domingo, janeiro 29, 2017

Comentários Eleison: Aliado Benevolente?

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDXCVIII (498) - (28 de janeiro de 2017):   


ALIADO BENEVOLENTE?


Um bispo do V II deseja o bem aos tradicionalistas?
Mas pode ele ver como o V II leva ao Inferno?

O bispo Athanasius Schneider, nascido na Alemanha, mas atualmente bispo de Astana no Cazaquistão, deu-se a conhecer aos tradicionalistas nos anos recentes pelas suas muitas declarações ao menos aparentemente simpatizantes à Tradição Católica. Por exemplo, no ano passado associou-se publicamente aos questionamentos dos quatro Cardeais sobre a doutrina do Papa Francisco no documento papal, Amoris Laetitia. Quando ele próprio faz tanto para criticar o balanço da Igreja à “esquerda”, pode não entender ou apreciar um ataque pela “direita”, mas é a Verdade que está em jogo, não nossas pequenas personalidades. Vossa Excelência, muito obrigado por ter tido a coragem de ter defendido a verdade abertamente, mas compreenda que a Verdade total é muito mais forte, e mais exigente, do que o senhor pensa. O senhor deu recentemente uma entrevista ao Adelante la Fe. Por favor, não torne pessoal se eu citar (em itálico), algumas de suas respostas e as criticar:

Estou convencido de que nas presentes circunstâncias, Dom Lefebvre aceitaria a proposta canônica de Roma de uma Prelatura Pessoal sem hesitação.

Vossa Excelência, isso é impossível. O Arcebispo Lefebvre acreditou, e provou por argumentos da teologia e da História da Igreja, que o Vaticano II foi uma traição, sem precedentes, da parte das mais altas autoridades na Igreja, a 1900 anos de doutrina imutável desta. Mas a Roma oficial ainda está seguindo aquele Concílio objetivamente traidor. Consequentemente, colocar a FSSPX sob esta Roma seria como colocar a raposa como vigia do galinheiro. O Arcebispo sempre esperou que Roma se corrigisse. Isso ainda não aconteceu.

Dom Lefebvre foi um homem com um profundo “sensus ecclesiae”, ou senso da Igreja.

Isto é verdade, porque, acima de tudo, ele tinha uma compreensão profunda e clara da doutrina católica, ou ensinamento, que está no coração da Igreja. “Ide, ENSINAI a todas as nações”, foi a última instrução de Jesus aos seus Apóstolos (Mt XXVIII, 20). O Vaticano II traiu a doutrina católica, de modo que o próprio senso da Igreja do Arcebispo o fez repudiar esse Concílio. Os conciliaristas de hoje nunca poderão reconstruir a Igreja.

Ele consagrou quatro bispos em 1988 porque estava convencido de que havia um real estado de necessidade.

Foi a crise objetiva que deu origem à convicção subjetiva, e não o contrário. Nosso mundo moderno está mentalmente doente com o subjetivismo. O Arcebispo era um objetivista.

Se a FSSPX permanecer canonicamente independente por muito tempo, seus membros e seguidores perderão o sentido da necessidade de estarem sujeitos ao Papa e acabarão deixando de ser católicos.

O Papa é Papa para “confirmar seus irmãos” na Fé. Veja Lucas XXII, 32. Se ele é um papa conciliar com a sua fé corrompida pelo Vaticano II, não pode mais dar o que não tem. É sujeitando-se aos papas conciliares que inúmeros católicos desde o Concílio têm perdido a verdadeira fé.

Nenhum católico pode escolher a quais papas ele estará ou não sujeito. Deus guia Sua Igreja.

A crise atual na Igreja é inédita, porque nunca antes na história da Igreja houve uma série de papas desalinhados com a verdadeira Fé, como temos visto desde o Vaticano II. Isto significa que os católicos devem – excepcionalmente – julgar seus Papas, bispos e sacerdotes. Deus está purificando Sua Igreja através desta crise, e quando a purificação estiver completa, Ele concederá à Sua Igreja um Papa grande e verdadeiramente católico.

Eu disse a Dom Fellay que nós, em Roma, precisamos da FSSPX na grande batalha pela pureza da Fé.

Vossa Excelência, creia que a Roma Conciliar faria o possível para completar a corrupção da Fé da FSSPX. A FSSPX oficial já deslizou para longe da Fé objetiva do Arcebispo.

Kyrie eleison.



*Traduzido por Cristoph Klug.

domingo, janeiro 22, 2017

Comentários Eleison: Cor, Poesia

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDXCVII (497) - (21 de janeiro de 2017): 

COR, POESIA...


  
Os subúrbios fluem dos centros e os sustentam, e assim é,
Com a cultura em relação à verdadeira Fé.

            "Não se pode viver mais de política, de balanços e de palavras cruzadas. Não se pode viver mais sem poesia, cor, amor" – palavras de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), aristocrata francês, aviador e escritor, não católico, mas brigando em sua alma contra o materialismo do século XX. Ele disse de si mesmo: "Eu sou um homem varrendo as cinzas, um homem lutando para encontrar as brasas da vida no fundo de uma lareira". E descrevendo em sua memória filosófica Terra dos Homens (1939) uma cena de trabalhadores e suas famílias amontoados em um trem noturno de Paris para Varsóvia, ele escreveu que estava atormentado não por sua condição desolada, mas por "ver um pouco, em cada um desses homens, Mozart assassinado".

            Estas citações vieram à mente depois de uma visita no ano passado à Bertramka, uma vila situada perto do centro de Praga, na República Checa, e que se tornou conhecida no final do século XVIII por receber visitas do famoso compositor Wolfgang Amadeus Mozart. Naquela época, chegava-se à cidade por uma caminhada de meia hora ao longo de estradas rurais, e por um caminho forrado com castanhas-da-índia que dava para o portão diante do pátio da frente, que se abria para um jardim inclinado com canteiros de flores e árvores frutíferas. Hoje, a estrada sombreada deu lugar a um enorme centro comercial e de negócios ao longo de uma rua da cidade com tráfego pesado, que atende apenas aos semáforos. O portão ainda está lá, mas o jardim inclinado tornou-se selvagem, com uma estátua solitária do grande músico e com a mesa de pedra onde se supõe que ele tenha terminado de compor sua ópera mundialmente famosa Don Giovanni. Logo depois ele realizou sua primeira performance no salão de ópera da cidade, ainda em uso. Quanto aos dois quartos ocupados em Bertramka por Mozart, foram preservados fielmente, mais em outubro já não estava ali uma outrora bela coleção de peças de Mozart. Bertramka ainda tem atmosfera, mas muito lá apenas sussurra: "Mozart assassinado".

            Entretanto, a Praga do século XVIII foi muito amável com ele. Em 1786, ao contrário de Viena, deu uma recepção arrebatadora à igualmente popular e famosa ópera As Bodas de Fígaro, como o fez no ano seguinte com Don Giovanni. Quando Mozart morreu em 1791, sua cidade natal, Viena, lhe deu apenas um túmulo de homem pobre, enquanto Praga lhe homenageou com uma Missa de Requiem sumptuosa assistida por milhares de pessoas e interpretada por uma centena de músicos que recusaram qualquer pagamento. Foram os imperadores e nobres católicos que, para restaurar a Boêmia católica após a devastadora guerra religiosa de 30 anos (1618-1648), estabeleceram uma educação musical generalizada para que os jovens boêmios pudessem tocar música nas cerimônias da Igreja. E foi esta educação católica que gerou em Praga um público imediatamente capaz de amar Mozart e sua música.

            Pode-se dizer o mesmo dos católicos de hoje, ou somos também "assassinos de Mozart"? Para Saint-Exupéry, Mozart era de algum modo o oposto do materialismo. Mas quantos tradicionalistas hoje ficam entediados com uma Missa cantada e não podem esperar para voltar aos seus balanços e palavras cruzadas? Infelizmente, muitos dos nossos meninos não se sentem envergonhados de saber cantar? E quanto às nossas meninas… Nossa! Não prefere a maioria delas ser astronautas ou estrelas de voleibol em vez de saber tocar um instrumento musical que possa ajudá-las a civilizar seus maridos, humanizar seus filhos e colocar seu lar em harmonia? Um provérbio alemão diz que os homens fazem a cultura, mas as mulheres transmitem-na. Não é algo suicida para uma sociedade não promover em suas filhas a verdadeira "cultura, poesia e amor" que penetrará profundamente em suas futuras famílias, e, através de suas famílias, na sociedade?

            Quanto a Mozart, ele certamente não é o auge da espiritualidade na música ocidental, e mais tarde em sua vida ele se uniu à Maçonaria, então na moda em Viena. Mas ele é muito mais espiritual do que o mundo dos centros comerciais e semáforos, como Saint-Exupéry bem observou, e certamente não foram os maçons, mas seus pais profundamente católicos que formaram na criança e no jovem o coração católico de onde surgiu toda a espiritualidade da música do adulto. Certamente, a peça mais frequentemente executada de toda a música de Mozart, composta pouco antes de morrer, é seu Ave Verum Corpus, por ser frequentemente interpretada em Missas. E quanto a seu Requiem profundamente católico, ele ainda o estava compondo em seu leito de morte. Que sua alma descanse em paz.

            Kyrie eleison.


sábado, janeiro 14, 2017

Comentários Eleison: Oração Urgente

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDXCVI (496) - (14 de janeiro de 2017):    


ORAÇÃO URGENTE


O mundo de hoje poderia fazer um santo desesperar,
Mas um meio santo sabe como voltar a rezar.

Quando o Titanic começou a afundar em 1912, é bem sabido que os primeiros botes salva-vidas usados não estavam sendo completamente ocupados porque a maioria dos passageiros ainda não havia compreendido seriamente em que condições malfadadas estava o navio atingido. Mas, à medida que toda a verdade foi se tornando amplamente conhecida, cada um dos botes salva-vidas restantes tinha mais pessoas querendo subi-los do que a capacidade deles permitia. Pois bem, o naufrágio do Titanic foi um espelho de Deus mostrando ao mundo moderno seu estado, mas de forma nenhuma todas as pessoas que vivem hoje acreditam nisto, de modo que os barcos salva-vidas da Tradição católica estão sendo esvaziados ao invés de preenchidos. Nem parece que um número suficiente de almas já está percebendo toda a verdade sobre a nossa malfadada condição, e fazendo o que precisa ser feito – rezar urgentemente.

Eis como um amigo da Suíça apresenta a questão: “Em nosso país, como em todos os lugares, cada último vestígio de catolicismo está desaparecendo, e o Valais (outrora um cantão muito católico) não é exceção. Tudo precisa começar de novo e de novo, enquanto os inimigos da Verdade são mais numerosos a cada dia”. Alguém pode dizer que esta descrição não se ajusta à sua própria parte do mundo? Certamente, se ajusta à Inglaterra! Numa pesquisa feita com 1.595 ingleses adultos, entre os dias 18 e 19 de dezembro, somente 28% acredita em Deus, enquanto 38% assumem-se ateus. Há menos de dois anos atrás, os números eram de 32% para os crentes e 33% para os ateus. Está claro que os descrentes estão avançando significativamente. Pobre Inglaterra!

Mas, por que a crença em Deus é tão importante? Santo Tomás de Aquino explica em seu Tratado sobre os Anjos: assim como toda a criação procede por um transbordamento de bondade de Deus, também esta bondade nas criaturas procura fazer seu caminho de volta à Suprema Bondade do Criador, cada uma à sua maneira: vegetais e minerais por uma inclinação natural, animais por uma inclinação sensitiva, homens e anjos mais perfeitamente por uma inclinação intelectiva da mente e do livre-arbítrio (1a, 59,1). Assim, os seres humanos vêm de Deus para retornar a Ele, pelo correto uso de suas mentes, sendo elas “indesculpáveis”, como diz São Paulo, se fingem que não reconhecem Deus em sua criação (Rom. I, 20), e pelo correto uso de seu livre-arbítrio, para escolhê-Lo ao invés de recusá-Lo. Infelizmente, as atrações dos sentidos desviam a maioria dos homens de Deus (1a, 63, 9 ad 1).

No entanto, desviar-se d’Ele não é o que Deus quis para os homens. Cada ser humano que Ele criou, Ele o fez para o Céu (I Tim. II, 4), e para todos os homens Ele deu graças suficientes para O conhecerem, O amarem e irem para o Céu. O Céu é, então, aquilo para o que todo homem foi criado, aceite ele ou não o fato; se o recusa, está cegando-se e pode não compreender o significado da vida. Seguiria daí que todos os líderes em qualquer esfera são, no fim das contas, cegos guiando cegos, enquanto todos os seguidores são cegos seguindo cegos. “Eu sou a luz do mundo”, diz Nosso Senhor Jesus Cristo, “o que me segue não anda nas trevas” (Jo. VIII, 12).

Então, quem recusa seguir Deus, e que dizer de Jesus Cristo e sua Igreja Católica, anda nas trevas, e a preferência obstinada dos “ocidentais” globais por mais e mais trevas está preparando um terrível Castigo, comparável somente ao Dilúvio no tempo de Noé. Assim como os homens haviam “corrompido o seu caminho” demasiadamente (Gen. VI, 12) a ponto de Deus ter de intervir com o Dilúvio para prevenir que todos os homens escolhessem ir para o Inferno, também hoje a corrupção é tão terrível que somente Deus pode interrompê-la.

Mas os homens sempre podem rezar, e a oração continua funcionando como nunca. Por isso é fácil imaginar, entre milhões e milhões de almas voltando-se para Mammon e afastando-se de Deus, como Ele positivamente cuida das cada vez mais escassas almas que se voltam para Ele e as ouve. A hora é de rezar, por meio de sua Mãe, da recitação do Santo Rosário, dos quinze mistérios por dia, se isto é de todo razoavelmente possível.


Kyrie eleison.


Tradução de Leticia Fantin.

sexta-feira, janeiro 13, 2017

PEC-1822 Monarquia Constitucional

O sistema republicano presidencialista é corrupto e corruptor, além de caro e gerar uma concentração de poderes muito grande nas mãos do presidente. A eleição presidencial é extremamente custosa, o que eleva as chances de corrupção e de criação de compromissos de campanha que se distanciam do bem comum. Os presidentes se acumulam aos ex-presidentes e seus respectivos cônjuges (em caso de viuvez), aumentando ainda mais o custo do sistema. Os mandatos pétreos, sem possibilidade de termo antecipado por incompetência, derivados da junção das chefias de estado e de governo, ampliam a falta de compromisso entre os políticos eleitos e a população. A execução de funções de chefia de estado por pessoa ligada a partido político leva à desvirtuação e aparelhamento das instituições de estado, minando a credibilidade das mesmas, como já se comenta sobre o STF.
Ao receber 20.000 apoios, a ideia se tornará uma Sugestão Legislativa e será debatida pelos Senadores.
Vote:

quarta-feira, janeiro 11, 2017

Perigosas crendices sobre o aborto

Por Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz 


Perigosas crendices sobre o aborto
(elas são ensinadas nas Universidades sem qualquer fundamento científico)

Certa vez, um químico deixou acidentalmente que uma solução de ácido clorídrico (HCl) fosse lançada sobre sua pele. Um colega de laboratório pôs-se a pensar o que fazer para socorrer seu amigo que gritava de dor.

Pensou ele: ácidos e bases neutralizam-se mutuamente, produzindo sal e água. Assim, uma solução de ácido clorídrico (HCl) é neutralizada, por exemplo, por uma solução de hidróxido de sódio (NaOH), produzindo cloreto de sódio (NaCl) e água (H2O).

HCl + NaOH ® NaCl + H2O

Levado pelo desejo de neutralizar o efeito do ácido clorídrico, o amigo da vítima aplicou sobre sua pele corroída uma solução de hidróxido de sódio (soda cáustica). Para sua surpresa, o resultado não foi um alívio, mas um agravamento da corrosão, o que fez a vítima sofrer ainda mais.

* * *

O aborto “terapêutico”

Da mesma forma, diante do fato de que certas doenças se tornam mais complicadas com a gravidez, há médicos que, à semelhança do químico do exemplo anterior, acreditam que o aborto fará “desengravidar” a paciente, levando-a ao estado anterior à concepção do filho. Segundo Alberto Raul Martinez, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (SP), em depoimento de 1967,

deve-se levar em conta que a reação mais comum do médico não afeito à especialidade ginecológica, quando a prenhez ocorre em uma de suas pacientes já afetadas por problema físico ou mental, é a de que a remoção da gestação poderia simplificar a questão.·

Isso, porém, não ocorre. O aborto é uma prática tão selvagem que, além de condenar à morte um inocente, agrava o estado de saúde da gestante enferma.
Sobre este assunto, convém citar a célebre aula inaugural “Por que ainda o abôrto terapêutico?” do médico-legal João Batista de Oliveira Costa Júnior para os alunos dos Cursos Jurídicos da Faculdade de Direito da USP de 1965:

Ante os processos atuais [de 1965!] da terapêutica e da assistência pré-natal, o abôrto não é o único recurso; pelo contrário, é o pior meio, ou melhor, não é meio algum para se preservar a vida ou a saúde da gestante. Por que invocá-lo, então? Seria o tradicionalismo, a ignorância ou o interesse em atender-se a costumes injustificáveis? Por indicação médica, estou certo, não o é, presentemente. Demonstrem, pois, os legisladores coragem suficiente para fundamentar seus verdadeiros motivos, e não envolvam a Medicina no protecionismo ao crime desejado. Digam, sem subterfúgios, o que os soviéticos, os suecos, os dinamarqueses e outros já disseram. Assumam integralmente a responsabilidade de seus atos[1].

O aborto para “aliviar” os danos do estupro

Também à semelhança do químico que pretendia neutralizar a corrosão do ácido clorídrico despejando hidróxido de sódio na vítima, há quem pense que, se uma gravidez resultou de um estupro, o aborto seria capaz de “desestuprar” a mulher. Depois de um aborto — pensam os doutos, sem qualquer fundamento — a mulher violentada voltaria a seu estado anterior ao estupro. E mais ainda: afirmam gratuitamente que, se a mulher violentada der à luz, a simples visão do bebê perpetuará a lembrança do estupro em sua vida. Leia-se, por exemplo, esta lamentável afirmação de Nélson Hungria:

Nada justifica que se obrigue a mulher estuprada a aceitar uma maternidade odiosa, que dê vida a um ser que lhe recordará perpetuamente o horrível episódio da violência sofrida[2].

Convém lembrar ao célebre jurista que a vida da criança por nascer permanece inviolável apesar da violência praticada por seu pai e sofrida por sua mãe. Ainda que o bebê parecesse repugnante aos olhos da mãe, nada justificaria a sua morte. Em tal caso (suponhamos que ele existisse), a mãe poderia encaminhar seu filho recém-nascido para a adoção, e ele rapidamente encontraria um casal para acolhê-lo[3].

No entanto, os casais que pretendem adotar não devem alimentar esperanças de encontrar bebês disponíveis entre os concebidos em uma violência sexual, pois estes costumam ser os filhos preferidos de suas mães. Explico-me.

Em meu trabalho pró-vida, já conheci muitas vítimas de estupro que engravidaram e deram à luz. Elas são unânimes em dizer que estariam morrendo de remorsos se tivessem abortado. Choram só de pensar que alguma vez cogitaram em abortar seu filho. A convivência com a criança não perpetua a lembrança do estupro, mas serve de um doce remédio para a violência sofrida. Com exceção das gestantes doentes mentais[4], não conheço nenhum caso em que uma vítima de estupro, após dar a luz, não se apaixonasse pela criança.

E mais: se no futuro, a mulher se casa e tem outros filhos, o filho do estupro costuma ser o preferido. Tal fato tem uma explicação simples: as mães se apegam de modo especial aos filhos que lhe deram maior trabalho.

Olha! Se você sofre demais para conseguir uma coisa, é muito mais amor. Porque esse filho é o que mais deu dilema. (Maria Aparecida, violentada em 1975, referindo-se ao seu filho Renato, fruto da violência).

No início, quando você percebe que está grávida, fica com muita raiva. Mas depois que a criança nasce, você nem se lembra mais do que aconteceu (Maria Luciene, violentada em 1995, mãe de Bruna).

Tive tanto trabalho para ter esse neném e agora vou dar para os outros? (E., adolescente de 12 anos, violentada pelo pai em 1999).

Se, porém, a gestante fizer um aborto, a marca do estupro, longe de se apagar, ficará cristalizada. Em vez de ter diante de si um rosto sorridente de uma criança para lhe servir de remédio, a mulher terá dentro de si a voz da consciência acusando-a de ter matado um filho inocente. Nenhuma vítima de estupro merece tão horrível castigo. Mas é isso o que nosso governo tem oferecido como “tratamento” para a violência sexual...

Anápolis, 9 de janeiro de 2017.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz 

[1] João Batista de O. COSTA JÚNIOR, Por quê, ainda, o abôrto terapêutico? Revista da Faculdade de Direito da USP, 1965, volume IX, p. 326.
[2] HUNGRIA, Nélson. Comentários ao Código Penal. vol. 5, 4.ed. Rio de Janeiro: Forense, 1958, p. 312.
[3] Quem conhece as filas de adoção dos Juizados da Infância e da Juventude, sabe que os recém-nascidos não ficam muito tempo esperando por pais adotivos.
[4] As doentes mentais não rejeitam o filho. Contudo, não criam laços afetivos com ele, de modo que não se importam que ele seja adotado.

terça-feira, janeiro 10, 2017

Ficha Corrida da República...

Em Monarquia em Ação

*6 CONSTITUIÇÕES FEDERAIS*
1891, 1934, 1937, 1946, 1967, 1988
*9 MOEDAS*
Reis: até 1941, Cruzeiro: 1942, Cruzeiro, Novo: 1967, Cruzeiro: 1970, Cruzado: 1986, Cruzado Novo: 1989, Cruzeiro: 1990, Cruzeiro Real: 1993, Real: 1994
*5 VEZES CONGRESSO FECHADO*
1930 ~ 34, 1937 ~ 46, 1966, 1968 ~ 69, 1977
*6 GOLPES DE ESTADO*
1889 , 1930 ~ 34, 1937 ~ 45, 1945, 1955, 1985
*INTERVENÇÃO* 
1964 ~ 85
*1 PLEBISCITO IGNORADO*
Venda de armas: 2005
*13 PRESIDENTES QUE NÃO CONCLUÍRAM O MANDATO*
Deodoro: 1891
Afonso Penha: 1909
Rodrigues Alves: 1918
Washington Luís: 1930
Júlio Prestes: 1930
Vargas: 1945 e 1954
Carlos Luz: 1955
Jânio Quadros: 1961
João Goulart: 1964
Costa e Silva: 1969
Tancredo Neves: 1985
Collor: 1992
Dilma: 2016
*31 PRESIDENTES NÃO ELEITOS DIRETAMENTE (também considerando posse de interinos)*
Deodoro: 1889*
Floriano Peixoto: 1891*
Prudente: 1894*
Campos Sales: 1898*
Rodrigues Alves: 1902*
Afonso Penha: 1906*
Nilo Peçanha: 1909*
Fonseca: 1910*
Venceslau: 1914*
Rodrigues Alves: 1918*
Delfim Moreira: 1918*
Epitácio: 1919*
Arthur: 1922*
Washington Luis: 1926*
Júlio Prestes: 1930*
Vargas: 1930
José Linhares: 1945
Café Filho: 1954
Carlos Luz: 1955
Nereu Ramos: 1955
Ranieri Mazilli: 1961
João Goulart: 1961
Castelo Branco: 1964
Costa e Silva: 1967
Médici: 1969
Geisel: 1974
Figueiredo: 1979
Tancredo Neves: 1985
José Sarney: 1985
Itamar Franco: 1992
Michel Temer: 2016
*Coisas que surgiram com a ré-pública*
- Corrupção incontrolável
- Mentira
- Voto obrigatório
- Marxismo cultural
- Foro de São Paulo
- Decálogo de Lenin
- Pacto de Princeton
- Censura e falta de liberdade, ou seja, xingou alguém leva um processo
- Eleições fraudulentas
- Roubos
- Acordos
- Ganância
- Interesse
- Oportunismo
- Leis e PECs contra o povo independente do que o povo acha
- Ditadura disfarçada de democracia
*Presidentes do Período da República Velha marcado pelas fraudes eleitorais e o coronelismo*
*31 REVOLTAS E GUERRILHAS*
Golpe Republicano: 1889 para a DESORDEM E O REGRESSO
Primeira Revolta de Boa Vista: 1892-1894
Revolta da Armada: 1892-1894
Revolução Federalista: 1893-1895
Revolta de Canudos: 1893-1897
República de Curani: 1895-1900
Revolução Acreana: 1898-1903
Revolta da Vacina: 1904
Segunda Revolta de Boa Vista: 1907-1909
Revolta da Chibata: 1910
Guerra do Contestado: 1912-1916
Sedição de Juazeiro: 1914
Greves Operárias: 1917-1919
Levante Sertanejo: 1919-1930
Revolta dos Dezoito do Forte: 1922
Revolução Libertadora: 1923
Coluna Prestes: 1923-1925
Revolta Paulista: 1924
Revolta de Princesa: 1930
Revolução de 1930: 1930
Revolução Constitucionalista: 1932
Revolta Mineira: 1935-1936
Intentona Comunista: 1935
Caldeirão de Santa Cruz do Deserto: 1937
Revolta das Barcas: 1959
Contra-golpe Militar: 1964
Luta Armada: 1965-1972
Guerrilha de Três Passos: 1965
Guerrilha do Caparaó: 1967
Guerrilha do Araguaia: 1967-1974
Revolta dos Perdidos: 1976
Golpe das diretas já: 1985..."
Autores Surama CM e Paulo Barros.

Monarquia em Ação Um grupo de amigos reunidos para divulgar, difundir, apoiar, os esforços de todos os brasileiros para restaurar a forma monárquica de governo.

domingo, janeiro 08, 2017

Comentários Eleison: "Guerra" Vaticana

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDXCV (495) - (7 de janeiro de 2017): 

"GUERRA" VATICANA


Para o Vaticano Segundo os católicos acordarão?
Certamente antes tarde do que nunca o farão!

Na crise hodierna da Igreja, de uma gravidade sem precedentes em sua história, é muito importante que os católicos deem a devida importância tanto ao movimento tradicional como à Igreja Católica fora do movimento tradicional. A Tradição em seu sentido mais amplo, ou seja, tudo o que Nosso Senhor confiou à Sua Igreja para que fosse transmitido (tradendum em latim) até o fim do mundo, é indispensável para a Igreja, e o movimento tradicional tem desempenhado um papel indispensável em preservar a doutrina tradicional e os sacramentos da destruição pela Revolução Conciliar durante o último meio século. Mas para sobreviver, o movimento tradicional teve de se colocar fora da estrutura eclesiástica normal da Igreja, e essa estrutura é parte em alto grau da Tradição – “Pedro, apascenta minhas ovelhas” (Jo XXI, 17). Portanto, por mais profunda que seja a corrupção conciliar em Roma, os católicos ainda devem olhar para Roma.

Daí o interesse do seguinte relatório do interior de Roma pelo fundador e diretor de uma publicação americana do Novus Ordo, LifeSiteNews. Steve Jalsevac visita Roma normalmente duas vezes por ano com colegas para conversar com todos os tipos de contatos em Roma, para melhor poder avaliar como a situação na Igreja está se desenvolvendo. De sua visita da segunda metade de novembro, ele publicou em 16 de dezembro um relatório “profundamente preocupante” de suas impressões sobre a situação hoje em Roma. Seguem os extratos:

“Nossa visita a Roma de 16 a 23 de novembro foi a mais dramática de muitas dessas viagens a trabalho que fizemos duas vezes por ano durante os últimos 10 anos. Após encontrarmo-nos com cardeais, bispos e outros funcionários da agência vaticana e do dicastério, nosso novo repórter em Roma John-Henry Western, Jan Bentz e eu percebemos um padrão consistente de ansiedade generalizada e medo muito real entre os fiéis servos da Igreja. Nunca havíamos encontrado isso antes. Muitos tinham medo de ser removidos de suas posições, despedidos de seus empregos nas agências do Vaticano ou enfrentar severas reprimendas públicas ou privadas e acusações pessoais daqueles que cercavam o Papa ou mesmo do próprio Francisco. Eles também estão temerosos e ansiosos sobre o grande dano que está sendo causado à Igreja e estando impotentes para ajudar a detê-lo.

“...As universidades católicas em Roma são vigiadas e as aulas dos professores são supervisionadas para garantir que estejam de acordo com a interpretação liberal de Amoris Laetitia. Reportam-se Clérigos aos Superiores se se os ouvem expressando preocupações sobre o Papa Francisco. Muitos têm medo de falar abertamente, embora no passado estivessem sempre muito dispostos a fazê-lo. Repórteres do Vaticano disseram-nos que foram advertidos inúmeras vezes para que não reportassem as dubia (as questões levantadas pelo Cardeal Burke e outros três Cardeais quanto à doutrina contida em Amoris Laetitia). Tenho ouvido relatos de que o Vaticano é como um Estado ocupado. Certas fontes com quem conversei têm um medo de que as comunicações com as autoridades do Vaticano estejam sendo monitoradas; algumas têm relatado até mesmo anomalias suspeitas em suas conversas telefônicas nas quais, quando uma chamada caía, o áudio dos últimos momentos de sua conversa retornava, e outra vez, em um loop, como se eles estivessem ouvindo uma gravação. Alguns indivíduos que trabalham dentro do Vaticano estão aconselhando os seus contatos no exterior para que não compartilhem informações confidenciais via e-mail ou de seus celulares a partir do Vaticano.

“Temos que saber para onde tudo isso está indo. É preocupante, profundamente preocupante. A frase comum que ouvimos naquela semana em Roma é que há uma “guerra” na Igreja – uma guerra dos progressistas do “Espírito do Vaticano II” contra os católicos ortodoxos. Uma pessoa após outra usou alarmantemente a palavra “guerra”. Nunca havia experimentado nada assim em minha vida, e estou certo de que a maioria dos leitores regulares do LifeSiteNews, se não todos, pode dizer a mesma coisa”.

Os Tradicionalistas podem dizer que os quatro Cardeais e o Sr. Jalsevac são vítimas do Vaticano II, acordando um pouco tarde, mas que ninguém diga que eles não querem ou não pretendem ser católicos. A Igreja só será curada quando a verdadeira Doutrina e a verdadeira Hierarquia se reunirem novamente; então, que os tradicionalistas rezarem urgentemente por essas almas que despertam para a guerra conciliar. Que Deus dê a eles luz e força.

Kyrie eleison.


*Tradução de Cristoph Klug

quarta-feira, janeiro 04, 2017

A impossibilidade de que o astrólogo acerte por si mesmo quanto ao que depende da vontade humana




Assim como provavelmente seria impossível a vida na terra sem o conjunto do universo em toda a sua complexidade, assim tampouco se há de duvidar que os astros, em toda a complexidade do cosmos, influem de algum modo sobre o corpóreo sublunar. De que modo exercem precisamente tal influência é algo que não creio se revolva no âmbito de nossa ciência – o que, uma vez mais, não há senão de acender-nos ainda mais a admiração por seu autor. Mas há que registrar que tal influência ou influxo será meramente corpóreo, conquanto, pela união da alma humana a seu corpo, possa influir predisponentemente sobre ela, ao modo dito no capítulo 128 do livro 1 do Compêndio de Teologia, de Santo Tomás de Aquino. Mas tal só pode dar-se entre os viciosos, ou seja, os que se deixam dominar pelos influxos do corpo e se entregam às paixões. Isso não quer dizer, no entanto, segundo as mesmas premissas de Santo Tomás, que os que carecem de virtude sigam sempre o influxo indireto dos astros: poucos são os casos extremos em que já nunca se contraria, por juízo da razão e por vontade, a inclinação viciosa.

Pode mostrar-se da seguinte maneira, portanto, a impossibilidade de que os astros influam de outro modo que predisponentemente sobre o humano. Suponha-se que determinado homem, influído de algum modo pelos astros, e sem ter alcançado a sabedoria e a virtude durante toda a vida, se tenha viciado em jogos de azar. Sucede porém que, velho já, decide por livre arbítrio – de que é dotado todo e qualquer ser humano – que deixará de jogar para não desagradar à esposa gravemente enferma, mas no momento mesmo de sua decisão sofre um ataque cardíaco fulminante e morre. Terá morrido, assim, contrariando uma tendência predisponente adquirida por influxo dos astros. E, se tal decisão foi movida por alguma graça divina, então ainda mais se patenteia a impossibilidade de influxo direto dos astros sobre a alma humana: porque, se a alma humana por si não pode sofrer influxo imediato dos astros, muito menos o poderá aquele que é o criador dos astros.

Por isso mesmo é que a Igreja (ou seja, seu magistério e sua tradição, incluídos seus Padres e Doutores) não só condena veementemente a astrologia, mas anatematiza seus defensores. Como diz Santo Tomás de Aquino, “é pecado graverecorrer aos juízos dos astros com respeito às coisas que dependem da vontade humana”; e, se acerta em algo com respeito a isto, não o terá feito senão por um “pacto ou sociedade com o demônio”.  

terça-feira, janeiro 03, 2017

“Dos Juízos dos Astros”, opúsculo de Santo Tomás de Aquino

Tradução
Carlos Nougué

Porque me pediste que escrevesse se é lícito recorrer aos juízos dos astros, e querendo satisfazer teu pedido, tratei de escrever o que nos foi transmitido sobre isto pelos sacros doutores.
Em primeiro lugar, portanto, é-te necessário saber que a virtude dos corpos celestes se estende a imutar [modificar] os corpos inferiores. Diz com efeito Agostinho, no livro V de Da Cidade de Deus: “não de todo absurdamente pode dizer-se que certos influxos sidéreos são suficientes só para diferenças dos corpos”. E assim, se se recorre aos julgamentos dos astros para conhecer antecipadamente efeitos corporais, como, por exemplo, tempestade e serenidade do ar, saúde ou enfermidade do corpo, ou abundância e esterilidade dos frutos, e coisas assim que dependem de causas corporais e naturais, parece não haver nenhum pecado. Pois todos os homens, acerca de semelhantes efeitos, se utilizam de alguma observação dos corpos celestes: assim, os agricultores semeiam e colhem em certo tempo, que se observa segundo o movimento do sol; os marinheiros evitam navegações no plenilúnio, ou no eclipse da lua; os médicos, com respeito às doenças, observam dias críticos, que são determinados segundo o curso do sol e da lua. Por isso não é inconveniente recorrer, segundo outras observações mais ocultas das estrelas, ao juízo dos astros com respeito a efeitos corporais.
É necessário todavia manter totalmente que a vontade do homem não está sujeita à necessidade dos astros; sem isso pereceria o livre-arbítrio: e, supresso este, nem se atribuiria ao homem o mérito das boas obras, nem se lhe atribuiria a culpa das más. E por isso todo cristão deve sustentar certissimamente que tudo o que depende da vontade do homem, como é o caso de toda e qualquer obra humana, não se sujeita à necessidade dos astros: e por isso se diz em Jeremias X, 2: “não temais os sinais do céu, como temem os gentios”.
Mas o diabo, para arrastar todos ao erro, imiscui-se nas obras deles que têm respeito aos juízos dos astros. E por isso diz Agostinho em II de Super Gen. ad litteram: “deve reconhecer-se que, quando coisas verdadeiras são ditas pelos astrólogos, são ditas por impulso de algo ocultíssimo, que ignorantes mentes humanas padecem: o que, como se faz para enganar os homens, é uma operação de espíritos imundos e sedutores, aos quais se permite conhecer coisas verdadeiras das coisas temporais”. E por isso diz Agostinho no livro II de De doctrina Christiana que semelhantes observações dos astros se relacionam a certos pactos tidos com os demônios. Mas o cristão deve evitar totalmente ter pacto ou sociedade com o demônio, segundo aquilo do Apóstolo em I Coríntios X, 20: “Eu não quero que vos torneis sócios dos demônios”. E assim deve ter-se por certo que é grave pecado recorrer aos juízos dos astros com respeito às coisas que dependem da vontade do homem.      

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Sancti Thomae de Aquino
De iudiciis astrorum

Quia petisti ut tibi scriberem an liceret iudiciis astrorum uti, tuae petitioni satisfacere uolens, super ea quae a sacris doctoribus traduntur, scribere curaui.
In primis ergo oportet te scire quod uirtus celestium corporum ad immutanda inferiora corpora se extendit. Dicit enim Augustinus V De ciuitate Dei Non usquequaque absurde dici potest ad solas corporum differentias afflatus quosdam sydereos peruenire. Et ideo, si aliquis iudiciis astrorum utatur ad prenoscendum corporales effectus, puta tempestatem et serenitatem aeris, sanitatem uel infirmitatem corporis, uel ubertatem et sterilitatem fructuum, et cetera huiusmodi que ex corporalibus et naturalibus causis dependent, nullum uidetur esse peccatum. Nam omnes homines circa huiusmodi effectus aliqua obseruatione utuntur celestium corporum: sicut agricole seminant et metunt certo tempore quod obseruatur secundum motum solis; naute nauigationes uitant in plenilunio, uel in lune defectu; medici circa egritudines creticos dies obseruant, qui determinantur secundum cursum solis et lune. Vnde non est inconueniens, secundum aliquas alias occultiores obseruationes stellarum, circa corporales effectus uti astrorum iudicio. 
Hoc autem omnino tenere oportet, quod uoluntas hominis non est subiecta necessitati astrorum; alioquin periret liberum arbitrium, quo sublato non deputarentur homini neque bona opera ad meritum, neque mala ad culpam. Et ideo certissime tenendum est cuilibet christiano, quod ea que ex uoluntate hominis dependent, qualia sunt omnia humana opera, non ex necessitate astris subduntur; et ideo dicitur Ier. x A signis celi nolite metuere que gentes timent.
Sed dyabolus, ut omnes pertrahat in errorem, immiscet se operibus eorum qui iudiciis astrorum intendunt ; et ideo Augustinus dicit in II Super Genesim ad litteram Fatendum, quando ab astrologis uera dicuntur, instinctu quodam occultissimo dici, quem nescientes humane mentes patiuntur; quod cum ad decipiendos homines fit, spirituum immundorum et seductorum operatio est, quibus quedam uera de temporalibus rebus nosse permittitur. Et ideo Augustinus dicit in II De doctrina christiana quod huiusmodi obseruationes astrorum referende sunt ad quedam pacta cum demonibus habita. Est autem omnino christiano uitandum pactum uel societatem cum demonibus habere, secundum illud Apostoli I Cor. x Nolo uos fieri socios demoniorum. Et ideo pro certo tenendum est graue peccatum esse, circa ea que a uoluntate hominis dependent iudicio astrorum uti.