devem arrancar os
olhos os que pecam gravemente com a vista? O que se diz do olho direito vale também para o esquerdo ou não?
Diz-se em Jó 20, 16 que a
víbora mata por meio de sua língua.
É herege aquele que negue isso?
Diz-se em Levítico 11, 4-6 e em Deuteronômio 14, 7 que o coelho e a lebre
são ruminantes.
Isso é um dogma?
Senhora teóloga: a senhora se retrata
de sua definição de dogma?
Enfim: lê-se em 1 Timóteo
2, 11-12: “A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Eu não permito
que a mulher ensine [acerca da Doutrina Sagrada e de matérias afins] nem que exerça
autoridade sobre o homem, senão que permaneça calada”. Se isso é dito pelo
Espírito Santo por meio de São Paulo – e isto
é um dogma –, por que a senhora não se cala?
Fonte: Estudos Tomistas
