quarta-feira, agosto 16, 2017

O Pais da Igreja acreditavam em reencarnação?



Os espíritas e espiritualistas enganam-se e mentem descaradamente. Aumentam, inventam, recebem mensagens de "espíritos" confirmando suas doidices e vivem assim, no erro. Vejamos algumas de suas ideias devidamente refutadas. Não lembro quem escreveu as refutações.

Vejamos uma citação de Dorothée Koechlin de Bizemont, escritora e jornalista, francesa:

"Entre os cristãos, durante os cinco primeiros séculos, nunca se pensou que a reencarnação pudesse ser contrária aos ensinamentos do Cristo. Os Patronos da Igreja — dos quais alguns foram bela e devidamente canonizados! — quase todos admitem a reencarnação."

Afirmação falsa. Só quem não conhece os escritos dos Santos Padres, dos cristãos primitivos, pode afirmar um absurdo desses.

Vamos checar as afirmações sobre São Jerônimo, Santo Agostinho, Clemente de Alexandria, São Justino e São Gregório de Nissa:

Os espíritas dizem que São Jerônimo afirmou a necessidade das vidas sucessivas.

Vamos a uma frase de São Jerônimo:

«João é chamado Elias  não segundo a men­talidade de tolos filósofos e de alguns hereges, que introduzem a dou­trina da metempsicose, mas pelo fato de ter ele vindo cheio da fôrça e do zelo de Elias, como atesta outra passagem do Evangelho» (cf. Lc 1,17).

O espíritas dizem que Santo Agostinho escreve: “Não vivi eu num outro corpo antes de entrar no seio de minha mãe?

Eu gostaria de saber de onde  este autor tirou esta citação. Eu tenho o livro “As Confissões”. E nele a citação é esta aqui:

“Minha infância morreu há muito tempo, mas eu continuo vivo. Mas, dize-me, Senhor, tu que sempre vives, e em quem nada falece – porque existias antes do começo dos séculos, e antes de tudo o que há de anterior, e és Deus e Senhor de todas as coisas; e esse encontram em ti as causas de tudo o que é instável, e em ti permanecem os princípios imutáveis de tudo o que se transforma, e vivem as razões eternas de tudo o que é transitório – dize-me a mim, eu to suplico, ó meu Deus, diz-me, misericordioso, a mim que sou miserável, dize-me: porventura a minha infância sucedeu a outra idade minha, já morta? Será esta aquela que vivi no ventre de minha mãe? Porque também desta me revelaram algumas coisas, e eu mesmo já vi mulheres grávidas”.

(Santo Agostinho. As Confissões. Livro Primeiro. pg. 04.)

Ele pergunta se viveu outra idade e se esta idade seria a que ele viveu no ventre da mãe dele. Poderia também querer saber de onde teria vindo, ele estava se perguntando, não estava afirmando nada. Nada disso tem a ver com reencarnação. Querm escreveu aquele trecho traduziu mal, se enganou ou mudou a frase para dar a ela outro sentido.

Mais uma citação de Santo Agostinho, desta vez extraída do livro “A Cidade de Deus”:

«Se julgamos ser indigno corrigir o pensamento de Platão, por que então Porfirio modificou a sua doutrina em mais de um ponto, e em pontos que não são de pequenas conseqüências? É certíssimo que Platão ensinou que as almas dos homens retornam até mesmo para animar corpos de animais. Esta opinião foi também adotada por Plotino, mestre de Porfirio. Mas não lhe agradou, e com muita razão. É verdade que Porfirio admitiu que as almas entram em sempre novos corpos: ele, de um lado, sentia vergonha em admitir que sua mãe pudesse algum dia carregar às costas o filho, se lhe acontecesse reen­carnar-se no corpo de uma mula; mas, de outro lado, não tinha ver­gonha em acreditar que a mãe pudesse transformar-se numa jovem e desposar o seu próprio filho! Oh, quanto mais nobre é a fé que os san­tos e verazes anjos ensinaram, fé que os Profetas dirigidos pelo Espí­rito de Deus anunciaram, ... fé que os Apóstolos apregoaram por todo o orbe! Quanto mais nobre é crer que as almas voltam uma só vez aos seus próprios corpos (no momento da ressurreição final) do que admi­tir que elas tomem tantas vezes sempre novos corpos!» (De civitate Dei X 30).

Defender que Santo Agostinho foi reencarnacionista só mesmo quem não leu a obra do Santo.
  
Dizem os reencarnacionistas que Clemente de Alexandria declara que a reencarnação (ou metempsicose) é uma verdade transmitida pela Tradição e autorizada por São Paulo.

Vejamos uma citação de Clemente de Alexandria:

Pois os sacrifícios da Lei expressam figurativamente a piedade que praticamos, como a rola e o pombo oferecidos em troca de pecados assinalam que a limpeza da parte irracional da alma é aceitável a Deus. Mas se qualquer um dos justos não oprime sua alma em comer carne, ele tem a vantagem de um motivo racional, não como o sonho de Pitágoras e seus seguidores da transmigração da alma.

(Clemente de Alexandria, Stromateis [Miscelâneas], Livro VII, cap. VI.)

Vemos claramente que ele rejeitava tal doutrina.

E nem preciso dizer que quem sustenta que Clemente foi reencarnacionista e gnóstico não conhece a obra deste. Clemente combateu idéias de pré-existencialistas e sustentava que a salvação se dá pela graça, através do arrependimento “puro e sincero”. Há algo mais anti-reencarnacionista que isso?

Reencarnacionistas dizem que São Gregório de Nissa (340-400, mais ou menos) dirá que “a alma imortal deve ser curada e purificada; e que, se não o foi por sua vida terrestre, a cura se faz pelas sucessivas vidas futuras”.

Vamos agora ler o que escreveu São Gregório de Nissa sobre a crença nas existências sucessivas:

Aqueles que advogam a referida doutrina e asseveram que o estado de almas é anterior a esta vida na carne, não me parecem serem limpos das doutrinas fabulosas dos pagãos que sustentam aspecto da sucessiva incorporação: pois alguém tiver de procurar cuidadosamente, descobrirá que a doutrina deles é necessariamente resumida a isto. Contam-nos que em um de seus doutos disse que, sendo uma e a mesma pessoa, nasceu como homem, e depois assumiu a forma de uma mulher, e voou com os pássaros, e brotou como um arbusto, e obteve a vida de um ser aquático. E ele que disse essas coisas de si mesmo, até onde podemos julgar, não foi muito longe da verdade: por tais doutrinas como esta, dizendo que alma passou através de diversas mudanças, são realmente adequadas para o matraquear das rãs e gralhas, a estupidez dos peixes ou insensibilidade das árvores”

Sobre a Criação do Homem - XXVIII

Aos que dizem que a alma existiu antes dos corpos ou que os corpos foram formados antes das almas; e daí também uma refutação para as fábulas acerca da transmigração da alma.”

Como é que pode ser rencarnacionista quem condena esta idéia em suas obras? Não sei de onde ela tirou aquela citação, mas pode ser um caso parecido com o de Orígenes ou simplesmente um hoax. Ainda não pude investigar isso.
  
Reencarnacionistas dizem que São Justino (t 165) não só fala “das almas que habitam mais de uma vez um corpo humano”, como também ensina que “aquelas que se tornaram indignas de ver Deus em conseqüência de seus atos durante encarnações terrestres, retomam corpos de bichos inferiores!

Vejamos agora um trecho do livro de São Justino, “Diálogos com Trifão”, cap IV:

(...)Responda-me, porém, a isto: a alma vê [Deus] enquanto no corpo, ou depois de ter sido retirada dele?"

"Enquanto na forma de um homem, é possível para ela", continuei, "alcançar isto por meio da mente; mas especialmente quando ela foi posta livre do corpo e estando livre por si mesma, ganha posse do que estava habituada a amar contínua e plenamente."

" Ela lembra disto [a visão de Deus], então, quando está novamente no homem?"

"Parece-me que não", disse eu.

"Qual a vantagem, então, de eles terem visto[Deus]? Ou tem o homem que viu mais do que aquele que não viu, a menos que ele se lembre do fato que viu?"

"Não sei dizer", respondi.

"E o que sofrem aqueles que são considerados indignos deste espetáculo?", disse ele?

"Eles são aprisionados no corpo de certos animais selvagens e esta é a punição deles."

"Sabem ele, então, que é por esta razão que eles se encontram em tais formas e que eles cometeram algum pecado?"

"Acho que não"

"Então este não colhem nenhuma vantagem de sua punição, ao que parece: além disso, eu diria que eles não estão sendo punidos a menos que tenham consciência do castigo."

"De fato, não"

"Portanto as almas nem vêem Deus, nem transmigram de um corpo para outro, visto que elas saberiam porque estão sendo punidas e teriam depois medo de cometer mesmo o mais trivial pecado. Mas que elas percebem que Deus existe e que justiça e piedade são honrosas, eu também concordo contigo", disse ele.

"Tens razão", repliquei.

(Justino, o Mártir, "Diálogos com Trifão", cap IV).

Aí que está, nos "Diálogos...", Justino narra a história (em primeira pessoa) de sua conversão. Ao fazer aquela citação, Gregor e "near death" (e, por tabela, J.R. Chaves) pegam palavras de quando Justino ainda era pagão e, portanto, crente em algum tipo de reencarnação. 

Você pode até achar os argumentos de Trifão fracos, visto que segundo o espiritismo certo inatismo persiste, mas não é o caso aqui: houve um caso que anglófonos chamariam de misquotation: textos fora de contextos. Este autor também é citado por Severino Celestino da Silva como alguém tido por defensor de “maneira limitada” da transmigração das almas (“Analisando... “, cap. XVII)

Link para os Diálogos com Trifão:

[http://www.earlychristianwritings.com/text/justinmartyr-dialoguetrypho.html]