"Fusão Catolicismo"
Por John Vennari
Traduzido por Andrea Patrícia
A Capela, Campus da Universidade de Steubenville. Fotos de John Vennari.
Era sábado à noite na Universidade Franciscana de
Steubenville e em todo o ginásio, os corpos foram caindo ao chão. Luis
Entrialgo, um diácono casado de Cuba, tinha acabado de concluir um serviço de
"cura" em estilo Protestante, e a sessão dos repousados-no-espírito
imediatamente começou. Uma música alta pulsava no ritmo hipnótico rock'n'roll
da "banda de louvor", leigos deram as mãos a outros leigos, os corpos
caiam de bruços com a face no chão, participantes pisavam em corpos ao redor
para abrir seu caminho pelos corredores laterais, um padre rezava em
"línguas" ao microfone,
"sha-na-la-sha-na-la-sha-na-la-sha-na-la, sha-na-la, obrigado,
Jesus!". Foi o grand finale do
dia.
Intitulada "Transformados de Glória em Glória", e
realizada em junho de 2009, foi a 24a Conferência Anual Carismática Católica
realizada na famosa Universidade Franciscana. Entre os oradores Ralph Martin,
Bert Ghezzi, Al Mansfield, Mark Nehrbas, Dr. Joanne Storm, Diácono Luis
Entrialgo, Padre John Gordon, Padre Michael Scanlan e outros.
Eu tinha assistido conferências Carismáticas no passado;
mais notavelmente a conferência do 30º Aniversário Carismático em Pittsburgh,
junho de 1997, e o Celebrate Jesus 2000, uma conferência "católica"
peso-pesado com pastores Protestantes, em St. Louis em junho de 2000. Esses fins
de semana foram desordenadas reuniões animadas, traquinagens rock'n'roll que
incluíam pregação Protestante a uma audiência predominantemente católica,
bispos, sacerdotes, religiosos e leigos dançando no palco um pop
"cristão", e as sessões Holy Laughter ["Risada Santa"] com
carismáticos latindo como cães, rolando no chão, gritando e rindo
histericamente - todos sob a suposta operação do Espírito Santo. Na verdade,
pastores Protestantes da seita "Risada Santa" foram oradores
convidados da conferência de 2000.
De 1997 e 2000, ambos os eventos foram realizados em grandes
estádios de esportes, e ambos organizados pela Universidade Franciscana de
Steubenville. Eu escrevi minhas observações dessas conferências para o Catholic
Family News, no momento, que foram publicadas como o livro Close-ups do
Movimento Carismático. [1]
Embora houvesse muito para ver, aprender e chorar nas conferências
de 1997 e 2000, eu sabia que nenhum estudo sobre o pentecostalismo católico
estaria completo sem uma visita a Meca, a Igreja Matriz do Carismatismo
Católico nos Estados Unidos: Universidade Franciscana de Steubenville. Quando
eu soube do fim de semana Carismático previsto para junho de 2006, eu sabia que
finalmente teria que mergulhar. Eu comprei o meu bilhete e cheguei ao campus
Steubenville na tarde de sexta-feira. Domingo à tarde encontrei-me cansado e aliviado, o
sofrimento tinha acabado.
Fusão Catolicismo
O Movimento Carismático Católico é uma imitação barata
desajeitada e infantil do pentecostalismo Protestante. É um movimento para os
católicos que desejam permanecer católicos enquanto agem como Protestantes
tanto quanto possível. Enraizado em uma emoção instável e constrangedora, o
Movimento Carismático exibe uma presunção sobre fenômenos extraordinários que
desafia o ensino do Catolicismo de 2000 anos sobre o discernimento dos
espíritos.
Um fim de semana de elementos Pentecostais e Católicos
Qualquer católico sóbrio que estivesse presente às
conferências Carismáticas de 1997 e 2000 reconheceria isso imediatamente. Mas o
fim de semana em Steubenville foi um pouco diferente. Essa conferência teve
como tema em particular os santos católicos, e muito do que foi dito por vários
oradores foi doutrinariamente legítimo e até mesmo edificante. Esses aspectos
positivos, no entanto, estavam emparelhados com a travessura Pentecostal.
Muitas vezes me senti puxado em duas direções opostas ao mesmo tempo.
Em suma, Steubenville aperfeiçoou uma nova síntese do Catolicismo conservador, por um lado, e do animado pentecostalismo Protestante
de outro. É a Fusão Catolicismo - o Catolicismo misturado com elementos
não-católicos. Como tal, desafia o comando do Credo de Atanásio para manter a Fé Católica "integral e inviolável". Isto se tornará claro à medida
que prosseguimos através da conferência.
Sexta à noite
A Universidade Franciscana de Steubenville é um belo campus
de colinas, paisagismo de bom gosto, e, na maioria das vezes, bela
arquitetura. A conferência foi realizada no campus da Fieldhouse Finnegan, um
ginásio inteligentemente concebido que funciona como um centro de conferências.
Do lado de fora, parece mais uma igreja do que uma capela com assinatura Steubenville,
que se assemelha a um tipo de Hershey Kiss excêntrico. Eu tomei meu lugar na
platéia enquanto a banda de louvor pop-rock detonou sua alegre "música de
reunião". Carismáticos felizes já estavam de pé, balançando ao som da
música, cantando junto, alguns se mexendo para cima e para baixo e batendo
palmas.
A multidão de cerca de 1000 era predominantemente de idosos
e de meia-idade. Estudantes polidos de Steubenville usando camisas amarelas
ajudaram na execução do evento. Alguns deles também dançavam ao som da música.
Mark Nehrbas de Steubenville foi o Mestre da Alegria no fim
de semana. Ele saudou a multidão que respondeu com aplausos entusiasmados. Ele,
então, trouxe a "equipe" para o palco, os palestrantes para o fim de
semana, e rapidamente os apresentou um por um. Ele então apresentou os membros
da banda de culto, e fez alguns comentários sobre Steubenville ser uma instituição
cheia de espírito. Concluídas estas formalidades, agora estávamos prontos para
"adoração".
"Louvor e
adoração"
Na chamada sessão "Louvor e Adoração" nesta
reunião de Steubenville não havia nada que o Papa Pio X, Pio XI, Pio XII, Padre
Pio, Santa Teresa de Lisieux, São Domingos Sávio ou qualquer outro santo
canonizado iria reconhecer ou aceitar como Católico. É uma sessão de culto
baseado não na doutrina e tradição Católica, mas em um modelo techno-pop Protestante.
A configuração física da conferência em si foi modelada na construção
contemporânea Protestante. O palco está no centro com um pódio ligeiramente
fora do centro, à esquerda do público fica a obrigatória banda pop rock. Esta
consistia de dois violões plugados, baixo elétrico, teclado elétrico, violino,
bateria completa, e dois cantores extra. Em cada lado do palco,
grandes telas de televisão penduradas no teto para projetar a letra das canções
para o público.
Nas festas Carismáticas que eu já assisti, os músicos eram
conhecidos pelo nome de "ministério da música". Este grupo evitou o
título, chamando-se uma "banda de culto". Foi liderado por Bob Rice
na guitarra, um jovem professor de Steubenville. O resto eram estudantes
de Steubenville, exceto a filha de Ralph Martin no teclado elétrico.
Uma breve palavra sobre a música. Cada vez que eu assisti a
um desses eventos Carismáticos, acho que na maioria das vezes, a música é uma
coleção diferente do anterior. Na festa de 1997, havia uma variedade de
músicas, especialmente uma música chamada Let
the Fire Fall tocada uma e outra vez. No Celebrate Jesus 2000, houve ainda outra
coleção, o grande número tocado repetidamente foi Days of Elijah.
Nesta última festa fui confrontado com outra variedade de uma
batida sensual "cristã-pop". Talvez essa mudança constante seja
devido ao fato de que "Rock Cristão" tem ido bastante pelo caminho da
música pop. "Artistas" de Rock
Cristão continuam a escrever canções e a lançar CDs. A Billboard publica suas
vendas e relata seus shows. Os CDs ganham Grammys. Como o Rock Cristão agora é
uma indústria em si mesma, a variedade é imensa e as melodias antigas serão
substituídas pelas novas.
Dançando Rock com a
Cruz
A banda de culto de Steubenville deu início oficialmente à sessão
"Louvor e Adoração" - como é chamado no programa da conferência - com
Now is the Time to Worship [Agora
é o momento de Adoração], escrito por Brian Doerksen, um "líder de
louvor" Protestante. Os que estavam na platéia levantaram-se e aderiram:
alguns com as mãos levantadas de forma Pentecostal, alguns se mexendo no lugar,
algumas mãos batendo palmas. A emoção da platéia se intensificou como a música
rock se intensificou, e diminuiu à medida que a música diminuiu.
A "equipe" no palco: Pe. Michael Scanlon, o Pe.
John Gordon, Dr. Joanne Storm, Irmã Sarah Burdick, a Irmã Katherine Caldwell,
Ralph Martin, Bert Ghezzi, Al Mansfield e Mark Nehrbas, cantaram junto, levantaram
as mãos do modo pentecostal, alguns cantaram com os olhos cerrados, como se estivessem
nas garras de alguma emoção profunda. Fez-me lembrar mais do 700 Club* do que qualquer coisa
reconhecidamente Católica.
A banda acelerando
para um fim de semana de canções Protestantes
Na verdade, todas as músicas que a banda de louvor tocou
sexta feira à noite foi uma série pop Protestante escrita por um compositor Protestante.
Encontrei todas as músicas executadas naquela noite no site Protestante Rockin’ with the Cross, um site
concebido para facilitar sessões contemporâneas de “Louvor e Adoração" Protestante.
A banda de louvor de Steubenville tocou o barulho Blessed Be Your Name dos Protestantes
Beth Redman, Lord I Give You My Heart
do "músico Pastor" Protestante Reuben Morgan, o turbinado Days of Elijah e
Lion of Judah do Protestante Robin
Mark; The Air I Breathe de Marie
Barnett da seita "Holy Laughter" de Vineyard; Give us Clean Hearts do Protestante Charlie Hall; e outras
canções Protestantes igualmente na moda. Todas as músicas tinham batidas
poderosas, energéticas, que impulsionaram os pés dos carismáticos. As músicas
mais lentas, sensuais, pulsantes como The
Air I Breathe poderia ter vindo direto de Whitney Houston ou do Miami Sound
Machine. Tudo era mundano, terreno, profano.
Para fechar várias apresentações, a banda criou um ruído de
fundo estrondoso, como é feito por bandas pop em concertos de rock para
conduzir o público à loucura. Quando isso foi feito em Steubenville, os membros
da "equipe" gritavam um espontâneo "louvado seja o Senhor".
Tudo foi executado de forma Protestante: "Louvado seja o Senhor",
"Santo és Tu, Senhor", eles gritavam. A multidão entrou em seu
próprio louvor espontâneo. Esse vai e vem da música e louvor espontâneo se
arrastou por 40 minutos. A banda fechou com a otimista Blessed be the Name of the Lord,
enquanto o público se mexia. Uma mulher de meia-idade dançava nos corredores
laterais.
Mark Nehrbas fechou a sessão de maneira emocional, gritando,
"Louvado seja Deus, louvado seja Deus". O público reconheceu a
sugestão para juntar-se e gritou em estilo Protestante de louvor alegre. Então o
leigo Nehrbas, com um braço levantado no ar como se transmitindo alguma bênção
celestial, atado ao microfone: "Jesus não há nenhum nome na terra como o Seu, Seu nome está acima de todos os nomes, e é nosso privilégio e nossa
alegria adorar Seu Nome Santo, e nós Te agradecemos e Te louvamos por nos
permitir entrar na sala do seu Trono esta noite. Todo louvor, honra e glória a
ti Senhor Jesus Cristo, e o POVO DE DEUS DIZ...", a platéia gritou de
volta "AMÉM!".
"Aleluia! Louvado seja Deus!”, gritou Nehrbas.
Bob Rice, o chefe da banda de culto, em seguida, deu sua
declaração ou “Testemunho" (como o programa da conferência chamou) de sua
jornada de fé pessoal. Isto foi seguido pelo Carismático Ralph Martin cuja
palestra foi intitulada "Transformação em Cristo: Sabedoria dos
Santos", cujo conteúdo, em sua maior parte, foi muito bom. Ele falou da
necessidade de renunciar ao pecado mortal e venial deliberado, a necessidade da
oração, e continha citações edificantes dos santos. Isto é o que quero dizer
quando digo que nesta conferência, houve a sensação de estar sendo puxado em
duas direções opostas. É a própria natureza da fusão do Catolicismo. É também a
natureza do Modernismo, como o Papa São Pio X explicou na Pascendi: em uma
página do livro do modernista encontramos doutrina ortodoxa, na página seguinte
encontramos os pensamentos de um agnóstico. Segue em direções opostas ao mesmo
tempo.
"Aceitar Jesus
como Senhor e Salvador"
Após palestra de Martin, Mark Nehrbas se dirigiu à multidão:
"Eu acho que essa não foi uma conversa de leite espiritual, mas de carne.
Amém?". Depois, com a banda de louvor tocando uma música ambiente em
segundo plano, ele convidou os que estavam no meio da multidão que nunca tinham
feito isso antes de se levantar e aceitar publicamente Jesus Cristo como Senhor
e Salvador. Foi muito semelhante ao estilo Oral Robert de "apelo” ** e ao
"apelo" encenado em
Celebrate Jesus 2000 pelo pregador da "
Holy
Laughter" Stephen Hill.
O bastão foi passado, em seguida, para o Padre John Gordon,
de Steubenville, que assumiu os negócios com prazer. Ele iniciou uma exortação sem
interrupção de comprometer-se a Jesus, fazendo isso, enquanto se
empinava para frente e para trás no palco com um microfone sem fio, às vezes
caía em oração em "línguas": Sha-na-la-sha-na-la-sha-na-la.
Finalmente chegou a hora de "fazer o compromisso",
ou como Protestantes chamam esse procedimento, "ser salvo". Padre
Gordon lançou em uma fórmula semi-improvisada “repita depois de mim”:
"Jesus, eu Te peço para ser meu Salvador". O público respondeu:
"Jesus, eu Te peço para ser meu Salvador", o Padre Gordon continuou,
"eu sou um pecador", o público repetiu: "eu sou um
pecador".
Padre Gordon, de Steubenville, liderou a Sessão Compromisso
Padre Gordon: "Arrependo-me de todos os meus
pecados".
Audiência: "Arrependo-me de todos os meus
pecados."
"Eu preciso de você para ser meu Salvador", o
público repete;
"Porque eu sou um pecador", o público repete,
"Eu renuncio todas as coisas erradas”, o público repete.
Isso continuou com a platéia repetindo cada uma das
seguintes frases curtas,
"Como sou grato a Você;
"Como eu preciso de Ti totalmente;
"Jesus, meu Salvador;
"Eu peço para ser o meu Senhor;
"Eu preciso de Você para ser meu Senhor;
"Jesus Cristo Senhor e Salvador."
Padre Gordon e o público desafiaram continuamente desta
maneira até que, finalmente, a sessão "compromisso" concluiu com uma
erupção de aplausos. Enquanto as palmas e os aplausos persistiam, Padre Gordon gritou
em tom de celebração, "RECORDEM ESTE DIA! OUÇAM A IGREJA APOIANDO VOCÊS!
OUÇAM A IGREJA ATRÁS DE VOCÊS! LOUVADO SEJA DEUS! LOUVADO SEJA DEUS! LOUVADO
SEJA DEUS! "(Aplausos prolongados com os recém- comprometidos retornando aos
seus lugares.)
Padre Gordon então convidou aqueles que tinham anteriormente
se comprometido com Jesus como Senhor e Salvador para se levantar e fazer isso
de novo, e um ritual semelhante começou, embora os comprometidos ficassem no
lugar ao invés de andar para a frente. Padre Gordon continuou sua tagarelice e
em um ponto disse ao povo a gritar: "JESUS, MEU SALVADOR", o público
reverberou "JESUS, MEU SALVADOR", gritou Padre Gordon, "COMO EU
PRECISO DE TI. COMO EU QUERO A TI". O público seguiu o exemplo.
Padre Gordon continuou, "OBRIGADO JESUS POR SER MEU SALVADOR, SALVE-ME JESUS, EU PRECISO DE VOCÊ JESUS, EU NÃO POSSO FAZÊ-LO SEM VOCÊ JESUS. VOCÊ É O MEU SALVADOR, LOUVADO SEJA JESUS, JESUS, LOUVADO
SEJA, LOUVADO SEJA JESUS, LOUVADO SEJA JESUS". Enquanto isso
acontecia, a melosa música de fundo aumentou e transformou-se no latejante,
Lord I Give You My Heart. Padre Gordon, ainda cheio de combustível, tagarelava
sobre a música, "Bendito é o Senhor nosso Deus, Aleluia, Senhor. Bendito é
o nome do Senhor". A "equipe" no palco cantou junto. Tudo estava
trovejando muita emoção.
A banda de louvor finalmente terminou sua apresentação, o
público aplaudiu, havia mais: "Obrigado Senhor, louvado seja Deus" de
Mark Nehrbas sobre os aplausos. Cada palestrante, em seguida, fez um resumo do
workshop de sábado, que ele ou ela realizou, e finalmente o dia chegou ao fim.
Catolicismo
Corrompido
Enquanto eu via a ruidosa sessão "comprometer sua vida com
Jesus", eu ficava me perguntando: qual é o ponto? Os católicos nunca estiveram
envolvidos em tal espetáculo degradante antes. Por que estavam afinal de contas?
É fácil entender por que os Protestantes participam deste exercício, uma vez
que para muitos deles, é o único meio de tornar-se "salvo".
A maioria dos Protestantes e Pentecostais não acreditam que
um cristão "nasce de novo", quando batizado. Em vez disso, um homem
ou mulher não é "salvo", não se torna um "cristão", até que
ele se envolve num compromisso pessoal com Jesus Cristo. É o padrão "ser
salvo" que se vê no meio Protestante. Eu reconheço que sou um pecador,
reconheço a minha necessidade de Jesus, e eu comprometo-me com Jesus,
aceitando-O como meu Senhor e Salvador pessoal. Assim, segundo este sistema,
mesmo se você é um batizado católico romano, você ainda não é um
"cristão" até que você faça este compromisso pessoal com Jesus.
Lembro do meu desgosto quando um amigo de berço católico me
disse que ele era agora um "cristão". Ele estava radiante, entusiasmado,
tão feliz de perceber que ele nunca tinha sido um cristão antes, e agora ele era.
Aqui estava um homem que, devido a esta recém-descoberta "salvação",
afastou-se da verdadeira fé, abandonou a Santa Missa e os sacramentos, e
abraçou um credo herético. Ele estava vivendo objetivamente em pecado mortal
contra o Primeiro Mandamento. No entanto, ele exibia um tipo similar de júbilo afetado,
o sorriso pasta de dentes efervescente, aquele mesmo maneirismo chamado "vivo
em Jesus" que eu vi em muitos nesta última conferência carismática - o que
prova que as aparências de se estar supostamente "cheio do espírito" não
significam nada.
Este amigo meu tinha sido batizado e criado como católico,
então na verdade, ele tinha sido um cristão desde o dia de seu batismo. Mas em
um ponto em sua vida, ele participou de um desses perniciosos encontros empresariais
Protestantes onde lhe foi dito que o seu batismo realmente não importava. Seu Catolicismo não importava. Não, se ele queria ser um "cristão", não
havia outra maneira de fazer isso, a não ser aceitar Jesus como Senhor e
Salvador. E como ele era um produto da educação Católica pós-Vaticano II, ele
caiu nessa rapidinho.
Cerimônias de testemunho Católico cada vez mais parecidas
com os movimentos de espírito Protestante.
A fórmula Protestante de ser "salvo" ao aceitar
Jesus como seu salvador pessoal é baseada na rejeição do sacramento do Batismo,
como o meio estabelecido por Cristo para limpar o pecado original e encher a
alma com a graça santificante. É só por este meio que nós recebemos a vida
divina da Santíssima Trindade em nossas almas. Este é o ponto central da
doutrina negada pelo Protestante que está ficando "salvo" por apenas
aceitar a Jesus como Senhor e Salvador.
Assim, se a imitação é a forma mais sincera de lisonja, por
que a Igreja Católica em Steubenville imita uma prática Protestante baseada na
rejeição de princípios básicos da fé Católica? Que bem faz aceitar publicamente
"Jesus como Senhor e Salvador", quando já se está em estado de graça?
É um emotivo espetáculo superficial que não existe em nenhuma parte de nossa
herança sagrada. Só podemos tentar imaginar os Católicos nobres como G.K.Chesterton, Hilaire Belloc ou imperador Carlos da Áustria submetendo-se a este
emotiva paródia "comprometer sua vida com Jesus".
Na verdade, a Igreja Católica já tem uma cerimônia pública para
"se re-comprometer com Jesus", se você quiser, que é a
"renovação das promessas batismais" promulgada no Sábado Santo. Esta cerimônia
digna e nobre é rica em tradição católica e simbolismo. Não é como as
palhaçadas que aconteceram em Steubenville, uma imitação barata do emocionalismo
de Jim e Tammy Baker. E se uma alma batizada sai do estado de graça, então ela
deve procurar o Sacramento da Confissão, um ponto de doutrina que as espécies
de Steubenville não parecem negar (houve confissões acontecendo durante todo o
fim de semana de conferências e os participantes foram incentivados a ir).
Novamente, o que vemos em tudo isso é a fusão Catolicismo: Catolicismo misturado com elementos Protestantes que denigrem a fé católica, e
servem para enobrecer uma prática Protestante que nega as próprias palavras de
Nosso Senhor Jesus Cristo em Sua instituição dos Sacramentos [2]
O Beato Papa Pio IX, como todos os Papas até ao Concílio
Vaticano II, reconheceu justamente o Protestantismo em todas as suas formas
como "uma revolta contra Deus" [3]. Pio IX também, em seu magnífico
Syllabus de Erros, solenemente condenou o erro que diz que "O Protestantismo
nada mais é que uma outra forma da verdadeira religião cristã" [4], um
erro no qual o "Pentecostalismo Católico" é baseado [5]. O que
aconteceu neste fim de semana em Steubenville - que foi mergulhado no espírito Protestante
- não foi uma forma explosiva de uma efusão do Espírito Santo. Pelo contrário,
todas as indicações apontam para o espírito de trabalho do submundo.
Sábado
Em 1974, em uma crítica mordaz do Movimento Carismático, o ortodoxo
e firme Arcebispo Dwyer dos Estados Unidos disse: "Nós consideramos pura e
simplesmente como uma das tendências mais perigosas da Igreja em nosso tempo,
estreitamente ligada em espírito com outros perturbadores movimentos de divisão;
ameaçando grave dano à unidade e danos a inúmeras almas "[6]
Joseph Fitcher, em seu livro de 1974 The Catholic Cult of the Paraclete [O Culto Católico do Paráclito], mencionou que
alguns prelados católicos ficaram "preocupados com a influência Protestante
em seu povo", devido ao Pentecostalismo. Fitcher citou o Bispo Joseph
McKinney preocupado sobre os católicos sendo "enganados e não serem
firmemente enraizados na teologia". [7]
Meu fim de semana em Steubenville provou como são corretas
as preocupações destes bons bispos. Isto foi particularmente evidente durante
os eventos de sábado. O dia começou com uma curta sessão de "Adoração e
Louvor", com a mesma música pop rock, a mesma emoção da platéia, o mesmo estilo
Protestante de "Louvado seja Deus", "Aleluia",
"Louvado seja o Senhor” gritado do pódio. Isto foi seguido por duas
palestras. Al Mansfield falou em "Nós Andamos Pela Fé e Não Pela
Visão", contando a história comovente de sua casa de Nova Orleans sendo
destruída no furacão Katrina. No processo, ele pediu a todos, "não saiam
daqui sem serem batizados no Espírito Santo."
Então veio Bert Ghezzi, "O Poder Transformador do Sinal
da Cruz", que foi em grande parte uma bela apresentação. Ele explicou a
prática católica de fazer o Sinal da Cruz, a história dessa prática e sobre o
santo e poderoso sacramental que é.
Este foi seguido pela "Liturgia Eucarística" às 10:30h,
uma celebração Novus Ordo cheia de música pop rock. Alguns dos detalhes desta
liturgia serão contados em uma edição futura.
Então nós chegamos à duas sessões de workshop desta tarde: a
primeira às 2:00h, a segunda às 3:30h. Cada uma das sessões teve cinco workshops
realizados simultaneamente por vários oradores. Por enquanto, vou apenas mencionar
um dos workshops que participei. Foi intitulado "Formar o seu caráter
com o Santos", realizado por Joanne Storm, Ph.D., uma jovem senhora patricinha
entusiasmada que ensina Psicologia em Steubenville. Embora sua forma de se vestir possa não ser para todos, o conteúdo de seu discurso foi, em sua
maior parte, muito bom. Ela fez um "Top 10 de Características" dos
Santos, que incluiu: o uso freqüente da confissão; viver uma vida contra-cultural;
humildade; devoção à Eucaristia e outros pontos. Não mencionado no Top 10, no
entanto, foi a devoção a Nossa Mãe Santíssima. Eu achei que esta foi uma grave omissão,
embora eu não questione de qualquer maneira o amor da Dra. Storm por Nossa
Senhora.
Durante sua apresentação, ocorreu-me que havia outro ponto que
os santos tinham em comum. Todos eles se tornaram santos sem um "batismo
do Espírito Santo" Pentecostal. Todos eles subiram para a santidade
heróica sem participar de Missas rock'n'roll, sem "aceitar Jesus como
Senhor e Salvador" ao modo Protestante, sem adotar terminologia e maneirismos
Protestantes. Sua palestra, inadvertidamente, demonstrou que a última coisa que alguém
precisa para tornar-se um santo é qualquer participação nesta nova onda do Pentecostalismo
que agora infecta a Igreja Católica.
Na verdade, cada santo que a Dra. Storm mencionou: São João
Vianney, Santa Teresa de Ávila; Santa Joana D’Arc, Santa Isabel da Hungria, São
João Bosco, teria corrido dessa conferência em Steubenville gritando de horror pelo
que foi apresentado como "católico" para os participantes ingênuos.
Pior, Santa Katherine Drexel da Filadélfia, que morreu em 1928, teria
reconhecido imediatamente o que era o fim de semana em Steubenville: a
reencarnação de altos decibéis dos revivalistas, fachada do pentecostalismo Protestante
galopante no início do século 20.
"Hora
Santa" Profana
As pessoas muitas vezes perguntam como eu posso assistir a
estes eventos turbulentos. Eu respondo que eu fui um músico profissional
estudando jazz e guitarra clássica, e toquei música pop em casas noturnas por
cinco anos. Todos esses anos me dessensibilizaram, então eu não me sinto
obrigado a fugir da sala quando a música alta inflama. Eu nem toco, nem ouço
mais o rock, mas eu ainda reconheço um show de rock quando vejo um, e eu
reconheço esses fins de semana Carismáticos (assim como a Jornada Mundial da
Juventude) como festas rock com um fino verniz "cristão".
Isto não significa que eu ache esses eventos fáceis de
suportar. Eles são extremamente desgastantes. No sábado à noite, eu estava
cansado e procurando algum tipo de alívio. Então, quando eu vi a "Hora
Santa" prevista para as 08:00h da noite eu tive esperança de que talvez,
depois do ruído contínuo do dia - o rock'n'roll explosivo, as bombásticas sessões
"louvar o Senhor", contínuos aplausos da platéia, o zumbido Hindu da
orquestrada "oração em línguas" - talvez, apenas talvez, nós pudéssemos
realmente ter uma hora de calma.
Eu não poderia estar mais errado.
A "Hora Santa" carismática em Steubenville
A "Hora Santa" foi precedida pela enérgica
"música de encontro" da banda de culto. Quando entrei no ginásio,
naquela noite, a banda e o público estavam em plena traquinagem, fazendo um número
ritmado de "I Saw the Light". Os que estavam no meio da multidão se
mexiam e batiam palmas, um grupo de mulheres de meia idade dançava nos
corredores até perto do palco. Isso foi seguido por outra canção otimista para
agradar ao público "The House of the Lord."
Padre Scanlon, em seguida, falou sobre as necessidades da
Universidade Franciscana de Steubenville; um estudante prestou depoimento no
pódio sobre que lugar maravilhoso ele pensou que Steubenville era. Padre Scanlon
retornou para fazer uma coleta para quem não pode se dar ao luxo de mandar seus
jovens para Steubenville. Depois disso, "A Hora do Louvor e Adoração Santa"
começou.
Tudo começou com ainda mais música pop rock, a repetição de “The
Days of Elijah”. Depois, houve um breve período em que os da "equipe"
liam uma passagem da Escritura ou faziam uma oração. A banda então começou com
“Prepare the Way”, uma canção pop Protestante encontrada no site Rockin’ with
the Cross. Foi com esta música pop rock que o Padre John Gordon fez a sua
entrada dramática no salão com o Santíssimo Sacramento em um ostensório. A
"Hora Santa" estava agora em andamento.
As luzes da sala foram esmaecidas, e um foco de luz
amarelo-dourado no cimo de um pequeno sótão na parte de trás do salão, foi
colocado no ostensório erguido pelo Padre Gordon. Três jovens de vestes
brancas: dois segurando velas e um andando para trás incensando o ostensório liderando
a procissão. Todo o tempo, o salão latejava com o ritmo da banda de culto.
Fusão Catolicismo novamente. A banda então deu início a uma lenta canção rock,
pulsante escrita pelo Protestante Michael W. Smith chamada Agnus Dei e encontrada
no site Rockin’ with the Cross.
Todas as músicas de adoração são do site Protestante Rockin’
with the Cross
A batida pesada, o canto prolongado e a dinâmica poderosa
enviou uma sensação a toda a multidão que se intensificou quando o Padre Gordon
finalmente colocou o Ostensório sobre a mesa do altar Novus Ordo. Padre Gordon incensou
a parte de trás do ostensório, então ficou atrás do ostensório, um braço
levantado e o outro segurando o microfone nos lábios, e começou "Santo És,
Senhor. Bendito seja o nosso Senhor Deus, Digno, digno é o Senhor", por
cima da ardente canção de rock. A banda começou com volume e energia, cantores
improvisavam por cima da música. Padre
Gordon continuou a gritar "digno, digno, digno é o Senhor". Padre Gordon
também caiu orando em línguas por cima dos pratos da música batendo e batendo;
"Shamana Shamana Shamana Shamana
Shamana". Foi um dos espetáculos mais grotescos que eu já
presenciei.
A música parou, um barulho de oração "em línguas",
continuou. Mais música pop foi detonada, desta vez We Fall Down, do Protestante Chris
Tomlin, encontrada, adivinhe, no site Rockin’
with the Cross.
Na verdade, com a exceção de cerca de dois hinos, todas as
canções executadas na "Hora Santa" eram melodias pop escritas por um Protestante
e encontradas no site Protestante "Rockin’ with the Cross". Só podemos
imaginar como o Papa São Pio X teria reagido a esta profanação.
Desafio ao antigo
Magistério
O Papa São Pio X, em conformidade com todos os papas antes
dele, reiterou a verdade milenar de que só a Música Sacra é lícita na Igreja e no culto Católico. Ele, obviamente, considerou isso de suma importância,
pois ele tinha apenas três meses no cargo, quando ele emitiu a Instrução
magnífica sobre Música Sacra, Tra le Sollecitudini. Pio decretou:
"Nada deve ter lugar, portanto, no templo que perturbe
ou, sequer, diminua a piedade e a devoção dos fiéis, nada que dê motivo de
desgosto ou de escândalo, nada, acima de tudo, que diretamente ofenda o decoro
e a santidade das funções sagradas e seja, portanto, indigno da Casa de Oração
e da majestade de Deus".
São Pio X insistia que a música sacra deve ser composta de
três elementos: ela deve ser santa, deve ser verdadeira arte, e deve ser
universal.
São Pio colocou o canto gregoriano como a música ideal para
igreja
Quanto ao elemento de santidade, São Pio X explica que
Música Sacra "tem de ser santa, e deve, portanto, excluir todo o profano
não só em si, mas nas maneiras de quem a executa." (Falando "daqueles
que executam", os membros da banda de adoração vestiam-se de forma “moda
de rua”: traje casual, as meninas de calça de tecido grosseiro, tanto para Missa de sábado quanto para as "Horas Santas"[8]. A culpa aqui deve
ser colocada em primeiro lugar sobre o clero “cheio do espírito” de Steubenville
por seu abandono do dever, por não ensinar os jovens a seu cargo sobre o traje
adequado para as funções da igreja. O público também foi desleixadamente vestido
para esses eventos do sábado).
O Papa São Pio X protestou contra música mundana na igreja:
"... a Igreja não pode conter nada de profano [e deve] ser livre de reminiscências
de motivos aprovados em teatros, e não devem seguir a moda em suas formas externas à
maneira das peças profanas". Quaisquer novas composições devem ser
de "Sobriedade e gravidade, que não sejam de forma alguma indignas das
funções litúrgicas".
São Pio X colocou o canto gregoriano como a régua de medição
infalível pela qual todas as músicas da igreja devem ser avaliadas:
"... O canto gregoriano foi sempre considerado como o
modelo supremo de Música Sacra, de modo que é totalmente legítimo estabelecer a
seguinte regra: quanto mais uma
composição para a igreja se aproximar em seu movimento, inspiração e sabor, da
forma gregoriana, mais sagrada e litúrgica torna-se: e quanto mais fora de
harmonia estiver com esse modelo supremo, menos digna do templo "[9].
Poucas formas de música poderiam estar mais longe do modelo
de canto gregoriano do que o "rock cristão" escrito por compositores
Protestantes modernos para os serviços Protestantes. Isso não diz muito do
"rock cristão" tocado em Steubenville quando eu observei que as
únicas formas "menos dignas do templo" seriam o punk, o rap e o heavy
metal.
Na verdade, até mesmo o Papa atual, Bento XVI, que é
progressista em outras áreas, manifestou recentemente seu descontentamento com
a música pop em funções da igreja. Em 27 de junho num concerto conduzido por
Domenico Bartolucci, o diretor de música na Capela Sistina, Bento XVI disse que
a única música apropriada para o culto católico era o tipo tradicional. "É
possível modernizar a música santa", disse Bento XVI, "mas isso não
deve acontecer fora do caminho tradicional do canto gregoriano ou da música
polifônica coral". [10]
A música rock é desordenada por sua própria natureza, não
importa o que digam as letras colocadas em cima dela. A estrutura beat do rock é feita para inflamar
emoções, inflama as paixões inferiores. Até mesmo Keith Richards dos Rolling
Stones admitiu: "O rock é a música do pescoço para baixo". [11]
A música rock é um elemento definidor da moderna cultura pop
antitética ao Catolicismo. Curiosamente, apesar da Dra. Storm provavelmente não
ter considerado isso, se os carismáticos levassem a sério todas as implicações
da proposta da Dr. Storm em ser "contra-cultural", a primeira coisa
que teriam que abandonar seria o "rock cristão" no qual eles são
viciados. "Rock cristão" é um compromisso ilegítimo com uma forma de
música intrinsecamente desordenada. De acordo com as normas perenes reiteradas
pelo Papa São Pio X (e de acordo com o senso comum), "rock cristão" é
um palavrão que não merece lugar em qualquer função que seja católica.
A adoção em Steubenville desta música profana e terrena é
uma das muitas demonstrações de que seu pentecostalismo levado pela emoção não
está operando sob o Espírito Santo, mas sob um espírito estranho ao Catolicismo, alheio ao Santos, alheio ao Papa São Pio X e a todos seus
antecessores.
Hora Santa ou hora
sacolejante?
Voltemos para a Hora Santa rock'n'roll em Steubenville.
Após a sessão já mencionada, Padre Gordon deu uma breve
homilia que foi, na forma carismática, intercalada com aplausos da platéia pelo
menos cinco vezes. Em seguida, a Procissão começou.
A banda de louvor iniciou um dos seus números de palpitante
música protestante, Padre Gordon desceu do palco com o ostensório e começou a
processionar lentamente ao longo do corredor. Novamente, os três jovens de
vestes brancas, dois acólitos e um incensador, foram antes dele. As luzes estavam
baixas, o foco amarelo-dourado iluminou o ostensório que o Padre Gordon
mantinha no ar, ele movia-se num ritmo de lesma, lentamente abençoando a
multidão com o ostensório enquanto passava. Os movimentos do Padre Gordon até
aqui eram lentos e até mesmo régios, em nítido contraste com música pop rock
envolvente do corredor.
Pe. Gordon com o ostensório deixa o palco e processiona com
música rock tocando e braços se agitando.
Agora a banda estava explodindo com "Better One Day in Your
Court" do protestante Mark Redman. Alguns na multidão começaram a parar e rezar
com os braços levantados. A procissão inteira durou cerca de 50 minutos. A
banda de adoração passou de uma melodia
Rock With the Cross para outra: “The
Air I Breathe” dos protestantes Marie Barnett, “Enough” dos protestantes Chris
Tomlin e Louie Giglio; “Dwell” dos protestantes Casey Corum e distribuída pela
seita de Vineyard, "Holy Laughter".
E quanto a minha hora de calma? Bem, o leitor vê o quanto
era vão esse desejo. Tivemos ruído constante na hora inteira. Até o final da
procissão, foram muitos carismáticos colocando-se de pé, rezando com os braços
estendidos no ar.
O Padre Gordon voltou ao palco e colocou o ostensório sobre o
altar-mesa. Então, como se alguém de repente mudasse uma estação de rádio, o
Tantum Ergo em Latim começou a emanar do palco. Este hino Católico foi uma
colisão de frente com tudo o que havia sido realizado anteriormente. "Tu nos destes o pão do céu", cantou Padre Gordon, seguido pela resposta em
Inglês. Ele abençoou o público, a multidão cantou Holy God We Praise Thy Name
(apoiado pelo piano elétrico), Padre Gordon processionou com o ostensório para fora do salão. Então começou um rock
balança-paredes final, um título que eu não pude encontrar. A banda de culto
trouxe a música a um fim dramático enquanto o público aplaudia. A
grotesca "Hora Santa" estava completa.
As sessões de jovens são
ainda piores
Há mais para observar neste fim de semana Carismático que
vai ter que esperar até o próximo mês. Deve-se notar que reuniões de jovens em
Steubenville, que recebem dezenas de milhares de adolescentes Católicos de
escolas secundárias de todo o país, são realizadas de acordo com a mesma
abordagem tecno-protestante ao Catolicismo, onde os adolescentes são
bombardeados por música de louvor pop rock, onde pede-se a eles que
"entreguem suas vidas a Jesus" à maneira protestante, e encorajados a
ser "batizados no Espírito Santo"[12]. Pior, esses eventos incluem,
por vezes, o supremamente ridículo
sacerdote rapper Padre Stan Fortuna.
Um garoto de 15 anos, conhecido meu, disse que ele
participou de um fim de semana do ensino médio para adolescentes na
Universidade de Steubenville onde estavam caindo ao chão "repousando no
espírito" na batida da música rock. "Nós estávamos empacotados no
salão tão apertados que mal podíamos nos mover", disse ele. "Havia
jovens em colapso em volta de mim. Eu não via a hora de sair de lá. Eu estava
morrendo de medo".
No entanto, devido à confusão grave na Igreja trazida pelo
Concílio Vaticano II, uma confusão que, de repente abençoa o que a Igreja
sempre condenou, a Universidade Franciscana de Steubenville goza da reputação
de ser um dos principais bastiões da ortodoxia católica da América do Norte.
Essa confusão estende-se às almas queridas que participaram
no fim de semana Carismático. A maioria dos carismáticos nesta conferência, eu
acho, são pessoas generosas, boas, bem-intencionadas que foram enganadas,
devido ao que a Irmã Lúcia de Fátima chamou a desorientação diabólica daqueles
que ocupam lugares de responsabilidade na Igreja.
Uma última parada
No domingo, pouco antes de deixar a conferência de junho,
parei na livraria da Universidade, um lugar onde a fusão Catolicismo floresceu.
A coleção de materiais era tanto Católica quanto "carismática", tanto
pré-conciliar quanto pós-conciliar.
Mais uma vez, o elemento mais notável foi o ruído. Um
"rock cristão", ainda mais pesado do que aquele que tocou durante
todo o fim de semana, explodia nos alto-falantes da loja. Foi uma amostra dos
muitos CDs de "Christian Rock" à venda na universidade cheia do
Espírito.
Notas:
1.
Close-ups of the Charismatic Movement [Close-ups do Movimento Carismático], J.
Vennari [Los Angeles: Tradition in Action, 2002]. O livro inclui também
uma seção sobre o revolucionário Cardeal Leon Joseph Suenens, um dos prelados
mais radicais do século XX que foi o defensor zeloso do movimento carismático e
Cardeal-Protetor. Cardeal Suenens também é famoso por se opor publicamente a
Humanae Vitae e destruir ("modernizar") a vida de Convento através de
seu livro espantoso, The Nun in the World [A Freira no Mundo]. (www.cfnews.org
/ CharBk.htm)
2. Por exemplo, sobre a instituição do Sacramento do Batismo,
da Eucaristia e Confissão, por Nosso Senhor, ver João 3,5, Mateus 28,19, Mateus
26,27-28, Marcos 14,22-24, Lucas 22,19 - 20; 1 Cor. 11,23-26, João 6,54-59, João
20,21-23. Veja também Concílio de Trento, sobre os sacramentos, Canon I
(encontrado na página 2 desta edição).
3. O Beato Papa Pio IX identificava o protestantismo em
todas as suas formas como "uma revolta contra Deus, sendo uma tentativa de
substituir a autoridade divina pela humana, uma declaração de independência da
criatura de Deus." Citação
de Padre Michael Müller, C.SS. R., The Catholic Dogma [New York: Benzinger
Brothers, 1888], p. 43-4.
4. Syllabus de Erros, proposição condenada no. 18.
5. Veja “'Catholic’ Pentecostalism: Grown in the Garden of
Heresy”, J. Vennari, página 3 da edição de agosto de 2006 do Catholic Family
News.
6. A crítica de Dwyer apareceu em uma entrevista publicada
no National Catholic Register, 21 de julho de 1974 e é citada de The Catholic
Cult of the Paraclete, de Joseph Fitcher, Sheed and Ward, Inc. New York, 1974,
p. 40
7. Op. cit. página 40. Citação original do Bispo Joseph
McKinney apareceu em uma entrevista publicada na New Covenant, Setembro, 1971,
pg 10-16.
8. Cheguei depois da Missa Dominical no dia seguinte, e a
multidão não parecia estar vestida de forma diferente do que estava no sábado.
9. Papa São Pio X, Motu Proprio Tra le Sollecitudini:
Instrução sobre Música Sacra, 22 de novembro de 1902. (Grifo nosso em todas as
aspas). Para mais informações, consulte "Pope St. Pius X’s Motu Proprio:
Tra le Sollecitudini,” Eight Part Series por Patrick Brill, Ph.D.
10.
"The Pope Wants Pop Music Banned from Churches", Hindustan Times, 27
de junho de 2006. No próximo mês, vamos contrastar isso com a atitude
supostamente positiva do Papa Bento XVI com relação ao Movimento Carismático, e
perguntar como os dois podem, possivelmente, andar juntos.
11.
"Elefant: The Black Magic Show", Stylus Magazine. www.stylusmagaz
ine.com / review.php? ID = 3972 (website de rock).
12. Eu vi um fiasco jovem semelhante em Celebrate Jesus 2000
organizado pela Universidade Steubenville.
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Notas da tradutora:
*700 Club é um bar dos EUA.
**No original “altar call” que é uma prática Protestante
onde as pessoas são chamadas a se manifestar publicamente e "assumir um compromisso
com Jesus Cristo". É chamado assim porque as pessoas devem subir ao altar para
fazer tal declaração.