quarta-feira, julho 20, 2016

A Igreja e a escravidão ao longo do tempo




• Como se lê em Explosion de charité - par les Dominicains d'Avrillé, tanto na Roma antiga como em Atenas, a imensa maioria da população era constituída de escravos. Durante toda a sua história, o islã praticou o tráfico maciço de escravos. Na Europa, ressurge a escravidão quando no fim da Idade Média o espírito cristão se enfraquece.
• Mas declarara São Paulo: “Já não há livre nem escravo”. A partir desse momento, sem revolução nem agitações, a caridade cristã começou a dissolver a escravidão. Os cristãos libertaram seus escravos. Na França, a rainha Santa Bathilde (626-680) consagrou a interdição da escravidão.
• Lentamente mas seguramente, com efeito, a Igreja fez que se abolisse a escravidão, não porém revoltando ou sublevando os escravos, mas dando o espírito cristão a seus senhores. Ecoavam outras palavras de São Paulo: “Não os trateis com ameaças, sabendo que tendes uns e outros no céu um mestre comum, diante do qual não há acepção de pessoa”.
• Hermes, então, prefeito de Roma sob Trajano, libertou seus 1.250 escravos no dia de seu batismo. Santo Ovídio libertou 5.000 escravos, Santa Melânia 8.000, etc.  
• O Papa São Símaco († 514) resgatou os escravos da Ligúria e libertou-os. Do mesmo modo, São Gregório Magno († 604) e São Zacarias († 752) pagaram o resgate de escravos até na África.
• Durante esse tempo, milhões de cristãos foram reduzidos à escravidão pelos muçulmanos de Argel, de Túnis, etc. Os religiosos Trinitários (fundados em 1198 por São João de Matha) e os religiosos Mercedários (fundados em 1218 por São Pedro Nolasco) dedicaram-se a libertá-los.
• São Pedro pascal (bispo de Jaén) entregou todos os seus bens e depois sua própria pessoa para resgatar os cativos dos turcos. Fiéis pagaram seu resgate, mas ele preferiu empregá-lo na libertação das mulheres e das crianças, e morreu cativo em 1300.
• No Renascimento do espírito pagão (século XV e XVI), os papas Paulo III (20 de maio de 1537) e Urbano VIII (22 de abril de 1639) opuseram-se firmemente à escravidão dos ameríndios.
• Muitos papas condenaram igualmente o tráfico dos negros: Eugênio IV (13 de janeiro de 1435), Pio II (7 de outubro de 1462), Paulo III (2 de junho de 1537), Inocente XI ( 1683), Pio VII (1815), etc.
• Numerosos padres ajudaram os escravos negros, notadamente São Pedro Claver († 1654), que acrescentou a seus votos religiosos o de consagrar sua vida inteira ao serviço dos escravos, e não hesitou em assinar: “Pedro Claver, escravo dos negros para sempre”.