quinta-feira, agosto 17, 2017

Mentiras dos Rosacruzes: segredos e fábulas



MENTIRAS DOS ROSACRUZES-AMORC

Rosacruzes: segredos e fábulas

PARTE 1


Por José Roldão


Um amigo me enviou alguns trechos de um livro bem apreciado nos meios rosacruzes e, sinceramente, eu não sei se rio ou se choro. São tantas as afirmações gratuitas e sem qualquer respaldo histórico, quando não falsificações notórias, que me custa acreditar que exista alguém que acredite nisso. O nome do livro é «VIDA MÍSTICA DE JESUS», do inventor da rosacruz amorc, chamado de doutor não sei por que, H. Spencer Lewis[1].


Selecionarei alguns trechos a título de ilustração. É impressionante como, através de afirmações gratuitas, são «atestadas» verdades pelo simples fato de serem afirmadas como tais, por mais que a afirmação seja absurda, sem qualquer noção ou senso de realidade. Pior: são denominadas como sendo fatos históricos, apesar de nenhum documento atestadamente histórico e válido ser mostrado ou indicado, algum documento verificável ou acessível. Todos os documentos que conteriam tais «provas» são «secretos» ou estão em alguma biblioteca «secreta» de posse de alguma ordem ou fraternidade ainda mais «secreta», inacessível a qualquer mortal, quando não invisível e em planos «superiores».


Custa-me acreditar que exista gente adulta nesses meios, exceto os que recebam salário ou lucram com os valores adquiridos com a venda de produtos personalizados, livros e com as trimestralidades enviadas pelos membros.


O conteúdo das monografias da rosacruz é absurdamente simplista em sua exposição. Até mesmo nos meios esotéricos esses conteúdos são rotulados de «café-com-leite» e são motivo de chacota em ordens iniciáticas mais «sérias». Porém as fábulas contadas como se fossem verdades, são profundamente deformantes da razão e causam extrema alienação, se forem acreditadas.


Destaco abaixo alguns absurdos ensinados como se fossem fatos reais. Em meio aos meus comentários, lançarei diversos desafios e proponho-me calar a esse respeito, caso me seja oferecida alguma prova válida, histórica e verificável sobre as questões levantadas.

"Os arquivos Rosacruzes em terras estrangeiras, abrangendo os registros dos Essênios, Nazarenos e Nazaritas, assim conto os registros completos da Grande Fraternidade Branca no Tibete, na índia e no Egito, sempre foram fontes de conhecimento para o pesquisador sincero da história de todos os Avatares e especialmente de Jesus. Foi dessa fonte fidedigna que foram tirados os fatos contidos nesta obra - não de uma só vez e não sem anos de trabalho e infatigáveis estudos e serviços."


Os tais «arquivos rosacruzes» apenas existem para sustentar qualquer absurdo levantado de forma gratuita, ou seja, esses arquivos são tão secretos que ninguém nunca os viu e nem poderia, pois não existem. Por isso são «secretos» e desafio que sejam mostradas provas nesse sentido que remontem até os Essênios, Nazarenos e Nazaritas.

Logicamente a argumentação será do tipo: «são provas secretas»; e ficamos na mesma: é preciso que se acredite em tudo que for dito ou estiver escrito sem qualquer prova, sem qualquer lógica, simplesmente porque foi afirmado e ponto final, por mais absurdas que estas coisas possam parecer. Além disso, sempre veremos o grande «coringa» das ordens esotéricas em geral, quando se quer calar qualquer questionamento ou suspeita: a «Grande Fraternidade Branca».
Estas linhas, ainda do mesmo excerto, por exemplo:

«os registros completos da Grande Fraternidade Branca no Tibete, na índia e no Egito, sempre foram fontes de conhecimento para o pesquisador sincero da história de todos os Avatares e especialmente de Jesus».

Gostaria muito de saber quais são esses «pesquisadores sinceros» da história de «avatares». E desde quando Jesus Cristo é um «avatar»? É um absurdo atrás do outro. Compreendo perfeitamente que, pelo fato de não se poder provar nenhuma das afirmações que sustentam tais ordens, seja preciso «citar» pesquisadores que não existem, assim como relegar as provas às partes «invisíveis» de tais organizações. Se forem invisíveis ou secretas, não há como conferir tais provas, muito menos conhecer os tais pesquisadores sérios, os quais, obviamente, devem ser todos «ilustres» e «poderosos» rosacruzes.


E ainda, do mesmo excerto:

«Foi dessa fonte fidedigna que foram tirados os fatos contidos nesta obra»

Um minuto, cara pálida! Qual fonte «fidedigna»? Quais fatos foram mostrados na referida obra?

Afirmações como essas, tão claramente falsas e descaradas, não podem ter sido feitas por pessoas que possuam algum vestígio de honestidade intelectual. Essa ânsia constante de insinuar provas e inventar referências obscuras ou secretas em lugares distantes ou escondidos só faz evidenciar que as mesmas não existem de fato, tanto é que em nenhum momento são indicados documentos legitimados por historiadores ou pesquisadores abalizados e reconhecidos. O fato é: não existe fonte alguma fidedigna. Tanto é que nenhuma foi apresentada, além da afirmação gratuita e empurrada goela abaixo dos leitores.

Pelo contrário, cito o exemplo do historiador Robert Vanloo, maior especialista atual em história da rosacruz, que lançou alguns dos livros sobre o tema, dentre os quais L’utopie Rose-Croix Du XVII e Siecle a Nos Jours, e que refuta todas as alegações de Spencer Lewis sobre a fundação de sua organização; inclusive denunciando fraudes e falsificações de fotografias utilizadas como «provas» de contato com os rosacruzes franceses, os quais escorraçaram Spencer Lewis, negando qualquer possibilidade de vínculo com a sua organização. O site está em inglês e contém muito material.

É extremamente aconselhável que seja lido em sua totalidade, abrindo todos os links do texto e das notas, além de acessar os links para as imagens disponibilizadas site, para que se possa ter uma idéia mais completa e próxima da verdade a respeito de Spencer Lewis.


Em breve retornarei a este tema, comentando outros excertos desta e de outras obras fabulosas da rosacruz. Por enquanto, deixo este pequeno comentário e a fonte para aprofundamento. No caso da fonte que ofereci pode-se verificar que é uma referência no assunto, fonte abalizada, não secreta, que existe de fato, visível, tem nome e endereço, bastando clicar nos links para comprovar.

Enquanto isso eu aguardo a visita de algum membro da «Grande Fraternidade Branca» com seus arquivos do Tibet, Egito e Índia provando o contrário.


Acabei de me sentar…



[1] VIDA MÍSTICA DE JESUS, por H. SPENCER LEWIS, 1929. Biblioteca da ordem rosacruz, AMORC.