quinta-feira, março 31, 2016

Respostas a acusações levantadas recentemente contra Bispos da Resistência – I

Por R. de Souza


Sobre árvores e seus frutos:

Pretendemos aqui demonstrar que um estimado sacerdote não se tem guiado pela razão em seus recentes posicionamentos, mas por alguma paixão; e quando se é movido por alguma paixão, há o sério risco de se distanciar da Fé (e como bem se sabe, corruptio optimi pessima). Que Nosso Senhor não o permita.
Ressaltemos que nossa intenção é não outra que a de contribuir de alguma forma com os fieis que ainda se encontram indecisos, e quiçá com um ou mais fieis e sacerdotes mais firmes em suas atuais posturas, em especial o padre que aqui citamos, a fim de que reflitam melhor sobre a susceptibilidade de nossa condição humana, sobre os tropeços que qualquer um de nós pode dar, e então voltem a combater o bom combate.
Assim, se for da vontade de Nosso Senhor, que produza bons frutos.

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1- É verdade que Dom Williamson teria tentado corrigir Nosso Senhor Jesus Cristo?

R. Não. Essa infeliz acusação foi feita pelo Pe. Cardozo, neste vídeo:  https://www.youtube.com/watch?v=ID21OwqT19Y, a partir de 14min e 44seg, quando diz:
Nos Eleison de 29 de novembro, Williamson, Monsenhor Williamson disse: Bom, mas a árvore má pode dar mais ou menos bons frutos; a árvore boa pode dar mais ou menos bons frutos”. Senhores, se nos pomos a pensar, é um bispo que se diz católico que está a corrigir à mesmíssima sabedoria infinita. Parece que Jesus Cristo não sabia de metafísica e de botânica. Coitado!

E neste outro, em que recusa o debate proposto pelo professor tomista Carlos Nougué: https://youtu.be/L1ArWCyWyYU, a partir de 2min e 39seg, quando diz:
            Eu parto do seguinte: quando uma pessoa corrige Nosso Senhor Jesus Cristo, quando uma pessoa, por exemplo, quando Jesus Cristo disse: a árvore boa não pode dar fruto mau, etc. e vem outro e disse “não, sim, há frutos mais ou menos bons”, e “esses” (os que apoiam o bispo) não se escandalizam...

2- Mas não foi isso o que disse Dom Williamson nos Comentários Eleison de 29 de novembro de 2014?

R. Não. Ele não disse que uma árvore boa e uma árvore má podem dar frutos mais ou menos, como afirmou o padre, mas precisamente que: uma árvore metade boa e metade má pode produzir frutos metade bons e metade maus. No entanto, se vista como um todo, uma mistura de bem e mal é má, mas isto não significa que, ao ser vista parte por parte, as boas partes da mistura sejam más como as partes más. Um câncer no fígado me matará, mas isso não significa que eu tenha câncer nos pulmões. Ora, nenhum homem da Igreja vivente, como qualquer homem vivo, é completamente bom ou completamente mau.

3- De fato, o padre distorceu as palavras de Dom Williamson. Mas ainda assim, não está o Bispo a realmente tentar “corrigir” Nosso Senhor?

R. Não. Ele está apenas a aplicar a parábola a outro objeto, (a saber, os Papas conciliares como entes humanos) diferente daquele abordado por Nosso Senhor Jesus Cristo, que é, segundo Santo Tomás, a vontade e os consequentes atos externos, no âmbito da Fé: a vontade perversa dos “falsos profetas”, as “árvores más” que levam à perdição, os maus frutos, (em oposição à boa vontade dos verdadeiros profetas, as “árvores boas” que produz bons frutos que conduzem à salvação).
São Jerônimo fez o mesmo: Perguntamos aos hereges que admitem em si mesmos duas naturezas contrárias: se, segundo seu modo de pensar, uma árvore boa não pode produzir maus frutos, como então Moisés, árvore boa, pecou junto às águas da contradição (Nm 26,72), São Pedro negou ao Senhor na paixão dizendo: ‘Não conheço esse homem’, e o sogro de Moisés, árvore má que não cria no Deus de Israel, lhe deu um bom conselho? (Referências aqui: http://www.estudostomistas.com.br/2016/03/diz-sao-jeronimo-ao-comentar-mateus-15.html).

4- Neste texto, sem reconhecer o equívoco cometido anteriormente, e que não fora justo, o Pe. Cardozo, agora usando a verdadeira citação, acusa Dom Williamson de modificar o sentido das Escrituras:

R. No contexto em que Dom Williamson aplica a parábola, ou seja, aos Papas conciliares como entes humanos, evidencia-se a possibilidade para menção ao meio termo, ou seja, à árvore doente, que é parcialmente boa e parcialmente má. Note que o objeto da analogia aqui é o sujeito da vontade e dos atos externos, e, portanto, em nada altera o que diz Nosso Senhor em relação à vontade e aos atos externos no âmbito da Fé.
Ademais, Nosso Senhor não diz em momento nenhum que literalmente existem somente árvores boas e árvores más, e que então não existiriam árvores doentes, mais ou menos boas e mais ou menos más. Também não diz que está proibido estabelecer analogias entre árvores boas e más e qualquer outra coisa que não a vontade e os atos externos. Também não o faz o Magistério.

5- Está definido em Concílio, sob pena de excomunhão, que “a ninguém é permitido interpretar a mesma Sagrada Escritura contrariamente a este sentido (o que é dado pela Santa Madre Igreja) ou também contra o consenso unânime dos Santos Padres”. Poderia aclarar mais a questão?

R. O que diz Dom Williamson não contraria, não “corrige”, apenas acrescenta à parábola quando esta é aplicada a outro objeto. Acrescentar em um âmbito não é contrariar nem corrigir em outro, e, portanto, não existe motivo para condenação. A parábola utilizada por Nosso Senhor é o que é: um discurso alegórico, ilustrativo, um artifício lingüístico; e uma parábola pode ser aplicada a vários contextos distintos, contextos que podem até mesmo modificar sua configuração original sem que o mesmo sentido de seu emprego original seja minimamente afetado. E se o sentido original não é afetado, isto quer dizer que o entendimento sobre o objeto original da parábola permanece intacto.
Em outras palavras, quando Dom Williamson diz que um Papa conciliar é uma árvore parte boa e parte má, não está com isso negando que a vontade má de um falso profeta só poderá produzir maus frutos e que a vontade boa de um profeta produzirá bons frutos, ou seja, não está modificando em nada as palavras de Nosso Senhor, o sentido pretendido por Ele.

6- O Pe. Trincado afirmou que as parábolas de Cristo não são definições dogmáticas. Que dizer disto?

R. Todo dogma é uma verdade revelada por Deus, mas nem toda verdade revelada por Deus é considerada formalmente um dogma. Segundo o Manual de Teologia Dogmática (Ludwig Ott. Herder, Barcelona, 1966, pg.30), dogma é uma “verdade diretamente (formalmente) revelada por Deus e proposta como tal pela Igreja para ser crida pelos fieis”.
Vejamos também o que diz o Dicionário de Teologia Dogmática (Parente, Piolanti & Garofalo. Editorial Litúrgica Española, Barcelona, 1955, pg. 112): “O dogma em sentido material é uma verdade contida nas fontes da divina Revelação; em sentido formal, é uma verdade revelada por Deus e proposta como tal pelo Magistério da Igreja aos fieis obrigando-os a crer nela”.
Relacionemos agora este sentido formal ao que diz o mesmo dicionário (pg. 99) sobre Definição Dogmática: "É a solene declaração da Igreja sobre uma verdade contida nas fontes da divina Revelação (Sagrada Escritura e Tradição) e proposta aos fieis, que se veem, portanto, obrigados a crer nela...”.
Ora, como bem observa o mesmo Pe. Trincado, a Igreja nunca propôs nada sobre árvores e frutos bons e maus, e se é assim, não estamos diante de uma definição dogmática, tal como afirmado pelo sacerdote. 

7- Mesmo depois ter criticado as palavras precisas de Dom Williamson, o Pe. Cardozo voltou a acusá-lo equivocadamente de ter dito que “as árvores boas dão frutos mais ou menos maus, e vice-versa”, e pôs-se ainda a acusar Dom Tomás de ratificar isto, e a Dom Faure de omissão por não corrigi-los (aqui: http://farfalline.blogspot.com.br/2016/03/las-oscuras-clarificaciones-de-dom-tomas.html).

R. Ele, consciente disto ou não, tem insistido no uso do argumento sofístico conhecido por “falácia do espantalho”, em que representa enganosamente o que foi dito por seu adversário para então poder criticá-lo.
Eis o que de fato disse Dom Tomás: “Uma árvore má dá maus frutos e uma árvore boa dá bons frutos. Um fruto é bom ou é ruim. Ponto final. Infelizmente a realidade é mais complexa. Santo Tomás diz que a árvore má é a vontade perversa. Uma vontade perversa não pode dar frutos bons, mas o mesmo homem pode, ora dar frutos bons, ora dar frutos maus, pois o mesmo homem pode pecar como São Pedro pecou e se arrepender como São Pedro se arrependeu. O mesmo homem pode ter uma vontade perversa e, tocado pela graça, pode ser justificado e vir a ter uma vontade boa” (mais aqui: http://www.nossasenhoradasalegrias.com.br/2016/03/esclarecimentos-por-dom-tomas-de-aquino.html).
            Explica também o Pe. Trincado que uma ação pode ser uma mistura de intenções boas e más, tal como o exemplo de alguém que dá uma esmola por caridade e ao mesmo tempo para passar a imagem de sujeito caridoso, e o de alguém que explica a verdade e se vangloria. Está este alguém a dar um fruto meio bom e meio mau.
            Repetimos, por fim, que aplicar a analogia ao sujeito da vontade e do ato exterior consequente não compromete em absolutamente nada a sua aplicação em relação à própria vontade e ao ato exterior consequente, ou seja, o que diz Dom Williamson e Dom Tomás, bem como o que diz São Jerônimo, autor da Vulgata, em nada modifica o que diz Nosso Senhor.

8- Posso concluir então que estamos nitidamente diante de um mau fruto produzido pelo Pe. Cardozo?

R. Sim, infelizmente. Se o que dizem Dom Tomás e Dom Williamson é certo, então o Pe. Cardozo, como todo ente humano, é uma árvore mais ou menos boa e mais ou menos má. Por outro lado, se só existissem árvores boas e árvores más como o padre mesmo tem defendido, então se poderia afirmar, por suas acusações que aqui provamos serem tecidas sobre distorções, e, portanto, injustamente, ou seja, um fruto mau, que ele mesmo seria uma árvore má. Sabemos, porém, que isto não é verdade, e esperamos que ele possa se dar conta de seu desvio (algo a que todo católico está susceptível até o derradeiro suspiro) o quanto antes, e retome o bom caminho, dando continuidade ao que vinha-se mostrando até o ano passado um admirável trabalho missionário.

Decretos dogmáticos sobre a interpretação das Escrituras


a) Concílio de Trento
“Decreta também com a finalidade de conter os ingênuos insolentes, que ninguém, confiando em sua própria sabedoria, se atreva a interpretar a Sagrada Escritura em coisas pertencentes à fé e aos costumes que visam a propagação da doutrina Cristã, violando a Sagrada Escritura para apoiar suas opiniões, contra o sentido que lhe foi dado pela Santa Amada Igreja Católica, à qual é de exclusividade determinar o verdadeiro sentido e interpretação das Sagradas Letras; nem tampouco contra o unânime consentimento dos santos Padres, ainda que em nenhum tempo se venham dar ao conhecimento estas interpretações” (Sessão IV).

b) Concílio Vaticano I

“Todavia, já que o salutar decreto dado pelo Concílio Tridentino sobre a interpretação da Sagrada Escritura para corrigir espíritos petulantes é erradamente exposto por alguns, Nós, renovando o mesmo decreto, declaramos que o seu sentido é que, nas coisas da fé e da moral, pertencentes à estrutura da doutrina cristã, deve-se ter por verdadeiro sentido da Sagrada Escritura aquele que foi e é mantido pela Santa Madre Igreja, a quem compete decidir do verdadeiro sentido e da interpretação da Sagrada Escritura; e que, por conseguinte, a ninguém é permitido interpretar a mesma Sagrada Escritura contrariamente a este sentido ou também contra o consenso unânime dos Santos Padres” (Decretos Dogmáticos do Concílio Vaticano I, cap. 2).
 

Sobre árvores e frutos - Diz São Jerônimo ao comentar Mateus VII, 15-20:


“Perguntamos aos hereges que admitem em si mesmos duas naturezas contrárias: se, segundo seu modo de pensar, uma árvore boa não pode produzir maus frutos, como então Moisés, árvore boa, pecou junto às águas da contradição (Nm 26,72), São Pedro negou ao Senhor na paixão dizendo: ‘Não conheço esse homem’, e o sogro de Moisés, árvore má que não cria no Deus de Israel, lhe deu um bom conselho?” [extraído da Catena aurea de Santo Tomás de Aquino].


Fonte: Estudos Tomistas

Mais advertências sobre o Pe. Pfeiffer



OTRA ADVERTENCIA A LOS FIELES ACERCA DEL P. PFEIFFER

COHERENCIA ABANDONADA

 

 

quarta-feira, março 30, 2016

O Padre Pfeiffer e o falso bispo Moran: é um dever avisar os fiéis



O "Bispo" Moran com P. Pfeiffer e Gregory Taylor, editor de "The Recusant"


"Infelizmente, é evidente a necessidade de denunciar estas ações com os dois estudos do caso Moran. Se não o fizermos, há um grave perigo de comprometer os princípios e a unidade da Resistência Católica. Nós, como Católicos, não podemos tolerar que aqueles que afirmam combater pela Fé Católica se associem com um comprovado cismático e impostor."  
P. Juan Carlos Ortiz  


É importante que os fiéis da Resistência fiquem atentos ao que está acontecendo. Vejam bem com quem o Padre Pfeiffer e o Padre Hewko estão se associando. Existe um estudo de 36 páginas do Padre Ortiz que mostra que o tal "Bispo" Moran, não é bispo de coisa alguma, muito menos da Igreja Católica. Agora, vocês podem se perguntar, por que ir atrás de um "Bispo" de passado duvidoso, de referências tão obscuras?


"Está claro que os Padres queriam forçar o Bispo [Williamson] a ordenar seus seminaristas, mas sem cumprir com as demandas do Bispo. Esta foi a causa principal que deu início a oposição entre o P. Pfeiffer e Mons. Williamson. Daí o desespero dos Padres para encontrar um “bispo” para ordenar seus seminaristas a qualquer custo. Então apareceu Moran" (Non Possumus)

Mais um trechinho traduzido de Non Possumus, muito importante:
"Enquanto os Padres não: 1) denunciem Moran como não-católico, 2) retratem-se forte e claramente de sua associação com Moran e 3) façam una cerimônia de reparação em sua capela profanada:
"-Nenhum sacerdote deve celebrar Missa em sua capela ou participar em nenhuma cerimônia religiosa ali;
"-Os fieis não devem assistir a nenhuma cerimônia religiosa nessa igreja;
"-Os sacerdotes e fieis tem a OBRIGAÇÃO de separar-se do apostolado dos Padres, rejeitando seu ministério, rejeitando enviar vocações ao seu seminário, e rejeitando apoia-los financeiramente.
"Em tempos normais da Igreja, as autoridades haveriam forçado os Padres a fazer estas coisas. Em nossa situação, esta atitude com relação aos Padres é um dever de consciência.
"Caso contrário, qualquer um que se associe a eles, intencionalmente e voluntariamente, será cúmplice de suas ações porque implicaria colaboração na associação dos Padres com Moran."



Veja os artigos completos em Non Possumus (em espanhol):

EL P. PFEIFFER Y EL FALSO OBISPO MORAN: ES UN DEBER PREVENIR A LOS FIELES Parte 1 

EL P. PFEIFFER Y EL FALSO OBISPO MORAN: ES UN DEBER PREVENIR A LOS FIELES Parte 2



terça-feira, março 29, 2016

Comentários Eleison: O Legado do Arcebispo - I



Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDLIV (454) – (26 de março de 2016):
O LEGADO DO ARCEBISPO - I


O Arcebispo morreu, vinte e cinco anos atrás.  
Seus sucessores o seguiram fielmente? Não.   

Ontem, dia 25 de março, foi o 25º aniversário de morte de um grande homem de Deus, Dom Lefebvre, a quem tanto devem os muitos católicos que têm mantido a fé. Quando nos anos de 1960 os demônios revolucionários do mundo moderno conseguiram subjugar a massa de clérigos católicos, tanto antes quanto depois do Concílio Vaticano II (1962-1965), foi o Arcebispo que quase por si só manteve a Verdade católica que a Autoridade católica, cega ou intimidada, estava abandonando. Com efeito, para obedecerem àquela Autoridade dedicada aos princípios da Revolução, os católicos  tiveram de abandonar a Verdade da Tradição imutável da Igreja. Ou então, para permanecer fiéis à Verdade, tiveram de entrar em “desobediência” para com as Autoridades da Igreja.

É claro que nem o Arcebispo nem a Fraternidade Sacerdotal São Pio X que ele fundou em 1970, estavam em real desobediência, porque a Autoridade católica é a indispensável serva da Verdade católica: indispensável porque a Verdade sem a Autoridade é dividida em pedaços entre as opiniões conflitantes de homens falíveis, mas serva porque a Autoridade é um meio e não um fim, o meio de proteger e preservar aquela Verdade infalível de Cristo que por si só pode salvar almas. A essa imutável Tradição da Igreja, Dom Lefebvre permaneceu fiel até o fim, sem, no entanto, desprezar nem desafiar as Autoridades da Igreja que o condenaram no final. Ao contrário, ele fez tudo o que poderia ter feito naquele determinado momento, e como ele mesmo admitiu, até mais do que deveria, para ajudá-las a enxergar a Verdade e a servi-la, pelo bem de toda a Igreja. Mas em vão.

Foi então que, para assegurar a sobrevivência da Verdade da salvação, em junho de 1988 ele sagrou quatro bispos sem a permissão das Autoridades da Igreja, o que é normalmente necessário. Elas provavelmente esperavam que essa ação sem permissão significasse a ruína de sua Fraternidade, mas, ao contrário, esta floresceu, porque naquele momento um número significativo de almas saiu de sua “obediência” pré-conciliar para entender que a Verdade é prioritária, e que bispos verdadeiros são essenciais para a sobrevivência da Verdade católica.

Mas, o que aconteceu à Fraternidade que ele deixou quando morreu, dois anos e meio depois? Sua sabedoria católica e seu carisma pessoal não estavam mais lá para protegê-la da magnética atração da “obediência” pré-conciliar, que tomou a forma de proposições aparentemente razoáveis sobre um compromisso diplomático entre a Autoridade conciliar e a Tradição católica. A falsa “obediência”, preferindo a Autoridade à Verdade, arrastou-se de volta ao topo da Fraternidade da qual o Arcebispo a havia exorcizado, e passados alguns anos sua Fraternidade estava quase irreconhecível, com seus maus guias passando a ir a Roma com chapéu na mão, implorando por um reconhecimento oficial das Autoridades da Igreja.

Pois bem, a Verdade não tem o direito de ser colocada em uma posição de mendigar por qualquer coisa a um grupo de mentirosos – dizer que “o catolicismo é revolucionário” é uma mentira terrível – mas os maus guias da Fraternidade, de ontem e de hoje, justificaram a humilhação da Verdade apelando para o exemplo do Arcebispo. Dizem que por anos ele foi a Roma procurando pela aprovação oficial da Fraternidade, e eles não têm feito outra coisa. Mas o que poderia parecer semelhante era na verdade muito diferente. Enquanto eles estavam indo a Roma em busca de algum acordo político, por meio do qual, como se tornou claro na primavera de 2012, estavam dispostos a comprometer a doutrina, o Arcebispo, ao contrário, somente foi a Roma pelo bem da Fé e da Igreja. Para ele, a aprovação oficial da Fraternidade pela Autoridade da Igreja tinha apenas o intuito de ajudar a Autoridade a voltar para a Tradição e para a Verdade; e quando essa Autoridade, na primavera de 1988, demonstrou de uma vez por todas sua recusa em zelar pela Tradição, então o Arcebispo rompeu com todas as negociações e contatos diplomáticos, e declarou energicamente que eles somente os retomariam quando Roma retornasse à Verdade doutrinal. De fato, os sucessores do Arcebispo nunca o entenderam. E hoje? Veja nos “Comentários” da próxima semana.

Kyrie eleison.

Dois textos sobre os erros da Missão Cristo Rei

Pelo Prof. Michael Fuller:

 O "bispo" cismático chamado pelos Padres Pfeiffer e Hewko assinando sua rejeição do papado. Padres Hewko e Pfeiffer tinham pleno conhecimento disso quando o convidaram para oferecer a missa no altar de Boston, Kentucky.


 
Pe. Cardozo com os padres do ato Communicatio in Sacris de falso ecumenismo junto com seus apoiadores nos Estados Unidos. 
 

Clique nos links abaixo para ler os textos:

O quão ridículo são aqueles do blog "Missão Cristo Rei"? 

Uma Mensagem para o Pe. Cardozo e a Missão Cristo Rei: O Estudo de Pe. Ortiz sobre o ato cismático de Padres Pfeiffer e Hewko.

 

 

segunda-feira, março 28, 2016

Sobre o “Catecismo Maior” de São Pio X


I

Em 1905, São Pio X promulgou uma versão revista de um catecismo de 1765, à qual chamou Compendio della dottrina cristiana (Compêndio da Doutrina Cristã), atualmente conhecido como Catechismo Maggiore (Catecismo Maior). Seu fim era algo distinto do fim do Catecismo Romano. Este, escrito por uma pequena comissão de cardeais sob a supervisão e direção diretas de São Pio V, sem deixar de ser instrumento de formação do povo laico, visava eminentemente à unificação doutrinal, donde sua considerável extensão. O Catecismo Maior, por seu lado, visava eminentemente à formação do mesmo povo laico.

Mas em outubro de 1912 o santo Pontífice publicou um novo catecismo, de feição algo diferente da do primeiro, ou seja, ainda mais breve (433 perguntas e respostas) e de caráter ainda mais pedagógico, chamado Catechismo della dottrina cristiana (Catecismo da Doutrina Cristã). Reimpresso numerosas vezes e de difusão ininterrupta em quase todas as línguas ocidentais, este catecismo formou gerações e gerações do século XX, até à tragédia do Concílio Vaticano II. Não se sabe por quê, porém, no Brasil até muito recentemente só teve tradução e curso o Catecismo Maior, ao contrário do que se deu e se dá nos demais países. Mas o fato é que o segundo catecismo se publicou, apenas sete anos após a publicação do primeiro, para substituir este (cf. aquí). Muito provavelmente, o santo Papa havia considerado insuficiente o primeiro para o fim primordial de seu Pontificado, a saber, a “instrução religiosa do povo cristão e em particular das crianças, [porque] grande parte dos males que afligem a Igreja provêm da ignorância de sua doutrina e de suas leis […]” (da “Lettera di approvazione del nuovo catechismo”). Mas talvez também tivesse pesado em sua decisão de lançar o segundo catecismo algumas imprecisões que havia no primeiro.


II

A primeira de tais imprecisões encontrava-se aqui:

“598) Qual é a forma do Sacramento da Eucaristia?

A forma do Sacramento da Eucaristia são as palavras usadas por Jesus Cristo: Isto é o meu Corpo; este é o meu Sangue” (destaque nosso).

Mas, como se vê, por exemplo, no Catecismo Romano, a forma do Sacramento da Eucaristia é “Isto é o meu Corpo. – Este é o Cálice do Meu Sangue, da nova e eterna Aliança, Mistério da fé, o qual por vós e por muitos será derramado, em remissão dos pecados”. No Catecismo de 1912, lê-se: “Questo é il Corpo mio; questo é il Calice del Sangue mio... sparso per voi e per molti a remissione dei peccati”; e claramente a substituição das palavras do meio da forma pelas reticências visa a atender, ainda, ao caráter do catecismo, ou seja, a tornar o mais acessível possível ao povo cristão e suas crianças a doutrina católica. E certamente também atendia a essa intenção a redução da forma da consagração do vinho no primeiro catecismo: tornar a leitura o mais leve possível. Sucede porém que tal redução radical pode induzir a erro, e não faltaria, por exemplo, alguém que a utilizasse para justificar a retirada de Mysterium fidei da forma da consagração no Novus Ordo.

Há que entender precisamente, todavia, tal imprecisão, e para tal tome-se a modo de analogia o decretado pelo Concílio de Florença (XVII ecumênico sob Eugênio IV) quanto ao sacramento da ordem. Com efeito, o magistério da Igreja é por definição um magistério público, isto é, assistido pelo Espírito Santo em suamanifestação externa, razão por que não importa o que o Papa sente ou pensa: só o que expressa, repita-se, exteriormente. Ademais, um aspecto que deve ser sempre suficientemente significado em todo e qualquer ato de ensino é o grau de intenção magisterial; se, no entanto, nem sempre se significa tudo por palavras, é porque está suficientemente claro pelas circunstâncias (também externas e visíveis). Mas por vezes tal não está suficientemente claro para todos, e então aquele que ensina deve esclarecê-lo definitivamente. Pois bem, o Concílio de Florença exigiu dos armênios a aceitação de certos pontos doutrinais com respeito aos sacramentos. Com este fim, decretou, por exemplo: “O sexto sacramento é o da ordem, cuja matéria é aquilo por cuja entrega se confere a ordem: assim, o presbiterado dá-se pela entrega do cálice com vinho e da pátena com pão” (Bula Exultate Deo, 22 de novembro de 1439, DS 1326). Houve porém discussão entre os teólogos quanto a se a matéria da ordem seria a entrega dos instrumentos ou a imposição das mãos por parte do bispo. Pio XII terminou por definir que é a imposição das mãos. Poderia parecer, então, que o Concílio de Florença tivesse decretado uma falsidade. Mas tal é impossível se se trata de magistério assistido pelo Espírito, e quanto a matéria tão importante tratada, ademais, em ato de tamanha solenidade. Quando muito, a decisão do Concílio de Florença pode considerar-se imprecisa ou menos precisa, justo porque não refere explicitamente que, além dos instrumentos, é necessária a imposição das mãos. E, com efeito, ao resolver a questão pela imposição das mãos, Pio XII não lançou a menor sombra de dúvida sobre a verdade das decisões do Concílio de Florença (cf. Constituição Apostólica Sacramentum Ordinis, 30 de novembro de 1947). – Ora, analogamenteé o que se dá com a imprecisão do Catecismo Maiorrespeitante à forma da consagração do vinho. Por todas as circunstâncias externas de seu pontificado, ninguém poderia duvidar que São Pio X reafirmasse a inteira forma da consagração do vinho. No entanto, insista-se em que, por certa imprecisão, o que se lê quanto a este ponto no Catecismo Maior poderia suscitar dúvidas.

III

A segunda imprecisão encontra-se aqui:

“225) Quem são os infiéis?
Os infiéis são aqueles que não foram batizados e não creem em Jesus Cristo, seja porque creem e adoram falsas divindades, como os idólatras; seja porque,embora admitam o único Deus verdadeiro, não creem em Cristo Messias, nem como vindo na pessoa de Jesus Cristo, nem como havendo de vir ainda: tais são os maometanos e outros semelhantes” (destaque nosso).

Ora, o Deus verdadeiro tem, antes de tudo, dois caracteres: é uno ou único, e é trino. Por isso mesmo, o que não crê na Trindade de Deus não admite o Deus verdadeiro. Se crê que Deus seja uno ou único, admite então tão somente um dos dois caracteres de Deus; e isso não é admitir, insista-se, o Deus verdadeiro, porque, com efeito, a verdade não admite graus, conquanto a falsidade, sim, os admita. Na verdade não pode encontrar-se nada falso; na falsidade pode encontrar-se algo ou algum aspecto verdadeiro. – Pois bem, conhecendo como conhecemos a São Pio X, é inconcebível pensar que ele propugnasse avant la lettre a tese vaticano-segunda da identidade das religiões monoteístas quanto a Deus. Isto faria dele um defensor de heresia. Sendo assim, a maneira como se escreveu a resposta à pergunta 225 do Catecismo Maior não pode passar de imprecisão de expressão: certamente se quis dizer isto mesmo, ou seja, que “admitem um dos caracteres fundamentais do Deus verdadeiro, sua unicidade”. E tanto é assim que o mesmo ponto se encontra no catecismo de 2012 da seguinte maneira, ou seja, expurgado de qualquer imprecisão:

125. Chi sono gl’infedeli?
Gl’infedeli sono i non battezzati che non credono in alcun modo nel Salvatore promesso, cioè nel Messia o Cristo, come gl'idolatri e i maomettani”, ou seja,

Quem são os infiéis?
Os infiéis são os não batizados que não creem de modo algum no Salvador prometido, isto é, no Messias ou Cristo, como os idólatras e os maometanos”. 

IV

Mutatis mutandis, sirva tudo quanto se acaba de dizer com respeito ao Catecismo Maior de São Pio X para quaisquer outros escritos ou ditos: diante de uma imprecisão ou de uma incompletude em algo que se escreveu ou se disse, devemos antes de tudo interpretá-lo segundo conjunto do texto ou do discurso ou, ainda, segundo o conjunto da doutrina do que o escreveu ou o pronunciou. É o se há de dizer a respeito, por exemplo, da posição de Santo Tomás de Aquino sobre a possibilidade de milagres fora da Igreja (cf. Ainda sobre a possibilidade de milagre fora da Igreja ou entre hereges) – e em geral, se não se está movido por malícia. 

Ainda esclarecendo dúvidas, por S.E.R. Dom Tomás de Aquino, OSB

+
PAX

                No Catecismo de São Pio X está dito que somente a Santa Igreja Católica recebeu o carisma de fazer milagres. Isto nunca será dado por Deus às falsas religiões porque Deus nunca favorecerá o erro, caso contrário Ele não seria Deus.
                Pergunta-se então como pode-se conceber um milagre numa Missa Nova ou mesmo entre pessoas que não são católicas? Isto é possível? Se for para a conversão destas pessoas não há nenhum impedimento. Os milagres são realizados por Deus para confirmar a verdade e assim fazendo conduzir as almas a Deus, ou seja, à Igreja Católica pois a Igreja Católica é a reunião das almas que estão unidas a Deus aqui na terra, no Purgatório e no Céu.
                Se a mula de Balaão falou foi para demonstrar que Deus abençoava o povo de Israel, figura e início da Santa Igreja Católica, e impedia que Balaão o amaldiçoasse como era sua intenção.
                Se houve milagre eucarístico na Nova Missa foi para a conversão dos que o presenciaram ou que tiveram notícia dele. Que seja certo que tenha havido milagre ou não, isto não pertence às verdades nas quais temos que crer para nos salvar. Que seja possível um milagre eucarístico, caso tenha havido consagração, é uma afirmação que pode ser defendida sem incorrer a nota de heresia. Se alguém não crer nesse milagre ou se ele achar inconveniente que ele tenha ocorrido numa Missa Nova, ele não incorre em nenhuma reprovação do ponto de vista da fé católica. A questão de saber se houve realmente milagre ou não houve é uma questão aberta. Quem se interessar por ela que procure as provas que demonstram a realidade ou a impostura deste “milagre”. Mas afirmar que uma hóstia consagrada e profanada não possa sangrar para a conversão dos padres e dos fiéis afim de que eles abandonem o modernismo e venham para a Tradição não parece sensato.
                Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má pode dar frutos bons. Isto é de fé, pois é Nosso Senhor Ele mesmo que o afirma. Isto é o bom senso mesmo, pois um espinheiro não pode dar os frutos que só a figueira pode dar.
                Logo, devemos concluir que nenhum bem poderá haver entre os infiéis, os protestantes e os modernistas? A questão não é tão simples assim. Santo Tomás diz que a árvore má é a vontade perversa e portanto devemos concluir que nada de bom pode sair da vontade perversa do demônio e dos que entregaram sua alma a ele. Nada de bom podia sair da inveja de Caim contra Abel. Nada de bom podia sair do ódio e da incredulidade dos fariseus contra Nosso Senhor. No entanto nem todo aquele que está na Igreja Conciliar vive do ódio, da inveja e da incredulidade. Alguns ainda querem se confessar, rezar e melhorar. Há ainda, provavelmente, árvores boas entre os progressistas, apesar do Progressismo; almas que estão lá mas não são de lá. As almas são ora movidas pelo espírito bom (do qual não pode proceder nenhum fruto mal), ora pelo espírito mal (do qual nenhum fruto bom pode proceder). Mas talvez nos perguntem. E da Nova Missa? E dos novos Sacramentos? Pode sair frutos bons destas árvores ruins? A resposta não é simples. É preciso distinguir entre o rito e o sacramento. Nós costumamos completar o rito do Batismo porque ele foi mutilado. Mas não refazemos o Batismo pois se ele foi válido, ele não pode ser dado novamente sem grave ofensa à Deus. Logo, o Batismo, mesmo entre os progressistas tem algo bom e muito bom, que é o fato de apagar o Pecado Original e nos tornar filhos de Deus, templos da Santíssima Trindade e algo mal que é a omissão dos exorcismos presentes no rito antigo. O mesmo se diga da Missa Nova. Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer pensavam que ela podia ser válida quando todas as condições necessárias para isto estivessem reunidas. Mas nem por isso eles deixaram de condená-la porque a Missa Nova conduz à heresia por causa do seu rito. Rito ruim, sacramento bom, quando há sacramento.
                Outra dúvida. O bem e o mal entrelaçados? A Igreja Nova e a Igreja Católica entrelaçadas? Quem diz entrelaçadas, diz união e amizade. Não! Jamais a Igreja Católica estará unida por laços de amizade à Nova Igreja. Mas entrelaçada significa também laçada, presa, amarrada e isto sim. Isto é o que acontece. Os inimigos da Igreja a tomaram, a reduziram à escravidão, por assim dizer. Excomungaram Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer, destronaram Nosso Senhor Jesus Cristo de seu reino sobre as nações. Entrelaçadas sim, mas desta forma. Quanto ao que inspira uma e outra, não. Elas se opõem e se opõem totalmente.
                Mas isto não é tudo. Há também o fato de que há pessoas que estão na Igreja Conciliar pensando que estão na Igreja Católica. Eles tem algo de católico pois muitos foram batizados validamente. Muitos crêem em Nosso Senhor. Muitos estão iludidos. Eles correm o perigo de perder a fé, mas nem todos já perderam a fé. Situação delicada, difícil, penosa, confusa. Sim. Paciência. Trabalhemos para ajudar estas almas. Trabalhemos para abandonar o que há ainda de liberalismo também em nós, pois cada vez que pecamos nós agimos como um liberal que se libera da lei de Deus e que, portanto, dá um fruto mau, apesar de não ser necessariamente uma árvore má.
                Que Nossa Senhora nos guie sempre pois seguindo-a ninguém se perderá. Assim seja.

+ Tomás de Aquino OSB

Le Petit Trianon


Petit Trianon, o local favorito da Rainha Marie Antoinette.





Imagens: Bolt of Blue

domingo, março 27, 2016

Feliz Páscoa!

jesusressurr

Ele ressuscitou!

FELIZ PÁSCOA!

domingo, março 20, 2016

Comentários Eleison: Terceiro Bispo



Comentários Eleison - por Dom Williamson 
CDLIII (453) - (19 de março de 2016):




Dom Tomás, um monge com suficientes fé e caridade,
E agora um bispo, satisfazendo a Deus (e aos leitores) a vontade.


No dia da consagração, queira Deus, de Dom Tomás de Aquino como terceiro bispo para a "Resistência" católica de hoje, parece apropriado reproduzir o testemunho de um amigo próximo dele, o professor Carlos Nougué, que atualmente lidera uma Casa de Estudos junto ao Mosteiro da Santa Cruz de Dom Tomás. Este testemunho, que muitos de vocês podem não ter visto, está apenas levemente adaptado do original, que pode ser acessado no excelente site mexicano Non Possumus [N.T.: e no site em língua portuguesa “Estudos Tomistas”, do próprio autor].  Observem em particular a boa influência de Corção, a conexão próxima com Dom Lefebvre, a recusa de se aproximar da Roma neomodernista e dos métodos estalinistas de Dom Fellay.

Kyrie eleison!

Miguel Ferreira da Costa nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1954. Até a Faculdade de Advocacia, fez seus estudos no Colégio de São Bento do Rio de Janeiro, onde tive a oportunidade de ser por um breve tempo seu colega de classe. Fez parte do movimento tradicionalista e antimodernista organizado em torno de Gustavo Corção e da revista Permanência; teve início então sua vida de “fiel guerreiro e veterano da guerra pós-conciliar pela Fé". Começou, como dito, a cursar Advocacia, mas abandonou-a para tornar-se monge beneditino, com o nome de Tomás de Aquino, no mosteiro francês do Barroux, que tinha então por superior a Dom Gérard; e foi ordenado sacerdote em 1980, em Êcone, por Dom Marcel Lefebvre. Pôde então privar da amizade, do exemplo, dos ensinamentos do fundador da FSSPX.

Em 1987 ele veio ao Brasil com um grupo de monges do Barroux para fundar o Mosteiro da Santa Cruz, em Nova Friburgo, Rio de Janeiro/Brasil. Nesse ínterim, porém, Dom Gérard, contra a instância de Dom Lefebvre, marchou para um acordo com a Roma conciliar, contra o que se opôs também Dom Tomás de Aquino. A separação foi então inevitável. O Mosteiro da Santa Cruz, com total apoio e incentivo de Dom Lefebvre, tornou-se assim, em 1988, independente, ainda que amigo da FSSPX. Contudo, em razão de uma orientação por escrito emitida pelo Arcebispo, a FSSPX não teria jurisdição sobre ele, porque como Prior do Mosteiro era necessária a Dom Tomás a autonomia.

A carta foi providencial, porque as relações entre a FSSPX e o Mosteiro foram-se deteriorando, sobretudo com a aproximação daquela à Roma neomodernista. Quando Bento XVI publicou seu Motu proprio sobre o “rito extraordinário”, Dom Tomás de Aquino negou-se a cantar na Missa de domingo o Te Deum pedido por Dom Fellay para comemorar o documento papal, e, especialmente pela “suspensão das excomunhões” pelo mesmo papa, escreveu Dom Tomás a Dom Fellay uma carta em que dizia que não seguiria seus passos rumo a um acordo com a Roma conciliar. Um tempo depois, aparecem no Mosteiro (sou testemunha presencial disto) Dom de Galarreta e o Padre Bouchacourt para dizer a Dom Tomás que ele teria quinze dias para deixá-lo; se não o fizesse, o Mosteiro deixaria de receber ajuda e sacramentos (incluído o da ordem) da FSSPX.

Escrevi a Dom Fellay para queixar-me de tal injustiça, e ele respondeu-me que Dom Tomás tinha um problema mental, e que enquanto ele não deixasse o Mosteiro, não receberia apoio da Fraternidade. Respondi-lhe: “Devo ter eu também o mesmo problema mental, porque convivo há doze anos com Dom Tomás e nunca o percebi nele”. Tratava-se em verdade de algo similar ao stalinismo e seus hospitais psiquiátricos para opositores. Hesitou então Dom Tomás: se deixasse o Mosteiro, seria a ruína deste com respeito à Fé; se porém permanecesse, privá-lo-ia de toda a ajuda de que necessitava. Então Dom Williamson escreveu uma carta a Dom Tomás em que assegurava ao Mosteiro todos os sacramentos; poderia assim Dom Tomás permanecer nele.

Foi o suficiente para que todos aqui reagíssemos: foi o começo do que hoje se conhece por Resistência, e que teve por órgão primeiro a página web chamada SPES, hoje desativada por ter cumprido já o papel a que se destinava. O Mosteiro passou a ser então centro de acolhimento para os sacerdotes que, querendo deixar a FSSPX pela traição de seus superiores, hesitavam porém em sair justo por não ter onde viver fora dela. Foi o lugar da sagração de Dom Faure, e será agora o lugar da sagração do mesmo Dom Tomás de Aquino Ferreira da Costa, meu pai espiritual e o amigo mais entranhável que Deus me poderia haver dado.



quarta-feira, março 16, 2016

O cisco e a trave


Algumas pessoas tem insistido em atacar D. Williamson com a desculpa de estarem contestando as suas idéias. Essas mesmas pessoas dizem que “temos insistido na idéia de que a culpa da confusão atual é de quem distorce as palavras de D. Williamson”. Não insistimos em uma idéia, nós mostramos que as palavras de Dom Williamson foram distorcidas, como pode ser lido claramente no artigo:
Não só neste artigo, mas também na questão dos milagres, o Professor Nougué mostrou a aplicação errônea do “Comentário aos tessalonicenses”, que pode ser lido no endereço:
Não entendemos como alguém que comete tantos erros ao falar de D. Williamson, persista querendo apontar erros do mesmo Bispo. D. Williamson erra, ninguém aqui defende que ele é infalível, inerrante e impecável, assim, como não foi nem mesmo D. Lefebvre, os Papas, eles foram somente infalíveis, quem espera que um bispo seja assim, tenha os três “i”s são as pessoas que dizem contestar as suas idéias, mas se voltam contra ele.
Reconhecemos a eles o mérito de saírem do armário. Todos sabiam que havia algo mais, agora vamos começar a ver o que se escondia atrás da questão dos milagres. Questão que está mais do que respondida e refutada por nós, sem nenhuma contra-argumentação direta. Seja dos Padres ou dos leigos.
Por enquanto é o que temos a dizer, posteriormente voltaremos a mostrar a trave nos olhos deles, enquanto eles tentam tirar o cisco dos olhos de D. Williamson.

terça-feira, março 15, 2016

Comentários anti-eleison: Comentários impiedosos

Por Gederson Falcometa


A causa do caos na Resistência é a heresia da ação, de que fala D. Chautard no livro “A alma de todo apostolado”. Ação sem reflexão é o que leva um Padre vir a público e escrever Comentários Anti-Eleison, porque a palavra Eleison, vem do grego, significa “ter piedade”, “compadecer-se”. Sendo assim, enquanto Dom Williamson escreve “Comentários piedosos”, temos a tácita admissão já no título, que Padre Cardozo escreve “Comentários anti-piedade” ou “Comentários impiedosos”. Eis a causa do caos: a heresia da ação. Só alguém que não pensa antes de agir para escrever uma bobagem dessas!

“Como é possível milagre fora da Igreja Católica”, pelo Cardeal Lépicier*

«Põe-se aqui uma grave questão: pode haver milagre fora da Igreja Católica? Nossa resposta é que se pode, em verdade, sustentar a possibilidade e até a existência de verdadeiros milagres fora da religião católica. Isso não pode dar-se por uma lei ordinária, mas somente por exceção e em casos isolados, e jamais fora do fim que distingue a verdadeira religião de Jesus Cristo. Por isso dizemos que o milagre pode dar-se fora do corpo desta religião, mas não fora de sua alma. Como fato sistemático, que constitui, por assim dizer, um sistema, um todo harmonioso governado por princípios invariáveis e por uma lei fixa, o milagre existe somente na religião que se intitula universal ou católica, porque fundada pela Causa Primeira que reuniu tudo, e em favor da qual foram operados os milagres mesmos da antiga lei.
Em verdade, pode admitir-se que, de maneira excepcional, e em casos isolados, o milagre se dê fora do corpo da religião católica, sendo livre o Espírito Santo para escolher seus instrumentos por onde quer que queira. Isso não deve constituir nenhuma dificuldade, sobretudo se o taumaturgo é um homem de vida santa e não busca outra coisa em suas obras que a honra de Deus.
Será bom, a este respeito, lembrar aqui o que lemos em São Marcos. Tendo dito a Jesus o Apóstolo João: “Mestre, vimos um homem, que não vai conosco, expulsar os demônios em vosso nome, e lho impedimos”, Nosso Senhor falou nestes termos: “Não o impeçais, pois ninguém pode fazer milagre em meu nome e logo depois falar mal de mim. Quem não é contra vós é por vós”. Isto equivale a dizer que, se algum milagre se cumpre por um homem fora do corpo da Igreja de Jesus Cristo, tal fato é necessariamente ordenado à manifestação da verdade pregada pelo Salvador, e de modo algum em favor do erro.
É neste sentido que se devem explicar os milagres atribuídos, em tempos muito próximos dos nossos, a um padre ortodoxo grego de grande piedade, chamado Ivã ou João Serguief, da principal igreja de Cronstadt. A fama de santidade deste padre era tal que, no mês de outubro de 1894, o imperador Alexandre III, morrendo, o chamou na esperança de obter por sua intercessão um alívio para seus sofrimentos.
Tais milagres, supondo-os autênticos, seriam fatos isolados, cumpridos aparentemente fora da Igreja Católica, mas lhe pertenceriam de direito, porque não tinham por objeto a confirmação de uma falsa doutrina, mas antes a recompensa de uma santidade em harmonia com os princípios proclamados precisamente pela Igreja Católica. Tais milagres teriam tido pois por fim fornecer novas provas da existência da ordem sobrenatural.
Santo Agostinho expõe luminosamente esta verdade quando, comentando precisamente o fato contado por São Marcos na passagem há pouco citada, explica que as palavras pronunciadas então por Nosso Senhor: “Quem não é contra vós é por vós”, não contradizem as referidas em São Mateus: “Quem não está comigo é contra mim”. “Nesse caso” (o daquele que expulsara o demônio), diz o santo Doutor de Hipona, “ele não era contra os discípulos, mas, ao contrário, era por eles, enquanto operava curas pelo nome de Cristo... Ele devia ser confirmado na veneração de tal nome e, portanto, não era contra Igreja, mas pela Igreja.” Lembremos ainda, aqui, o episódio tão interessante contado no livro dos Números. Dois indivíduos, Eldad e Medad, embora não tivessem ido com os outros ao tabernáculo, profetizaram todavia no campo na ausência e sem o conhecimento de Moisés. O chefe do povo de Deus, tendo-o sabido, quis que eles fossem deixados livres para profetizar.»


* * *

1) Ademais, “A generalidade dos Padres e dos teólogos admitiu a possibilidade de milagres entre os hereges”, como se lê no prestigioso DTC 

      2) Por fim, como nos escreveu um sacerdote, “o milagre da liquefação do sangue de São Genaro, que desde há 45 anos se vem produzindo no âmbito do Novus Ordo, devemos atribuí-lo agora aos demônios? Diga-se o mesmo do milagre permanente da conservação da tilma de Guadalupe. Segundo os que negam a possibilidade de milagre no âmbito da Igreja conciliar, esse tecido já deveria ter-se desfeito ‘porque Deus não pode aprovar o N.O.’. E assim com os muitos milagres permanentes na Igreja conciliar em todo o mundo” – e que de modo algum, acrescentamos, se ordenam a aprovar a Igreja conciliar no que tem de conciliar, senão que se ordenam à manifestação da verdade sobrenatural da Igreja Católica.

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* Sobre el Card. Lépicier: