Como Evitar o Inferno em Nossas Vidas Diárias
Dr.
Remi Amelunxen
Traduzido por Andrea Patrícia
Devemos viver nossas vidas no
caminho estreito para evitar a danação eterna no Inferno.
O que nós devemos fazer para salvar nossas almas? Esta
é a pergunta definitiva da vida, e inclui o tema do presente artigo
da
série sobre
Inferno. Para respondê-la, nós precisamos resolver a questão apresentada por
Nosso Senhor: “De que vale um homem ganhar o mundo inteiro e sofrer a perda de
sua própria alma?” (Mt 16,26).
A Sagrada Escritura é repleta de citações poderosas
sobre como o homem deve viver para evitar o Inferno (por exemplo, Mt 26,24,
5,48). O problema ao usá-las é que seus conselhos podem frequentemente ser
interpretados de diferentes maneiras, tornando difícil o trabalho de
entendê-las a fim de se evitar o Inferno e se alcançar o Céu. (1)
Sabendo disso, Nosso Senhor providenciou um
instrumento importante para tornar mais fácil o entendimento das nossas
obrigações morais: Ele estabeleceu a Santa Igreja Católica, uma instituição que
há de durar para todo o sempre, visando a ensinar a humanidade, com autoridade,
para que nós possamos ter um guia a fim de alcançarmos a salvação. O perene
Magistério da Igreja Católica, tal como estabelecido por Cristo, que sobreviveu
seguindo o mesmo caminho seguro até o século XX, é o verdadeiro caminho para a
salvação.
Modernismo e
Progressismo, um parêntesis no Magistério.
O desvio do caminho infalível já havia começado no fim
do século XIX, com o Modernismo promovido por homens como Pe. George Tyrrell
(1861-1909). Tyrell foi excomungado pelo Papa São Pio X, que combateu os erros
modernistas em sua famosa Encíclica Pascendi Dominici Gregis (1907) e no
Syllabus Lamentabili (1907).
Mas um dos estudantes de Tyrell, o infame Pe.Teilhard
Pierre de Chardin, continuou sua obra. Suas noções panteístas sobre
evolução foram prelúdios para a vitória progressista no Vaticano II e a
apostasia geral deste resultante, que continua até hoje. As heresias abundam na
Igreja Conciliar, fazendo com que o Purgatório e o Inferno sejam ignorados,
minimizados ou negados pelos eclesiásticos e até mesmo por Papas. O conceito
herético da salvação universal encontra aceitação geral, apoiado por teólogos
progressistas e também por Papas.
As sugestões feitas por João Paulo II em sua Encíclica
Ut Unum Sint de que aqueles que estão nas falsas religiões podem ser
salvos (2) são suficientes para muitos católicos desconsiderarem a própria
noção de Inferno, presumindo, em vez disso, que um Deus todo misericordioso irá
salvar a todos os que possuem algumas boas intenções. Assim, os católicos hoje
devem aumentar sua vigilância e ficar cientes sobre tudo aquilo que é requerido
para a salvação. Se não, um longo Purgatório, ou pior, um eterno Inferno será o
seu destino…
Pecado
material e formal
Há muitos tipos de pecados que os moralistas católicos
incluem sob os preceitos dos Dez Mandamentos. Segue uma sinopse.
Ao falar de pecado mortal e também de pecado venial, a
Igreja é cuidadosa em não fazer pronunciamentos definitivos, porque a seriedade
do pecado pode variar, baseada na matéria subjetiva da má ação, nas circunstâncias
à volta dele ou no conhecimento da pessoa sobre o seu grau de pecaminosidade. Estes
fatores determinam se o pecado é mortal ou venial, ou mesmo se em alguns casos
não há pecado.
Teólogos Moralistas distinguem entre pecado “material”
e “formal”. Uma ação que é contrária à Lei Divina, mas que não é conhecida como
tal pela pessoa, constitui um pecado material. De maneira simples, se alguém
comete uma ação contra a lei Divina sem saber disso, esta ação é considerada um
pecado material, ou seja, havia matéria para pecado, mas a pessoa não sabia
disso. Um pecado formal é cometido quando a pessoa transgride conscientemente
um dos Mandamentos.
Então, no pecado mortal devem estar presentes três
elementos: matéria grave, conhecimento suficiente e consentimento da vontade. Assim,
uma pessoa que equivocadamente toma a propriedade de outra enquanto acredita
ser dela própria, comete um pecado material. Mas o pecado é formal se ela toma
a propriedade na crença de que esta pertence à outra, seja sua crença correta
ou não.
Pecado Mortal
O meio mais importante de evitar o Inferno é não
cometer pecado mortal. Infelizmente, hoje muitos jovens – mesmo aqueles nas
escolas católicas – nunca ouviram sobre pecado mortal por causa da geral
preocupação liberal de que isso possa “assustá-los”. Esse é o triste resultado
das catequeses que resultaram do Vaticano II.
O
anjo segura as balanças no julgamento privado de uma alma.
A Igreja
ensina que alguns pecados são sempre mortais. Como nós mencionamos antes, há
três fatores determinantes:
- Matéria grave, julgada a partir do ensino das
Escrituras, das definições dos Concílios e dos Papas, e também da razão da
pessoa;
- Conhecimento suficiente, que é um entendimento da
gravidade da matéria;
- Pleno
consentimento da vontade.
O primeiro efeito do pecado mortal é privar a alma da
graça santificante e desviar o homem de seu verdadeiro fim último. Se um homem
morre neste estado sem arrependimento, ele irá para o Inferno. Portanto, é de
absoluta importância confessar cada pecado mortal durante a nossa vida para
garantir a salvação.
Como nós podemos parar de cometer pecados mortais? Deve
ser lembrado que a maioria dos pecados que cometemos são habituais, isto é, nós
tendemos a cometer o mesmo tipo de pecado várias vezes. Portanto, nós devemos focalizar
naquelas coisas mortalmente erradas que fazemos habitualmente. Pessoas
preocupadas com a salvação devem também lutar para eliminar todos os pecados
veniais intencionais, sabendo que eles ofendem a Deus e levam a pecados mortais.
Os pecados mortais comuns são geralmente os mais
perigosos para a salvação porque eles não carregam um estigma social – isto é,
“todo o mundo está fazendo isso” –, o que produz a perda do horror em
cometê-los. Hoje, muitos pecados contra a Fé (1º Mandamento) e contra a pureza
(6º e 9º Mandamentos) caem nesta categoria.
Os Dez Mandamentos
Um breve sumário de transgressões contra cada um dos
Mandamentos, com uma ênfase no horror do pecado mortal, pode ser útil para
muitos católicos. Assim, são apresentados aqui. Certos pecados são sempre
mortais, e as circunstâncias nunca alteram o caso.
Para o Primeiro Mandamento: estes incluem
pecados diretamente contra Deus, como o de idolatria, o de desespero, de
blasfêmia, de rejeição da Fé Católica, de apostasia da Fé (tão predominante na
Igreja progressista de hoje), de heresia e cisma, e o de falha em oferecer a Deus
somente o culto supremo que a Ele é devido.
O Segundo Mandamento – Não tomeis o nome do Senhor
teu Deus em vão – proíbe irreverência com o nome de Deus, a quebra
de juramentos ou votos a Deus e simonia.
O Terceiro Mandamento – Guardar domingos e
festas de guarda – manda que nós adoremos a Deus no Santo Sacrifício da
Missa, proíbe a realização de tarefas servis desnecessárias que requerem o
trabalho do corpo, e aconselha que nós não negligenciemos a oração e os
trabalhos espirituais que levam a salvação.
O Quarto Mandamento – Honrar pai e mãe
– pede-nos para respeitar e amar os nossos pais, obedecê-los em tudo o que não
for pecaminoso, e ajudá-los quando eles tiverem necessidade. Também manda que
os pais providenciem o bem estar espiritual e físico de seus filhos.
Roupas
imodestas ofendem Nosso Senhor e Nossa Senhora, especialmente quando usadas na
Igreja.
O Quinto Mandamento – Não matarás –
proíbe assassinato, suicídio, lutas pecaminosas e ira, ódio, vingança, gula, embriaguez,
mau exemplo, risco de vida temerário e participação em duelo.
Os pecados contra o Sexto e Nono Mandamentos – Não
cometer adultério e Não cobiçar a mulher do próximo – inclui
adultério, fornicação, masturbação, prazer em pensamentos impuros intencionais,
olhares e ações, seja sozinho ou com outros. Na maioria das vezes estes são
pecados mortais. Com relação à impureza, um horror especial está ligado aos atos
homossexuais, porque eles são também pecados contra a natureza, que clamam por
justiça.
O Sétimo e o Décimo Mandamentos – Não
roubarás e Não cobiçarás os bens do próximo – proíbe reter
voluntariamente o que pertence a outro; roubar secretamente é furto, e roubar
violentamente é roubo. Também proíbe fraude e aceitação de subornos. Além
disso, censura o desejo de ter ou manter injustamente o que pertence aos outros,
e proíbe qualquer inveja do sucesso alheio.
O Oitavo Mandamento – Não levantar falso
testemunho – proíbe mentiras, julgamento precipitado, detração, calúnia e
segredos obrigados.
Muitos livros de oração antigos costumavam incluir uma
seção com um exame de consciência antes da Confissão. Estes exames levantavam
questões pertinentes sobre cada Mandamento, bem como para os Sete Pecados
Capitais e os Seis Mandamentos da Igreja. A leitura das questões ajuda a pessoa
a ficar em alerta com relação às transgressões – tanto as sérias quanto as
leves – que podem ser cometidas. Para a conveniência dos leitores, um exame
assim pode ser encontrado aqui. [1]
(Continua)
Francois Xavier Schouppe, The Dogma of Hell, Illustrated by Facts Taken from
Profane and Sacred History, p.129-132.
- E.g. see Ut Unum Sint, Nos.11, 14, 40, 42, 45, 49,
50, 58, 62, 75, 78, 84, 87, 96
_________________________________________
Notas da
tradutora:
[1] Veja
também: