segunda-feira, julho 24, 2017

Entrevista com o professor E. Michael Jones




Nessa entrevista falamos sobre política e principalmente moral, cultura e sexualidade. Divulgando a obra dessa grande figura internacional que é o professor E. Michael Jones. Que ainda não tem livros traduzidos para o português, mas com perspectivas de uma edição brasileira de um dos seus livros principais "Libido Dominand: Sexual liberation and political control", e também um ciclo de palestras pelo Brasil que nós divulgaremos com antecedência. Fiquem ligados!
C&C: Nós sabemos que o senhor se destacou muito ao tratar profundamente da questão judaica que é muito delicada e que acaba por gerar muita perseguição. Gostaríamos de saber o quanto isso prejudicou ou tem prejudicado sua vida e sua carreira. O senhor sofre muita censura e de alguma forma isso acabou colocando sua vida e integridade física em risco? O senhor sofre ameaças? Já houve possibilidade de ter de responder perante a justiça ou sofrer algum tipo de atentado contra sua pessoa?
MJ: Minha carreira terminou quando fui demitido do Colégio Santa Maria (1) em 1981 por me opor ao aborto. Desde então, sobrevivi a vários ataques como editor e redator do “Guerras Culturais” (2). O SPLC (3) me atacou como anti-semita em 2007, mas “O Espírito Revolucionário Judaico” (4) saiu dois anos mais tarde e tem vendido bem desde então. Todos os dias enviamos cópias para o mundo todo. Nós estamos, como diz São Paulo, "perseguidos, mas não abandonados". Eu tenho sido posto na lista negra nos Estados Unidos, mas no ano passado eu dei palestras em Londres, Berlim, Dar es Salaam, Musoma, Teerã, Buenos Aires e La Plata. A proibição de criticar os judeus criou uma demanda pelo “O Espírito Revolucionário Judaico” que não existiria se as pessoas estivessem aptas a discutir o tema livremente. Como resultado, eu fui beneficiado com a perseguição.
(1) Universidade nominalmente Católica 
(2) Revista digital (http://www.culturewars.com/)
(4) The Jewish Revolutionary Spirit, um dos seus livros que trata diretamente da questão judaica (https://www.amazon.com/Jewish-Revolutionary-Sp…/…/0929891074)

C&C: O senhor fala muito a respeito da influência judaica e de seu poder na política e na sociedade, mas observamos também que a ação das sociedades secretas ao longo da história sempre foi muito significativa e direta ou indiretamente relacionada a revoluções ao redor do mundo. Oque o senhor tem a nos dizer acerca das sociedades secretas, e como elas se encaixam no esquema que o senhor descreve?
MJ: Eu discuti a relação entre os judeus e a maçonaria em “O Espírito revolucionário judaico”. O século XVIII foi a era das sociedades secretas. Eles alcançaram o apogeu do seu poder no século XIX. Depois da segunda guerra mundial, eles foram substituídos como agentes revolucionários pelas agências de inteligência como a CIA, o Mossad e o MI5.
C&C: O senhor diz que os USA foram formados basicamente por três grupos, que são os Protestantes, os Católicos e os Judeus. Nós temos a impressão que os Protestantes e os Judeus são muito mais aliados entre si do que possam ser com a Igreja Católica. Esteve a Igreja Católica sempre em desvantagem nos Estados Unidos? Pode nos explicar como ocorre essa dinâmica?
MJ: Os católicos sempre foram uma minoria desprezada nos Estados Unidos. No entanto, isso foi uma coisa boa. Como Jesus Cristo disse: "Cuidado quando todos falam bem de você". Após a eleição de John F. Kennedy, a revista Time publicou um artigo de John Courtney Murray, que os admitiu na mesa da vida pública como iguais. Esta foi a pior coisa que já aconteceu com a Igreja Católica nos Estados Unidos. Em troca da respeitabilidade, perderam o poder político que tinham na década de 1930, quando todos os odiavam.
C&C: Como o senhor enxerga a expansão do Islam na europa e no mundo ocidental? Nós temos visto duas tendências contraditórias atualmente. Uma é do movimento revolucionário que pretende fomentar o crescimento do islamismo no ocidente com fins de desestabilizar ainda mais a sociedade e fortalecer um inimigo forte contra a Igreja Católica e os cristãos em geral. Por outro lado, alguns tradicionalistas defendem o Islam como única e última resistência contra o mundo moderno, o homossexualismo, o feminismo, o materialismo, a usura, etc. Afinal, o senhor acha que os Muçulmanos serão assimilados ao humanismo e pós-modernismo ou podem realmente tirar o ocidente da sua degeneração?
MJ: O Islam é o flagelo de Deus. O Islam não pode salvar o Ocidente. O Ocidente tem que salvar a si próprio antes de mais nada rejeitando a liberação sexual e tendo mais filhos. Dito isto, precisamos entender que agora existe uma guerra civil no islamismo em que os Wahabbis da Arábia Saudita se aliaram com os Estados Unidos e Israel na tentativa de destruir o Irã porque o Irã e o Hesbollah são a única força entre Israel e o genocídio dos palestinos. A maioria esmagadora dos iranianos são xiitas, que sempre foram consideradas hereges pela maioria sunita. O conflito entre os xiitas e os sunitas também é um conflito entre as culturas árabe e persa. Em 1970, 85% dos sauditas ganhavam a vida cuidando de camelos e cabras. Os persas, em comparação, eram astrônomos e filósofos enquanto meus antepassados estavam perseguindo porcos nas florestas da Alemanha. Falei em universidades em todo o Irã. Falei em uma mesquita em Teerã. Meu projeto atual é um livro sobre o desenvolvimento da idéia de Deus, com o qual espero encontrar um público no Irã, para que possamos dialogar juntos em um plano superior, o que não é possível atualmente.
C&C: Nós acima de tudo, gostaríamos de lhe perguntar acerca de temas relacionados as atuais “questões de gênero”, sexualidade e moralidade. O senhor fez uma afirmação em uma de suas entrevistas, na qual diz que “Toda civilização é baseada na moralidade sexual, mais particularmente das mulheres.” Poderia esclarecer melhor sobre isso? Pode-se dizer que o comportamento das mulheres atualmente está diretamente relacionada a ruína da nossa sociedade?
MJ: A minha ideia de que a civilização baseia-se na moral sexual das mulheres proveio da minha leitura de “As Bacantes”, de Eurípedes. Quando Dioniso chega em Tebas, as mulheres deixam seus teares para dançarem nuas na montanha. O feminismo, que era a tentativa moderna de fazer as mulheres deixarem seus teares e dançarem nuas, criou uma reação. As mulheres jovens estão cansadas de agirem como homossexuais, quero dizer, mantendo-se em relações transitórias e estéreis. Estão cansadas de ouvir que toda relação está fadada ao fracasso. Meu livro mais recente é "How Meyer Lansky Took Over The Cincinnati Ballet: And What Four Ballerinas Did About It". Ele descreve o levante no Balé Cincinnati contra o feminismo e contra a homossexualização da cultura americana. Em protesto contra todo o discurso sobre empoderamento das mulheres - que é outra palavra para a engenharia social - quatro dançarinas corajosas fizeram o que só uma mulher pode fazer; ficaram grávidas e deram à luz como um protesto contra a esterilidade obrigatória que agora é parte do mundo da arte.
C&C: O senhor tem um livro chamado “Culture Wars in India”, fale um pouco sobre o conteúdo desse livro. O que o senhor pode dizer sobre as consequências da introdução do feminismo e da pornografia na índia?
MJ: A Índia está passando pela sexualização que corrompeu o Ocidente há 50 anos. O país foi inundado de pornografia como resultado da globalização da mídia indiana. O resultado é uma epidemia de estupro e um ressurgimento do violento fundamentalismo hindu, encorajado pelo BJP e o RSS como meio de distrair os indianos da colaboração deles na destruição da cultura indiana. O governo de Modi (1) retirou o papel moeda durante a noite, mas desistiu da tentativa de banir a pornografia após um dia, apesar do grande protesto público contra ele, especialmente entre as mulheres. O BJP (2) e o RSS (3) estão jogando um jogo duplo, soprando as chamas do fundamentalismo hindu violento e ao mesmo tempo trabalhando de mãos dadas com os oligarcas que estão destruindo a cultura indiana tradicional através do capitalismo e da libertação sexual.
1) Primeiro ministro da Índia https://en.wikipedia.org/wiki/Narendra_Modi

C&C: Existe alguma identificação entre a imoralidade que os judeus fomentam nas sociedades cristãs e as próprias doutrinas judaico-talmúdicas? Ao que parece, nos ensinamentos rabínicos eles se detém muito sobre assuntos relativos ao sexo, e até mesmo imoralidades como a pedofilia são bem vindas. Há alguma correlação?
MJ: Não existe correlação direta entre o Talmud e as técnicas de controle sexual, que foram uma criação de Wilhelm Reich. No entanto, Heinrich Graetz, o pai da historiografia judaica, disse que os judeus poloneses foram arruinados moralmente pelo estudo do Talmud, que foi um longo tratado sobre como enganar os goyim. Uma vez que a libertação sexual é uma forma de exploração, ela fluía logicamente das técnicas de exploração que os judeus aprenderam durante séculos ao ler o Talmud.
C&C: Nós sabemos que, especificamente na Igreja Católica, sempre houve uma infiltração proposital de homossexuais e outras pessoas, com o intuito de implodir e desmoralizar o catolicismo. Porém, podemos dizer que essa invasão quinta colunista é a responsável majoritária pela atual condição da Igreja, ou se pode colocar como fator equivalente a rendição da Igreja ao espírito mundano?
MJ: O atual estado desastroso da Igreja é rastreável até as experiências erradas que surgiram do Concílio Vaticano II. O pior exemplo foi o diálogo católico-judeu. A psicologização e sexualização do clero católico foi outra experiência errada. O clero heterossexual deixou o sacerdócio para casar-se. Isso naturalmente levou a uma maior porcentagem de clérigos homossexuais. Seu comportamento homossexual foi retratado de forma imprecisa como pedofilia, que preparou o cenário para uma série desastrosa de ações judiciais que faliram várias dioceses nos Estados Unidos.
C&C: Qual a relação entre a música e a revolução? E oque isso tem a ver com sexualidade?
MJ: O Tristão e Isolda de Wagner tornou-se o paradigma da revolução sexual musical até Arnold Schoenberg arruinou o cromatismo. George Antheil disse que, se os ouvintes de música europeia tivessem escutado mais uma peça de Schoenberg em 1919, todos se suicidariam. E assim, o veículo musical de libertação sexual passou de Wagner para o Jazz Negro quando a primeira banda de jazz chegou a Paris em 1919.
C&C: Qual a relação entre as estórias de terror e a sexualidade desordenada?
MJ: Eu cubro essa relação no meu livro "Monstros do ID". O filme "Alien", foi a continuação de "Garganta Profunda" (1). Em 1979, quando Alien chegou aos cinemas, o sexo oral não era mais divertido, era mortal. A revolução sexual criou tantos destroços que os americanos assistiram filmes de terror nos vinte anos seguintes como uma forma de purgação libertadora. (2)
(1) Primeiro filme pornográfico de alta produção https://pt.wikipedia.org/wiki/Deep_Throat
(2) Em outra entrevista, ele afirma que os filmes de terror são 
uma reação do inconsciente coletivo a pornografia explicita, onde monstros e animais ferozes perseguem, atacam, esfaqueiam e matam mulheres desprotegidas, muitas e muitas vezes em cenas nas quais as mulheres estão nuas ou durante o intercurso sexual. A mensagem é clara, o sexo pode te levar a morte: https://www.youtube.com/watch?v=QXHyqLov6-k

C&C: Se nós comparássemos o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley com nosso mundo poderíamos constatar que tudo oque ele descreveu em seu livro realmente está tomando forma hoje. Porém, a realidade parece muito pior do que a ficção criada por ele. Ao imaginar uma sociedade ideal, Huxley talvez não tenha considerado as desordens, quimeras e transgressões do estilo de vida tecnológico. Gostaríamos de saber qual é sua perspectiva sobre o mundo atual e para as próximas décadas. Ao que parece a Cidade dos Homens finalmente prevaleceu e estamos perto do reino do anti-Christo, o governo do anti-Logos, a grande e última apostasia que antecede a volta do Filho de Deus e o julgamento final. O que podemos esperar Sr. Jones?
MJ: Agustin Eck em seu livro "El Papa de Laodicea" afirma que estamos no fim dos tempos. Quando Eck me disse isso, eu disse a ele que ele me lembrou de Denethor no Senhor dos Aneis de Tolkien, ele está pronto para se jogar em sua pira funerária enquanto eu estou nas muralhas de Minas Tirith lutando a guerra cultural. Um dia antes da minha conversa com a Eck, recebi um e-mail da Polônia explicando como a tradução polonesa de “Libido Dominandi: Libertação Sexual e Controle Político” combinada com a carta pastoral dos bispos poloneses sobre esse tema tinha obliterado a ideologia de gênero na Polônia. O mesmo tipo de coisa é possível em um país católico como o Brasil, mas somente se os católicos tiverem unidade. O principal impedimento à unidade católica em nossos dias é o diálogo católico-judeu. A Igreja pode ter unidade ou pode ter boas relações com os judeus, mas não pode ter ambos.