sexta-feira, abril 29, 2016

Respostas a acusações levantadas recentemente contra Bispos da Resistência - IV

Por R. de Souza


Sobre Dom Williamson e recomendações polêmicas:



1- É verdade que os que apoiam Dom Williamson o defendem também em relação às recomendações que partem de seus gostos particulares por não admitirem qualquer erro por parte do Bispo?


R. Obviamente não. Todos reconhecem, como católicos, que qualquer ente humano é passível de erro, e que o Bispo não é exceção.


2- Que pensar de certas opiniões polêmicas de Dom Williamson, como a que tem sobre a obra de Valtorta, sobre as aparições de Akita e Garabandal, sobre a obra de Elliot, Wagner, etc.?


R. Discordamos de algumas, mas sempre respeitosamente, cientes de que não se trata de questão doutrinária, e que em nada comprometem todo o bom histórico do Bispo e o grande bem que ele já fez e continua a fazer por tantas almas católicas.


3- Que dizer daqueles que hoje atacam virulentamente essas recomendações do Bispo (bem como a sua pessoa em razão delas), principalmente a obra de Valtorta, mas que até o segundo semestre do ano passado somente discordavam comedidamente?


R. Depõem contra si mesmos. Estão a mostrar que suas posições em relação aos autores e obras indicados pelo Bispo variam conforme a postura que assumem em relação a este, e não pelo conteúdo em si e seu contexto. Ou seja, provam que estão a agir de má fé, com desonestidade contra um Príncipe da Igreja.
Será que se dirigiriam da mesma forma ao santo Padre Pio de Pietrelcina por ter recomendado a mesma obra em 1967 (mais de meia década depois de ter sido inclusa no ILP e no ano seguinte ao de sua extinção) à sua filha espiritual Elisa Lucchi? Ou ao Pe. Barrielle, diretor espiritual do seminário de Écone, o Padre “com coração de fogo”, segundo Dom Lefebvre, que muito o reverenciava e o tinha como confessor, e justo quem recomendou a este e ao próprio Dom Williamson a obra de Valtorta?


4- Mas não há acusações de blasfêmia contra a obra de Valtorta no artigo de Marian Horvat, também publicadas em alguns dos principais sites dos que recentemente se puseram a atacar o Bispo?


R. Estão refutadas, por exemplo, neste artigo: http://www.valtorta.org.au/refutation-of-horvat-valtorta-article.pdf, que demonstra haver trechos e costumes não analisados em seus devidos contextos, análises teológicas insatisfatórias, desconhecimento de passagens bíblicas, referências mal feitas, etc. A primeira (“criança concebida com o pecado original”) está refutada a partir da página 68; a segunda (“tendências homossexuais”), a partir da página 45; a terceira (insinuação de caso de amor), a partir da página 18; a quarta, na página 37 (“pecar para ser perdoado”); a quinta (sensualidade e tendência à bestialidade), a partir da página 32.
Vale ainda observar que não há acusações de blasfêmia no texto referente à inclusão no ILP nem nos comentários de Dom Lefebvre sobre a obra.


5- Que dizer então em relação à recomendação da obra de Valtorta, inclusive da leitura de capítulos selecionados para as crianças, pelo Bispo?


R. Discordamos, respeitosa e cordialmente (tal como fizeram os Dominicanos de Avrilée neste artigo em que tecem uma crítica lúcida: http://nonpossumus-vcr.blogspot.com.br/2016/01/que-pensar-de-maria-valtorta.html), e sem termos consultado a edição italiana recomendada pelo Bispo com as notas explicativas, por termos certa dificuldade em aceitar sua tréplica na qual afirma que o Santo Ofício, quando condenou a obra de Valtorta em 1959-1960, provavelmente já teria sido infiltrado pelos inimigos da Fé (sem deixar de reconhecer, porém, que tal possibilidade torna sua postura no mínimo escusável).


6- Que dizer da opinião de Dom Williamson sobre a validade das supostas aparições de Akita e Garabandal?


R. Pensamos ser prudente, ao menos por hora, rejeitar – ainda que não haja ali casos de heresia tão evidentes como em Merdjugorje –, por seus pontos polêmicos (alguns bem indicados por sites como o Avec L’Immaculée) e por não haver decisão magisterial.


7- Que dizer de recomendações como as das obras de Elliot e Wagner?


R. Está-se aqui no âmbito artístico, não, reiteramos, no doutrinal. Uma coisa, por exemplo, é recomendar a descrição de Elliot sobre o homem atual, como fez o Bispo; já outra seria aconselhar que alguém desse ouvidos às suas crendices (o que, aí sim, seria condenável, mas o Bispo recomenda prudentemente o contrário em seus Comentários Eleison 433). Da mesma forma, também não age mal quem recomenda sob o aspecto cultural a obra de Bach, que era protestante, ou a de Mozart, que era maçom, e de outros gênios da música envolvidos com heresias ou com o ocultismo; ou os livros de alguns dos mestres da literatura brasileira, como Guimarães Rosa (quando pertinente, com as devidas ressalvas), também ocultistas, etc. (a lista é interminável).


____________


Anexo:


Tradução da citação de Dom Lefebvre sobre Valtorta (original):
Nas bibliotecas de nossos conventos e seminários existem incontáveis escritores que têm tratado sobre Nosso Senhor. Poderíamos encher uma biblioteca inteira só com esses textos. Certamente, existem coisas muito boas, muito santas, e que foram aprovadas pela Igreja. A Imitação de Cristo, todos esses livros que tratam sobre a Sagrada Escritura, certos comentários e explicações a esta; de qualquer maneira, não nos faltam livros assim. Mas temos outros livros que não só são explicações ou comentários da Sagrada Escritura, mas que se apresentam também como certa revelação sobre Nosso Senhor Jesus Cristo. Temos, por exemplo, um livro que apareceu recentemente, e que tem se espalhado muito rapidamente e pode facilmente ser visto nas mãos de muitas pessoas: é o livro de Maria Valtorta. Certamente ouviram falar deste livro, quiçá algum dos senhores o leu, e que é enorme, creio que são 13 volumes sobre a vida de Nosso Senhor.
Que devemos pensar sobre ele? Realmente, é necessário ser muito cuidadoso, muito cuidadoso e não relacioná-lo imediatamente com a fé, já que essa pessoa, que se autodenomina inspirada, e que disse que viu todos os seus escritos em visões, e em particular, em todos os seus detalhes, em detalhes muito pequenos, inclusive nas coisas mais insignificantes. Os apóstolos são apresentados de forma muito detalhada, assim como as conversações entre os apóstolos e a Santíssima Virgem, entre Felipe e Tiago, no caráter de uns e outros, tudo é escrito com o mínimo detalhe. Admito que já li uma parte, pois o Padre Barrielle promoveu bastante esse livro de Maria Valtorta. Ele estava convencido de que era absolutamente correto, de que não podia ser falso, de que faria muito bem. Eu não diria que não faria bem entrar assim na companhia dos apóstolos e da Santíssima Virgem, contemplar a vida da Santíssima Virgem, contemplar a vida do Menino Jesus, vendo-o crescer. É verdade que pode chegar a nos colocar em uma atmosfera que nos faz viver mais com Nosso Senhor. Mas também há um perigo. O de que pode nos fazer descer um pouco, rebaixar a ideia que temos feito de Nosso Senhor plasmada nos Evangelhos. Quando lemos somente as Escrituras e os comentários sobre elas, permanecemos em um nível muito espiritual, precisamente porque os Evangelhos não entram nesses detalhes físicos e materiais, na casa de Nazaré e todos os seus detalhes, na arrumação da cozinha, a preparação dos alimentos, todos esses pequenos detalhes, os pequenos pássaros em suas gaiolas e tudo mais, são encantadores e cativantes. Mas talvez haja em tudo isso algo que faça com que Nosso Senhor desça quase ao nosso nível. Sem dúvida, é claro que o Bom Deus quis viver entre nós.
Ele não quis viver como um anjo, não foi como Rafael, que acompanhou Tobias e lhe disse: “em verdade creste que eu comia e bebia, mas não comia nem bebia, porque me sustentava com outro alimento. Sou um dos entes que têm entrada ante a divina majestade!”. Tobias estava no chão, temeroso! E parecia que comia, mas não o fazia; poderíamos dizer o mesmo de Nosso Senhor?  Não o creio! Nosso Senhor verdadeiramente quis viver como um de nós; quando Nosso Senhor comia, Ele realmente o fazia. Não teve um corpo aparente, teve um Corpo Verdadeiro, como o nosso. Ele sofreu em Seu Corpo, Seu Sangue foi derramado.
Portanto, existe um pequeno perigo em deixar que se materialize demasiadamente a vida de Nosso Senhor. Inclusive li algo da obra de Maria Valtorta, e afirmo-lhes que deparei com uma passagem que não gostei muito: a conversa de Maria Madalena com a Santíssima Virgem ao pé da Cruz. Realmente não creio que Santa Maria Madalena tenha dito coisas como aquelas à Santíssima Virgem Maria. Foi quase uma grosseira. Maria Madalena dizendo à Santíssima Virgem Maria: “Tu, tu és pura; e eu, tudo o que conheci em minha vida eu transformei em algo impuro. Eu sou deste jeito, enquanto tu és assim”. Isto me impactou, falar à Santíssima Virgem deste modo. Por que recordar seus adultérios, sua vida dissoluta, e de uma maneira quase grosseira? Não creio que seja possível que Santa Maria Madalena tenha se dirigido dessa maneira à Santíssima Virgem ao pé da Cruz. Não é possível.
Assim, não sei, mas admito pôr um sinal de interrogação em suas revelações. Digo-lhes isto porque creio que não são importantes. É necessário manter-se no nível do conhecimento de Nosso Senhor, no conhecimento do Evangelho, no nível do Evangelho, e não descer as coisas...
Existem outros livros: sobre Catarina Emmerich, Maria de Agreda. Penso que têm coisas muito belas, e quiçá mais aprovadas que as de Maria Valtorta. Podem fazer muito bem, sem dúvida. No entanto, penso que não nos devemos dar a essas coisas uma equivalência ao Evangelho. Penso que temos muitos livros de santos que têm escrito sobre suas vidas com Nosso Senhor e tudo o que Ele os inspirou. Creio que me estou estendendo um pouco, mas leiamos esses livros que são muito edificantes... Nunca substituamos a Sagrada Escritura, consequentemente, devemos ter em grande estima as palavras do Evangelho, e tratar de descobrir nele, em profundidade, o Bom Deus.


quinta-feira, abril 28, 2016

Outro aviso aos fieis sobre o Pe. Pfeiffer

Por Non Possumus
Traduzido por Andrea Patrícia




Estes fatos são dados a conhecer porque o Pe. Pfeiffer dedica-se habitualmente a denegrir Dom Williamson, acusando-o, entre outras coisas, de proteger um sacerdote pedófilo. Desconhecemos os detalhes do caso, mas confiamos que o Bispo crê no arrependimento e na emenda desse sacerdote, e que sua atitude em relação a este se funda na verdadeira caridade.

"Aquele que estiver livre de pecado que atire a primeira pedra"

O Pe. Pfeiffer tem direito a lançar a primeira pedra? O que ocorre nesse sentido com o Padre Pfeiffer, feroz acusador e implacável lapidador de Dom Williamson?

Num sermão dado em 13 de março deste ano (chamado curiosamente de "Malícia Eclesiástica"), o Pe. Pfeiffer afirma o seguinte: 

"Na Filadélfia também tomaram nossa capela, por isso as pessoas agora vão à Missa do Padre N. Ele é amigo nosso. É uma longa viagem de carro, mas ele está cuidando dessas pessoas".

Mas acontece que o "Padre N" é um pedófilo condenado em processo canônico e em processo criminal de foro civil!!!

Com efeito, a diocese "X" emitiu um comunicado dizendo:

“Informa-se aos fieis que ‘N’, antigo sacerdote da Diocese ‘X’ foi removido do estado clerical e restabelecido no estado leigo pelo Santo padre, o Papa Francisco, (data)... Em (data), o Bispo ‘Y’ retirou a ‘N’ seu ministério público quando a Diocese de ‘X’ se deu conta de que havia sido preso por posse de pornografia infantil, pelo qual ‘N’ foi sentenciado a dois anos de liberdade condicional... O senhor ‘N’ tem suas funções como sacerdote proibidas na Igreja Católica e não deve-se apresentar como tal”.

            Outra diocese:

“As indicações mais recentes são que ‘N’ está servindo na Capela ‘X’. Esta capela não está afiliada de nenhum modo à Diocese ou à Igreja Católica. Já que o senhor ‘N’ foi removido do estado clerical, tem proibidas as suas funções como sacerdote na Igreja Católica e não deve-se apresentar como sacerdote. Sua celebração dos sacramentos seria gravemente ilícita, e no caso de matrimônio e de absolvição sacramental, normalmente inválido.

           O testemunho de um fiel do Pe. Pfeiffer:

“Este ‘N’ veio a Boston na primavera passada. Não somente os seminaristas estavam sujeitos a ele sem nenhuma advertência sobre sua verdadeira identidade, senão que um dos seminaristas, muito familiarizado com esse caso, alertou ao Pe. Pfeiffer sobre ele. Foi ignorado solenemente, do mesmo modo que o protesto público universal sobre Ambrose foi rotundamente ignorado.

Um advogado, fiel tradicionalista, defendeu o "padre N" das acusações. Somente para depois se retratar publicamente com estas palavras (extrato):

            “Retratação de minha defesa do ‘P. N’, à qual ofereço como uma desculpa pública.
“Quando ele me disse que era inocente de baixar intencionalmente pornografia infantil e não podia-se defender destas acusações sem comprometer o segredo de confissão, fiz um esforço para encontrar evidências a fim de questionar a verdade das acusações contra ele.

“Durante os últimos dois anos, mas particularmente durante os últimos seis meses, cheguei a conhecer o ‘P. N’ muito melhor. Admito ter cometido um sério erros de julgamento sobre seu caráter. Ele foi surpreendido repetidamente em atos de engano, detração e calúnia por várias testemunhas. A evidência de suas falhas morais habituais e obstinadas foram expostas diante de um conselho, que advertiu que ele deveria ser removido imediatamente. Também foi exposta diante de um sacerdote ancião, um advogado canonista que, depois de uma ampla investigação disse que eu tinha a obrigação de removê-lo, assim como uma responsabilidade moral de fazer uma reparação por haver traído a nossa missão.

“Já não posso justificar a hipótese da inocência do ‘P. N’ a respeito de sua condenação criminal. Ele enganou-me e continua enganando a muitos outros, passando-se por homem virtuoso, mas a verdade sempre vem à tona no fim das contas. É com pesar, mas por obrigação moral, que por este meio formalmente eu me retrato de qualquer coisa que disse ou escrevi em sua defesa. Desculpo-me com qualquer um que possa, baseado em minha defesa, presumir que foi injustamente perseguido pelas autoridades judiciais e pelos oficiais diocesanos. Seu registro público é o de um criminoso condenado pelas acusações relacionadas à pornografia infantil, e advirto a todos os que confiam a ele suas famílias e a si mesmos que tenham isto em mente”.

Carta assinada.

Como se isto fosse pouco o "padre" N foi ordenado no Novus Ordo, e antes de entrar no seminário, dedicava-se à moda...

Lançamento: "Pedro, tu me amas?", de Daniel Leroux




"Este livro é esclarecedor..." Dom Marcel Lefebvre


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Veja o vídeo:


quarta-feira, abril 27, 2016

Lançamento do livro: MÊS DE MAIO - Pe. Félix Sardá y Salvany


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Doação para o Mosteiro da Santa Cruz

 Os preceitos tratam de atos de virtude, dar esmola será obrigatório na medida em que este ato for necessário para a virtude, isto é, enquanto a reta razão o exige. Ora, isso implica duas ordens de considerações, relativamente ao que dá e ao que recebe a esmola. Do lado do doador, deve-se levar em conta que as esmolas hão de ser feitas do seu supérfluo, como está no Evangelho de Lucas: “Dai esmola do que vos é supérfluo” (11, 41). Chamo supérfluo não só o que sobra das necessidades do doador, mas também das demais pessoas dele dependentes. Com efeito, cada um deverá primeiramente prover às suas necessidades próprias e às dos seus dependentes (neste caso fala-se do que é necessário à pessoa, sendo que este vocábulo implica a dignidade). Depois, com o que sobrar, as necessidades dos outros devem ser socorridas. É assim que faz a natureza: primeiro cuida, por meio da virtude nutritiva, do que é necessário para sustentar o próprio corpo; depois, pela virtude da geração, dispende o supérfluo para gerar um outro ser. 

 Do lado do beneficiário, requer-se que ele esteja na necessidade, sem o que a esmola não teria razão de ser. Mas como é impossível a cada um socorrer a todos os que padecem necessidade, o preceito não impõe que se faça esmola em todos os casos de necessidade, mas somente a necessidade que não pode ser socorrida de outro modo. Aplica-se aqui a palavra de Ambrósio: “Dá de comer ao que morre de fome; se não o fizeres, matá-lo-ás”.

 Concluindo, eis o que é de preceito: dar esmola do supérfluo ao que passa por extrema necessidade. Fora dessas condições, dar esmola é um conselho, igual aos conselhos que se dão para buscarmos um bem melhor.
Quanto às objeções iniciais, deve-se dizer que:
1. Daniel dirigia-se a um rei que não estava sujeito à lei de Deus. Por isso, o que estava prescrito por essa lei, que ele não reconhecia, não lhe devia ser proposto senão sob forma de conselho. Ou, como se diz, trata-se de um caso em que a esmola não é de preceito.
2. Deve-se dizer que o homem tem a propriedade dos bens temporais que de Deus recebeu. Quanto ao uso, porém, eles não lhe pertencem unicamente, mas igualmente aos outros, que podem ser socorridos pelo seu supérfluo. É o que ensina Basílio: “Se confessas ter recebido de Deus estes bens (isto é, os bens temporais), deveria Deus ser acusado de injustiça por os ter repartido desigualmente? Por que tu vives na abundância, e o outro condenado a mendigar, senão para que tu ganhes os méritos de uma boa administração, e ele, a recompensa da paciência? É do faminto o pão que reténs; do nu a roupa que conservas no armário; do descalço o calçado que se estraga em teu depósito; do indigente a prata que possuis em custódia. Por isso, tuas injustiças são tão numerosas quanto os dons que poderias conceder”. O mesmo ensinou Ambrósio.
3. Se pode determinar um certo tempo dentro do qual peca mortalmente quem não praticar a esmola. Do lado do beneficiário, a esmola deve-lhe ser feita quando for de uma evidente e urgente necessidade, sem aparecer quem de pronto o socorra. Do lado do doador, quando possui um supérfluo que, segundo todas as previsões, presentemente não lhe será necessário. Não é forçoso fixar-se em considerações sobre tudo o que poderia ocorrer no futuro: seria “preocupar-se com o dia de amanhã” (Mt 6, 84), que o Senhor proíbe. Assim, o supérfluo e o necessário devem ser apreciados segundo as circunstâncias prováveis e mais comuns.
4. Todo socorro prestado ao próximo se reduz ao mandamento de honrar pai e mãe. Assim o interpreta o Apóstolo: “A piedade é proveitosa a tudo, pois contém a promessa da vida presente e futura” (I Ti 4, 8). Ele fala assim porque, ao preceito de honrar pai e mãe, acrescenta-se esta promessa: “para teres uma longa vida sobre a terra”. Ora, na piedade estão incluídas todas as espécies de esmolas.
Suma Teológica II-II, q.32, a.5


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dia Santo Rosário.  

terça-feira, abril 26, 2016

“Afugentadores”

Por Jean Ousset
Traduzido por Andrea Patrícia




Devemos desconfiar, acima de tudo, dessa categoria de “fariseus”, jovens ou velhos, que nada mais sabem fazer do que perorar. Campeões puramente verbais da ortodoxia. Mas que, por pouco que se lhes observe, tem os mesmos gostos, obedecem às mesmas modas, são sensíveis aos mesmos slogans, estão devorados pelas mesmas ambições, estão penetrados do mesmo espírito materialista ou hedonista, que o do mundo que pretendem reformar. Sua ortodoxia não é mais do que um simples jogo engenhoso, quando não uma simples ideologia de classe ou de ambiente.
Longe de serem apóstolos, essas pessoas não são mais do que “afugentadoras”. Jamais se dirá o bastante sobre o dano que causam. Em muitos lugares sua presunção,sua loquacidade, sua incapacidade de apresentar a verdade senão de forma desagradável, tem arruinado por muito tempo todo espírito de conquista.
Nosso trabalho já não é tão fácil nem tão agradável.  É muito mais interessante realizá-lo com essa “alegria da verdade” da qual fala Santo Agostinho. Se é certo que os santos tristes são tristes santos, pode-se dizer que os animadores doentes e carrancudos não merecem nem sequer o nome de animadores. São Francisco de Sales desejava que sua “Filoteia” fosse a mais alegre, e até... a mais bem vestida do grupo. Pensamos que um desejo análogo deve se manifestar no que diz respeito à nossa luta.
É certamente muito legítimo regozijar-se bastante sabendo rir da absurdidade e da estupidez. Eis a única vantagem que se pode tirar delas.

Jean Ousset, “La acción”, Ediciones del Cruzamante, Buenos Aires, 1979.

segunda-feira, abril 25, 2016

domingo, abril 24, 2016

Comentários Eleison: Declaração de Bispos – I

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDLVIII (458) - (23 de abril de 2016)

Declaração de Bispos – I

Temos um terceiro bispo da Resistência agora,
Como e por que, uma Declaração menciona.

No dia 19 de março, pouco mais de um mês atrás, Dom Tomás de Aquino foi discretamente sagrado bispo, para o benefício das almas de todo o mundo que desejam manter a verdadeira Fé católica. Assim como quando Monsenhor Faure foi consagrado, exatamente um ano antes, a cerimônia foi belamente organizada pelos monges do Mosteiro da Santa Cruz, nas montanhas por detrás do Rio de Janeiro, em sua catedral de aço, belamente decorada para a ocasião, como no ano passado. O tempo estava seco e quente, mas não muito quente. São José fez com que tudo corresse sem dificuldades. Devemos a ele um grande agradecimento.
Havia um pouco mais de gente que no ano passado, mas a maioria delas era de lugares próximos dentro do Brasil. Não houve jornalistas presentes, e o evento foi praticamente mencionado só nas fontes católicas tradicionais. Houve uma conspiração de silêncio? Houve alguma recomendação para que não se desse atenção? Não importa. O que realmente importa é o que Deus parece estar sugerindo, a saber, que a sobrevivência da Fé não requer, no momento, publicidade ou fazer-se conhecer, mas, talvez, deslizar nas sombras, das quais a Igreja pode suavemente descer às catacumbas para esperar por sua ressurreição depois que a tormenta do mundo, que promete ser humanamente terrível, seja levada a cabo.
Em todo caso, temos agora outro bispo, firmemente na linha de Monsenhor Lefebvre, e no lado oeste do Atlântico. Assim como Monsenhor Faure, ele conhecia bem o Arcebispo e era um confidente seu. Dom Tomás de Aquino nunca trabalhou com o Arcebispo diretamente dentro da FSSPX; mas, porque não era um membro da Fraternidade, o Arcebispo deve ter se sentido mais livre para compartilhar seus pensamentos e ideias com ele. Certamente ele deu ao jovem monge inestimáveis conselhos em mais de uma ocasião, os quais Dom Tomás nunca esqueceu. Os católicos que crêem não estão equivocados – houve poucas exceções à reação majoritariamente positiva pelo presente de Deus de outro verdadeiro pastor de almas.
Na época da consagração, os dois bispos consagrantes fizeram uma Declaração que não obteve ainda muita publicidade. Ela expõe em profundidade o fundamento da consagração, mostrando como este evento, aparentemente estranho, não o é em absoluto; ao contrário, é muito natural, dadas as circunstâncias. Aqui está a primeira parte da Declaração. A segunda parte terá de vir no “Comentário Eleison” da próxima semana.
Nosso Senhor Jesus Cristo advertiu-nos que em sua segunda vinda a fé teria quase desaparecido da face da terra (Luc. XVIII,8); deduz-se que, a partir do triunfo da Igreja na Idade Média, ela somente poderia experimentar um grande declínio até o fim do mundo. Três agitações em particular marcaram os estágios deste declínio: o protestantismo, que rechaçou a Igreja no século XVI; o liberalismo, que rechaçou Jesus Cristo no século XVIII; e o comunismo, que rechaçou Deus completamente no século XX.
Entretanto, o pior de todos foi quando esta Revolução por etapas conseguiu penetrar na Igreja, graças ao Concílio Vaticano II (1962–1965). Querendo manter a Igreja em contato com o mundo moderno que tanto havia se afastado dela, o Papa Paulo VI conseguiu que os padres do Concílio adotassem “os valores de 200 anos de cultura liberal” (Cardeal Ratzinger).
O que os padres adotaram foi o tríplice ideal da Revolução francesa, em particular, a liberdade, a igualdade e a fraternidade, sob a tríplice forma de liberdade religiosa, cuja ênfase na dignidade humana implica a elevação do homem acima de Deus; de colegialidade, cuja promoção da democracia mina e nivela toda a autoridade dentro da Igreja; e de ecumenismo, cujo louvor às falsas religiões implica a negação da divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. No transcurso de meio século desde o fim do Vaticano II, as consequências mortais para a Igreja em relação a esta adoção dos “valores” revolucionários se tornaram mais e mais óbvias, culminando em gravíssimos escândalos quase cotidianos que mancham o pontificado do Papa reinante.


Kyrie eleison.

sexta-feira, abril 22, 2016

Normalização canônica?

Por Dom Tomás de Aquino



  O Rev. Padre Franz Schmidberger no dia 19 de fevereiro expôs as razões pelas quais lhe parece chegada a hora de normalizar a situação canônica da Fraternidade e, pode-se supor, as das comunidades amigas.
  Entre as razões apresentadas pelo antigo superior geral da Fraternidade São Pio X encontramos o fato de Dom Lefebvre ter procurado uma regularização canônica para sua congregação. Isso é em parte exato em parte inexato.
  Falando de Dom Antônio de Castro Mayer, Dom Lefebvre dizia (creio que em 1985) que era necessário que o Bispo emérito de Campos compreendesse que era necessário entrar na ilegalidade. Dom Antônio, apesar de uma análise profundamente teológica da crise atual, permanecia preso à uma legalidade que o paralisava. Por receio da ilegalidade Dom Antônio não ordenou nenhum padre entre 1984, data em que foi forçado a deixar a função de Bispo titular de Campos, e 1988, data das sagrações dos quatro Bispos da Fraternidade São Pio X. Dom Lefebvre entendia melhor o que diz São Paulo, “a letra mata e o espírito vivifica.” Ele havia discernido o golpe de mestre de Satanás que foi o de ter lançado toda a Igreja na desobediência à Tradição, por obediência. A virtude da obediência utilizada contra a sua finalidade. O bem a serviço do mal.
  Que Dom Lefebvre tenha procurado uma solução canônica é evidente, mas que ele não a encontrou é mais evidente ainda. E ele não a encontrou porque ela não existia e não existirá enquanto Roma estiver ocupada pelos inimigos da realeza universal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi por isso que Dom Lefebvre sagrou quatro bispos em 1988. Ele teria sagrado provavelmente mais se Dom Antônio de Castro Mayer tivesse designado alguns padres para receber o episcopado, como lhe fora proposto atráves de Dom Gerard que veio ao Brasil em 1987 com a missão de fazer este pedido a Dom Antônio.
  Dom Lefebvre pensava que Dom Antônio poderia ter recusado de abandonar cargo e poderia ter escolhido o seu sucessor fazendo frente a Roma modernista para preservar sua diocese dos erros atuais.
  Dom Lefebvre queria sim uma solução canônica, mas uma solução canônica que não fosse falsa mas sim verdadeira.
  Para o Pe. Schmidberger o momento parece ter chegado para esta normalização verdadeira, já que Roma não fala mais de aceitação do Vaticano II nem de legitimidade do Novus Ordo, Ele diz também que a Fraternidade não se calará a respeito dos erros modernos.
  Para mim tenho que estas garantias são bastantes frágeis pois Dom Gerard e Campos diziam também que nenhuma limitação lhes seria imposta no combate anti-modernista. Eles nos prometeram continuar o combate e alguns chagaram mesmo a dizer que era agora que o combate ia começar de verdade porque eles lutariam dentro da Igreja. Pura ilusão como os fatos mostraram. Ilusão e falsa doutrina como se a Tradição estivesse fora da Igreja.
  Dom Lefebvre via bem estas ilusões em Dom Gerard. Enquanto reinar o modernismo em Roma toda esperança de uma verdadeira normalização será vã.
  O Pe. Schmidberger diz também que a Resistência perdeu o sentido e o amor da Igreja. Certamente nós devíamos ter mais virtude, mais fé e mais caridade. No entanto, podemos dizer em nossa defesa que na Resistência se estuda a Pascendi, o Syllabus, Quanta Cura, Quas Primas, Quadragesimo Ano, etc. Na Resistência se lê “A História do Catolicismo Liberal” do Padre Emmanuel Barbier. Na Resistência se traduz em português e se edita o livro “Pierre m'aime tu? De Daniel le Roux. Na Resistência se publica o “Le Sel de la Terre” e se tem veneração por Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer. Suas obras são estudadas e explicadas aos fiéis.
  Se não fazemos mais é por nossa culpa, mas fazemos alguma coisa e esta alguma coisa creio que o fazemos por ter o sentido e o amor da Igreja.
  Que Deus aumente em nós esse amor à Igreja por intercessão do Imaculado e Doloroso Coração de Maria.

 + Tomás de Aquino, OSB.

quinta-feira, abril 21, 2016

Dos Bons e Maus Frutos na Resistência

Por Frei Maseo
Traduzido por Andrea Patrícia

Orgulho farisaico

"Vós não sabeis de que espírito sois" (Lucas 9, 55).


Os últimos meses têm-nos feito testemunhas de uma série ininterrupta e crescente de ataques aos Bispos em particular, e à Resistência Católica em geral, por parte de certos sacerdotes e seus acólitos que, havendo se empoleirado sobre imaginários pedestais, desde dentro mesmo da Resistência estão minando a boa obra que continua a resistência deixada por Mons. Lefebvre na FSSPX. Pelo que temos visto, por tudo que se refere às ações do Pe. Pfeiffer nos Estados Unidos em recentes artigos e informes, e também de outros de seus colegas e cúmplices em outros pontos de nosso continente, a ação diabólica está sendo levada a cabo de maneira furiosa e constante a fim de dividir e corromper a Resistência, assim como o fermento farisaico que corrompe a massa e sobre a qual nos advertiu Nosso Senhor. Esse fermento atuou silenciosamente por certo tempo, mas agora as consequências de sua podridão são estridentes. "As inimizades, as contendas, as rivalidades, as iras, as rixas, as discórdias, a inveja", são alguns dos frutos da carne que menciona São Paulo em Gálatas 4, 20-21, e que vemos agora amadurecer em diversas árvores que apresentam a si mesmas como irrepreensíveis campeões da fé. A estas obras da carne podem acrescentar-se os frutos venenosos do desprezo pela autoridade, a difamação, a mentira, a calúnia, os falsos raciocínios, os juízos temerários, as ameaças, a destruição parcial de uma capela, a publicação constante de correspondência privada, os escândalos... Tudo em nome da fé pura e incontaminada, sob o estandarte de um Cristo que desconhecem e de um Monsenhor Lefebvre que citam, mas que não imitam.

Qual é o espírito que sopra e empurra sobre esses revolucionários que enganam aos incautos e matam com sua língua os fieis que não se submetem a eles, tudo sob a armadura combatente da Tradição Católica? Quiçá em alguns possa ter existido no início longínquo nobreza de intenções, mas cremos ver na atual e penosa degradação de certos sacerdotes o espírito de Judas, de Caifás, de Pilatos. O drama da traição, o circo vociferante da multidão confusa e desordenada, e a lapidação impiedosa voltam a se repetir. Somente a paz de Cristo pode ajudar-nos a permanecer alheios aos uivos ferinos para assim poder discernir claramente a quem nós enfrentamos. Insensatos e orgulhosos abriram a "caixa de Pandora" das paixões mais vergonhosas, pois envolvem o orgulho homicida.

É necessário alertar e identificar o tipo de espírito com que somos tentados e que está operando em sacerdotes e leigos que, uma vez fieis, começaram a desviar-se da boa senda, até chegar a perverter sua própria vocação e converter-se hoje em acusadores permanentes e perseguidores de cristãos. Cremos que a ajuda do Padre Juan Bautista Scaramelli e seu "Discernimentos dos espíritos", clássico da teologia espiritual e livro de consulta obrigatório dos bons diretores espirituais, nos dará uma satisfatória resposta para entender que tipo de espírito se intrometeu em nossos postos de combate, para tentar desconcertar e destruir a obra de Deus na Resistência Católica.
Disse nosso autor, seguindo os ensinamentos de São Bernardo: O espírito do mundo é uma propensão interna à ambição, às honras, à gloria, aos postos, às dignidades, à propriedade e às riquezas. Depois de haver dito o melífluo Doutor que quando nos sentimos incitados ao prazer, à honra e à riqueza, o demônio opera em nós por meio destes seus pérfidos companheiros: carne e mundo, acrescenta que quando depois nos sentimos movidos à ira, à impaciência, à inveja, às inquietudes, às desconfianças, à revolução e à amargura de ânimo para com os próximos, que parecem nos ofender, opera então o maligno por si só.

O espírito humano, por outro lado, é uma inclinação imperfeita à natureza debilitada da culpa original, a qual reina também nas pessoas que aborrecem ao demônio, ao mundo e à carne, e professam virtude e devoção. Agora, deste espírito defeituoso, disse o citado autor [Kempis] que se busca sempre a si mesmo, e a si mesmo tem sempre por fim suas obras, porque pouco se importa com a vontade, o agrado e a glória de Deus, e somente se inclina à própria comodidade, à própria satisfação, à própria utilidade e à própria estima.

Buscam a própria estima, ou seja, a reputação. Assim, há pregadores que anunciam a palavra de Deus para ensinamento das pessoas, mas desejam, juntamente com a saúde dos outros, seu próprio aplauso, como se reconhece em seus sermões, compostos, mais com arte de ganhar crédito para si do que para ganhar almas para Deus. (...) e geralmente falando, podemos dizer que este amor à própria estima é um verme que corrói quase todas as boas obras das pessoas espirituais imperfeitas.

Há um ativismo insensato quiçá nascido do bom zelo apostólico, mas que por sua mesma inércia e em detrimento da vida contemplativa e da oração, conseguiu desordenar e inverter a ordem de prioridades, levando os homens de labor apostólico a pensar que eram mais importantes suas ações que suas orações, ou quiçá tirando de suas ações o apoio de suas orações, e eles terminaram enredados numa vida pouco religiosa ou distante da união com Deus, apesar de sua Missa diária. O exterior tomou corpo e voltou sua vontade defeituosa, por misturar o amor próprio com o amor divino. Daí que as pessoas dominadas por este espírito imperfeito detestam a mortificação, como a morte, porque a natureza dominante não quer ser reprimida, abatida e sujeitada. (Scaramelli, ob. cit.). Deriva-se daí o afã de independência, o orgulho que não mede a crítica nem respeita investiduras, pois se perde toda a ideia de hierarquia e a necessidade evidente de reconhecer-se sob os Superiores.

Como acontece esta queda nas almas? Imperceptivelmente e gradualmente, quiçá para quase todos, particularmente se deve a uma falta de oração e vigilância ("orai e vigiai", disse-nos Nosso Senhor) e também por falta de diretores espirituais capazes de distinguir essas coisas nas almas de seus dirigidos. Muito mais quando sacerdotes solitários tornam-se anárquicos, seus fieis reverenciam-no em excesso, e pensam que não devem prestar contas a superiores que poderiam ser seus pais espirituais na pequena grande família que a Resistência deveria ser. Alguns sacerdotes já vinham incubando esse mau espírito de orgulho farisaico, inclusive dentro mesmo da FSSPX, e o surgimento da Resistência abriu-lhes as portas para uma saída "heroica" ou "decorosa". Mas hoje já não podem continuar dissimulando, e o mau espírito que os move explode uma vez mais, neste caso com argumentos falaciosos, irreais, fantasiosos e passionais.

Também cremos ver na ignorância e nos erros dessa gente a semente evangélica que não vingou: Quem ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o mau espírito e lhe arranca o que se havia semeado em seu coração; este é aquele que recebeu a semente à beira do caminho (Mateus 13,19). Semeados à beira do caminho, porque esses pseudoprofetas da “super-Resistência” se desviaram da boa senda que indicara Mons. Lefebvre, sobretudo com seu exemplo. Apartaram-se da senda de terra que é a humildade, e então a semente nunca pode morrer para nutrir seus corações da vida mesma de Deus. E é palavra não compreendida pela explicação que dá Mons. Straubinger: Não há desculpa por não compreendê-la, porque o Pai a revela aos pequeninos mais ainda que aos sábios (Mateus 11,25). O que não entende as palavras de Jesus, disse São João Crisóstomo, é porque não as ama, mas, como, estas pessoas não proclamam a cada instante amar a palavra de Deus e ser suas grandes defensoras? Precisamente neste alarde ostentoso e seu afã de impor-se com prepotência, demonstram que não a amam, porque quem a ama a compreende, e quem a compreende faz-se pequeno, humilde, simples e caridoso, e não orgulhoso, inquieto, tormentoso e falso. O orgulho farisaico eleva-se pelo desdém com relação ao próximo: “Nós não somos como eles...". E uma vez elevado, não percebe que assim expõe melhor ao público o seu ridículo. E aquele que não tem o mesmo espírito que ele, é inimigo ou suspeito.

Nosso Senhor já nos advertiu contra os falsos profetas, os lobos vestidos de ovelhas. Santo Agostinho aborda este tema em relação com os bons ou maus frutos da árvore em seu livro "O Sermão da Montanha", do qual reproduzimos algumas passagens que se deve ter em conta para elucidar melhor, sem paixões, este delicado tema:

“78. Devemo-nos precaver, sobretudo, daqueles que prometem a sabedoria e o reconhecimento da verdade que não têm, como são os hereges, os quais se recomendam a si mesmos por seu escasso número. E por esta razão o Senhor, depois de haver dito que são poucos aqueles que encontram a porta estreita e o caminho estreito, a fim de que não se introduzam com o pretexto de ser um número reduzido, rapidamente acrescenta: cuidado com os falsos profetas que vêm disfarçados com peles de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. Mas estes não enganam ao olho simples, que sabe distinguir a árvore por seus frutos; assim disse: Por seus frutos os conhecereis. Em seguida acrescenta algumas analogias: Acaso se colhem uvas dos espinhos ou figos das sarças? Assim que toda árvore boa produz bons frutos e toda árvore má dá frutos maus. uma árvore boa não pode dar frutos maus, e uma árvore má dar bons frutos. Toda árvore que não dá bom fruto será cortada e lançada ao fogo. Por seus frutos, pois, os conhecereis.

Quais são os frutos de más e boas obras.

81. O apóstolo ensina quais são os frutos pelos quais reconhecemos a árvore má: São bem conhecidas as obras da carne: fornicações, desonestidades, luxúrias, idolatrias, feitiçarias, inimizades, litígios, ciúme, ira, rixas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, embriaguez, glutonaria e coisas semelhantes; sobre as quais os previno, como já tenho dito, que os que tais coisas fazem não alcançarão o reino de Deus. E em seguida ensina quais são os frutos pelos quais podemos reconhecer a árvore boa: Ao contrário, os frutos do Espírito são: caridade, regozijo, paz, paciência, magnanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, continência".

(Santo Agostinho, "O Sermão da Montanha", L. II, Cap. XXIV)

Temos aqui o critério para discernir muitas árvores que de boas tornaram-se más (pois Santo Agostinho fala de árvores referindo-se a vontades e não a naturezas): "O Apóstolo ensina quais são os frutos, pelos quais uma vez reconhecidos, reconhecemos a árvore má: São bem conhecidas as obras da carne: fornicações, desonestidades, luxúrias, idolatrias, feitiçarias, inimizades, litígios, ciúme, ira, rixas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, embriaguez, glutonaria e coisas semelhantes; sobre as quais os previno, como já tenho dito, que os que tais coisas fazem não alcançarão o reino de Deus."

Não é necessário que se deem todos estes frutos, mas distinguindo alguns podemos discernir diante de que tipo de árvore nos encontramos; as provas estão diante dos olhos de quem possa ver com olhar simples, sem perturbações produzidas pelas paixões desenfreadas, nem ao calor do fogo das disputas pessoais, nem de uma fé corrompida e deformada. Os revoltosos que tentam  destruir a Resistência, digamos uma vez mais, oferecem de sua seita hortifrúti desonestidades, idolatrias, inimizades, litígios, ciúme, ira, rixas, dissensões, invejas, etc. Se a árvore é boa, podemos reconhecer estes frutos: caridade, regozijo, paz, paciência, magnanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, continência."

Finalmente trazemos e destacamos umas palavras de São Pedro de total atualidade, para reconhecer o que ocorre com os agitadores do diabo que tentam destruir a Resistência: Mas houve também falsos profetas no povo, assim como entre vós haverá falsos doutores que introduzirão furtivamente sectarismos perniciosos, e chegando a renegar Nosso Senhor que nos resgatou, atrairão sobre eles uma ruína repentina. Muitos os seguirão em suas dissoluções, e por causa deles o caminho da verdade será caluniado. por avareza farão tráfico de vós, valendo-se de razões inventadas: eles, cuja condenação há muito tempo os ameaça e cuja ruína não dorme (II Pedro, 2, 1-3). Como disse o Eclesiastes: Não há nada de novo debaixo do sol.

Original em Syllabus