domingo, julho 31, 2016

Comentários Eleison: Tomismo Essencial

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDLXXII (472) - (30 de julho de 2016):


TOMISMO AUTÊNTICO

Verdade que é verdade exclui toda contradição.
“Verdade” que admite o erro é verdadeira ficção.


O modo como o modernismo pode combinar sinceridade aparente e boa fé com dissolução da verdade é tão perigoso para a fé real dos católicos que dificilmente consegue ser descrito ou analisado com muita frequência. A pergunta recente de um leigo tradicionalista provê outra oportunidade para fazê-lo. Ele pergunta se um sacerdote da Fraternidade Sacerdotal São Pio X estaria sendo sensato ao ler regularmente uma revista tomista conciliar, baseando-se no fato de que a FSSPX não forneceu até o momento esse material de leitura regular sobre o pensamento e a doutrina do grande filósofo e teólogo da Igreja, Santo Tomás de Aquino. A resposta é que é melhor que esse sacerdote, no mínimo, seja muito cuidadoso, porque o tomismo conciliar é uma contradição em termos reais que pode, em termos modernistas, facilmente fingir-se – e aqui está o problema – de não contraditório.


O tomismo conciliar é uma contradição em termos reais porque o ensinamento de Santo Tomás se esforça, e normalmente é bem sucedido, em se conformar à ordem una e única plantada nas coisas reais, fora de nossas mentes, pelo uno e único Deus real. De modo contrário, o Vaticano II procedeu de uma suposição de que o homem moderno desestabilizou essa ordem nas coisas, centrada em Deus e estática (ver a seção de abertura da “Gaudium et Spes”), e, portanto, para a religião de Deus fazer algum sentido para o homem moderno, deve ser remodelada em termos dinâmicos e centrados no homem, o que faz com que o tomismo não seja mais unicamente fiel à realidade, mas seja de algum modo antiquado.


Em termos modernistas o tomismo pode permanecer um monumento histórico do pensamento humano, um sistema intelectual magnífico, cuja lógica e consistência são totalmente admiráveis. Assim, os seminaristas da FSSPX, por exemplo, podem aprendê-lo como um catálogo telefônico, mas se eles se deixam levar pelo feitiço do Vaticano II, não verão mais o tomismo como o único modo de combater os erros modernos, e serão facilmente encantados e seduzidos por muitas outras maneiras mais “atualizadas” de pensar sobre o mundo. Resumindo, os modernistas não desafiarão o tomismo em seu próprio território, de fato eles poderão alegar que concordam totalmente com ele no território deles. Eles simplesmente alegarão que em tempos modernos o terreno foi modificado, e então o tomismo não é mais unicamente válido, ou já não é mais o único modo de chegar à verdade. Assim, os seguidores do Vaticano II podem realmente pensar que concordam com o tomismo, mas não concordam com ele absolutamente.
Deixemos a aritmética elementar ilustrar mais uma vez a questão. Dois e dois são quatro, e na vida real, na realidade, não podem ser nada mais, nem três nem cinco. Mas um aritmético moderno poderia dizer: “dizer que dois e dois são unicamente ou exclusivamente quatro, é ter a mente muito fechada. É muito mais criativo e progressista dizer que podem também ser cinco ou seis – vamos abrir a mente – seis milhões!”. E porque esse aritmético moderno não exclui dois e dois como sendo quatro, mas alegremente inclui isto em sua ampla mentalidade, ele pode acreditar sinceramente que sua aritmética não contradiz a velha aritmética. Mas quem não pode ver que na realidade ele está minando completamente a “antiga” e verdadeira aritmética? Aquela aritmética que corresponde à única realidade fora de nossas mentes não somente inclui que dois e dois são quatro, mas também exclui absolutamente que seja outra coisa. E é somente essa aritmética que corresponde àquela realidade única, ou seja, que é verdadeira. Assim a crença e o pensamento que correspondem à única ordem de realidade natural e sobrenatural de Deus existiram evidentemente por muitos séculos antes de Santo Tomás de Aquino (1225-1274). Ele simplesmente reuniu tudo em um sistema incomparável. Mas não é o sistema que faz com que sejam verdadeiros. O que os torna unicamente verdadeiros como um sistema é a sua correspondência única como um sistema com a realidade.
Portanto, se os escritores dessa revista tomista são também professos seguidores do Vaticano II, eles certamente não acreditarão que o tomismo seja, no sentido apresentado aqui, único. Nesse caso, eles podem ser chamados de “tomistas de catálogo telefônico”, mas seguramente não são verdadeiros tomistas. Será que o sacerdote supramencionado saberá fazer sempre a distinção? Não se ele está agora se permitindo ser conduzido pelo Vaticano II.

Kyrie eleison

sexta-feira, julho 29, 2016

Orações pela escola de meninos dos Dominicanos de Avrillé, e por que devemos lutar no Brasil

Por C. N.



No início do ano de 2017, acontecerá na França a inspeção da escola de meninos dos Dominicanos de Avrillé (La Haye-aux-Bonshommes, Angers). O Ministério da Educação do governo socialista (e radicalmente anticatólico) ameaça fechá-la por não “defender suficientemente os valores republicanos”. Dirijamos pois instantes orações pela escola deste baluarte do cristianismo.

E é para que não nos vejamos os católicos brasileiros sob tacões como os dos revolucionários republicanos franceses ou espanhóis que devemos lutar no Brasil não só pela queda do governo do PT mas contra todas as correntes revolucionárias (e não se tenha dúvida: o que imediatamente se substitui ao PT não deixa de ser revolucionário). Está na hora de os católicos nos livrarmos de uma vez da inércia querida pela CNBB (majoritariamente aliada dos revolucionários) e, com a voz que nos for possível, somar-nos às manifestações do dia 31 e demais, mas distinguindo-nos perfeitamente por lemas próprios: liberdade para o ensino católico, pelo homeschooling, pela família, contra a ideologia de gênero, contra o aborto – sempre com o rosário ou terço na mão, e sempre sob o estandarte de Cristo Rei.

Graças à inépcia e à cupidez do mesmo PT, e ao contrário do que muito infelizmente sucede hoje aos católicos de quase toda a Europa, deixamos no Brasil de estar totalmente sob tacões revolucionários. Logo, possibilitaram-se-nos meios mais diretamente políticos de atuação. Não os desperdicemos, enquanto é tempo. 

Em tempo: e apoiemos a restauração monárquica, contra a podridão republicana. 

quinta-feira, julho 28, 2016

Opondo-se à Heresia Austríaca

Por Christopher A. Ferrara
Traduzido por Andrea Patricia




Tenho o privilégio de apresentar o artigo do Dr. Peter Chojnowski “Corporation Christendom: The True School of Salamanca” [Corporação Cristandade: A Verdadeira Escola de Salamanca], que expõe com habilidade como o ensinamento de São Tomás de Aquino, Santo Bernadino de Sena e Santo Antonino de Florença e dos escolásticos tardios espanhóis sobre os preços justos e os salários foi deturpado pelos defensores da chamada Escola Austríaca de economia. 
O artigo do Dr. Chojnowski é um primeiro passo importante na montagem de uma resposta católica tradicional às ambições infladas da Escola Austríaca, cujas duas grandes divindades, os falecidos pensadores liberais judeus Ludwig von Mises e Murray Rothbard, escreveram as obras fundamentais do movimento austríaco: o tomo maciço Ação Humana (1949), por Mises, e o igualmente maciço Homem, Economia e Estado (1962), por Rothbard. Estes dois livros compreendem o Velho e o Novo “Testamento” do que equivale hoje a um culto radical do laissez-faire social e econômico, que, é triste dizer, conta com um número crescente de adeptos católicos. 

O culto do Laissez-Faire

Não uso a frase “ambições infladas” ou a palavra “culto” levemente. O Mises Institute, fundado para pregar um evangelho de “liberdade” social e econômica ao mundo, orgulha-se do sucesso do movimento em termos quase messiânicos. Como o Instituto – dirigido por um católico, Lew Rockwell – declarou recentemente: 
“Temos sido extremamente eficazes na construção de um movimento global para a liberdade e sua base intelectual. Hoje austríacos e libertários formam um movimento coeso em todo o mundo, unidos em princípios, publicando como nunca antes, e ensinando as multidões por todos os meios disponíveis. Por esta razão, a Escola Austríaca tem sido chamada de o mais coerente e ativo movimento intelectual internacional desde o Marxismo”.[1] 
O tributo do Instituto Mises feito a Rothbard por ocasião do décimo aniversário da sua morte tem o sabor de uma dulia cultual: 
“E, assim, ao querido Murray, nosso amigo e mentor, o vice-presidente do Instituto Mises, o acadêmico que nos deu a orientação e o cavalheiro que nos mostrou como encontrar alegria no confronto com o inimigo e no avanço da verdade, a equipe e os estudiosos do Instituto oferecem este tributo, juntamente com os milhões que têm sido atraídos por suas ideias. Que suas obras sempre estejam disponíveis para todos os que gostam de aprender sobre a liberdade e de fazer sua parte para lutar pela pedra angular da própria civilização. Que seu legado permaneça para sempre [!] e que possamos todos tornar-nos guerreiros felizes pela causa da liberdade.”[2]
Céu e terra passarão, mas as palavras de Rothbard não passarão.

Que tipo de tomista é este?


Rothbard fez amizade com um número de católicos proeminentes durante a sua vida, mas, evidentemente, não foi convertido por nenhum deles. Ele professava ser um “neotomista” por causa de sua noção secularizada peculiar de “direitos naturais” desvinculada de qualquer dom divino. Rothbard (e outros austríacos) tentou fazer passar a sua versão de direitos naturais como também sancionada pelos Escolásticos Espanhóis, mas é claro que nenhum filósofo escolástico declarou que poderia haver direitos naturais sem o Juiz divino para dar-lhes a força da lei natural, que é a participação inata do homem na lei eterna. Não pode haver direitos sem um juiz, nem lei sem um legislador. E, se não há um Criador divino, que dotou o homem de uma natureza fixa, que sentido faz falar de “natureza” humana e de direitos “naturais”? O “estudo” de Rothbard que atribui a Santo Tomás e a Suárez a “independência absoluta da lei natural da questão da existência de Deus...”[3] não foi só de má qualidade; foi escancaradamente absurdo.[4] 
A teoria do direito natural de Rothbard foi limitada à (inexistente) “propriedade” do próprio corpo e à posse da propriedade privada anexada à primeira apropriação de recursos não utilizados.[5] Uma vez que estes eram os dois únicos direitos naturais que Rothbard reconhecia como universalmente vinculativos, ele (como o estritamente utilitário Mises) limitaria o poder do governo à proteção desses direitos apenas. Assim, ele definiu “liberdade” como “a ausência de invasão [grifos seus] por outro homem à pessoa ou à propriedade do homem”.[6] 
Com base em seus conceitos de direitos naturais e de liberdade, cujo desvio do ensinamento católico não precisa de demonstração, o “querido Murray” defendia não só o direito legal ao aborto, mas também o direito de vender os filhos (ou seja, vender a propriedade dos direitos dos pais) ou, se preferirmos, deixar as crianças de alguém morrer de fome. O último “direito”, escreveu Rothbard, “permite-nos resolver questões tão prementes como: os pais devem permitir que um bebê deformado morra (por exemplo, não alimentá-lo)? A resposta é, obviamente, sim...”[7] Rothbard estava certo, porém, de que “em uma sociedade libertária a existência de um mercado livre de bebês vai levar tal ‘negligência’ a um mínimo”.[8] Estes pontos de vista do “querido Murray” são enunciados em sua Ética da Liberdade, que o Sr. Rockwell promove como parte do “âmago” e um dos dez “must have” [a] da literatura austríaca.[9] 

Libertando os preços e os salários da moralidade

Na demonstração de que os austríacos não apresentaram com precisão o ensino escolástico sobre o salário justo e preço justo, Dr. Chojnowski fez muito mais do que apresentar uma questão acadêmica. Como ele observa, Mises (e, mais ainda, Rothbard) defendeu uma ordem social que nega a Cristandade e todo o ensinamento social, econômico e moral da Igreja Católica [e] também torna “inoperante” toda a moral clássica e a tradição filosófica. 
O Dr. Chojnowski aqui se refere a uma verdade fundamental da existência humana afirmada pelo homem ocidental desde a época dos filósofos pagãos até os grandes papas antiliberais dos séculos XIX e início do século XX: ou seja, que o homem é ordenado por sua própria natureza à vida em sociedade, sob um governo comum e um conjunto de leis, e que esse arranjo, o chamado Estado, é necessário não só para a manutenção da paz, mas também para a realização da virtude, o que significa “tornar-se tão parecido a Deus quanto é possível ao homem tornar-se”.[10] Como declarou o Papa Leão XIII na Libertas, sua encíclica monumental sobre a natureza da liberdade humana: 
“Mesmo os filósofos pagãos reconheceram claramente essa verdade, especialmente aqueles que consideraram que somente o homem sábio é livre, e o termo ‘homem sábio’ significa, como é sabido, o homem treinado para viver de acordo com sua natureza, isto é , na justiça e na virtude”.[11] 
O sistema misesiano-rothbardiano, indo ainda além dos revolucionários franceses e da Declaração dos Direitos do Homem, rejeita totalmente tal conceito de Estado. Como Rothbard escreveu em A Ética da Liberdade:
“A grande falha da teoria da lei natural – de Platão e de Aristóteles aos tomistas e até Leo Strauss e seus seguidores nos dias atuais – é ter sido profundamente a favor do estado, em vez de individualista.” 
Ou seja, toda a tradição ocidental está errada, e o “querido Murray” está certo. Após Rothbard, muitos (senão a maioria) austríacos contemporâneos não só limitam o poder do Estado à prevenção da violência e do mero roubo (à la Mises), mas aboliriam o Estado, em favor de uma utópica política “anarcocapitalista” em que a ordem social é mantida inteiramente pelas companhias de seguros[13] e por outras agências privadas contratuais. Como o estudioso libertário Ralph Raico explica: 
“Os economistas austríacos contemporâneos, seguindo os passos de Mises, têm em geral adotado uma forma mais radical de liberalismo. Pelo menos um deles, Murray N. Rothbard... foi ainda mais longe em seu antiestatismo. É em grande parte devido ao “estudo e advocacia libertária” de Rothbard... que o austrianismo está associado nas mentes de muitos a uma defesa do livre mercado e da propriedade privada, até ao ponto da própria abolição do estado, e, portanto, do triunfo total da sociedade civil...”[14] 
Assim, marxistas e austríacos igualmente imaginam um definhamento do Estado, apesar de chegarem à sua terra de sonhos por lados opostos: um por abolir a propriedade privada, o outro exaltando-a como ao summum bonum [b] da política (ainda que, como permitiu Rothbard, a “ética pessoal” possa ter um objetivo maior em vista). 
Vendo contra este pano de fundo a tentativa dos austríacos de lançar os escolásticos espanhóis como protoaustríacos, um empreendimento iniciado por Rothbard é altamente significativo. O objetivo aqui é convencer-nos de que é perfeitamente católico acreditar que “o preço de mercado é o preço justo” sem mais investigação moral, e que isso é verdade sempre e em toda parte, tanto quanto a salários ou commodities. Claro que aceitar este ditado é rejeitar o ensino de sete papas consecutivos, tanto pré quanto pós-conciliares, que mantêm muito pelo contrário a questão dos salários justos: Leão XIII, São Pio X, Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II, todos insistiram precisamente no ponto de que o “salário de mercado” e o salário puro e simples não são moralmente equivalentes, de que um empregador é obrigado por justiça, sempre que as condições o permitam, a pagar um salário suficiente para o apoio ordinário de um trabalhador dependente e sua família, não importa o que dite supostamente “o mercado”. Como o Papa Leão declarou na Rerum Novarum (§ 63): 
“Aqui subjaz um ditame da justiça natural mais imperiosa e antiga do que qualquer negócio entre homem e homem, ou seja, que os salários não devem ser insuficientes para suportar um assalariado frugal e bem-comportado. Se por necessidade ou medo de um mal maior o trabalhador aceitar condições mais duras, porque o que um empregador ou contratante deverá pagar a ele não é melhor, é feito vítima da força e da injustiça...”
Como diriam os austríacos, os escolásticos espanhóis teriam partilhado a sua teoria de que os preços e salários decorrem da soma de avaliações subjetivas de utilidade por partes para trocas (ou seja, o que cada parte pensa do bem ou serviço por adquirir ou ceder vale em termos de atendimento às necessidades ou desejos em sua escala pessoal de valores), em lugar de fatores objetivos como custo mais lucro razoável, que é necessário para manter a nossa posição na vida, ou do comumente estimado valor intrínseco de um bem. Como mostra o Dr. Chojnowski, no entanto, os próprios escritos dos austríacos admitem (ou pelo menos revelam inadvertidamente) que os escolásticos não ensinam esta visão absolutista. Pelo contrário, como o renomado economista católico tradicional Heinrich Pesch S. J. assinalou no volume V de seu tratado enciclopédico sobre economia, Lehrbuch der Nationalokonomie, o ensino escolástico sobre o preço justo envolvia “uma combinação de fatores ‘subjetivos’ e ‘objetivos’, uma vez que estes exercem influência decisiva na formação dos preços”. Esses fatores não incluem apenas uma utilidade subjetiva, mas também “a capacidade qualitativa dos bens para satisfazer os desejos humanos”, o “trabalho e os custos envolvidos na produção e fabrico dos produtos disponíveis”, e, o mais prejudicial para a afirmação dos austríacos, “a estimativa de valor geral [objetivo] e o preço oficialmente fixado”, em consonância com a prática legal comum em tempos medievais de preços máximos fixados pelo príncipe, especialmente quanto às necessidades de vida.[15] Na verdade, mesmo quanto à questão dos salários os escolásticos espanhóis estavam em geral acordo com a posterior visão papal de que no mercado de trabalho “a compulsão foi possível devido à desvantagem no poder de negociação realizada tanto pelo empregado quanto pelo empregador”, e que “o conluio associado com mercado de trabalho pode exigir um observador imparcial para estabelecer o justo salário, devidamente reforçado pela regra jurídica”[16] – e isso não é exatamente música para os ouvidos austríacos. 
Por que a insistência austríaca em uma teoria utilitária exclusivamente subjetiva e no “livre acordo” resultante como o único critério de justiça em preços e salários? Por que os austríacos defendem seriamente Scrooge[17] e a prática de vender a preços mais altos [c], a qual desespera os consumidores durante emergências,[18] quando a voz da consciência em cada homem razoável grita “ultrajante” e “injusto”? A resposta é que, se não há um padrão objetivo de preço justo ou de salário, e se o preço justo ou o salário são – em todos os casos, sempre e em toda parte – simplesmente o preço de mercado, então o mercado torna-se totalmente “autorregulado” e, portanto, imune à correção moral de seus abusos tanto pela Igreja quanto pela autoridade pública. Se o preço justo é nada mais do que o preço de mercado, então, bastante convenientemente, o mercado nunca falha em alcançar a justiça assim definida. Isto significa que a maravilhosa capacidade de “autorregulação” do mercado pode ser citada a favor de toda uma “sociedade de mercado livre” com base no “princípio do mercado”, onde a ação humana em geral é livre de qualquer norma “externa” da justiça imposta por lei, salvo o que rege o intercâmbio econômico, isto é, a ausência de violência ou roubo. Como Rothbard argumentou em um trecho cheio de terminologia carregada: 
“Cada vez que ocorre um livre, pacífico ato de unidade de troca, o princípio do mercado foi posto em operação; cada vez que um homem coage uma troca pela ameaça de violência [isto é, pela força da lei imposta pela autoridade pública], o princípio hegemônico foi posto a trabalhar. Todos os matizes da sociedade são misturas destes dois elementos primários. Quanto mais prevalece o princípio do mercado em uma sociedade, maior será portanto a liberdade da sociedade e sua prosperidade. Quanto mais o princípio hegemônico abunda, maior será a extensão da escravidão e da pobreza...”[19]

A heresia austríaca

O esforço para “batizar” o que tem sido corretamente chamado de (em amplo sentido não canônico) “a heresia austríaca” nos levaria apenas a uma forma “purificada” da mesma ordem social condenada por todos os papas desde Pio VI a Pio XII. Como os católicos fiéis o entendem, no entanto, Murray Rothbard não tinha ideia do que significa “liberdade”, nem nenhuma autoridade para ensinar o mundo sobre a natureza da liberdade social. Toda a verdade sobre a liberdade social pode ser encontrada apenas no ensinamento do Magistério, um parágrafo único que contém mais sabedoria do que todo o corpo inchado de filosofia política austríaca. Como o Papa Leão ensinou na Libertas Praestantissimum: 
“[A] lei eterna de Deus é o único padrão e regra da liberdade humana, não apenas em cada homem individual, mas também na comunidade e na sociedade civil que os homens constituem [...]. Portanto, a verdadeira liberdade da sociedade humana não consiste em cada um fazer o que quiser, pois isso simplesmente isso acaba em tumulto e confusão, e leva à derrubada do Estado; mas sim no fato de que através das injunções da lei civil todos possam mais facilmente estar em conformidade com as prescrições da lei eterna... O que foi dito da liberdade dos indivíduos não é menos aplicável a eles quando considerados como unidos na sociedade civil. Pois o que a razão e a lei natural fazem para os indivíduos, a lei humana, promulgada para o bem deles, o faz para os cidadãos do Estado.”[20]
O Papa Leão aqui descreve com concisão maravilhosa o único conceito de liberdade social a que os católicos podem aderir. Também não devemos considerar o argumento por alguns católicos austríacos de que o conceito da Igreja sobre liberdade social está fora de questão hoje, e que devemos contentar-nos com um compromisso expediente com “os fatos”. Falando precisamente deste tipo de liberal católico, Pio XI declarou: 
“Muitos acreditam ou dizem que acreditam [...] na doutrina católica sobre questões como autoridade social, sobre o direito de possuir propriedade privada, sobre as relações entre capital e trabalho, sobre os direitos do homem trabalhador, sobre as relações entre a Igreja e o Estado, a religião e o país [...], sobre os direitos sociais de Jesus Cristo, que é o Criador, Redentor e Senhor não somente dos indivíduos, mas das nações. Apesar desses protestos, eles falam, escrevem e, o que é pior, agem como se já não fosse necessário seguir, ou como se já não permanecessem em pleno vigor, os ensinamentos e as solenes declarações que podem ser encontrados em tantos documentos da Santa Sé, e em particular aqueles escritos por Leão XIII, Pio X e Bento XV. Há uma espécie de modernismo moral, legal e social que nós condenamos, não menos do que Nós decididamente condenamos o modernismo teológico”.[21] 
Finalmente, podemos responder a esses modernistas sociais, que exigem um comprometimento do ideal católico, citando contra eles a exortação do próprio Rothbard de nunca abandonar um “idealismo radical”: 
“O economista do livre mercado F. A .Hayek, ele mesmo em nenhum sentido um extremista, escreveu eloquentemente sobre a importância vital para o sucesso da liberdade de manter a ideologia pura e ‘extrema’ no ar como um credo para nunca ser esquecido. Hayek escreveu que uma das grandes atrações do socialismo sempre foi a permanência da tensão em seu objetivo ‘ideal’, um ideal que permeia, informa e orienta as ações de todos aqueles que lutam para alcançá-lo... Hayek aqui destaca uma verdade importante, e uma razão importante para ressaltar o objetivo final: a emoção e o entusiasmo que um sistema logicamente consistente pode inspirar.”[22] 
Os católicos podem certamente subscrever o sentimento de Rothbard de “manter no ar” seu próprio “credo para nunca ser esquecido” sobre a verdadeira liberdade. O credo católico de liberdade pode ser encontrado na doutrina transmitida a eles não por liberais pensadores judeus, mas pela Igreja que Deus Encarnado fundou para fazer discípulos de todas as nações. Só podemos agradecer ao Dr. Chojnowski o estar em oposição àqueles, incluindo católicos equivocados, que avançariam com outro ideal da sociedade humana. 

O autor:
O Sr. Ferrara é Presidente e Conselheiro Chefe da Associação Americana de Advogados Católicos, Inc., uma organização religiosa dedicada a defender os direitos civis dos católicos em litígios e no discurso público.

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Notas:
1. “Mises Institute Supporters Summit: Radical Scholarship”, http://_www.mises.org / upcomingstory.asp control = 68.
2. “The Unstoppable Rothbard”, 7 de janeiro de 2005.
3. Rothbard, Murray, The Ethics of Liberty (New York: New York University Press, 2002), p. 4.
4. Como observou o Padre Copleston, Suárez certamente ensinava que “Deus é, de fato, o autor da lei natural; pois Ele é o Criador e Ele quer submeter os homens a observar os ditames da razão”. História da Filosofia Política, vol. III, p. 385. Sem a vontade divina, lei natural e direitos naturais, como tais, não podem existir, pois o que obriga o homem a observar os “direitos naturais” dos outros se não há Deus para impor a obrigação? Os escolásticos posteriores apenas enfatizaram a bondade intrínseca da lei natural contra o nominalismo de Guilherme de Ockham, que considerou que a validade da lei natural dependia apenas da vontade arbitrária de Deus, que poderia, se Ele assim o quisesse, tornar o assassinato um direito natural.
5. Ethics of Liberty, p. 43.
6. Ibid., p. 42.
7. Ibid.
8. Ibid.
9. Ver (“Ten Must Haves”) http:// www.mises.org/store/category.asp7Customer ID=848567 &ACBSessionID=euoZXmrhabgTmkMTw5DX&SID=2&CategoryJD=10;
(“The Core”)  http://www.mises.org / Study Guide Display.asp? SubjID=116. Como todos os liberais doutrinários, Rothbard permitiu que o aborto e a fome intencional de crianças pudessem ser vistos como moralmente errados de acordo com a “ética pessoal”, mas ele insistiu em que o Estado não tem direito de proibir tal conduta.
10. Copleston, A History of Philosophy, vol. 1, p. 218 (quanto à definição de Platão da busca da virtude).
11. Libertas Praestantissimum, § 6.
12. Rothbard, Ethics of Liberty, p. 21.
13. Ver, por exemplo, Hans Hermann Hoppe, Democracy: The God That Failed (New Brunswick, NJ: Transaction Publishers, 2004), p. 247: “Há amplo consenso entre os liberais-libertários, como Molinari, Rothbard... bem como com a maioria dos outros comentaristas, quanto a que a defesa é uma forma de seguro e que os gastos de defesa representam uma espécie de prêmio de seguro... os candidatos mais prováveis ​​para oferecer proteção e serviços de defesa [em lugar do governo] são as agências de seguros.”
14. Ralph Raico, “The Austrian School and the Classical Liberalism”, em: mises.org/etexts/aus-trian liberalism.asp.
15. Heinrich Pesch on Solidarist Economics. Excerpts from the Lehrbuch der der Nationalokonomie(Oxford: University Press of America, 1998), p. 218.
16. Ibid., p. 475.
17. Michael Levin, “In Defense of Scrooge”, 18 de dezembro de 2000, emhttp://www.mises.org/fullstory.aspx?control=573.
18. John R. Lott, Jr., “Especially During Disasters”, http://www.lewrockwell.com/lott/Iott29.html. Lott, aparentemente, não é um austríaco formal, mas os seus argumentos, publicados neste site austro-libertário maior, são típicos desta escola.
19. Murray Rothbard, Power and Market, Edição Online, p. 1363.
20. Libertas Praestantissimum, § 10.
21. Ubi Arcano Dei, § § 60-61.
22. “The Case for Radical Idealism”, lewrockwell.com, 03 de janeiro de 2005.

Original aqui.

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Notas da tradutora:
[a] “must have” - expressão que significa aquilo que uma pessoa tem de ter, que é necessário.
[b] summum bonum – expressão do latim que significa o bem sumo ou maior, o que de mais importante o homem deve buscar.
[c] No original “price-gouging”, que é termo usado para definir a prática de pôr preços mais altos do que vale a mercadoria, mais altos que o que é justo.

Original aqui.

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Notas da tradutora:
[a] “must have” - expressão que significa aquilo que uma pessoa tem de ter, que é necessário.
[b] summum bonum – expressão do latim que significa o bem sumo ou maior, o que de mais importante o homem deve buscar.
[c] No original “price-gouging”, que é termo usado para definir a prática de pôr preços mais altos do que vale a mercadoria, mais altos que o que é justo.

quarta-feira, julho 27, 2016

Monarca X Presidente: gastos




O site Matutando traz pesquisa atribuída ao IBGE, que compara os gastos presidenciais brasileiros com os gastos presidenciais norte-americanos, fazendo relação com os gastos das principais Monarquias do mundo:

Custos operacionais anuais (custo de manutenção da Chefia de Estado)

Inglaterra (monarquia)______US$ 1,87/capita = US$ 104,0 milhões
Dinamarca (monarquia)_____US$ 1,86/capita = US$ 9,5 milhões
Bélgica (monarquia)________US$ 1,10/capita = US$10,8 milhões
Noruega (monarquia)_______US$ 0,83/capita = US$ 3,6 milhões
Japão (monarquia)_________US$ 0,42/capita = US$ 52,0 milhões
Espanha (monarquia)_______US$ 0,20/capita = US$ 8,1 milhões
EUA (república)___________US$ 4,6/capita = US$ 1.100,0 milhões
Brasil (republica)__________US$ 12,0/capita = US$ 1.700,0 milhões

Como pode ser visto claramente, os gastos com a manutenção do presidente da república, ultrapassam os gastos da Monarquia. Enquanto a Inglaterra, maior potência Monárquica do mundo, gasta US$ 1,87/capita = US$ 104,0 milhões com a Rainha Elisabeth II, o Brasil gasta com Lula da Silva US$ 12,0/capita = US$ 1.700,0 milhões.

É de se divulgar também os gastos do gabinete presidencial:

Em 1995 com FHC = R$ 38,4 milhões
Em 2003 com Lula = R$ 318,6 milhões
Em 2004 com Lula = R$ 372,8 milhões (R$ 1,5 milhões por dia útil de trabalho).

Fonte: Blog Monarquia Já

terça-feira, julho 26, 2016

Comentários Eleison: Academia Diagnosticada

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDLXXI (471) - (23 de julho de 2016)


ACADEMIA  DIAGNOSTICADA


Se à Academia faltam a rima e a razão,
É porque os homens da Igreja cometeram traição.



Quando Sua Excelência me perguntou, na qualidade de estudante de história, se eu concordava com ele que o fenomenismo agnóstico condenado na Pascendi seria a maior e única pista para entender a cena moderna, eu concordei superficialmente. A partir de então passei a me perguntar como os homens, especialmente os letrados, puderam algum dia levar a sério a insensatez de que a mente não conhece nada além dos fenômenos ou aparências. E recordei – depois de frequentar aulas universitárias pelos últimos três anos e meio e ouvir cuidadosamente alguns brilhantes professores que pareciam ter senso de realidade, e muitos outros que não – como eu mesmo comecei a questionar por que alguns têm um grande senso de realidade e outros, com os mesmos ou semelhantes graus de doutoramento, adotam ideias tão selvagens e irracionais. Permita-me dar-lhe a resposta deste observador de anos da cena acadêmica...

Depois de pensar um pouco, percebi que os professores mais lógicos eram católicos, porque na melhor das hipóteses eles podem ser conservadores, mas têm uma visão realística do mundo. As ideias e os conceitos que ensinam são, majoritariamente, sensatos. Por outro lado, os ensinamentos da maioria dos professores são atrapalhados, confusos e insensatos. Eles professam ideias bizarras e estranhas e as respaldam com meias verdades. Eles adotam quase toda noção que esteja em voga, como o aquecimento global ou a mudança climática (a nova “evolução”) e a apresentam como verdade. Seu raciocínio por detrás dessas noções é pura insensatez e não resiste a um escrutínio minucioso. Comecei a questionar: como homens tão letrados podem ser tão ignorantes? Depois de muito pensar, encontrei o que, estou seguro, é a verdadeira resposta.

Dado que os professores que são mais sensatos são homens que ao menos se esforçam para ser católicos, há razão em pensar que possuem algo que os pagãos não têm. Antes da revolta de Martinho Lutero, a maioria dos acadêmicos ou homens letrados eram católicos que usavam sua razão e possuíam senso comum, de modo que todos ensinavam e acreditavam na mesma verdade. Quando Lutero fez estragos na Igreja, também fez estragos em muitos clérigos letrados e professores universitários. Em particular, sua nova religião eliminou o Sacramento da Confirmação pelo qual sabemos que os católicos recebem os sete dons do Espírito Santo, quatro dos quais para a mente: Ciência, Sabedoria, Entendimento e Conselho. Todos os quatro faltam aos professores agnósticos de hoje. Estes podem ser gente bem educada, erudita, mas não podem fazer uso de seu conhecimento de uma maneira racional ou aplicá-lo à realidade. Como Pio X diz, eles desenvolvem fantasias e apresentam-nas como verdades, e, mais ainda, convencem-se de que são brilhantes quando, de fato, estão chafurdando em ignorância. Eles são do culto do 2 + 2 = 5! E são orgulhosos dele.

Nessa teoria, a atual destruição da academia proveria do abandono de Lutero do sacramento da Confirmação e do fato de as universidades da Europa terem-se tornado menos e menos católicas. Eventualmente, milhares de professores que se lançaram ao mundo da academia foram educados para além de sua habilidade de raciocinar. Na falta de Ciência, de Sabedoria, de Conhecimento e de Conselho, em seu sentido mais alto, como dons de Deus, eles desenvolveram nas universidades a panóplia dos erros de hoje, ou “ismos”. Por exemplo, afirmar que o aquecimento global destruirá o homem e o mundo é insensatez pura; e isso é ainda ensinado e crido nas universidades modernas, como se fosse 2 + 2 = 4. E essas ideias venenosas são engolidas pela juventude ingênua nas universidades, como biscoitos no chá da tarde, especialmente a ideia de que a Verdade é meramente o que cada um de nós acredita que seja, e a Razão que se dane.

Assim, segue que quando o Vaticano II escolheu seguir as pegadas de Lutero ao abandonar a Tradição e ao “renovar” o sacramento da Confirmação, de modo a ameaçar sua validade, os católicos também puseram em perigo os dons do Espírito Santo, e perderam correspondentemente a habilidade de pensar, porque a Confirmação da Neoigreja agora se destina somente a torná-los “cristãos melhores”.


Kyrie eleison

La Iglesia y la esclavitud - por Jaime Balmes

Leia aqui.

sexta-feira, julho 22, 2016

A Igreja Católica e a abolição da escravidão no Brasil





    Sobretudo pela ação do arcebispo Dom José Pereira da Silva Barros, capelão-mor de Dom Pedro II, e que viria a ser conhecido como o “Bispo Abolicionista”, a Igreja Católica foi um dos principais atores da abolição da escravatura no Brasil. Com efeito, em 1887 Dom José, desde sempre abolicionista e muito ligado tanto ao Papa Pio IX como ao Papa Leão XIII, anunciou que a abolição da escravidão no Brasil seria “um bom presente ao Papa”. A Dom José Pereira, seguiram-se na defesa da causa abolicionista o arcebispo da Bahia e o de São Paulo; e Dom José Pereira, por sua luta a favor da abolição da escravatura, foi das poucas pessoas homenageadas publicamente por Dom Pedro II e por Dona Isabel. Recebeu destes o título de Conde de Santo Agostinho, o qual ele não teve dinheiro para retirar, por ser, como disse ele mesmo, um homem pobre. Com efeito, Dom José tornara-se célebre em sua cidade natal por ter doado para obras de caridade toda a fortuna herdada de sua família.

    Rodrigo Augusto da Silva, em sua defesa da Lei Áurea na Câmara Geral, citou a Igreja Católica como um dos motores da abolição da escravatura.

quinta-feira, julho 21, 2016

O Cristianismo e os pobres ao longo do tempo




Os primeiros cristãos

• Como se lê em Explosion de charité - par les Dominicains d'Avrillé, desde seu aparecimento o cristianismo é como uma explosão de caridade. Em Jerusalém, os primeiros cristãos vendem seus bens para dar aos pobres (At 4, 32).
• O pagão Luciano de Salmósata (125-192) zomba muito dos cristãos em sua sátira Peregrinus. Mas reconhece seu “incrível afã” de exercer a caridade: “Eles não se poupam incômodo, nem despesas, nem trabalho”.
• Em face dos perseguidores, os primeiros cristãos podiam declarar: “O estado esqueceu que nos deve a vida de seus pobres, que pereceriam, ah! se não os viéssemos socorrer?” (Tertuliano).
• O diácono Lourenço reúne os pobres socorridos pela Igreja: “Eis os tesouros dos cristãos, não temos outros”.

Século IV

• Desde o fim das perseguições (313), riquíssimos romanos convertidos ao cristianismo vendem todos os seus bens para pôr-se, eles mesmos, ao serviço dos pobres: Melânia, o senador Paulino, et alii.

Idade Média

• Os reis cristãos destacam-se por sua caridade. Santo Estêvão da Hungria († 1038) lava, ele mesmo, os pés dos pobres. Santo Eduardo da Inglaterra († 1066) despoja-se para socorrê-los. Santa Margarida, rainha da Escócia († 1093), e Santa Elisabete da Hungria († 1231) passam literalmente a vida a ocupar-se dos pobres. São Luís, rei da França († 1270), reúne toda semana os pobres em sua câmara para servi-los, ele mesmo, à mesa. E citem-se ainda Santo Edmundo, São Casimiro da Polônia, São Leopoldo da Áustria, Roberto, o Piedoso, Santa Brígida da Suécia, Santa Edviges da Silésia, Santa Margarida de Saboia, et alii.   

Tempos modernos

• Século XVII: as Filhas da Caridade, de Santa Luísa de Marillac; século XVIII: as Filhas da Sabedoria; século XIX: as Pequenas Servidoras dos Pobres, de Joana Jugan: todas estas e dezenas de outras congregações ou famílias religiosas surgem regularmente para socorrer os miseráveis, atraindo centenas e milhares de almas que se sacrificam inteiramente à caridade.

quarta-feira, julho 20, 2016

Os católicos e as manifestações do próximo dia 31

Leia aqui.

A Igreja e a escravidão ao longo do tempo




• Como se lê em Explosion de charité - par les Dominicains d'Avrillé, tanto na Roma antiga como em Atenas, a imensa maioria da população era constituída de escravos. Durante toda a sua história, o islã praticou o tráfico maciço de escravos. Na Europa, ressurge a escravidão quando no fim da Idade Média o espírito cristão se enfraquece.
• Mas declarara São Paulo: “Já não há livre nem escravo”. A partir desse momento, sem revolução nem agitações, a caridade cristã começou a dissolver a escravidão. Os cristãos libertaram seus escravos. Na França, a rainha Santa Bathilde (626-680) consagrou a interdição da escravidão.
• Lentamente mas seguramente, com efeito, a Igreja fez que se abolisse a escravidão, não porém revoltando ou sublevando os escravos, mas dando o espírito cristão a seus senhores. Ecoavam outras palavras de São Paulo: “Não os trateis com ameaças, sabendo que tendes uns e outros no céu um mestre comum, diante do qual não há acepção de pessoa”.
• Hermes, então, prefeito de Roma sob Trajano, libertou seus 1.250 escravos no dia de seu batismo. Santo Ovídio libertou 5.000 escravos, Santa Melânia 8.000, etc.  
• O Papa São Símaco († 514) resgatou os escravos da Ligúria e libertou-os. Do mesmo modo, São Gregório Magno († 604) e São Zacarias († 752) pagaram o resgate de escravos até na África.
• Durante esse tempo, milhões de cristãos foram reduzidos à escravidão pelos muçulmanos de Argel, de Túnis, etc. Os religiosos Trinitários (fundados em 1198 por São João de Matha) e os religiosos Mercedários (fundados em 1218 por São Pedro Nolasco) dedicaram-se a libertá-los.
• São Pedro pascal (bispo de Jaén) entregou todos os seus bens e depois sua própria pessoa para resgatar os cativos dos turcos. Fiéis pagaram seu resgate, mas ele preferiu empregá-lo na libertação das mulheres e das crianças, e morreu cativo em 1300.
• No Renascimento do espírito pagão (século XV e XVI), os papas Paulo III (20 de maio de 1537) e Urbano VIII (22 de abril de 1639) opuseram-se firmemente à escravidão dos ameríndios.
• Muitos papas condenaram igualmente o tráfico dos negros: Eugênio IV (13 de janeiro de 1435), Pio II (7 de outubro de 1462), Paulo III (2 de junho de 1537), Inocente XI ( 1683), Pio VII (1815), etc.
• Numerosos padres ajudaram os escravos negros, notadamente São Pedro Claver († 1654), que acrescentou a seus votos religiosos o de consagrar sua vida inteira ao serviço dos escravos, e não hesitou em assinar: “Pedro Claver, escravo dos negros para sempre”. 

terça-feira, julho 19, 2016

segunda-feira, julho 18, 2016

Comentários Eleison: Brexist - Spexit?

Comentários Eleison CDLXX (470), 16 de julho de 2016

 BREXIT – SPEXIT?

Por Dom Richard Williamson
Tradução: Cristoph Klug

Enquanto Menzingen pelas sirenes de Roma é encantado,
Para manter a Fé, guerra avisada não mata soldado.

Existe algo chamado “Zeitgeist”, ou espírito da época. Uma prova seria o paralelo que pode ser estabelecido entre o plebiscito da Grã-Bretanha de 23 de junho para renunciar ao abraço da quase comunista União Europeia, e a reunião de Superiores da FSSPX em 28 de junho com o Comunicado de Dom Fellay de 29 de junho declarando que a Fraternidade agora renuncia ao abraço da Roma neo-modernista – “Spexit”, para abreviar. Mas assim como o “Comentário” da semana passada sugeriu que o Brexit seria admirável, mas duvidosamente eficaz, poder-se-ia temer que o São-Pio-Exit poderia ter tranquilizado muitos bons católicos por pensar que a Fraternidade recuperou o rumo, mesmo que em poucos dias a Roma oficial e Mons. Fellay tenham voltado a dizer que os contatos continuam...

A base do paralelo é a apostasia que caracteriza a Quinta Época da Igreja, desde 1517 até 2017 (ou mais além), pela qual os povos do mundo, lenta porém progressivamente têm dado suas costas a Deus para substituí-lo pelo Homem. Mas sua consciência não está tranquila no processo. Consequentemente, exteriormente eles anelam a liberação de Deus e os benefícios materiais da Nova Ordem Mundial. Assim, um bom instinto antigo levou os britânicos a votar para tornarem-se independentes do Comunismo, mas sendo quase todos materialistas ateus, eles são comunistas sem o nome, e então agora dificilmente sabem o que fazer com o seu Brexit. Assim, pode-se temer que haja mais no “Spexit” do que parece.

Por exemplo, o excelente site hispânico “Non Possumus” assinalou que quando o Comunicado de 29 de junho diz que se espera um Papa “que favoreça concretamente o retorno à Santa Tradição” (2+2=4 ou 5), isto não é a mesma coisa que um Papa “que tenha voltado à Tradição” (2+2=4, e exclusivamente 4). Muito menos é tranquilizador que em 2 de julho Dom Fellay tenha convocado para uma quinta Cruzada de Rosários, já prevista em 24 de junho como uma possibilidade pelo padre Girouard, no oeste do Canadá. Recordando como Dom Fellay mostrou como presentes da Mãe de Deus, tanto a duvidosa liberação do verdadeiro rito da Missa no Summorum Pontificum em 2007, como o “levantamento” das “excomunhões” inexistentes em 2009, o padre Girouard teme que um reconhecimento unilateral da Fraternidade por parte da Roma oficial possa ser mesmo assim apresentado como uma resposta d’Ela a essa nova Cruzada de Rosários. Eis aqui como o padre Girouard imagina o reconhecimento sendo apresentado por Dom Fellay:

“Na Cruzada pedimos pela proteção da Fraternidade. Graças aos 12 milhões de Rosários, a BVN obteve para nós, do Coração de Seu Filho, essa especial proteção! Sim, o Santo Padre firmou esse documento onde ele nos reconhece a nós e nos promete dar sua proteção pessoal para que possamos continuar “como somos”. Esse novo presente de Deus e da BVM é verdadeiramente um novo meio dado a nós pela Divina Providência para continuar melhor nosso trabalho para a extensão do Reinado Social de Cristo! Isso é também a reparação de uma grave injustiça! É verdadeiramente um sinal de que Roma mudou para melhor! Nosso venerável fundador, Dom Lefebvre, teria aceitado esse presente providencial. Certamente, podemos estar seguros de que ele uniu suas orações às da BVM para obtê-lo de Nosso Senhor, e que ele está agora regozijando-se com Ela no Céu! Em ação de graças por esse maravilhoso presente da Providência, renovemos oficialmente a consagração da Fraternidade aos Corações de Jesus e Maria, e tenhamos um Te Deum cantado em todas as nossas capelas!”

Neste panorama, acrescenta o padre Girouard, a qualquer pessoa que rejeite a reunião da Fraternidade com Roma se fará parecer como se estivesse resistindo a Deus e desprezando a Sua Mãe.

Esses temores são no momento apenas imaginários. O que é certo é que o “Spexit” de 25 a 28 de junho não terá de forma alguma retirado a resolução de Dom Fellay de conduzir a Fraternidade de Dom Lefebvre aos braços de Roma neomodernista. Para ele, esse é o único caminho a seguir, em contraposição a “desprezar aos bons Romanos” e “estancar-se” em uma resistência que está fora de moda e já não é relevante para a evolução da situação.


Kyrie eleison.

Comentários Eleison: Brexit, sério?

Comentários Eleison CDLXIX (469), 9 de julho de 2016 

– BREXIT – SÉRIO?

Por Dom Richard Nelson Williamson
Tradução: Cristoph Klug

O Brexit nos lembra mais uma vez ­– 
Edificar sem Deus é insensatez. 

Muitos leitores destes “Comentários” devem estar supondo que, como um inglês a quem nada agrada a Nova Ordem Mundial, devo estar em regozijos sobre o resultado do plebiscito recente do povo britânico, que ainda que por uma margem relativamente pequena decidiu deixar a União Europeia quase-comunista. Desgraçadamente, devo admitir que tudo o que aprendi durante as últimas décadas sobre a NOM faz-me duvidar de que a aparente saída da Grã-Bretanha finalmente culminará em uma reafirmação do que alguma vez foi o melhor na Grã-Bretanha. Atravessando o Atlântico, da mesma forma, poderia gostar de Trump e odiar Hillary, mas seguramente os dois foram colocados juntos para teatralizar para nós um show de marionetes Colombina e Arlequim. 

Tomem, por exemplo, concernente ao Brexit, o artigo de 24 de junho de um americano de alto nível que diz a verdade, Paul Craig Roberts (ver paulcraigroberts.org), sobre por que “Apesar do voto, as probabilidades estão contra o Reino Unido em deixar a União Europeia”. Ele escreve: “O povo britânico não deveria ser tão cândido ao ponto de pensar que o voto resolve a questão. A luta apenas começou”. Ele adverte o povo britânico a esperar que: seu governo se volte para eles e lhes diga que a União Europeia está oferecendo um melhor tratamento, então fiquemos; que a Reserva Federal, o Banco Central Europeu, o Banco do Japão e os Fundos especulativos de Nova York golpeiem a libra esterlina como prova de que o voto Brexit está ruindo a economia britânica (esse golpe já ocorreu); que o voto Brexit seja mostrado como tendo debilitado a Europa frente à “agressão russa” (agressão que é uma fabricação da NOM); que os líderes do Brexit sejam pressionados para alcançar um compromisso com a União Europeia; etc. E Robert diz que os leitores podem imaginar por si mesmos muito mais de tais probabilidades, recordando-os como a Irlanda votou contra a Europa há anos até que foi pressionada a votar a favor. 

Contudo, em henrymakow.com/2016/06/ brexit-what-is-the-globalist-game, há outro artigo que em minha opinião aprofunda ainda mais, porque Henry Makow vai mais além por trás do show de Colombina e Arlequim. Makow tem a vantagem de ser o que os globalistas sem dúvida chamam “antissemita”, ou melhor, um “detestador de judeus” porque Makow mesmo é um judeu. Verdadeiramente, somente aqueles aliados ao Messias, o Cristo, podem avaliar corretamente o Anticristo. 

A tese do artigo é que “os favoráveis ao Brexit lamentavam como o Establishment se alinhou contra si mesmo, sendo que, na realidade, o contrário é que é verdade”. Para provar essa tese o artigo nomeia em sua causa numerosos políticos britânicos, tanto Conservadores como Trabalhistas, que são mais ou menos fervorosos globalistas e que fizeram campanha a favor do Brexit (deve ser fácil conferir os nomes para quem quer que o queira). Do mesmo modo, em relação aos veículos de mídia britânicos, o artigo elenca numerosas revistas e jornalistas que normalmente promovem o globalismo, e que fizeram campanhas favoráveis ao Brexit. Então, o que foi o Brexit? O artigo dá crédito a Putin por estar muito mais perto da verdade ao ter sugerido que foi para “chantagear” a Europa a fim de estabelecer melhores termos com o Reino Unido. O artigo vai mais além: o Brexit foi pensado para forçar a Europa a “render-se completamente aos Sionistas Anglo-Americanos, belicistas e privatizadores corporativos”, e o artigo conclui que o Brexit não foi “com toda a certeza, um triunfo contra o globalismo”. E o mesmo Makow acrescenta: “Evidentemente os poderes estabelecidos decidiram que a Inglaterra fora da Europa, mais que dentro dela, pode ser um instrumento mais efetivo da tirania mundial do banco central maçônico”. 

Talvez essas especulações (mas não o nível delas) não sejam corretas, mas o que é mais certo é: de que valem a Europa ou o Reino Unido sem Deus? Construir sem Ele é construir em vão, diz o Salmista. Por outro lado, quem em todo esse debate menciona sequer uma vez Seu nome? Se o Brexit pudesse chegar a ser algo verdadeiramente positivo, precisaria de um líder com visão. Sem Deus, de onde proviria ele? 


Kyrie eleison.

Pai Nosso em imagens












sexta-feira, julho 15, 2016

Ajude a escolinha do Mosteiro da Santa Cruz!

Por Carlos Nougué



Em meu nome, em nome de Dom Tomás de Aquino, em nome do Colégio São Bento e Santa Escolástica, de sua diretoria e de seus professores, venho pedir a todos vocês que nos ajudem financeiramente. Sem sua ajuda, só muito precariamente conseguiremos manter o colégio. Afeta-nos grandemente a crise econômica. E pedimos que sua ajuda seja mensal: ou seja, que uma vez por mês depositem na conta posta abaixo o valor que for (cinco, dez, vinte, cinquenta, cem, etc., reais), mas regularmente, porque com isso poderemos fazer previsões e planejamentos. Sei que isso lhes dará algum trabalho; mas que significa este trabalho uma vez por mês?

Espero, esperamos contar com sua caridade: o que está em jogo é a saúde espiritual de nossas crianças. E, naturalmente, podem contar com as permanentes orações de nossos monges.

Despeço-me em comunhão de orações e agradecendo-lhes antecipadamente.

* * *

Conta para depósito:

Rosa Clara Elena Hernández

Caixa Econômica Federal (número 104)

Agência: 1623

C. C.: 2339-4

CPF: 060 441 487 - 00