quinta-feira, junho 30, 2016

Divulgação do curso "O Melhor Regime": A multiforme figura da Revolução


terça-feira, junho 28, 2016

A TV Antieducativa

Como o texto é longo, deixarei aqui os links do índice.


por Valdemar W. Setzer
Depto de Ciência da Computação da USP

Índice 5.1 Excesso de peso e obesidade
5.2 Riscos de doenças
5.3 Problemas de atenção e hiperatividade
5.4 Agressividade e comportamento antissocial
5.5 Medo e depressão
5.6 Intimidação a colegas (bullying)
5.7 Indução de atitude machista
5.8 Dessensibilização dos sentimentos
5.9 Indução de mentalidade de que o mundo é violento e violência não gera castigo
5.10 Prejuízo para a leitura
5.11 Diminuição do rendimento escolar e prejuízo para a cognição5.12 Confusão de fantasia com realidade
5.13 Isolamento social e problemas de relacionamento
5.14 Aceleração do desenvolvimento
5.15 Prejuízo para a criatividade
5.16 Autismo
5.17 O problema do vício
5.18 Indução ao consumismo
5.19 Condicionamento e não informação
5.20 Paralisia mental
5.21 Indução de mentalidade de competição5.22 Destruição da vida familiar
5.23 Falta de ritmo e sono saudável
5.24 Massificação
5.25 Indução de impulsividade e negatividade5.26 Indução de admiração pelas máquinas5.27 Indução de mentalidade materialista
6.1 O que é educação?
6.2 A educação no lar
6.3 A educação na escola
8.1 O que fazer com a TV no lar
8.2 O que fazer com a TV na escola
9. Conclusões
Referências 

segunda-feira, junho 27, 2016

Marie Antoinette para Maria Theresa sobre Louis



Eu estou convencida de que se eu tivesse que escolher um marido entre os três irmãos, eu ainda preferiria aquele que me foi concedido: seu carácter é firme e embora ele seja desajeitado, ele é atencioso e gentil comigo.
-Marie Antoinette para Maria Theresa, 15 de dezembro de 1775
imagem: (C) RMN-Grand Palais (Château de Versailles) / Gérard Blot

Traduzido de Vive La Reine.

sexta-feira, junho 24, 2016

Dez Máximas de Santo Afonso de Ligório



1. É nas doenças que se vê quem tem virtude.

2. Antes perder tudo, que perder a Deus.

3. Perturbar-se com as faltas cometidas não é humildade, mas orgulho.

4. Só somos o que somos diante de Deus.

5. Sempre o demônio anda à caça dos ociosos.

6. Desgraçado de quem ama mais a saúde que a santidade!

7. Os curiosos são sempre dissipados

8. Os santos falam sempre de Deus; sempre dizem mal de si próprios, e sempre bem dos outros.

9. A quem procura ser estimado, estima Deus pouco.

10. Quando se pensa no inferno que se mereceu, sofrem-se com resignação todas as penas.

Aulas completas do curso “A Ordem das Disciplinas segundo Santo Tomás de Aquino”

Clique aqui para acessar.

quarta-feira, junho 22, 2016

Homeschooling no Brasil?



Para quem tem interesse em saber mais sobre Homeschooling (educação no lar, ensino domiciliar, escola em casa) no Brasil, acesse os links (não são todos católicos, mas o objetivo é tratar sobre educação domiciliar, portanto há muitas dicas valiosas):

- Tese de mestrado sobre a educação domiciliar, apresentando parecer de casos reais no Brasil. Desmistifica também a questão da socialização: 
- Sobre os fundamentos legais existentes, situação jurídica:


- Áudios muito bons:

- Alguns websites e vlogs:










- Videos:
Espero que ajude!

A Princesa Isabel


segunda-feira, junho 20, 2016

domingo, junho 19, 2016

Comentários Eleison: A Trapaça do Antissemitismo

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDLXVI  (466) - (18 de junho de 2016)

A TRAPAÇA DO “ANTISSEMITISMO”


É a palavra “antissemita” brandida como uma espada?
Apenas peça a quem a brande para que a defina.

Há palavras traiçoeiras que parecem significar uma coisa, mas que são empregadas para significar outra completamente diferente. Uma das mais traiçoeiras de todas é a palavra “antissemitismo”. Esta parece significar oposição a todos os judeus pura e simplesmente porque são judeus; nesse sentido, ela condena corretamente algo mau, porque alguns judeus são perversos, mas é certo que nem todos o são. Por outro lado, é frequentemente utilizada para condenar qualquer oposição a tudo que os judeus fazem, e então a palavra está erradamente condenando algo bom, porque sempre que os judeus fizerem algo ruim, então a oposição a eles é boa. Mas os judeus fazem coisas ruins? Obviamente. Eles criaram o islã para os árabes, a maçonaria para os gentios e o comunismo para o mundo moderno, todos os três, primeiramente, para lutar contra Jesus Cristo e o Cristianismo e, então, enviar almas para o inferno.

Um livro que todos os católicos deveriam ler, os que querem defender a Igreja contra o islã, a maçonaria e o comunismo, agora globalismo, é Complô Contra a Igreja, de Maurice Pinay. O livro foi escrito pouco antes do Vaticano II para ser posto nas mãos de todos os padres conciliares e alertá-los sobre o grande perigo no qual a Igreja se encontraria no Concílio. Efetivamente. Os padres do Concílio acabaram por louvar o islã (Unitatis Redintegratio), adotar princípios maçônicos (Dignitatis Humanae) e nunca mencionar, e menos ainda condenar, o maléfico sistema comunista. Eis como em seu capítulo “Antissemitismo e Cristianismo”, Maurice Pinay analisa a traição da palavra “antissemitismo”:

Ao longo dos tempos, os judeus sempre utilizaram palavras vagas com uma gama de significados, escreve o autor, para emboscar as mentes gentias e impedi-las de se defenderem contra as manobras judaicas em direção à dominação do mundo nessa guerra de dois mil anos contra o Cristianismo, guerra que ele cuidadosamente documenta ao longo de todo o livro. Assim, num primeiro estágio, por meio de três argumentos, eles procuram persuadir os líderes gentios a condenarem o “antissemitismo” no primeiro sentido mencionado acima, de oposição a todos e a tudo o que é judeu: em primeiro lugar, Cristo, estabelecendo a igualdade de todos os homens diante de Deus, condenou qualquer degradação de toda uma raça; em segundo lugar, Cristo disse a todos os homens para “amarem-se uns aos outros”; em terceiro lugar, Cristo e sua Mãe eram ambos judeus.

            Mas, num segundo estágio, os judeus, tendo já obtido dos gentios a condenação de um vago “antissemitismo”, prosseguem dando à palavra um significado bem diferente, o segundo sentido mencionado acima, de toda e qualquer oposição a tudo o que os judeus façam. Assim, são “antissemitas”: todos os patriotas que exercem seus direitos de autodefesa contra a subversão judaica em seus países; todos os defensores da família contra os erros e os vícios de toda sorte fomentados por judeus para dissolvê-la (como o aborto e a pornografia); todos os católicos que defendem sua santa religião contra toda forma de corrupção que é aberta ou secretamente promovida por judeus para destruí-la; todos os que dizem a verdade ao desmascarar os judeus como os criadores da maçonaria e do comunismo (agora do globalismo, do feminismo, etc.); e todas as pessoas em geral que se opõem à subversão judaica da Igreja e da civilização cristã. E pelo controle que possuem da política, das finanças, dos filmes e de tudo mais por meio de sua mídia, os judeus seguem dando tal carga elétrica nesta única palavra: “antissemita”, que já é suficiente para eletrocutar qualquer um que ela toque.

Mas quem foi tolo o suficiente para tê-los permitido controlar a política e as finanças? Quem os permitiu virtualmente monopolizar a indústria cinematográfica e os meios de comunicação? Quem pensa que é inteligente rejeitar toda censura e agora está cooperando com eles, permitindo que censurem a internet? Liberais gentios, em todos os casos, que estão sendo escravizados, a cada minuto, na Nova Ordem Mundial dos judeus. Doutor, cura-te a ti mesmo! Para aquele que lê seus jornais e assiste aos seus programas de televisão, tem outro a quem culpar mais que a si mesmo, por deixar que eles controlem sua mente e sua civilização?

Católicos, leiam Complô Contra a Igreja. Se alguém lhes está acusando de serem “antissemitas”, é bem provável que vocês tenham razão para se orgulhar.

Kyrie eleison.





sábado, junho 18, 2016

Petição pelo respeito às famílias!

 

Assinemos a petição pelo respeito às famílias e ao seu direito de escolha do modelo educacional de sua preferência.
Recentemente, o procurador Luís Carlos Kothe Hagemann enviou ao Supremo Tribunal Federal um pedido de representação do Estado do Rio Grande do Sul na questão do Homeschooling. Seu intuito é pressionar pela PROIBIÇÃO DA EDUCAÇÃO DOMICILIAR não somente no estado, mas em TODO O BRASIL. Para tanto, o procurador Hagemann cita em seu pedido o "argumento" do filósofo espanhol Fernando Savater, originalmente dito em tom jocoso, mas que, para o procurador, parece merecer ser levado a sério:

"—Um dos primeiros objetivos da educação é preservar os filhos de seus pais. — disse, arrancando risadas — não me parece bom, portanto, submeter permanentemente os filhos aos pais. A escola ensina muito mais do que os conteúdos aplicados nela, e sim a conviver com pessoas que não temos razões para gostar, e que às vezes até não gostamos, mas que precisamos respeitar."

Em outras palavras, o procurador Luís Carlos Kothe Hagemann parece mesmo achar que os pais representam um perigo para os seus filhos, dos quais devem manter distância o máximo de tempo possível. Enfim, chegamos ao tempo em que encontramos entre nós aqueles que anseiam pela Matrix, onde os indivíduos não são sequer gerados da união de um homem e de uma mulher, mas por um simulacro de útero humano e com o propósito exclusivo de (sobre)viver para a manutenção do sistema, sem pais, sem família, sem amigos, sem vínculo real algum. Talvez o procurador não saiba, mas citando de modo tão infeliz a passagem de Fernando Savater, não declarou guerra somente às famílias homeschoolers, mas a todas as famílias do Brasil, afinal, vocês, pais, homeschoolers ou não, são, na opinião do procurador, um perigo para seus filhos.

Assine e compartilhe a petição, pois nenhum pai ou mãe pode admitir ser tratado como um perigo ou como uma ameaça aos seus filhos, sejam eles adeptos ou não da educação domiciliar.
 

terça-feira, junho 14, 2016

domingo, junho 12, 2016

Comentários Eleison: O Objetivo do Arcebispo

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDLXV (465)- (11 de junho de 2016)

O OBJETIVO DO ARCEBISPO


Quem põe a obra do Arcebispo sob essa Roma,
Trai-o, e trai a Fé e os católicos.

Este fatídico mês para a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, junho de 2016, quando ouvimos que seus 30 sacerdotes superiores se reunirão com o intuito de decidir se aceitam a última oferta de Roma acerca de um reconhecimento oficial, é certamente um bom momento para corrigir alguns mal-entendidos em relação às intenções de seu Fundador, o Arcebispo Lefebvre (1905-1991). Alguns afirmam que seu curso foi oscilante, que ele “ziguezagueou”, indo de um lado a outro. Outros fingem que, acima de tudo, ele procurou o reconhecimento de Roma para sua Fraternidade. Sem ter de dizer que ele era infalível, alguém precisa lembrar à esquecida Fraternidade do que ele queria dizer – e ambos os erros são corrigidos pela mesma observação: que sua motivação básica era glorificar a Deus e salvar almas, servindo à Sua verdadeira Igreja por meio da defesa da fé, e defender a Fé fundando a Fraternidade Sacerdotal São Pio X com o intuito de formar sacerdotes que preservariam a doutrina, os sacramentos e a Missa da Tradição Católica.

Pois bem, o grande obstáculo no caminho do Arcebispo foi os clérigos do Vaticano II, cuja prioridade principal era (e ainda é) agradar não a Deus, mas o ao homem moderno que se distanciou de Deus. Agora, tal como então, eles rejeitavam Deus (ao menos objetivamente; se subjetivamente, só Deus o sabe), e procuravam mudar a Igreja de Deus e sua Fé, sua doutrina, seus sacramentos e sua Missa, por meio de uma “renovação” humanística.

Por desgosto ou desespero, o Arcebispo conseguiu se afastar para um canto com sua Fraternidade, e deixar esses clérigos perecer com sua revolução conciliar. Mas, primeiramente, desde a visita romana a Écône em 1974, eles foram atrás dele e de sua obra porque não poderiam deixar de demonstrar a própria perversidade. Não poderiam permitir que ele ficasse em paz. E, em segundo lugar, se ele pudesse fazer qualquer coisa para levar a Tradição aos romanos e trazer os Romanos de volta à Tradição, isto beneficiaria, por meio deles, toda a Igreja, e não somente sua pequena Fraternidade. De fato, ainda que eles estivessem errados, ocupavam “a cadeira de Moisés” (cf. Mt. XXIII,2), e assim, desde 1975, o Arcebispo foi e voltou a Roma, até a prevaricação desta, em 1988, de tentar outorgar outro bispo à Fraternidade, ter provado de uma vez por todas que ele não poderia mais falar-lhes com palavras, mas somente com ações.

Mas “Stat Crux dum Volvitur Orbis”, o que significa que a Cruz permanece imóvel enquanto o mundo inteiro está em revolução. Ancorado na Tradição, o Arcebispo estava basicamente imóvel, mas lidando com clérigos e com uma situação na Igreja de soltura daquela âncora, que a deixou, doravante, à deriva. Então, enquanto eles se deslocavam para a esquerda, ele precisava manobrar para a direita. Enquanto eles pareciam se deslocar para a direita novamente (como no final de 1987 e no início de 1988), ele manobava para a esquerda (por exemplo, no Protocolo de 5 de maio de 1988), mas era sempre a guinada deles ou uma situação emergente (por exemplo, a deterioração da missa do Novus Ordo) que determinava seu “ziguezague”, e não o contrário. Seu objetivo era firme: a defesa da Fé.

Foi pela mesma razão que, uma vez que a prevaricação dos clérigos no mesmo 5 de maio de 1988 ficou clara a ponto de não deixar nenhuma sombra de dúvida, e depois de uma noite de reflexão, ele renunciou, em 6 de maio, ao Protocolo por meio do qual poderia ter obtido o reconhecimento oficial de sua Fraternidade por parte de Roma, e cortou todas as relações meramente diplomáticas com esta. Não para, primeiramente, salvar sua Fraternidade, mas para proteger a Tradição Católica para toda a Igreja. A doutrina teve de prevalecer sobre a diplomacia, e desde este momento até sua morte, dois anos e meio depois, mesmo quando agia com respeito para com os oficiais da Igreja que ele castigou como “anticristos”, ele declarou que a Fé tinha de vir primeiro na forma das encíclicas doutrinais antiliberais e antimodernistas dos papas pré-conciliares. Por sua fidelidade à doutrina da Igreja, ele estava no banco do motorista, e os romanos sabiam disso. Que contraste com seus sucessores que estão no topo da Fraternidade adulando os traidores da doutrina e da Tradição da Igreja, e sendo humilhados por estes! Que esses sucessores do Arcebispo releiam aquele que foi o seu discurso de despedida a eles, proferido em 6 de setembro de 1990.


Kyrie eleison.

quinta-feira, junho 09, 2016

Discurso do Príncipe D. Bertrand - XXII Encontro Monárquico (30/06/2012): uma constatação

Por C. N.


Sem deixar de lado as ressalvas feitas em O movimento monarquista brasileiro, convido-vos a todos a constatar por este vídeo que, ante um mundo apóstata, neopagão e preparador do advento do Anticristo, é um dever do católico apoiar o movimento monarquista liderado por Dom Bertrand. Ouvi-lo é como voltar a um tempo pré-revolucionário em que as nações se deixavam reger de algum modo, perfeito ou imperfeito, pelo Evangelho. Quantas conversões podem dar-se com o movimento monarquista e, ainda mais, com uma eventual restauração monárquica! Quanto pode fazer o movimento monárquico para esmagar, na alma de multidão de pessoas, as duas cabeças da hidra revolucionária!

A prudência política ordena-se também a aplicar concreta ou contingentemente a ciência prática da Política. Ora, tanto esta como aquela não podem deixar de fundar-se, para o católico, no lema do Cardeal Pie de Poitiers e de São Pio X: “Instaurare omnia in Christo” (Instaurar tudo em Cristo). Mas cabe à prudência política aplicar este lema à realidade segundo as condições concretas com que depara. Assim, antes da crise do sistema liberal-partidário brasileiro, perfeitamente alinhado com o vetor mundial para o Anticristo, aplicar corretamente tal lema implicava antes de tudo insistir nos princípios da política católica, e, quando muito, votar em candidatos menos ruins. Mas surpreendentemente rui, diante de nossos olhos, tal sistema, e ainda surpreendentemente a ideia monárquica e o mesmo movimento monarquista (católico!) vão conquistando crescente simpatia. Pois bem, sem acalentar ilusões que neguem a marcha final da história segundo as mesmas Escrituras,* o fato é que nenhum curso histórico é linear, senão que sempre consta de idas e de vindas não raro inesperadas; além de que uma coisa é o desenho profético de dada sucessão de acontecimentos – e as profecias são como uma vista aérea de determinado terreno e seus acidentes geográficos –, outra o percurso que se faz nesse mesmo terreno, percurso que, pela própria natureza das coisas, não pode deixar de topar com surpresas e eventos súbitos. Pois bem, algo assim é o que se nos depara hoje no Brasil. Que sejamos capazes de arrostá-lo, sem ilusões, sim, mas de modo decidido. Será uma maneira contingente e atual, no meio dos escombros de um mundo deicida e suicida, e ainda que dentro das limitações que se nos impõem, de ajudar a instaurar tudo em Cristo. Se só algo se instaurar em Cristo com o movimento monarquista ou com uma eventual restauração monárquica, já será muito. Se nem algo assim se fizer, teremos travado um bom e justo combate.

Observação 1. Aos que insistem em que esta postura é uma denegação dos princípios da política católica, faça-se-lhes a seguinte pergunta: se lhes tivesse sido dado derrotar a revolução francesa mediante a restauração da monarquia absolutista, teriam deixado de apoiar (ainda que com reservas) esta contra aquela?

Observação 2. A questão da ordenação essencial do estado à Igreja é deinfalibilidade ao modo ordinário, não extraordinário, e por isso, pelas razões já assinaladas na série Da Necessidade de Resistir ao Magistério Conciliar, pode gerar dúvidas, sem que os que se equivoquem quanto a ela sejam necessariamente hereges. Com efeito, também quanto a isto falta uma declaração extraordinária. E o que se acaba de dizer é plenamente corroborado pelo fato de que ninguém menos que o Cardeal Billot e o Cardeal Ottaviani, antiliberais convictos e militantes, tampouco tinham clara a necessidade da ordenação essencial do estado à Igreja (videP. Álvaro Calderón, El Reino de Dios en el Concilio Vaticano II).    




* A saber: apostasia geral das nações  a abominação da desolação instalada no lugar santo  advento e império breve do Anticristo  conversão dos judeus  restauração cristã [o triunfo do Sagrado Coração] no mundo  dentro de tempo mais ou menos breve, a Parusia ou segunda e definitiva vinda de Cristo, com a conformação de novos céus e de nova terra. Vide, no livro Estudos Tomistas – Opúsculos (Edições Santo Tomás, por lançar-se brevemente), a questão disputada Se Se Deve Rezar pela Salvação do Mundo, em cujo último artigo se trata justamente este assunto. Esta questão já apareceu nesta página, mas foi profundamente alterada para o livro.


O movimento monarquista brasileiro

Por C. N.


A doutrina da Igreja com respeito aos regimes políticos encontra-se numa série de documentos seus,[1] e cifra-se teologicamente na doutrina política de Santo Tomás de Aquino. Segundo esta, com efeito, três são as notas do estado católico.
1) Pode ser uma monarquia, ou uma aristocracia, ou uma politia (ou democracia sem democratismo), ou ainda um regime misto destas (o preferido do mesmo Santo Tomás); mas não suas respectivas corrupções: a tirania, a oligarquia e a democracia democratista (ou seja, a dos indivíduos-massa e sem corpos intermediários [corporações, foros, etc.], como a democracia liberal).
2) Deve ordenar-se essencialmente ao poder espiritual assim como o corpo se ordena essencialmente à alma no composto humano; assim como a natureza humana se ordena essencialmente à graça divina no justo; e assim como a razão se ordena essencialmente à fé na Teologia Sagrada.
3) Fazendo-o, será membro da Igreja (a título de pessoa moral) como o é cada fiel singular.
Não basta, pois, para ser efetivamente um estado católico, que se ordene indireta ou acidentalmente ao poder espiritual (porque, com efeito, até o papa se ordena acidentalmente a seu cirurgião). Em outras palavras, para ser tal, não basta que apoie a religião ou a Igreja; é preciso que seja da Igreja.
Pois bem, ao que parece, o movimento monarquista brasileiro – o dos Braganças, herdeiros da dinastia de Dom Pedro e da Princesa Isabel  não pretende (além de que, como veremos, nem sequer poderia) constituir um estado estritamente católico, no sentido apontado acima. Descrevo-o sucintamente, mas, creio, suficientemente.
• Com efeito, a atual família real é membro do IPCO (Instituto Plínio Correia de Oliveira, antiga TFP – Tradição, Família e Propriedade). A TFP teve destacada participação não só no movimento popular que ajudou a evitar em 1964 o comunismo, mas no Concílio Vaticano II (onde atuou ao lado dos bispos tradicionalistas que tentaram evitar a catástrofe que enfim se consumaria).
• Mas religiosamente não se pode concordar com alguns traços seus:
◊ o ser um movimento católico dirigido por um laico: e, com efeito, todo movimento assim sempre corre os riscos do personalismo, que se evitam com o dito por Pio XII na “Alocução aos Cardeais e Bispos para a Canonização de Pio X” (31 de maio de 1954) e no “Discurso de 20 de Fevereiro de 1946 aos novos Cardeais”;
◊ correto combate ao comunismo, mas certa superficialidade na crítica ao liberalismo (especialmente o político): e, com efeito, como diz Pio XI na encíclica Divinis Redemptoris, o liberalismo é a semente de onde brota o comunismo, assim como da monarquia liberalizante dos Braganças brotou o golpe revolucionário republicano com as mazelas que nos trouxeram até ao atual estado de coisas no Brasil;[2]
◊ combate não suficientemente frontal ao magistério conciliar: e, com efeito, é isso o que caracteriza o livro do historiador Roberto de Mattei[3] O Concílio Vaticano II (que, porém, é excelente por outros ângulos).
Para constatá-lo em algum grau, veja-se na íntegra esta entrevista dada por Dom Bertrand de Orleans e Bragança. Nela, com efeito, diz entre outras coisas Dom Bertrand que a relação entre o estado e a Igreja deve ser de “colaboração” (não de ordenação essencial).
Por outro lado, porém, se a Política é a ciência prática que estabelece o que se deve fazer em geral quanto à pólis, cabe à prudência política encontrar o que se há de fazer em cada caso concreto: ou seja, não contrariamente ao que dita a ciência da Política, mas aplicando-o como possível a dada situação concreta ou contingente. E é na conjugação da ciência da Política com a prudência política de católicos que devemos encontrar a posição que adotar diante do movimento pela restauração da monarquia no Brasil. Há que entender, portanto, a situação em que se encontra hoje o mundo e a situação em que se encontra hoje o Brasil.
• No mundo, prepara-se o advento do Anticristo, graças à nefanda pauta global, por um lado, e, por outro, à atuação igualmente nefanda do magistério conciliar: e, com efeito, este não almeja outra coisa que seguir a corrente de um mundo anticristão.
• No Brasil, no entanto, e curiosamente, a crise a que nos trouxe a sucessão de eventos de dois séculos[4] leva nosso povo a recusar o mesmo regime liberal-partidário atual: com efeito, como se viu em recente pesquisa, quase 80% dos brasileiros já o rejeitam de algum modo – e cresce a simpatia pela monarquia parlamentarista ou constitucional e, pois, pela família real dos Braganças.
• Pois bem, ainda que se façam todas as ressalvas feitas acima ao IPCO e ao próprio modelo de monarquia proposto pelos Braganças, o fato é que:
◊ a situação brasileira atual, tal como se acaba de descrever, vai tendencialmente (ainda que só parcialmente) contra o vetor apocalíptico ou catastrófico de quase todo o restante do mundo (excetuam-se talvez a Hungria, a Polônia e poucos mais);
◊ não basta apontar que a monarquia parlamentarista proposta pelos Braganças é do mesmo corte que a da Espanha ou a da Inglaterra: é preciso dizer também, e em contrapartida, que os Braganças são católicos, enquanto a família real espanhola e a inglesa não o são, o que faz grande diferença (como disse Santo Afonso Maria de Ligório, “o que um soberano tocado pela graça de Deus pode fazer no interesse da Igreja e das almas, milhares de missões jamais o farão”);
◊ com efeito, o crescimento da simpatia pela monarquia entre os brasileiros e especialmente uma eventual e efetiva instauração da monarquia entre nós trarão consigo a possibilidade de conversão de grande número de almas ao catolicismo sem aspas: para estar certo disto, basta ouvir Dom Bertrand (na referida entrevista, etc.) falar da Bíblia, de Adão e Eva e do pecado original, da lei natural, da necessidade de que um estado e um país se ponham sob a lei de Deus, além de ouvi-lo criticar os escândalos de Francisco, verdadeiramente destruidores da Igreja e da própria sociedade (vide o final da referida entrevista);[5]
◊ ademais, os Braganças são exclusivamente de missa tridentina: imaginem-se os efeitos de uma transmissão televisiva da família real na missa de sempre, com sua validade inquestionável e com as belezas incomparáveis que encerra;
◊ além dos incalculáveis efeitos benéficos que o crescimento da ideia monárquica e da influência da própria família real terá sobre a cultura e a mesma civilidade, o que se colige com evidência de qualquer pronunciamento ou entrevista de Dom Bertrand.
Por tudo isso é que devemos apoiar o movimento monarquista brasileiro, ainda que com as reservas críticas decorrentes do dito mais acima e com constante acompanhamento de sua evolução.[6] Não se trata, assinale-se, de algo como votar num candidato menos indigno ou que represente talvez um mal menor. Trata-se de efetivo apoio, ainda que, insista-se, com as referidas reservas e com o referido acompanhamento. Não fazê-lo é aferrar-se a uma tese política sem correta aplicação prudencial, e deixar de contribuir para a possível conversão e salvação de multidão de almas.        






[1] Documento de excomunhão e de deposição de Henrique IV (São Gregório VII); encíclica Sicut universitatis (Inocêncio III); bula Unam Sanctam (Bonifácio VIII); constituição Licet iuxta doctrinam (Erros de Marsílio de Pádua e de João de Jandun sobre a constituição da Igreja; João XX); encíclica Etsi multa luctuosa (Pio IX); encíclica Quanta cura (Pio IX); o Syllabus (Pio IX); encíclica Quod Apostolici muneris (Pio IX); encíclica Diuturnum illud (Leão XIII); encíclica Immortale Dei (Leão XIII); encíclica Libertas, praestantissimus (Leão XIII); encíclica Sapientiae christianae (Leão XIII); encíclica Annum Sacrum (Leão XIII); encíclica Rerum novarum (Leão XIII); encíclica Graves de Communi Re (Leão XIII); encíclica Vehementer Nos (S. Pio X); encíclica Communium rerum (S. Pio X); encíclica Jucunda sane (S. Pio X); encíclica Pascendi (S. Pio X); motu proprio Sacrorum antistitum (S. Pio X); encíclica Editae saepe Dei (S. Pio X); encíclica E supremi apostolatus (S. Pio X); encíclica Il fermo proposito (S. Pio X); Carta sobre a ação social, janeiro de 1907 (S. Pio X); encíclica Ad diem illum (S. Pio X); alocução Gravissimum (S. Pio X); encílica Notre charge apostolique (S. Pio X); encíclica Ubi arcano (Pio XI); encíclica Quas primas (Pio XI), a carta magna da cristandade; encíclica Divini illius magistri (Pio XI); encíclica Quadragesimo anno (Pio XI); encíclica Firmissimam constantiam (Pio XI); encíclica Summi Pontificatus (Pio XII).
[2] Note-se que a monarquia constitucional ou parlamentarista como defendida pelos Braganças não impede por si a desagregação social, moral e religiosa, como se pode constatar pela situação apocalítica da Espanha ou da Inglaterra atuais – ainda que também seja verdade o que diz Rubén Calderón Bouchet, a saber, que como quer que seja a monarquia mantém por si um resto de dignidade política que não se encontra de modo algum na democracia liberal.
[3] Membro ele mesmo do IPCO.
[4] E que culminou no antigoverno do PT e na dissolução institucional que vivemos hoje.
[5] Aliás, como antecipado, ainda que a família real dos Braganças tivesse a visão correta quanto à ordenação do estado à Igreja, hoje não poderia pôr-se em prática: justo porque o magistério conciliar, liberal e modernista, criminosamente não o quer. Foi, com efeito, obra constante sua a descristianização dos estados do mundo inteiro.  
[6] Diga-se que falo estritamente em meu próprio nome.