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terça-feira, agosto 08, 2017

Espíritas atacam cristãos: os católicos têm o direito de defender sua doutrina



[Debatendo com espíritas]

Os católicos têm o direito de defender sua doutrina daquilo que julgam ser pernicioso. Todo cristão tem o direito de buscar mostrar aos irmãos que estão em erro. Se você quer seguir o espiritismo, a escolha é sua. Mas você não deveria entrar em uma comunidade de pessoas que querem defender a fé daquilo que julgam ser mau e simplesmente xingar os outros. Isso está certo?

Hipocrisia é dizer uma coisa e fazer outra. Nós aqui apenas queremos mostrar os erros do espiritismo em relação a fé cristã. Se você tem algo contra apresente as refutações às afirmações feitas. Não fique simplesmente tentando diminuir os outros aqui usando de termos pejorativos, pois isso depõe não só contra você, mas contra o espiritismo também.

É sempre a mesma atitude de superioridade! Incrível vocês não perceberem como são arrogantes ao tentarem diminuir os cristãos. Se fossem mesmo superiores não tratariam ninguém da forma como tratam.

Leia mais os livros espíritas e você verá quantas são as frases e histórias contadas que denigrem a fé católica, que julgam os católicos e usam de termos pejorativos para com aqueles que não são espíritas.

É uma postura muito perniciosa, pois por fora ficam fazendo jogo de bons amigos, de bonzinhos, cheios de palavras bonitinhas, mas por dentro, em seus livros, por exemplo, ficam tentando denegrir a Igreja e os cristãos.

Vejamos alguns trechos de livros espíritas que ofendem os católicos e a fé cristã (os grifos são meus):

"O Papa, príncipe temporal, espalha o erro pelo mundo" (KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Federação Espírita Brasileira, 1949. p. 282).

"A história do papado é a do desvirtuamento dos princípios do cristianismo, porque, pouco a pouco, o Evangelho quase desapareceu sob as suas despóticas inovações. Criaram os pontífices o latim nos rituais, o culto das imagens, a canonização, a confissão auricular, a adoração da hóstia, o celibato sacerdotal e, atualmente, noventa por cento das instituições são de origem humaníssima, fora de quaisquer características divinas" (XAVIER, Francisco Candido. Emmanuel. Federação Espírita Brasileira, 4a edição. p. 30).”


Mais algumas citações do livro de Kardec, Obras Póstumas, que atentam contra a Igreja:


Não o creio; todos esses homens [o Papa e o Sacro Colégio] são obstinados, ignorantes, habituados a todos os gozos profanos; necessitam de dinheiro para satisfazê-los e recearão que a nova ordem de coisas não permita que o ganhem suficientemente. Por isso levam tudo ao extremo, pouco se incomodando com o que venha a acontecer”(p. 361 da edição digital)

Deus a julgou [a Igreja], e a reconheceu inapta, daqui por diante, para a missão de progresso que incumbe a toda autoridade espiritual.” (p. 376 da edição digital)



Então não venha você, espírita, querer apregoar que os espíritas não atacam ninguém porque isso não é verdade! Informe-se melhor sobre sua doutrina antes de jogar pedra no telhado alheio.

Já cansei de ler em livros espíritas ataques e mentiras grosseiras contra a Igreja. 

terça-feira, agosto 01, 2017

Implicância com catolicismo é uma marca indelével do espiritismo

Por Faraó 



Band é um exemplo perfeito de kardecista: Quer bancar o superior, moral e intelectual, mas só consegue falar m.... E, quando é contestado, reage que nem uma mula: dá coices! Implicância com catolicismo é uma marca indelével do espiritismo, embora, bizarra. Afinal, para uma "religião" (como já demonstrei, espiritismo não pode ser levado a sério como religião legítima) que se diz acima de hierarquias e da teologia, adotar o nome de santos em centros, manifestações de vultos da cristandade, orações à Nossa Senhora, etc, são formas muito, digamos, estapafúrdias de manifestar esse tal repúdio. O espiritismo só conquistou, na verdade, seus adeptos mesclando elementos da catolicidade em suas insossas sessões, que na França aconteciam sob o espírito "científico" de Kardec. Por isso a profusão de centros, grupos, e instituições espíritas com nomes de santos, as preces dirigidas de forma católica, a "água fluidificada" e outras traquitanas mais. Pura assimilação para ganhar fiéis, e, é claro, isso nem se compara aos kardecistas que professam concomitantemente ambas as religiões, numa mostra de que o princípio do não contraditório, definitivamente, não vale no Brasil. 

sexta-feira, julho 21, 2017

Espiritismo e o ensino das Escrituras



Alguém, que não lembro agora, escreveu isto:


Não há como sustentar o espiritismo pelas Sagradas Escrituras, nem no Velho e nem no Novo Testamento, a não ser que se extirpe o Velho e rasgue-se diversas páginas do Novo. 


Jesus disse:



"Não penseis que vim destruir a Lei e os profetas; não vim destruir, mas sim cumprir. Porque em verdade vos digo que, enquanto não passar o céu e a terra, não desaparecerá da lei um só jota ou um só ápice, sem que tudo seja cumprido" (Mt V, 17).



E Jesus não só fez esta e outras promessas, como proibiu que se modificasse:



“se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, que estão escritas neste livro."



E considerando-se superior a Jesus, com exacerbada petulância e soberba, o órgão oficial da Federação Espírita Brasileira, o Reformador, de janeiro de 1953, p.23, declara:



"Do Antigo Testamento, já nos é recomendado somente o Decálogo, e do Novo Testamento, apenas a moral de Jesus; já consideramos de valor secundário ou revogado e sem valor algum mais de 90% do texto da Bíblia" 




E já antes, o PRESUNÇOSO Kardec, declara-se detentor da terceira aliança, contrariando o que Jesus prometera:


"TOMAI, TODOS, E BEBEI: ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE, O SANGUE DA NOVA E ETERNA ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO POR VÓS E POR MUITOS PARA REMISSÃO DOS PECADOS. FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM."


Jesus não só fez essa promessa de não modificar, como proibiu que o fizesse:



“se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, que estão escritas neste livro." Ap 22-18.



Esses 10% que os Espíritas consideram da VERDADE, são para dar credibilidade as suas MENTIRAS.

quarta-feira, julho 12, 2017

O Caderno de Chico Xavier

chicocaderno
Neste artigo de Vítor Moura Visoni, comentamos um caderno de recortes recentemente descoberto de Chico Xavier com diversas colagens que o suposto médium, em sua juventude, fez reunindo textos de centenas de poetas, nacionais e internacionais. Essa é uma descoberta de grande importância, demonstrando de maneira definitiva que o médium possuía um conhecimento muito superior à sua formação escolar. Conhecimento este que teria possibilitado que escrevesse anos depois sua primeira obra “psicografada”, o livro de poemas Parnaso de Além Túmulo.
– – –
A primeira obra psicografada de Chico Xavier (1910-2002), Parnaso de Além Túmulo, cuja 1ª edição data de 1932, continha então 60 poemas atribuídos a 14 autores brasileiros e portugueses. Com as edições seguintes esses números foram consideravelmente aumentados, alcançando a cifra de 259 poemas de 56 autores brasileiros e portugueses na 6ª edição (1955) e se estabilizando aí. Nesta obra, um marco no meio espírita por ter gerado à sua época de lançamento uma enorme polêmica relacionada à autoria e à qualidade dos textos, nos deparamos logo no prefácio com uma pequena biografia do médium:
"O médium polígrafo Xavier é um rapaz de 21 anos, um quase adolescente, nascido ali assim em Pedro Leopoldo, pequeno rincão do Estado de Minas. Filho de pais pobres, não pôde ir além do curso primário dessa pedagogia incipiente e rotineira, que faz do mestre-escola, em tese, um galopim eleitoral e não vai, também em tese, muito além das quatro operações e da leitura corrida, com borrifos de catecismo católico, de contrapeso.
Órfão de mãe aos 5 anos, o pai infenso a literatices e, ao demais, pramido pelo ganha-pão, é bem de ver-se que não teve, que não podia ter o estímulo ambiente, nem uma problemática hereditariedade, nem um, nem dez cireneus que o conduzissem por tortuosos e torturantes labirintos de acesso aos altanados paços do Olimpo para o idílico convívio de Caliope e Polímnia."
Foi aí que nasceu o mito que o Chico era apenas semi-alfabetizado, quase um ignorante. Ele mesmo informa:
"Começarei por dizer-lhe que sempre tive o mais pronunciado pendor para a literatura; constantemente, a melhor boa vontade animou-me para o estudo. Mas, estudar como?
Matriculando-me, quando contava oito anos, num grupo escolar, pude chegar até ao fim do curso primário, estudando apenas uma pequena parte do dia e trabalhando numa fábrica de tecidos, das quinze horas às duas da manhã; cheguei quase a adoecer com um regime tão rigoroso; porém, essa situação modificou-se em 1923, quando então consegui um emprego no comércio, com um salário diminuto, onde o serviço dura das sete às vinte horas, mas onde o trabalho é menos rude, prolongando-se esta minha situação até os dias da atualidade.
Nunca pude aprender senão alguns rudimentos de aritmética, história e vernáculo, como o são as lições das escolas primárias. É verdade que, em casa, sempre estudei o que pude, mas meu pai era completamente avesso à minha vocação para as letras e muitas vezes tive o desprazer de ver os meus livros e revistas queimados.
Jamais tive autores prediletos; aprazem-me todas as leituras e mesmo nunca pude estudar estilos dos outros, por diferençar muito pouco essas questões. Também o meio em que tenho vivido foi sempre árido, para mim, neste ponto. Os meus familiares não estimulavam, como verdadeiramente não podem, os meus desejos de estudar, sempre a braços, como eu. com uma vida de múltiplos trabalhos e obrigações e nunca se me ofereceu ocasião de conviver com os intelectuais da minha terra.
O meu ambiente, pois, foi sempre alheio à literatura; ambiente de pobreza, de desconforto, de penosos deveres, sobrecarregado de trabalhos para angariar o pão cotidiano, onde se não pode pensar em letras."
Assim, Chico em seu texto ajuda a perpetuar o mito que ele seria semi-alfabetizado, com pouco estudo. No entanto, uma leitura atenta de suas palavras revela o contrário, no momento em que o próprio informa que sempre teve o maior pendor para literatura e que em casa estudava o quanto podia, tendo várias vezes o desprazer de ver seus livros e cadernos queimados. Isso mostra que, apesar de nascido em uma família pobre, ele tinha acesso a algum material literário, o que é confirmado por ele mesmo em outra fonte, no livro O Evangelho de Chico Xavier, de Carlos A. Baccelli:
"Eu sempre quis ter livros… Quando menino, colecionava revistas, gravuras, histórias dos santos da Igreja… Sempre gostei muito de ler, mas nunca pude comprar um livro…"
O pendor para a literatura de Chico também é confirmado pelo fato de Chico ter ganhado, ainda no primário, em 1922 (centenário da Independência), um prêmio de menção honrosa no concurso de literatura promovido pela Secretaria de Educação de Minas Gerais. Ele disputou contra milhares de estudantes. Chico concluiria o primário no ano seguinte, após ter repetido a quarta série por problemas de saúde. (Vide As Vidas de Chico Xavier por Marcel Souto Maior).
A autora Magali Oliveira Fernandes conseguiu recuperar, em 1997, um dos cadernos que felizmente não teve o mesmo destino dos demais: as chamas. Esse caderno foi reproduzido tanto quanto possível no livro Chico Xavier: um herói brasileiro no universo da edição popular. Nesse caderno Chico acoplou poemas, aforismos, reportagens, artigos e muitas imagens curiosas, extraídos de impressos originários tanto de periódicos literários requintados como de muitos jornais e folhetos bem mais simples, sem tantos recursos gráficos e editoriais.
Magali informa na página 151 que entre jornalistas, poetas e escritores (nacionais e estrangeiros), Chico reuniu nesse caderno cerca de 200 nomes! Entre as mulheres, podemos citar – dentre muitas outras – a romancista francesa Madame de Staël; a poetisa portuguesa Virgínia Victorino; as brasileiras Cecília Meireles, Gilka Machado, Auta de Souza, Rosalina Coelho Lisboa, Anna Amélia Carneiro de Mendonça, Carmen Cinira e Maria Eugênia Celso. Entre os homens, sobressaíam Olavo Bilac e Raul de Leoni, mas encontrava-se também Shakespeare, Jung, páginas textos de um poeta persa do século XII chamado Mioutchehz, Edgar Allan Poe, trechos de Cervantes, Balzac, versos de Victor Hugo, Catullo Cearense, João de Deus, Álvares de Azevedo, Eça de Queirós, Afonso de Carvalho, Paulo Gama, Vasmir Filho, Gastão Ribas, Higyno Braga, Luiz Delfino, Menotti Del Picchia e vários outros.
Duas das páginas do caderno de Chico Xavier, em uma delas vê-se um poema de Edgar Allan Poe
Duas das páginas do caderno de Chico Xavier, em uma delas vê-se um poema de Edgar Allan Poe
Mais que isso, o caderno revela um profundo interesse de Chico pela vida dos autores, chegando ao ponto de encontramos a reprodução das assinaturas de Camillo Castello Branco e Olavo Bilac!Esse interesse em conhecer as assinaturas, em se tratando de alguém que seria mais tarde considerado “o maior médium do Brasil”, é no mínimo suspeito.
Chico Xavier nasceu em 1910, mas neste caderno – datado de 1924, e usado inicialmente para fazer contas e anotar as vendas do bar em que trabalhava à época – encontram-se matérias de 1904, 1909, 1912, 1914, 1920, 1925… isso comprova que Chico tinha acesso a fontes tanto antigas quanto novas, e também que ele sabia muito mais do que aparentava. A forma como ele adquiria tais publicações é desconhecida, mas Magali faz uma sugestão:
"Talvez, além de presentear amigos, Chico mostrasse sua coleção de recortes aos colegas, a clientes e visitantes do bar. De vez em quando, até podia ganhar alguma publicação de alguém que se sentisse tocado com aquele interesse do rapaz por literatura e arte, mas o fundamental disso tudo, mesmo sem saber realmente como ocorriam suas aquisições, era pensar a sua atitude de insistir em se manter familiarizado com todas aquelas referências."
Sabe-se, como já dito, que Chico tinha outros cadernos. Em nenhum momento, no caderno recuperado, foram encontradas quaisquer referências às histórias dos santos da Igreja, e essa parte de sua coleção pode ter estado num dos cadernos queimados.
Podemos concluir que Chico Xavier tinha um repertório poético e literário bem superior à sua formação escolar, e que ele tinha todas as condições de reproduzir por meios naturais os estilos dos autores mortos retratados em Parnaso.

quarta-feira, julho 05, 2017

Kardec inventando passagens bíblicas



 Vejamos aqui um trecho do livro de Frei Kloppenburg, que comprova a desonestidade de Kardec ao inventar uma passagem bíblica:

- "Entretanto, o Cristo acrescenta: 'Muitas das coisas que vos digo agora ainda não as compreendeis e muitas outras teria a dizer, que não compreenderíeis; por isso é que vos falo por parábolas; mais tarde, porém, enviar-vos-ei o Consolador, o Espírito de Verdade, que restabelecerá todas as coisas e vo-las explicará todas' (S. João, caps. XIV, XVI; S. Mat., capo XVII)".(A Gênese, cap. 1, 26. Allan Kardec)

Observe-se que esta citação é inexata e, como tal, não se encontra em parte nenhuma dos Evangelhos. Nem consta que Jesus teria dito que o Espírito da Verdade "restabelecerá todas as coisas". Esta afirmação foi feita por Jesus com relação a Elias (cf. Mt 17,11). Da arbitrária citação feita, conclui Allan Kardec:

- "Se o Cristo não disse tudo quanto poderia dizer, é que julgou conveniente deixar certas verdades na sombra, até que os homens chegassem ao estado de compreendê-las. Como ele próprio o confessou, seu ensino era incompleto, pois anunciava a vinda daquele que o completaria; previra, pois, que suas palavras não seriam bem interpretadas, e que os homens se desviariam do seu ensino; em suma, que desfariam o que ele fez, uma vez que todas as coisas hão de ser restabelecidas: ora, só se restabelece aquilo que foi desfeito".

Mais adiante, no n. 42, Allan Kardec garante aos seus leitores:

- "O espiritismo realiza todas as promessas do Cristo a respeito do Consolador anunciado. Ora, como é o Espírito da Verdade que preside ao grande movimento da regeneração, a promessa da sua vinda se acha por essa forma cumprida, porque, de fato, é ele o verdadeiro Consolador".

O espiritismo seria, por conseguinte, o Consolador.

A verdade, porém, é que a promessa de Jesus acerca do Espírito da Verdade não foi tão vaga para um futuro tão incerto e distante. Jesus se dirigia diretamente aos Apóstolos que estavam então com ele na última ceia: "Rogarei ao Pai e ele vos dará outro Paráclito, para que convosco permaneça para sempre, o Espí­rito da Verdade... O Paráclito, o Espírito, que o Pai enviará em meu nome, é que vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos disse" (10 14,16-17.26). E pouco antes de sua ascensão man­dou aos Apóstolos: "Eis que eu vos enviarei o que meu Pai prometeu ­do Alto" (Lc 24,49). E lhes disse ainda: "O Espírito Santo des­cerá sobre vós e dele recebereis força" (At 1,8). Alguns dias depois, na festa de Pentecostes, quando estavam reunidos na sala de Jerusalém, "de repente veio do céu um ruído semelhante ao soprar de impetuoso vendaval, e encheu toda a casa onde se acha­vam. E apareceram umas como línguas de fogo, que se distribuíram e foram pousar sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo" (At 2,1-4).
       Era a vinda do Espírito da Verdade.


(Espiritismo: orientação para os católicos. Frei Boaventura Kloppenburg)

quinta-feira, junho 29, 2017

O problema dos espíritas é grave



O problema dos espíritas é grave. Por mais que sejam dadas respostas racionais (verdadeiramente racionais e não pseudo-racionais como as apresentadas pelos "espíritos") às suas indagações, eles não se abrem para ver. Suas mentes ficam envolvidas na ideologia progressista-evolucionista que prega a reencarnação. Falta humildade e sobra orgulho: o espírita (e espiritualista em geral, os reencarnacionistas principalmente) pensa que é dono de seu “destino”, pensa que escolhe sua rota, mas se contradiz pois ao lado do livre-arbítrio eles impõem a necessidade de TODOS os seres humanos chegarem à perfeição. Ora, se todos tivessem mesmo que chegar obrigatoriamente ao que eles chamam de perfeição, então não haveria livre-arbítrio, e sim determinismo. Mas como ao espírita falta um conhecimento básico de filosofia e metafísica, além de faltar o mais importante: a fé, é difícil para eles entenderem algo tão simples.

E o pior é que acusam aos cristãos de serem obtusos, de terem uma mente fechada e de não usarem a razão. Bom, basta observar a realidade para descobrir que quem não usa a razão são eles que se apegam aos dogmas de Kardec como se fossem a mais pura verdade (e ainda ousam sustentar que o espiritismo não possui dogmas...). Apegam-se às mentiras ditadas pelos “espíritos” nos livros da codificação kardequiana. E quando são confrontados pelas bobagens escritas no Livro dos Espíritos, por exemplo, chegam ao cúmulo de dizer que tudo evolui e que as respostas que naquele tempo não puderam ser dadas, hoje o são. Ora, e que grande mistério tinha que ser escondido da humanidade no século XIX? Os satélites de Marte, que hoje sabemos existir e que os “espíritos” diziam não existir? É realmente de uma enorme puerilidade crer que tais respostas não foram dadas a contento naquela época por falta de preparo da humanidade. È mais do que isso, é cegueira. E se nestes casos os “espíritos” erraram, então porque deveríamos confiar neles?

Vejamos alguns erros encontrados nos livros de Kardec:

"o Sol não seria um mundo habitado por seres corporais, mas um local de reunião de Espíritos superiores que, de lá, irradiam seus pensamentos para outros mundos (...) Todos os sóis parecem estar numa posição idêntica" (A. Kardec, Livro dos Espíritos, op cit, q. 188, p. 110).

-como constituição física, o Sol seria um foco de eletricidade.

-O movimento dos astros é circular (GEN, cap. VI, p.100);

-Marte não possui satélites (GEN, cap. VI, p. 103);

-O universo é eterno (GEN, cap. VI, p. 113);

-A alma da Terra é a coletividade dos Espíritos encarregados de elaborar e dirigir seus elementos construtivos (GEN, cap.VIII, p. 147)

-Todos os globos que circulam no espaço são habitados, inclusive as estrelas (LE, q. 55, p. 60)."

Coisas absurdas, e o mais absurdo é que os espíritas não consigam enxergar isso.

Já fui espírita e li e reli todos os livros de Kardec, além de centenas de outros livros espíritas (inclusive os livros dos grandes nomes do espiritismo, como Leon Denis, Delanne...), fiz parte de grupos de estudos em centro espíritas, freqüentei reuniões e palestras. Depois de muito peregrinar por diversas pseudo-doutrinas do espiritualismo, cheguei ao catolicismo e estou feliz da vida, sinto-me leve, é indescritível o que vivo hoje! Só tenho o que agradecer a Deus e oro muito para que os espíritas (principalmente os que estão à minha volta, família e amigos) saiam deste caminho de erro e se salvem.


Hoje sou feliz porque sei que um ser humano nunca poderia se salvar por si só e que é preciso que Deus faça isso por nós. Sei que a experiência humana não pode ser repetida, pois nada no Universo pode se repetir. Sei que Deus é tão bom que deixa que nós escolhamos o caminho a seguir: com Ele o Paraíso, sem Ele o Inferno. É Bom e Justo, nos ama e está de braços abertos para nos receber.

segunda-feira, junho 26, 2017

A Bíblia e o Espiritismo



O que os espíritas dizem sobre a Bíblia:

Em Cristianismo e Espiritismo, de Leon Dennis:

“...não poderia a Bíblia ser considerada 'a palavra de Deus' nem uma revelação sobrenatural. O que se deve nela ver é uma compilação de narrativas históricas ou legendárias, de ensinamentos sublimes, de par com pormenores às vezes triviais”. 

À Margem do Espiritismo, Carlos Imbassahy, 3ª Edição, 1981, FEB, p. 214
"Nem a Bíblia prova para nós coisa nenhuma, nem temos a Bíblia como probante. O Espiritismo não é um ramo do Cristianismo como as demais seitas cristãs. Não assenta os seus princípios nas Escrituras. Não rodopia junto à Bíblia... a nossa base é o ensino dos espíritos, daí o nome - espiritismo”.


Católicos, fujam de qualquer proximidade com o espiritismo! Não se deixem contaminar com esta pseudo-doutrina.


terça-feira, junho 13, 2017

Sua religião, ou filosofia, não possui dogmas?



Uma definição simples de “dogma“:

1.teol ponto fundamental de uma doutrina religiosa, apresentado como certo e indiscutível.
2.p.ext. qualquer doutrina (filosófica, política etc.) de caráter indiscutível.

Hoje vemos pessoas que não são católicas gabando-se de pertencerem a religiões ou filosofias não dogmáticas. Ora, se tomarmos a definição de dogma como colocada acima, ou seja, um ponto indiscutível, então veremos rapidamente que eles se enganam, pois suas filosofias e doutrinas possuem sim pontos que não se discutem, logo, possuem dogmas.

Se sua religião, filosofia ou doutrina possui pontos indiscutíveis, então ela é dogmática.

Na Wicca e no Espiritualismo moderno acredita-se na Lei do Retorno. Isso não se discute. É um dogma, quer chamem assim ou não.

No Espiritismo de Kardec* acredita-se em reencarnação e isso não se discute. Acredita-se na comunicação com os mortos, e é também indiscutível.

Há vários outros exemplos, mas estes já bastam para ilustrar o que afirmo.

O Leonardo, nos tempos de Orkut disse algo muito bom e verdadeiro:

"O espiritismo é dogmático não no sentido das crenças religiosas tradicionais, mas sim no sentido de ser um corpo doutrinário que, a despeito de falar sobre temas como Deus, a natureza do universo, da alma, etc, não consegue resistir ao mínimo de comparação dialética. Ao contrário do cristianismo, judaísmo, e até mesmo do islamismo (até certa época), apresenta suas "fórmulas" doutrinárias sob uma roupagem racional, mas não consegue demonstrar, apoditicamente, nenhuma de suas afirmações. E, quando confrontado, sempre se sai com alguma falácia argumentativa do gênero. Ou o espiritismo se propõe à seriedade do debate racional, ou então, é apenas uma crença do tipo ideológica, semi-religiosa, sem o lastro que, ao menos, nutre todas as outras religiões, logo, completamente fechada, ou seja, dogmática." 

Então, dogma, como na definição acima, existe em outros credos.

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*Sim, este não é o único espiritismo. Na Revista Espírita de 1869, Kardec se refere ao espiritismo americano e europeu, ou seja, ele reconhecia que havia diferenças entre o que se professava num lugar e outro, não havendo unidade. O Espiritismo de Kardec, o chamado Kardecismo, é um conjunto específico ditado e organizado por ele. Por exemplo, na Inglaterra os espíritas não aceitavam reencarnação, já os "kardecistas" não discutem este assunto, é dado como certo, logo, um dogma espírita (de Kardec, claro).


quarta-feira, junho 07, 2017

“Os Filhos da Viúva” – Demolindo as Pilastras do Perenialismo - parte II



Depois de aqui ter publicado uma resenha de Jean Vaquié sobre a primeira edição do livro “Os Filhos da Viúva – Ensaio sobre o Simbolismo Maçônico”, venho complementar essa publicação com a tradução do comentário de Ivan Kraljic sobre a segunda edição da mesma obra, lançada dessa vez com o subtítulo alterado: “Os Filhos da Viúva – Pesquisas Sobre o Exoterismo Maçônico”
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Insisto mais uma vez: a Tradição Primordial tem sido louvada pelos perenialistas e a Tradição da Igreja Católica tem sido apresentada por eles como inserida nesse saber primordial que remonta às origens da humanidade. É um embuste! A Tradição Católica ensinada pela Igreja Católica e a Tradição Primordial ensinada pela Escola Perenialista, também chamada de Escola Tradicionalista ou Filosofia Perene, são INCOMPATÍVEIS. Conforme a expressão francesa, elas são coisas que “hurlent de se trouver ensemble”. Confira o leitor a seguir.
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“Os Filhos da Viúva” 
Por Ivan Kraljic 
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O livro de Jean-Claude Lozac'hmeur, “Fils de la Veuve” (Os Filhos da Viúva – Pesquisas sobre o Exoterismo Maçônico”, 2º. Edição, 2002), tira a máscara atrás da qual se esconde a seita maçônica. Lozac'hmeur é um especialista em mitos, professor emérito da Universidade de Rennes II. “Os Filhos da Viúva – Ensaio sobre o simbolismo maçônico” (1º. Edição) está na segunda edição, revista e completa, de uma obra com o mesmo título lançada em 1990. Lozac'hmeur é também autor (com Bernaz de Karer) de “De la Révolution” (Éditions Sainte-Jeanne d'Arc, 1992), onde ele analisa o objetivo e a estratégia da Revolução.
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Em “Os Filhos da Viúva”, comparando as crenças e ritos maçônicos com as antigas religiões ou mitos pagãos, Lozac'hmeur responde às questões fundamentais: De onde vêm os rituais grotescos da iniciação maçônica? Quem é a viúva da qual os maçons se pretendem filhos? Quem é o arquiteto, a quem os maçons querem vingar? Sabemos qual é o objetivo da seita maçônica e a obra por ela realizada dá testemunho disso. No plano temporal não há mais países católicos; no plano espiritual, a crise da Igreja, com estragos incalculáveis, prossegue sem cessar. Partindo do zero, a seita maçônica empreendeu e realizou tudo, metodicamente, pacientemente, incansavelmente. Todos os obstáculos foram derrubados, as monarquias católicas, o poder temporal da Igreja, a própria Roma finalmente sucumbiram sob a infiltração maçônica. Três séculos de atividade maçônica deixaram o mundo em ruínas. Com certeza tal obra de destruição não é humana.
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A franco-maçonaria, tal como existe hoje, apareceu recentemente, ela começou a se organizar e crescer no início do século XVIII. Seus rituais e crenças aparecem também como novidades aos olhos profanos. Mas Lozac'hmeur demonstra que não é bem assim. Sua análise de 53 mitos provenientes de todas as civilizações e de todos os países (a busca do Graal, Jason e os Argonautas, Osíris, Prometeu, Krishna, estão entre os mitos mais conhecidos) revela a existência de um núcleo comum universal: a história do filho da viúva que deve vingar seu pai, após descobrir sua própria identidade e a do assassino de seu pai. A ligação com a maçonaria é evidente. Entretanto, Lozac'hmeur não se limita a isso, mas decifra esses mitos e símbolos para descobrir o seu sentido oculto: é uma religião dualista coerente, opondo “um Deus civilizador” (o pai assassinado), amigo dos homens, a um “Deus mau” (o assassino), seu inimigo. Este último, para punir os homens por se terem apropriado do Conhecimento (a Viúva), provoca o Dilúvio e se volta contra seu rival, culpado de tê-la transmitido aos humanos (Prefácio, p. 12). Os filhos da Viúva – os iniciados nessa religião – trabalham a fim de destronar o “Deus mau” e de instaurar o culto do “Deus bom”.

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Quanto à identidade dos dois "Deuses", ela é transparente. O "Deus bom" é Satanás, o "Deus mau" é o verdadeiro Deus, a Santíssima Trindade. Satanás transmitiu aos homens a ciência do bem e do mal, e Deus, que puniu os homens culpados, também castigou Satanás. Os filhos da viúva, os iniciados, portanto, trabalham para vingar Satanás contra o bom Deus.
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O fato essencial, demonstrado pelo estudo de Lozach'hmeur, é que a maçonaria, intrinsicamente e desde o seu início, é a religião de Satã. Essa falsa religião, que pretende ser a verdadeira, está presente em todos os tempos e todos os países. Desde a origem do homem, com efeito, se transmite secretamente a história da queda de Adão e Eva e de sua expulsão do paraíso terrestre. Essa história é ocultada sob a forma de mitos e de símbolos, e somente a iniciação ritual permite obter a sua interpretação. Ela é, sobretudo, falseada, deformada, porque Deus é apresentado como inimigo dos homens, e Satanás como o amigo que lhes trouxe o conhecimento. Essa contra-tradição se confronta com a verdadeira tradição, a dos adoradores do Deus vivo. “Tudo se passa como se a humanidade primitiva se tivesse dividido em dois campos, tomando cada um o partido de seu Deus” (p. 137).
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Se a religião de Satã é única, sua “Igreja” tomou vários fisionomias, a maçonaria não é senão uma forma recente. Acusar a seita maçônica de todos os males é, pois, uma coisa incompleta: sua responsabilidade é certamente imensa, mas o complô é mais vasto. De outro lado, salvo raras exceções, o culto satânico sempre foi clandestino; ele se ocultou sob os símbolos e os mitos que Lozac'hmeur decifrou. Mesmo nos tempos do paganismo, onde o culto dos ídolos era a religião oficial, a “crença em Lúcifer” (Albert Pike) era secreta.
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A importância do livro de Lozac'hmeur é tal, que um especialista, como Christian Lagrave, afirma que esse livro “conseguiu realizar o que outrora foi a ambição de Mons. Jouin, o fundador da Revista Internacional das Sociedades Secretas” (Ch. Lagrave, posfácio, p. 1 65), isto é, desmascarar cientificamente o complô anticristão. Todos os contrarrevolucionários devem estudar e meditar esse livro, que revela uma parte do mistério da iniquidade. A história é iluminada sob uma nova luz, quando se considera a existência oculta da religião dos adoradores do diabo.
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Mais além das aparências, o verdadeiro significado de fenômenos recentes, como a globalização e a formação da União Europeia, é revelado à luz da atividade satânica: “Os maçons deliberadamente preparam o reinado do Anticristo. A consequência necessária, ou talvez o pré-requisito desse reinado, é o estabelecimento de um Estado mundial” (Ch. Lagrave, posfácio, p. 173). Além disso, a atividade anticristã da maçonaria não é simplesmente um desvio devido a algumas lojas ateias. Mr. Lozac'hmeur mostra que toda a maçonaria é satânica, porque todos os maçons são filhos da viúva e todas as lojas baseiam seus rituais sobre o mito de Hiram / Satanás e seus corolários.
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Hoje, pode parecer surpreendente ver a seita maçônica em declínio. Desde alguns anos o seu caráter secreto tem sido publicamente denunciado na Grã-Bretanha. Na França, as lojas desabam sob seus próprios malfeitos financeiros e processos judiciais. No Canadá francofônico faltam candidatos à iniciação. É difícil saber o motivo, mas é possível que a seita, tendo concluído o seu papel, não seja mais útil. Abandonada por Satanás como uma ferramenta supérflua, ela perdeu o seu poder e tornou-se o joguete de ambições humanas. É talvez o que aconteceu com a União Soviética: cumprida a sua tarefa (espalhar os erros socialistas), não tem mais razão de ser. Agora seria preciso passar para uma nova etapa dialética, criar uma nova antítese que se oponha à tese em vigor. É assim que avança a Revolução, a golpes de “tese – antítese – síntese”. Ignorar esta tática é correr o risco de estar desatualizado para o combate.
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Porque um novo golpe se prepara, uma nova etapa deve ser percorrida. A maçonaria preparou bem o terreno para a fase final. É necessário que as nações desapareçam, que a unidade primitiva da humanidade seja refeita, que o Anticristo seja adorado em todo o mundo. Sem dúvida, um grande desastre, uma nova guerra mundial, permitirá atravessar essa etapa. O Islã – velho inimigo do nome cristão, contra o qual, graças à Santíssima Virgem, tinham triunfado heróis como São Pio V, João Sobieski, São João Capistrano, Dom João D’Áustria –, será ele a nova antítese? Uma segunda vida está sendo nele infundida, e depois de o Ocidente importar massivamente muçulmanos, tratam agora de provocá-lo e de criar o ódio entre os povos. É, aliás, o plano das seitas – uma terceira guerra mundial provocada por um conflito entre judeus e muçulmanos – de acordo com o maçom satanista Albert Pike (carta a Mazzini, 1871).

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Como acontece habitualmente com o demônio, a maquinação é perfeita e "nada, aos olhos humanos, seria capaz de impedir a realização do Plano" (Jean-Claude Lozac'hmeur, “Da Revolução”, p. 169). Mas nada é impossível para Deus, e se os católicos, ainda que sendo um punhado, empregassem a mesma energia e a mesma perseverança como a dos adoradores do diabo, estes seriam desbaratados e seus projetos reduzidos a nada.
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Jean-Claude Lozac'hmeur : Fils de la veuve - Recherches sur l'ésotérisme maçonnique
Nouvelle édition revue et complétée - Éditions de Chiré, 2002, 288 p.

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terça-feira, junho 06, 2017

“Os Filhos da Viúva” – Demolindo as Pilastras do Perenialismo - parte I




O público católico brasileiro em geral não acompanha as grandes polêmicas e não se informa sobre o que se discute nos meios intelectuais europeus. Por isso, a meu ver, é importante publicar algumas informações que são não apenas úteis, mas mesmo indispensáveis, para que esse público não seja manipulado pelos gurus do perenialismo.

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Começo por traduzir uma resenha, do escritor católico francês Jean Vaquié, sobre o livro de Jean-Claude Lozac'hmeur, intitulado "Fils De La Veuve: Essai Sur Le Symbolisme Maçonnique" ("Os Filhos da Viúva - Ensaio Sobre o Simbolismo Maçônico"). Sua primeira edição foi publicada por Éditions Sainte Jeanne d'Arc, 1990. A segunda edição revista e completa foi publicada em 2002 por Éditions de Chiré, com o título "Fils de la Veuve - Recherches Sur L'Ésotérisme Maçonnique" (Os Filhos da Viúva - Pesquisas sobre o Esoterismo Maçônico). Lozac'hmeur é um escritor e historiador medievalista francês nascido em 1940 e autor de vários livros. O autor da resenha, Jean Vaquié (1911-1992), foi um escritor e conferencista francês, católico tradicionalista, que tratou da gnose, René Guénon, seitas secretas etc.
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A Tradição Primordial tem sido louvada e a Tradição da Igreja Católica tem sido apresentada como inserida nesse saber que remonta às origens da humanidade. É um embuste! A Tradição Católica ensinada pela Igreja Católica e a Tradição Primordial ensinada pela Escola Perenialista, também chamada de Escola Tradicionalista ou Filosofia Perene, são INCOMPATÍVEIS. Conforme a expressão francesa, elas são coisas que “hurlent de se trouver ensemble”. Confira o leitor a seguir.
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“Os Filhos da Viúva” – Resenha por Jean Vaquié

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Tradução: André F. Falleiro Garcia.
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A obra que acaba de publicar [1990] o professor Jean-Claude Lozac'hmeur, nas Edições Sainte-Jeanne-d'Arc, sob o título “Os Filhos da Viúva”, começa a ser comentada. Vamos explicar o motivo.
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O autor, por meio dos próprios documentos maçônicos, expõe primeiro, para os leitores pouco habituados com esses temas, a lenda de Hiram, que simboliza e sintetiza a filosofia e o programa da maçonaria. Em seguida, ele se dirige, no resto do livro, para um público já familiarizado com os problemas das lojas.
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Uma das primeiras noções apresentadas aos neófitos maçons consiste em lhes ensinar que eles são os sucessores espirituais de um herói que teve o seu pai assassinado. E que eles são os “filhos da viúva”. Seu pai espiritual é Hiram, o arquiteto do Templo de Salomão, abatido por três companheiros que teriam querido, mas em vão, arrancar dele os segredos da construção. Os iniciados de hoje devem, em consequência, praticar uma justa vingança e exterminar espiritualmente os descendentes espirituais dos assassinos de seu pai espiritual. Desse modo, eles se tornam os construtores do Templo inacabado e, em última análise, os restauradores da Idade de Ouro sobre a terra.
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Este tema – do filho órfão que traz de volta a Idade de Ouro ao matar espiritualmente o assassino de seu pai – o professor Lozac'hmeur vai encontrá-lo, embora muitas vezes muito distorcido, mas reconhecível, no entanto, na grande maioria das lendas mitológicas da antiguidade. Ele fornece um inventário detalhado dessas diferentes versões que, tanto quanto sabemos, nunca tinha sido feito.
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Não estamos mais na presença de meras afirmações dos historiadores maçônicos que transmitem a tradição das lojas com um lirismo grandiloquente. Agora, Lozac'hmeur coloca diante dos nossos olhos os relatos lendários, diversificados, mas rigorosamente autênticos quanto as suas fontes.
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O relacionamento da maçonaria com os mistérios antigos – que vai muito além do que tiveram as antigas corporações de ofício que se tornaram “operativas” –, já não pode ser posto em dúvida.
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O que é novidade, no trabalho de Lozac'hmeur, é o seu esforço de erudição que nos proporciona a prova. Mas então, pode-se dizer, se Lozac'hmeur não faz senão confirmar, pela exatidão de seu trabalho, uma tese maçônica que data da própria fundação dessa sociedade iniciática, ele corre o risco de ser apontado como um historiador maçom. Absolutamente não! Ao observar o panorama das lendas pagãs, ele nota a existência, não apenas de uma única tradição antiga, mas de duas tradições, distintas e mesmo antagônicas: a tradição bíblica e a tradição gnóstica.
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Vamos inicialmente, tanto quanto podemos, resumir a tradição bíblica. Ela está contida no texto do Gênesis. Um Deus bom criou o homem no estado de felicidade paradisíaco. Um demônio mau (a serpente) o faz decair e o homem se vê expulso do paraíso e obrigado a arrastar doravante uma existência efêmera e penosa. Mas o Deus criador, por sua vez justo e bom, promete a redenção (Proto-evangelho).
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Na outra tradição, fundamentada na primeira, mas com um sentido inverso, um deus benfeitor da humanidade (a serpente do Gênesis) quer conceder ao homem o benefício do “conhecimento”. Este deus benfeitor é portanto o verdadeiro pai do homem. E o “conhecimento” [a gnose, no grego], indispensável para a vida feliz, é sua verdadeira mãe. Mas eis que um deus tirânico, querendo conservar para ele unicamente o “conhecimento”, condena o herói benfeitor (a serpente) que se torna assim uma vítima inocente. Quanto ao “conhecimento”, privada de seu marido que é a serpente, ela se torna viúva. Não resta mais ao homem senão matar [espiritualmente] o deus tirânico e injusto que realmente se tornou o assassino de seu pai e desse modo trazer à terra o “conhecimento” e a Idade de Ouro.
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Essas duas tradições, tão antigas uma quanto a outra, representadas em nossos dias, uma pela Igreja e a outra pela maçonaria, são radicalmente incompatíveis, porquanto Lozac'hmeur várias vezes ressalta que elas não reconhecem a mesma divindade.

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De nossa parte, é-nos particularmente gratificante encontrar, em um jovem professor e escritor, esta saudável e antiga doutrina, defendida com rigor inteiramente acadêmico. É ela que sempre sustentamos em Lectures e Tradition. Compreende-se que, por defender o oposto das ideias que são comumente transmitidas, o livro “Os Filhos da Viúva” comece a ser comentado.
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Desejamos longa e bem sucedida carreira para esse excelente livro e aguardamos com interesse, do mesmo autor, as suas futuras obras, à espera que prossigam na mesma linha.

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Jean Vaquié

terça-feira, maio 23, 2017

Se você crê somente naquilo que gosta no Evangelho...


Assim acontece com as seitas. Vejamos o caso do Espiritismo. Criaram até mesmo um livro que alegam ser a verdadeira visão do Evangelho, contendo a parte moral do mesmo. Um "recorta e cola" com trechos fora do contexto e textos de supostos espíritos "explicando" tudo. 

Eles aceitam somente o que lhes agrada, porque seu deus é o ventre.


quinta-feira, julho 28, 2016

Opondo-se à Heresia Austríaca

Por Christopher A. Ferrara
Traduzido por Andrea Patricia




Tenho o privilégio de apresentar o artigo do Dr. Peter Chojnowski “Corporation Christendom: The True School of Salamanca” [Corporação Cristandade: A Verdadeira Escola de Salamanca], que expõe com habilidade como o ensinamento de São Tomás de Aquino, Santo Bernadino de Sena e Santo Antonino de Florença e dos escolásticos tardios espanhóis sobre os preços justos e os salários foi deturpado pelos defensores da chamada Escola Austríaca de economia. 
O artigo do Dr. Chojnowski é um primeiro passo importante na montagem de uma resposta católica tradicional às ambições infladas da Escola Austríaca, cujas duas grandes divindades, os falecidos pensadores liberais judeus Ludwig von Mises e Murray Rothbard, escreveram as obras fundamentais do movimento austríaco: o tomo maciço Ação Humana (1949), por Mises, e o igualmente maciço Homem, Economia e Estado (1962), por Rothbard. Estes dois livros compreendem o Velho e o Novo “Testamento” do que equivale hoje a um culto radical do laissez-faire social e econômico, que, é triste dizer, conta com um número crescente de adeptos católicos. 

O culto do Laissez-Faire

Não uso a frase “ambições infladas” ou a palavra “culto” levemente. O Mises Institute, fundado para pregar um evangelho de “liberdade” social e econômica ao mundo, orgulha-se do sucesso do movimento em termos quase messiânicos. Como o Instituto – dirigido por um católico, Lew Rockwell – declarou recentemente: 
“Temos sido extremamente eficazes na construção de um movimento global para a liberdade e sua base intelectual. Hoje austríacos e libertários formam um movimento coeso em todo o mundo, unidos em princípios, publicando como nunca antes, e ensinando as multidões por todos os meios disponíveis. Por esta razão, a Escola Austríaca tem sido chamada de o mais coerente e ativo movimento intelectual internacional desde o Marxismo”.[1] 
O tributo do Instituto Mises feito a Rothbard por ocasião do décimo aniversário da sua morte tem o sabor de uma dulia cultual: 
“E, assim, ao querido Murray, nosso amigo e mentor, o vice-presidente do Instituto Mises, o acadêmico que nos deu a orientação e o cavalheiro que nos mostrou como encontrar alegria no confronto com o inimigo e no avanço da verdade, a equipe e os estudiosos do Instituto oferecem este tributo, juntamente com os milhões que têm sido atraídos por suas ideias. Que suas obras sempre estejam disponíveis para todos os que gostam de aprender sobre a liberdade e de fazer sua parte para lutar pela pedra angular da própria civilização. Que seu legado permaneça para sempre [!] e que possamos todos tornar-nos guerreiros felizes pela causa da liberdade.”[2]
Céu e terra passarão, mas as palavras de Rothbard não passarão.

Que tipo de tomista é este?


Rothbard fez amizade com um número de católicos proeminentes durante a sua vida, mas, evidentemente, não foi convertido por nenhum deles. Ele professava ser um “neotomista” por causa de sua noção secularizada peculiar de “direitos naturais” desvinculada de qualquer dom divino. Rothbard (e outros austríacos) tentou fazer passar a sua versão de direitos naturais como também sancionada pelos Escolásticos Espanhóis, mas é claro que nenhum filósofo escolástico declarou que poderia haver direitos naturais sem o Juiz divino para dar-lhes a força da lei natural, que é a participação inata do homem na lei eterna. Não pode haver direitos sem um juiz, nem lei sem um legislador. E, se não há um Criador divino, que dotou o homem de uma natureza fixa, que sentido faz falar de “natureza” humana e de direitos “naturais”? O “estudo” de Rothbard que atribui a Santo Tomás e a Suárez a “independência absoluta da lei natural da questão da existência de Deus...”[3] não foi só de má qualidade; foi escancaradamente absurdo.[4] 
A teoria do direito natural de Rothbard foi limitada à (inexistente) “propriedade” do próprio corpo e à posse da propriedade privada anexada à primeira apropriação de recursos não utilizados.[5] Uma vez que estes eram os dois únicos direitos naturais que Rothbard reconhecia como universalmente vinculativos, ele (como o estritamente utilitário Mises) limitaria o poder do governo à proteção desses direitos apenas. Assim, ele definiu “liberdade” como “a ausência de invasão [grifos seus] por outro homem à pessoa ou à propriedade do homem”.[6] 
Com base em seus conceitos de direitos naturais e de liberdade, cujo desvio do ensinamento católico não precisa de demonstração, o “querido Murray” defendia não só o direito legal ao aborto, mas também o direito de vender os filhos (ou seja, vender a propriedade dos direitos dos pais) ou, se preferirmos, deixar as crianças de alguém morrer de fome. O último “direito”, escreveu Rothbard, “permite-nos resolver questões tão prementes como: os pais devem permitir que um bebê deformado morra (por exemplo, não alimentá-lo)? A resposta é, obviamente, sim...”[7] Rothbard estava certo, porém, de que “em uma sociedade libertária a existência de um mercado livre de bebês vai levar tal ‘negligência’ a um mínimo”.[8] Estes pontos de vista do “querido Murray” são enunciados em sua Ética da Liberdade, que o Sr. Rockwell promove como parte do “âmago” e um dos dez “must have” [a] da literatura austríaca.[9] 

Libertando os preços e os salários da moralidade

Na demonstração de que os austríacos não apresentaram com precisão o ensino escolástico sobre o salário justo e preço justo, Dr. Chojnowski fez muito mais do que apresentar uma questão acadêmica. Como ele observa, Mises (e, mais ainda, Rothbard) defendeu uma ordem social que nega a Cristandade e todo o ensinamento social, econômico e moral da Igreja Católica [e] também torna “inoperante” toda a moral clássica e a tradição filosófica. 
O Dr. Chojnowski aqui se refere a uma verdade fundamental da existência humana afirmada pelo homem ocidental desde a época dos filósofos pagãos até os grandes papas antiliberais dos séculos XIX e início do século XX: ou seja, que o homem é ordenado por sua própria natureza à vida em sociedade, sob um governo comum e um conjunto de leis, e que esse arranjo, o chamado Estado, é necessário não só para a manutenção da paz, mas também para a realização da virtude, o que significa “tornar-se tão parecido a Deus quanto é possível ao homem tornar-se”.[10] Como declarou o Papa Leão XIII na Libertas, sua encíclica monumental sobre a natureza da liberdade humana: 
“Mesmo os filósofos pagãos reconheceram claramente essa verdade, especialmente aqueles que consideraram que somente o homem sábio é livre, e o termo ‘homem sábio’ significa, como é sabido, o homem treinado para viver de acordo com sua natureza, isto é , na justiça e na virtude”.[11] 
O sistema misesiano-rothbardiano, indo ainda além dos revolucionários franceses e da Declaração dos Direitos do Homem, rejeita totalmente tal conceito de Estado. Como Rothbard escreveu em A Ética da Liberdade:
“A grande falha da teoria da lei natural – de Platão e de Aristóteles aos tomistas e até Leo Strauss e seus seguidores nos dias atuais – é ter sido profundamente a favor do estado, em vez de individualista.” 
Ou seja, toda a tradição ocidental está errada, e o “querido Murray” está certo. Após Rothbard, muitos (senão a maioria) austríacos contemporâneos não só limitam o poder do Estado à prevenção da violência e do mero roubo (à la Mises), mas aboliriam o Estado, em favor de uma utópica política “anarcocapitalista” em que a ordem social é mantida inteiramente pelas companhias de seguros[13] e por outras agências privadas contratuais. Como o estudioso libertário Ralph Raico explica: 
“Os economistas austríacos contemporâneos, seguindo os passos de Mises, têm em geral adotado uma forma mais radical de liberalismo. Pelo menos um deles, Murray N. Rothbard... foi ainda mais longe em seu antiestatismo. É em grande parte devido ao “estudo e advocacia libertária” de Rothbard... que o austrianismo está associado nas mentes de muitos a uma defesa do livre mercado e da propriedade privada, até ao ponto da própria abolição do estado, e, portanto, do triunfo total da sociedade civil...”[14] 
Assim, marxistas e austríacos igualmente imaginam um definhamento do Estado, apesar de chegarem à sua terra de sonhos por lados opostos: um por abolir a propriedade privada, o outro exaltando-a como ao summum bonum [b] da política (ainda que, como permitiu Rothbard, a “ética pessoal” possa ter um objetivo maior em vista). 
Vendo contra este pano de fundo a tentativa dos austríacos de lançar os escolásticos espanhóis como protoaustríacos, um empreendimento iniciado por Rothbard é altamente significativo. O objetivo aqui é convencer-nos de que é perfeitamente católico acreditar que “o preço de mercado é o preço justo” sem mais investigação moral, e que isso é verdade sempre e em toda parte, tanto quanto a salários ou commodities. Claro que aceitar este ditado é rejeitar o ensino de sete papas consecutivos, tanto pré quanto pós-conciliares, que mantêm muito pelo contrário a questão dos salários justos: Leão XIII, São Pio X, Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II, todos insistiram precisamente no ponto de que o “salário de mercado” e o salário puro e simples não são moralmente equivalentes, de que um empregador é obrigado por justiça, sempre que as condições o permitam, a pagar um salário suficiente para o apoio ordinário de um trabalhador dependente e sua família, não importa o que dite supostamente “o mercado”. Como o Papa Leão declarou na Rerum Novarum (§ 63): 
“Aqui subjaz um ditame da justiça natural mais imperiosa e antiga do que qualquer negócio entre homem e homem, ou seja, que os salários não devem ser insuficientes para suportar um assalariado frugal e bem-comportado. Se por necessidade ou medo de um mal maior o trabalhador aceitar condições mais duras, porque o que um empregador ou contratante deverá pagar a ele não é melhor, é feito vítima da força e da injustiça...”
Como diriam os austríacos, os escolásticos espanhóis teriam partilhado a sua teoria de que os preços e salários decorrem da soma de avaliações subjetivas de utilidade por partes para trocas (ou seja, o que cada parte pensa do bem ou serviço por adquirir ou ceder vale em termos de atendimento às necessidades ou desejos em sua escala pessoal de valores), em lugar de fatores objetivos como custo mais lucro razoável, que é necessário para manter a nossa posição na vida, ou do comumente estimado valor intrínseco de um bem. Como mostra o Dr. Chojnowski, no entanto, os próprios escritos dos austríacos admitem (ou pelo menos revelam inadvertidamente) que os escolásticos não ensinam esta visão absolutista. Pelo contrário, como o renomado economista católico tradicional Heinrich Pesch S. J. assinalou no volume V de seu tratado enciclopédico sobre economia, Lehrbuch der Nationalokonomie, o ensino escolástico sobre o preço justo envolvia “uma combinação de fatores ‘subjetivos’ e ‘objetivos’, uma vez que estes exercem influência decisiva na formação dos preços”. Esses fatores não incluem apenas uma utilidade subjetiva, mas também “a capacidade qualitativa dos bens para satisfazer os desejos humanos”, o “trabalho e os custos envolvidos na produção e fabrico dos produtos disponíveis”, e, o mais prejudicial para a afirmação dos austríacos, “a estimativa de valor geral [objetivo] e o preço oficialmente fixado”, em consonância com a prática legal comum em tempos medievais de preços máximos fixados pelo príncipe, especialmente quanto às necessidades de vida.[15] Na verdade, mesmo quanto à questão dos salários os escolásticos espanhóis estavam em geral acordo com a posterior visão papal de que no mercado de trabalho “a compulsão foi possível devido à desvantagem no poder de negociação realizada tanto pelo empregado quanto pelo empregador”, e que “o conluio associado com mercado de trabalho pode exigir um observador imparcial para estabelecer o justo salário, devidamente reforçado pela regra jurídica”[16] – e isso não é exatamente música para os ouvidos austríacos. 
Por que a insistência austríaca em uma teoria utilitária exclusivamente subjetiva e no “livre acordo” resultante como o único critério de justiça em preços e salários? Por que os austríacos defendem seriamente Scrooge[17] e a prática de vender a preços mais altos [c], a qual desespera os consumidores durante emergências,[18] quando a voz da consciência em cada homem razoável grita “ultrajante” e “injusto”? A resposta é que, se não há um padrão objetivo de preço justo ou de salário, e se o preço justo ou o salário são – em todos os casos, sempre e em toda parte – simplesmente o preço de mercado, então o mercado torna-se totalmente “autorregulado” e, portanto, imune à correção moral de seus abusos tanto pela Igreja quanto pela autoridade pública. Se o preço justo é nada mais do que o preço de mercado, então, bastante convenientemente, o mercado nunca falha em alcançar a justiça assim definida. Isto significa que a maravilhosa capacidade de “autorregulação” do mercado pode ser citada a favor de toda uma “sociedade de mercado livre” com base no “princípio do mercado”, onde a ação humana em geral é livre de qualquer norma “externa” da justiça imposta por lei, salvo o que rege o intercâmbio econômico, isto é, a ausência de violência ou roubo. Como Rothbard argumentou em um trecho cheio de terminologia carregada: 
“Cada vez que ocorre um livre, pacífico ato de unidade de troca, o princípio do mercado foi posto em operação; cada vez que um homem coage uma troca pela ameaça de violência [isto é, pela força da lei imposta pela autoridade pública], o princípio hegemônico foi posto a trabalhar. Todos os matizes da sociedade são misturas destes dois elementos primários. Quanto mais prevalece o princípio do mercado em uma sociedade, maior será portanto a liberdade da sociedade e sua prosperidade. Quanto mais o princípio hegemônico abunda, maior será a extensão da escravidão e da pobreza...”[19]

A heresia austríaca

O esforço para “batizar” o que tem sido corretamente chamado de (em amplo sentido não canônico) “a heresia austríaca” nos levaria apenas a uma forma “purificada” da mesma ordem social condenada por todos os papas desde Pio VI a Pio XII. Como os católicos fiéis o entendem, no entanto, Murray Rothbard não tinha ideia do que significa “liberdade”, nem nenhuma autoridade para ensinar o mundo sobre a natureza da liberdade social. Toda a verdade sobre a liberdade social pode ser encontrada apenas no ensinamento do Magistério, um parágrafo único que contém mais sabedoria do que todo o corpo inchado de filosofia política austríaca. Como o Papa Leão ensinou na Libertas Praestantissimum: 
“[A] lei eterna de Deus é o único padrão e regra da liberdade humana, não apenas em cada homem individual, mas também na comunidade e na sociedade civil que os homens constituem [...]. Portanto, a verdadeira liberdade da sociedade humana não consiste em cada um fazer o que quiser, pois isso simplesmente isso acaba em tumulto e confusão, e leva à derrubada do Estado; mas sim no fato de que através das injunções da lei civil todos possam mais facilmente estar em conformidade com as prescrições da lei eterna... O que foi dito da liberdade dos indivíduos não é menos aplicável a eles quando considerados como unidos na sociedade civil. Pois o que a razão e a lei natural fazem para os indivíduos, a lei humana, promulgada para o bem deles, o faz para os cidadãos do Estado.”[20]
O Papa Leão aqui descreve com concisão maravilhosa o único conceito de liberdade social a que os católicos podem aderir. Também não devemos considerar o argumento por alguns católicos austríacos de que o conceito da Igreja sobre liberdade social está fora de questão hoje, e que devemos contentar-nos com um compromisso expediente com “os fatos”. Falando precisamente deste tipo de liberal católico, Pio XI declarou: 
“Muitos acreditam ou dizem que acreditam [...] na doutrina católica sobre questões como autoridade social, sobre o direito de possuir propriedade privada, sobre as relações entre capital e trabalho, sobre os direitos do homem trabalhador, sobre as relações entre a Igreja e o Estado, a religião e o país [...], sobre os direitos sociais de Jesus Cristo, que é o Criador, Redentor e Senhor não somente dos indivíduos, mas das nações. Apesar desses protestos, eles falam, escrevem e, o que é pior, agem como se já não fosse necessário seguir, ou como se já não permanecessem em pleno vigor, os ensinamentos e as solenes declarações que podem ser encontrados em tantos documentos da Santa Sé, e em particular aqueles escritos por Leão XIII, Pio X e Bento XV. Há uma espécie de modernismo moral, legal e social que nós condenamos, não menos do que Nós decididamente condenamos o modernismo teológico”.[21] 
Finalmente, podemos responder a esses modernistas sociais, que exigem um comprometimento do ideal católico, citando contra eles a exortação do próprio Rothbard de nunca abandonar um “idealismo radical”: 
“O economista do livre mercado F. A .Hayek, ele mesmo em nenhum sentido um extremista, escreveu eloquentemente sobre a importância vital para o sucesso da liberdade de manter a ideologia pura e ‘extrema’ no ar como um credo para nunca ser esquecido. Hayek escreveu que uma das grandes atrações do socialismo sempre foi a permanência da tensão em seu objetivo ‘ideal’, um ideal que permeia, informa e orienta as ações de todos aqueles que lutam para alcançá-lo... Hayek aqui destaca uma verdade importante, e uma razão importante para ressaltar o objetivo final: a emoção e o entusiasmo que um sistema logicamente consistente pode inspirar.”[22] 
Os católicos podem certamente subscrever o sentimento de Rothbard de “manter no ar” seu próprio “credo para nunca ser esquecido” sobre a verdadeira liberdade. O credo católico de liberdade pode ser encontrado na doutrina transmitida a eles não por liberais pensadores judeus, mas pela Igreja que Deus Encarnado fundou para fazer discípulos de todas as nações. Só podemos agradecer ao Dr. Chojnowski o estar em oposição àqueles, incluindo católicos equivocados, que avançariam com outro ideal da sociedade humana. 

O autor:
O Sr. Ferrara é Presidente e Conselheiro Chefe da Associação Americana de Advogados Católicos, Inc., uma organização religiosa dedicada a defender os direitos civis dos católicos em litígios e no discurso público.

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Notas:
1. “Mises Institute Supporters Summit: Radical Scholarship”, http://_www.mises.org / upcomingstory.asp control = 68.
2. “The Unstoppable Rothbard”, 7 de janeiro de 2005.
3. Rothbard, Murray, The Ethics of Liberty (New York: New York University Press, 2002), p. 4.
4. Como observou o Padre Copleston, Suárez certamente ensinava que “Deus é, de fato, o autor da lei natural; pois Ele é o Criador e Ele quer submeter os homens a observar os ditames da razão”. História da Filosofia Política, vol. III, p. 385. Sem a vontade divina, lei natural e direitos naturais, como tais, não podem existir, pois o que obriga o homem a observar os “direitos naturais” dos outros se não há Deus para impor a obrigação? Os escolásticos posteriores apenas enfatizaram a bondade intrínseca da lei natural contra o nominalismo de Guilherme de Ockham, que considerou que a validade da lei natural dependia apenas da vontade arbitrária de Deus, que poderia, se Ele assim o quisesse, tornar o assassinato um direito natural.
5. Ethics of Liberty, p. 43.
6. Ibid., p. 42.
7. Ibid.
8. Ibid.
9. Ver (“Ten Must Haves”) http:// www.mises.org/store/category.asp7Customer ID=848567 &ACBSessionID=euoZXmrhabgTmkMTw5DX&SID=2&CategoryJD=10;
(“The Core”)  http://www.mises.org / Study Guide Display.asp? SubjID=116. Como todos os liberais doutrinários, Rothbard permitiu que o aborto e a fome intencional de crianças pudessem ser vistos como moralmente errados de acordo com a “ética pessoal”, mas ele insistiu em que o Estado não tem direito de proibir tal conduta.
10. Copleston, A History of Philosophy, vol. 1, p. 218 (quanto à definição de Platão da busca da virtude).
11. Libertas Praestantissimum, § 6.
12. Rothbard, Ethics of Liberty, p. 21.
13. Ver, por exemplo, Hans Hermann Hoppe, Democracy: The God That Failed (New Brunswick, NJ: Transaction Publishers, 2004), p. 247: “Há amplo consenso entre os liberais-libertários, como Molinari, Rothbard... bem como com a maioria dos outros comentaristas, quanto a que a defesa é uma forma de seguro e que os gastos de defesa representam uma espécie de prêmio de seguro... os candidatos mais prováveis ​​para oferecer proteção e serviços de defesa [em lugar do governo] são as agências de seguros.”
14. Ralph Raico, “The Austrian School and the Classical Liberalism”, em: mises.org/etexts/aus-trian liberalism.asp.
15. Heinrich Pesch on Solidarist Economics. Excerpts from the Lehrbuch der der Nationalokonomie(Oxford: University Press of America, 1998), p. 218.
16. Ibid., p. 475.
17. Michael Levin, “In Defense of Scrooge”, 18 de dezembro de 2000, emhttp://www.mises.org/fullstory.aspx?control=573.
18. John R. Lott, Jr., “Especially During Disasters”, http://www.lewrockwell.com/lott/Iott29.html. Lott, aparentemente, não é um austríaco formal, mas os seus argumentos, publicados neste site austro-libertário maior, são típicos desta escola.
19. Murray Rothbard, Power and Market, Edição Online, p. 1363.
20. Libertas Praestantissimum, § 10.
21. Ubi Arcano Dei, § § 60-61.
22. “The Case for Radical Idealism”, lewrockwell.com, 03 de janeiro de 2005.

Original aqui.

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Notas da tradutora:
[a] “must have” - expressão que significa aquilo que uma pessoa tem de ter, que é necessário.
[b] summum bonum – expressão do latim que significa o bem sumo ou maior, o que de mais importante o homem deve buscar.
[c] No original “price-gouging”, que é termo usado para definir a prática de pôr preços mais altos do que vale a mercadoria, mais altos que o que é justo.

Original aqui.

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Notas da tradutora:
[a] “must have” - expressão que significa aquilo que uma pessoa tem de ter, que é necessário.
[b] summum bonum – expressão do latim que significa o bem sumo ou maior, o que de mais importante o homem deve buscar.
[c] No original “price-gouging”, que é termo usado para definir a prática de pôr preços mais altos do que vale a mercadoria, mais altos que o que é justo.