terça-feira, maio 03, 2016

Coerência Abandonada

Por Syllabus
Traduzido por Andrea Patrícia




O Pe. Pfeiffer é um dos sacerdotes que tem se erigido fragorosamente como um dos paladinos da Resistência, campeões da ortodoxia católica, guardiões da integridade doutrinal, vigias zelosos que se encarregam de manter a pureza da religião "custe o que custar e doa a quem doer", denunciando as "heresias" que corroem a virtude salvaguardada por eles. Tal qual doutores incoercíveis, como novos Atanásios, Hilários e Agostinhos, estendem-se numa incansável e empolada verborreia ao longo de discursos extensos e espontâneos que apelam aos mais caros sentimentos do fieis. Lançam seus dardos com voz tonitruante a quem está disposto a escutá-los para segui-los em suas campanhas libertadoras contra quem apontam como seus mais implacáveis inimigos pessoais, a quem juraram derrubar. O único problema é que esses Mestres da verdade, esses Generais da guerra santa, esses Líderes impetuosos de uma nova cruzada, longe de serem fontes de água pura e cristalina, são pelo contrário como "cisternas rachadas que não podem reter a água" (como disse o profeta Jeremias), que somente oferecem uma água turva e pantanosa. De seus tanques só saem agora ignorância teológica, incoerência, hipocrisia e petulância.

Como vemos neste caso do falso bispo Moran, coam o mosquito e engolem o camelo. Também pode aplicar-se a parábola de Lucas 6, 41, pois apontam o argueiro que acreditam ver no olho do irmão, sem ver a trave em seu próprio olho. Neste caso, criando caso contra Dom Williamson por causa de uma resposta deficiente a uma mulher birritualista (em uma conferência nos EUA, em julho de 2015), e fazendo abstração de toda a sua conduta e de suas palavras de sempre. Lemos recentemente num artigo que o mesmo aconteceu com São Paulo, que pregou tantas vezes contra a necessidade de circuncisão para receber a fé, e no entanto circuncidou seu discípulo Timóteo. Desde então os "vigias" da fé de então - sem tentar compreender as razões do Apóstolo - começaram a atacar violentamente a São Paulo e tratá-lo como herege, aos quais o grande Apóstolo teve de num dado momento os repreender.

O Pe. Pfeiffer disse que assistir às missas da FSSPX era incorrer em pecado e delito canônico decommunicatio in sacris (o que é falso e demonstra a grave incompetência teológica deste sacerdote, pois não se pode dizer que os sacerdotes da FSSPX não são católicos, por mais que o liberalismo os tenha invadido), mas logo levou um falso bispo que nem sequer é católico para seu seminário e sua capela de Boston para que exercesse ali suas "sacras" funções, com o que incorreu, ele sim, em pecado e delito canônico de communicatio in sacris, levando seus fieis a participar ativamente de um rito celebrado por um não católico (Cfr. CIC 1917, Can. 1258).

O Pe. Pfeiffer acusou Dom Williamson de encobrir um sacerdote que há algumas décadas cometeu certos pecados muito graves, mas logo o Pe. Pfeiffer levou para o seu seminário um sacerdote pedófilo condenado (preso por posse de pornografia infantil), removido do estado clerical e retomado o estado leigo (ver aqui). Desde então ele submete seus seminaristas à tal escória mesmo tendo recebido tantos avisos.

Depois de tudo isto, o Pe. Pfeiffer ainda se atreve a falar como um grande defensor da fé e da verdade?

Como podemos ver, esses "guardiões da fé", na realidade, se rodeiam de uma grande parafernália para ocultar sua vocação cismática, fecham-se num orgulho inveterado o qual demanda apoiar-se num inimigo que atua como o diabo de seu filme. Este inimigo é Dom Williamson, espécie de monstro Endríago que deve ser vencido pelos Amadises de Gaula de nossos dias, vestidos com batinas tamanho extra grande. Os outros dois bispos antiliberais e fieis continuadores de Dom Lefebvre na Resistência também ocupam agora tal maléfico papel de antagonista.

Mas embora tenham sido ampla e racionalmente rebatidos em diversos sites e blogs da Resistência, não obstante, esses neoapóstolos agressivos e fanáticos, buscando os primeiros lugares, continuam sua aviltante tarefa de enganar e arrastar a quem, mais desvalidos, desconhecem suas armadilhas para conduzi-los ao círculo fechado do farisaísmo, onde eles receberão o cobiçado prêmio de serem os "melhores".  Para isto não hesitam em denegrir, caluniar, acusar, tergiversar, mentir ou perseguir a quem se lhes oponha. Mas a verdade é muito paciente, e sem necessidade de fazer o barulho que fazem seus escandalosos opositores, simplesmente se apresenta, se mostra e deixa que aquele que a queira ver, que veja. A verdade não força ninguém, mas tampouco se ausenta daquele que a deseja. Lá está exposta. Os que agem como cismáticos buscam novos disfarces para tapar seus erros. Cortinas de fumaça para distrair a atenção. Campanhas de difamação para elevar a si mesmos. Como diria o Padre Castellani: “Cuidado com as criaturas que se escondem nas cisternas rachadas”!