MENTIRAS DOS ROSACRUZES-AMORC
Rosacruzes: segredos
e fábulas
PARTE 1
Por José
Roldão
Um amigo me
enviou alguns trechos de um livro bem apreciado nos meios rosacruzes e,
sinceramente, eu não sei se rio ou se choro. São tantas as afirmações gratuitas
e sem qualquer respaldo histórico, quando não falsificações notórias, que me
custa acreditar que exista alguém que acredite nisso. O nome do livro é «VIDA
MÍSTICA DE JESUS», do inventor da rosacruz amorc, chamado de doutor não sei por
que, H. Spencer Lewis[1].
Selecionarei
alguns trechos a título de ilustração. É impressionante como, através de
afirmações gratuitas, são «atestadas» verdades pelo simples fato de serem
afirmadas como tais, por mais que a afirmação seja absurda, sem qualquer noção
ou senso de realidade. Pior: são denominadas como sendo fatos históricos,
apesar de nenhum documento atestadamente histórico e válido ser mostrado ou
indicado, algum documento verificável ou acessível. Todos os documentos que conteriam
tais «provas» são «secretos» ou estão em alguma biblioteca «secreta» de posse
de alguma ordem ou fraternidade ainda mais «secreta», inacessível a qualquer
mortal, quando não invisível e em planos «superiores».
Custa-me
acreditar que exista gente adulta nesses meios, exceto os que recebam salário
ou lucram com os valores adquiridos com a venda de produtos personalizados,
livros e com as trimestralidades enviadas pelos membros.
O conteúdo
das monografias da rosacruz é absurdamente simplista em sua exposição. Até
mesmo nos meios esotéricos esses conteúdos são rotulados de «café-com-leite» e
são motivo de chacota em ordens iniciáticas mais «sérias». Porém as fábulas
contadas como se fossem verdades, são profundamente deformantes da razão e
causam extrema alienação, se forem acreditadas.
Destaco abaixo alguns
absurdos ensinados como se fossem fatos reais. Em meio aos meus comentários,
lançarei diversos desafios e proponho-me calar a esse respeito, caso me seja
oferecida alguma prova válida, histórica e verificável sobre as questões
levantadas.
"Os arquivos Rosacruzes em terras
estrangeiras, abrangendo os registros dos Essênios, Nazarenos e Nazaritas,
assim conto os registros completos da Grande Fraternidade Branca no Tibete, na
índia e no Egito, sempre foram fontes de conhecimento para o pesquisador
sincero da história de todos os Avatares e especialmente de Jesus. Foi dessa
fonte fidedigna que foram tirados os fatos contidos nesta obra - não de uma só
vez e não sem anos de trabalho e infatigáveis estudos e serviços."
Os tais «arquivos
rosacruzes» apenas existem para sustentar qualquer absurdo levantado de forma
gratuita, ou seja, esses arquivos são tão secretos que ninguém nunca os viu e
nem poderia, pois não existem. Por isso são «secretos» e desafio que sejam
mostradas provas nesse sentido que remontem até os Essênios, Nazarenos e
Nazaritas.
Logicamente a argumentação
será do tipo: «são provas secretas»; e ficamos na mesma: é preciso que se
acredite em tudo que for dito ou estiver escrito sem qualquer prova, sem
qualquer lógica, simplesmente porque foi afirmado e ponto final, por mais
absurdas que estas coisas possam parecer. Além disso, sempre veremos o grande
«coringa» das ordens esotéricas em geral, quando se quer calar qualquer
questionamento ou suspeita: a «Grande Fraternidade Branca».
Estas linhas, ainda do
mesmo excerto, por exemplo:
«os registros completos da Grande
Fraternidade Branca no Tibete, na índia e no Egito, sempre foram fontes de
conhecimento para o pesquisador sincero da história de todos os Avatares e
especialmente de Jesus».
Gostaria
muito de saber quais são esses «pesquisadores sinceros» da história de
«avatares». E desde quando Jesus Cristo é um «avatar»? É um absurdo atrás do
outro. Compreendo perfeitamente que, pelo fato de não se poder provar nenhuma
das afirmações que sustentam tais ordens, seja preciso «citar» pesquisadores
que não existem, assim como relegar as provas às partes «invisíveis» de tais
organizações. Se forem invisíveis ou secretas, não há como conferir tais provas,
muito menos conhecer os tais pesquisadores sérios, os quais, obviamente, devem
ser todos «ilustres» e «poderosos» rosacruzes.
E ainda, do mesmo excerto:
«Foi dessa fonte fidedigna que
foram tirados os fatos contidos nesta obra»
Um minuto, cara pálida!
Qual fonte «fidedigna»? Quais fatos foram mostrados na referida obra?
Afirmações como essas, tão
claramente falsas e descaradas, não podem ter sido feitas por pessoas que
possuam algum vestígio de honestidade intelectual. Essa ânsia constante de
insinuar provas e inventar referências obscuras ou secretas em lugares
distantes ou escondidos só faz evidenciar que as mesmas não existem de fato,
tanto é que em nenhum momento são indicados documentos legitimados por
historiadores ou pesquisadores abalizados e reconhecidos. O fato é: não existe
fonte alguma fidedigna. Tanto é que nenhuma foi apresentada, além da afirmação
gratuita e empurrada goela abaixo dos leitores.
Pelo contrário, cito o
exemplo do historiador Robert Vanloo, maior especialista atual em história da
rosacruz, que lançou alguns dos livros sobre o tema, dentre os quais L’utopie Rose-Croix Du
XVII e Siecle a Nos Jours, e que refuta todas as alegações de Spencer
Lewis sobre a fundação de sua organização; inclusive denunciando fraudes e
falsificações de fotografias utilizadas como «provas» de contato com os
rosacruzes franceses, os quais escorraçaram Spencer Lewis, negando qualquer
possibilidade de vínculo com a sua organização. O site está em inglês e
contém muito material.
É
extremamente aconselhável que seja lido em sua totalidade, abrindo todos os
links do texto e das notas, além de acessar os links para as imagens
disponibilizadas site, para que se possa ter uma idéia mais completa e próxima
da verdade a respeito de Spencer Lewis.
Em breve retornarei a este
tema, comentando outros excertos desta e de outras obras fabulosas da rosacruz.
Por enquanto, deixo este pequeno comentário e a fonte para aprofundamento. No
caso da fonte que ofereci pode-se verificar que é uma referência no assunto,
fonte abalizada, não secreta, que existe de fato, visível, tem nome e endereço,
bastando clicar nos links para comprovar.
Enquanto
isso eu aguardo a visita de algum membro da «Grande Fraternidade Branca» com
seus arquivos do Tibet, Egito e Índia provando o contrário.
Acabei de me sentar…
[1] VIDA MÍSTICA DE JESUS,
por H. SPENCER LEWIS, 1929. Biblioteca da ordem rosacruz, AMORC.

