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sexta-feira, abril 29, 2016

Respostas a acusações levantadas recentemente contra Bispos da Resistência - IV

Por R. de Souza


Sobre Dom Williamson e recomendações polêmicas:



1- É verdade que os que apoiam Dom Williamson o defendem também em relação às recomendações que partem de seus gostos particulares por não admitirem qualquer erro por parte do Bispo?


R. Obviamente não. Todos reconhecem, como católicos, que qualquer ente humano é passível de erro, e que o Bispo não é exceção.


2- Que pensar de certas opiniões polêmicas de Dom Williamson, como a que tem sobre a obra de Valtorta, sobre as aparições de Akita e Garabandal, sobre a obra de Elliot, Wagner, etc.?


R. Discordamos de algumas, mas sempre respeitosamente, cientes de que não se trata de questão doutrinária, e que em nada comprometem todo o bom histórico do Bispo e o grande bem que ele já fez e continua a fazer por tantas almas católicas.


3- Que dizer daqueles que hoje atacam virulentamente essas recomendações do Bispo (bem como a sua pessoa em razão delas), principalmente a obra de Valtorta, mas que até o segundo semestre do ano passado somente discordavam comedidamente?


R. Depõem contra si mesmos. Estão a mostrar que suas posições em relação aos autores e obras indicados pelo Bispo variam conforme a postura que assumem em relação a este, e não pelo conteúdo em si e seu contexto. Ou seja, provam que estão a agir de má fé, com desonestidade contra um Príncipe da Igreja.
Será que se dirigiriam da mesma forma ao santo Padre Pio de Pietrelcina por ter recomendado a mesma obra em 1967 (mais de meia década depois de ter sido inclusa no ILP e no ano seguinte ao de sua extinção) à sua filha espiritual Elisa Lucchi? Ou ao Pe. Barrielle, diretor espiritual do seminário de Écone, o Padre “com coração de fogo”, segundo Dom Lefebvre, que muito o reverenciava e o tinha como confessor, e justo quem recomendou a este e ao próprio Dom Williamson a obra de Valtorta?


4- Mas não há acusações de blasfêmia contra a obra de Valtorta no artigo de Marian Horvat, também publicadas em alguns dos principais sites dos que recentemente se puseram a atacar o Bispo?


R. Estão refutadas, por exemplo, neste artigo: http://www.valtorta.org.au/refutation-of-horvat-valtorta-article.pdf, que demonstra haver trechos e costumes não analisados em seus devidos contextos, análises teológicas insatisfatórias, desconhecimento de passagens bíblicas, referências mal feitas, etc. A primeira (“criança concebida com o pecado original”) está refutada a partir da página 68; a segunda (“tendências homossexuais”), a partir da página 45; a terceira (insinuação de caso de amor), a partir da página 18; a quarta, na página 37 (“pecar para ser perdoado”); a quinta (sensualidade e tendência à bestialidade), a partir da página 32.
Vale ainda observar que não há acusações de blasfêmia no texto referente à inclusão no ILP nem nos comentários de Dom Lefebvre sobre a obra.


5- Que dizer então em relação à recomendação da obra de Valtorta, inclusive da leitura de capítulos selecionados para as crianças, pelo Bispo?


R. Discordamos, respeitosa e cordialmente (tal como fizeram os Dominicanos de Avrilée neste artigo em que tecem uma crítica lúcida: http://nonpossumus-vcr.blogspot.com.br/2016/01/que-pensar-de-maria-valtorta.html), e sem termos consultado a edição italiana recomendada pelo Bispo com as notas explicativas, por termos certa dificuldade em aceitar sua tréplica na qual afirma que o Santo Ofício, quando condenou a obra de Valtorta em 1959-1960, provavelmente já teria sido infiltrado pelos inimigos da Fé (sem deixar de reconhecer, porém, que tal possibilidade torna sua postura no mínimo escusável).


6- Que dizer da opinião de Dom Williamson sobre a validade das supostas aparições de Akita e Garabandal?


R. Pensamos ser prudente, ao menos por hora, rejeitar – ainda que não haja ali casos de heresia tão evidentes como em Merdjugorje –, por seus pontos polêmicos (alguns bem indicados por sites como o Avec L’Immaculée) e por não haver decisão magisterial.


7- Que dizer de recomendações como as das obras de Elliot e Wagner?


R. Está-se aqui no âmbito artístico, não, reiteramos, no doutrinal. Uma coisa, por exemplo, é recomendar a descrição de Elliot sobre o homem atual, como fez o Bispo; já outra seria aconselhar que alguém desse ouvidos às suas crendices (o que, aí sim, seria condenável, mas o Bispo recomenda prudentemente o contrário em seus Comentários Eleison 433). Da mesma forma, também não age mal quem recomenda sob o aspecto cultural a obra de Bach, que era protestante, ou a de Mozart, que era maçom, e de outros gênios da música envolvidos com heresias ou com o ocultismo; ou os livros de alguns dos mestres da literatura brasileira, como Guimarães Rosa (quando pertinente, com as devidas ressalvas), também ocultistas, etc. (a lista é interminável).


____________


Anexo:


Tradução da citação de Dom Lefebvre sobre Valtorta (original):
Nas bibliotecas de nossos conventos e seminários existem incontáveis escritores que têm tratado sobre Nosso Senhor. Poderíamos encher uma biblioteca inteira só com esses textos. Certamente, existem coisas muito boas, muito santas, e que foram aprovadas pela Igreja. A Imitação de Cristo, todos esses livros que tratam sobre a Sagrada Escritura, certos comentários e explicações a esta; de qualquer maneira, não nos faltam livros assim. Mas temos outros livros que não só são explicações ou comentários da Sagrada Escritura, mas que se apresentam também como certa revelação sobre Nosso Senhor Jesus Cristo. Temos, por exemplo, um livro que apareceu recentemente, e que tem se espalhado muito rapidamente e pode facilmente ser visto nas mãos de muitas pessoas: é o livro de Maria Valtorta. Certamente ouviram falar deste livro, quiçá algum dos senhores o leu, e que é enorme, creio que são 13 volumes sobre a vida de Nosso Senhor.
Que devemos pensar sobre ele? Realmente, é necessário ser muito cuidadoso, muito cuidadoso e não relacioná-lo imediatamente com a fé, já que essa pessoa, que se autodenomina inspirada, e que disse que viu todos os seus escritos em visões, e em particular, em todos os seus detalhes, em detalhes muito pequenos, inclusive nas coisas mais insignificantes. Os apóstolos são apresentados de forma muito detalhada, assim como as conversações entre os apóstolos e a Santíssima Virgem, entre Felipe e Tiago, no caráter de uns e outros, tudo é escrito com o mínimo detalhe. Admito que já li uma parte, pois o Padre Barrielle promoveu bastante esse livro de Maria Valtorta. Ele estava convencido de que era absolutamente correto, de que não podia ser falso, de que faria muito bem. Eu não diria que não faria bem entrar assim na companhia dos apóstolos e da Santíssima Virgem, contemplar a vida da Santíssima Virgem, contemplar a vida do Menino Jesus, vendo-o crescer. É verdade que pode chegar a nos colocar em uma atmosfera que nos faz viver mais com Nosso Senhor. Mas também há um perigo. O de que pode nos fazer descer um pouco, rebaixar a ideia que temos feito de Nosso Senhor plasmada nos Evangelhos. Quando lemos somente as Escrituras e os comentários sobre elas, permanecemos em um nível muito espiritual, precisamente porque os Evangelhos não entram nesses detalhes físicos e materiais, na casa de Nazaré e todos os seus detalhes, na arrumação da cozinha, a preparação dos alimentos, todos esses pequenos detalhes, os pequenos pássaros em suas gaiolas e tudo mais, são encantadores e cativantes. Mas talvez haja em tudo isso algo que faça com que Nosso Senhor desça quase ao nosso nível. Sem dúvida, é claro que o Bom Deus quis viver entre nós.
Ele não quis viver como um anjo, não foi como Rafael, que acompanhou Tobias e lhe disse: “em verdade creste que eu comia e bebia, mas não comia nem bebia, porque me sustentava com outro alimento. Sou um dos entes que têm entrada ante a divina majestade!”. Tobias estava no chão, temeroso! E parecia que comia, mas não o fazia; poderíamos dizer o mesmo de Nosso Senhor?  Não o creio! Nosso Senhor verdadeiramente quis viver como um de nós; quando Nosso Senhor comia, Ele realmente o fazia. Não teve um corpo aparente, teve um Corpo Verdadeiro, como o nosso. Ele sofreu em Seu Corpo, Seu Sangue foi derramado.
Portanto, existe um pequeno perigo em deixar que se materialize demasiadamente a vida de Nosso Senhor. Inclusive li algo da obra de Maria Valtorta, e afirmo-lhes que deparei com uma passagem que não gostei muito: a conversa de Maria Madalena com a Santíssima Virgem ao pé da Cruz. Realmente não creio que Santa Maria Madalena tenha dito coisas como aquelas à Santíssima Virgem Maria. Foi quase uma grosseira. Maria Madalena dizendo à Santíssima Virgem Maria: “Tu, tu és pura; e eu, tudo o que conheci em minha vida eu transformei em algo impuro. Eu sou deste jeito, enquanto tu és assim”. Isto me impactou, falar à Santíssima Virgem deste modo. Por que recordar seus adultérios, sua vida dissoluta, e de uma maneira quase grosseira? Não creio que seja possível que Santa Maria Madalena tenha se dirigido dessa maneira à Santíssima Virgem ao pé da Cruz. Não é possível.
Assim, não sei, mas admito pôr um sinal de interrogação em suas revelações. Digo-lhes isto porque creio que não são importantes. É necessário manter-se no nível do conhecimento de Nosso Senhor, no conhecimento do Evangelho, no nível do Evangelho, e não descer as coisas...
Existem outros livros: sobre Catarina Emmerich, Maria de Agreda. Penso que têm coisas muito belas, e quiçá mais aprovadas que as de Maria Valtorta. Podem fazer muito bem, sem dúvida. No entanto, penso que não nos devemos dar a essas coisas uma equivalência ao Evangelho. Penso que temos muitos livros de santos que têm escrito sobre suas vidas com Nosso Senhor e tudo o que Ele os inspirou. Creio que me estou estendendo um pouco, mas leiamos esses livros que são muito edificantes... Nunca substituamos a Sagrada Escritura, consequentemente, devemos ter em grande estima as palavras do Evangelho, e tratar de descobrir nele, em profundidade, o Bom Deus.


quinta-feira, abril 28, 2016

Outro aviso aos fieis sobre o Pe. Pfeiffer

Por Non Possumus
Traduzido por Andrea Patrícia




Estes fatos são dados a conhecer porque o Pe. Pfeiffer dedica-se habitualmente a denegrir Dom Williamson, acusando-o, entre outras coisas, de proteger um sacerdote pedófilo. Desconhecemos os detalhes do caso, mas confiamos que o Bispo crê no arrependimento e na emenda desse sacerdote, e que sua atitude em relação a este se funda na verdadeira caridade.

"Aquele que estiver livre de pecado que atire a primeira pedra"

O Pe. Pfeiffer tem direito a lançar a primeira pedra? O que ocorre nesse sentido com o Padre Pfeiffer, feroz acusador e implacável lapidador de Dom Williamson?

Num sermão dado em 13 de março deste ano (chamado curiosamente de "Malícia Eclesiástica"), o Pe. Pfeiffer afirma o seguinte: 

"Na Filadélfia também tomaram nossa capela, por isso as pessoas agora vão à Missa do Padre N. Ele é amigo nosso. É uma longa viagem de carro, mas ele está cuidando dessas pessoas".

Mas acontece que o "Padre N" é um pedófilo condenado em processo canônico e em processo criminal de foro civil!!!

Com efeito, a diocese "X" emitiu um comunicado dizendo:

“Informa-se aos fieis que ‘N’, antigo sacerdote da Diocese ‘X’ foi removido do estado clerical e restabelecido no estado leigo pelo Santo padre, o Papa Francisco, (data)... Em (data), o Bispo ‘Y’ retirou a ‘N’ seu ministério público quando a Diocese de ‘X’ se deu conta de que havia sido preso por posse de pornografia infantil, pelo qual ‘N’ foi sentenciado a dois anos de liberdade condicional... O senhor ‘N’ tem suas funções como sacerdote proibidas na Igreja Católica e não deve-se apresentar como tal”.

            Outra diocese:

“As indicações mais recentes são que ‘N’ está servindo na Capela ‘X’. Esta capela não está afiliada de nenhum modo à Diocese ou à Igreja Católica. Já que o senhor ‘N’ foi removido do estado clerical, tem proibidas as suas funções como sacerdote na Igreja Católica e não deve-se apresentar como sacerdote. Sua celebração dos sacramentos seria gravemente ilícita, e no caso de matrimônio e de absolvição sacramental, normalmente inválido.

           O testemunho de um fiel do Pe. Pfeiffer:

“Este ‘N’ veio a Boston na primavera passada. Não somente os seminaristas estavam sujeitos a ele sem nenhuma advertência sobre sua verdadeira identidade, senão que um dos seminaristas, muito familiarizado com esse caso, alertou ao Pe. Pfeiffer sobre ele. Foi ignorado solenemente, do mesmo modo que o protesto público universal sobre Ambrose foi rotundamente ignorado.

Um advogado, fiel tradicionalista, defendeu o "padre N" das acusações. Somente para depois se retratar publicamente com estas palavras (extrato):

            “Retratação de minha defesa do ‘P. N’, à qual ofereço como uma desculpa pública.
“Quando ele me disse que era inocente de baixar intencionalmente pornografia infantil e não podia-se defender destas acusações sem comprometer o segredo de confissão, fiz um esforço para encontrar evidências a fim de questionar a verdade das acusações contra ele.

“Durante os últimos dois anos, mas particularmente durante os últimos seis meses, cheguei a conhecer o ‘P. N’ muito melhor. Admito ter cometido um sério erros de julgamento sobre seu caráter. Ele foi surpreendido repetidamente em atos de engano, detração e calúnia por várias testemunhas. A evidência de suas falhas morais habituais e obstinadas foram expostas diante de um conselho, que advertiu que ele deveria ser removido imediatamente. Também foi exposta diante de um sacerdote ancião, um advogado canonista que, depois de uma ampla investigação disse que eu tinha a obrigação de removê-lo, assim como uma responsabilidade moral de fazer uma reparação por haver traído a nossa missão.

“Já não posso justificar a hipótese da inocência do ‘P. N’ a respeito de sua condenação criminal. Ele enganou-me e continua enganando a muitos outros, passando-se por homem virtuoso, mas a verdade sempre vem à tona no fim das contas. É com pesar, mas por obrigação moral, que por este meio formalmente eu me retrato de qualquer coisa que disse ou escrevi em sua defesa. Desculpo-me com qualquer um que possa, baseado em minha defesa, presumir que foi injustamente perseguido pelas autoridades judiciais e pelos oficiais diocesanos. Seu registro público é o de um criminoso condenado pelas acusações relacionadas à pornografia infantil, e advirto a todos os que confiam a ele suas famílias e a si mesmos que tenham isto em mente”.

Carta assinada.

Como se isto fosse pouco o "padre" N foi ordenado no Novus Ordo, e antes de entrar no seminário, dedicava-se à moda...

quinta-feira, abril 21, 2016

Dos Bons e Maus Frutos na Resistência

Por Frei Maseo
Traduzido por Andrea Patrícia

Orgulho farisaico

"Vós não sabeis de que espírito sois" (Lucas 9, 55).


Os últimos meses têm-nos feito testemunhas de uma série ininterrupta e crescente de ataques aos Bispos em particular, e à Resistência Católica em geral, por parte de certos sacerdotes e seus acólitos que, havendo se empoleirado sobre imaginários pedestais, desde dentro mesmo da Resistência estão minando a boa obra que continua a resistência deixada por Mons. Lefebvre na FSSPX. Pelo que temos visto, por tudo que se refere às ações do Pe. Pfeiffer nos Estados Unidos em recentes artigos e informes, e também de outros de seus colegas e cúmplices em outros pontos de nosso continente, a ação diabólica está sendo levada a cabo de maneira furiosa e constante a fim de dividir e corromper a Resistência, assim como o fermento farisaico que corrompe a massa e sobre a qual nos advertiu Nosso Senhor. Esse fermento atuou silenciosamente por certo tempo, mas agora as consequências de sua podridão são estridentes. "As inimizades, as contendas, as rivalidades, as iras, as rixas, as discórdias, a inveja", são alguns dos frutos da carne que menciona São Paulo em Gálatas 4, 20-21, e que vemos agora amadurecer em diversas árvores que apresentam a si mesmas como irrepreensíveis campeões da fé. A estas obras da carne podem acrescentar-se os frutos venenosos do desprezo pela autoridade, a difamação, a mentira, a calúnia, os falsos raciocínios, os juízos temerários, as ameaças, a destruição parcial de uma capela, a publicação constante de correspondência privada, os escândalos... Tudo em nome da fé pura e incontaminada, sob o estandarte de um Cristo que desconhecem e de um Monsenhor Lefebvre que citam, mas que não imitam.

Qual é o espírito que sopra e empurra sobre esses revolucionários que enganam aos incautos e matam com sua língua os fieis que não se submetem a eles, tudo sob a armadura combatente da Tradição Católica? Quiçá em alguns possa ter existido no início longínquo nobreza de intenções, mas cremos ver na atual e penosa degradação de certos sacerdotes o espírito de Judas, de Caifás, de Pilatos. O drama da traição, o circo vociferante da multidão confusa e desordenada, e a lapidação impiedosa voltam a se repetir. Somente a paz de Cristo pode ajudar-nos a permanecer alheios aos uivos ferinos para assim poder discernir claramente a quem nós enfrentamos. Insensatos e orgulhosos abriram a "caixa de Pandora" das paixões mais vergonhosas, pois envolvem o orgulho homicida.

É necessário alertar e identificar o tipo de espírito com que somos tentados e que está operando em sacerdotes e leigos que, uma vez fieis, começaram a desviar-se da boa senda, até chegar a perverter sua própria vocação e converter-se hoje em acusadores permanentes e perseguidores de cristãos. Cremos que a ajuda do Padre Juan Bautista Scaramelli e seu "Discernimentos dos espíritos", clássico da teologia espiritual e livro de consulta obrigatório dos bons diretores espirituais, nos dará uma satisfatória resposta para entender que tipo de espírito se intrometeu em nossos postos de combate, para tentar desconcertar e destruir a obra de Deus na Resistência Católica.
Disse nosso autor, seguindo os ensinamentos de São Bernardo: O espírito do mundo é uma propensão interna à ambição, às honras, à gloria, aos postos, às dignidades, à propriedade e às riquezas. Depois de haver dito o melífluo Doutor que quando nos sentimos incitados ao prazer, à honra e à riqueza, o demônio opera em nós por meio destes seus pérfidos companheiros: carne e mundo, acrescenta que quando depois nos sentimos movidos à ira, à impaciência, à inveja, às inquietudes, às desconfianças, à revolução e à amargura de ânimo para com os próximos, que parecem nos ofender, opera então o maligno por si só.

O espírito humano, por outro lado, é uma inclinação imperfeita à natureza debilitada da culpa original, a qual reina também nas pessoas que aborrecem ao demônio, ao mundo e à carne, e professam virtude e devoção. Agora, deste espírito defeituoso, disse o citado autor [Kempis] que se busca sempre a si mesmo, e a si mesmo tem sempre por fim suas obras, porque pouco se importa com a vontade, o agrado e a glória de Deus, e somente se inclina à própria comodidade, à própria satisfação, à própria utilidade e à própria estima.

Buscam a própria estima, ou seja, a reputação. Assim, há pregadores que anunciam a palavra de Deus para ensinamento das pessoas, mas desejam, juntamente com a saúde dos outros, seu próprio aplauso, como se reconhece em seus sermões, compostos, mais com arte de ganhar crédito para si do que para ganhar almas para Deus. (...) e geralmente falando, podemos dizer que este amor à própria estima é um verme que corrói quase todas as boas obras das pessoas espirituais imperfeitas.

Há um ativismo insensato quiçá nascido do bom zelo apostólico, mas que por sua mesma inércia e em detrimento da vida contemplativa e da oração, conseguiu desordenar e inverter a ordem de prioridades, levando os homens de labor apostólico a pensar que eram mais importantes suas ações que suas orações, ou quiçá tirando de suas ações o apoio de suas orações, e eles terminaram enredados numa vida pouco religiosa ou distante da união com Deus, apesar de sua Missa diária. O exterior tomou corpo e voltou sua vontade defeituosa, por misturar o amor próprio com o amor divino. Daí que as pessoas dominadas por este espírito imperfeito detestam a mortificação, como a morte, porque a natureza dominante não quer ser reprimida, abatida e sujeitada. (Scaramelli, ob. cit.). Deriva-se daí o afã de independência, o orgulho que não mede a crítica nem respeita investiduras, pois se perde toda a ideia de hierarquia e a necessidade evidente de reconhecer-se sob os Superiores.

Como acontece esta queda nas almas? Imperceptivelmente e gradualmente, quiçá para quase todos, particularmente se deve a uma falta de oração e vigilância ("orai e vigiai", disse-nos Nosso Senhor) e também por falta de diretores espirituais capazes de distinguir essas coisas nas almas de seus dirigidos. Muito mais quando sacerdotes solitários tornam-se anárquicos, seus fieis reverenciam-no em excesso, e pensam que não devem prestar contas a superiores que poderiam ser seus pais espirituais na pequena grande família que a Resistência deveria ser. Alguns sacerdotes já vinham incubando esse mau espírito de orgulho farisaico, inclusive dentro mesmo da FSSPX, e o surgimento da Resistência abriu-lhes as portas para uma saída "heroica" ou "decorosa". Mas hoje já não podem continuar dissimulando, e o mau espírito que os move explode uma vez mais, neste caso com argumentos falaciosos, irreais, fantasiosos e passionais.

Também cremos ver na ignorância e nos erros dessa gente a semente evangélica que não vingou: Quem ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o mau espírito e lhe arranca o que se havia semeado em seu coração; este é aquele que recebeu a semente à beira do caminho (Mateus 13,19). Semeados à beira do caminho, porque esses pseudoprofetas da “super-Resistência” se desviaram da boa senda que indicara Mons. Lefebvre, sobretudo com seu exemplo. Apartaram-se da senda de terra que é a humildade, e então a semente nunca pode morrer para nutrir seus corações da vida mesma de Deus. E é palavra não compreendida pela explicação que dá Mons. Straubinger: Não há desculpa por não compreendê-la, porque o Pai a revela aos pequeninos mais ainda que aos sábios (Mateus 11,25). O que não entende as palavras de Jesus, disse São João Crisóstomo, é porque não as ama, mas, como, estas pessoas não proclamam a cada instante amar a palavra de Deus e ser suas grandes defensoras? Precisamente neste alarde ostentoso e seu afã de impor-se com prepotência, demonstram que não a amam, porque quem a ama a compreende, e quem a compreende faz-se pequeno, humilde, simples e caridoso, e não orgulhoso, inquieto, tormentoso e falso. O orgulho farisaico eleva-se pelo desdém com relação ao próximo: “Nós não somos como eles...". E uma vez elevado, não percebe que assim expõe melhor ao público o seu ridículo. E aquele que não tem o mesmo espírito que ele, é inimigo ou suspeito.

Nosso Senhor já nos advertiu contra os falsos profetas, os lobos vestidos de ovelhas. Santo Agostinho aborda este tema em relação com os bons ou maus frutos da árvore em seu livro "O Sermão da Montanha", do qual reproduzimos algumas passagens que se deve ter em conta para elucidar melhor, sem paixões, este delicado tema:

“78. Devemo-nos precaver, sobretudo, daqueles que prometem a sabedoria e o reconhecimento da verdade que não têm, como são os hereges, os quais se recomendam a si mesmos por seu escasso número. E por esta razão o Senhor, depois de haver dito que são poucos aqueles que encontram a porta estreita e o caminho estreito, a fim de que não se introduzam com o pretexto de ser um número reduzido, rapidamente acrescenta: cuidado com os falsos profetas que vêm disfarçados com peles de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. Mas estes não enganam ao olho simples, que sabe distinguir a árvore por seus frutos; assim disse: Por seus frutos os conhecereis. Em seguida acrescenta algumas analogias: Acaso se colhem uvas dos espinhos ou figos das sarças? Assim que toda árvore boa produz bons frutos e toda árvore má dá frutos maus. uma árvore boa não pode dar frutos maus, e uma árvore má dar bons frutos. Toda árvore que não dá bom fruto será cortada e lançada ao fogo. Por seus frutos, pois, os conhecereis.

Quais são os frutos de más e boas obras.

81. O apóstolo ensina quais são os frutos pelos quais reconhecemos a árvore má: São bem conhecidas as obras da carne: fornicações, desonestidades, luxúrias, idolatrias, feitiçarias, inimizades, litígios, ciúme, ira, rixas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, embriaguez, glutonaria e coisas semelhantes; sobre as quais os previno, como já tenho dito, que os que tais coisas fazem não alcançarão o reino de Deus. E em seguida ensina quais são os frutos pelos quais podemos reconhecer a árvore boa: Ao contrário, os frutos do Espírito são: caridade, regozijo, paz, paciência, magnanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, continência".

(Santo Agostinho, "O Sermão da Montanha", L. II, Cap. XXIV)

Temos aqui o critério para discernir muitas árvores que de boas tornaram-se más (pois Santo Agostinho fala de árvores referindo-se a vontades e não a naturezas): "O Apóstolo ensina quais são os frutos, pelos quais uma vez reconhecidos, reconhecemos a árvore má: São bem conhecidas as obras da carne: fornicações, desonestidades, luxúrias, idolatrias, feitiçarias, inimizades, litígios, ciúme, ira, rixas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, embriaguez, glutonaria e coisas semelhantes; sobre as quais os previno, como já tenho dito, que os que tais coisas fazem não alcançarão o reino de Deus."

Não é necessário que se deem todos estes frutos, mas distinguindo alguns podemos discernir diante de que tipo de árvore nos encontramos; as provas estão diante dos olhos de quem possa ver com olhar simples, sem perturbações produzidas pelas paixões desenfreadas, nem ao calor do fogo das disputas pessoais, nem de uma fé corrompida e deformada. Os revoltosos que tentam  destruir a Resistência, digamos uma vez mais, oferecem de sua seita hortifrúti desonestidades, idolatrias, inimizades, litígios, ciúme, ira, rixas, dissensões, invejas, etc. Se a árvore é boa, podemos reconhecer estes frutos: caridade, regozijo, paz, paciência, magnanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, continência."

Finalmente trazemos e destacamos umas palavras de São Pedro de total atualidade, para reconhecer o que ocorre com os agitadores do diabo que tentam destruir a Resistência: Mas houve também falsos profetas no povo, assim como entre vós haverá falsos doutores que introduzirão furtivamente sectarismos perniciosos, e chegando a renegar Nosso Senhor que nos resgatou, atrairão sobre eles uma ruína repentina. Muitos os seguirão em suas dissoluções, e por causa deles o caminho da verdade será caluniado. por avareza farão tráfico de vós, valendo-se de razões inventadas: eles, cuja condenação há muito tempo os ameaça e cuja ruína não dorme (II Pedro, 2, 1-3). Como disse o Eclesiastes: Não há nada de novo debaixo do sol.

Original em Syllabus


terça-feira, abril 19, 2016

Vitórias no México?

Traduzido do espanhol por R. de Souza



        Os separatistas, que acusam de hereges os três Bispos da Resistência e que seguem o Pe. Cardozo em seus erros, publicaram ontem um artigo triunfalista sobre a passagem deste sacerdote pelas missões do México. Mas, o que há de verdadeiro em relação a essas “vitórias”? Será verdade que o Pe. Cardozo logrou uma vitória na Resistência do México, conseguindo arrebanhar os fieis da Resistência, separando-os dos três Bispos e do Pe. Trincado? Responde o Pe. Trincado:
Essa foi a intenção do Pe. Cardozo, mas fracassou rotundamente. Quis que todos os fieis da Resistência se unissem à revolta contra os nossos três Bispos, mas obteve poucos resultados. Nas cinco missões que desde 2013 estão sob meu encargo no México, há uns 130 fieis (sem contar as crianças). Destes 130, uns 40, no máximo, se uniram à revolta do Pe. Cardozo. Nas fotos do artigo que você indica, aparecem alguns fieis de Chihuahua. Pois bem, nessas fotografias há menos de 20 paroquianos, mas essa missão tem mais de 50. Ademais, posso dizer-lhe que, nos últimos dias, duas famílias (de outras missões) que se haviam deixado persuadir pelos argumentos do Pe. Cardozo, voltaram a assistir a missa comigo. Nas missões de Saltillo e de Monterrey os fieis nem sequer quiseram receber o Pe. Cardozo, mesmo tendo eu autorizado expressamente que todos os fieis de todas as missões assistissem às missas e reuniões que faria o Padre, na intenção de que os fieis tentassem fazê-lo reconsiderar sua postura.
        “Em síntese, graças a Deus, a grande maioria do total dos fieis das cinco missões da Resistência de Chihuahua que estão sob meu encargo se mantêm unidos aos três Bispos e ao resto da Resistência do mundo (mais ou menos 50 sacerdotes). Os fieis que lamentavelmente optaram por se separar ficarão sem sacramentos até que, segundo o que se pretende, venham os Padres Pfeiffer ou Hewko dos EUA, ou o Pe. Altamira da Colômbia. Estes três sacerdotes mais os Padres Ribas e Jacqmin são os únicos que nos meses recentes decidiram romper os vínculos com nossos três Bispos e com o resto da Resistência, alegando motivos supostamente doutrinais.
        “A verdade é que os separatistas têm feito uma tempestade em copo d’água a partir de uma resposta infeliz que deu Dom Williamson a uma pessoa em uma conferência nos EUA em junho do ano passado. Esse rompimento carece de causa justa e proporcional. Diferentemente do que ocorreu em 2012, essa nova separação seguramente não vem de Deus”.








terça-feira, abril 12, 2016

Sobre uma mentira reiterada

Traduzido por Andrea Patricia



"A mentira só é um vício quando faz mal; quando faz bem é uma grande virtude. Sejam então mais virtuosos do que nunca. É necessário mentir como um demônio, sem timidez, não pelo momento, senão intrepidamente, para sempre" (Voltaire).

Os inimigos da Resistência têm dito frequentemente esta mentira, que como vem sendo repetida uma e outra vez, pode ser eficaz e vir a enganar a alguns incautos:

"Todos sabem que Dom Fellay quer fazer um acordo com Roma. 
E os Bispos da falsa 'Resistência'? 
Dom Williamson disse que 'pegaria o primeiro avião para Roma'. 
Dom Faure disse que iria a Roma com Dom. Williamson. 
Dom Tomás também disse que iria a Roma. 
E então? 
Então os quatro querem o mesmo! Os quatro estão dispostos a ir a Roma". 
Os Bispos da falsa 'Resistência' querem nos levar, ainda que por caminhos diferentes,  ao mesmo ponto que Dom Fellay: ao acordo com Roma. 
Todos são liberais! Todos são traidores!".

I. DOM WILLIAMSON.

A citação foi extraída de uma conferência dada por ele em Post Falls, Idaho, EUA, em junho de 2014. O Bispo pergunta: “Eu posso exercer autoridade?” E responde:

“...Nos tempos de Dom Lefebvre, os sacerdotes pertenciam à Fraternidade do Arcebispo, sua própria Fraternidade. Não era minha a Fraternidade, eu não a fundei, nunca fui superior; salvo no Seminário, nunca fui o Superior.
“No que diz respeito a mim, minha relação com os sacerdotes [da Resistência] é mais ou menos como a relação do Arcebispo com os sacerdotes que não pertenciam à Fraternidade: amizade, contatos, conselho, apoio, confirmar suas crianças (isso é o que eu estou fazendo aqui), mas nada mais que isso. Eu não tenho autoridade. Eu não tenho autoridade. Tenho as Ordens que o Arcebispo me deu, mas as Ordens não são o mesmo que Jurisdição.
“Quando o Arcebispo consagrou os quatro bispos em 1988, disse num sermão ‘não estou dando jurisdição a estes quatro, somente estou lhes dando as Ordens’, que é a Consagração. Se quisesse ter-nos dado jurisdição, estaria criando outra Igreja, teria-se autonomeado Papa. O Arcebispo estava muito consciente do limite de sua autoridade. O que fez foi heroico, mas era muito limitado, pelo fato de não ter sido autorizado pelo Papa.
“Agora, o Arcebispo tinha certa medida de autoridade sobre os sacerdotes de sua própria Fraternidade. Mas eu não fundei nenhuma Fraternidade; se fundasse uma sem a permissão de Roma, estaria fazendo algo por minha conta. Eu não tenho autoridade. Eu não posso ter autoridade. Amizade, contatos, conselho, apoio: não há problema. Autoridade: há problema. É um problema que vem do Papa, eu não posso fazer nada. Na realidade da situação atual, vamos da teoria para a realidade. Na realidade, podem imaginar que mandar nos padres Resistentes é como reunir gatos [brincando]. Podem imaginar isso? É imaginável? Em tal caso, vale a pena tentar, ou se está destinado ao fracasso? Seria melhor não tentar do que tentar e fracassar. Alguns de vocês podem pensar que seria melhor tentar, porque poderia haver êxito. Eu não tenho a autoridade.
“Se...se...se...por algum milagre, o Papa Francisco me chamasse na próxima semana e dissesse: – ‘Excelência, o senhor e eu tivemos nossas divergências, mas neste momento eu o autorizo a fundar uma Fraternidade. Siga em frente, pelo bem da Igreja’. – ‘Santo padre, posso ter isso por escrito? Importa-se de ir a Roma e obter sua assinatura?’
– ‘Sim, claro’. ‘Muito bem, então pegarei o próximo avião para Roma. Estarei no próximo avião para Roma!’
Mas sem isso, somos um bote sem remos. E essa não é a solução. Então, no  que chamamos de movimento da Resistência, terão um problema de autoridade. Acostumem-se à ideia. Mas pensem  também que a autoridade é secundária comparada a Fé. E pensem que no movimento da resistência em seu conjunto, o movimento da Resistência foi criado para a Fé. Pela Fé. Foi criada pela Fé”.

O Bispo não disse que iria a Roma para fazer um acordo. Ninguém que tenha um mínimo de honestidade intelectual pode afirmar que as palavras citadas podem deduzir que Dom Williamson deseja um acordo com Roma. O que ele diz é que carece de jurisdição ordinária, o que é absolutamente verdadeiro, e que por isso não vai fundar nenhuma nova Fraternidade para organizar a Resistência. Acrescenta que fundaria uma nova Fraternidade se "por um milagre" contasse com a permissão de Roma. Não esqueçamos que Dom Lefebvre fundou a FSSPX com todas as autorizações da hierarquia liberal.

Pode-se objetar ao Bispo que para fundar uma congregação não necessita de jurisdição ordinária porque lhe basta a jurisdição de suplência, mas pretender que essas suas palavras o transformam num liberal e traidor que trama um acordo com Roma, é claramente uma mentira.

II. DOM FAURE.

         a) Lê-se na entrevista concedida pelo então Pe. Faure em 18 de março de 2015:

“(...) – Quais, em sua opinião, devem ser as condições requeridas para fazer um acordo com Roma?”

– “Dom Lefebvre nos disse que enquanto não haja uma mudança radical em Roma, um acordo é impossível, porque essas pessoas não são leais, e não se pode querer transformar os superiores. É o gato que come o rato, e não o rato que come o gato. Um acordo equivaleria a entregar-se nas mãos dos modernistas, e por conseguinte, se deve ser rejeitado absolutamente. É impossível. Há de se esperar que Deus intervenha.”

– “Pode dizer-nos o que pensa das visitas de avaliação de diversos prelados modernistas aos Seminários da Fraternidade? É verdade que alguma vez Dom Lefebvre recebeu alguns prelados. Qual a diferença agora?”

– “Se tratava de visitas excepcionais, nas quais o Cardeal Gagnon nunca teve a possibilidade de defender o concílio; enquanto que agora se trata dos primeiros passos para a reintegração (da FSSPX) na igreja conciliar.”
– “Qual a sua opinião sobre um eventual reconhecimento unilateral da FSSPX por parte de Roma?”

– “É uma armadilha.”

– “Entre o  capítulo de 2006 e a crise iniciada em 2012 observa-se uma mudança de atitude das autoridades da FSSPX com respeito a Roma. A que se deve essa mudança?”

– “À decisão dos superiores de reintegrarem-se à igreja conciliar. Desde 1994 ou 1995 realizaram-se os contatos do GREC, que foram passos significativos até a reconciliação, como havia previsto o embaixador Pérol (representante da França na Itália), que é o inventor do “levantamento das excomunhões” (2009) e do Motu Próprio (2007). Isto deveria ter como contrapartida o reconhecimento do Concílio.”

– “Que faria Dom Lefebvre na situação    atual?”

– “Seguiria na linha que nos indicou depois das consagrações, descartando totalmente a eventualidade de um acordo.”

– “Se no futuro o senhor fosse convidado para ir a Roma conversar com o Papa, iria? O que lhe diria?”

– “Em primeiro lugar, consultaria a todos os nossos amigos da Resistência. Iria com Dom Williamson e outros excelentes sacerdotes que levam o combate da Resistência com muito valor. E manteria informados todos os nossos amigos com toda a transparência.”(...).

É evidente que o então Padre Faure descarta absolutamente ir a Roma para negociar um acordo com os modernistas. Está claríssimo que descarta totalmente a possibilidade de um acordo com a Roma liberal.
Na última pergunta citada, diz que iria a Roma se fosse convidado pelo Papa, porque é óbvio que um Bispo católico deseje ouvir o que um Vigário de Cristo, por indigno que seja de tal investidura, queira dizer a ele; e é igualmente óbvio que um Bispo antiliberal não queira perder uma oportunidade que se apresente para fazer uma correção fraterna a um Papa liberal.

        
b) Na entrevista a Dom Faure feita uma semana depois (em 25 de março de 2015), lemos o seguinte:

– “Excelência, pode-nos dizer algumas palavras sobre a assinatura do protocolo de 1988? O senhor estava com Dom Lefebvre naqueles dias?”

– “...Penso que quando Dom Lefebvre assinou esse documento estava em um momento – muito passageiro – de debilidade, como foi o caso de Santa Joana D´Arc, e, igual a ela, ele escreveu, depois da ‘pior noite de sua vida’ uma carta de retratação ao representante do Vaticano, mediante a qual estava anulado o protocolo. Dom Fellay não se pode valer desse momento de debilidade retratada para dizer que está imitando a conduta de Dom Lefebvre. ‘Eu fui longe demais’, diria depois Dom Lefebvre, referindo-se à assinatura do protocolo. Sobre a diplomacia e sobre seus interlocutores romanos, Dom Lefebvre não tinha nenhuma ilusão, como fica demonstrado em muitas de suas declarações e na determinação diplomática que aparece claramente em sua declaração fundamental de 1974 sobre as duas Romas: a eterna e a modernista, ou as duas igrejas: a católica e a conciliar. E Dom Fellay, na medida em que confunde a Roma atual oficial, modernista, com a Roma eterna; torna-se infiel à Roma eterna, mestra da verdade. Confunde igreja conciliar – da qual Dom Lefebvre tanto falou – e Igreja Católica. Para Dom Fellay não há mais que uma só igreja e uma só Roma: isto é a antítese da postura de Dom Lefebvre...”

...– “Sigamos com o tema do Papa. Na entrevista anterior, perguntamos ao Padre Faure o que faria se fosse convidado ao Vaticano pelo Papa Francisco. Agora perguntamos a Dom Faure: o que diria a Francisco?”

– “Antes de tudo, digo que tal entrevista é praticamente impossível, já que uma condição sine qua non seria a presença de Dom Williamson e de outros sacerdotes nossos, sendo excluído absolutamente qualquer tipo de ‘negociação’ com vistas a um acordo de qualquer  tipo que seja enquanto, como dizia Dom Lefebvre, não exista uma conversão radical de Roma, aceitando, de fato e de direito, todas as encíclicas anteriores ao Vaticano II, assim como as condenações ao liberalismo e ao modernismo que elas contém...
“Eu diria ao Papa: a qual igreja o senhor pertence, a Igreja Católica ou uma falsificação da Igreja? Sua função é confirmar na fé seus irmãos. Lembraria a ele estas palavras de São Paulo: ‘vossa autoridade é para edificar, não para destruir’ (2 Cor 13, 10); para edificar e não para destruir nem diminuir a fé e a moral dos católicos. Diria a ele isto também, citando Dom Lefebvre: ‘O senhor está de acordo com todas as encíclicas anteriores a João XXIII e com todos estes Papas e com seus ensinamentos? Aceita o juramento antimodernista? Está a favor do Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo? Se não aceita a doutrina de seus predecessores, é inútil falar com o senhor’. É porque somos fieis à Roma eterna que nos vemos obrigados  a nos separar da Roma modernista e liberal, atual e oficial. Não é porque Menzigen esteja se deixando seduzir, que um Dom Williamson ou eu cairíamos na mesma armadilha...”.

Claríssimo! Assim, onde está dizendo que Dom Faure iria a Roma para fazer um acordo? Em lugar nenhum.


III. DOM TOMÁS DE AQUINO OSB.

Lemos na entrevista de 6 de março de 2016:

– “No ano passado perguntamos a Dom Faure que faria se fosse convidado ao Vaticano pelo Papa Francisco. Agora fazemos ao senhor a mesma pergunta. Iria? E o que diria a Francisco?”

– “Ir a Roma? Só se fosse para perguntar às autoridades romanas se aceitam Quanta Cura, Syllabus, Pascendi, etc., mas creio que por agora a resposta já foi dada e é negativa”.

Dom Tomás, então, iria a Roma somente para fazer uma correção fraterna a Francisco, não para tentar negociar algum acordo.


CONCLUSÃO:

Mentem. Mentem descaradamente os inimigos da Resistência que colocam em pé de igualdade um traidor acordista e liberal como Dom Fellay e os três Bispos antiliberais da Resistência, a quem os hereges romanos consideram excomungados por causa das sagrações episcopais "ilícitas" nas quais tomaram parte, e que rejeitam totalmente toda possibilidade de acordo com a Roma liberal.

Esta mentira começou entre os sedevacantistas, para quem somente o fato de que alguém diga que aceitaria um hipotético convite para conversar com Francisco, é julgado como suspeito de liberalismo e de alta traição, dado que para eles Francisco não é Papa, mas um Antipapa, o Falso profeta apocalíptico, ou até mesmo o Anticristo.

A partir destes setores sedevacantistas a mentira de que aqui se trata passou a ser lugar comum entre os da "Resistência pura e dura", esta que se caracteriza por ser "antiwilliamson" e, sobretudo, por ser essencialmente farisaica.
         A esses mentirosos perguntamos: onde há alguma evidência de contatos destes três Bispos com Roma em ordem a um acordo?

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"Vós sois de vosso pai, o diabo, e quereis executar os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio e não se manteve na verdade porque não há verdade nele. Quando fala mentira, fala de sua própria natureza, porque é mentiroso e pai da mentira" (João 8, 44).