Por SPES
I) Diz Santo Tomás na Suma Teológica: “et ideo Judaei
peccaverunt, non solum hominis Christi, sed tamquam Dei crucifixores” (III, q.
47, a. 5 ad 3). Ou seja: o pecado do povo judeu é não só de
crucifixão do homem Cristo, mas, pelo mistério da união hipostática, de
crucifixão do Verbo de Deus.
II) Por outro lado, não se pode
negar que o pecado dos pequenos judeus (ou seja, os não chefes), ainda que
tenha sido gravíssimo segundo o mesmo gênero de pecado, diminui
algum tanto em razão da ignorância dos que o cometeram. Por essa razão, aliás,
é que Cristo pede ao Pai que lhes perdoe: “porque não sabem o que fazem”. Di-lo
ainda Santo Tomás, na Suma Teológica III, q. 47, a. 6, corpus
(trata-se do artigo seguinte ao citado anteriormente).
III) Em outras palavras: os judeus em conjunto
cometeram deicídio, mas com graus distintos de culpabilidade.
IV) Algo mais: em sua entrevista, o Padre
Bouchacourt tenta induzir que os mesmos chefes judeus não (re)conheceram a
divindade de Cristo. A isto responde Santo Tomás, no mesmo lugar: “Os chefes
dos judeus sabiam quem era Cristo, e, se houve ignorância de sua parte, foi uma
ignorância afetada [affectata] que não teria podido escusá-los”.
V) É esta, pois, em resumo, a resposta científica e
definitiva que se há de dar à polêmica provocada pela infeliz entrevista do
Padre Bouchacourt.
Em tempo: “Já o pecado dos gentios, por cujas mãos Ele foi
crucificado, teve uma escusa muito maior, porque não tinham conhecimento da
lei” (Santo Tomás, loc. cit.).