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quinta-feira, janeiro 30, 2020

Como se faz a meditação católica?

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Santo Afonso Maria de Ligório responde com o passo a passo

A meditação ou oração mental contém três partes:
  • A Preparação
  • A Meditação
  • A Conclusão

I. PREPARAÇÃO

Na preparação fazem-se três atos:
1º Ato de Fé na presença de Deus, dizendo:
Meu Deus, eu creio que estais aqui presente e Vos adoro com todo o meu afeto
2º Ato de Humildade, por um breve ato de contrição:
Senhor, nesta hora deveria eu estar no inferno por causa dos meus pecados; de todo o coração arrependo de Vos ter ofendido, ó Bondade infinita.
3º Ato de Petição de luzes:
Meu Deus, pelo amor de Jesus e Maria, esclarecei-me nesta meditação, para que tire proveito dela.
Depois uma Ave Maria à Santíssima Virgem, a fim de que nos obtenha esta luz; e na mesma intenção um Glória ao Pai a São José, ao Anjo da Guarda e ao nosso Santo Protetor.
Estes atos devem ser feitos com atenção, mas brevemente; depois deles se fará a Meditação.

II. MEDITAÇÃO

Para a Meditação sirvamo-nos sempre de um livro, ao menos no começo, parando nas passagens que mais impressão nos fazem. São Francisco de Sales diz que devemos imitar as abelhas, que se demoram numa flor enquanto acham mel, e voam depois para outra.
Note-se além disto que são três os frutos da meditação: afetos, súplicas e resoluções; nisto é que consiste o proveito da oração mental. Assim, depois de haverdes meditado numa verdade eterna, e Deus ter falado ao vosso coração, é mister que faleis a Deus:

1º Pelos Afetos

Isto é, pelos atos de fé, agradecimento, adoração, louvor, humildade, e sobretudo de amor e de contrição, que é também ato de amor. O amor é como que uma corrente de ouro que une a alma a Deus. Conforme Santo Tomás, todo o ato de amor nos merece mais um grau de glória eterna. Eis aqui exemplos de atos de amor:
  • Meu Deus, eu Vos amo sobre todas as coisas.
  • Eu Vos amo de todo o meu coração.
  • Fazei-me saber o que é de vosso agrado; quero fazer em tudo a vossa vontade.
  • Regozijo-me por serdes infinitamente feliz.
Para o ato de contrição basta dizer:
Bondade infinita, pesa-me de Vos ter ofendido.

2º Pelas Súplicas

Pedindo a Deus luzes, a humildade ou qualquer outra virtude, uma boa morte, a salvação eterna; mas principalmente o dom do seu santo amor e a santa perseverança, porque, no dizer de São Francisco de Sales, com o amor se alcançam todas as graças.
Se a nossa alma está em grande aridez, basta dizermos:
Meu Deus, socorrei-me. Senhor, tende compaixão de mim. Meu Jesus, misericórdia!
Ainda que nada mais fizéssemos, a oração seria excelente.

3º Pelas Resoluções

Antes de se terminar a oração, cumpre tomar alguma resolução, não geral, como por exemplo evitar toda falta deliberada, de se dar todo a Deus, mas particular, como por exemplo evitar com mais cuidado tal defeito, em que se caia mais vezes, ou praticar melhor tal virtude em que a alma procurará exercer-se mais vezes: como seja, aturar o gênio de tal pessoa, obedecer mais exatamente a tal superior ou a regra, mortificar-se mais frequentemente em tal ponto, etc. Nunca terminemos a nossa oração sem havermos formado uma resolução particular.

III. CONCLUSÃO

Enfim, a conclusão da oração compõem-se de três atos:
1º De agradecimento pelas luzes recebidas, e de pedido de perdão das faltas cometidas no tempo da oração:
Senhor, eu Vos agradeço as luzes e os afetos que me destes nesta meditação e Vos peço perdão das faltas nela cometidas.
2º De oferecimento das resoluções tomadas e de propósito de guardá-las fielmente:
Meu Deus, eu Vos ofereço as resoluções que com a vossa graça acabo de tomar, e resolvido estou a executá-las, custe o que custar.
3º De súplica, pedindo ao Pai Eterno, pelo amor de Jesus e de Maria, a graça de executá-las fielmente:
Meu Deus, pelos merecimentos de Jesus Cristo e pela intercessão de Maria Santíssima, dai-me a força de por fielmente em prática as resoluções que tomei.
Termina-se a oração recomendando a Deus a Santa Igreja, os seus Prelados, as Almas do Purgatório, os pecadores, e todos os nossos parentes, amigos e benfeitores, por um Pai Nosso e uma Ave Maria, que são as orações mais úteis por nos serem ensinadas por Jesus Cristo e pela Igreja:
Senhor, eu Vos recomendo a Santa Igreja, com os seus Prelados, as Almas do Purgatório, a conversão dos pecadores, e todas as minhas necessidades espirituais e temporais bem como as dos meus parentes, amigos e benfeitores.

Depois da Meditação

Depois da meditação devemos:
1º Conforme o conselho de São Francisco de Sales, fazer um ramalhete de flores afim de cheirá-lo durante o dia, quer dizer, imprimir bem na memória um ou dois pensamentos que mais impressão nos fizeram, para os recordarmos e nos revigorarmos durante o dia.
2º Por logo em prática as resoluções tomadas, tanto nas ocasiões pequenas como nas grandes, que se apresentarem: por exemplo suportarmos com paciência uma pessoa irada contra nós, mortificarmo-nos na vista, no ouvido, na conversa.
3º Por meio do silêncio e recolhimento, conservar o mais tempo possível os afetos excitados na oração; sem isso, o fervor concebido na oração esvaecer-se-á logo pela dissipação no proceder ou pelas conversas inúteis.

Fonte: Aleteia


terça-feira, janeiro 14, 2020

Cuide de sua língua

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"Estupidez é falar muito, porque o pecado se introduz entre a multidão de palavras".
(São Bernardo de Claraval)


Quanto mais falamos, mais corremos o risco de nos comprometer. O silêncio é ouro, já diziam os antigos, mas como é difícil hoje viver no silêncio! Tudo é barulho, confusão. Sons por toda a parte, TV, internet, notificações nos celulares, sirenes, reuniões, festas, falatório sem fim. 

E não sei você, mas eu gostaria muito de ter calado mais a minha boca. Quantas vezes eu pequei ou me desentendi com outras pessoas por causa da minha língua... Melhor é aprender a controlá-la. E nós católicos temos que ter um cuidado ainda maior, pois a quem muito é dado muito será pedido. São Bernardo diz: "o pecado tanto é maior, quanto maior tenha sido a virtude de quem o cometeu". Então fique atento, meu irmão! Não pense que porque você está aí frequentando os sacramentos, vivendo em estado de graça, que você não pode cair. Pode sim! Então cuidado, pese bem o que vai dizer, cale-se o mais que puder (sem ser um antipático, claro, vivemos em sociedade e precisamos conversar com outras pessoas).

Então, calemos mais. Que tal fazer disso um desafio? Em vez de perder tempo com fofoca -seja na vida real, seja nas redes sociais - cuide de rezar bem, ouvir boas palestras, boa música, contemplar a natureza, brincar com seus filhos, ler bons livros. Tudo feito com moderação, pode beneficiar muito a alma. Melhor do que passar o tempo com palavras vãs.

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Trechos de São Bernardo de Claraval extraídos de: Tratado da Consciência ou do Conhecimento de Si Mesmo. Editora Nebli.



sexta-feira, janeiro 03, 2020

A Alegria dos Santos

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"Querem estar sempre satisfeitos e risonhos? É a obediência a que nos leva a essa alegria. Se querem que nossa vida seja sempre alegre e tranquila procurem viver sempre na graça. Alegria, Estudo, Piedade. Este é o grande programa. Se o seguir, poderá viver feliz e fazer muito bem à sua alma. Um santo triste é um triste santo" - São João Bosco


Feliz Natal e Um Ano Novo Santo para todos vocês, caros leitores! Busquemos agradar a Deus acima de tudo, que tudo seja para maior glória Dele. Roguemos à Virgem Santíssima proteção e busquemos a santidade com humildade, com Caridade.

Pax!

terça-feira, novembro 19, 2019

Oração a São Judas Tadeu: já me ajudou muito!

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São Judas Tadeu já me ajudou mais de uma vez, e por isso venho aqui deixar a oração para ser feita a este grande santo. Para causas urgentes, difíceis, desesperadas. Veja também o vídeo mais abaixo, se achar melhor.


Oração a São Judas Tadeu


“São Judas, glorioso Apóstolo, fiel servo e amigo de Jesus, o nome do traidor foi causa de que fosseis esquecido por muitos, mas a Igreja vos honra e invoca universalmente como o patrono nos casos desesperados, nos negócios sem remédio.
Rogai por mim, que sou tão miserável. Fazei uso, eu vos peço, desse particular privilégio que vos foi concedido, de trazer visível e imediato auxílio, onde o socorro desapareceu quase por completo.
Assisti-me nesta grande necessidade, para que possa receber as consolações e o auxílio do Céu em todas as minhas precisões, atribulações e sofrimentos, alcançando-me a graça de … (aqui faz se o pedido particular), e para que eu possa louvar a Deus convosco e com todos os eleitos, por toda a eternidade.
Eu vos prometo, ó bendito São Judas, lembrar-me sempre deste grande favor, e nunca deixar de vos honrar, como meu especial e poderoso patrono, e fazer tudo o que estiver a meu alcance para incentivar a devoção para convosco.
Amém.
São Judas, rogai por nós e por todos que vos honram e invocam o vosso auxílio”.
Por fim pode rezar, 3 Pai-Nossos, 3 Ave-Marias e 3 Glória ao Pai.



quarta-feira, novembro 06, 2019

A Psicologia à Luz do Tomismo

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Pensa que Santo Tomás não conhecia o inconsciente? Sim, conhecia! Ele foi um grande psicólogo. Assista a esta aula maravilhosa do professor Carlos Nougué e entenda:



quarta-feira, outubro 30, 2019

10 Ensinamentos de São Filipe Néri

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Conheça 10 de muitas lições deixadas por São Filipe Néri, o santo da alegria:
1. “Então, caro amigos, quando é que começaremos a amar a Deus?”
2. “Quem quiser que lhe obedeçam muito, mande pouco”.
3. “Quanto de amor pomos nas criaturas, tanto tiramos de Deus”.
4. “Não tardes em bem obrar; porque a morte não tarda em vir”.
5. “Quem não puder dedicar longo tempo a oração deve, pelo menos, elevar muitas vezes o seu coração a Deus”.
6. “Neste mundo não há purgatório: ou é paraíso ou é um inferno. Os que suportam com paciência os sofrimentos desta vida gozam o paraíso. Quem assim não o faz, sofre o inferno”.
7. “É possível restaurar as instituições com a santidade, e não restaurar a santidade com as instituições”.
8. “Ser misericordioso com os que caíram é melhor meio para não cairmos nós mesmos!”
9. “Esta só razão devia bastar para manter alegre um fiel — saber que tem Maria Virgem junto de Deus, que pede por ele”.
10. “Longe de mim, o pecado e a tristeza!”

Fonte: Cleofas

quarta-feira, outubro 23, 2019

17 graus da perfeição

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Por São João da Cruz




"Procure em todas as coisas a maior honra e glória de Deus"

1.Por nada deste mundo cometer pecado, nem mesmo venial com plena advertência, nem imperfeição conhecida.
2. Procurar andar sempre na presença de Deus, segundo as obras que se está fazendo.
3. Nada fazer nem dizer coisa de importância que Cristo não pudesse fazer ou dizer se estivesse no estado em que me encontro e tivesse a idade e a saúde que eu tenho.
4. Procure em todas as coisas a maior honra e glória de Deus.
5. Por nenhuma ocupação deixar a oração mental que é o sustento da alma.
6. Não omitir o exame de consciência, sob pretexto de ocupações, e, por cada falta cometida, fazer alguma penitência.
7. Ter grande arrependimento por qualquer tempo não aproveitado ou que tenha escapado sem amar a Deus.
8. Em todas as coisas, altas e baixas, ter a Deus por fim, pois de outro modo não se crescerá em perfeição e mérito.
9. Nunca faltar à oração e, quando experimentar aridez e dificuldade, por isso mesmo perseverar nela, porque Deus quer muitas vezes ver o que há na alma e isso não se prova na facilidade e no gosto.
10. Do céu e da terra sempre o mais baixo e o lugar e o ofício mais ínfimo.
11. Nunca se intrometer naquilo de que não se foi encarregado, nem discutir sobre alguma coisa ainda que se esteja com a razão. E, no que tiver sido ordenado, não imaginar que se tem obrigação de fazer aquilo a que, bem examinado, nada obriga.
12. Não ocupar-se das coisas alheias, sejam elas boas ou más, porque, além do perigo que há de pecar, essa ocupação é causa de distrações e amesquinha o espírito.
13. Procurar sempre confessar-se com profundo conhecimento da própria miséria e com sinceridade cristalina.
14. Ainda que as coisas de obrigação e ofício se tornem dificultosas e enfadonhas, nem por isso desanimar-se, porque não há de ser sempre assim, e Deus, que experimenta a alma simulando trabalho no preceito (Cf. Sl 93,20), em breve a fará sentir o bem e o ganho.
15. Lembrar-se sempre de que tudo quanto se passa, seja próspero ou adverso, vem de Deus, para que assim nem se caia em soberba por um lado, nem no desânimo por outro.
16. Recordar-se sempre de que não se veio senão para ser santo, e, assim, não consentir que reine na alma o que não leve à santidade.
17. Ser sempre mais amigo de dar alegria aos outros do que a si mesmo, e, assim, com relação ao próximo, não ter inveja nem predomínio. Entenda-se, porém, que isto se refere ao que está de acordo com a perfeição, porque Deus muito se aborrece com os que não antepõem o que lhe agrada ao beneplácito dos homens.
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São João da Cruz, em Pequenos Tratados Espirituais

Fonte: O Segredo do Rosário

terça-feira, outubro 22, 2019

Ratio Studiorum e Artes Liberais

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Há uma certa confusão por aí sobre o que é a Educação Clássica e as Artes Liberais. Há os que não aceitam a Educação Clássica por acharem que não é algo católico. Nada disso.

Grandes santos aprenderam assim, na Educação Clássica, nas Artes Liberais, por exemplo, Santa Mônica, Santo Agostinho, Santo Antônio de Pádua. Mas há muitos outros santos que foram educados nas Artes Liberais porque no passado era assim que se aprendia bem. Esse tipo de educação nas Artes Liberais desenvolve faculdades da alma que são próprias para compreensão de coisas graves como a Teologia.

Os Jesuítas, que muitos sabem foram grandes educadores, usaram as Artes Liberais para educar seus pupilos. Eles criaram a Ratio Studiorum, um sistema muito eficiente, que preparava a mente para a contemplação das coisas do Alto, um sistema todo baseado no Trivium e no Quadrivium, nas Artes Liberais, na Educação Clássica. Assista a aula do professor Marcus Boeira, abaixo, e entenda do que se trata.




quarta-feira, outubro 16, 2019

7 Frases Para Ser Feliz Como Dom Bosco

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donbosco_140815Diz-se que Dom Bosco era um santo alegre e que, mesmo quando tinha muitos problemas, demonstrava ainda mais alegria. Tudo isso como resultado de sua plena confiança na Providência Divina e em Nossa Senhora Auxiliadora.
Do muito que disse e escreveu Dom Bosco, apresentamos sete frases do santo que podem ajudar a alcançar a felicidade.
1. “Alegria, Estudo, Piedade. Este é o grande programa. Se o seguir, poderá viver feliz e fazer muito bem à sua alma”.
2. “Se querem que nossa vida seja sempre alegre e tranquila procurem viver sempre na graça”.
3. “Querem estar sempre satisfeitos e risonhos? É a obediência a que nos leva a essa alegria”.
4. “Com a comunhão frequente os tornareis muito queridos por Deus e pelos homens, e Maria Santíssima os concederá a graça de receber os Santos Sacramentos ao fim da vida”.
5. “Ser bom não consiste em não cometer falhas, mas na vontade de corrigir-se”.
6. “Para trabalhar com sucesso, tenha caridade no coração e paciência na execução”.
7. “Faça o que pode, Deus fará o que não podemos fazer. Confie sempre em Jesus Sacramentado e em Nossa Senhora Auxiliadora e verá o que são milagres”.
Fonte: Acidigital

quinta-feira, outubro 03, 2019

Campanha Doutor Zelosíssimo

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Participe dessa campanha com três livros maravilhosos! Campanha Doutor Zelosíssimo: Santo Afonso Maria de Ligório e o Sagrado Coração de Jesus.o Coração de Jesus

Clique aqui para acessar o site da campanha.

quarta-feira, outubro 02, 2019

Ensinamentos da Igreja Católica contra o homoerotismo

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Santo Agostinho

Santo Agostinho, “Confissões”, Livro 3, Capítulo 8: “‘Por isso, todos os pecados contra a natureza, como o foram os dos sodomitas, hão de ser detestados e castigados sempre e em toda parte, pois, mesmo que todos os cometessem, não seriam menos réus de crime diante da lei divina, que não fez os homens para usar tão torpemente de si; de fato viola-se a união que deve existir com Deus quando a natureza da qual ele é autor, se mancha com a depravação das paixões.

(...)

O que vingas são os crimes que os homens cometem contra si, porque, mesmo quando pecam contra ti, agem impiamente contra suas próprias almas, e sua iniquidade engana-se a si própria, quer corrompendo e pervertendo sua natureza – feita e ordenada por ti – quer usando imoderadamente as não permitidas, pelo uso daquilo que é contra a natureza.

São Gregório, o Grande, 6º século

“São Gregório, o Grande, Moralia (Comentário de Jó), Livro 14, 23: “O que é ‘enxofre’ senão combustível de fogo ... que é mandado o mais imundo fedor.  O que então entendemos por ‘enxofre’ senão pecado carnal, que, enquanto preenche a mente com pensamentos maus como um tipo de cheiro ruim, está queimando eternamente fogos por isso; e enquanto que dispersa a nuvem de seu fedor na alma perdida, é como se estivesse fornecendo contra ela combustível para as chamas que vêm depois.  Pois que o imundo fedor da carne é entendido como feito de enxofre, a simples história das Escrituras que por si mesma registra, que relata que o Senhor ‘fez chover fogo e enxofre sobre Sodoma’. ... Ele determinou punir sua maldade carnal pelo pleno caráter da punição marcada fora pela mancha de sua culpa: na medida em que ‘enxofre’ causa fedor, e fogo queimando; e assim, visto que, como eles tinham sido queimados aos maus desejos no cheio ruim da carne, foi achado que eles deveriam perecer pelo fogo e enxofre combinados, que por sua justa punição eles poderiam ser ensinados o que tinham feito em desejo injusto.  E, assim, esse ‘enxofre é disperso pela habitação’ dos homens maus tão frequentemente quanto a corrupta indulgência dos exercícios do domínio da carne consigo; e enquanto que os maus pensamentos incessantemente ocupam-no e proíbem sua caminho adiante do fruto da boa prática, é corretamente acrescentado.”

São Pedro Damião, século XI

São Pedro Damião livro de Gomorrha, 1051 DC: “Esse vício esforça-se em destruir os muros da terra natal celestial e reconstruir aquelas da devastada Sodoma.  Realmente! Ela viola a temperança, mata a pureza, reprime a castidade, e polui tudo; ela não deixa nada puro, não há nada senão imundície... Esse vício expulsa o indivíduo do coro das hostes eclesiásticas e obriga-o a integrar os energúmenos daqueles que trabalham em aliança com o demônio; separa a alma de Deus e a vincula aos demônios.  Essa mais pestilenta rainha dos Sodomitas [que é o homoerotismo] torna aquele que obedece suas tirânicas leis repugnantes aos homens e detestável a Deus... Ela humilha na Igreja, condena nos coros, polui em segredo, desonra em público, atormenta a consciência da pessoa como um verme, e queima sua carne como fogo.  A carne miserável queima com o fogo da luxúria, a inteligência fria treme sob o rancor da suspeição, e o coração do homem infeliz é possuído pelo caos infernal; e suas dores de consciência são tão grandes quanto a tortura é punição que ele deverá sofrer... Realmente, esse flagelo destrói os fundamentos da fé, enfraquece a força da esperança, dissipa os laços da caridade, aniquila a justiça, mina a coragem ... e embota a guarnição da prudência... O que mais deveria dizer? Ela expulsa todas as forças da virtude do templo do coração humano e, empurrando a porta de suas dobradiças, lhe introduz toda a barbaridade do vício... Com efeito, o indivíduo a quem ... essa besta atroz [do homoerotismo] engoliu sua garganta sangrenta é prevenida, por sua extrema maldade.  Assim, tão logo alguém caia no abismo da perdição extrema, ele é exilado da terra natal celestial, separado do Corpo de Cristo, confundido pela autoridade da plena Igreja, condenado pelo julgamento de todos os Santos Padres, desprezado pelos homens na terra, e reprovado pela sociedade de cidadãos celestiais.  Ele cria para si mesmo uma terra de fogo e um céu de bronze... Ele não pode ser feliz enquanto vive nem ter esperança quando morre porque na vida é obrigado a sofrer a ignomínia da zombaria dos homens e, posteriormente, o tormento da condenação eterna” (Liber Gomorrhianus, in PL 145, col. 159-178).

Ibid.: “Aqueles que incorrem em pecados [contra a natureza] ... deveriam estar subjugados não somente a uma dura pena, mas a uma pena pública e o Papa Sirício proíbe penitentes de ingressar em ordens clericais; pode-se claramente deduzir que ele corrompe a si próprio com um homem através da ignominiosa imundície de uma união suja que não merece o exercício de funções eclesiásticas, na medida em que foram anteriormente dados aos vícios ... se tornam inadequados a administrar os Sacramentos.”

Santa Catarina de Siena:

Mas eles [os homossexuais] agem de modo contrário, [...] cheios não apenas daquela impureza para a qual todos estais inclinados devidos à fraqueza da vossa natureza (embora a razão, quando a vontade livre permite, possa aquietar a rebelião da natureza). Esses desgraçados não só não refreiam essa fragilidade, mas fazem pior, cometendo aquele maldito pecado contra a natureza.  Como cegos e insensatos, com a luz do seu intelecto obscurecida, não reconhecem o mau odor e a miséria em que se encontram.  Não apenas porque esse pecado tem mau odor diante de mim, que sou a suprema e eterna Verdade, mas de fato ele me desagrada a tal ponto, e eu o tenho em tanta abominação, que por causa apenas dele Eu queimei cinco cidades por punição divina, pois a minha justiça divina não mais podia suportá-lo.  Esse pecado desagrada não apenas a mim, como já disse, mas também aos próprios demônios que esses desgraçados tornaram seus senhores.  Não que esse mal os desagrade [aos demônios], pois não gostam de nada que seja bom, mas porque a natureza deles, que foi originalmente Angélica, provoca-lhes repugnância ao ver cometer tão enorme pecado.”

São Bernardino de Siena

"Alguém que viveu praticando o vício da sodomia sofrerá mais dores no inferno do que qualquer outro, porque esse é o pior pecado que existe".

quarta-feira, setembro 25, 2019

Os contos de fadas e seus críticos

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Tal como Chesterton e Dom Williamson, eu acredito que a imaginação tem seu lugar, e que obras de ficção de boa qualidade ajudam a formar o ser humano. Os Contos de Fadas (fábulas e histórias infantis tradicionais) são importantes para a formação da criança, e assim foram formados todos os grandes homens da Antiguidade e da Idade Média; gente como Santo Agostinho, Santa Mônica, e São João Crisóstomo, por exemplo.

Em minha casa nós lemos os contos de fadas e fábulas e lemos também sobre as vidas dos santos. Uma coisa não exclui a outra. 

Leiam abaixo o texto de Márcia Xavier de Brito, coordenadora da equipe de tradução d''O Fabuloso Livro Azul, da Editora Concreta.


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A boa fantasia, fruto do “ensolarado país do bom senso”, como lembrava Chesterton, nos fornece desde a tenra idade “as perspectivas do real e do ideal, do mundano e do sagrado, do pequeno e do grande, do temporal e do eterno”. Trazem para as vidas de crianças e adultos modelos de heroísmo, um senso de significado e de providência, a idéia de uma felicidade condicional, reforçam a crença na vocação humana e o amor pela criação.

Existem, contudo, os que criticam a educação pelos contos de fadas. Dentre eles poderíamos destacar dois tipos diferentes, mas que, no fundo, são essencialmente iguais.

O primeiro tipo de crítico poderíamos chamar, em homenagem a Charles Dickens (1812-1870), de “Sr. Gradgrind”. No romance de Dickens, o Sr. Gradgrind já enunciava sua pedagogia na advertência: “No momento o que quero são fatos. Ensine a esses meninos e meninas nada além de fatos. Somente fatos são necessários na vida.” Um crítico do tipo Gradgrind nos diz, portanto, que a educação por contos fantásticos e histórias de fadas promove um escapismo acrítico da realidade. Os Gradgrinds são “grandes realistas”, verdadeiros seguidores de Rousseau, Bentham, James Mill, só para citar alguns pensadores que partilham desses ideais. Desejam censurar e controlar as crianças para que os “pequenos adultos” se tornem “grandes homens”, sem desperdício ou devaneios.

Para os Gradgrinds, todos os aspectos da vida têm de se voltar para a realidade, tudo tem de ser problematizado, politizado, afinal, essa é a vida real! Para esse tipo de crítico teria sido muito melhor ensinar as crianças a respeito de grandes vultos históricos, que aprendessem sobre coisas e fatos da vida real (Chesterton nos adverte que a Duquesa de Somerset era um desses tipos gradgrindianos). Para eles até o lazer – e aí incluímos a literatura – tem de ser instrumentalizado, escolarizado, tem de ter um propósito prático. Pretendem fincar com chumbo os pés da criança no mundo cinza e ideologizado daquilo que chamam de realidade. O didático tem de se sobrepor ao literário, a realidade à fantasia.

Infelizmente, essa rejeição do maravilhoso e do fantástico não é novidade nem exclusividade do século XXI. O próprio Andrew Lang (1844-1912), o famoso folclorista e compilador de contos de fadas escocês, já comenta, no prefácio d’O Fabuloso Livro Verde (The Green Fairy Book):

Existem algumas pessoas adultas que dizem que histórias não são boas para crianças porque não são verdade; porque não existem bruxas nem animais falantes e porque nelas as pessoas são mortas, em especial por gigantes malvados.

E argumenta com seu leitor a respeito da falta de razoabilidade desses adultos:



Mas, provavelmente, vós que ledes sabeis muito bem o que é verdade e o que é faz-de-conta e ainda não ouvi falar de uma criança que tenha matado um homem muito alto simplesmente porque João matou gigantes, ou que tenha sido grosseira com sua madrasta, caso tenha uma, porque nos contos de fadas as madrastas sempre são desagradáveis.[1]



No Brasil, desde a primeira coletânea de 61 histórias de fadas traduzida pelo jornalista Alberto Figueiredo Pimentel (1869-1914), os Contos da Carochinha (1896), já vemos a imagem desse tipo de narrativas ser amesquinhada, associada à mentira e à bruxaria, visto que “carocha” era o nome dado à mitra dos condenados pela Inquisição. Assim, tais contos eram tão-somente mentiras e bobagens para mera distração das crianças.

Em 1937, numa outra coletânea chamada Reino das Maravilhas, Contos de Gênios e de Fadas, o escritor e jornalista Godin da Fonseca (1899-1977) fazia uma advertência no prefácio que ainda é muito atual:



Formou-se no Brasil de hoje uma corrente de pedagogia contra os contos de fadas, e é para admirar que entre os que condenam a vulgarização de Perrault, Grimm, Bazilio, Gozzi, Mme. D’Aulnoy, etc., haja espíritos mais ou menos brilhantes e de sofrível cultura. Falta de visão intelectual? Falta de sentimento? Não sei. O que sei é que dão tratados de mecânica e eletricidade a meninos e meninas, e aconselham como infalíveis geradores de virtudes uns certos “apólogos morais”, que são tudo o que há de mais soberanamente enfadonho para leitores grandes ou pequenos! Servem apenas, esses tratados e esses apólogos, para tirar a jovens e crianças o gosto da leitura e para lhe ir pouco a pouco embotando a mais nobre de todas as faculdades da alma , que é, sem dúvida, a faculdade de sonhar.



Os antigos “fatos” dos Gradgrinds científicos, agora são transformados em “informação” – em pixels ebites –, informatizados, pelos Gradgrinds reformadores do mundo: os pedagogos e filósofos iluminados do século XXI. Desenvolveram uma filosofia e uma linguagem cheias de boas intenções – aquelas mesmas que abarrotam os porões do Inferno. A nova utopia desses reformadores do mundo é pretender criar para a humanidade um ambiente sem conflitos, limpo e homogeneizado em que a vida possa ser feliz e harmônica.

Não há mais tempo a perder, tudo tem de ser rápido – rápido e espetacular! Pelo espírito dos novos tempos temos de ficar entretidos e entreter, mas não precisamos necessariamente de recordar. Memória? Que memória? Vivemos uma grande era visual, cheia de cores e estímulos aos sentidos, em que para tudo basta um toque na tela do computador. O mundo digitalizado e interativo está ao alcance de qualquer um! Já vivemos imersos no maravilhoso e no fantástico, só precisamos garantir que nada aflija esse estado de coisas da modernidade e suas conquistas. Eis o ambiente em que surge o politicamente correto.

Os Gradgrinds modernos, entusiastas de métodos alternativos de educação, portanto, não utilizam mais “apólogos morais” nos moldes do Apólogo para Crianças (1924) de Coelho Neto (1864-1934). O método é tão ou mais “soberanamente enfadonho”, porém muito eficaz: politizar e controlar a “realidade” e a mente das crianças. Nesse contexto, um dos gêneros mais atacados é o dos contos de fadas.

Os contos clássicos trazem uma mensagem bastante inconveniente à nova ideologia. Ensinam que “a natureza humana não é inatamente boa, que o conflito é real, que a vida é severa antes de ser feliz”.[2]Ensinam ainda que existe uma constante comum de humanidade e que a felicidade é condicional: “uma incompreensível felicidade se apóia sobre uma incompreensível condição.”[3]Eliminar o conflito, censurar palavras e expressões tidas como ofensivas ou violentas pelo tribunal dos ideólogos do “Mundo Feliz”, criar novas versões de contos e cantigas tradicionais – nada disso elimina a verdade e a sabedoria contidas nos contos tradicionais. Esses novos Gradgrinds se esquecem (claro, não valorizam a memória!), contudo, de que são exatamente essas narrativas que permitem as crianças tomar consciência delas mesmas e do mundo que as cerca. São essas narrativas aparentemente simples e fantásticas que as ensinam a lidar com conflitos, a dominar não só um código de leitura, mas um código dos símbolos que as permitirá desenvolver um critério de julgamento da própria realidade.

É extremamente necessário que pais e educadores entendam de uma vez por todas que “um outro mundo” não é possível. Não há como mudar a natureza humana, nem com um milhão de histórias boazinhas e moralizantes em que os conflitos e a violência tenham sido assepticamente higienizados e homogeneizados pelos ideólogos do politicamente correto. Nem só de Barneyvivem as criancinhas! :lol:

Educar sem oferecer a possibilidade da formação de juízos de valor baseados em uma constante comum de humanidade é criar, como dizia C. S. Lewis, “primatas de calças”, indivíduos verdadeiramente destituídos da capacidade humana de imaginar ou sentir, que tornar-se-ão “homens sem peito”, os homens desumanos, depressivos e entediados da sociedade moderna.

O absurdo dessa situação no âmbito dos contos de fadas foi ilustrado pelo norte-americano James Finn Gardner em Contos de Fadas Politicamente Corretos – Uma Versão Adaptada aos Novos Tempos. O autor reescreveu, em linguagem politicamente correta, várias dessas histórias, denunciando com muito bom humor o despropósito da nova tendência da linguagem “apropriada” nesse gênero literário. Na versão de Gardner vemos, por exemplo, uma Chapeuzinho Vermelho que, ao ser abordada pelo lobo, responde:



Considero a sua observação sexista e extremamente ofensiva, mas vou ignorá-la por você desempenhar um papel tradicional de pária da sociedade. Agora, se você me desculpar, preciso seguir caminho. E Chapeuzinho foi andando pela estrada afora. :rofl:



Ou ainda, no momento em que Chapeuzinho vê o lobo disfarçado de vovozinha, eis como o narrador descreve a impressão “politicamente correta” da menina:



A menina ficou assustada ao ver o lobo vestido daquele jeito, mas evitou fazer qualquer comentário ou dizer qualquer piada preconceituosa e de mau gosto sobre a opção sexual do animal, mas pôs-se a gritar devido à deliberada invasão do seu espaço pessoal.



Creio que é desnecessário explicar o desarranjo mental que um tipo de literatura assim causaria às futuras gerações.

O outro tipo de crítico que desejo apontar aqui, mais brevemente, é o tipo “caçador de bruxas”. Parte de uma visão de mundo religiosamente perturbada e condena histórias de imaginação como mitos de origem pagã e new age, cujos efeitos são desastrosos nas mentes mais jovens. Da mesma maneira que os tipos gradgrindianos buscam fatos e informações, o “Caçador de Bruxas” acha possível trazer o Reino de Deus para o aqui e agora. A realidade é demasiado mundana para sua religiosidade. Crê que só a letra fria da Palavra de Deus (e nesse caso, as alegorias e metáforas são tratadas com extrema literalidade) ou a vida exemplar dos santos bastam para nutrir a imaginação. Não compreende mitos, metáforas e alegorias; quer espiritualizar o mundo, mas já é um desencantado. É um tipo paradoxal e, como os outros dois, admite gradações. Talvez esse sujeito já seja, ele mesmo, ainda que acredite ser muitíssimo religioso, um fruto do processo de secularização.

Estão, sem saber, imbuídos do espírito mórbido da moralidade moderna, que só consegue indicar os horrores de uma “violação à lei” cuja única certeza é a existência do mal e não a presença onipotente do bem. Tudo é imperfeição, tudo é profano. Assim como os realistas tentam usar a ciência ou a informação para promover a moralidade, os “caçadores de bruxas” pretendem utilizar o que identificam como visão religiosa do mundo para promover uma moralidade moralista. Assim como a crença dos ateus modernos é profundamente teológica, a crença desses religiosos “caçadores de bruxas” é profundamente atéia.

Ambos os tipos são “espíritos mais ou menos brilhantes e de sofrível cultura”, que, segundo Chesterton, poderiam ser chamados de “hereges”. Tentam moldar um outro tipo de homem que não possua os óbvios limites e defeitos da atual natureza humana. Como Prometeus modernos, pretendem criar um homem de natureza feliz, sem conflitos, sem contradições, sem violência, sem pecado e, por isso mesmo, sem mistério nem encantamento, sem bem nem mal; um homem que não acredita em fadas.

“E toda vez que uma criança diz ‘Eu não acredito em fadas’, uma fada cai morta em algum lugar.”[4]


[1] “To the Friendly Reader”, in The Green Fairy Book, Nova York, Dover, 1965. p. X.
[2] Tatar, in Brenman, p.184.
[3] G. K. Chesterton, Etica da terra das fadas, São Paulo, LTR, p. 79.
[4] J.M Barrie, Peter Pan, Rio de Janeiro, Zahar. p. 16.

Fonte: Valinor

quarta-feira, novembro 28, 2018

Do Número dos Pecados

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Omnia in mensura et numero et pondere disposuisti― “Dispuseste tudo com medida e conta e peso” (Sap 11, 21).
Sumário. É sentimento de muitos Santos Padres, que Deus, assim como determinou para cada homem o número dos dias de vida que lhe quer dar, do mesmo modo fixou para cada um deles o número dos pecados que lhe quer perdoar e completado esse número não perdoa mais. Quem sabe, meu irmão, se depois dessa primeira satisfação indigna, depois do primeiro pensamento consentido, depois do primeiro pecado cometido, não quererá o Senhor castigar-te com uma morte repentina? O que então seria de ti por toda a eternidade?
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Se Deus castigasse desde logo a quem O ofende, de certo não se veria injuriado como o é atualmente; mas por isso mesmo que o Senhor não castiga logo e espera, os pecadores animam-se a ofenderem-No mais. É porém preciso atender bem, que se Deus espera e suporta, todavia não espera e suporta sempre.
É sentimento de muitos Santos Padres, de São Basílio, São Jerônimo, Santo Ambrósio, São Cirilo de Alexandria, São João Crisóstomo, Santo Agostinho e outros, que Deus, assim como determinou o número dos dias de vida, os grãos de saúde e de talento que quer dar a cada homem, assim fixou para cada qual o número dos pecados que lhe quer perdoar; cheio o qual, não perdoa mais: “Devemos ter por certo”, diz Santo Agostinho, “que Deus suporta o homem até certo ponto, depois do qual não há mais perdão para ele: Nullam illi veniam reservavi“.
E não foi ao acaso que estes Santos Padres assim falaram, senão baseados nas divinas Escrituras, que em vários lugares dizem claramente que, embora os pecadores não contem os pecados, Deus os enumera, para castigá-los, quando o número estiver completo: ut in plenitudine peccatorum puniat (1). De sorte que Deus espera até ao dia em que se complete a conta dos pecados, e então é que pune.
A Escritura oferece muitos exemplos de castigos semelhantes, principalmente o de Saul, que depois da última desobediência foi abandonado por Deus. Encontra-se também o exemplo de Baltazar, que estando à mesa profanou os vasos do templo e viu então uma mão escrevendo na parede: Mane, Thecel, Phares. Veio Daniel, e explicando estas palavras, disse-lhe entre outras coisas, que o peso de seus pecados já tinha feito baixar a balança da divina justiça, e com efeito, nessa mesma noite Baltazar foi morto… A quantos infelizes não sucede a mesma desgraça! Vivem muitos anos no pecado, mas quando completam o número que lhes foi fixado, são colhidos pela morte e precipitados no inferno. Ducunt in bonis dies suos, et in puncto ad infera descendunt (2) ― “Passam os seus dias em prazeres e num momento descem à sepultura“.
Há quem procure indagar o número das estrelas, dos anjos, dos anos que alguém terá; mas quem poderá jamais indagar o número dos pecados que Deus quer perdoar a cada homem? E por isso devemos tremer. Meu irmão, quem sabe se depois da primeira satisfação indigna, depois do primeiro pensamento consentido, depois do primeiro pecado cometido Deus ainda te quer perdoar? Quem sabe se não te sucederá o que sucedeu a tantos outros, que foram colhidos pela morte no mesmo instante em que estavam ofendendo o Senhor? E se tal acontecesse, que seria de ti durante toda a eternidade?
Graças, meu Deus! Quantos desgraçados, menos culpados que eu, estão agora no inferno, sem que haja para eles perdão ou esperança! E eu estou vivo ainda fora do inferno, com esperança do perdão e do paraíso, se eu quiser. Sim, meu Deus, quero o perdão. Arrependo-me de todo o coração de Vos ter ofendido, a Vós que sois a Bondade infinita.
Pai Eterno: respice in faciem Christi tui (3), olhai para vosso Filho morto por mim na cruz, e em consideração dos seus méritos, tende piedade de mim. Protesto que antes quero morrer que tornar a ofender-Vos. Em vista dos pecados que cometi e das graças que me haveis feito, tenho suficiente motivo para temer que um pecado mais encha a medida e me faça condenar. Ah! Ajudai-me com a vossa graça. De Vós espero luz e força para Vos ser fiel. Se prevedes que hei de tornar a ofender-Vos, fazei-me morrer neste instante, já que espero estar na vossa graça. Meu Deus, amo-Vos sobre todas as coisas e, mais que a morte, receio a desgraça de cair novamente em nossa inimizade. Por piedade, não o permitais. ― Maria, minha Mãe, tende compaixão de mim, ajudai-me, impetrai-me a santa perseverança.
  1. 2 Mac 6, 14.
    2. Iob 21, 13.
    3. Ps. 83, 10.
Nota: Os devotos de Santo Afonso poderão hoje tomar a meditação sobre a sua confiança em Deus, se ainda não foi lida na terça-feira da 5ª. semana depois da Epifania. Para os seguintes meses do ano aconselha-se aos mesmos devotos que fixem um dia para fazerem a sua meditação sobre uma virtude do Santo correspondente a cada mês. Do Santo Doutor pode-se dizer como de Jesus Cristo, que começou a fazer e a ensinar.
Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I – Santo Afonso.