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segunda-feira, agosto 05, 2019

Comentários Eleison: Unidade da Resistência

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DCXXIX (629)- (3 de agosto de 2019)


Unidade da Resistência


A Verdade não pode sobreviver sem a Autoridade.
Nenhuma Autoridade pode prosperar sem a Verdade.


Com o propósito de apontar um extintor de incêndios para o orgulho, estes “Comentários” raramente optam por destacar qualquer conquista dos sacerdotes e leigos que trabalham desde 2012 para assegurar a sobrevivência dos princípios e práticas católicos, especialmente, mas não exclusivamente, dentro da Neofraternidade Sacerdotal São Pio X, ou seja, daquela Fraternidade que está deslizando para os braços de Roma. Os líderes da Neofraternidade naturalmente condenam o movimento chamado “Resistência” ou “Fidelidade”, destacando em particular as divisões que surgiram entre seus vários sacerdotes. Mas chegou a hora de dar um destaque à unidade contrastante da "Resistência" católica.

Por exemplo, um observador de longa data da cena da “Resistência” faz as seguintes observações pertinentes: O principal argumento dos Superiores da Neofraternidade contra a “Resistência” é apontar para as divisões entre os sacerdotes resistentes. Mas enquanto vários sacerdotes resistentes têm uma variedade de dons vocacionais dando origem a uma variedade de obras resistentes (por exemplo, um convento, um seminário, um mosteiro, um priorado, uma missão, etc.), reina entre todos eles uma unidade notável quanto ao fim que se persegue: a sobrevivência da fé católica. Pelo contrário, a Neofraternidade é um gigante com pés de barro, unidos somente pelas medidas disciplinares, pelo medo de sanções e pelas posições pessoais, mas quanto ao fim que se persegue está muito dividido: um acordo com Roma, ou não; matrimônios sob a autoridade oficial, ou não; flerte com bispos conciliares, ou não; a Neofraternidade está rachando em todas as direções.

Mais uma vez, o que estamos vendo hoje é como todos os católicos, sem exceção, estão minados pela divisão entre a Verdade Católica e a Autoridade Católica que resultou da traição consciente ou inconsciente dos 2000 Bispos e dois Papas que criaram o Vaticano II. Assim, em 2019, por um lado, a “Resistência” que sustenta a Verdade sofre divisões pela falta de Autoridade, porque a necessidade de autoridade não pode, desde baixo, criar sua realidade, porque a autoridade, por definição, só pode vir de cima. Por outro lado, a Neofraternidade que se sustenta na Autoridade Romana sofre divisão interna pela falta de Verdade, porque essa Autoridade Romana se aferra às mentiras do Vaticano II.

Mas a verdade é o propósito da Autoridade, e não o contrário. “Pedro, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc. XXII, 32). Em outras palavras, em primeiro lugar recupere sua própria fé abalada na Verdade, e depois, em segundo lugar, exerça sua Autoridade sobre os outros apóstolos. Isso ocorre porque, em um mundo caído, a Verdade interior precisa da Autoridade externa para defendê-la, mas se a Autoridade externa não está mais defendendo essa Verdade interna, então ela perdeu sua verdadeira razão de ser, e se torna um fim em si mesma. Em última instância uma tirania para servir a posturas pessoais, como com Paulo VI e os sucessores do Arcebispo.

Assim, por mais abundantes que sejam as misérias pessoais de cada um dos Resistentes, enquanto eles forem fiéis à Verdade, a "Resistência" sobreviverá à Neofraternidade, assim como a Fraternidade do Arcebispo, enquanto foi fiel à Verdade, dominou e, em última instância, sobreviverá aos conciliares romanos. O problema último não é das pessoas ou da Autoridade, mas das doutrinas e da Verdade. Assim, quando no início dos anos 2000 o sucessor do Arcebispo apelou para a Autoridade para que resolvesse as divisões dentro da Fraternidade, ele já se encontrava no caminho conciliar de preferir a Autoridade à Verdade, de preferir a vontade à razão. Como resultado, a Fraternidade do Arcebispo se tornou uma tirania, e, embora o tirano aparentemente tenha sido destituído de seu cargo de poder pela eleição de um ano atrás, ele realmente está de volta ali. É assim que as coisas são em nosso mundo moderno: as aparências não correspondem à realidade.

Kyrie eleison.

quinta-feira, outubro 25, 2018

Comentários Eleison: "Resistência" Atuando?

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLXXXVIII (588)  (20 de outubro de 2018)

“RESISTÊNCIA”  ATUANDO?

Se na tempestade forem atirados, contem as graças recebidas.
Especialmente quando elas podem ser perdidas.

Desta vez é uma avó que escreve para os “Comentários Eleison” com uma preocupação que é amplamente compartilhada entre leitores e amigos que simpatizam em geral com os objetivos do movimento “Resistência”, mas se perguntam o que esta realmente estaria fazendo hoje para ajudar sua situação. Aqui está seu pedido, um pouco resumido:

Estou muito desapontada com a falta de liderança que está sendo mostrada hoje na Fraternidade e na Resistência. Apoiamos a Resistência, mas não ouvimos nada sobre o que ela está fazendo. O senhor recentemente consagrou três Bispos, mas qual é a função deles? O que eles estão fazendo para dar algum consolo e esperança aos fiéis? Nós também não ouvimos nada sobre eles. Não podem formar algum tipo de oposição à Fraternidade, junto com alguns sacerdotes muito firmes que deixaram a Fraternidade? Certamente Deus está buscando por algo mais do que apenas orações. Há anos Ele suscitou o Arcebispo para proteger Sua Igreja. Ele agora haverá de abandonar seus seguidores fiéis? Eu acho que muitos católicos tradicionais estão desesperadamente procurando por alguma liderança forte hoje, seja na Fraternidade ou na Resistência.

Cara Avó,
Permita-me começar a responder com um episódio famoso da história romana antes de Cristo. Em 216 a.C., o exército romano, normalmente imbatível, foi lutar contra os cartagineses liderados por Aníbal, que haviam invadido a Itália e estavam ameaçando a própria cidade de Roma. Mas na batalha de Canas, no sul da Itália, os romanos se deixaram manobrar e cercar por Aníbal, de modo que foram massacrados pelos cartagineses. Houve consternação em Roma. O que eles deveriam fazer? Alguns romanos queriam levantar outro exército e ir atrás de Aníbal novamente, mas o conselho do cônsul Fábio era evitar a batalha, se possível, e, ao invés, manter vigilância atenta sobre o inimigo, esperando até o momento em que ele retornasse para casa por conta própria. O conselho foi bom e foi seguido. Por fim, os cartagineses foram para casa, onde seu exército foi esmagado pelos romanos quatorze anos mais tarde. “Fábio, o Protelador” havia vencido.

Nenhuma comparação funciona perfeitamente. Assim, depois da derrota esmagadora da Igreja no Vaticano II (1962-1965), alguém diria que o Arcebispo Lefebvre errou ao suscitar, alguns anos depois, o exército que pôde para continuar lutando contra os modernistas? Certamente não. Mas o Vaticano II foi uma grande batalha que deixou bons soldados dispersos para que o Arcebispo pudesse reuni-los em um pequeno exército nos anos de 1970. Pelo contrário, a derrota daquele exército a partir de 2012 foi uma derrota numericamente pequena, deixando muito menos soldados dispersos para lutar. A estratégia poderia ser a mesma das décadas de 1970 e 1980? Certamente não. Por um lado, os soldados de agora, muitas vezes filhos dos revolucionários anos de 1960 ou posteriores, tinham muito menos sentido de obediência ou de uma Igreja ou um mundo ordenado do que os católicos dispersos após o Concílio. Quem pode negar que os anos de 2010 são muito mais desordenados e indisciplinados do que os anos de 1970? Pode-se perguntar se o Arcebispo, com todos os seus dons, poderia ou teria montado uma “Contrafraternidade” hoje. Talvez sim, talvez não...

Os quatro bispos do movimento “Resistência” fazem o que podem, cada um em sua própria parte do mundo, para proporcionar aos poucos católicos que desejam conservar a fé rações de ferro de sã doutrina e orientação à disposição de todos os interessados, juntamente com os sacramentos episcopais. Essa é uma conquista mínima, nem glamourosa nem sensacional, mas pode ser o essencial necessário. Se for, que Deus nos mantenha fiéis.

Kyrie eleison.

*Traduzido por Leticia Fantin.

quarta-feira, setembro 12, 2018

Comentários Eleison: Para Onde, Resistência? - II

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLXXXII (582)  (8 de setembro de 2018):



PARA ONDE, “RESISTÊNCIA”? - II


Resistentes, nenhum de nós pode renunciar!
Somos parte de um grande e glorioso desígnio de Deus!

Quando João Paulo II se tornou Papa em 1978, vários católicos estavam sinceramente esperançosos de que a situação na Igreja seria melhor do que tinha sido sob Paulo VI, mas lembro-me do Arcebispo Lefebvre dizendo que se João Paulo II não limpasse a casa em Roma nos primeiros seis meses de seu pontificado, ele não seria capaz de romper com as políticas estabelecidas em Roma por Paulo VI. Da mesma forma, se o Pe. Pagliarani não limpar logo a casa no topo da Fraternidade, os seguidores de Dom Fellay que o rodeiam poderão impedi-lo de fazer qualquer mudança significativa nas políticas desastrosas de seu predecessor. A podridão que começou com o GREC na década de 1990 teve tempo de fincar raízes bem profundas.

Portanto, se alguém está preocupado com o futuro da “Resistência”, sob o argumento de que a Fraternidade está voltando ao bom caminho com o novo Superior Geral, pelo que a “Resistência” não seria mais necessária, a primeira parte da resposta é que ainda não é certo que a Fraternidade está retomando o bom caminho. Devemos esperar e ver. O Pe. Pagliarani é um bom homem, ele certamente tem boas intenções, e nós rezamos por ele; mas se ele escolhe, antes de mais nada, unir liberais e antiliberais dentro da Fraternidade por meio de compromissos humanos e políticos, nunca salvará a Fraternidade de seu atual declínio. Nossa fé é nossa vitória sobre o mundo, diz São João (1 Jo 5, 4), e não nossas políticas. Portanto, a "Resistência", aquele pequeno e disperso grupo de Bispos, padres e leigos que fazem o possível para resistir às políticas desastrosas de Roma e de Menzingen, ainda não pode deixar de resistir, por mais desorganizada que seja, por mais ineficaz que possa parecer. Alguém na Igreja deve lutar pelo que o Arcebispo Lefebvre lutou.

Pois, realmente, em segundo lugar, imagine um convertido sendo levado pela graça de Deus, mesmo hoje, à fé católica. Por seus próprios princípios, a fé deve encarnar-se em algum lugar. É muito provável que ele não a encontre nas palhaçadas do Novus Ordo. Afasta-se então da Igreja conciliar em direção à Tradição. Encontra a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, mas então descobre que ela está-se tornando conciliar. Para onde ele se volta em seguida? Se não há "Resistência", ele arrisca abandonar o Cristo Encarnado. Alguém na Igreja deve estar vivendo pela lógica da verdadeira Fé de vinte séculos, caso contrário corre o risco de haver almas que concluam que essa Fé está obsoleta no mundo de hoje. Da mesma forma, as almas que abandonam o alto trapézio da Fraternidade precisam de uma rede de segurança católica sobre a qual possam cair, com ou sem o nome de "Resistência".

E em terceiro lugar, há várias maneiras de misturar uísque com água, mas todas dependem de alguém que produza uísque puro. Do mesmo modo, há uma variedade ainda maior de maneiras de misturar Nosso Senhor com o mundo, mas todas dependem de algumas pessoas que sustentam em suas vidas, e não apenas em suas palavras, um exemplo para que todos vejam a verdadeira vida católica. Esta função sempre foi desempenhada pelas Ordens e Congregações religiosas da Igreja. Daí a importância delas. Porém, depois do Concílio que as arruinou, essa função passou a ser desempenhada especialmente pelo Arcebispo e por sua Fraternidade. Mas hoje, de todas as partes do mundo chegam relatos da Fraternidade fellaysada dando exemplos cada vez mais fracos da vida e da moral católicas. Alguém na Igreja deve dar testemunho no mínimo do esforço para viver de acordo com as altas normas de doutrina e moral que Nosso Senhor exige das almas (Mt 5, 48).

E uma quarta razão para que a “Resistência” não se resigne, ou saia do negócio, ou desista da cansativa luta pela Verdade, é que não pode fazê-lo, porque, se o fizesse, como diz Nosso Senhor (Lc 19, 40), as pedras da rua teriam que gritar. Em outras palavras, a Verdade pode ser sufocada por toda a humanidade; porém não são os homens, mas é Deus quem está no comando do mundo, e Ele nunca permitirá que a Verdade seja completamente silenciada, porque isso frustraria Seu propósito ao criar o mundo, que é povoar o céu.

Portanto, a "Resistência" pode amanhã ou no dia seguinte mudar de forma – e, nesse sentido, sua atual falta de forma realmente ajudará! –, mas de uma forma ou de outra, Deus a fará continuar (cf. Is. 6, 9-11).

Kyrie eleison.

sábado, setembro 01, 2018

Comentários Eleison: Para Onde, Resistência? - I

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLXXXI (581)  (1 de setembro de 2018):



PARA ONDE, “RESISTÊNCIA”? - I


Resistentes, por motivo nenhum devem desistir.
O que salva a igreja hoje? Aqueles que continuam a resistir!

Se alguém ainda se pergunta o que o movimento católico “Resistência” deve fazer, os recentes acontecimentos nos Estados Unidos tornam isso mais óbvio do que nunca: deve manter a fé! Com a publicação oficial no mês passado pelo estado da Pensilvânia, nos EUA, de um documento de oitocentas páginas que prova, sem deixar qualquer resquício de dúvida, a culpa de religiosos católicos do alto escalão em crimes abomináveis contra a lei da terra e a lei de Deus, milhões de católicos se verão tentados, e não apenas nos EUA, a duvidar da fé e a renunciar à Igreja.
Um leitor destes "Comentários" aponta três links da Internet perturbadores, e escreve:

Meu coração dói. Jesus não ensinou isso. Estou chorando amargamente. Sou um homem duro, e não choro com frequência. Mas não aguento isso. Desculpe-me, mas se isso continuar eu vou ter de me tornar ortodoxo oriental, ou perderei absolutamente a cabeça. Eu simplesmente não aguento mais essa monstruosidade. Estou com dor física, porque isso está fazendo meu peito doer. Vou perder a cabeça. Todas as orações e missas são em vão, se é que ainda as fazem aqueles que participam nas orações e missas. Nosso Senhor está sendo posto de ponta-cabeça por esses hereges! Eu não aguento!

Ora, pecados acontecem, e continuarão acontecendo até o fim do mundo, mesmo entre os padres e bispos, porque Deus não lhes tira seu livre arbítrio, e nenhum legislador sábio na Igreja ou no estado confia na mera legislação para abolir o pecado. Somente a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo pode purificar as almas do pecado (Rm 7, 24- 25). É por isso que o estado é basicamente impotente para curar os problemas humanos mais profundos de sacerdotes, famílias ou nações. Está obrigado a fazer o melhor possível para proteger os seus cidadãos, mas todos os estadistas inteligentes e honestos reconhecem que somente a Igreja Católica possui todos os meios para alcançar a cura nas profundezas das almas humanas. É por isso que eles favorecerão a Igreja da melhor maneira possível para o bem do estado, e protegerão da melhor maneira possível a reputação de bispos e padres, e deixarão que a Igreja cuide de seus próprios criminosos, se assim o desejarem. Mas se a Igreja se recusa a lidar com seus criminosos, então o estado tem de intervir.

O que é tão escandaloso na presente praga de abuso por clérigos contra adolescentes e crianças é a extensão dos abusos, o encobrimento sistemático dos abusos cometidos por clérigos do alto escalão, e a altura do cargo de alguns deles, que chega ao topo da Igreja. De fato, o escândalo é conhecido nos EUA há dezenas de anos, e é totalmente impossível que também não fosse do conhecimento de todos em Roma. Por décadas, no entanto, uma rede de homossexuais teve imenso poder dentro da estrutura e da hierarquia da Igreja, a ponto de exercer um amplo controle em Roma sobre a nomeação de bispos, e nas dioceses em relação à seleção de seminaristas. Pode ser cada vez mais difícil tornar-se bispo ou padre sem pertencer pessoalmente a essa rede.

Mas o que poderia explicar tal desastre entre tantos clérigos? A única explicação proporcional é a perda da fé desencadeada pelo Concílio Vaticano II (1962-1965), após a qual o grande protetor da perseverança do sacerdote, seu Breviário, e o propósito de sua existência, a Missa, foram mutilados e estropiados (Sacrosanctum Concilium, Capítulos II e IV). Tire de qualquer homem o propósito de sua existência, e ele estará obrigado a procurar satisfação em outro lugar. Pelo menos um comentarista americano culpa o satanismo pelo desastre, um pecado que ataca diretamente a Deus, e, como tal, muito mais grave que os pecados da carne. Mas os homens só se voltam para Satanás quando se afastaram ou foram afastados de Deus. O Vaticano II abriu a porta para aparentemente toda a Igreja afastar-se de Deus.
                                                                                                
Kyrie eleison.

segunda-feira, março 05, 2018

Comentários Eleison: Defendendo Menzingen

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLV (555) (3 de março de 2018)



DEFENDENDO MENZINGEN  –  II


Por que alguns bons homens não conseguem ver onde o mal reside?
Quanto mais eles falham, mais a “Resistência” progride!

Não há dúvida de que alguns leitores destes “Comentários” não estão tão interessados em ler sobre o que lhes parecem meras disputas internas entre alguns poucos sacerdotes católicos. Que tais leitores não subestimem a importância dessas “disputas”. A religião dirige o mundo porque Deus existe, e o modo como os homens se posicionam em relação a ela (a religião) governa o modo como eles se posicionam em relação aos seus semelhantes (política). A Igreja Católica dirige a religião porque desde a Encarnação de Cristo o Catolicismo é a única religião fundada pelo único Deus verdadeiro. E a Tradição Católica dirige a Igreja Católica porque esta Igreja é tão essencialmente imutável como o próprio Nosso Senhor. E por quarenta e dois anos (1970-2012) a Fraternidade Sacerdotal São Pio X esteve na linha de frente da defesa da Tradição Católica porque era a única organização católica no mundo inteiro que efetivamente resistia à modernização infiel da Igreja pelo Concílio Vaticano II. Assim, todos os homens vivos, ateus, protestantes ou conciliaristas, especialmente sacerdotes e seguidores da FSSPX, estão preocupados com o problema de infidelidade à Tradição Católica dentro da FSSPX. Leiam, minha gente!

Outro defensor de Menzingen, o Pe. B., alistou-se nas fileiras para defender sua política de reintegração à Roma conciliar – chamá-lo-emos reconciliaristas – com um artigo na revista oficial mensal da FSSPX dos EUA. Desde que o Vaticano II separou da Verdade Católica a Autoridade Católica, que só existe para defendê-la e mantê-la, todos os católicos têm estado necessariamente mais ou menos esquizofrênicos – ou eles seguem a Autoridade e abandonam a Verdade, ou seguem a Verdade e abandonam a Autoridade, ou eles escolhem qualquer uma de uma variedade de combinações entre elas.

O fundador da FSSPX, o Arcebispo Lefebvre, escolheu a Verdade, mas manteve tanto respeito pelos detentores da Autoridade Católica quanto era compatível com a fidelidade à Verdade, e como resultado sofreu séria perseguição e condenação da parte de todos os católicos que mais ou menos preferiram a Autoridade. Ao contrário, seus sucessores na liderança da Fraternidade estão querendo devolvê-la à autoridade conciliar, daí que a partir de 2012 a Fraternidade tem sido oficialmente reconciliarista. Por essa mudança da FSSPX, da Verdade de seu fundador para a Autoridade conciliar, eles preencheram a Fraternidade de esquizofrenia, causando um movimento de “Resistência” contra seu “reconciliarismo”.

Durante a maior parte de seu artigo, o Pe. B. é católico em seus princípios, mas no fim é reconciliarista na aplicação destes. Assim, talvez para ajudar na reeleição do atual reconciliarista Superior Geral da Fraternidade, em julho, ele ataca a “Resistência”, não por sua adesão à Verdade, que é um ponto forte, mas por seu desprendimento da Autoridade Católica, em Roma e em Menzingen. Desta maneira, o Pe. B. diz, em relação a Roma, a “Resistência” existe em função de sua própria “facilidade e conveniência”, sob risco de ignorar o Papa e não reconhecer sua autoridade; em relação a Menzingen, está recusando o respeito e a obediência devidos; e ao criticar cada palavra pronunciada pelo Superior Geral, está semeando suspeitas e bloqueando os canais da graça.

Mas, Reverendo Padre, entre seus princípios católicos, o senhor mesmo reconhece a primazia da Fé. Mas, ora, o Vaticano II foi um desastre para a Fé ao tentar colocar o homem moderno no lugar de Deus. Assim, conciliarismo e reconciliarismo são ambos desastrosos, e ambos – os oficiais de Roma e o atual Superior Geral da Fraternidade – serão devidamente julgados. O problema não é a “Resistência”, que não “ignora” o Papa e certamente não está procurando sua própria facilidade e conveniência, porque é altamente desconfortável para os católicos serem privados de todo o apoio reconhecido da parte dos oficiais católicos supracitados. Assim, a “Resistência” não está nem caindo em “uma atitude cismática por si só” nem bloqueando os canais da graça. O problema é que o Concílio causa cisma, o Concílio envenena os Papas, e o Concílio sufoca a graça de Jesus Cristo. Se algo da verdadeira Fraternidade quiser sobreviver, o atual Superior Geral não deve ser reeleito, nem substituído por outro reconciliarista.

Kyrie eleison.



Traduzido por Leticia Fantin

domingo, agosto 27, 2017

Comentários Eleison: Por que "Resistência?"

Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DXXVIII (528) (26 de agosto de 2017)


POR QUE "RESISTÊNCIA"? 


Quando entre os líderes dos católicos tradicionalistas a falsidade torna-se persistente,
Então, o tradicionalista deve passar a ser também um "resistente".

Na sequência de "Por Que Tradição", o Pe. Patrick Girouard, que atende atualmente uma paróquia da "Resistência" no oeste do Canadá, explica a necessidade não só de os católicos serem tradicionalistas, mas também de os católicos tradicionalistas "resistirem". Ele escreveu a seguinte declaração, “Declaração de Missão”, em junho de 2013, precisamente para explicar por que ele e algumas dúzias de fieis estavam saindo da FSSPX. Infelizmente, a "Declaração" teve de ser cruelmente encurtada. Para lerem o texto completo, entrem em contato com o Pe. Girouard no http://thebastion.faith.

Se eu, o Padre Girouard, e cerca de um terço da paróquia de Langley decidimos inaugurar uma nova paróquia, foi porque nossa amada Fraternidade está sendo destruída por sua administração, e não podemos suportar mais a constante propaganda que favorece essa destruição. Ao estudarmos cuidadosamente os documentos que lançaram luz sobre ela, pudemos entender o que aconteceu. Se então tivéssemos permanecido em silêncio e inativos, não só nos teríamos posto em um caminho perigoso, como também estaríamos contribuindo para a destruição do movimento tradicional. Que a nossa atitude encoraje mais sacerdotes e fiéis a fazer o mesmo!

Para todos os efeitos práticos, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X uniu-se à Igreja Conciliar. Mesmo que o acordo com Roma ainda não tenha sido firmado, foi, no entanto, aceito em princípio no Capítulo Geral da Fraternidade em julho de 2012, que foi a Revolução dentro da Fraternidade: o Capítulo tomou a decisão de que a partir daquela data a Fraternidade podia firmar um pacto com os implacáveis ​​ destruidores da Igreja Católica.

Mas como um católico que seja digno do nome pode aceitar essa decisão? Como podemos dizer que somos católicos, se aceitamos fazer um acordo com aqueles que estão facilitando, por meio de suas ações ou de seu silêncio, a condenação de inúmeras almas pelas quais Nosso Senhor deu a vida d’Ele? Como podemos sequer sentar-nos para falar com pessoas que promovem essa abominação para Deus, o Novus Ordo Missae? Lembro-me de Dom Lefebvre citando o Profeta Malaquias contra a Missa Nova: “Convosco falo, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome, e que dizeis: em que desprezamos nós o teu nome? Vós ofereceis sobre o meu altar um pão imundo, e dizeis: Em que te profanamos nós?... diz o Senhor dos Exércitos” (1, 6-7.9).

A missão da FSSPX nunca foi a de entrar na estrutura da Igreja Conciliar com o fim de "transformá-la" desde dentro. Tal ilusão foi condenada por Dom Lefebvre após as Consagrações de 1988. A missão da Fraternidade foi a de formar sacerdotes que pregassem a Verdade e lutassem vigorosamente contra o erro, sem "conversações" ou "diálogos" ou "negociações". Como um farol, essa pequena remanência atrairia então almas de boa vontade. Mas os atuais líderes da Fraternidade traíram essa missão, e não toleram desentendimentos ou críticas, e então o único meio pelo qual podemos sustentar a Verdade é separar-nos da Neofraternidade. Devemos rezar muito por uma solução para a crise e por nossa perseverança.

Vocês podem perguntar-me: quando será o momento de unir-nos a Roma? Como saberemos se temos um bom Papa? A resposta é simples: quando o Papa condenar publicamente a Missa Nova e proibir sua celebração sob pena de excomunhão; quando ele condenar publicamente e rechaçar todo o Concílio Vaticano II; em síntese, quando o virmos tomar medidas efetivas para limpar essa desordem. Da mesma forma, quando poderemos confiar na FSSPX novamente e retornar? Resposta: Quando o Bispo Fellay e todos os sacerdotes da Fraternidade que promovem a nova conduta forem destituídos e impedidos de qualquer posto futuro; quando os textos do Capítulo forem oficialmente repudiados; quando os sacerdotes fiéis forem reivindicados, e assim por diante.

Impossível, você diz? Eu respondo simplesmente: O quê? Qual é o problema? Nós apenas cumprimos nosso dever, damos glória a Deus e deixamos que Ele lide com os destruidores. Oremos e sacrifiquemo-nos pela conversão deles, e permaneçamos unidos em oração, seguramente. Mas vamos comprometer-nos e colocar-nos em perigo? – Jamais!

Kyrie eleison.

domingo, março 12, 2017

Comentários Eleison: Quarto Bispo

Comentários Eleison - por Dom Williamson
Número DIV (504) - (11 de março de 2017):


QUARTO BISPO


Onde as almas se esforçam para o Paraíso, os bispos devem existir,
A Vienna, na Virgínia, em 11 de maio, tentem ir!

Desde o verão de 2012, quando a Fraternidade Sacerdotal São Pio X decidiu oficialmente mudar de rumo e abandonar a posição doutrinária tomada primeiramente quarenta anos antes pelo Arcebispo Lefebvre, tem sido interessante observar a Providência em ação para garantir a defesa da Igreja. Poder-se-ia esperar uma revolta generalizada em defesa da verdade de Deus. Resistência dentro da Fraternidade? Existente, mas até agora demasiado silenciosa. E fora? Existente, mas apenas como uma dispersão de leigos e um punhado de sacerdotes, fragmentados por divisões por falta de uma autoridade reconhecida. Os católicos precisam de autoridade. E essa necessidade é tão grande que enquanto a Verdade está sendo drenada para fora da Neoigreja centrada no homem, e da Neofraternidade centrada em Roma, as almas ainda se agarram a cada uma por causa dos restos de autoridade Papal na primeira, e da autoridade católica legada à última pelo Arcebispo.

Mas a Verdade permanece como propósito da Autoridade, e a Autoridade não é o propósito da Verdade. Dada a natureza humana decaída, a Autoridade é a indispensável defensora e garantidora da Verdade, mas vem após a Verdade e não antes. Tomem por exemplo uma das últimas instruções de Nosso Senhor a Pedro antes de deixá-lo à frente do governo da Igreja (Lc XXII, 31-32): “Simão, Simão, eis que Satanás vos busca (plural) com instância para vos joeirar como trigo; mas eu roguei por ti (singular), para que a tua fé não falte (Verdade); e tu, uma vez convertido (Verdade), confirma os teus irmãos (Autoridade)”. E quando no Domingo de Ramos, alguns dias antes, os fariseus haviam tentado repreender Nosso Senhor pelo estrondo alegre que seus discípulos faziam, tão necessária era a adoração a Deus na Verdade que Nosso Senhor respondeu (Lc XIX, 40): “Digo-vos que, se eles se calarem, clamarão as mesmas pedras.”

Na Neoigreja de hoje, a Autoridade está mesclando o erro Conciliar com a Verdade Católica no motor da Igreja, que é como misturar água com gasolina (petróleo) no motor de um automóvel ­– o carro está quebrado, a Igreja está paralisada. E enquanto o Arcebispo Lefebvre enfrentou essa deficiência não apenas, mas principalmente com sua sagração de quatro bispos para manter a autoridade católica que defendesse a Verdade de Deus, seus sucessores à frente do que foi sua Fraternidade estão fazendo o máximo para submeter sua defesa da Verdade à paralisada e paralisante Autoridade de Roma! Se esses sucessores pensam seriamente que uma vez que estão “dentro da Igreja oficial” eles estarão numa posição de converter os neomodernistas, são eles excessivamente ingênuos. Já estão cessando seu fogo contra o Vaticano II. Quando precisamente imaginam eles que serão capazes de abrir fogo novamente?

Nestas circunstâncias bastante excepcionais, deve haver discípulos de Nosso Senhor que digam a Verdade – de modo a poupar o esforço das pedras! Esses discípulos podem não estar unidos como se estivessem sob a verdadeira Autoridade (sempre tendo em conta a fraqueza humana). Eles podem estar “angustiados e abatidos”, eles podem sofrer “tribulação e perseguição” (ver Cor IV, 8-9), mas eles têm de estar por aí enquanto a Verdade estiver sendo mantida em cativeiro. Será um tempo longo? Deus sabe. Muitos de nós esperávamos que Ele interviesse há muito tempo, mas Deus tem um pavio muito longo. No entanto, Ele ainda há de intervir, se ainda resta alguma coisa para ser salva. Paciência.

Enquanto isso, esses discípulos precisam de um punhado de bispos para assegurar uma mínima continuação na Verdade do ensino episcopal e dos sacramentos da Confirmação e das Ordens Sacras. Em 1988 o Arcebispo consagrou quatro deles pela mesma razão, dois para a Europa, um para a América do Norte e outro para a América do Sul. Neste momento, a “Resistência” tem dois na Europa e um na América do Sul. Existe uma lacuna na América do Norte. Se Deus quiser, no próximo dia 11 de maio o Pe. Gerardo Zendejas será consagrado bispo na paróquia tradicional do Pe. Ronald Ringrose em Vienna, Virgínia, EUA. Por favor, rezem pela bênção do Deus Todo-Poderoso sobre esta cerimônia — e pelo bom tempo!

Kyrie eleison.

*Traduzido por Cristoph Klug.


domingo, janeiro 01, 2017

Comentários Eleison: Quinze Países

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDXCIV (494) - (31 de dezembro de 2016): 


 QUINZE PAÍSES

A “Resistência"? Ainda uma dispersão de sementes,
Mas assim têm início os mais poderosos feitos.

O último dia do ano pode ser um bom momento para fazer um levantamento da batalha pela Fé Católica em 15 países diferentes visitados no decorrer do ano-calendário de 2016 pelo autor destes "Comentários". É uma batalha que está sendo travada em condições muito difíceis, porque é claro que a Igreja Católica depende, como qualquer organização, de sua cabeça, e o Papa Francisco deu durante todo o ano a impressão de querer destruir a Igreja tal como ela tem sido por 2.000 anos, e substituí-la com qualquer coisa que agradará às multidões modernas, o que implica a mídia, o que significa os inimigos de Deus. Verdadeiramente "o Pastor está ferido e as ovelhas estão dispersas", o que inclui a Fraternidade Sacerdotal São Pio X; mas vamos dizer melhor como em todo o mundo Deus está levantando os filhos de Abraão das pedras (Mt 3, 9) – e se estes se calassem, as próprias pedras teriam de gritar (Lc 19, 40).

Na Índia, um sacerdote e um seminarista, hoje sacerdote, que pertenciam anteriormente à Fraternidade mantêm atualmente o único priorado e paróquia da Resistência em todo o subcontinente. Que Deus esteja com eles. No Brasil, parece que a consagração episcopal de Dom Tomás de Aquino fortaleceu a defesa da Fé em torno de seu mosteiro. Graças a Deus. O México sempre foi forte na Fé, e agora é a base do excelente site em espanhol, Non Possumus. Na Suíça, um pequeno grupo de leigos está feliz à sombra de Écône por aprender algumas coisas que já não são tão firmemente ensinadas no Seminário de lá, como quando Dom Lefebvre deu tanto a tantos de nós. Nos Estados Unidos, onde a Fraternidade conseguiu replantar a doutrina antiliberal da Igreja em todo o continente, o liberalismo está recuperando terreno perdido, graças à desastrosa mudança de direção da Fraternidade desde a morte do Arcebispo. No entanto, os sacerdotes dos Estados Unidos ainda não deram a última palavra, e o Pe. Zendejas, que era um deles, está bravamente reconstruindo no meio deles.

Outros dois ex-sacerdotes da Fraternidade, o Pe. Chazal e o Pe. Picot, percorrem todo o Extremo Oriente e descem até a Austrália e a Nova Zelândia. Na Coreia, mantém-se uma capela da Resistência na capital, Seul, por uma corajosa médica. No Japão, os católicos foram dizimados pela Segunda Guerra Mundial, pelo Vaticano II e agora pelo deslize da Fraternidade, mas permanecem alguns poucos contatos da Resistência, incluindo um veterano sacerdote japonês. Por outro lado, no país mais católico da Ásia, as Filipinas, o Pe. Chazal tem dezenas de centros de Missa e um seminário que se tornará mais fácil de servir com a recente ordenação sacerdotal do Pe. John, um filipino nativo.

De volta à Europa, a Irlanda tem um novo priorado da Resistência perto de Cork, no sul, e a Polônia tem um grupo de católicos acordando para o perigoso deslize da Fraternidade em direção a Roma, mas eles têm por enquanto apenas um padre polonês idoso. Paciência. Na República Checa há um grupo paralelo de católicos ardentes buscando conversões sacerdotais para a Tradição na Igreja oficial. Sua fé é forte. Na Bélgica há também um grupo forte em uma cidade provinciana que se volta para um bom sacerdote que há muitos anos deixou atrás dele um legado de convicção e piedade católicas. Na Alemanha, a Resistência está demorando a tomar forma devido à obediência instintiva dos alemães à autoridade, mas há agitação. Na Itália também a Resistência é lenta, porque o conservadorismo dos católicos amenizou a Revolução Conciliar em comparação com a forma como ela arrasou em alguns países, mas o Papa Francisco pode mudar tudo isso!

E por último, mas não menos importante, há a França, que é sempre uma líder na Igreja, para o bem ou para o mal (por exemplo, o Arcebispo Lefebvre ou Teilhard de Chardin). Os sacerdotes franceses sempre predominaram dentro da Fraternidade, e agora eles estão predominando na Resistência, e centenas de leigos franceses vêm a conferências regulares sobre as clássicas Encíclicas antiliberais dos Papas pré-Conciliares. Mas a França como um país está no momento se desintegrando, porque os católicos não têm um verdadeiro Papa para uni-los, e os cidadãos não querem que nenhum rei católico os reúna à causa de Deus. Porém, tenhamos paciência, porque Deus levantará a França novamente, e Ele nos levantará com ela.


Kyrie eleison.

sábado, abril 02, 2016

Comentários Eleison: O Legado do Arcebispo - II



Comentários Eleison - por Dom Williamson

CDLV (455) - (02 de abril de 2016)



O LEGADO DO ARCEBISPO – II



Estrutura, ou não? Onde está a Fé?

Onde quer que ela esteja, ir lá necessário é!


 


Em 2012, os sucessores do Arcebispo à frente de sua Fraternidade Sacerdotal São Pio X, tendo falhado em compreender sua postura fundamental de antepor a Verdade católica à Autoridade católica, alegaram falsamente estar seguindo seu exemplo quando, no Capítulo Geral da Fraternidade daquele verão, se dispuseram a colocar a Autoridade sobre a Verdade ao abrirem as portas para algum acordo político e não doutrinal com os mentirosos de Roma – “O catolicismo é revolucionário” é uma mentira monstruosa. Por anos entre esses sucessores tem-se difundido rumores de que o acordo é iminente, mas Roma os tem onde quer, por culpa deles mesmos, que se expõem para que ela continue extraindo deles concessões como, possivelmente, a desastrosa entrevista de 2 de março concedida pelo Superior Geral a um predador profissional. Roma conciliar nunca se esquece daquilo que a FSSPX parece não querer mais lembrar – que a Tradição Católica e o Vaticano II são absolutamente irreconciliáveis.

Entretanto, o Arcebispo teve discípulos que não se esqueceram disso. Eles estão sob o nome de “Resistência”, a qual, logicamente, é mais um movimento do que uma organização. Apegando-se à Verdade contra a falsa Autoridade, tanto de Roma como, agora, da FSSPX, qualquer autoridade interna entre eles pode, na melhor das hipóteses, ser oferecida por suplência, isto é, como uma autoridade anormal suprida invisivelmente pela Igreja em caso de emergência para a salvação de almas. Mas tal autoridade, pela invisibilidade de sua transmissão (em contraste com as cerimônias visíveis pelas quais muitos tipos de autoridade entre os homens são transmitidas), é muito mais fraca e mais contestável que a autoridade normal na Igreja, que descende sempre, em última instância, do Papa. Assim, a “Resistência” tem a força da Verdade, mas uma fraqueza em relação à Autoridade que é normalmente essencial para proteger a Verdade católica.

Certamente, os católicos resistentes, dentro ou fora da Tradição, têm de levar em conta as muitas consequências dessa separação entre Verdade e Autoridade imposta pelo Vaticano II a toda a Igreja. Estando o Supremo Pastor de Deus extremamente ferido pela loucura conciliar, como não poderiam estar extremamente dispersas as ovelhas de Deus (cf. Zc. XIII, 7; Mt. XXVI, 31)? Para não sofrerem, os católicos teriam de deixar de pertencer à Igreja Católica. É isto o que eles querem? Então, os católicos durante estes tempos não deveriam estar surpresos com traições nem desapontados por divisões. No momento, ao Diabo está sendo dada quase uma via livre para causar divisões (“diabolein”, em grego), e quando os católicos estão todos lutando pela salvação eterna, as divisões são frequentemente amargas. Paciência.

Logo, dos Papas conciliares já não pode haver sangue vital da verdadeira autoridade Católica fluindo para as instituições católicas, e então as pessoas católicas já não podem mais depender das instituições católicas como elas poderiam normalmente fazer. Em vez disso, qualquer uma dessas instituições tem de depender das pessoas para a Verdade, tal como nós vimos a FSSPX depender de Dom Lefebvre. Mas pessoas sem apoio ou controle institucional são sempre propensas a falhar, e então parece imprudente esperar que algum agrupamento de católicos pela Verdade atualmente vá atrair grandes números. Os católicos podem naturalmente aspirar por estrutura, hierarquia, superiores e obediência, mas estes não podem ser fabricados do nada. Seguramente o pouco que resta é a ordem do dia. Paciência.

Para concluir, os católicos que se esforçam para manter a Fé devem aceitar seu bem merecido castigo, renunciar a todas as ilusões e invenções humanas, e implorar em oração para que Deus Todo-Poderoso intervenha. Quando suficientes almas se voltarem para Ele, para a Sua solução em vez das suas próprias, estas reconhecerão que Sua Providência lhes providenciou isso na forma da devoção dos primeiros sábados, em reparação de Sua Mãe. Pois quando suficiente reparação tiver sido feita, Ele dará a seu Vigário na terra a graça de consagrar a Rússia ao Imaculado Coração dela, e, consequentemente, a ordem começará a ser restaurada como Ele prometeu. Para a prática desta devoção, não percam o “Comentário” da próxima semana.



Kyrie eleison.


domingo, março 20, 2016

Comentários Eleison: Terceiro Bispo



Comentários Eleison - por Dom Williamson 
CDLIII (453) - (19 de março de 2016):




Dom Tomás, um monge com suficientes fé e caridade,
E agora um bispo, satisfazendo a Deus (e aos leitores) a vontade.


No dia da consagração, queira Deus, de Dom Tomás de Aquino como terceiro bispo para a "Resistência" católica de hoje, parece apropriado reproduzir o testemunho de um amigo próximo dele, o professor Carlos Nougué, que atualmente lidera uma Casa de Estudos junto ao Mosteiro da Santa Cruz de Dom Tomás. Este testemunho, que muitos de vocês podem não ter visto, está apenas levemente adaptado do original, que pode ser acessado no excelente site mexicano Non Possumus [N.T.: e no site em língua portuguesa “Estudos Tomistas”, do próprio autor].  Observem em particular a boa influência de Corção, a conexão próxima com Dom Lefebvre, a recusa de se aproximar da Roma neomodernista e dos métodos estalinistas de Dom Fellay.

Kyrie eleison!

Miguel Ferreira da Costa nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1954. Até a Faculdade de Advocacia, fez seus estudos no Colégio de São Bento do Rio de Janeiro, onde tive a oportunidade de ser por um breve tempo seu colega de classe. Fez parte do movimento tradicionalista e antimodernista organizado em torno de Gustavo Corção e da revista Permanência; teve início então sua vida de “fiel guerreiro e veterano da guerra pós-conciliar pela Fé". Começou, como dito, a cursar Advocacia, mas abandonou-a para tornar-se monge beneditino, com o nome de Tomás de Aquino, no mosteiro francês do Barroux, que tinha então por superior a Dom Gérard; e foi ordenado sacerdote em 1980, em Êcone, por Dom Marcel Lefebvre. Pôde então privar da amizade, do exemplo, dos ensinamentos do fundador da FSSPX.

Em 1987 ele veio ao Brasil com um grupo de monges do Barroux para fundar o Mosteiro da Santa Cruz, em Nova Friburgo, Rio de Janeiro/Brasil. Nesse ínterim, porém, Dom Gérard, contra a instância de Dom Lefebvre, marchou para um acordo com a Roma conciliar, contra o que se opôs também Dom Tomás de Aquino. A separação foi então inevitável. O Mosteiro da Santa Cruz, com total apoio e incentivo de Dom Lefebvre, tornou-se assim, em 1988, independente, ainda que amigo da FSSPX. Contudo, em razão de uma orientação por escrito emitida pelo Arcebispo, a FSSPX não teria jurisdição sobre ele, porque como Prior do Mosteiro era necessária a Dom Tomás a autonomia.

A carta foi providencial, porque as relações entre a FSSPX e o Mosteiro foram-se deteriorando, sobretudo com a aproximação daquela à Roma neomodernista. Quando Bento XVI publicou seu Motu proprio sobre o “rito extraordinário”, Dom Tomás de Aquino negou-se a cantar na Missa de domingo o Te Deum pedido por Dom Fellay para comemorar o documento papal, e, especialmente pela “suspensão das excomunhões” pelo mesmo papa, escreveu Dom Tomás a Dom Fellay uma carta em que dizia que não seguiria seus passos rumo a um acordo com a Roma conciliar. Um tempo depois, aparecem no Mosteiro (sou testemunha presencial disto) Dom de Galarreta e o Padre Bouchacourt para dizer a Dom Tomás que ele teria quinze dias para deixá-lo; se não o fizesse, o Mosteiro deixaria de receber ajuda e sacramentos (incluído o da ordem) da FSSPX.

Escrevi a Dom Fellay para queixar-me de tal injustiça, e ele respondeu-me que Dom Tomás tinha um problema mental, e que enquanto ele não deixasse o Mosteiro, não receberia apoio da Fraternidade. Respondi-lhe: “Devo ter eu também o mesmo problema mental, porque convivo há doze anos com Dom Tomás e nunca o percebi nele”. Tratava-se em verdade de algo similar ao stalinismo e seus hospitais psiquiátricos para opositores. Hesitou então Dom Tomás: se deixasse o Mosteiro, seria a ruína deste com respeito à Fé; se porém permanecesse, privá-lo-ia de toda a ajuda de que necessitava. Então Dom Williamson escreveu uma carta a Dom Tomás em que assegurava ao Mosteiro todos os sacramentos; poderia assim Dom Tomás permanecer nele.

Foi o suficiente para que todos aqui reagíssemos: foi o começo do que hoje se conhece por Resistência, e que teve por órgão primeiro a página web chamada SPES, hoje desativada por ter cumprido já o papel a que se destinava. O Mosteiro passou a ser então centro de acolhimento para os sacerdotes que, querendo deixar a FSSPX pela traição de seus superiores, hesitavam porém em sair justo por não ter onde viver fora dela. Foi o lugar da sagração de Dom Faure, e será agora o lugar da sagração do mesmo Dom Tomás de Aquino Ferreira da Costa, meu pai espiritual e o amigo mais entranhável que Deus me poderia haver dado.



terça-feira, março 15, 2016

Comentários anti-eleison: Comentários impiedosos

Por Gederson Falcometa


A causa do caos na Resistência é a heresia da ação, de que fala D. Chautard no livro “A alma de todo apostolado”. Ação sem reflexão é o que leva um Padre vir a público e escrever Comentários Anti-Eleison, porque a palavra Eleison, vem do grego, significa “ter piedade”, “compadecer-se”. Sendo assim, enquanto Dom Williamson escreve “Comentários piedosos”, temos a tácita admissão já no título, que Padre Cardozo escreve “Comentários anti-piedade” ou “Comentários impiedosos”. Eis a causa do caos: a heresia da ação. Só alguém que não pensa antes de agir para escrever uma bobagem dessas!

domingo, março 13, 2016

Comentários Eleison: Paz, Guerra



Comentários Eleison - por Dom Williamson 
CDLII (452) - (12 de março de 2016) 

PAZ, GUERRA

O pouco que podemos fazer tratemos de realizar,
E então a vara tão merecida Deus poderá suavizar.

Aqui estão algumas pequenas más e algumas grandes más notícias, mas o equilíbrio pode ser um pouco remediado pelo fato de as más notícias serem sobre o mundo, enquanto que as boas notícias são da Igreja. Primeiro as boas, em dose tripla.

No início de fevereiro, no Seminário “Resistente” de São Grignon de Montfort próximo a Angers na França, houve uma reunião de meia dúzia de sacerdotes franceses da União Sacerdotal Marcel Lefebvre, ou, abreviadamente, USML. Dom Faure presidiu-a; e o Pe. Bruno, monge beneditino, coordenou-a. A USML ainda não tem uma estrutura da qual valha a pena falar, não mais do que o que já fizeram os remanescentes dos sacerdotes fieis que sobrevivem ao desastre do NOM e do Concílio Vaticano II; mas vigorosas discussões sobre ações que devem ser tomadas pela USML não impediram um encontro de mentes. A Fé ainda pode manter unidos os amigos da USML.

Depois, no dia seguinte, cinco jovens, três da França, um da Inglaterra e um da Itália, receberam a batina das mãos de Dom Faure em uma Missa Pontifical celebrada na Igreja do Convento Dominicano em Avrillé. Sob o impulso da USML, o Seminário abriu no outono passado com oito seminaristas, dos quais apenas um não está mais lá. Eles receberam uma grande parte da sua educação diária no mesmo convento pelos sacerdotes dominicanos que estão assim retribuindo uma dívida de suas próprias origens à Fraternidade de Dom Lefebvre e ao Seminário em Écône, onde seus três pioneiros, que ainda são os seus líderes atuais, receberam sua educação inicial em filosofia e teologia no fim dos anos 70 e no início dos anos 80. Verdadeiramente, "colhe-se o que se planta". Da Neofraternidade de Dom Fellay, encaminhada ao inferno da Roma conciliar, os Dominicanos separaram-se prudentemente no ano passado.

E a última parte das boas notícias da França é que nem todos os sacerdotes da FSSPX no Distrito da França estão cegamente seguindo seus líderes enganadores. E como poderiam, quando o presente chefe da Roma conciliar comete dia após dia, em palavras e ações, um ultraje após o outro contra a Fé Católica, como se estivesse determinado a destruir toda a Igreja? A Fraternidade de Dom Lefebvre pode estar afundando, e pode afundar ainda mais nessa esmagadora tempestade de liberalismo e neomodernismo, mas ainda não afundou de vez. Devemos orar para o Arcebispo, para o caso de ele poder salvar sua Fraternidade dos iludidos liberais nas mãos dos quais ela caiu.

As más notícias do mundo (ver http://​www.​tfmetalsreport.​com/​blog/​7422/​dangerous-moves-new-cold-war) é que a Guerra Fria entre o Ocidente e a Rússia está esquentando novamente e não havia se tornado tão perigosa desde a crise de mísseis cubana em 1961. Em particular, no fim de janeiro o governo dos EUA anunciou sua decisão de pôr uma brigada de combate totalmente equipada, móvel, mas permanente, nos países do Leste Europeu que fazem fronteira com a Rússia, desde os Estados do Báltico até a Síria. Nunca a força militar americana havia sido colocada tão próxima à Rússia. O mais próximo foi Berlin. E a corrida armamentícia está de volta. Ambos os lados estão modernizando suas armas nucleares, agora muito mais caras e perigosas, e menores, mais precisas, mais controláveis e, portanto, mais "usáveis". Os ponteiros do relógio nuclear estão correndo – marcando 11h57min, dizem alguns – e não há debate.

Como pode a grande mídia ocidental não dar a conhecer uma situação que está a se desenvolver tão dramaticamente? É assim porque ela está controlada pelos inimigos de Deus e do homem, que querem que a Terceira Guerra Mundial dê a eles a ditadura global à qual eles estão convencidos de que têm direito. Há alguma esperança humana de que parem de infligir sobre todos nós a sua loucura? Isto depende não deles, mas de Deus Todo-Poderoso, a quem eles estão servindo como um flagelo para nós mesmos, a humanidade que rejeito seu Deus. Que cada um de nós reze o Rosário e cumpra com seus deveres diários. Podemos fazer um pouco mais. Não podemos fazer menos.

Kyrie eleison.

sábado, fevereiro 20, 2016

Comentários Eleison: Bispos



Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDXLIX (449) - (20 de fevereiro de 2016)

BISPOS

De modo nenhum o perigo na FSSPX deixou de haver.

Os bispos resistentes devem cumprir com seu dever!

Desde o Capítulo Geral de julho de 2012, quando sob a direção de Dom Fellay a Fraternidade Sacerdotal São Pio X deu uma guinada decisiva em direção a um acordo de compromisso com a Roma Conciliar, os católicos da Tradição se perguntam onde estavam os dois outros bispos da FSSPX, Dom Tissier de Mallerais (BpT) e Dom de Galarreta (BpG), porque ambos têm sido bastante discretos desde então. Entretanto, as firmes palavras que foram ditas por cada um no mês passado suscitaram esperanças para o futuro da FSSPX. As esperanças estão justificadas? Os católicos precisam permanecer em guarda...

O sermão de Crisma feito por BpT em 31 de janeiro, em Saarbrücken, na Alemanha, não poderia ter sido mais sincero nem claro. Por exemplo: No embate da FSSPX com Roma, nunca poderá haver compromisso ou jogo duplo. Nunca poderemos negociar com Roma enquanto os representantes da Neoigreja (sic) estiverem agarrados aos erros do Vaticano II. Qualquer conversa prolongada com Roma deve ser sem ambiguidades, e ter como objetivo a conversão dos representantes da Neoigreja para nossa una e única verdade da Tradição Católica. Nada de compromisso nem jogo duplo até que eles tenham superado seus erros conciliares e se convertido de volta à Verdade.

Palavras admiráveis! Sinceridade não é o problema de BpT. Ele não é nada político. Deus o abençoe. Seu problema é que, quando tem de passar das palavras à ação, seu “Cinquentismo” o faz obedecer a seu Superior e se alinhar aos políticos do Quartel-General da FSSPX em Menzingen. Nada indica que isto não acontecerá de novo, mas devemos sempre rezar para que ele finalmente comece a reagir devidamente. BpT está escondendo-se de si mesmo, ou de fato não está conseguindo ver a completa malícia da ação de Menzingen. Não estão em jogo somente a unidade e o bem-estar da FSSPX, mas a Fé Católica.

BpG, pelo contrário, é um político. Infelizmente, não temos o texto completo da conferência que ele deu em Bailly, na França, em 17 de janeiro, porque suas exatas palavras são importantes, de modo que só podemos citá-lo a partir de um resumo de seus pensamentos principais: “as últimas propostas teológicas e canônicas de Roma para um acordo Roma-FSSPX continuam inaceitáveis, mas o Papa certamente quer um acordo, e ele é perfeitamente capaz de passar por cima de seus oficiais e impor um reconhecimento “unilateral” da FSSPX. Tal reconhecimento poderia definitivamente prejudicar a FSSPX internamente, mas se a FSSPX não tiver feito nada para obtê-lo, então não há nada que ela possa fazer para impedi-lo. Entretanto, a Providência olharia uma vez mais para o trabalho do Arcebispo”.

Mas, Excelência, Menzingen já há muitos anos tem feito tudo o que pode por meio de negociações políticas para chegar ao reconhecimento oficial por Roma, e o eventual estabelecimento “unilateral” desse acordo seria um mero pretexto para enganar os tradicionalistas, de modo a vender a FSSPX sob a máscara da queixa de ter sido tudo culpa de Roma – sem dúvida com a permissão de Roma por trás dos bastidores. Mas persistirá o fato de que a Fraternidade de Dom Lefebvre será finalmente traída, e V. Excelência com seu próprio “Não, não, mil vezes não... mas, possivelmente, sim” terá de responder por não ter feito tudo o que poderia e deveria para bloquear a traição dela.

Em resumo, aquele sistema de iluminação de emergência da Igreja Universal na treva conciliar, que é a FSSPX, está ele mesmo oscilando e correndo o risco de nunca mais dar luz. Assim, a equipe de reparo para sustentar a iluminação de emergência, que é a “Resistência”, ainda é necessária, e esse time necessita de um número suficiente de bons superintendentes. Um terceiro bispo para a “Resistência” está previsto, como no ano passado, para o dia 19 de março, no Mosteiro em Nova Friburgo, no Brasil. Ele é seu prior, Dom Tomás de Aquino, fiel guerreiro e veterano da guerra pós-conciliar pela fé. Que Deus esteja com ele, e com todos os humildes e fiéis servos de Deus.

Kyrie eleison.