quarta-feira, junho 07, 2017

“Os Filhos da Viúva” – Demolindo as Pilastras do Perenialismo - parte II



Depois de aqui ter publicado uma resenha de Jean Vaquié sobre a primeira edição do livro “Os Filhos da Viúva – Ensaio sobre o Simbolismo Maçônico”, venho complementar essa publicação com a tradução do comentário de Ivan Kraljic sobre a segunda edição da mesma obra, lançada dessa vez com o subtítulo alterado: “Os Filhos da Viúva – Pesquisas Sobre o Exoterismo Maçônico”
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Insisto mais uma vez: a Tradição Primordial tem sido louvada pelos perenialistas e a Tradição da Igreja Católica tem sido apresentada por eles como inserida nesse saber primordial que remonta às origens da humanidade. É um embuste! A Tradição Católica ensinada pela Igreja Católica e a Tradição Primordial ensinada pela Escola Perenialista, também chamada de Escola Tradicionalista ou Filosofia Perene, são INCOMPATÍVEIS. Conforme a expressão francesa, elas são coisas que “hurlent de se trouver ensemble”. Confira o leitor a seguir.
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“Os Filhos da Viúva” 
Por Ivan Kraljic 
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O livro de Jean-Claude Lozac'hmeur, “Fils de la Veuve” (Os Filhos da Viúva – Pesquisas sobre o Exoterismo Maçônico”, 2º. Edição, 2002), tira a máscara atrás da qual se esconde a seita maçônica. Lozac'hmeur é um especialista em mitos, professor emérito da Universidade de Rennes II. “Os Filhos da Viúva – Ensaio sobre o simbolismo maçônico” (1º. Edição) está na segunda edição, revista e completa, de uma obra com o mesmo título lançada em 1990. Lozac'hmeur é também autor (com Bernaz de Karer) de “De la Révolution” (Éditions Sainte-Jeanne d'Arc, 1992), onde ele analisa o objetivo e a estratégia da Revolução.
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Em “Os Filhos da Viúva”, comparando as crenças e ritos maçônicos com as antigas religiões ou mitos pagãos, Lozac'hmeur responde às questões fundamentais: De onde vêm os rituais grotescos da iniciação maçônica? Quem é a viúva da qual os maçons se pretendem filhos? Quem é o arquiteto, a quem os maçons querem vingar? Sabemos qual é o objetivo da seita maçônica e a obra por ela realizada dá testemunho disso. No plano temporal não há mais países católicos; no plano espiritual, a crise da Igreja, com estragos incalculáveis, prossegue sem cessar. Partindo do zero, a seita maçônica empreendeu e realizou tudo, metodicamente, pacientemente, incansavelmente. Todos os obstáculos foram derrubados, as monarquias católicas, o poder temporal da Igreja, a própria Roma finalmente sucumbiram sob a infiltração maçônica. Três séculos de atividade maçônica deixaram o mundo em ruínas. Com certeza tal obra de destruição não é humana.
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A franco-maçonaria, tal como existe hoje, apareceu recentemente, ela começou a se organizar e crescer no início do século XVIII. Seus rituais e crenças aparecem também como novidades aos olhos profanos. Mas Lozac'hmeur demonstra que não é bem assim. Sua análise de 53 mitos provenientes de todas as civilizações e de todos os países (a busca do Graal, Jason e os Argonautas, Osíris, Prometeu, Krishna, estão entre os mitos mais conhecidos) revela a existência de um núcleo comum universal: a história do filho da viúva que deve vingar seu pai, após descobrir sua própria identidade e a do assassino de seu pai. A ligação com a maçonaria é evidente. Entretanto, Lozac'hmeur não se limita a isso, mas decifra esses mitos e símbolos para descobrir o seu sentido oculto: é uma religião dualista coerente, opondo “um Deus civilizador” (o pai assassinado), amigo dos homens, a um “Deus mau” (o assassino), seu inimigo. Este último, para punir os homens por se terem apropriado do Conhecimento (a Viúva), provoca o Dilúvio e se volta contra seu rival, culpado de tê-la transmitido aos humanos (Prefácio, p. 12). Os filhos da Viúva – os iniciados nessa religião – trabalham a fim de destronar o “Deus mau” e de instaurar o culto do “Deus bom”.

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Quanto à identidade dos dois "Deuses", ela é transparente. O "Deus bom" é Satanás, o "Deus mau" é o verdadeiro Deus, a Santíssima Trindade. Satanás transmitiu aos homens a ciência do bem e do mal, e Deus, que puniu os homens culpados, também castigou Satanás. Os filhos da viúva, os iniciados, portanto, trabalham para vingar Satanás contra o bom Deus.
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O fato essencial, demonstrado pelo estudo de Lozach'hmeur, é que a maçonaria, intrinsicamente e desde o seu início, é a religião de Satã. Essa falsa religião, que pretende ser a verdadeira, está presente em todos os tempos e todos os países. Desde a origem do homem, com efeito, se transmite secretamente a história da queda de Adão e Eva e de sua expulsão do paraíso terrestre. Essa história é ocultada sob a forma de mitos e de símbolos, e somente a iniciação ritual permite obter a sua interpretação. Ela é, sobretudo, falseada, deformada, porque Deus é apresentado como inimigo dos homens, e Satanás como o amigo que lhes trouxe o conhecimento. Essa contra-tradição se confronta com a verdadeira tradição, a dos adoradores do Deus vivo. “Tudo se passa como se a humanidade primitiva se tivesse dividido em dois campos, tomando cada um o partido de seu Deus” (p. 137).
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Se a religião de Satã é única, sua “Igreja” tomou vários fisionomias, a maçonaria não é senão uma forma recente. Acusar a seita maçônica de todos os males é, pois, uma coisa incompleta: sua responsabilidade é certamente imensa, mas o complô é mais vasto. De outro lado, salvo raras exceções, o culto satânico sempre foi clandestino; ele se ocultou sob os símbolos e os mitos que Lozac'hmeur decifrou. Mesmo nos tempos do paganismo, onde o culto dos ídolos era a religião oficial, a “crença em Lúcifer” (Albert Pike) era secreta.
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A importância do livro de Lozac'hmeur é tal, que um especialista, como Christian Lagrave, afirma que esse livro “conseguiu realizar o que outrora foi a ambição de Mons. Jouin, o fundador da Revista Internacional das Sociedades Secretas” (Ch. Lagrave, posfácio, p. 1 65), isto é, desmascarar cientificamente o complô anticristão. Todos os contrarrevolucionários devem estudar e meditar esse livro, que revela uma parte do mistério da iniquidade. A história é iluminada sob uma nova luz, quando se considera a existência oculta da religião dos adoradores do diabo.
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Mais além das aparências, o verdadeiro significado de fenômenos recentes, como a globalização e a formação da União Europeia, é revelado à luz da atividade satânica: “Os maçons deliberadamente preparam o reinado do Anticristo. A consequência necessária, ou talvez o pré-requisito desse reinado, é o estabelecimento de um Estado mundial” (Ch. Lagrave, posfácio, p. 173). Além disso, a atividade anticristã da maçonaria não é simplesmente um desvio devido a algumas lojas ateias. Mr. Lozac'hmeur mostra que toda a maçonaria é satânica, porque todos os maçons são filhos da viúva e todas as lojas baseiam seus rituais sobre o mito de Hiram / Satanás e seus corolários.
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Hoje, pode parecer surpreendente ver a seita maçônica em declínio. Desde alguns anos o seu caráter secreto tem sido publicamente denunciado na Grã-Bretanha. Na França, as lojas desabam sob seus próprios malfeitos financeiros e processos judiciais. No Canadá francofônico faltam candidatos à iniciação. É difícil saber o motivo, mas é possível que a seita, tendo concluído o seu papel, não seja mais útil. Abandonada por Satanás como uma ferramenta supérflua, ela perdeu o seu poder e tornou-se o joguete de ambições humanas. É talvez o que aconteceu com a União Soviética: cumprida a sua tarefa (espalhar os erros socialistas), não tem mais razão de ser. Agora seria preciso passar para uma nova etapa dialética, criar uma nova antítese que se oponha à tese em vigor. É assim que avança a Revolução, a golpes de “tese – antítese – síntese”. Ignorar esta tática é correr o risco de estar desatualizado para o combate.
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Porque um novo golpe se prepara, uma nova etapa deve ser percorrida. A maçonaria preparou bem o terreno para a fase final. É necessário que as nações desapareçam, que a unidade primitiva da humanidade seja refeita, que o Anticristo seja adorado em todo o mundo. Sem dúvida, um grande desastre, uma nova guerra mundial, permitirá atravessar essa etapa. O Islã – velho inimigo do nome cristão, contra o qual, graças à Santíssima Virgem, tinham triunfado heróis como São Pio V, João Sobieski, São João Capistrano, Dom João D’Áustria –, será ele a nova antítese? Uma segunda vida está sendo nele infundida, e depois de o Ocidente importar massivamente muçulmanos, tratam agora de provocá-lo e de criar o ódio entre os povos. É, aliás, o plano das seitas – uma terceira guerra mundial provocada por um conflito entre judeus e muçulmanos – de acordo com o maçom satanista Albert Pike (carta a Mazzini, 1871).

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Como acontece habitualmente com o demônio, a maquinação é perfeita e "nada, aos olhos humanos, seria capaz de impedir a realização do Plano" (Jean-Claude Lozac'hmeur, “Da Revolução”, p. 169). Mas nada é impossível para Deus, e se os católicos, ainda que sendo um punhado, empregassem a mesma energia e a mesma perseverança como a dos adoradores do diabo, estes seriam desbaratados e seus projetos reduzidos a nada.
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Jean-Claude Lozac'hmeur : Fils de la veuve - Recherches sur l'ésotérisme maçonnique
Nouvelle édition revue et complétée - Éditions de Chiré, 2002, 288 p.

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