Aleluia!
Feliz Páscoa!
Um governador colonial puritano
interrompe os folguedos das festividades natalinas (1883)
Nesta época do ano nós somos bombardeados com propaganda anticatólica
questionando o abençoado dia do nascimento de Cristo como 25 de dezembro. Dizem-nos
com arrogância que essa data era originalmente uma festa pagã. A Igreja
Primitiva teria “escolhido” esta data para “Cristianizar” uma festa romana do
sol. De acordo com essa teoria, a data do Natal foi estabelecida somente no
século IV, quando nós temos a primeira evidência da Natividade sendo
celebrada em Roma em 336. A conclusão: as origens do Natal são pagãs, e nós
não sabemos realmente a data do nascimento do Salvador da humanidade.
Não nos deixemos ficar impressionados tão rapidamente com essas
mentiras cujos objetivos são somente diminuir a homenagem que prestamos a
Nosso Senhor Jesus Cristo e denegrir a Igreja Católica. De fato, o oposto é
verdadeiro. A tese da origem pagã do Natal é que é um mito sem substância
histórica.
Sem festival na Roma antiga em 25 de dezembro
A noção de que o Natal teve origem pagã começou a se espalhar no século
XVII com os puritanos ingleses e os presbiterianos escoceses, que odiavam tudo
o que era católico. Os puritanos odiavam tanto o Catolicismo que eles se
revoltaram contra a chamada Igreja Anglicana porque, mesmo com suas heresias,
eles a consideravam muito similar a Igreja Católica.
Eles tinham aversão a dias de festa e em particular, eles detestavam a
festa do Natal com suas cerimônias, celebrações e costumes alegres. Como a
Bíblia não deu data específica para o nascimento de Cristo, os puritanos
argumentavam que isso era um artifício pecaminoso da Igreja Católica Romana
que deveria ser abolido.
Mais tarde, pregadores protestantes, como o alemão Paul Ernst
Jablonski tentaram demonstrar em obras pesudo-acadêmicas que 25 de dezembro
era na realidade uma festa pagã romana, e que o Natal foi mais um exemplo de
como a Igreja Católica medieval “paganizou" e corrompeu o
"puro" cristianismo primitivo.(1)
Por volta da mesma época, o jesuíta Jean Hardouin com sua excêntrica teoria da falsificação universal que
colocou em dúvida cada fonte histórica conhecida, de volta aos puritanos em
sua teoria no Natal ter origens pagãs. Mas essa pesquisa foi largamente
desacreditada dada suas afirmações absurdas. Por exemplo, ele afirmava que
todos os Concílios da Igreja que aconteceram antes de Trento eram fictícios e
quase todos os textos clássicos da Grécia e Roma Antigas eram falsos, feitos
por monges no século XIII. Tais declarações são descaradamente absurdas,
dados os incontáveis documentos originais demonstrando o oposto.
As duas principais reivindicações para o Natal ter origens pagãs asseveram
que a Igreja primitiva escolheu 25 de Dezembro a fim de desviar os fiéis dos
dias de festividade pagã romana. A
primeira reivindicação assevera que isso substituiu o antigo feriado da
Saturnália, uma época de festas e estridentes danças e cantos acontecidos em
dezembro em honra do deus pagão Saturno.
Agora, o festival da Saturnália sempre terminava o mais tardar em 23
de dezembro. Por que a Igreja Católica iria querer tirar a atenção dos seus
fieis de uma celebração pagã, escolheriam uma data dois dias após a festa já
ter terminado e quem quis já havia exagerado? Não faz sentido. Nenhum
acadêmico sério acredita nessa alegação.
Natal estabelecido antes do festival pagão do sol
Aureliano instituiu o festival do sol para
fortalecer um Império Romano moribundo
A segunda reivindicação é a de que a
Igreja Católica estabeleceu o Natal em 25 de dezembro para substituir uma
festa solar inventada pelo Imperador Aureliano em 274 d.C., o Dies Natalis
Solis Invicti (Nascimento do Sol Invicto).
O fato de que o Natal entrou no calendário mundial (o calendário
romano aceito) em 354 – que foi depois do estabelecimento do festival pagão –
não significa necessariamente que a Igreja escolheu este dia para substituir
o feriado pagão. Duas razões
principais concordam com esta conclusão:
Primeira: deve-se simplesmente admitir que os cristãos primitivos começaram a
celebrar o Natal apenas no século IV. Até o Édito de Milão ter sido publicado
em 313, os católicos eram perseguidos e se encontravam nas catacumbas. Portanto,
não havia festividade pública. Mas eles celebravam o Natal entre eles mesmos
antes do Édito, como confirmam os hinos e preces dos primeiros cristãos (2).
Segunda: essa reivindicação é baseada em pressupostos falaciosos. Como o erudito Thomas Talley aponta em seu livro The Origins of the Liturgical Year [As Origens do Ano Litúrgico], o Imperador Aureliano inaugurou o festival do Nascimento do Sol Invicto tentando dar vida nova – renascer - um Império Romano moribundo. É muito mais provável, ele argumenta, que a ação do Imperador tenha sido uma resposta a crescente popularidade e força da religião Católica, que estava celebrando o Nascimento de Cristo em 25 de dezembro, e não o contrário. (3)
Não há evidência de que a celebração de Aureliano precedia a festa de
Natal, e há mais razão para acreditar que estabelecer esse dia de festa – que
nunca teve apoio popular e logo morreu – foi um esforço para dar um
significado pagão a uma data que já era importante para os católicos romanos.
Datas baseadas nas Escrituras
A data da concepção de Isabel estabelece
a base para saber o nascimento de Cristo
Mas vamos deixar o território de conjecturas e retornar os registros
históricos. Há ampla evidência para demonstrar que, mesmo que a data do Natal
não tenha se tornado oficial até 354, claramente ela foi estabelecida muito
tempo antes de Aureliano ter instituído seu dia de festa pagã.
A concepção de São João Baptista é a âncora histórica para saber a
data do Natal, baseada em cálculos detalhados e cuidadosos de datas feitos
pelos primeiros Pais da Igreja.
O antigo tractatus De solstitiia registra a tradição do Arcanjo
Gabriel aparecendo a Zacarias no Templo quando ele estava servindo como sumo
sacerdote no Dia da Expiação (Lc 1,8). Isso situa a concepção de São João
Baptista durante a Festa dos Tabernáculos no fim de setembro, como disse o
Arcanjo Gabriel (Lc 1,28) e seu nascimento nove meses mais tarde no momento
do solstício de verão. (4)
Como o Evangelho de Lucas afirma que o Arcanjo Gabriel apareceu a Virgem Maria no sexto mês após a concepção de João (Lc 1,26), isso situa a concepção de Cristo no equinócio de primavera, ou seja, no momento da Páscoa Judaica, no fim de março. Seu nascimento seria assim no fim de dezembro no momento do solstício de inverno. Que estas datas, baseadas na Tradição e na Escritura, são confiáveis é confirmado por recente evidência tirada dos Manuscritos do Mar Morto, cujos autores estavam bastante preocupados com datas de calendários, essenciais para estabelecer quando deveriam celebradas as festas da Torah. A data encontrada nos Manuscritos torna possível saber os serviços rotativos dos sacerdotes no Templo nos tempos do Antigo Testamento e mostram definitivamente que Zacarias serviu como sacerdote do Templo em setembro, confirmando assim a tradição da Igreja Primitiva. (5) A Igreja Católica determinou 25 de março como a data da concepção de Nosso Senhor muito antes de Aureliano decidir fazer sua festa solar. Por exemplo, por volta de 221 d.C, Sexto Julio Africano escreveu a Chronographiai na qual ele afirma que a Anunciação foi em 25 de março. (6) Uma vez que a data da Encarnação estava estabelecida, era uma simples questão de adicionar nove meses para chegar a data do nascimento de Nosso Senhor: 25 de dezembro. Essa data não seria oficial até o fim do quarto século, mas ela foi estabelecida muito tempo antes de Aureliano ou Constantino. Ela não tinha nada que ver com festivais pagãos. Nós podemos estar certos de que os primeiros apologistas católicos e Pais da Igreja, que viveram próximos do tempo dos Apóstolos, estavam totalmente cientes das datas associadas com o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Todos eles tinham fontes de calendários em mãos e eles não permitiriam que qualquer inverdade fosse introduzida na liturgia católica. A data do nascimento de Cristo foi transmitida por eles como sendo 25 de dezembro, um domingo. Discursando sobre o verso de Lucas 2,7, Pe. Cornélio a Lápide comenta sobre a arquitetura dessa escolha: “Cristo nasceu no domingo, porque esse foi o primeiro dia do mundo.… Cristo nasceu numa noite de domingo, em ordem com Suas maravilhas, então no dia em que Ele disse Haja luz, e houve luz, foi o mesmo dia em que, à noite, a luz brilhou na escuridão para os de coração justo, isto é, o sol da justiça, Cristo o Senhor.” (7)
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Notas:
1.
Thomas
Talley, The Origins of the Liturgical Year, Collegeville, MN:
Liturgical Press, 1991), p. 88.
2.
Daniel-Rops,
Prières des Premiers Chrétiens, Paris: Fayard, 1952, pp. 125-127,
228-229
3.
Talley,
The Origins of the Liturgical Year, pp. 88-91.
4. O
folheto é intitulado 'De solstitiia et aequinoctia conceptionis et
nativitatis domini nostri iesu Christi et iohannis baptista,' in Ibid.,
p. 93-94. Talley também fornece outros documentos históricos de escritores da
Igreja primitiva mostrando que as datas da Concepção e Morte de Nosso Senhor
foram estabelecidas bastante cedo.
5.
Shemaryahu Talmon, Professor Emérito da Universidade
Hebraica de Jerusalém e máximo estudioso dos Manuscritos, publicou um estudo aprofundado
sobre os serviços rotativos dos sacerdotes no Templo em 1958 e os manuscritos
de Qumran para ver as atribuições durante os tempos do Novo Testamento. Martin K Barrack, “It Comes from Pagans,” Second Exodus online.
6.
Ibid.
7.
Cornelius
a Lapide, Commentaria in Scripturam Sanctam, Paris: Vives 1877, Lucas
2,7, vol 16, p. 57.
Postado em 15 de dezembro, 2010.
Original aqui.
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