sexta-feira, novembro 23, 2007

Poema de Bruno Tolentino

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Lindo poema de Bruno Tolentino que foi publicado no site O Indivíduo e que eu reproduzo aqui.



O Cristo não é
um belo episódio
da história ou da fé:

nem o clavicórdio
nos dedos da luz,
nem o monocórdio

chamado da Cruz.
O crucificado
chamado Jesus

é o encontro marcado
entre a solidão
e o significado

do teu coração:
de um lado teu medo,
teu ódio, teu não;

de outro o segredo
com seu cofre aberto,
onde o teu degredo,

onde o teu deserto,
vão morrer, mas vão
morrer muito perto

da ressurreição.



As horas de Katharina. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. p. 180

quarta-feira, novembro 14, 2007

MANIFESTO EM DEFESA DA VIDA

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Nós, Mulheres brasileiras, manifestamos nosso profundo pesar pelos atentados contra a vida humana que têm sido praticados recentemente por parte dos Poderes Públicos.

Lamentamos o desejo obsessivo do governo federal de liberar o aborto por meio da formação de uma comissão Tripartite para cuja composição a Associação Nacional Mulheres pela Vida, não foi convidada.

Deploramos que os membros de tal Comissão, cuidadosamente escolhidos entre os abortistas, falem em nome de nós, mulheres, como se fosse digno de nossa vocação à maternidade pleitear o direito de matar os próprios filhos. Lastimamos o emprego de financiamento externo como meio de instrumentalizaçã o da população feminina para fins de controle demográfico.

Repudiamos o aborto em todos os casos, inclusive naqueles em que nossa legislação penal deixa de aplicar pena ao crime. Não admitimos a morte deliberada e direta de um inocente, nem sequer para salvar outro inocente. Rejeitamos a aplicação da pena de morte às crianças concebidas em um estupro. Abominamos a rejeição de crianças deficientes, em especial as anencéfalas, como se fossem simples mercadorias defeituosas e descartáveis.

Horrorizamo- nos ao constatar que a prática do aborto esteja sendo subvencionada justamente pelo Ministério da Saúde, que não tem o direito nem o dever de matar crianças, mas de zelar pela sua vida e saúde.Envergonhamo- nos com a atuação da secretária Nilcéia Freire, cujo empenho incessante pela liberação do aborto é diametralmente oposto ao que nós mulheres, desejamos, em nossa missão sublime de transmitir e conservar a vida.

Repugnamos a permissão de se destruir embriões humanos pela Lei de Biossegurança, lamentavelmente sancionada pelo Presidente da República.Não aceitamos o argumento de que é preciso liberar o aborto a fim de que ele seja feito “com segurança”, pelo mesmo motivo pelo qual não aceitamos a legalização do furto, do seqüestro e do estupro, a pretexto de que tais crimes precisam ser realizados “com segurança”. Não nos impressionam as estatísticas, quase sempre superfaturadas, de mortes maternas devidas ao aborto “inseguro”. Entendemos que para evitar tais mortes é suficiente evitar o aborto. Nem sequer acolhemos o argumento de que é dever do Estado propiciar a prática do aborto nos casos em que ele já é “legal”. E isso, não apenas porque não há caso algum de aborto “legal” no Brasil, mas porque, ainda que houvesse, nenhuma lei autorizando o genocídio, a escravidão e a violência contra a mulher, poderia o Estado estimular a prática de tais atrocidades a pretexto de estar “cumprindo a lei”?

Reivindicamos que seja revogada a Portaria 1508, de 1º de setembro de 2005, pela qual o Ministro da Saúde Saraiva Felipe, reeditando ato de seu antecessor, oficializou a prática do aborto pelo SUS, com o dinheiro do nosso imposto, ao mesmo tempo em que facilitou ao máximo o procedimento de falsificação de estupros como pretexto para se abortar.Conclamamos as mulheres brasileiras para que neguem seu voto àqueles e àquelas que, em nosso nome, vêm atuando contra a vida humana.


Semana de Defesa e Promoção da Vida.

Rua Humaitá, 172 - Humaitá -
Rio de Janeiro
Cep 22261-001

segunda-feira, outubro 29, 2007

As mulheres na Idade Média

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"Recordaremos aqui que certas mulheres (…) de todas as camadas sociais, como o prova a pastora de Nanterre, desfrutaram na Igreja, e devido à sua função na Igreja, dum extraordinário poder na Idade Média. Algumas abadessas eram autênticos senhores feudais, cujo poder era respeitado de modo igual ao dos outros senhores; algumas usavam báculo, como o bispo; administravam muitas vezes vastos territórios com aldeias, paróquias… Um exemplo entre milhares: pelos meados do século XII, os cartulários permitem-nos seguir a formação do mosteiro de Paráclito, cuja superiora é Heloísa; basta percorrê-los para constatar que a vida duma abadessa na época comporta todo um aspecto administrativo: as doações acumulam-se, permitindo aqui receber o dízimo sobre uma vinha, ali ter direito a foros sobre fenos ou trigos, aqui usufruir duma granja e ali dum direito de pastagem na floresta… A sua actividade é também a dum explorador, ou mesmo dum senhor. É de dizer, pois, que, pelas suas funções religiosas, certas mulheres exercem, mesmo na vida laica, um poder que muitos homens poderiam invejar-lhes hoje.

Por outro lado, constata-se que as religiosas desse tempo - sobre as quais, digamo-lo de passagem; nos faltam absolutamente estudos sérios - são, na sua maior parte, mulheres extremamente instruídas, que poderiam ter rivalizado em saber com os monges mais letrados do tempo. A própria Heloísa conhece e ensina às suas monjas o grego e o hebreu. É duma abadia de mulheres, a de Gandersheim, que provém um manuscrito do século X que contém seis comédias em prosa rimada, imitadas de Terêncio; são atribuídas à famosa abadessa Hrotsvitha, cuja influência sobre o desenvolvimento literário dos países germânicos se conhece. Estas comédias, provavelmente representadas pelas religiosas, são, do ponto de vista da história dramática, consideradas como a prova duma tradição escolar que terá contribuído para o desenvolvimento do teatro na Idade Média. Acrescentemos de passagem que muitos mosteiros, de homens ou de mulheres, ministravam localmente a instrução às crianças da região.

É surpreendente também constatar que a enciclopédia mais conhecida do século XII emana duma religiosa, a abadessa Herrade de Landsberg. É o famoso Hortus deliciarum («Jardim de Delícias»), no qual os eruditos vão procurar as informações mais seguras em relação às técnicas no seu tempo. Podia dizer-se o mesmo das obras da célebre Hildegarda de Bingen. Finalmente, uma outra religiosa, Gertrude de Heifta, no século XIII, conta-nos como se sentiu feliz por passar do estado de «gramática» ao de «teóloga», isto é, que, depois de ter percorrido o ciclo dos estudos preparatórios, ela aborda o ciclo superior, como se fazia na universidade. O que prova que ainda no século XIII os conventos de mulheres são o que sempre tinham sido desde São Jerónimo, que instituiu o primeiro deles, a comunidade de Bethléem: centros de oração, rias também de ciência religiosa, de exegese, de erudição; estuda-se aí a Sagrada Escritura, considerada como a base de todo o conhecimento, e também todos os elementos do saber religioso e profano. As religiosas são mulheres instruídas; aliás, entrar no convento é uma via normal para aquelas que querem desenvolver os seus conhecimentos para além do nível corrente. O que pareceu extraordinário em Heloísa, na sua juventude, foi o facto de, não sendo religiosa e não desejando manifestamente entrar no convento, ela continuar, no entanto, estudos demasiado áridos, em vez de se contentar com a vida mais frívola, mais despreocupada, duma rapariga que deseja «permanecer no século». A carta que Pierre, o Venerável, lhe enviou di-lo expressamente.

Mas há mais surpreendente. Se se quiser fazer uma ideia exacta do lugar ocupado pela mulher na Igreja, nos tempos feudais, é preciso perguntar a si próprio o que se diria no nosso século XX de conventos de homens colocados sob o magistério duma mulher. Um projecto desse género teria no nosso tempo a menor possibilidade de resultar? Foi, no entanto, o que se realizou com pleno sucesso, e sem ter provocado o menor escândalo na Igreja, com Robert d’Arbrissel em Fontevrault, nos primeiros anos do século XII. Tendo resolvido fixar a multidão inverosímil de homens e mulheres que chamava atrás de si -porque foi um dos maiores conversores de todos os tempos-, Robert d’Arbrissel decidiu fundar dois conventos, um de homens outro de mulheres entre eles erguia-se a igreja que era o único lugar onde monges e monjas podiam encontrar-se. Ora esse mosteiro duplo foi colocado sob a autoridade, não dum abade, mas duma abadessa. Esta, pela vontade do fundador, devia ser viúva, tendo, pois, a experiência do casamento. Acrescentemos, para sermos completos, que a primeira abadessa, Pétronille de Chemillé, que presidiu aos destinos desta ordem de Fontevrault tinha vinte e dois anos. Não vemos que hoje semelhante audácia, mais uma vez, tivesse possibilidades de ser encarada.

Se examinarmos os factos, impõe-se esta conclusão: durante todo o período feudal, o lugar da mulher na Igreja foi certamente diferente do homem (e em que medida não seria uma prova de sabedoria o ter em conta que homem e mulher são duas criaturas iguais, mas diferentes?), mas foi um lugar eminente, que, aliás, simboliza perfeitamente o culto, eminente também, prestado à Virgem entre todos os santos. E pouco nos surpreende que a época termine com um rosto de mulher: o de Joana d’Arc, a qual, diga-se de passagem, nunca teria podido nos séculos seguintes obter a audiência e suscitar a confiança que no fim de contas obteve".

(PERNOUD, Régine: O mito da Idade Média, Publicações Europa-América, S/D, pp.95-99)

Transcrito do site: www.salterrae.org

quinta-feira, julho 26, 2007

Pausa para algumas xícaras de chá

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Pessoal, tenho que ficar longe do blog por um tempo. Mas eu volto.

Deus abençoe a todos vocês!
tempo

domingo, julho 15, 2007

Carta de Dom Bosco à Juventude

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O demônio tem normalmente duas artimanhas principais para afastar da virtude os jovens. A primeira consiste em persuadi-los de que o serviço de Deus exige uma vida triste sem nenhum divertimento nem prazer. Mas isto não é verdade, meus caros jovens. Eu vou lhes indicar um plano de vida cristã que poderá mantê-los alegres e contentes, fazendo-os conhecer ao mesmo tempo quais são os verdadeiros divertimentos e os verdadeiros prazeres, para que vocês possam exclamar com o santo profeta Davi: “Sirvamos ao Senhor na santa alegria".

A segunda artimanha do demônio consiste em fazê-los conceber uma falsa esperança duma longa vida que permite converter-se na velhice ou na hora da morte. Prestem atenção, meus caros jovens, muitos se deixaram prender por esta mentira. Quem nos garante chegaremos à velhice? Se se tratasse de fazer um pacto com a morte e de esperar até então... Mas a vida e a morte estão entre as mãos de Deus que dispõe de tudo a seu bel-prazer.

E mesmo se Deus lhes concedesse uma longa vida, escutai, entretanto, sua advertência: “o caminho do homem começa na juventude, ele o segue na velhice até a morte”. Ou seja, se, jovens, começamos uma vida exemplar, seremos exemplares na idade adulta, nossa morte será santa e nos fará entrar na felicidade eterna.

Se, pelo contrário, os vícios começam a nos dominar desde a juventude, é muito provável que eles nos manterão em escravidão toda a nossa vida até a morte, triste prelúdio a uma eternidade terrível.

Conservem no coração o tesouro da virtude, porque possuindo-o vocês têm tudo, mas se o perderem, vocês se tornarão os homens mais infelizes do mundo. Que o Senhor esteja sempre com vocês e que Ele lhes conceda seguir os simples conselhos presentes, para que vocês possam aumentar a glória de Deus e obter a salvação da alma, fim supremo para o qual fomos criados.

Que o Céu lhes dê longos anos de vida feliz e que o santo temor de Deus seja sempre a grande riqueza que os cumule de bens celestes aqui e por toda a eternidade.

Vivam contentes e que o Senhor esteja com vocês.

Seu muito afeiçoado em Jesus Cristo.

João Bosco, Sacerdote
vida