Pe. Felix Sarda y Salvany
Traduzido por Andrea Patrícia
Pe. Felix
Sarda y Salvany, 1844-1916
Várias
são as maneiras pelas quais o fiel católico é arrastado ao erro do Liberalismo.
Muito frequentemente a corrupção do coração é consequência de erros do
intelecto, mas mais frequentemente ainda,
os erros do intelecto seguem a corrupção do coração. A história das
heresias mostra esse fato muito claramente. Os seus primórdios quase sempre
apresentam o mesmo caráter, ou amor-próprio ferido ou um agravo a ser vingado;
ou é uma mulher que faz o heresiarca perder a sua cabeça e sua alma, ou é um
saco de ouro pelo qual ele vende sua consciência.
O
erro quase sempre tem sua origem, não em estudos profundos e laboriosos, mas no
monstro de três cabeças que São João descreve e chama de concupiscentia
carnis, concupiscentia oculorum, superbia vitae - concupiscência da carne,
concupiscência dos olhos, soberba da vida.
Eis aqui as fontes de todo erro, eis os caminho para o Liberalismo. Detenhamo-nos
neles por um momento.
1. O homem torna-se liberal devido a um desejo
natural por independência e por uma vida fácil.
O Liberalismo é necessariamente simpático à natureza depravada do homem, exatamente
do jeito que a Catolicidade é essencialmente oposta a isso. O Liberalismo é
emancipação da restrição; A Catolicidade refreia as paixões. Agora, o homem
decaído, por uma tendência muito natural, ama um sistema que torna legítimo e
santifica seu orgulho de intelecto e a permissão das paixões.
Tertuliano diz: "A alma, em suas nobres aspirações, é naturalmente Cristã."
Do mesmo modo pode-se dizer que o homem, com a sua mácula original, nasce
naturalmente liberal. Logicamente então ele se declara um liberal na devida
forma quando ele descobre que o Liberalismo oferece uma proteção para seus
caprichos e uma desculpa para suas indulgências.
2. Os homens tornam-se liberais pelo desejo de progredir na vida
Sociedades Secretas atraem homens jovens
com promessa de sucesso
O Liberalismo é hoje a ideia dominante; ele reina em toda parte e especialmente
na esfera da vida pública. É, por conseguinte, uma recomendação certa para a
opinião pública.
No início de sua vida, o jovem olha ao redor para os diferentes caminhos que
conduzem à fortuna, fama e glória, e vê que uma condição quase indispensável
para alcançar o objetivo almejado é, ao menos em nossa época, tornar-se liberal.
Não ser liberal é colocar em seu caminho, o início, o que parece ser um obstáculo
intransponível. Ele precisa ser heroico para resistir ao Tentador, que mostra a
ele, assim como ele fez com Jesus Cristo no deserto, um futuro esplêndido, dizendo:
Haec omnia tibi dabo si cadens adoraveris me – Tudo isso eu te darei, se,
prostrado, me adorares.
Heróis
são raros, e é natural que a maioria dos homens jovens começando sua carreira afilie-se
ao Liberalismo. Isso promete a eles a assistência a uma imprensa poderosa, a
recomendação a protetores poderosos, a potente influência das sociedades
secretas, o patrocínio de homens eminentes. O pobre Ultramontano requer mil
vezes mais mérito para tornar-se conhecido, adquirir um nome, e a juventude é
ordinariamente pouco escrupulosa.
O Liberalismo, ademais, é essencialmente favorável a esta vida pública que essa
idade busca tão ardentemente. Ele mantém como iscas tentadoras escritórios
públicos, comissões, ótimas posições, etc., que constituem o organismo da
máquina oficial. Ele parece uma condição absoluta para preferência política.
Encontrar um homem jovem e ambicioso que despreze e deteste o pérfido Corruptor
é uma maravilha da graça Divina.
3. Os homens tornam-se liberais devido à avareza,
ou por amor ao dinheiro.
Ficar bem no mundo, ser bem sucedido nos negócios, é sempre uma tentação
permanente do Liberalismo, esbarrando com o homem jovem a cada curva. À volta
dele em mil maneiras ele sente a hostilidade secreta ou aberta dos inimigos de
sua fé. Na vida mercantil ou nas profissões ele é esquecido, negligenciado,
ignorado.
Se ele relaxa um pouco na sua fé, junta-se a uma proibida sociedade secreta, pronto!
Eis que os parafusos e barras são retirados; ele consegue o "abre-te
sésamo" para o sucesso! Então a injusta discriminação contra ele se
derrete num abraço fraternal do inimigo, que recompensa sua perfídia fazendo-o
progredir de mil maneiras. Tal tentação é difícil para o ambicioso resistir.
Ser liberal, é admitir que não há grande diferença entre os credos dos homens,
de que no fundo é tudo a mesma coisa afinal de contas. Proclame sua mente
aberta ao admitir que outras religiões
são tão boas para as outras pessoas como a sua fé é para você; elas estão, na
medida do que elas conhecem, tão certas como você está. O que um homem acredita
é principalmente uma questão de educação e temperamento. Então rapidamente você
receberá tapinhas nas costas como um homem de “mente aberta” que escapou das
limitações estreitas da sua crença. Você será tratado com condescendência extensivamente,
pois o Liberalismo é muito generoso com um convertido. “Tudo isso eu te darei, se,
prostrado, me adorares" diz Satã a Jesus Cristo no deserto.
Tais são as causas ordinárias das perversões ao Liberalismo; todas as outras
saem dessas. Qualquer um que tenha alguma experiência do mundo e do coração
humano pode facilmente traçar as outras.
Felix Sarda y
Salvany, Liberalism Is A Sin*, Capítulo 25
original espanhol de 1899, tradução para o inglês por TAN Books, 1993.
original espanhol de 1899, tradução para o inglês por TAN Books, 1993.
Original aqui.
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Nota
da tradutora:
*
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que insistia tanto na necessidade de estudar o liberalismo para melhor combatê-lo.”
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