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terça-feira, novembro 18, 2008

«Os outros nove, onde estão?»

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Comentário ao Evangelho feito por S. Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja Sermões diversos, n.º 27

«Os outros nove, onde estão?»

Vemos, hoje em dia, muitas pessoas que rezam, mas, afinal, não as vemos a voltar atrás para dar graças a Deus [...] «Não foram os dez curados? Onde estão pois os outros nove?» Estais a lembrar-vos, penso eu, que foi nestes termos que o Salvador se lamentou acerca da ingratidão dos outros nove leprosos. Podemos ler que eles sabiam «rezar, suplicar e pedir», pois tinham levantado a voz para exclamar: «Jesus, Filho de David, tende piedade de nós». Mas faltou-lhes uma quarta coisa que o apóstolo Paulo reclama: «a acção de graças» (1Tm2,1), porque não voltaram para dar graças a Deus.

Nos nossos dias é ainda frequente ver um considerável número de pessoas pedir a Deus com insistência o que lhes falta, mas são em pequeno número as que parecem ficar reconhecidas com os dons recebidos. Não há mal em pedir com insistência, mas o que faz que Deus não nos atenda é considerar que nos falta gratidão. Afinal, talvez seja até um acto de clemência da sua parte recusar aos ingratos o que estes pedem, para que não venham a ser julgados com rigor por causa da sua ingratidão [...]. É pois por misericórdia que Deus retém por vezes a sua misericórdia [...]

Vede portanto como todos os que estão curados da lepra do mundo, quero dizer, das desordens evidentes, não aproveitam a sua cura. Alguns, com efeito, foram atingidos por uma chaga bem pior do que a lepra, tanto mais perigosa por ser uma chaga mais interior. É por isso com razão que o Senhor do mundo pergunta onde estão os outros nove leprosos, porque os pecadores se afastam da salvação. É por isso que, depois de o primeiro homem ter pecado, Deus lhe perguntou: «Onde estás?» (Gn 3,9).

quinta-feira, novembro 06, 2008

À procura da ovelha perdida

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por Beato Charles de Foucauld (1858-1916), eremita e missionário no Saara. Retiro em Nazaré, Novembro de 1897

Ia-me afastando mais e mais de Vós, meu Senhor e minha vida, e a minha vida começava a ser uma morte, ou antes, era já uma morte a Vossos olhos. E neste estado de morte me conserváveis ainda. [...] A fé tinha desaparecido por completo, mas o respeito e a estima haviam permanecido intactos. Concedíeis-me outras graças, meu Deus, mantínheis em mim o gosto pelo estudo, pelas leituras sérias, pelas coisas belas, a repugnância pelo vício e pela fealdade. Fazia o mal, mas não o aprovava nem o amava. [...] Dáveis-me essa vaga inquietação de uma má consciência que, por adormecida que esteja, nem por isso está morta.

Nunca senti esta tristeza, este mal-estar, esta inquietação, senão nessa altura. Era, pois, um dom vosso, meu Deus; que longe estava eu de suspeitar de que assim fosse! Que bom sois! E, ao mesmo tempo que impedíeis a minha alma, por essa invenção do vosso amor, de se afundar irremediavelmente, preserváveis o meu corpo: pois, se tivesse morrido nessa altura, teria ido para o inferno. [...] Os perigos de viagem, tão grandes e tão numerosos, de que me fizestes sair como que por milagre! A saúde inalterável nos lugares mais malsãos, apesar de tão grandes fadigas! Oh, meu Deus, como tínheis a Vossa mão sobre mim, e quão pouco eu a sentia! Como me protegestes! Como me abrigastes sob as Vossas asas, quando eu nem sequer acreditava na Vossa existência! E, enquanto assim me protegíeis, e o tempo ia passando, parecia-Vos que tinha chegado o momento de me reconduzir ao cercado.

Desfizestes, apesar de mim, todos os laços maus que me teriam mantido afastado de Vós; desfizestes mesmo todos os laços bons que me teriam impedido de ser, um dia, todo Vosso. [...] Foi a Vossa mão, e só ela, que fez disto o começo, o meio e o fim. Que bom sois! Era necessário fazê-lo, para preparar a minha alma para a verdade; o demónio é excessivamente senhor de uma alma que não é casta para nela deixar entrar a verdade; não podíeis entrar, meu Deus, numa alma onde o demónio das paixões imundas reinava como senhor. Queríeis entrar na minha, oh Bom Pastor, e fostes Vós que dela expulsastes o Vosso inimigo.

terça-feira, novembro 04, 2008

"...para que a minha casa fique cheia"

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Comentário ao Evangelho feito por Divina Liturgia de São Basílio (século IV) Oração eucarística, I Parte

«Vai pelos caminhos e azinhagas e obriga toda a gente a entrar para que a minha casa fique cheia»

Santo, santo, Tu és verdadeiramente santo, Senhor nosso Deus, e não há limite para a grandeza da Tua santidade: Tu dispuseste todas as coisas com correcção e justeza. Modelaste o homem com o barro da terra, honraste-o com a imagem do próprio Deus, colocaste-o num paraíso de delícias, prometendo-lhe – se observasse os mandamentos – a imortalidade e o gozo dos bens eternos. Mas ele transgrediu os Teus mandamentos, Deus verdadeiro, e, seduzido pela malícia da serpente, vítima do seu próprio pecado, submeteu-se à morte. Pelo Teu justo juízo, foi expulso do Paraíso para este mundo, reenviado para a terra de onde havia sido tirado.

Mas Tu dispuseste para ele, no Teu Cristo, a salvação pelo novo nascimento, pois não rejeitaste para sempre a criatura que havias criado na Tua bondade; velaste por ela de muitas maneiras, na grandeza da Tua misericórdia. Enviaste profetas, fizeste milagres pelos santos que, em cada geração, Te foram agradáveis; deste-nos a Lei para nos socorrer; estabeleceste os anjos, para nos guardarem.

E, ao chegar a plenitude dos tempos, falaste-nos no Teu único Filho, por Quem criaste o universo; Ele que é o esplendor da Tua glória e a imagem da Tua natureza; Ele que tudo realiza pelo poder da Sua palavra; Ele, que não preservou ciosamente a Sua igualdade com Deus mas, desde toda a eternidade, veio à terra, viveu com os homens, tomou carne na Virgem Maria, aceitou a condição de escravo, assumiu o nosso corpo miserável, para nos tornar conformes ao Seu corpo de glória (Heb 1, 2-3; Fil 2, 6-7; 3, 21).

E, como foi pelo homem que o pecado entrou no mundo – e, pelo pecado, a morte –, agradou ao Filho único, a Ele que Se encontrava eternamente no Teu seio, ó Pai, mas que nasceu de mulher, condenar o pecado na Sua carne, a fim de que aqueles que haviam morrido em Adão tivessem a plenitude da vida em Cristo (Rom 5, 12; 8, 3). Enquanto viveu neste mundo, Ele deu-nos preceitos de salvação, desviou-nos do erro dos ídolos, levando-nos a conhecer-Te, a Ti, Deus verdadeiro. Desse modo, conquistou-nos para Si como povo escolhido, sacerdócio real, nação santa (1 Ped 2, 9).

terça-feira, outubro 14, 2008

«Quem fez o exterior não fez também o interior?»

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Comentário ao Evangelho feito por Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão e doutor da Igreja Comentário sobre o Evangelho de S. Lucas, 7, 100-102

«Quem fez o exterior não fez também o interior?»

«Vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato.» Como vedes, os nossos corpos são aqui designados por nomes de objectos frágeis e feitos de barro, que se partem com uma simples queda. E os sentimentos íntimos da alma são designados por expressões e gestos do corpo, como aquilo que está no interior do copo pode ser visto do exterior. [...] Como vedes, não é o exterior deste copo e deste prato que nos suja, é o seu interior.

Como bom mestre que é, Jesus ensina-nos a limpar as manchas do corpo, dizendo: «Dai antes de esmola o que estará dentro e tudo para vós ficará limpo.» Vedes de quantos remédios dispomos? A misericórdia purifica-nos. A palavra de Deus também nos purifica, de acordo com o que está escrito: «Vós estais limpos, devido à palavra que vos tenho dirigido» (Jo 15, 3). [...]

É o ponto de partida de uma passagem muito bela: o Senhor convida-nos a procurar a simplicidade e condena a nossa ligação àquilo que é supérfluo e terra-a-terra. Devido à sua fragilidade, os fariseus são comparados – e com razão – ao copo e ao prato: observam pontos que não têm qualquer utilidade para nós, negligenciando aqueles onde se encontra o fruto da nossa esperança. Cometem, pois, uma grande falta, desdenhando o melhor. E, contudo, até a essa falta é prometido o perdão, desde que depois dela venha a misericórdia e a esmola.

segunda-feira, outubro 13, 2008

«São cegos a conduzir outros cegos»

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Comentário ao Evangelho feito por Santo Agostinho (345-430), bispo de Hipona (África do Norte) e doutor da Igreja - Sermões sobre São João, nº 34

«São cegos a conduzir outros cegos»

«Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará nas trevas» (Jo 8,12). De facto o Senhor ilumina aqueles que estão cegos. Nós, irmãos, somos iluminados, desde esta vida, pelo colírio da fé. O Senhor começou por misturar a sua saliva com terra para com ela ungir os olhos do cego de nascença (Jo 9,6). Também nós, filhos de Adão, somos cegos de nascença e precisamos que o Senhor nos ilumine. Ele mistura a sua saliva com terra: «E o Verbo fez-se homem, e veio habitar connosco» (Jo 1,14) [...].

Vê-lo-emos face a face. «Agora, diz o apóstolo Paulo, vemos como num espelho, de maneira confusa; depois, veremos face a face; agora, conheço de modo imperfeito; depois, conhecerei como sou conhecido» (1 Cor 13,12). São João também diz na sua epístola: «Caríssimos, agora já somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. O que sabemos é que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos tal como Ele é» (1 Jo 3,2). Eis a promessa que te é feita: se amas, segue-O, portanto.

Amo-O, dir-me-ás, mas por que caminho O seguir? [...] Perguntas pelo caminho que se deve tomar? Escuta o Salvador a dizer-te, logo: «Eu sou o Caminho». Onde vai dar este caminho? «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14,6) [...]. Não te é dito: esforça-te por procurar o caminho que conduz à verdade e à vida; não, não é isso que te é dito. Levanta-te, preguiçoso, o caminho em pessoa veio encontrar-te. Ele despertar-te-á do teu sono, se ouvires a sua voz a dizer-te: «Levanta-te e anda» (Mt 9,5).

quarta-feira, setembro 24, 2008

A Majestade Suprema proclamada pelos pequeninos

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Comentário ao Evangelho feito por S. João Crisóstomo (c. 345-407), bispo de Antioquia depois de Constantinopla, doutor da Igreja - 4ª homilia sobre a 1ª epístola aos Coríntios

«A tua majestade suprema é proclamada pela boca das crianças, dos pequeninos» (Sl 8,3)


A cruz conquistou os espíritos no meio de pregadores ignorantes, e isso no mundo inteiro. Não se tratava de questões banais, mas de Deus e da verdadeira fé, da vida segundo o Evangelho, e do julgamento futuro.

A cruz transformou, pois, em filósofos, pessoas simples e iletradas. Eis como: «a loucura de Deus é mais sábia que o homem, e a sua fraqueza, mais forte» (1 Co 1,25). Como é que é mais forte? Porque se propaga pelo mundo inteiro, porque submeteu os homens ao seu poder e resiste aos inumeráveis adversários que gostariam de ver desaparecer o nome do Crucificado. Pelo contrário, esse nome desabrochou e propagou-se; os seus inimigos pereceram, desapareceram; os vivos que combatiam um morto foram reduzidos à impotência...

Com efeito, o que publicanos e pecadores conseguiram vencer pela graça de Deus, os filósofos, os oradores, os reis, em breve, a terra inteira, em toda a sua extensão, não foi sequer capaz de o imaginar...

Era pensando nisso que o apóstolo Paulo dizia: «A fraqueza de Deus é mais forte que todos os homens». De outro modo, como teriam podido esses doze pecadores pobres e ignorantes imaginar uma tal empresa?

quinta-feira, setembro 11, 2008

Sede misericordiosos...

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Comentário ao Evangelho do dia feito por S. Máximo, o Confessor (c. 580-662), monge e teólogo Centúria 1 sobre o amor, Filocalia

"Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso"

Não te prendas às suspeitas nem às pessoas que te levam a escandalizares-te com certas coisas. Porque aqueles que, de uma forma ou de outra, se escandalizam com as coisas que lhes acontecem, quer as tenham querido quer não, ignoram o caminho da paz que, pelo amor, leva ao conhecimento de Deus os que dela se enamoram.

Não tem ainda o perfeito amor aquele que é ainda afectado pelo temperamento dos outros, que, por exemplo, ama uns e detesta outros ou que umas vezes ama e outras detesta a mesma pessoa pelas mesmas razões. O perfeito amor não despedaça a única e mesma natureza dos homens só porque eles têm temperamentos diferentes mas, tendo em consideração essa natureza, ama de igual forma todos os homens. Ama os virtuosos como amigos e os maus, embora sejam inimigos, fazendo-lhes bem, suportando-os com paciência, aceitando o que vem deles, não tomando em consideração a malícia, chegando mesmo a sofrer por eles se se oferecer uma ocasião. Assim, fará deles amigos, se tal for possível. Pelo menos, será fiel a si mesmo; mostra sempre os seus frutos a todos os homens, de igual modo. O Nosso Deus e Senhor Jesus Cristo, mostrando o amor que tem por nós, sofreu pela humanidade inteira e deu a esperança da ressurreição a todos de igual forma, embora cada um, com as suas obras, atraia sobre si a glória ou o castigo.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Cada qual segundo suas capacidades

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Comentário ao Evangelho feito por Orígenes (cerca 185-253), padre e teólogo. Catequeses sobre o livro do Génesis 1,7

«Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e levou-os só a eles a um monte elevado» (Mc 9,2):

S. Tiago, testemunha da luz Nem todos os que contemplam Cristo são igualmente iluminados por ele, mas cada um na medida que pode receber a luz. Os olhos do nosso corpo não são igualmente iluminados pelo sol; quanto mais subimos a lugares elevados, quanto mais alto contemplamos o nascer do sol, melhor nos apercebemos da luz e do calor.

Igualmente o nosso espírito, quanto mais subir e se elevar para perto de Cristo, mais próximo se lhe oferecerá a luz da sua claridade, mais magnificamente e mais brilhantemente será alumiado pela sua luz. O Senhor disse de si próprio pelo profeta: «Aproximai-vos de mim, e eu me aproximarei de vós» (Zac 1,3) ...

Portanto não vamos todos a ele do mesmo modo, mas cada qual «segundo as suas próprias capacidades» (Mt 25,15). Se é com as multidões que vamos a ele, ele alimenta-nos em parábolas para que não enfraqueçamos de privação no caminho. (Mc 8,3). Se permanecemos a seus pés sem cessar, preocupando-nos apenas em ouvir a sua palavra, sem nunca nos deixarmos perturbar pelos múltiplos cuidados das obrigações (Lc 10,38s) ...; sem dúvida alguma que aqueles que se aproximam assim dele recebem muito mais a sua luz. Mas se, como os apóstolos, sem nunca nos afastarmos, «permanecemos constantemente com ele em todas as suas provações» (Lc 22,28), então ele explica-nos em segredo o que disse às multidões, e é ainda com mais claridade que nos ilumina (Mt 13,11s).

Enfim, se ele acha alguém capaz de subir com ele à montanha, como Pedro, Tiago e João, esse não é iluminado somente pela luz de Cristo, mas pela voz do próprio Pai.

sexta-feira, agosto 15, 2008

"Exalta os humildes"

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Ticiano "Assunção da Virgem Maria"

Comentário ao Evangelho feito por S. Nicolau Cabasilas (c. 1320-1363), teólogo leigo grego Homilia sobre a Dormição da Mãe de Deus.

"Exalta os humildes"

Era preciso que a Virgem fosse associada a seu Filho em tudo o que respeita à nossa salvação. Tal como ela o fez partilhar a sua carne e o seu sangue..., assim ela tomou parte em todos os seus sofrimentos e em todas as suas dores... Foi ela quem primeiro se tornou conforme à morte do Salvador por uma morte semelhante à dele (Rm 6,5). Foi por isso que, antes de qualquer outro, ela participou da ressurreição. Com efeito, depois de o Filho ter quebrado a tirania do inferno, ela teve a felicidade de o ver ressuscitado e de receber a sua saudação e de o acompanhar tanto quanto pôde até à sua partida para o céu. Depois da ascensão, ela tomou o lugar que o Salvador tinha deixado livre entre os apóstolos e os outros discípulos... Não convinha isso a uma mãe, mais do que a qualquer outra pessoa?

Mas era preciso que aquela alma santíssima se separasse daquele corpo sacratíssimo. Deixou-o e uniu-se à alma de seu Filho, ela que era uma luz criada uniu-se à luz que não teve princípio. E o seu corpo, depois de ter ficado algum tempo debaixo da terra, também ele foi levado ao céu. Era preciso, com efeito, que ele passasse por todos os caminhos que o Salvador tinha percorrido, que resplandecesse para os vivos e para os mortos, que santificasse a natureza em todos os aspectos e que, em seguida, recebesse o lugar que lhe convinha. Por isso, o túmulo o abrigou durante algum tempo; depois, o céu acolheu aquela terra nova, aquele corpo espiritual, mais digno do que os anjos, mais santo do que os arcanjos. E o trono foi entregue ao rei, o paraiso à árvore da vida, o mundo à luz, a árvore ao seu fruto, a Mãe ao Filho; ela era perfeitamente digna pois que ela o tinha gerado.

Ó bem-aventurada! Quem encontrará as palavras capazes de exprimir os benefícios que recebeste do Senhor e os que prodigalizaste a toda a humanidade?... Só lá em cima podem resplandecer as tuas maravilhas, nesse "novo céu" e nessa "nova terra" (Ap 21,1), onde brilha o Sol da Justiça (Ma 3,20) que as trevam nem seguem nem precedem. O próprio Senhor proclama as tuas maravilhas, enquanto os anjos te aclamam.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Caminhos para entrar na vida eterna

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Comentário ao Evangelho feito por S. João Crisóstomo (cerca 345-407), bispo de Antioquia e de Constantinopla, doutor da Igreja

Sermão sobre o diabo tentador

Quereis que vos indique os caminhos da conversão? São numerosos, variados e diferentes, mas todos conduzem ao céu. O primeiro caminho da conversão é a condenação das nossas faltas. "Aviva a tua memória, entremos em juízo; fala para te justificares!" (Is 43,26). E é por isso que o profeta dizia: "Eu disse: «confessarei os meus erros ao Senhor» e Vós perdoastes a culpa do meu pecado" (Sl 31,5). Condena pois, tu próprio, as faltas que cometeste, e isso será suficiente para que o Senhor te atenda. Com efeito, aquele que condena as suas faltas, tem a vantagem de recear tornar a cair nelas...

Há um segundo caminho, não inferior ao referido, que é o de não guardar rancor aos nossos inimigos, de dominar a nossa cólera para perdoar as ofensas dos nossos companheiros, porque é assim que obteremos o perdão das que nós cometemos contra o Mestre; é a segunda maneira de obter a purificação das nossas faltas. "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós" (Mt 6,14).

Queres conhecer o terceiro caminho da conversão? É a oração fervorosa e perseverante que tu farás do fundo do coração... O quarto caminho, é a esmola; ela tem uma força considerável e indizível... Em seguida, a modéstia e a humildade não são meios inferiores para destruir os pecados pela raiz. Temos como prova disso o publicano que não podia proclamar as suas boas ações, mas que as substituiu todas pela oferta da sua humildade e entregou assim o pesado fardo das suas faltas (Lc 18,9s).

Acabamos de indicar cinco caminhos de conversão... Não fiques pois inativo, mas em cada dia utiliza todos estes caminhos. São caminhos fáceis e tu não podes usar a tua miséria como desculpa.