quinta-feira, maio 31, 2018

Casamento, Bebês e Progressismo

Por Lyle J. Arnold, Jr.
Traduzido por Andrea Patrícia

Muitos casamentos começam erroneamente com grandes sonhos de romance e realização



"Eu quero alguém, que ande comigo por um mar de grama, que aponte uma pequenina flor mimosa à mesma distância que eu estava para apontá-la para ele" (1).

Então as donzelas falantes de toda a parte, ressoadas por suas contrapartes masculinas de toda a parte, que esperam por alguém que irá realizar um casamento feito no céu. Olhando para a taxa global de divórcios (chamados ilusoriamente de anulamentos na Igreja), a evidência é esmagadora de que a maioria dos casamentos não é feita no céu. Ou, se foram, uniões celestiais foram rejeitadas. O caminho dessa florzinha só pode ser alcançado através da porta estreita da graça, "e poucos são os que a encontram" (Mat. 7, 14).
A maioria das pessoas não possui o heroísmo para levar uma vida celibatária. O casamento cristão, entretanto, carrega em si um poder similar aquele por trás da virgindade, que é uma renúncia tornada possível através da fé. As provações do casamento cristão e da virgindade cristã podem ser temperadas apenas pela oração e pelos Sacramentos. A renovação diária dos votos só pode acontecer através da dedicação a nosso Senhor e a Nossa Senhora.
Mutatis mutandis, uma vez que a bebida matrimonial seja absorvida, e que o vinho da dádiva sacramental de Deus dá alegria, há um gosto de "eternidade nas vestimentas do tempo" (2). O Céu espera por novos amantes para provar do banquete de Deus, e experimentar o que Shakespeare chamou de "o verdadeiro êxtase do amor" (3). Mas amor é entrega, primeiro a Deus e a Sua vontade para ser fecundo no casamento; segundo, entrega de si, não 50-50, mas 100% de um ao outro. Infelizmente, hoje acontece o oposto, onde até mesmo aqueles com recursos consideráveis rejeitam o aumento de descendentes.
Rei Lear, chocado pela ingratidão de sua filha Goneril, invoca a natureza como força para torná-la desprovida de filhos.
"Ouça, Natureza, ouça, querida deusa, ouça!
Suspenda vosso propósito, se pensas
Em tornar esta criatura fecunda!
Ao ventre dela transmita esterilidade!
Deixe secos seus órgãos de procriação;
E que de seu corpo degenerado nunca nasça
Um bebê para honrá-la" (4).


Quantos católicos desgraçam seus votos de casamento hoje, ao adotar a prece a natureza acima! Mas hoje não é necessário invocar a natureza para violar o propósito de seu Autor. Se alguém não quer filhos, ele se previne por meios artificiais ou os mata no ventre. Os repugnantes Maniqueus eram conhecidos por cuspir aos pés de mulheres grávidas, mas eles eram apenas amadores. Graças a tecnologia negra e à máquina assassina do aborto, muitas das mulheres americanas de hoje tornaram-se bestas trans-feminizadas. Elas mataram oito milhões de sua prole desde a decisão togada de 1973.
"Crescei e multiplicai-vos." (Gen. 1, 28) Esta e a seguinte repreensão do Antigo Testamento deveriam ser  bradadas por sacerdotes no púlpito: "Você quer saber sobre quem o Demônio tem poder? É sobre aqueles que casam como o cavalo e a mula" (Tob. 6, 16-17).
Infelizmente, a mensagem da Humanae Vitae para aquém desta injunção. Em vez de promover ativamente a fecundidade, a encíclica entrega uma passiva mensagem politicamente correta sobre responsabilidade marital (5). A comissão consultora papal até mesmo achou que a natalidade é um problema, e isso em seu próprio título: "’Comissão Papal para o Estudo do Problema da Família, da População e da Taxa de Natalidade'; eles não são mais bona, ou seja, “coisas boas” (6).
Como John Galvin escreve em seu artigo “Humanae vitae, Heroica, Deficiente – ou Ambas?",
"Humanae vitae constrói passo a passo um caso de controle de natalidade. Primeiro ela discute a ‘séria dificuldade’ de população, admitindo o argumento que o controle de população advoga. Depois ela fala sobre ‘paternidade responsável’ elogiando uma decisão para "evitar novos nascimentos" (7).
Em qualquer discussão sobre a Humanae vitae, ele observa corretamente que nunca se duvida de um fato singular:
“A encíclica falhou totalmente em sua missão de ensinar e persuadir católicos. As estatísticas mostram que o consumo de anticoncepcionais está em toda a parte. Dados disponíveis amplamente indicam que apenas cinco por cento das mulheres em anos férteis estão abstendo-se totalmente do uso de contraceptivos artificiais” (8).

A razão para isso é a deficiência de ensino católico sólido na Humanae Vitae (diferente de todos os documentos prévios sobre o assunto). São cinco as deficiências:
  1. Falta de referências às Escrituras,
  2. Falta de referências à Tradição,
  3. Falta de referências ao Magistério,
  4. Confiança na Filosofia Consequencialista,
  5. Confiança na Fenomenologia Personalista (9).
Pode-se imaginar que um pároco de hoje possa "esperar que cerca de 97% a 99% de seus recém-casados estão usando métodos antinaturais de controle de natalidade" (10). Bispos progressistas garantem que esse pecado mortal marital permaneça enraizado. Seguindo as diretrizes de diálogo do Vaticano, poupa-se esforço. Na história oficial da Diocese da Califórnia que eu conheço, o Bispo "exortou" os leigos a aceitar a Humanae vitae. Entretanto, ele admitiu um contra-comentário que embora a consciência católica "não possa ignorar" a encíclica, na análise final "a consciência individual tem a última palavra" (11).
Qui tacet, consentire videtur, quem cala consente. Observe a heresia de progressismo e os canais através dos quais ela opera. Se você quer manter as pessoas vivendo em estado de pecado mortal pelo uso de controle artificial de natalidade, fique em silêncio. Isto é progressismo passivo, notoriamente presente em legiões de homilias paroquiais de Domingo. Se você quer que eles permaneçam em pecado mortal, diga a eles para tomarem suas próprias decisões, o que pressupõe moral subjetiva. Isto é progressismo ativo.
Imperador Leopoldo II, com sua esposa Maria Ludovica, e 8 dos seus 16 filhos


Em Irmãos Karamazov de Dostoievsky, o Grande Inquisidor falou sobre algo que deveria ser transmitido para toda a Hierarquia Católica, de cima a baixo. O Anticristo irá inverter o Sermão da Montanha. Em vez de procurar primeiro o Reino de Deus, cabe à humanidade moderna reordenar prioridades. Primeiro vem o que é necessário para a segurança econômica moderna, depois vem o mandamento de Nosso Senhor. Aqui, então, está a marca do espírito progressista.

Quando se trata de casamento e bebês, olhe primeiro para o que isso vai custar a você. Se você "crescer e multiplicar" seus problemas não irão igualmente crescer, enquanto suas economias irão pari passu descrescer? O clero progressista criou mentalidades como: "Meu confessor me disse que: ‘A decisão individual tem a última palavra', e a minha clama por ‘responsabilidade’ familiar. O Vaticano II finalmente nos trouxe de uma era de opressão moral para a era do progresso".

Na Conferência de Caná em Chicago em 1957, quando os católicos foram ensinados sobre a verdade com clareza e simplicidade sobre o plano de Deus para o matrimônio, foi declarado:

"Felicidade e sucesso no casamento podem resultar apenas do cumprimento do plano de Deus ao estabelecer o matrimônio. Nós queremos saber, portanto, o que Deus desejou quando Ele criou `homem e mulher' e abençoou o casamento como a união de `dois numa só carne' dizendo `crescei e multiplicai-vos’ (12).

Existia então clareza, assim como o silêncio, as ambiguidades deliberadas e as mentiras desavergonhadas existem hoje. Possa Nossa Senhora recrutar mais guerreiros para lutar a "guerra suja" (13) do progressismo e pôr um fim nesse esgoto que polui as almas, exalando seu vapor da pior heresia da História.

1. Tad Tuleja, Quirky Quotations, NY, Galahad Books, 1992, p. 17.
2. Fulton J. Sheen, Three to Get Married, NY, Apleton-Century-Crofts, 1951, p. 307.
3. Ibid, p. 33.
4. Shakespeare, Rei Lear, Primeiro Ato.
5. John Galvin "Humanae Vitae, Heroic, Deficient – or Both?", Latin Mass magazine, Winter 2002, p. 10.
6. Ibid.
7. Ibid.
8. Ibid, p. 7.
9. Ibid, pp. 11-14.
10. Catholic Family News, janeiro 2006, p. 11.
11. Jeffrey M. Burns & Mary Carmen Batiza, We Are the Church, A History of the Diocese of Oakland, France, Editions du Signe, 2001, 67.
12. "Beginning Your Marriage." apud John Galvin, op. cit., p. 16.
13. Veja "Has the Pope Forgotten What Communism Is?" postado no site TIA.


Original aqui.

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