domingo, janeiro 31, 2016

Catecismo Ilustrado

Por Escravas de Maria

Novidade do Catecismo com o antigo que este ficou nova capa, com 4 paginas a mais e nestas paginas tem o Credo o Salve Regina e explicação da liturgia com desenhos coloridos.E o textos corrigidos pelo Catecismo da Doutrina Cristã dito de São Pio X. 

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Cruzada dos bons Livros.

Catecismo da Doutrina vem anexo o Catecismo Anti-Comunista e um resumo das Cinco provas da Existência de Deus.


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Catecismo da Doutrina Cristã dito de São Pio Xvem anexo o notas biográficos, mais brindes.




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sexta-feira, janeiro 29, 2016

Em Defesa de Dom Williamson (I)

Por Dom Tomás de Aquino


Dom Williamson escreveu no seu Comentário Eleison 438: “Se a evidência dos milagres ocorridos dentro da Igreja do Novus Ordo é tão séria quanto parece, então os católicos têm de conformar suas mentes à mente de Deus, e não o inverso.”
Muitos atacaram Dom Williamson por causa destes comentários a respeito do possível milagre eucarístico ocorrido em Buenos Aires. Entre os argumentos utilizados retenho os seguintes:
1- Fora da Igreja não pode haver milagres. A Igreja conciliar não é a Igreja católica. Logo não houve milagre em Buenos Aires.
2-Ninguém age sem um fim. Um milagre na Missa Nova não poderia ter outro fim senão induzir os fiéis a assistir à Missa Nova. Logo, não houve milagre em Buenos Aires.
3-O milagre é a assinatura de Deus. Deus não pode assinar uma heresia. A Missa Nova favorece a heresia. Logo, não houve milagre em Buenos Aires.
Vejamos cada um desses argumentos.
1- O primeiro simplifica em demasia a questão e simplificando-a confunde duas questões. Uma é a de saber se pode ou não haver milagres fora da Igreja. A outra é a de saber se a Igreja conciliar é totalmente alheia à Igreja católica ou não.
À primeira questão deve-se responder com santo Tomás que sim. Pode haver milagres “fora da Igreja” dentro de certas condições. Veja-se os artigos do Prof. Carlos Nougué a esse respeito. O que Deus não faz é confirmar o erro ou o vício com um milagre, mas ele pode confirmar a verdade ou a virtude com um milagre, e isto mesmo entre os pagãos. Se alguns bens foram realizados entre os pagãos, estes bens foram realizados por inspiração ou ação de Deus (cf. De Potentia, questão VI, artigo V, ad 5um). No mesmo artigo Santo Tomás diz ser possível que Deus tenha feito um milagre para atestar a castidade de uma virgem pagã. Pode-se lembrar também o milagre da mula de Balaão que falou distintamente, como se lê nas Sagradas Escrituras. Ora, Balaão era um mago pagão. A mula falou porque Deus queria adverti-lo de que não levasse adiante seu intento de amaldiçoar os judeus (Num XXII).
À segunda pergunta deve-se responder que as autoridades da Igreja conciliar constituem uma seita modernista que, ocupando os postos-chave da Igreja, a mantêm cativa. Não se pode dizer de maneira absoluta que a Igreja conciliar seja a Igreja católica, nem que não o seja. Pela doutrina modernista e pela intenção de destruir a Igreja católica, ela não o é, evidentemente; mas pelo fato de deter em seu poder uma jurisdição que pertence à Igreja católica ela tem algo de católico em seu poder. Se o Papa atual se convertesse, exerceria catolicamente um poder que hoje ele exerce modernisticamente.
Esta parece-me ter sido a posição que Dom Lefebvre sempre adotou.
2- Ninguém age sem um fim. Mas que fim Deus poderia ter fazendo um milagre na Missa Nova?
Dom Faure já respondeu a esta pergunta. Se Nosso Senhor está presente na hóstia consagrada numa Missa Nova com o agravante de esta hóstia ter sido profanada, não parece absurdo que Deus faça um milagre para indicar a gravidade desta profanação.
Mas, dirão alguns, Dom Williamson citou também um suposto milagre ocorrido na Polônia. O mesmo raciocínio se impõe. Onde há presença real, pode haver milagre sem se faltar à verdade.
Mas não seria isso aprovar a Missa Nova?
Não, assim como não é aprovar o paganismo demostrar, através de um milagre, a inocência de uma virgem pagã.
3- O milagre é uma assinatura de Deus, e Deus não pode assinar uma heresia. Mas este milagre, se milagre houve, não é uma assinatura do novo rito da missa, mas sim da presença real. O sacramento recebido na Igreja conciliar pode ser verdadeiro e a doutrina que o acompanha pode ser falsa. Mas são duas coisas distintas. Uma não anula a outra. Afirmar um, mesmo com milagre, não é afirmar o outro, assim como provar a inocência de uma virgem pagã não é aprovar o paganismo.

Os argumentos apresentados não me parecem conclusivos Seja como for, eles não podem servir para desacreditar a Dom Williamson, que permanece o Bispo que se opôs à política suicida dos acordistas e que sagrou Dom Faure, ordenou padres para a Resistência, confirmou inúmeros fiéis, dando assim a todos a esperança de continuar o bom combate de Dom Lefebvre, o qual não é outro senão o bom combate da Santa Igreja una, católica, apostólica e romana e, como dizia São Pio X, perseguida.

quinta-feira, janeiro 28, 2016

Pedido de orações!



Prezados leitores, peço encarecidamente orações pela minha avó que encontra-se internada em estado grave. Por favor, rezem ao menos uma Ave Maria pela salvação da alma dela.

Virgem Santíssima, Mãe de Misericórdia, rogai pela minha avó!

Dominicanos de Avrillé: “Da Seita Neomodernista Que Ocupa a Igreja Católica”




Este texto, publicado pelos Dominicanos de Avrillé, trata da dualidade “igreja conciliar”-Igreja Católica. Rebate as duas posturas extremas que existem a este respeito (a dos acordistas e a dos “eclesiavacantistas”), concentrando o maior esforço na refutação da postura de Dom Fellay e demais ralliés ou acordistas (Non Possumus).


En español: Aquí

Em português: Aqui

quarta-feira, janeiro 27, 2016

Ainda sobre a possibilidade de milagre fora da Igreja ou entre hereges


Lê-se numa página web uma citação de Santo Tomás extraída de seu Comentário a Tessalonicenses: “ninguém faz verdadeiros milagres contra a fé, já que Deus não é testemunha de falsidades. Donde alguém que ensine uma falsa doutrina não pode fazer milagres [...]”. E conclui a referida página, para negar a possibilidade de milagre fora da Igreja: “As palavras são tão claras, e com o peso da autoridade do Doutor Angélico, que não temos mais nada a acrescentar”.
Não é de desprezar o fato de autor do escrito reconhecer a autoridade de Santo Tomás de Aquino. Sucede porém que, como com respeito a todos os grandes Doutores e com respeito a todos os grandes filósofos, não basta o conhecimento de uma parte da imensa catedral que é a obra de Santo Tomás para concluir algo definitivamente. E aqui erra o autor de tal escrito, pelas seguintes razões.
1) Bem antes de escrever o que se lê no Comentário a Tessalonicenses, havia escrito Santo Tomás em De Veritate:
Objeção 5. Lê-se nas histórias (referidas por Agostinho em A Cidade de Deus, X, 26) que uma vestal virgem, para mostrar que conservara seu pudor, carrega água do Tibre num vaso furado, e todavia a água não escorre; o que não se pôde fazer senão porque a água era impedida de escorrer por um poder que não era natural; o que na divisão das águas do Jordão e em sua detenção é claramente um milagre. Por isso parece que os demônios podem fazer milagres.
Resposta de Santo Tomás. 5. Não está excluído que seja para recomendar a castidade que o verdadeiro Deus tenha feito por seus bons anjos um milagre desse gênero, retendo a água, porque, se havia alguns bens entre os pagãos, tinham vindo de Deus. Mas, se isso fosse feito pelos demônios, tal não se opõe ao que foi dito. Pois deter ou ser movido localmente depende de um mesmo princípio em gênero, porque o que é movido para um lugar se detém por tal natureza. É por isso que, assim como os demônios podem mover os corpos localmente, assim também podem retê-los por movimento. E no entanto isso não é um milagre, como quando feito divinamente, porque, segundo o poder natural do demônio, pode chegar-se a tal efeito.”
Logo, como se vê, admitia então o nosso Doutor a possibilidade de milagres fora da Igreja.
2) Se todavia esta passagem foi escrita bem antes do Comentário a Tessalonicenses, cuja escrita data de entre 1259 e 1265, leia-se o que Santo Tomás escreveu na Suma Teológica, entre 1271 e 1272, ou seja, depois daquele Comentário:
“Por isso, os maus que ensinam falsas doutrinas [ou seja, os heréticos] não poderiam jamais fazer verdadeiros milagres para confirmar seu ensinamento, embora, às vezes, possam fazê-los em nome de Cristo, que eles invocam, e pela virtude dos sacramentos que administram”. E isso, que sempre será extraordinário, Deus não o faz senão por algum bem, ou imediatamente da Igreja, ou porque se destina a cumprir a predestinação de quem atualmente não está no seio da Igreja, ou por qualquer outra razão que esteja entre os ocultos desígnios de Deus.
Ora, os que ensinam falsas doutrinas mas invocam o nome de Cristo e ministram sacramentos não podem ser senão hereges. Logo, e a fortiori, há a possibilidade de que os que ensinam falsas doutrinas na Igreja conciliar façam algum milagre.
3) E Santo Tomás não se contradiz de modo algum. Somente, noComentário a Tessalonicenses ele enuncia parte da verdade, ao passo que nas duas outras passagens citadas a enuncia integralmente: assim como, se digo que a alma sem o corpo não pode funcionar bem, digo uma verdade, que porém não é contradita se digo que após a morte a alma bem-aventurada já tem a visão beatífica graças a um milagre – o que faz que ela funcione não só perfeitamente, mas sobreperfeitamente.
4) Além disso, “a generalidade dos Padres e dos teólogos admitiu a possibilidade de milagres entre os hereges”, como se lê no conceituado DTC. Ora, como lembra Leão XIII em Providentissimus Deus, “a ninguém é lícito interpretar a Sagrada Escritura contra [...] o consentimento unânime dos Padres” (cf. Conc. Vat. I, ses. 3 c. 2: de revel., ex Conc. Trid., ses. 4 decr. de edit. et usu Libr. Sacr.). Mas isso não seria assim se tal consentimento unânime não tivesse autoridade entre nós. Por conseguinte, pode considerar-se que pelo menos é altamente inconveniente negar algo dito unanimemente não só pelos Padres mas ainda pelos Doutores quanto a qualquer questão de fé.
5) Quanto às razões por que excepcionalmente podem dar-se milagres fora da Igreja ou entre hereges, leiam-se:
• A palavra de Dom Tomás de Aquino sobre o Eleison de Dom Williamson (8:58 minutos).


E veja-se a transcrição e tradução de importante parte do sermão de Dom Faure a respeito da possibilidade de milagres no âmbito do Novus Ordo:

“Ultimamente se falou de alguns aparentes milagres eucarísticos na nova missa. É possível, não é impossível, já que sempre consideramos que não todas mas muitas missas do Novus Ordo são válidas. Então, não impede em princípio que haja um milagre. Agora, é interessante, publicaram-se num site da Internet importante, ‘Non Possumus’, os últimos Comentários de Dom Williamson, e por ocasião disso se publicou também que se pode ver uma quantidade enorme, dezenas, mais, centenas de milagres eucarísticos nestes 2.000 anos e que a maioria destes milagres ocorreu depois de um sacrilégio, com hóstias roubadas, hóstias profanadas, etc. E qualquer um pode ver coisas extraordinárias, como, por exemplo, que uma Hóstia escondida irradia uma luz na noite, permite que se volte a encontrar, muitíssimas destas hóstias roubadas foram encontradas, e muitas vezes com sangue, e, assim, isso nos recorda bem que realmente na Missa temos um sacrifício, uma renovação, uma renovação do sacrifício da cruz. Por exemplo, houve sacrílegos que deram punhaladas na Hóstia, e derramou-se sangue por todo o altar. Então, quando alguém vê todos esses milagres, ou, por exemplo, em outro caso, uma mulher que havia roubado uma Hóstia e a havia escondido no estábulo... Cada vez que o asno entrava, fazia uma genuflexão na direção em que estava a Hóstia.  Coisas... e coisas que foram gravadas por notários, por autoridades do povo, sacerdotes, párocos, etc., bispos... não se pode pôr em dúvida.  
Tudo isso para fortalecer nossa fé. E, claro, se alguém ouve falar rapidamente disso, pode argumentar dizendo: ‘Como é possível? Melhor não falar disso, porque isso leva água ao moinho do Novus Ordo. Não, não se trata de estimular as pessoas a ir, aos tradicionalistas, naturalmente, a ir à nova missa. De nenhuma maneira. Ao contrário, todos esses milagres mostram quão grave é a comunhão na mão. Porque hoje há muitos casos disto. Então as pessoas, por respeito humano, para com todo o mundo, vão receber a Hóstia na mão. Mas depois não têm escrúpulos, porque não estão na graça de Deus, ou porque não têm fé, e jogam a Hóstia no chão, como aconteceu neste milagre em Buenos Aires.
Mas a pergunta que podemos nos fazer é: ‘Mas Deus nos abandonou?...’ É possível que Deus tenha abandonado a 98% dos católicos do mundo, que estão do outro lado do planeta e que nunca ouviram falar da Tradição, nem da obediência e dos limites da obediência? E que então toda essa gente não tenha a graça de Deus, não tenha acesso a nenhuma graça que poderia advir de alguns sacramentos, particularmente o sacramento da penitência, a confissão. É evidente que em muitos lugares onde não existe sacerdote tradicional um verdadeiro católico pode buscar e encontrar algum sacerdote que tenha ainda a fé, e que utilize a fórmula válida da penitência, da absolvição. Esta é a realidade de muitos fiéis em países onde quase não há sacerdotes da Tradição. Esses fiéis recuperam a graça de Deus, dão-se conta disso. Então seria grave dizer: ‘Não, não vão nunca mais. Acabou-se. Se não há missa da Resistência, acabou-se. Nunca mais vão confessar-se, etc.’ Isso é um excesso. Pensar que Deus se esqueceu de 98% dos católicos e que eles vão então condenar-se... Isso não é racional. Deus é mais poderoso do que isso e sabemos que quer infinitamente o nosso bem... ‘Eu sou a bondade e a misericórdia.’ Então, em meio a esse mistério de iniquidade tremendo, desta traição por parte das mais altas autoridades da Igreja de Roma, Deus, no entanto, pode sempre ajudar, claro, a muitos fiéis em toda a terra. Mas isso não diminui, de nenhuma maneira, a gravidade da nova religião. Nós sabemos que é um veneno que causou a perda da fé a milhões e milhões de pessoas. Por isso elas vão para as testemunhas de Jeová, para os mórmons... quantos milhões na América do Sul? Porque perderam a fé. E por que perderam a fé? Geralmente por causa da nova religião, da nova missa, de tudo isso. Então, há que ler, detidamente, e entender o que quer dizer Dom Williamson. É certo que pode haver entre nós um perigo de radicalização. Então nos fechamos e pensamos: que bom, agora Deus já não atua senão dentro da Resistência. Mas quantos sacerdotes nós somos? É certo que é uma graça muito grande, imensa, que Deus nos tenha feito entender que a fé está em jogo, e é evidente que nós [...] somos deste pequeno resto de que Nosso Senhor falou: ‘Confiança pequeno rebanho, Eu venci o mundo’.”

terça-feira, janeiro 26, 2016

Se a chamada missa nova pode ser válida


Nota prévia 1. Este breve texto é um resumo ou esquema do que aparecerá, mais desenvolvidamente, em dois outros lugares: o livro Estudos Tomistas e o livroO Papa Herético.
Nota prévia 2. É relativamente independente da questão da validade ou da invalidade da chamada missa nova, ou seja, do que esquematicamente trataremos aqui, a questão da possibilidade de milagre fora da Igreja e na chamada Igreja conciliar, o que se tratará em Estudos Tomistas.
Nota prévia 3. A questão da chamada Igreja conciliar tratar-se-á extensamente em O Papa Herético. Antecipe-se porém algo essencial do que se dirá ali: a chamada Igreja conciliar é parte, ainda que precária, da Igreja Católica, assim como um tumor é daquele que o porta e o padece. Opomo-nos assim ao chamado “eclesiavacantismo”, como também se opunha Dom Lefebvre (cf. Se Dom Lefebvre era eclesiavacantista).

I. Para a validade de uma missa são necessárias a devida matéria, a devida formae a devida intenção do celebrante.
1. A matéria varia segundo o sacramento: a água (simples ou natural) para o batismo; o crisma (a mistura de óleo e de bálsamo consagrada por um bispo) para a confirmação; o pão (de trigo) e o vinho (de videira) para a eucaristia; etc.
2. Também a forma varia segundo o sacramento: as palavras “Ego te baptizo in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti (Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo)” para o batismo; as palavras “Hoc est corpus meum (Isto é o meu corpo)” e “Hic est calix sanguinis mei (Este é o cálice do meu sangue)” para a eucaristia; etc.
3. Por seu lado, a intenção do celebrante há de ser a mesma em todos os sacramentos: fazer o que a Igreja faz ou sempre fez.
II. A forma da Eucaristia
1. As palavras “Hoc est corpus meum (Isto é o meu corpo)” e “Hic est calix sanguinis mei (Este é o cálice do meu sangue)”, como diz Santo Tomás de Aquino, são a substância da forma deste sacramento. Sem sua pronunciação não se dá a transubstanciação, e a missa é inválida.
2. As palavras pronunciadas mais ou menos imediatamente em volta das palavras essenciais (como “Tomai e comei”) não pertencem necessariamente ao sacramento. Mas concorrem, como diz Santo Tomás de Aquino (S. Th., III, q. 78, a. 1, ad 2), para a “perfeição completa deste sacramento”, assim como a falta de cérebro num anencéfalo não lhe tira a natureza humana, mas faz que esta não alcance a perfeição completa.
3. Mas, “se o sacerdote pronunciar somente as referidas palavras [as essenciais] com a intenção de levar a termo este sacramento, perfaz-se este sacramento” (Santo Tomás de Aquino, III, q. 78, a. 1, ad 3) – o que nos remete à questão da intenção do celebrante. A omissão das demais palavras do rito, contudo, ou das demais partes deste pode resultar ou de uma desobediência do celebrante ao estabelecido pela Igreja, o que implica “pecado grave” (Santo Tomás de Aquino, III, q. 78, a. 1, ad 3); ou de uma necessidade, e até ser meritória. Com efeito, quando no cárcere comunista o Cardeal József Mindszenty consagrava a hóstia preparada com miolos de pão, era forçado a omitir, por exemplo, o Ofertório, e ainda assim se reconhece que levava meritoriamente a termo o sacramento.
4. Por outro lado, quanto às variações na forma mesma dos sacramentos, devem levar-se em consideração duas coisas. A primeira depende do celebrante, razão por que a trataremos mais adiante. Mas a segunda depende da significação das palavras, e deve tratar-se agora. E, com efeito, como diz Santo Tomás de Aquino (S. ThIII, q. 60, a. 8), “dado que as palavras operam no sacramento segundo seu próprio sentido, convém considerar se a alteração introduzida faz desaparecer o requerido sentido destas palavras”. Se desaparece tal sentido próprio, evidentemente não se cumpre o sacramento, porque se lhe terá eliminado uma parte essencial. Mas note-se que se trata aqui da forma mesma, ou seja, das palavras que são sua substância. Se todavia se omite da forma uma parte não essencial, isto é, uma palavra não essencial, tal não implica supressão do requerido sentido das palavras e, por conseguinte, tampouco invalida o sacramento (cf. idem). Diga-se o mesmo do caso de adição: é possível introduzir alguma palavra que corrompa tal sentido, o que, obviamente, torna inválido o sacramento. Se no entanto a adição não destrói o requerido sentido das palavras, tampouco se destruirá o sacramento (cf. idem). É o que se dá no Missal Romano: intercala-se a “Hoc est corpus meum” e a “Hic est calix sanguinis mei” a palavra enim (‘de fato’, ‘com efeito’, ‘verdadeiramente’, etc.), de modo que, sem nenhum prejuízo para o sacramento, fica assim a dupla forma da eucaristia: “Hoc est enim Corpus meum” e a “Hic est enim Calix Sanguinis mei”. É exatamente assim que se encontra também no Missal do “Novus Ordo Missæ”. A conclusão é imediata: pelo só ângulo da forma, a missa nova é válida.
Observação 1. Aqui não se considerará nenhuma possível alteração essencial da forma em missas novas singulares celebradas em vernáculo. Julgue-se segundo o exposto anteriormente.
Observação 2. Tampouco se considerará aqui o uso nessas missas da matéria da eucaristia. Diga-se apenas que nelas não raro se infringe o requerido para esta matéria.
III. A intenção do celebrante em geral (e na Eucaristia em particular)
1. Há quem afirme que se requer, para a validade do sacramento, a intenção mental do ministro. Mas tal afirmação não é em princípio de seguir, porque, como mostra Santo Tomás de Aquino (S. Th., III, q. 64, a. 8, ad 2), “o ministro do sacramento age como representante de toda a Igreja, da qual é ministro; nas palavras proferidas, exprime-se a intenção da Igreja, que é suficiente para a perfeição do sacramento, a não ser que o ministro [...] expresse exteriormente o contrário”. Em outras palavras, se não se dá este último caso, ou seja, se o celebrante não expressa de algum modo que não tem a intenção de fazer o que a Igreja faz, então a devida intenção do celebrante se manifesta antes de tudo pela proferição das mesmas palavras essenciais.
2. Ademais, “o ministro opera nos sacramentos instrumentalmente; não age por virtude própria, senão que o faz por virtude de Cristo” (Santo Tomás de Aquino, S. Th., III, q. 64, a. 9, c.). Por isso, assim como não se requer para a perfeição dos sacramentos que o ministro tenha caridade, assim tampouco se requer para tal que tenha fé. Em outras palavras, mesmo o ministro que não crê que esteja levando a efeito um verdadeiro sacramento pode levá-lo a efeito verdadeiramente, contanto que se cumpram a devida matéria, a devida forma e a devida intenção (ou seja, a de fazer o que a Igreja faz). E isso é assim porque, dada tal intenção, “o ministro do sacramento age na pessoa de toda a Igreja, cuja fé supre o que falta de fé ao ministro” (idem).
Observação. Alguns hereges e cismáticos não observam a forma do sacramento, e por isso não conferem o sacramento nem o efeito de sacramento. Já os hereges e os cismáticos que observam a forma sacramental da Igreja conferem, sim, o sacramento, mas não o fruto do sacramento (cf. Santo Tomás de Aquino, S. Th., III, q. 64, a. 9, ad 2). 
3. O ministro pode, porém, ter intenção perversa, que pode dar-se de dois modos.
a. Se se dá com respeito ao próprio sacramento – quando alguém, por exemplo, não tem intenção de conferir o sacramento, senão que age por burla ou escárnio –, então a perversidade suprime a verdade do sacramento, “precipuamente quando sua intenção se manifesta de modo exterior” (Santo Tomás de Aquino, S. Th., III, q. 64, a. 10, c.).
b. Se todavia a intenção perversa diz respeito a algo que se siga ao sacramento – como se alguém consagra a hóstia com a intenção de usá-la em feitiçaria –, então não suprime a verdade do sacramento, conquanto o ministro, ao fazê-lo, peque gravemente. Mas neste modo a intenção perversa não suprime a verdade do sacramento justo porque “o que vem antes não depende do que vem depois” (idem).
4. Quanto à intenção com que o celebrante procede a qualquer variação na forma, deve dizer-se que, se mediante uma adição ou mediante uma subtração ele pretende realizar um rito não conhecido da Igreja, então “não parece que se dê o sacramento, porque não parece que ele pretenda fazer o que a Igreja faz” (Santo Tomás de Aquino, S. Th., III, q. 60, a 8).
IV. O que a Igreja faz
1. Na eucaristia, como em qualquer outro sacramento, o que a Igreja faz é, antes de tudo, repetir à perpetuidade as palavras que são a substância da forma sacramental. Como dito, todavia, as palavras pronunciadas mais ou menos imediatamente em volta das palavras essenciais e o próprio rito como um todo concorrem para a perfeição completa da eucaristia (como, aliás, se dá em todos os sacramentos). Por isso, ter a intenção de fazer o que a Igreja faz ou sempre fez implica seguir a intenção mesma com que, como pessoa moral, ela o faz; e esta intenção, ou seja, a da Igreja, se traduz ou se expressa não só nas palavras substanciais da forma da eucaristia, mas no conjunto do rito da missa, como decorre de todo o visto até aqui.
2. Com efeito, ao confirmar, na Bula Apostolicæ Curæ (13/9/ 1896), a nulidade das ordenações anglicanas, escreveu Leão XIII: “No exame de qualquer rito ordenado a efetuar e administrar Sacramentos, faz-se correta distinção entre a parte que é cerimonial e a que é essencial, sendo a última comumente chamada ‘matéria e forma’. Todos sabem que os Sacramentos da Nova Lei, como signos sensíveis e eficientes da graça invisível, devem igualmente significar a graça que eles produzem, e produzir a graça que eles significam. Tal significação, conquanto deva dar-se em todo o rito essencial, ou seja, na ‘matéria e forma’, pertence todavia principalmente à ‘forma’, uma vez que a ‘matéria’ é por si mesma parte não determinada, que é determinada por aquela”. Mas Leão XIII confirmou a nulidade ou invalidade das ordenações anglicanas ainda que, após de um tempo de hesitações e de alterações, o anglicanismo tivesse voltado à correta forma do sacramento. Ora, o papa não o poderia ter feito se não fosse porque havia em tais ordenações defeito de intenção. Aqui, no entanto, tratava-se da intenção da pessoa moral do anglicanismo. Logo, que o ministro ou celebrante deva ter intenção de fazer o que a Igreja faz ou sempre fez implica que deva tê-la conforme à intenção da pessoa moral da mesma Igreja e ao modo como a traduz ou expressa.
V. A intenção do “Novus Ordo Missæ”
1. Para entender com que intenção se promulgou o “Novus Ordo Missæ”, ou seja, a missa nova, siga-se o “Breve Exame Crítico” que o Cardeal Ottaviani e o Cardeal Bacci enviaram ao mesmo Paulo VI.*
a. No “Novus Ordo”, “o Mistério da Cruz já não é expresso explicitamente, mas de forma algo obscura, com palavras falseadas que não podem ser percebidas pelo povo”. 
b. Tal se confirma pelo sentido atribuído pelo “Novus Ordo” à “Prece Eucarística”, sentido que “revela também uma mudança de doutrina”; pelo fato de que no “Novus Ordo” “a Presença Real perdeu seu lugar verdadeiramente central”: nele, com efeito, “a mesma palavra Transubstanciação é totalmente ignorada”, abolem-se genuflexões, abluções dos dedos sobre o cálice, a necessária purificação imediata dos vasos sagrados, a ação de graças e a comunhão de joelhos, etc.; pela nova função do altar (ou “mesa”); etc.
c. Mais que tudo isso, “a antiga fórmula da Consagração era clara e propriamente sacramental, mas não meramente narrativa, enquanto as três considerações seguintes parecem demonstrar que no Novus Ordo se insinua o contrário:
 Já não se reproduz literalmente o texto da Sagrada Escritura; ademais, a inserção das palavras paulinas ‘Mysterium Fidei’ significava a imediata confissão de fé que devia proferir o sacerdote diante do Mistério operado pela Igreja através de seu sacerdócio hierárquico.
 A nova pontuação das palavras e a nova tipografia. Com efeito, no antigo Missal o próprio ponto e parágrafo significava claramente a passagem do modo narrativo ao modo sacramental e afirmativo, e as mesmas palavras consecratórias se traçavam com letras maiúsculas e no meio da página; mais ainda, eram amiúde escritas também em cor diferente, de maneira que se separassem do contexto meramente histórico, e todas estas coisas, aliás, conferiam sapientissimamente a toda a fórmula consecratória uma força própria de significação absolutamente individual e singular.
• A anamnese (‘Quantas vezes fizerdes estas coisas, fá-las-ei em memória de mim’), que em grego se diz assim: ‘eis tén emoú anámnesin’. A anamnese no Cânon Romano referia-se a Cristo operante em ato, mas não à mera memória de Cristo ou de um mero acontecimento; mandava-se-nos recordar o que Ele mesmo fizera (‘… estas coisas fareis em memória de mim’), e o modo como Ele as fizera, mas não unicamente sua pessoa ou sua ceia. Em contrapartida, a fórmula paulina (‘Fazei isto em comemoração de mim’), que no Novus Ordo substitui a antiga fórmula − repetida todos os dias nas línguas vernáculas −, mudará irreparavelmente a força mesma do significado na mente dos ouvintes, de modo tal que a memória de Cristo, que deve ser o princípio da ação eucarística, pareça converter-se no termo único desta ação ou rito. Ou seja, a ‘comemoração’, que encerra a fórmula da consagração, ocupará pouco a pouco o lugar da ‘ação sacramental’.
A forma narrativa é agora ressaltada de fato pelas mesmas palavras na Instrução oficial: ‘Narração da Instituição’ (n.o 55 d) [...]”.
2. Em outras palavras, a intenção com que se promulgou o “Novus Ordo Missæ” é a mesma com que se levou a efeito o Concílio Vaticano II: a de subverter a Igreja e sua doutrina, tornando-as palatáveis para os protestantes e para os membros das demais religiões. É a intenção da heresia modernista ou neomodernista que, num golpe de mestre de Satanás (segundo a tão precisa expressão de Dom Lefebvre), ocupou a hierarquia da Igreja. O resultado de tal intenção e de tal golpe e ocupação pode ver-se no papado de Francisco, de cores apocalípticas e firmemente tendente a demolir todo o essencial da fé.
VI. Da validade ou invalidade da missa nova
1. O chamado eclesiavacantismo tende a concluir do visto acima que a missa nova é sempre e inevitavelmente inválida, como o são as ordenações anglicanas, por defeito de intenção. Mas tal parecer resulta da omissão de uma série de considerações e de distinções que é necessário fazer neste caso, como em todo o respeitante à chamada Igreja conciliar (ou seja, a resultante da referida ocupação).
a. Antes de tudo, o neomodernismo que ocupou a hierarquia da Igreja quis exatamente agir de modo diferente de como o fizera o protestantismo: quis permanecer na Igreja e falaciosamente convencer de que sua doutrina, de todo proscrita pelo magistério infalível anterior, não é senão continuidade da verdadeira doutrina católica: trata-se da falsa “hermenêutica da continuidade”, acentuada por Bento XVI, mas presente em todo o discurso dos que mediante o Concílio Vaticano II ocuparam a hierarquia. A mestria deste golpe, portanto, verifica-se antes de tudo no fato mesmo de que, ao ocuparem a hierarquia a começar do papado, os neomodernistas se puseram fora do alcance de qualquer efetivo julgamento canônico.    
b. Depois, para darem cor de verdade à sua “hermenêutica da continuidade”, os ocupantes tiveram de manter muitas coisas essenciais, ainda que em meio de tantas desfigurações circunstantes, como os vimos fazer com a missa: mantida a forma, cercaram-na de palavras e de todo um cerimonial que a desfiguram e subvertem. Mas, o que convém a tal “hermenêutica”, não o fizeram de maneira que absolutamente não se pudesse considerar de algum modo que não a desfiguravam e subvertiam, senão que apenas a tratavam de modo diferente mas ainda justo, ou que, se a desfiguravam e subvertiam, não o faziam de modo que fosse impossível uma utilização tradicional do missal novo. E, com efeito, sempre houve (e segue havendo, do que nós mesmo podemos dar testemunho) sacerdotes que julgavam (ou julgam) que o fim da missa nova não é distinto do da de sempre, e que portanto a celebram com o espírito de que estão fazendo o que a Igreja sempre fez; ou que, conquanto cientes de tal desfiguração e subversão, mas tomados de uma falsa concepção de obediência, não veem como esquivar a missa nova e a rezam com a intenção sacrifical e propiciatória com que a Igreja sempre ministrou a eucaristia.
2. Como porém não é difícil de concluir, os da primeira classe (os que julgam que o fim da missa nova não é distinto do da de sempre, e que portanto a celebram com o espírito de que estão fazendo o que a Igreja sempre fez) dificilmente ministram um sacramento válido: precisamente porque consideram que o que a Igreja sempre fez na eucaristia é o que o “Novus Ordo” quer que se faça. Mas os da segunda classe (os que, cientes embora da desfiguração e subversão que traz o “Novus Ordo”, mas, tomados de uma falsa concepção de obediência, não veem como esquivar a missa nova e a rezam com a intenção sacrifical e propiciatória com que a Igreja sempre ministrou a eucaristia), provavelmente a celebram de modo válido: porque, insista-se, então se dariam ou se dão a devida matéria, a devida forma e a devida intenção. E devemos considerá-lo assim precipuamente se estes celebrantes expressam de modo exterior tal intenção, ou por algum sinal, ou por palavras, como na homilia. Note-se, contudo, a tenuidade e a incerteza que cercam a missa nova mesmo nestes casos, o que não vem senão reforçar a ilicitude de sua celebração e da assistência a ela.**
3. Ademais, como dizia Dom Lefebvre, “haverá cada vez mais missas inválidas devido à formação dos sacerdotes jovens que não terão a intenção de fazer realmenteo que a Igreja faz. Fazer o que a Igreja faz, isto é, fazer o que a Igreja sempre fez, o que a Igreja faz de maneira − quase ousaria dizer, se tal se pode dizer − eterna. Desse modo, esses jovens sacerdotes não terão a intenção de fazer o que a Igreja faz, porque não lhes ensinaram que a Missa é um verdadeiro sacrifício. Eles não terão a intenção de fazer um sacrifício, terão a intenção de fazer uma Eucaristia, um compartilhar, uma comunhão, um memorial, o que não tem nada que ver com a fé no sacrifício da missa. Assim, neste ponto, à medida que esses sacerdotes deformados já não tiverem a intenção de fazer o que a Igreja faz, as missas serão cada vez mais obviamente inválidas” (Conferência espiritual em Ecône, 8 de fevereiro de 1979). Não foi outra a conclusão do Cardeal Ottaviani e do Cardeal Bacci em seu já citado estudo: “[...] os sacerdotes que num futuro próximo não tiverem sido instruídos segundo a doutrina tradicional e que simplesmente se fiarem no Novus Ordo com a intenção de ‘fazer o que a Igreja faz’, esses consagrarão em verdade validamente? É lícito duvidar disso.
4. Por dramático pois que seja o quadro de invalidade e de dúvida que cerca a missa nova, todo o dito acima, e em especial a prudência de homens como Dom Marcel Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer e como o Cardeal Ottaviani e o Cardeal Bacci – nenhum dos quais nunca afirmou a impossibilidade absoluta de que a missa nova fosse válida –, impede ou deveria impedir a conclusão de que esta seja “inevitavelmente” inválida. Ainda que cada vez mais dificilmente, a missa nova épossivelmente válida, sem que, insista-se, seja nunca per se e simpliciter lícita.
Observação final. Na ciência alcançável pelas luzes da razão, alcança-se a certeza seguindo as regras da demonstração estabelecidas por Aristóteles em seusAnalíticos. Quanto se trata da Teologia Sagrada, no entanto, ainda que se possa concluir de certo modo segundo as mesmas regras aristotélicas, nunca se alcançará certeza perfeita sem decisão infalível do magistério (ou seja, quando cingida propriamente ou analogamente das chamadas quatro condições vaticanas). Assim, conquanto as ordenações anglicanas tivessem sido nulas ou inválidas desde o início, não se confirmou infalivelmente que fossem tais senão quando o estabeleceu Leão XIII. Por conseguinte, tenhamos por pressuposto que todas as nossas conclusões com respeito à Igreja conciliar e suas mazelas ainda necessitam ser postas ou pelo magistério infalível ou, no juízo final, por Cristo mesmo, aos pés dos quais havemos de depor toda a nossa ciência relativa à fé e aos costumes.        




* Vide também El problema de la reforma litúrgica – La Misa del Vaticano II y de Pablo VI, Argentina, Fraternidad Sacerdotal San Pío X, 2001.

segunda-feira, janeiro 25, 2016

Casa de Sonho

A Casa da Rainha no Hamlet: Petit Trianon


Um recanto rústico construído para a Rainha em Versailles, 1786, Hameau de la Reine.

Via

sábado, janeiro 23, 2016

Comentários Eleison: Parasita e Hospedeiro - I



Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDXLV (445) - (23 de janeiro de 2016)

PARASITA E HOSPEDEIRO - I


Assim como sem o bem o mal não existe,
Sem a verdadeira Igreja a Neoigreja não subsiste.

O motivo de eu ter dito seis meses atrás que um padre não está obrigado, em todas as situações, a proibir um católico de assistir à Nova Missa (NOM) não foi obviamente afirmar que está tudo perfeitamente bem em assistir ao NOM. O rito da Nova Missa é, em si mesmo, o ato central de culto da falsa religião do Vaticano II centrada no homem, cujo despertar se deu em 1969. De fato, a obrigação de manter-se longe do NOM é proporcional ao conhecimento que uma pessoa tenha sobre o quão mau ele é. O NOM tem contribuído enormemente para que um incontável número de católicos perca a fé quase sem perceber.

Mas existem dois fatores que, mesmo nos dias de hoje, têm tornado mais fácil os católicos serem enganados pelo NOM. Em primeiro lugar, ele foi imposto a toda a Igreja de rito latino, porque o Papa Paulo VI fez de tudo que pôde para parecer que o rito fora imposto pela força de sua autoridade papal, a qual em 1969 parecia imensa. Ainda hoje o NOM passa como o rito “ordinário”, enquanto a Missa de sempre é oficialmente reduzida a um rito “extraordinário’. Desse modo, mesmo 47 anos depois, um católico honesto pode sentir-se ainda obrigado pela obediência a assistir ao NOM. É claro que na realidade não pode haver tal obrigação, porque nenhuma lei da Igreja pode obrigar um católico a pôr sua fé em perigo, o que ele normalmente faria se fosse ao NOM, tamanha é a falsidade deste.

Em segundo lugar, o NOM foi introduzido paulatina e notavelmente, por uma série de mudanças habilidosamente graduadas, em 1962, 1964 e 1967, de modo que a revolução generalizada de 1969 encontrou católicos prontos para a novidade. De fato, ainda hoje o rito do NOM inclui opções para o celebrante, que torna a este possível celebrá-lo como uma cerimônia de puro sangue da nova religião humanista, ou como uma cerimônia que lembra a verdadeira Missa, semelhante o suficiente para enganar muitos católicos, fazendo-os acreditar que não há diferença significante entre o velho e o novo rito. É claro que na realidade, como Monsenhor Lefebvre sempre dizia, é melhor o velho rito numa língua moderna, que o novo rito em latim, por causa da diminuição ou clara falsificação da doutrina católica da Missa no NOM.

Além destes dois fatores, a imposição oficial das mudanças e o caráter às vezes opcional destas, intrínsecos ao NOM, são mais que suficientes para explicar porque hoje deve haver milhares de católicos que querem e pretendem ser católicos ainda que assumam que a maneira correta de agir é assistir ao NOM todo domingo. E quem ousará dizer que em meio a essa multidão não há pessoas que ainda estejam alimentando sua fé obedecendo o que lhes parece ser (subjetivamente) sua obrigação (objetiva)? Deus é seu juiz, mas por quantos anos simplesmente a maioria dos seguidores da Tradição católica não teve de ir ao NOM antes de compreender que sua fé a obrigava a não fazer isto? E se o NOM os tivesse feito perder a fé por todos estes anos, como teriam eles chegado à Tradição católica? Dependendo de como o celebrante usa as opções do NOM, nem todos os elementos que podem nutrir a fé são necessariamente eliminados, especialmente se a consagração é válida, uma possibilidade que ninguém que saiba sua teologia sacramental pode negar.

Entretanto, dados a fraqueza da natureza humana e o risco de encorajar os católicos a seguirem a nova e fácil religião por causa destas últimas palavras ditas em favor de seu rito central de culto, por que então dizer uma palavra em favor de qualquer característica da Neoigreja? Por ao menos duas razões. Em segundo lugar, para afastar o desprezo potencialmente farisaico em relação aos crentes que estão fora do movimento tradicional; e, em primeiro lugar, para afastar o que começa a ser chamado de “eclesiavacantismo”, a saber, a ideia de que na Neoigreja não restou nada de católico. Em teoria, a Neoigreja é pura podridão, mas na prática essa podridão não pode existir sem algo que ainda não apodreceu e que está ali com potência para apodrecer. Todo parasita necessita de um hospedeiro. Tendo esse particular hospedeiro: a verdadeira Igreja, desaparecido completamente, não teriam então as portas do inferno prevalecido sobre ela? Mas isto é impossível (Mt. XVI, 18).
                                                                                                                                          
Kyrie eleison.

quinta-feira, janeiro 21, 2016

Se Dom Lefebvre era eclesiavacantista



1) Antes de tudo, leiam-se as palavras de D. Lefebvre na famosa Declaração de 21 de novembro de 1974: “Aderimos de todo o coração e com toda a alma à Roma católica, guardiã da Fe católica e das tradições necessárias para a manutenção dessa Fé, à Roma eterna, mestra de sabedoria e de verdade. Em contrapartida, negamo-nos (como nos negamos sempre) a seguir a Roma de tendência neomodernista e neoprotestante, que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II, e, depois do Concílio, em todas as reformas que surgiram ele.” Logo, dizem os eclesiavacantistas, há duas Romas, a Igreja Católica e a “igreja conciliar”, e  existem separadamente.

Veja-se porém que D. Lefebvre distingue as duas Romas ou igrejas, mas não as considera como existindo separadamente uma da outra. Por isso diz mais adiante na mesma declaração que “nenhuma autoridade, nem sequer a mais elevada Hierarquia, pode obrigar-nos a abandonar ou a diminuir nossa Fé católica”. Ora, nestas palavras há um reconhecimento da autoridade da Hierarquia oficial. Continua: “Não é isso o que hoje em dia nos repete o Santo Padre? E, se manifestasse certa contradição em suas palavras e em seus atos bem como nos atos dos dicastérios, então optamos pelo que sempre se ensinou e fazemos ouvidos moucos às novidades destruidoras da Igreja (…) prosseguimos nossa obra (…) persuadidos de que podemos prestar melhor serviço à Santa Igreja Católica, ao Sumo Pontífice e às gerações futuras.” Pois, é EVIDENTE que D. Lefebvre reconhece aqui o Papa enquanto tal e aos dicastérios romanos como fazendo parte da Igreja.

2) Eis outras palavras de D. Lefebvre interpretadas no sentido eclesiavacantista: “Eu digo: Roma perdeu a fé, queridos amigos. Roma está na apostasia.  Não estou dizendo palavras vazias! Essa é a verdade! Roma está na apostasia! Já não podemos ter confiança nessa gente. Eles abandonaram a Igreja! Eles abandonaram a Igreja! É verdade, é verdade. Não podemos entender-nos. É isso, asseguro-lhe, é a síntese. Não podemos seguir essa gente. Verdadeiramente estamos diante de gente que já não tem o espírito católico, que já não tem o espírito católico. É a abominação, verdadeiramente a abominação. Podemos dizer que essas pessoas que ocupam Roma atualmente são anticristos” (Conferência em Ecône, 4-9-1987).

Mas, se D. Lefebvre realmente julgasse que Roma se encontra em todos os sentidos fora da Igreja, nem haveria firmado o protocolo de acordo com Roma oito meses depois (maio de 1988), nem teria dito, pouco tempo depois, estas palavras, entre muitas outras: “(…) supondo que daqui a certo tempo Roma faça um chamado, que queira voltar a ver-nos, retomar o diálogo, nesse momento seria eu quem imporia as condições” (…) (Fideliter66, 1988).  “Durante os últimos contatos que tive em Roma, várias vezes quis sondar suas intenções, medir se verdadeiramente havia uma mudança verdadeira. (…) Se fui discutir em Roma, é porque eu queria ver se podia chegar a um acordo com as autoridades da Igreja” (…) (Fideliter68, 1989).

E isto é mais que suficiente para desvincular D. Lefebvre do eclesiavacantismo, embora se pudessem dar outros numerosos exemplos.

Leia também:

quarta-feira, janeiro 20, 2016

Comentários Eleison: Caos Incompreensível?

Comentários Eleison - por Dom Williamson

CDXLIV (444) (16 de janeiro de 2015):

CAOS INCOMPREENSÍVEL?



Se todas as amarras da minha mente eu soltar,
Como posso ficar surpreso quando o caos eu constatar?

Um leitor crítico destes “Comentários”, dos Estados Unidos, fez algumas observações inteligentes há alguns meses. Ei-las: “Aliberdade religiosa’ está realmente começando a empoleirar-se aqui, nas colônias. Um juiz federal “católico” prendeu um ministro protestante do condado porque este se recusou a assinar licenças de casamento entre pessoas do mesmo sexo. Os defensores bem-intencionados do ministro continuam a citar a “liberdade religiosa”, sem entender que ela é precisamente o problema, não a solução. Incrível. Caímos num caos moral, e ninguém parece entender o porquê.” “Caímos num caos moral, e ninguém parece entender o porquê”. Justas palavras! Mas os “tradicionalistas” que levam a Tradição seriamente deveriam ser capazes de solucionar a questão.

Isso porque, se eu levo a Tradição seriamente, compreendo que a DOUTRINA vem primeiro, ou seja, que a religião católica não é só sentimentalismos, moralidade e a Missa, mas realidades doutrinais que governam tanto a moral quanto a Missa. Essas realidades começam pela existência de Deus Todo-Poderoso, do qual toda a criação depende, a todo o momento, para ser mantida na existência, já que Ele poderia pará-la sem causar a menor alteração em Si mesmo. Ele, por Si mesmo, cria cada alma humana no momento de sua concepção, de modo que ela usará o livre-arbítrio de que foi dotada para escolher viver e morrer de acordo com a Lei moral imutável d’Ele. Deste modo, ela pode passar no Céu a sua eternidade, na bem-aventurança com o próprio Deus. Mas para que o livre-arbítrio seja genuíno, deve significar também que aquelas almas podem escolher quebrar a Lei d’Ele. Se não se arrependerem, escolherão passar a eternidade desafiando-O no inferno. Assim, essas almas serão arruinadas, mas não a Lei de Deus. A Lei é resumida nos Dez Mandamentos, e não é arbitrária, pois serve à natureza humana para a qual foi feita, tal qual o manual de um fabricante corresponde à máquina para o qual ele foi feito.

Bem, o sexto e o nono mandamentos instruem os seres humanos a fazer bom uso do mecanismo reprodutivo construído em seus corpos. Esse mecanismo não é um brinquedo, mas um instrumento sagrado desenhado por Deus para a formação de famílias humanas aqui embaixo com a finalidade de povoar o céu acima. Nem dois homens sozinhos nem duas mulheres sozinhas podem ter filhos e formar uma família, e já que a povoação do céu é assunto sagrado, então qualquer quebra desses dois mandamentos rapidamente se torna grave o suficiente para merecer a eterna danação. “De Deus não se zomba” – Gálatas VI, 7. Assim, a frustração do ato do matrimônio por pessoas do mesmo sexo é uma das quatro ofensas contra Deus que clama vingança do céu, como ensina a Igreja Católica, e além disso o “matrimônio” entre pessoas do mesmo sexo é um escárnio à sagrada instituição de Deus. Em toda essa doutrina não há uma vírgula de caos.

Então, de onde vem o caos? Do liberalismo. Da falsa religião do liberalismo. Da feitura de um ídolo da liberdade. Por isso, em Romanos I, São Paulo assinala insistentemente que esse pecado específico, que clama vingança do céu, deriva da idolatria. É depois de os homens quebrarem o primeiro mandamento que Deus os abandona às práticas deploráveis contra o sexto mandamento, sem dúvida esperando que a inequívoca vileza de sua ruptura os desperte mais tarde da vileza muito maior em si mesmos, mas menos fácil de reconhecer, para quebrar a anterior. Que nossa liberdade de um ideal tornou-se um ídolo é algo que está mais e mais difícil de reconhecer em nossos dias, porque a idolatria pela liberdade religiosa é algo que já vem de mais de duzentos anos, e nada parece mais natural. Os homens perderam todo o senso do verdadeiro Deus. Ao contrário, a liberdade religiosa é a liberdade suprema, sem a qual todas as outras liberdades parecem pequenas. 

E a liberdade termina por desarticular as mentes das pessoas. Qualquer verdade ou realidade que pretenda impor-se a si mesma na minha mente é uma diminuição de minha liberdade, e então eu me recuso a reconhecê-la, a menos que me sirva. Muitas regras morais não me servem. Recuso-as, em nome da liberdade. Desço ao caos moral, convencido de que estou exercitando um direito sagrado, por isso não consigo entender por que terminei em caos, mental, e então social. Mas confundi minha mente, e deixei minha sociedade à deriva. O caos é completamente compreensível.

Kyrie eleison.