sábado, julho 29, 2017

O Mito do Vegetarianismo - parte II



Dr. Bynes

Uma determinação inflexível de levar o todo das evidências em conta é o único método de preservar-se contra os extremos flutuantes da opinião em moda” - Alfred North Whitehead



Bill e Tanya sentaram diante de mim, em meu consultório com um humor sombrio: eles tinham perdido há pouco o seu primeiro bebê no segundo mês de gravidez. Tanya estava particularmente chateada: “Por que isto aconteceu a mim? Por que eu falhei com meu bebê?” O jovem casal tinha vindo me ver principalmente por causa das infecções respiratórias periódicas de Tanya, mas também queria algum conselho de como eles poderiam evitar a preocupação de outro fracasso numa nova gravidez.

Questionando Tanya sobre a sua dieta, eu percebi rapidamente a causa das suas infecções, como também de seu aborto: ela teve virtualmente não ingeria nenhuma gordura em sua dieta e era, basicamente, uma vegetariana. Por causa da retórica abundante da mídia sobre os supostos perigos do consumo de produto animal, ao contrário dos supostos benefícios para a saúde oferecidos por um estilo de vida vegetariano, Tanya tinha removido deliberadamente alimentos tais como a nata, manteiga, carnes e peixes de sua dieta. Embora ela gostasse de fígado, ela o tem evitado devido a preocupações com suas eventuais “toxinas.”

Tanya e Bill saíram com um frasco de vitamina A, outros suplementos e uma prescrição dietética que incluía quantias abundantes de gorduras animais e carne. Ao deixar meu consultório, Tanya olhou para mim e disse com pesar: “eu às vezes não sei o que acreditar. Em todos os lugares eu recebo a recomendação de alimentos com baixo teor de gordura, e de origem vegetal. Eu segui isto, e olhe o que me aconteceu.” Eu a assegurei que se ela e o marido mudassem suas dietas e que fosse dado um tempo suficiente para seu útero debilitado para se curar, eles seriam, no devido tempo, felizardos pais. Após eles se irem, eu tremi minha cabeça com descrença e preocupação: eu sabia que eles não eram os únicos.

Junto com o temor da gordura saturada e do colesterol das últimas décadas veio a noção que o vegetarianismo é uma opção dietética mais saudável para pessoas. Parece como se todo perito de saúde e todos os órgãos de saúde de governo estivessem estimulando as pessoas a comer menos produtos animais e consumir mais legumes, grãos, frutas e legumes. Junta a essas exortações são feitas afirmações e estudos que provariam que o vegetarianismo é supostamente mais saudável para as pessoas e que o consumo de carne causaria doença e morte. Porém, várias autoridades médicas questionaram estes dados, porém essas objeções têm sido ignoradas.

Como nós veremos muitas das virtuosidades vegetarianas não podem ser substanciadas e algumas são simplesmente falsas e perigosas. Há benefícios, com certeza, em dietas à base de vegetais para certas condições de saúde, e algumas pessoas podem funcionar melhor com menos gordura ou proteínas, mas, como um médico que já lidou com vários tipos de vegetarianos (até vegetarianos absolutos), eu conheço plenamente os efeitos perigosos de uma dieta destituída de produtos animais saudáveis.

É meu desejo que todos os leitores avaliem com mais cautela uma posição a favor do vegetarianismo depois de ler este artigo. É importante notar que há tipos diferentes de vegetarianismo, desde dietas lacto-vegetarianas (que incluem produtos lácteos) e dietas do tipo lacto-ovo-vegetariana (com a inclusão de produtos lácteos e ovos). As advertências nutricionais que se seguem são dirigidas, principalmente aos que têm uma dieta em que faltam totalmente produtos de origem animal.



MITO #1:

O consumo de carne contribui para a escassez e esvazia os recursos naturais da Terra.



Tem sido declarado que as terras de pastagem requeridas por vacas e ovelhas poderiam ser mais bem usadas com o plantio de grãos que poderiam alimentar milhões de famintos em países do Terceiro mundo. Além disso, tem-se afirmado que a criação de gado requer mais água do que fertilizantes para agricultura. Ambos os argumentos são ilógicos e simplistas. O primeiro argumento sobre as terras para pastagem ignora o fato de que uma porção grande de terra seca de nosso planeta é inadequada para o cultivo. As áreas de campo aberto, de deserto e as áreas montanhosas produzem seus frutos para o pastoreio de animais(1).

Infelizmente, boa parte de gado comercial não é alimentada no campo, mas em confinamento. Eles não ingerem gramas e arbustos (como seria adequado), mas são alimentados com uma mistura pouco natural de grãos e soja. É verdade que esta comida poderia ser utilizada por humanos. O argumento aqui, então, não poderia ser de que ao se comer carne está se esgotando os recursos da Terra, mas sim de que os métodos comerciais de agricultura o fazem. Tais métodos também sujeitam o gado a condições de vida deploráveis onde ocorrem infecções, se utilizam antibióticos, além de esteróides e de outros hormônios sintéticos que também são comuns. Tudo isso leva a produção de um gado pouco saudável, e por extensão, um produto alimentar pouco saudável. O gado alimentado organicamente, então, é uma escolha mais saudável e mais humana (veja no mito #15 mais sobre esse tópico).

Sobre a argüição de que a criação de gado requer mais água do que para as plantações, deve ser assinalado que o consumo de água seria o mesmo pelo gado estivesse ele em liberdade ou em rebanhos dedicados à produção de alimentos. Adicionalmente, a urina dos animais no pasto, que contém principalmente água, é rica em nitrogênio necessário para suprir a terra. Muito da água utilizada na produção animal comercial é utilizada também para o cultivo de vários grãos, e mesmo da soja que alimenta esses animais. Se um esforço combinado fosse feito para devolver o conceito ecológico de “fazenda combinada” ou “mista” (mixed farm), (descrita abaixo), grandes despesas com água seriam desnecessárias.

Uma ameaça mais séria para humanidade, e a Terra, é a monocultura de grãos e legumes, defendida por alguns grupos vegetarianos, que esgotam a terra e requerem o uso pesado de fertilizantes artificiais e agrotóxicos perigosos; agrotóxicos que precisam ser testados primeiro em animais para segurança (2). A solução? Pensadores perspicazes, a respeito dessa questão, propuseram o seguinte:

Um consumidor educado e um fazendeiro consciente, juntos, poderiam promover um retorno de uma fazenda combinada (mixed farm), em que se uniriam o cultivo de frutas, legumes e grãos combinado com a criação de gado e aves, o que seria muito eficiente, econômico e ecologicamente correto. Por exemplo, galinhas correndo livres em áreas de jardim comendo insetos (uma espécie de peste), ao mesmo tempo provendo ovos de alta qualidade; ovelhas que pastam em pomares abreviam a necessidade de herbicidas; e vacas que pastam em bosques e outras áreas marginais provêem leite rico, puro, tornando estas terras economicamente viáveis para seus proprietários. Não é a produção animal que conduz à fome e à escassez, mas práticas agrícolas pouco inteligentes e sistemas de distribuição monopolísticas. (3)

Uma “fazenda combinada” também é mais saudável para a terra e renderá mais colheitas do que aquelas administradas de acordo com as diretrizes tradicionais. O fazendeiro orgânico britânico e produtor de leite, Mark Purdey, mostrou com precisão que um campo de colheita em uma fazenda combinada renderá até cinco colheitas num ano, enquanto aquela com uma monocultura renderá só uma ou duas (4). Qual fazenda está produzindo mais comida para a população mundial? Purdey resume bem os horrores ecológicos das fazendas de alta produção dizendo:

- Nossos estabelecimentos agrícolas poderiam fazer muito bem em proscrever o negócio - fazendeiros estupefatos promovendo criação intensiva de gado, burocratas que produzem “boi-burguers” de modo industrial; com todas suas perdas, crueldade deplorável, sistemas anti-ozônio; drogas e outros produtos químicos que induziram a uma imuno-toxicidade que resultou na B.S.E. (síndrome da vaca louca – síndrome da encefalite bovina) [veja mito #13] salmoneloses, no desmatamento das florestas tropicais, etc. Nossa direção futura tem que buscar a média harmônica, saudável das fazendas combinadas, que ressuscita o antigo e tradicional sistema que têm nas amplas áreas de terra o modelo básico, incrementando a produtividade para atender as exigências de demanda atuais, incorporando uma aplicação mais atualizada das ciências biológicas nos sistemas de cultivo. (5)



MITO #2:

A vitamina B12 pode ser obtido de fontes vegetais.



De todos os mitos, este é talvez o mais perigoso. Os vegetarianos que não complementam sua dieta com vitamina B12 adquirirão eventualmente anemia (uma condição potencialmente fatal) podendo ter também danos severos no sistema nervoso e no sistema digestivo (6). Muitas vezes é assegurado que a vitamina B12 está presente em certas algas, tempeh (um produto de soja fermentado) e no fermento de cervejeiro. Mas isso é falso.

Como a niacina no milho, os análogos de B12 presentes nas algas e no tempeh não são bio-disponíveis (não são disponíveis para aproveitamento do organismo humano). Nós sabemos isto porque nos estudos feitos no sangue de pessoas, os níveis de B12 permanecem os mesmos depois deles ingerir espirulina e tempeh; não houve nenhuma mudança, não indicando nenhuma absorção relevante pelo corpo (7). Além disso, a ingestão de muita soja aumenta a necessidade do corpo por B12 (8). O fermento de cervejeiro não contém B12 naturalmente; sempre é aditivado artificialmente a partir de uma fonte externa.

Algumas autoridades vegetarianas proclamam que a B12 é produzido através da fermentação por certas bactérias dos intestinos. Isto até pode ser verdadeiro, mas está em uma forma que não pode ser utilizada pelo organismo. A vitamina B12 requer o fator intrínseco do estômago para adequada absorção no íleo. Considerando que o produto bacteriano não tem esse fator intrínseco (restrito ao estômago), ele não pode ser absorvido (9).

É verdade que vegetarianos que vivem em certas partes de Índia não sofrem de vitamina deficiência de B12. Isto levou alguns a concluir que alguns vegetais provêem esta vitamina. Porém, esta conclusão é errônea, uma vez que muitos pequenos insetos, seus ovos, seus resíduos, suas larvas, permanecem nos alimentos que essas pessoas consomem, já que não há uso de pesticidas e os seus métodos de limpeza são ineficientes. Assim é que estas pessoas obtêm sua vitamina B12. Esta alegação é confirmada pelo fato de que quando os hindus migraram para a Inglaterra, eles ficavam com anemia perniciosa dentro de alguns anos. Na Inglaterra, o fornecimento de alimentos tem melhor qualidade higiênica, e os resíduos de insetos são completamente eliminados dos produtos vegetais (10). A única fonte segura de absorção da vitamina B12 é obtida de produtos animais, especialmente carnes de órgãos (miúdos) e ovos (11). Embora presente em menor quantia, produtos lácteos contêm B12. Logo, os vegetarianos deveriam considerar a inclusão de produtos lácteos em suas dietas. Quando os lacticínios não podem ser tolerados, os ovos, preferivelmente de galinhas caipira, são virtualmente necessários.

O fato da vitamina B12 só poder ser obtida de produtos de origem animal é um dos argumentos mais fortes contra a perspectiva do vegetarianismo ser um “modo normal” do ser humano se alimentar. Hoje, os vegetarianos podem evitar a anemia tomando vitaminas suplementares ou comidas fortalecidas. Se essas mesmas pessoas tivessem vivido há poucas décadas atrás, quando estes produtos artificiais ainda eram indisponíveis, elas teriam morrido.

Em minha prática clínica, recentemente, dois vegetarianos foram salvos da morte por anemia grave ao serem convencidos de comer quantias generosas de produtos lácteos. Ambos estes pacientes supunham que as necessidades de B12 estariam sendo satisfeitas pelo tempeh e pela espirulina. Eles estavam errados!



MITO #3:

O corpo pode converter ácidos graxos ômega-6 em ácidos graxos ômega-3 quando necessário.



Esta falsidade é similar ao mito número dois. Os ácidos graxos Ômega 3 e 6 são gorduras poliinsaturadas sendo dois, o ácido linolênico (tipo omega-3) e linoléico (tipo omega 6), essenciais à vida humana e devem ser obtido dos alimentos já que o corpo não os pode sintetizar. Embora quantias muito pequenas de ômega-3 (ácido linolênico) sejam encontradas em grãos integrais e verduras folhosas de cor verde escuro, ele é encontrado principalmente em alimentos animais (especialmente peixes e ovos), como também no óleo de semente de linhaça. Ômega-6, ácido linoléico, é principalmente encontrado nos legumes, mas quantias pequenas estão presentes em certas gorduras de animal. Para tranqüilizar os vegetarianos que temem não poder adquirir suficiente quantia de Ômega-3 (ácido linolênico), alguns experts vegetarianos afirmam que o organismo pode converter excessos de ômega-6 para ômega-3 (ácido linolênico), e para outros ácidos graxos ômega-3 como o EPA e o DHA, dois ácidos graxos envolvidos intimamente com a saúde do cérebro e do sistema imune.

A renomada especialista em bioquímica dos lipídios, Dra. Mary Enig, da Universidade de Maryland, e outras autoridades demonstraram que o organismo não pode transformar o número ômega de um ácido graxo. O corpo pode mudar o grau de saturação de um ácido graxo e também seu comprimento molecular, mas não seu número ômega (12). Em outras palavras, um ômega-6 só pode ser convertido para outro ácido graxo ômega-6, um ômega-3 só pode ser transformado em outro ômega-3.

Novamente, eu vi os resultados desta desinformação em minha prática. Eu tive vários pacientes de descendência do norte da Europa com problemas mentais e imunológicos severos causados por uma falta de EPA e DHA, dois ácidos graxo ômega-3 não encontrados nos vegetais (o DHA é encontrada em quantias pequenas em algumas algas). Os povos nativos de climas mais quentes do planeta podem fabricar esses ácidos graxos a partir de outro ômega-3, mas as pessoas descendentes dos europeus do norte ou dos Innuits não podem. Seus antepassados ingeriam muito peixe rico em EPA e DHA, seus organismos parecem ter perdido a habilidade em fabricar esses ácidos graxos (13). Para estas pessoas, o vegetarianismo é impossível; eles precisam consumir ovos ou peixes para sobreviver.

Existe também um perigo real muito grande ao se consumir grande quantidade de ácidos graxos ômega-6, principalmente encontrados nos vegetais. O corpo requer ambos, os ácidos ômega-6 e ômega-3. Porém, quando as células do corpo são sobrecarregadas com ômega-6, a sua habilidade em utilizar o ômega-3 é inibida (14). Níveis cronicamente baixos de ácidos graxos ômega-3 são associados com taxas mais altas de câncer e deficiência imunológica. Também há forte correlação de níveis excessivos de ácidos graxos ômega-6 com uma incidência alta de doença cardiovascular (assim como o consumo excessivo de açúcar refinado e dos ácidos graxos tipo trans) [15].



MITO #4:

As necessidades orgânicas de vitamina A podem ser completamente obtidas de alimentos vegetais.



A vitamina A é encontrada principalmente nos produtos animais. As plantas contêm beta-caroteno, uma substância que o corpo pode converter em vitamina A. A impressão oferecida por algumas fontes vegetarianas é de que o beta-caroteno é tão bom quanto a vitamina A. Isto não é verdade.

Primeiramente, a conversão de caroteno para vitamina A só acontece na presença de sais biliares. Isto significa que lipídeos devem ser ingeridos com caroteno para estimular a secreção de bílis. Além disso, as crianças e as pessoas com hipotireoidismo, com problemas de vesícula ou diabetes, não podem fazer essa conversão, ou podem fazer de forma muito limitada. Infelizmente, a conversão pelo organismo do caroteno para vitamina A não é muito eficiente: 46 unidades de caroteno são necessárias para formar uma unidade de vitamina A. Isso significa que comendo uma batata-doce (contendo aproximadamente 25.000 unidades de beta-caroteno) você só conseguirá obter aproximadamente 4.000 unidades de vitamina A (presumindo que houve ingestão de gordura e que não ocorram problemas de tiróide ou de vesícula) (16).

Confiar somente em fontes vegetais para as exigências de vitamina A, não é, pois, uma idéia muito sábia. É por isso que a boa e tradicional manteiga é uma virtual necessidade de qualquer dieta. A manteiga, de vacas alimentadas exclusivamente com pasto (gado “verde”), é rica em vitamina A e proporcionará para os intestinos o material lipídico necessário para converter o caroteno vegetal em vitamina A ativa. A vitamina A é de imprescindível importância em nossa dieta, pois habilita o organismo a usar proteínas e sais minerais (17).



MITO #5:

Quem come carne tem taxas mais altas de: doenças do coração, de rim, câncer, obesidade e osteoporose do que os vegetarianos.



Tais estupefatas alegações são difíceis de conciliar com fatos históricos e antropológicos. Todas as doenças mencionadas são, basicamente, problemas do século XX, entretanto as pessoas têm comido carne e gordura animal há milhares de anos. Além disso, há vários povos nativos em todo o mundo (innuits, masais, suíços, gregos, etc.) cujas dietas tradicionais são muito ricas em produtos animais, mas não sofrem dos problemas citados. (18) Isto mostra que há outros fatores, que não os alimentos do reino animal, envolvidos nessas doenças.

Vários estudos supostamente mostraram que o consumo de carne seria a causa de doença de coração, do câncer e de fraqueza óssea, mas tais estudos, quando avaliados de forma mais profunda, não conseguem provar tais achados (19). Por exemplo, os estudos que supostamente provaram que o consumo de carne entre o povo Innuit causaria taxas altas de osteoporose, não apontou outros fatores dietéticos que contribuíram para a perda óssea (e para as outras doenças crônicas listadas no mito #5). Fatores como o consumo de açúcar refinado, alcoolismo e de junk food geram mais perda óssea do que a carne real, aliás, substituída pela proteína texturizada em pó! (Provavelmente de soja, NT.) (20).

Certamente, quando a proteína é consumida de modo antinatural, separada dos outros nutrientes lipossolúveis requeridos para sua absorção e assimilação, essa forma de consumo traz problemas. Por causa disto, o uso atual de proteína em pó sem gordura como “suplemento alimentar”, assim como o leite semidesnatado ou desnatado (sem gordura) deveriam ser absolutamente evitados. Retirar a gordura visível de carnes e a remoção da pele de aves (galinha, pato, peru etc.), antes de comer, também deveria ser desencorajado.

Apesar das alegações de que estudos mostrariam que o consumo de carne aumentaria o risco para doença de coração (21), seus autores na verdade acharam o contrário. Por exemplo, em uma análise de 1984, com os estudos de 1978 com adventistas do Sétimo Dia (que são na maioria vegetarianos), H. A. Kahn concluiu: “embora nossos resultados acrescentem alguns fatos significativos à questão da relação dieta-doença, nós reconhecemos quão distantes eles estão no sentido de provar, por exemplo, que homens que freqüentemente comem carne ou mulheres que raramente comem salada estão encurtando suas vidas” (21). A uma conclusão semelhante foi chegada por D.A. Snowden (21). Apesar desses achados surpreendentes, os estudos concluíram exatamente o contrário e as pessoas estimuladas a reduzir alimentos de origem animal em suas dietas.

Além disso, ambos os estudos levantaram alguns dados sobre as dietas que claramente não demonstraram qualquer conexão entre ovos, queijo, leite integral, e gordura junto à carne (alimentos com alto teor de gordura e colesterol) e a doença de coração. O estatístico Dr. Russel Smith concluiu: “De fato o estudo de Kahn [e de Snowden] se tornaram mais um exemplo de resultados negativos dos dados que divulgados e mal interpretados como suporte às afirmações politicamente corretas de que os vegetarianos têm maior longevidade.” Quando todos os dados são adequadamente computados, as diferenças atuais de doença de coração entre os vegetarianos e não-vegetarianos nestes estudos foram menor do que 1%: valores insignificantes (22).

Deveria ser sublinhado que os estudos são freqüentemente feitos com indivíduos Adventistas do Sétimo Dia nas análises com populações para provar que uma dieta vegetariana é mais saudável e é associada com riscos menores para a doença de coração e para o câncer (porém leia o último parágrafo desta seção). Embora seja verdade que a maioria dos membros dessa congregação Cristã não come carne, eles também não fumam, não bebem etílicos, nem café ou chá, fatores que podem estar envolvido no câncer e na doença de coração (23).

Os mórmons compõem um grupo religioso freqüentemente negligenciado nos estudos dos vegetarianos. Embora sua religiosidade pregue a moderação, os mórmons não se privam de carne. O fundador do Mormonismo, Joseph Smith, declarou que uma dieta destituída de produtos animais como “não de Deus.” Assim como os Adventistas, os mórmons evitam tabaco, álcool, e a cafeína. Apesar de serem consumidores de carne, um estudo com os mórmons de Utah mostrou que eles têm uma taxa 22% menor que a média geral para o câncer, e 34% menor para a mortalidade de câncer de cólon em relação à média dos EUA (24). Um estudo com Porto Riquenhos, que comem grandes quantias de carne gorda suína, não obstante, revelou taxas muito baixas de câncer de cólon e de mama (25). Resultados semelhantes podem ser adicionados para demonstrar que o consumo de carne, isoladamente, não tem correlação com câncer, doença do coração, osteoporose, doença de rim, ou obesidade (26). Obviamente, outros fatores estão envolvidos.

É muito comum ser alardeado que os vegetarianos têm que taxas menores de câncer do que os consumidores de carne, mas um estudo de 1994, com californianos adventistas do Sétimo Dia (que são geralmente vegetarianos) demonstrou que, embora eles tivessem taxas mais baixas para alguns cânceres (por exemplo, mama), eles apresentavam taxas significativamente maiores de vários outros tipos de câncer (cérebro, pele, útero, colo e ovário)! (27)



MITO #6:

Gorduras saturadas causam doença de coração e câncer, e dietas com baixo teor de gordura e baixo teor de colesterol são mais saudáveis para pessoas.



Apesar das alegações de que as sociedades primitivas seriam predominantemente vegetarianas, as dietas de populações nativas pelo mundo afora é rico em gorduras saturadas e derivados animais (28) e, como é bem sabido, a doença cardiovascular e o câncer são, reconhecidamente, doenças da modernidade. Conseqüentemente, o consumo de gordura saturada não pode causar, logicamente, estas doenças. Como nos estudos mal feitos com o povo Inuit, os investigadores modernos não levam em conta outros fatores dietéticos das pessoas que têm doença de coração e câncer. Como resultado, os efeitos prejudiciais da ingestão do açúcar refinado, de alimentos pobres em nutrientes, das gorduras trans (encontrados na margarina e na gordura hidrogenada) e dos óleos vegetais são associados ao consumo da gordura animal. A maioria das pessoas acredita que a gordura saturada e o colesterol “obstruem as artérias”, mas tais idéias foram demonstradas serem falsas por alguns cientistas como Linus Pauling, George Mann, John Yudkin, Abram Hoffer, Mary Enig e outros (29). Pelo contrário, estudos mostraram que a placa das artérias é principalmente composta de gorduras não saturadas, particularmente as poliinsaturadas, e não de gordura saturada de animais, palma ou coco (30).

As gorduras trans, ao invés de gorduras saturadas, foram demonstradas por investigadores como Enig, Mann e Fred Kummerow como sendo os fatores causais da aterosclerose, da doença coronária de coração, câncer e outras várias outras enfermidades (31).

Um recente estudo, com milhares de mulheres na Suécia, não mostrou qualquer correlação entre o consumo de gordura saturada com um risco aumentado para câncer de mama. Porém, o estudo mostrou uma ligação forte entre a ingestão de óleo vegetal e altas taxas de câncer de mama (32).

O Estudo de Framingham sobre o Coração é freqüentemente citado como prova de que o colesterol da dieta e o consumo de gordura saturada causa doença de coração e pouca saúde. Envolvendo aproximadamente 6.000 pessoas, o estudo comparou dois grupos durante vários anos a intervalos de cinco anos. Um grupo consumiu pequena quantidade de colesterol e de gordura saturada, enquanto o outro ingeria altas quantias. Surpreendentemente, Dr William Castelli, o diretor do estudo, é citado nos Arquivos de Medicina Interna (1992 de julho) dizendo:

“Em Framingham, Massachussets, quanto mais gordura saturada se ingeria, quanto mais colesterol se comia, quanto mais calorias se ingerisse, mais baixas eram as taxas de colesterol no sangue do indivíduo... nós acreditamos que essas pessoas que comiam mais colesterol, que comiam mais gordura saturada, que comiam mais calorias, pesavam menos eram as fisicamente ativas.”

É verdade que o estudo mostrou que aquelas pessoas que pesaram mais e tiveram níveis de colesterol no sangue mais altos eram mais propensas para a doença de coração; mas o ganho de peso e os níveis de colesterol tiveram uma correlação inversa com gordura alimentar e a ingestão de colesterol. Em outras palavras: não havia qualquer correlação (33).

Em uma proposta semelhante, a pesquisa americana MRFIT (Pesquisa de Intervenção em Múltiplos Fatores de Risco), patrocinada pelo Instituto Nacional do Coração e Pulmão (NHLI), comparou as taxas de mortalidade e de hábitos alimentares de mais de 12.000 homens. Aqueles que comeram menos gordura saturada e colesterol apresentaram uma taxa ligeiramente reduzida de doença coronária do coração (DCC), mas tiveram uma taxa de mortalidade global muito mais alta do que os demais homens no estudo (34).

Os poucos estudos que indicam uma correlação entre redução de gordura saturada e taxas menores de DCC também mostram claramente um aumento considerável em mortes por câncer, suicídio, violência e hemorragia cerebral (34). Como nos estudos sobre densidade óssea, tais coisas não são levadas ao público.

Portanto, as dietas com redução de gordura saturada e de colesterol não são, decididamente, mais saudáveis para pessoas. Estudos têm provado cada vez mais que tais dietas são associadas com depressão, câncer, problemas psicológicos, fadiga, violência e suicídio (35).

Crianças em dietas de baixo teor de gordura sofrem de problemas de crescimento, danos à maturidade, dificuldades no aprendizado (36). Apesar disto, recomendações do Dr. Benjamim Spock para a Associação de Coração Americana recomendam dietas de baixo teor de gordura para crianças! Só podemos lamentar o destino dessas desafortunadas crianças que serão criadas por pais inconscientes crédulos de tal má informação.

Há muitos benefícios de saúde fornecidos pelas gorduras saturadas, dependendo da gordura em questão. Por exemplo, o óleo de coco é rico em ácido láurico, um antifúngico potente e com potencial antibiótico. O coco também contém quantias apreciáveis de ácido caprílico, outro efetivo antifúngico (37). A manteiga originada de vacas criadas livremente no pasto (green fed cattle) é rica em sais minerais, especialmente selênio, assim como todas as vitaminas lipossolúveis e ácidos graxos benéficos que protegem contra câncer e contra infecções fúngicas (38).

Porém, gorduras saturadas em geral provêem uma boa fonte de energia para os órgãos vitais, protegendo as artérias contra os danos da lipoproteína aterogênica (a), é rico em vitaminas lipossolúveis, aumenta os níveis de HDL no sangue, e torna possível a utilização dos ácidos graxo essenciais. Eles são excelentes para cozinhar, pois eles são quimicamente estáveis e resistem sob o calor, ao contrário dos óleos vegetais de poliinsaturados. Portanto, retirá-las da dieta de um indivíduo, é desaconselhável (39).



MITO #7:

Os vegetarianos vivem mais muito tempo e têm mais energia e resistência que os consumidores de carne.



Surpreendentemente como possam parecer, alguns importantes estudos mostram que o anuário de taxas de mortalidade por qualquer causa em homens vegetarianos é ligeiramente mais elevado do que as de homens não-vegetarianos (0.93% vs. 0.89%). De forma semelhante, o índice anual de mortalidade por qualquer causa entre mulheres vegetarianas foi demonstrado ser significativamente mais elevado que a de mulheres não vegetarianas (0.86% vs. 0.54%). (40)

Russell Smith, Ph.D., referido no mito #5, em seu relevante estudo em doença do coração, demonstrou que o aumento do consumo de produto de origem animal em alguns grupos de estudo, leva à redução dos índices de mortalidade! Não foram obtidos tais resultados entre os grupos vegetarianos. Por exemplo, em um estudo publicado por Burr e Sweetnam em 1982, revelou a análise de dados de mortalidade em que, embora os vegetarianos tivessem uma taxa ligeiramente mais baixa (.11%) de doença de coração que os não-vegetarianos, a taxa de mortalidade por todas as causas era muito mais ALTA para vegetarianos (41).

Normalmente é proclamado que a longevidade dos povos que comem carne é predominantemente curta, mas os Aborígines de Austrália, que tradicionalmente comem uma dieta rica em produtos animais, são conhecidos pela sua longevidade, (pelo menos antes de colonização européia). Dentro de sociedade Aborígine, há uma casta especial do ancião (42). Obviamente, se não existisse qualquer pessoa velha, tal grupo não teria existido. Em seu livro: Nutrição e Degeneração Física, o Dr. Price tem numerosas fotografias de anciões de vários povos nativos ao redor do mundo (42). Exploradores como Vilhjalmur Stefansson informaram grande longevidade entre o povo Inuit (novamente, antes de colonização). (43)

Semelhantemente, os russos das montanhas de Cáucaso chegam a grandes idades com uma dieta com carne gorda de porco e produtos com leite integral. O Hunzas, também conhecidos pela saúde robusta e longevidade, comem porções significativas do leite de cabra, que tem taxas de gordura saturada mais elevadas do que o leite de vaca (44). Em contraste, os habitantes predominantemente vegetarianos do Sul da Índia têm as menores expectativas de vida do planeta (45). Dr Weston Price, DDS, viajou ao redor do mundo nos anos vinte, investigando dietas nativas. Ele encontrou uma forte correlação entre dietas ricas em gordura animal, com saúde robusta e habilidade atlética, sem exceção. Por exemplo, comidas especiais para atletas suíços incluíram tigelas de nata fresca, crua! Na África, o Dr. Price descobriu que os grupos cujas dietas eram ricas em peixes gordurosos e carnes de órgãos internos, como fígado, constantemente conseguiam os prêmios nas competições atléticas, e que as tribos que ingeriam carne sempre dominavam as tribos cujas dietas eram predominantemente vegetarianas (42).

É popular em nutrição de esporte recomendar “uma carga de carboidratos” para estimular os atletas e aumentar os níveis de resistência. Mas recentes estudos feitos em Nova Iorque e na África do Sul mostram que o oposto é verdade: atletas que ingeriam mais carboidratos tiveram significativamente menos resistência que aqueles que recebiam “uma carga de gordura” antes de eventos atléticos (46).



MITO #8:

A dieta do “homem da caverna” era vegetariana e/ou com baixo teor de gordura.



Nossos antepassados Neolíticos eram coletor-caçadores, e duas escolas de pensamento desenvolveram modelos a respeito de como seria seu tipo de dieta. Um grupo sustenta que deveria ter sido uma dieta predominantemente animal, rica em gordura, complementada com frutas sazonais, bagas, nozes, raízes alimentícias e gramíneas selvagens. O outro argüiu que os povos primitivos consumiram quantias pequenas de carnes magras e quantias grandes de vegetais. Uma vez mais, tal noção de uma “dieta de baixo teor de gordura” é difícil de conciliar com o que nós conhecemos das sociedades caçadores-coletores ainda presentes na atualidade. Tribos africanas atuais consomem as porções gordurosas de animais, especialmente órgãos como o cérebro, fígado e língua, predominantemente. Os Aborígines, outra sociedade caçador-coletora, também tenha uma dieta rica em gorduras animais saturadas (47).

Exploradores como Stefansson informaram que o povo Innuit e a as tribos norte americanas ficavam preocupadas quando suas provisões de caribous estavam muito magras: eles sabiam que enfermidades se sucederiam se eles não consumissem gordura suficiente (48).

Índios canadenses caçariam machos caribous e alces mais velhos, deliberadamente, quando esses animais tivessem 50 libras de gordura de traseiro, assim a tribo os comeriam com prazer. Os nativos americanos também se absteriam de caçar bisão na estação da primavera (quando os depósitos de gordura dos animais eram baixos, devido a provisão de comida escassa durante o inverno), preferindo caçá-los e os consumir no outono quando eles já tinham engordado suficientemente.

Tristemente interessante é o modo como às vezes são torturados os prisioneiros políticos da América do Sul e Central: eles são alimentados uma dieta à base de carne magra e eles morrem depressa. Por quê? Sem as vitaminas lipossolúveis contidas nos lipídios animais, o corpo não pode utilizar e sintetizar as proteínas e outros nutrientes presentes na carne (49).

Em suas viagens, Dr. Price nunca encontrou uma cultura totalmente vegetariana. Dados antropológicos apóiam isto: ao longo do globo, todas as sociedades mostram uma preferência para comidas de origem animal e gorduras e as populações só se tornam vegetarianas quando isso se torna necessário (50). O antropólogo nutricional H. Léon Abrams Jr, demonstrou que foi a busca do homem pré-histórico por animais como alimento que prosperou sua expansão por toda a Terra, e que ele caçou algumas espécies, provavelmente, à extinção (50).

Price também descobriu que esses povos, em condições não emergenciais, quando consumiam mais grãos e legumes, tinham taxas mais elevadas de decadência dentária do que aqueles que consumiram mais produtos animais (51). Evidências arqueológicas dão suporte a este achado: crânios de povos pré-históricos que eram principalmente vegetarianos têm dentes que contêm cáries e abscessos e mostram evidências de tuberculose (50, 51).

Baseado em todas essas evidências, é certo que as dietas de nossos antepassados, os progenitores de humanidade, incluíam uma alimentação amplamente não vegetariana, e que era rica em gordura animal saturada.



MITO #9:

O consumo de carne e gordura saturada aumentou no século XX, com um aumento correspondente em doença de coração e câncer.



Estatísticas elementares não confirmam tal especulação. O consumo de manteiga reduziu de 18 lb (8.165 kg) por pessoa/ano em 1900, para menos de 5 lb (2.27 kg) por pessoa/ano atualmente (52). Adicionalmente, as populações ocidentais, entusiasmadas pelas agências governamentais de saúde, reduziram o consumo de ovos, nata, banha, carne de boi e carne de porco. O consumo de frango aumentou nas últimas décadas, mas o frango tem baixo teor de gordura saturada (a pele da galinha contém principalmente gordura poliinsaturada).

Além disso, uma pesquisa nos livros de receitas publicados no último século mostra que as pessoas de tempos mais antigos comeriam bastante comida de origem animal e rica em gordura saturada. Por exemplo, no livro “Baptist Ladies Cook Book” (Monmouth, Illinois, 1895) (Livro de culinária das senhoras batistas) virtualmente toda receita pede manteiga, nata ou banha! Receitas com legumes junto com creme de leite são muito numerosas. Um exame do Livro “Searchlight Recipe Book” (Capper Publications, 1931) também mostra receitas semelhantes: pastas de fígado, pepinos em creme de leite, corações refogados em manteiga, etc. Os judeus britânicos, como é mostrado pelo Livro ”Jewish Housewives Cookbook” (London, 1846), também tinham dietas rica em nata, manteiga, ovos, e gordura de cordeiro e de carne de boi. Por exemplo, uma receita de waffle alemão precisa de uma libra inteira de manteiga (453,5 gramas, NT)! Uma receita para Torta de Ostra do livro Batista de receitas pede um litro de nata e uma dúzia de ovos, e assim por diante.

Não parece, pois, que o consumo de carne ou gordura saturada tenha aumentado nesse século. Porém, o que realmente aumentou muito foi o consumo de margarina e de outros ácidos graxos trans, comidas artificiais, e empacotadas, óleos vegetais processados, leite homogeneizado, pasteurizado e UHT, produtos agrícolas e de pecuária criados comercialmente, e açúcar refinado. Estes, junto com exposição para um número crescente de venenos ambientais, são nossos reais culpados das epidemias modernas de câncer e de doença do coração (e outras doenças crônicas) (53).



MITO #10:

Produtos de soja são os substitutos adequados para carne e produtos de leiteria.



A multibilionária indústria da soja ganhou imensamente com o evangelho anti-colesterol, e anti-carne da moderna filosofia nutricional. É impressionante, há muito pouco tempo atrás, a soja era um fenômeno asiático, mas agora os produtos com soja proliferam no mercado americano. Enquanto os produtos tradicionais fermentados de soja como: miso, shoyu, tempeh e natto, definitivamente são saudáveis em moderadas quantias, os alimentos “super-processados” à base de soja não são!

O feijão soja não fermentado têm taxas extremamente altas de ácido fítico (54), um anti-nutriente que se liga a minerais no trato digestivo e os leva para fora do corpo. Os vegetarianos são conhecidos pelas suas taxas altas de deficiência de zinco e ferro (55).

A soja também é rica em inibidores da tripsina que retardam a digestão de proteínas. A proteína vegetal texturizada (PVT), o “leite” de soja e proteína de soja em pó, e os populares substitutos de carne e de leite são alimentos completamente fragmentados produzidos com soja submetida à altas temperaturas e várias lavagens alcalinas para extrair o conteúdo de gordura desses feijões ou neutralizar seus potentes inibidores enzimáticos. Estas práticas desnaturam o conteúdo protéico da soja completamente, deixando-as de difícil digestibilidade. O MSG (glutamato monossódico), uma substância neurotóxica, é acrescentada habitualmente à PVT para fazê-la ter sabor similar aos vários alimentos naturais que ela tenta imitar! (56).

Em um nível puramente nutricional, a soja, como todos os vegetais, são deficientes em cisteína e metionina, vitais aminoácidos que contém enxofre (56). A soja também tem a falta de triptofano, outro aminoácido essencial (56).

Além disso, a soja não contém qualquer percentual de vitamina A ou D, requerido pelo corpo para assimilar e utilizar as proteínas do próprio feijão (56). É provavelmente por isto que as culturas asiáticas que normalmente consomem soja, fazem combinação com peixes ou caldos de peixe. O governo da Nova Zelândia está considerando a proibição de fórmulas à base de soja do mercado e só tornando-as disponíveis através de prescrição médica (58).

Embora pesquisa ainda seja contínua, alguns recentes estudos indicaram os fito-estrogênios da soja poderiam ser fatores causativos de câncer de mama e leucemia infantil (59). Negligentemente, os fito-estrogênios da soja, ou isoflavonas, tem sido demonstradas como depressores da função da tiróide e de causa de infertilidade em alguns animais (60). Como médico, eu vi mais que a maioria dos vegetarianos que atendo com problema de hipotireoidismo. Eles, invariavelmente, recaíram nos alimentos baseados em soja como fonte protéica.



MITO #11:

O corpo humano não é projetado para consumo de carne.



Alguns grupos vegetarianos bradam que uma vez que os humanos possuem dentes moedores semelhantes aos dos animais herbívoros e intestinos mais longos do que os animais carnívoros, isto provaria que o corpo humano é mais bem moldado para o vegetarianismo (61). Este argumento não respeita várias características fisiológicas humanas que claramente indicam um desígnio para consumo de produto animal.

Primeiramente é a produção em nosso estômago de ácido clorídrico (HCL), algo não encontrado nos herbívoros. Esse ácido (HCL) ativa enzimas que quebram proteínas. Adicionalmente, o pâncreas humano fabrica uma ampla gama de enzimas digestivas para manejar uma larga variedade de alimentos, sejam de origem animal ou vegetal. Enquanto os humanos podem ter intestinos mais longos que carnívoros animais, eles não são tanto quanto o dos herbívoros; nós nem possuímos estômagos múltiplos como a maioria dos herbívoros, nem nós mastigamos rúmen. Nossa fisiologia definitivamente indica uma multi-capacidade alimentar, ou típica de um onívoro, muito igual a nossos parentes, como o gorila montês e o chimpanzé (que foram observados comendo animais pequenos e, inclusive, em alguns casos, outros primatas) (62).



MITO #12:

Comer carne de animais origina comportamento violento e agressividade nos humanos.



Algumas autoridades em dieta vegetariana, como o Dr. Ralph Ballantine em “Transição para o Vegetarianismo” (63), proclamam que o medo e o terror (veja mito #15) experienciados na morte de um animal são, de alguma maneira, transferidos pela sua carne e seus órgãos, se tornando uma parte da pessoa que os consome. Além do fato de que nenhum estudo científico existe para dar suporte a tal teoria, esses pensadores fariam bem em se lembrar dos numerosos estudos que mostram que o baixo consumo de gordura saturada CAUSA comportamento violento nas pessoas (veja notas do mito #7). Além disso, em suas viagens, Dr Price observou sempre uma felicidade extrema e natureza agradável nos povos que ele encontrava, a maioria dos quais eram grandes comedores de carne (veja referências a Weston Price em notas).



MITO #13:

Produtos animais contêm numerosas e prejudiciais toxinas.



Um recente boletim informativo vegetariano divulgou o seguinte: “a Maioria das pessoas não percebe que os produtos de origem animal estão carregados com venenos e toxinas! Carnes, peixes e ovos, tudo decompõem e se putrefazem com extrema rapidez. Assim que um animal seja abatido, enzimas auto-destrutivas são liberadas, enquanto causando a formação de substâncias desnaturadas chamada ptyloamines que causam câncer.” (64) Este artigo foi adiante, citando a “doença da vaca louca” (BSE), parasitas, salmonela, hormônios, nitrato e agrotóxicos como as toxinas presentes nos produtos animais.

Se a carne, os peixes e os ovos geram o carcinógeno “ptyloamina” realmente, é muito, muito estranho que as pessoas não tenham morrido aos rebanhos de câncer durante os últimos milhões de anos. Tais proclamações sensacionalistas e absurdas não conseguem ser apoiados por conhecimentos rudimentares em história.

Hormônios, nitratos e agrotóxicos estão presentes em produtos animais produzidos comercialmente (da mesma forma que a agricultura comercial contamina frutas, grãos e legumes) e definitivamente são aspectos que devemos nos preocupar. Porém, um indivíduo pode evitar estas substâncias químicas tendo o cuidado em consumir gado “verde”, carnes orgânicas, ovos e produtos laticínios que não contêm toxinas prejudiciais produzidas pelo homem.

Parasitas são evitadas facilmente tomando precauções comuns na preparação dos alimentos. Carnes em salmouras ou fermentadas, como é costume em sociedades tradicionais, sempre estão protegidas contra parasitas. Em suas viagens, Dr. Price sempre encontrou povos saudáveis, livres de enfermidades e sem parasitoses comendo carne crua e produtos laticínios como parte de suas dietas.

De modo semelhante, Dr. Francis Pottenger, em suas experiências com gatos, demonstrou que os gatos mais saudáveis, mais felizes eram aqueles que consumiam toda a dieta na forma bruta. Os gatos que comem carnes cozidas e leite pasteurizado adoeciam e morriam mais e tinham numerosos parasitas. A salmonela pode ser transmitida através de produtos vegetais ou animais (65).

A Doença de Vaca Louca provavelmente não é causada por vacas que comem partes animais em suas rações, um método de alimentação que foi iniciado há mais de 100 anos. O fazendeiro orgânico britânico Mark Purdey tem proposto, de forma convincente, que as vacas que adquirem tal doença são as mesmas que tiveram um específico inseticida organo-fosfatado aplicado em seu traseiro (veja notas do mito #1) ou que pastavam em terras em que faltava magnésio e que continham altos níveis de alumínio. Pequenos surtos de “doença da vaca louca” também aconteciam entre as pessoas que residem próximo às fábricas químicas e de cimento e em certas áreas com terras vulcânicas.

Purdey teoriza que os agrotóxicos organo-fosfatados entraram na gordura das vacas por um programa de pulverização (de agrotóxicos), e então foi ingerido novamente pelas vacas com alimentação com resíduos animais. Visto deste modo, são os agrotóxicos, através da ingestão de partes contaminadas (e não por serem porções de origem animal), que causaram essa epidemia. Como foi apontado anteriormente, o gado bovino têm comido resíduos animais em suas rações há mais de 100 anos. Isso nunca foi um problema antes da introdução destes específicos agrotóxicos (66).



MITO #14:

Comer carne ou produtos de origem animal é menos espiritual do que comer apenas vegetais.



É proclamado com freqüência que aqueles que comem carne ou produtos de origem animal são, de certa maneira, menos desenvolvidos espiritualmente do que aqueles que não o fazem. Embora este não seja um assunto nutricional ou acadêmico, as pessoas que incluem produtos animais em suas refeições são freqüentemente levadas a sentirem-se, de algum modo inferior àquelas que não o fazem. Portanto, este tema é muito relevante.

Várias religiões mundiais não colocam nenhuma restrição no consumo animal; e nem tampouco fizeram seus fundadores. Os judeus comem cordeiro na sua mais santa festividade, a Páscoa. Muçulmanos também celebram o Ramadan com cordeiro antes de entrar em seu jejum. Jesus Cristo, como outros judeus, partilharam carne à Última Ceia (de acordo com os Evangelhos canônicos). É verdade que algumas formas de Budismo colocam restrições no consumo de carne, mas quase sempre são permitidos produtos laticínios. Esses são princípios semelhantes do Hinduísmo. Como parte da celebração de Samhain, os pagãos Célticos abateriam os animais mais fracos dos rebanhos e secariam sua carne para o inverno vindouro. Não é verdade, portanto, que comer alimentos de origem animal estaria conectado com “inferioridade espiritual”.

Não obstante, é reivindicado freqüentemente que, uma vez que comer carne envolve a tomada de uma vida, isso seria de alguma maneira equivalente a assassinato. Deixando de lado as filosofias religiosas que freqüentemente permeiam este tema, é preciso levar em conta a compreensão do instinto de sobrevivência e como ele funciona. Os povos modernos (vegetariano e não vegetariano) perderam contato com o que os leva a sobreviver em nosso mundo, uma perspectiva que os povos nativos nunca perderam. Nós necessariamente não caçamos ou limpamos nossas carnes: nós compramos bifes e costelas no supermercado. Nós necessariamente não labutamos em campos de arroz: nós compramos pacotes de arroz integral; e assim por diante.

Quando os Nativos americanos matavam um animal para alimentação, eles, habitualmente, ofereceriam uma oração de graças ao espírito do animal por dar sua vida para que eles pudessem continuar vivos! Na natureza, vida alimenta vida. A morte sempre é equilibrada com a criação. Isso é uma boa coisa: mas incontrolada, a força vital fica cancerosa. Se consumo alimentar animal é visto desta maneira, não é assassinato, mas sacrifício. Os povos modernos fariam bem em se lembrar disto.



MITO #15:

Comer produtos de origem animal é desumano.



Sem dúvida, o gado criado comercialmente pode estar submetido à condições deploráveis onde doença e sofrimento são comuns. Adicionalmente, algumas drogas habitualmente prescritas são derivadas de animais (por exemplo, Premarin), (PREgnant MARes urINe, ou estrogênios conjugados naturais, são retirados da urina de éguas prenhas, NT) submetidos à métodos torturosos. Nos Estados Unidos, pelo menos, são isentados de impostos gado comercializado de acordo com leis de anti-crueldade e, tipicamente, são abatidos animais de modo a não terem níveis elevados de adrenalina, o que poderia ter efeitos prejudiciais nas pessoas que eventualmente os consumissem. Em países como a Coréia, são mortos animais para alimentação, como os cachorros, de modos horrorosos, i.e., com golpes de porrete. Nossas recomendações para consumo de comidas de origem animal definitivamente não endossam tal pratica. Como é apontado em nossa discussão no mito #1, fazendas comerciais de agro-pecuária produzem alimentos pouco saudáveis, sejam tais produtos carne, leite, manteiga, nata ou ovos. Nossos antepassados não consumiam tais comestíveis de qualidade inferior, e nós também não deveríamos.

É possível criar animais de forma menos desumana. É por isso que a criação de rebanhos livres em pasto orgânico deverá ser encorajada: é mais limpa e mais eficiente, e produz animais mais saudáveis sendo assim seus derivados. Cada indivíduo deveria fazer todo esforço, então, para comprar gado organicamente tratado (como também os produtos vegetais). Isso não é apenas melhor para o nosso organismo, pois os alimentos orgânicos são mais nutritivos e são livres de hormônios e resíduos de agrotóxicos, isso também dá suporte para pequenos produtores o que é melhor para a economia (67).

Métodos de abate de judeus e de muçulmanos ortodoxos (kosher e hallal, respectivamente) são semelhantes aos praticados nas fazendas orgânicas, quando os animais são abatidos em um ambientes tranqüilos, diversamente de seus primos produzidos em fazendas de abate tradicionais. Tais práticas minimizam, se é que não eliminam, a liberação de hormônios de stress prejudiciais, sendo, então, menos sofrido ao animal e mais saudável para consumo humano. Não obstante, muitas pessoas têm problemas filosóficos em comer carne animal, e estes sentimentos devem ser respeitados. Produtos laticínios e ovos, entretanto, não são resultantes da morte de um animal e são boas alternativas para estas pessoas.



O VALOR DO VEGETARIANISMO

Como uma dieta de desintoxicação, uma alimentação baseada em vegetais é uma escolha boa. Vários estados de saúde (por exemplo, a gota) podem, eventualmente, ser amenizados com uma redução temporária na ingestão de produtos animais e um aumento no consumo de vegetais. Mas tais medidas não devem ser contínuas ao longo de vida: há nutrientes vitais só achados em produtos animais e que nós temos que ingerir para termos uma ótima saúde. Além disso, não há nenhuma dieta que funciona em todas as pessoas da mesma forma. Alguns vegetarianos e vegans, na necessidade de zelar suas novas convicções se cegam a essas verdades bioquímicas.

A “individualidade bioquímica” é um tema de valor ainda a ser mais esclarecido. Cunhado pelo bioquímico Roger Williams, Ph.D., o termo remete ao fato de que pessoas diferentes requerem nutrientes diferentes, baseado em um perfil genético único. Aspectos étnicos e raciais são importantes nesse conceito. (A teoria atual de tipo sanguíneo que influencia as necessidades alimentares é falsa, como será discutido abaixo.) Uma dieta que funciona para uma pessoa pode não funcionar bem em outra pessoa. Como um médico, eu vi vários pacientes que seguem dietas com um baixo teor de gordura, ou com baixo teor de proteína, ou dieta rica em carboidratos, com problemas de saúde severos: obesidade, candidíase, hipotireoidismo, síndrome de intestino irritável, anemia e fadiga generalizada. A maioria destas pessoas eram de vegetarianos. Por causa da retórica difundida de que uma dieta vegetariana sempre é “mais saudável” do que uma dieta que inclui carne ou produtos de origem animal, essas pessoas não enxergam nenhuma razão para mudar suas dietas, embora isso seja a causa dos seus problemas. O que estas pessoas na verdade precisam para ótima saúde são alimentos com produtos de origem animal e menos carboidratos!

Por outro lado, algumas pessoas permanecem muito bem com um pequeno ou nenhum consumo de carne, mas ficando saudáveis como lacto-vegetarianos ou lacto-ovo-vegetarianos. A razão para isto é porque essas dietas são mais saudáveis para essas pessoas, não porque essas pessoas são primariamente mais saudáveis. Porém, uma ausência total de produtos animais, sem carne, peixe, insetos, ovos, manteiga ou laticínios, deve ser evitado. Embora possa levar anos, enfermidades deverão aparecer nessas pessoas. A razão para isto é, do ponto de vista evolucionário, simples: a humanidade foi evoluindo, tendo uma alimentação com produtos animais e gorduras como parte de sua dieta, e nossos corpos são projetados e acostumados a isso. Um indivíduo não pode mudar toda a história da evolução em poucos anos.

Quando se fala em uma boa nutrição, é melhor não se afastar daquilo que foi experimentado e validado, ao invés daquilo que não foi experimentado e é novidade. A humanidade tem consumido produtos animais e gorduras saturadas há milhares de anos como parte de sua dieta. Um indivíduo consciente de sua saúde hoje precisa seguir o exemplo histórico da própria humanidade e construir um amplo templo pelos presentes à vida providos a nós pelos nossos amigos, os animais.


* por Stephen Byrnes, ND, Ph.D., RNCP, (tradução de José C. B. Peixoto médico homeopata)

Observações do autor: O autor gostaria de agradecer à Sally Fallon, MA; Lee Clifford, MS, CCN; e H. Léon Abrams, Jr., pela cordial ajuda nesse artigo.

Esse artigo não foi patrocinado ou pago pela indústria frigorífica ou dos lacticínios!

Sobre o Autor: Stephen Byrnes é médico naturopático, Phd, e consultor nutricional registrado que desfruta de uma saúde robusta com uma dieta que inclui manteiga, nata, ovos, carne, produtos laticínios de leite integral, e etc. Ele é o autor de Healthy Hearts: Natural Medicine for Your Ticker (Corações Saudáveis: Medicina Natural para Seu Relógio), Digestion to the Max! (Digestão para o Max!), e Overcoming AIDS with Natural Medicine, (Superando a AIDS com Medicina Natural) (disponível em www.amazon.com), como também de inúmeros artigos mundialmente publicados.