sexta-feira, maio 06, 2016

Carta do Pe. Voigt sobre o "Seminário" do Pe. Pfeiffer

Por Non Possumus
Traduzido por Andrea Patrícia




Nota: Publica-se um extrato da carta, e com negritos do Non Possumus. Original aqui


Preâmbulo: Aproveito o momento para avaliar a vida durante os três anos em Boston, KT, a fim de expor os perigos que cercam esse lugar. Tudo o que escrevo pode ser confirmado pelos seminaristas que se separaram do Pe. Pfeiffer. Esta exposição se destina a corrigir e ajudar a melhorar o que está acontecendo lá. A correção fraterna é um ato de caridade, e é por isso que eu escrevo. Esta exposição se divide em cinco partes: 1) Ordem X Desordem; 2) Centrado em si mesmo X Centrado em Deus; 3) Duras críticas aos outros, mas não a si mesmo; 4) Esforço ilegítimo X Verdadeira Resistência; 5) Heresia, investidura leiga, protestantismo em vigor.

Primeiro tema:

1) Ordem X Desordem.

A ordem é o primeiro sinal de imitação do céu. No céu vamos encontrar a mais perfeita ordem e, então, em um seminário deve haver pleno esforço para colocar essa ordem no trabalho para que o seminarista possa se concentrar na obra e na palavra de Deus.
Sem apoio, sem nenhuma novena ou oração, e sem um bispo que sancionasse o projeto, o padre abriu um seminário (?) com um aspirante a cozinheiro, um músico, um recém-graduado do ensino médio e um senhor idoso. Desde o início houve falta de professores, e então o recém-graduado tornou-se professor de latim, embora só tivesse quatro anos de estudo. Os padres saíam todos os finais de semana, e às vezes durante a semana, quando iam para a Ásia ou viajar ao redor do mundo. Quando um voltava, então havia aulas. Entretanto, não havia Missa, a vida de oração sofria, mas os homens continuaram apesar da desordem.

Um seminarista adoeceu e não parecia melhorar. Devido à idade, à doença, e a outras circunstâncias, alegou-se que o homem não tinha vocação para o sacerdócio, e então o Padre decidiu que seria irmão.
Próxima desordem: basear-se nos números e seguir o padrão de preparação que existe em Winona. Parecia que a estrutura para o recebimento da batina tinha tido como modelo a da FSSPX, as saídas, os horários, mas a semelhança era muito vaga. Padre Hewko organizou caminhadas, mas aquele não era um bom grupo para tais passeios, apenas um membro tinha a resistência necessária, e então o Padre as complementou com os sobrinhos do Padre Pfeiffer.

Meu argumento: o Pe. Pfeiffer morde mais do que pode mastigar, e quer cada vez mais. Em vez de uma avaliação prudente do lugar, do pessoal, e da falta de legitimidade, ele foi afundando cada vez mais profundamente no atoleiro das atividades. Quanto mais tempo ele estava longe, mais difícil se tornava o programa. Só pude pensar em meu ponto de vista e expressá-lo quando eu lá visitei durante os fins de semana ou durante as férias escolares. Não me lembro de o Padre ter feito nenhuma reunião para resolver problemas ou para coordenar-se com o P. Hewko.

Na verdade, o Pe. Hewko nunca sabia quando deveria ensinar ou onde ele deveria ir no fim de semana seguinte.Eu não podia acreditar nos meus olhos diante do que lá acontecia em relação à preparação dos seminaristas daquele primeiro ano.

Quando chegou o segundo ano... a maneira como começa determina como vai terminar. Mais uma vez eu pedi uma reunião para a organização. O Padre Hewko concordava que muitas coisas deveriam ser mudadas. Mas os problemas nunca foram resolvidos, e o seminário continuou. Começou a haver conflitos com Dom Williamson porque o Pe. Pfeiffer achava sempre que sabia mais do que ele. Este conflito poderia ser resolvido com mais humildade, mas com todas aquelas importantes viagens e com seu desejo de abrir mais e mais locais de missa, o poder começou a subir à cabeça desse sacerdote. O poder corrompe, e com nenhum outro líder além dele mesmo, o Padre Pfeiffer poderia fazer o que quisesse.

Os seminaristas deviam trabalhar durante toda a noite preparando qualquer grande evento que houvesse. Não importava que não pudessem levantar-se no dia seguinte para a meditação e para a missa. A prioridade número um era agradar ao Pe. Pfeiffer. Aqueles jovens fizeram o melhor que puderam, mas a maioria era incompetente. Isto era o que determinava tudo o que acontecia em suas vidas de seminário, e no final a desordem e o conflito com o "chefe" fizeram com que cada um falasse com o Pai e depois fosse embora.

Correção da situação: Em primeiro lugar, não deve haver seminário, a menos que haja um bispo que o erija e o dirija por meio de um diretor de seminário que deve permanecer lá. Em segundo lugar, o horário do seminário precisa ser muito claro para que os cursos sejam consistentes e a vida de oração seja regular. Em terceiro lugar, nenhum leigo deve ser colocado no comando dos seminaristas, somente um sacerdote [refere-se ao leigo Pablo Hernandez].



2) Centrado em si mesmo X Centrado em Deus.

Na verdade, o capricho era a filosofia do líder: "Se vale a pena fazer, vale a pena fazer mal feito". Esta citação de Pe. Pfeiffer é a pedra angular de tudo o que aconteceu.

A realidade começa a aparecer quando vi que o Padre Pfeiffer se escusava facilmente dos tempos prescritos para a oração. Sua agenda lotada, a sua constante preocupação com telefonemas, e seu estilo de vida pessoal eram coisas que eu nunca vi antes em toda a minha vida religiosa. A menos que ele coloque a oração e a meditação como a prioridade número um, ele continuará centrado em seu enfoque egocêntrico para tudo. A ordem está de cabeça para baixo. Como cristãos, devemos enfocar os nossos esforços na glória de Deus e na salvação das almas, mas o foco dele tem sido mostrar sua inteligência e sua capacidade de criticar.

Considere-se que a cada tarde há um grande silêncio que deve existir em todos os seminários. Em Boston eu vivi sobre o quarto do Padre, e tive de comprar alguns tampões de ouvido por causa das conversas que ocorriam a qualquer hora da noite. Quando me levantava pela manhã para ir à capela, encontrava o Padre deitado no sofá vestindo a mesma batina branca que já vinha usando por dias. Eu só conseguia pensar que ele deveria ir para o seu quarto privado e colocar ordem em seus horários para servir aos outros com mais ordem, à maneira de Cristo.

Em um verdadeiro seminário católico, a prioridade deve ser o conhecimento da Santíssima Eucaristia e o amor a ela, como enfatizado em "A Alma de Todo Apostolado". Já que o superior ensina aos inferiores, o nosso líder do seminário (o Padre Pfeiffer) deveria ser um exemplo de oração e limitar-se à formação daqueles jovens, em vez de viajar por todos os Estados buscando erguer todos os centros de missa possíveis.



3) Duras críticas aos outros, mas não a si mesmo.

No centro da vida de Kentucky estava a crítica diária a todos os padres e bispos que não ouviam a sabedoria da "alma" da resistência (o Padre Pfeiffer). O orgulho vai primeiro em cada queda, e o orgulho se manifesta no discurso da pessoa.

Inicialmente, o centro era Dom Fellay, e certamente seu giro de 180° em relação aos princípios do bom Arcebispo era um ponto sensível para todos nós. Nosso desejo era preservar a tradição do Arcebispo e fortalecer esse amor entre aqueles que viriam abraçar a Resistência diante da traição.

Quando um novo membro (Pablo [Hernandez] o mexicano) veio a Boston, esse enfoque começou a mudar gradualmente. As críticas aos "maricas" tradicionalistas tornaram-se um assunto diário. Nem o Padre Pfeiffer nem o Padre Hewko puderam corrigir essa arenga de Pablo para dividir. Quando essa pessoa entrou em cheio na casa dos sacerdotes, eu queixei-me ao Padre Pfeiffer, e meu argumento era que a casa dos sacerdotes é para sacerdotes, e que aquele leigo estava fora de lugar aqui. Perda de tempo. Eu devia aprender que Pablo não pode estar errado.

Agora o veneno deste homem colocou o P. Pfeiffer contra sacerdotes e bispos, e abriu uma brecha na comunidade resistente. Na verdade, as palavras da Quo Primum foram apagadas recentemente pelo Padre Pfeiffer, que acredita que cada paróquia resistente ou lugar de culto é de seu domínio privado, e só ele pode determinar quem pode rezar Missa ali. Isto significa que cada capela teria missa uma vez a cada dois ou três meses. Isto é contrário à simples noção de “católico”. Há outros bons padres que estão trabalhando para perseverar a fé, mas no mundo do Padre Pfeiffer eles devem passar no teste de sua "doutrina". Quem nunca ouviu falar disso?

Ademais, o bom Dom Williamson é criticado por todos sem a menor caridade cristã, que nos impele a "dizer apenas as coisas boas que os homens precisam ouvir e que tudo o mais vem do maligno". Boston não quer expor sua roupa suja ao mundo, mas pode criticar a cada partícula de poeira nos olhos de outro homem, enquanto a trave em seu próprio olho é negligenciada. Sua desejada transparência é um ardil. Sua abertura aos outros foi de curta duração, eagora o culto ao líder começa a ser sentido no mundo da Resistência. Se somente a humildade reinasse no "chefe", então a maioria dos problemas seriam resolvidos mediante uma simples comunicação com os bispos, e seguindo os seus conselhos.



4) O leigo é o "chefe"?

O superior forma os inferiores como o bom Arcebispo ensinou, mas poucos entendem e praticam este princípio. Os seminaristas precisam de um santo sacerdote para manter o propósito de sua vida diante deles. Eles não precisam de um leigo que abuse deles, que se queixe deles, que os ridicularize e os repreenda. Eles não precisam de um batizado não praticante gerando ódio na atmosfera do seminário.

Como disse Jack Pfeiffer: "Meu filho e Pablo [Hernandez] são unha e carne. Se eu mandar embora o Pablo tenho certeza de que perderei meu filho". Bem, a realidade é que o Sr. Pfeiffer já perdeu seu filho para o "chefe". Ele não poderá e não corrigirá a natureza abusiva deste leigo.

É devido às maquinações deste leigo que eu, pessoalmente, tive que deixar Boston, pois o ódio e o pecado não corrigidos pelo superior não são favoráveis a um ambiente saudável. E eu compartilhei uma carta aberta:
descrevendo como me pediram para trabalhar com os seminaristas quando os padres foram para as Filipinas. O comportamento insultante do leigo e seus atos que minavam minha autoridade sacerdotal não foram corrigidos pelo Padre Pfeiffer nem houve uma desculpa pela sua conduta.



Esse leigo ganha mais e mais território a cada dia. Ele trouxe uma família sem o pai. O pai desta família quer de volta seus filhos e sua esposa, mas Pablo continua zombando dele, denegrindo-o na frente de seus filhos, e glorifica a independência da esposa. Tudo isso sob o olhar vigilante do "chefe".

Há muito mais que eu posso dizer a respeito de como este homem opera, mas seria um livro. Posso dizer que o que eu escrevi é somente a ponta do iceberg e que eu recebo cartas de católicos que sofreram suas táticas de "língua dura". Ele não tem escrúpulos de consciência para ameaçar e detratar se isso funcionar para sua conveniência.

5. Pastor do mundo, com que autoridade?

É possível para um sacerdote servir em todo o mundo? É uma pergunta boba, mas também é muito tolo um sacerdote morder mais do que pode mastigar. Foi divertido ver as operações desse sacerdote com um telefonema aqui e ali. Ele poderia resolver problemas em todos os lugares. O Padre Chazal era incompetente na Ásia, então nosso herói tinha que visita-lo duas vezes por ano para colocar as coisas em ordem. A proliferação dos centros de missa aumentou em um mapa dos Estados Unidos para ver como podia atender a tantos lugares por fim de semana como fosse possível.

No final, os horários de voo eram um pesadelo, porque se tinha de visitar dois ou mais lugares em um dia. Muitos locais recebiam o padre, ele celebrava missa e voltava ao aeroporto para ir a outro lugar para dar a missa vespertina. Era uma loucura. Mas se algo vale a pena fazer, vale a pena fazer mal.

No final, ele se tornou seu próprio inimigo, e sacerdote após sacerdote cansaram-se da maneira como ele opera. Nenhum outro padre veio em seu auxílio. Ele permitirá que os bispos sejam depreciados, que os padres sejam difamados; e que líderes leigos sejam enganados, açoitados e cuspidos com as palavras viciosas de um homem que ele não pode controlar.