quinta-feira, julho 27, 2017

O Mito do Vegetarianismo - parte I





Mais uma vez trago aqui um tema extremamente polêmico, mas que deve ser questionado quando se trata de “informação x verdade”.

É sobre o vegetarianismo, um assunto que conheço bem porque fui vegetariano por quase 15 anos e acompanhei minha história nutricional e de saúde junto com familiares, amigos e pacientes, observando esta dieta sob diversos pontos-de-vista e seus efeitos a longo prazo.

Eu costumo dizer que “dieta é que nem religião: cada uma diz que é a única verdadeira e todas as outras são erradas”. Além disso, eu digo sempre que “todos os pontos-de-vista estão certos, dentro da sua própria ótica”. Mas como pode ser isso? Para facilitar a compreensão eu comparo as “verdades de cada um” a “fatias de uma pizza”: cada fatia possui um universo de informações e observações que são válidas dentro do seu próprio universo; mas o problema é que “cada fatia da pizza” quer ser “a pizza toda”. Ou seja, cada ponto-de-vista quer ser a verdade absoluta, ainda mais quando essa verdade vem de uma pretensa “fonte divina”.

Os maiores defensores do vegetarianismo são os religiosos: protestantes e yogues.

Para os protestantes, Deus deixou a seguinte ordem: “Deus disse [a Adão]: Eu vos dou todas as ervas que dêem semente, que estão sobre toda a superfície da terra, e todas as árvores que dão frutos que dêem semente: isso será vosso alimento.” Gn 1,29. Alguns protestantes dizem por isso que a dieta mandada por Deus é vegetariana; mas para este argumento temos que aceitar a existência literal de Adão e do Éden, inclusive que no Paraíso todos animais eram herbívoros: “A todas as feras, a todas as aves do céu, a tudo o que rasteja sobre a terra e que é animado de vida, eu dou como alimento toda a verdura das plantas”. Neste versículo a Bíblia de Jerusalém traz a seguinte nota: “Imagem de uma idade de ouro, em que o homem e os animais vivem em paz, alimentando-se de plantas.”

Mas normalmente se esquecem que na “Nova Ordem do Mundo”, Deus diz a Noé: “Tudo o que se move e possui a vida vos servirá de alimento, tudo isso eu vos dou, como vos dei a verdura das plantas. Mas não comerei a carne com a sua alma, isto é, o sangue.” Gn 9,3.

Na Índia existem diversos sistemas filosóficos e religiosos e um dos grandes ramos da filosofia se chama Shânkia, onde os alimentos são classificados em três grandes categorias: Tamásicos, Rajásicos e Sáttvicos. Os alimentos Tamásicos são aqueles que “estimulam a inércia e a apatia, estando relacionados com a confusão, a ignorância e o erro”: carne, ovos, cebola, cebolinha e alho, cogumelos e fungos, drogas (lícitas ou ilícitas) e a comida fermentada ou estragada, por isso são contra-indicados para quem pratica yoga e meditação. Eu fui vegetariano justamente porque pratiquei yoga da linha tântrica da “mão direita”, que só recomenda o uso de alimentos rajásicos (bebidas com cafeína (café, chá e chocolate), e as ervas e temperos em excesso) e sáttvicos (frutas, nozes, legumes, leguminosas, verduras, cereais integrais, leite e derivados, e a água).

Mas ao longo das minhas pequisas encontrei muitas pessoas doentes, inclusive com câncer no intestino, algo inconcebível para quem segue uma dieta vegetariana para ser saudável... As doenças mais comuns que tenho visto em vegetarianos são: Síndrome Metabólica (obesidade, hipertensão e diabetes), anemia crônica, Hipotireoidismo e Síndrome da Fadiga Crônica, principalmente em pacientes que têm sangue tipo O.

Existe um conceito nos EUA pouco conhecido em outros países do que se chama “Dieta Metabólica”, desenvolvida pelo bioquímico Dr. Roger Williams citado abaixo e que vou desenvolver em futuras páginas. Em resumo, existem diferentes dietas para diferentes tipos metabólicos e a escolha da alimentação deveria respeitar esta individualidade.

Cada dieta tem um ponto-de-vista específico: calorias, yin-yang, doshas, etc., mas acabam perdendo de vista o indivíduo, em detrimento da teoria em questão.

O único aspecto que não se pode discutir em relação às dietas é o “gosto de cada um”, que como diz minha filha, “não se discute, só se lamenta”. E aí está o maior problema de todos: as pessoas comem “o que gostam” e não “o que faz bem”. Uma das questões que não devemos esquecer é que a “Síndrome Plurimetabólica” aparece por uma resistência do próprio corpo ao hormônio insulina e este é produzido para fazer as células absorvem a glicose, que vem dos carboidratos (ver em http://drpaulomaciel.com.br/as-medicinas/nutricao-verdades-x-mentiras/sindrome-plurimetabolica/).

O homem primitivo comia basicamente do que caçava e coletava: carnes, ovos, frutas (da época) e raízes. As sementes só se tornaram alimento humano a partir da introdução da agricultura, já que se não for plantado não se encontra grãos na natureza o suficiente para alimentar um único homem, quem dirá uma cidade inteira. As grandes civilizações só foram possíveis a partir da plantação dos grãos (Egito e trigo, China e arroz, Maias e milho, etc.). Só que ao mesmo tempo, pela monocultura, surgiram as pragas que levaram à produção dos agrotóxicos e recentemente aos transgênicos, cada passo mais ecologicamente “errado” que o outro.

Isso porque o primeiro passo, a monocultura, não é natural e leva ao desequilíbrio ecológico. Já escrevi sobre os extensos malefícios do soja e a surpreendente resposta da Natureza na produção de uma erva daninha mutante especializada em atacar a soja transgênica. Já vimos também a outra erva daninha que incorporou o gene da Canola, causando preocupação na Europa. Futuramente vou escrever sobre o trigo e a Doença Celíaca, uma doença que traz nos genes a informação de que o glúten, partícula protéica do trigo, aveia, cevada, centeio e malte é danosa e deve ser eliminada pelo próprio sistema imunológico do doente. Ao atacar o glúten, o sistema imune da própria pessoa destrói o intestino delgado, levando-a à desnutrição e morte. Interessante observar que a Doença Celíaca já atinge 1 pessoa para cada 100 habitantes, o que pode ser considerada uma doença extremamente comum, mais que ainda passa despercebida para a maioria das pessoas.

Será que todas estas questões não estão querendo nos mostrar alguma coisa mais importante e profunda? A superpopulação começou com a plantação dos grãos. Agora os vegetarianos e veganos querem impor uma dieta mundial baseada em grãos, eliminando as pastagens e o consumo da carne. Com isso poderemos aumentar a população até o limite sustentável do planeta que segundo alguns estudos poderia ser de 16 bilhões de pessoas!

Para concluir minhas observações iniciais, lembro aos protestantes que Caim era agricultor e Abel era pastor: “Abel tornou-se pastor de ovelhas e Caim cultivava o solo. Passado o tempo, Caim apresentou produtos do solo em oferenda a Iahweh; Abel, também ele, ofereceu as primícias e a gordura de seu rebanho. Ora, Iahweh agradou-se de Abel e de sua oferenda. Mas não se agradou de Caim e de sua oferenda, e Caim ficou muito irritado e com o rosto abatido.” Gen 4,2-5.