quinta-feira, março 05, 2015

A Ressurreição: um fato historico

Por D. Williamson
Traduzido por Andrea Patrícia




Caros amigos e benfeitores,

Que o corpo material de Nosso Senhor, tendo sido pregado na Cruz e separado pela morte de sua alma humana, e sepultado na tumba de José de Arimatéia – que esse mesmíssimo corpo levantou reunido com sua alma, e ressurgiu vivo daquela tumba, é um fato histórico – FA-TO – tão fácil de provar agora quanto então, para qualquer mente sensata não blindada pelo preconceito. 

Então quando São Pedro convocou os judeus de Jerusalém a fazerem penitência e serem batizados em nome de Jesus Cristo (Atos Il), ele não argumentou que eles deveriam acreditar em Cristo para acreditar na Ressurreição, ao contrário, ele argumentou que a evidência da Ressurreição (Atos II, 32) era o argumento mais forte para Jesus ser o Senhor e Cristo em quem portanto eles deveriam acreditar (Atos II, 36, 38).

Ora, Pedro apelou em seu discurso primeiramente a um conhecimento do Antigo Testamento o qual a maioria dos judeus então possuía, mas o qual a maioria dos católicos não possui mais, e secundariamente às testemunhas oculares vivas da ressurreição do Senhor, que há muito havia morrido. Ainda assim podemos dizer que a Ressurreição é um fato tão provável agora quanto era naquela época, independentemente da Fé. Tudo o que é necessário é um mínimo reconhecimento das realidades da natureza humana e da história humana.

Existem dois argumentos principais, um positivo vindo do comportamento dos amigos de Nosso Senhor, e outro negativo vindo do comportamento dos inimigos de Nosso Senhor. Vejamos primeiramente o argumento positivo, do comportamento dos Apóstolos.

Quando Nosso Senhor permitiu ser capturado no Jardim do Getsêmani, eles não comportaram-se como heróis, todos eles fugiram (Mc. XIV, 50-52). Quando Nosso Senhor foi crucificado, apenas um deles, com um grupo de mulheres, ficou ao lado Dele (Jo. XIX, 25,26). Quando os Apóstolos encontraram-se na tarde daquele dia da Ressurreição, eles encontraram-se a portas fechadas, “como medo dos judeus” (Jo. XX, 19). E o incrédulo Tomé não estando com os outros dez naquela ocasião recusa-se a acreditar que Jesus apareceu vivo para eles, apesar de seu testemunho viril (Jo. XX, 25).

Esta não é a imagem da altivez de leões apostólicos, prontos para sair pelo mundo e conquistá-lo para Cristo. Ao contrário nós vemos aquilo que esperaríamos: um grupo de homens decentes comuns, consternados pela captura e morte brutal de seu amado Mestre, e totalmente desencorajados. 

Ainda assim 50 dias depois nós os vemos, liderados por Pedro, estabelecendo aquela conquista do mundo civilizado para Cristo, iniciando o processo de 300 anos de conversão do Império Romano, o que é um fato histórico. Este processo extraordinário de levantar todo um império corrupto às alturas de uma religião sublime mas exigente, só poderia ser iniciado por um núcleo original de homens profundamente confiantes. O que transformou um grupo de pescadores abatidos em tais conquistadores do mundo? A conquista é história. Qual pode ser a explicação humana?

Não é o bastante dizer que pescadores não científicos de 2000 anos atrás teriam aceitado qualquer bobagem devota, enquanto nós modernos somos mais racionais, etc. O incrédulo Tomé exigiu, precisamente, evidência cientifica e fatos que ele mesmo pudesse tocar. E ele recebeu-os (Jo XX, 27). Mas apenas imagine que ele realmente recebeu-os. Não é este o momento de virada quando um homem inculto desanimado começa a tornar-se um conquistador do mundo? São Tomé tornou-se o Apóstolo da índia onde ele foi martirizado, onde seu corpo jaz até hoje, onde a Igreja que ele fundou vive no sul do subcontinente. 

Tendo em conta os fatos da história e a teimosa natureza humana, poderia qualquer coisa menor do que as repetidas, diretas e pessoais aparições, espalhadas ao longo de 40 dias, do Senhor ressuscitado da sua terrível morte, explicar a transformação destes homens, o que sabemos que aconteceu? E mesmo a descida do Espírito Santo sobre eles no Pentecostes ainda era necessária. Mas essa descida fez deles, como Pedro, testemunhas irresistíveis do fato da Ressurreição (Atos II).

Mas existe um segundo argumento, um argumento negativo vindo do comportamento dos judeus. Estes eram então como hoje, com nobres exceções, inimigos implacáveis de Nosso Senhor. Eles O honram odiando-O e aos seus seguidores, porque Ele tira o “lugar e nação” (Jo XI, 48) deles. O mundo será governado do jeito deles, e Deus não interfere na supremacia deles. Então eles tiveram os gentios crucificando Cristo, e pensaram que assim estavam colocando um fim em seus problemas.
Então chega Pedro com seu bando de Galileus de volta ao seu baluarte de Jerusalém, gloriosa Sião, e baseado naquele negócio absurdo do corpo de Jesus levantando da tumba, Pedro levanta todo o problema novamente. No coração de Jerusalém! E ele está convertendo milhares ao Nazareno, como eles O chamam. É preciso colocar um fim nisso (Atos II, III, IV)!

Ora, se Pedro baseia seu argumento na Ressurreição, então para parar seu disparate de uma vez por todas, o melhor não seria descobrir o corpo de Jesus e apresentá-lo triunfantemente em público? (“Sinto muito Pedro, caro companheiro, mas...”). E é provável que Anás e Caifás fossem menos ricos, determinados, inteligentes, astuciosos e poderosos do que são seus sucessores hoje? Caso em que, com um motivo tão forte para encontrar o corpo de Jesus, nós podemos duvidar que eles teriam encontrado, se ele estivesse lá para ser encontrado? Neste caso, se, como é obviamente o caso, eles falharam em parar Pedro a continuar seu caminho, pode haver alguma outra explicação para seu fracasso do que o corpo não ter sido encontrado em lugar algum por seres humanos porque ele havia levantado dos mortos por Deus? 

Resumindo, quer pensemos nos amigos de Nosso Senhor ou em Seus inimigos, o sucesso gigantesco da religião Cristã pode ser contabilizado apenas pela Ressurreição de Nosso Senhor dos mortos ser um fato duro, muito duro. Dizer o contrário é negar a história ou negar a natureza humana. 

Mas então surge a objeção perniciosa: “Ah, mas quem precisa ARGUMENTAR a base de nossa bela religião? A Fé está acima de meros argumentos. É tudo tão adorável, e mais adorável por ser acreditada sem raciocínio”. 

A objeção é perniciosa porque parece colocar a fé bem acima da razão, de onde pertence. Entretanto, na verdade isso desconecta a Fé da razão completamente, e torna a fé questão de sentimento ou sensação. Mas os homens naturalmente conhecem tal verdade na mente não nos sentimentos. Portanto, neste julgamento a fé, deixará de ser verdade, e a Igreja será transformada numa mera fábrica de BSIs (Bons Sentimentos Internos).

Então a questão não é se a Ressurreição faz-me sentir bem ou não, porque isso depende de se ela é verdade ou não, o que é uma questão inteiramente diferente. A totalidade da Cristandade está doente com a noção de que a religião é questão de sentimento, não de verdade. Mentes piegas nunca fazem mártires. O protestantismo há muito foi apodrecido com “sentimentos”, mas o drama é que desde o Concílio Vaticano II, inúmeros “católicos” sofrem da mesma desconexão da religião com a realidade. Mas homens sempre irão insistir mais cedo ou mais tarde a viver na realidade – eles têm que fazer isso – então se a religião é desconectada disso, é a religião que será atirada pela janela. O atual colapso da Igreja “Católica” sente-sente é certo e apropriado. 

Então o fato histórico da Ressurreição é uma verdade acessível à razão, operando a partir de um conhecimento da história e da natureza humana, que todos os homens partilham. Sendo assim a religião católica não é apenas minha preferência pessoal, mas possui uma aderência e um clamor a todas as mentes humanas, e pelas suas mentes, em suas vidas. “Aquele que não crê será condenado” (Mc XVI, 16). Como pode ser assim se a crença é apenas uma questão de BSIs?

Que a Mãe de Deus possa obter para todos nós mentes católicas e corações católicos!


*Carta de março de 1997.

Traduzido de:

Bishop Richard Williamson. Letters from the Rector of Saint Thomas Aquinas Seminary,. True Restoration Press.

sábado, fevereiro 28, 2015

Comentários Eleison: Sinal Encorajador

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CCCXVCIII (398) - (28 de fevereiro de 2015)

SINAL ENCORAJADOR


Disse um bispo: dar testemunho é o que a Tradição deve fazer.
Mas bispo, por favor, faça mais do que isso, para que as ovelhas não venham a perecer.

            Depois de três números destes “Comentários’ terem tentado mostrar o novo modo de pensar pelo qual a Fraternidade Sacerdotal São Pio X de Dom Lefebvre está sendo mortalmente envenenada, vamos apresentar um sinal encorajador de que sua Fraternidade não está ainda completamente morta: citações de um sermão dado em 1º de janeiro deste ano em Chicago por Dom Tissier de Mallerais, um dos quatro bispos consagrados para a FSSPX em 1988. As pessoas frequentemente perguntam por que tão pouco é ouvido dele, e isto se dá porque ele é conhecido por ser um homem tímido, mas honesto, e com uma fé forte, uma mente clara e um grande conhecimento e amor pelo Arcebispo. Talvez ele tenha amado a Fraternidade “não sabiamente, mas muito bem”, e por isso não esteja vendo, ou não querendo ver, como seus superiores têm, já por muitos anos, traído lentamente, mas firmemente, a luta de Dom Lefebvre pela Fé. Será que o Bispo está a pôr a unidade da Fraternidade acima da Fé da Igreja? Mas no mês passado ele disse muitas coisas que não poderiam ser ditas de melhor forma. 

            Ele citou os escritos do Arcebispo em seu Itinerário Espiritual (cap. III, p.11 da versão espanhola em PDF): É, portanto, todo sacerdote que quer permanecer católico te, p estrito dever de separar-se da Igreja conciliar enquanto ela não reencontre a Tradição da Igreja e da Fé católica. Então, para enfatizar, Dom Tissier disse: “Permitam-me repetir isto”, e leu a citação mais uma vez.

            Em seguida, ele alertou contra as forças do mal que ocupam a Igreja. Advertiu então contra “falsos amigos” que sustentam equivocadamente que se a FSSPX permanecer “separada da Igreja visível”, ela se tornará uma seita. Ele declarou que, ao contrário, “nós somos a Igreja visível” e que “nós estamos na Igreja”.

            Por fim, ele alertou contra os “falsos amigos” que alegam que a FSSPX está em uma situação anormal, uma vez que nós não estamos “reconhecidos pela Igreja”, e declarou que é a situação de Roma, e não a nossa, que é anormal, e que a Fraternidade não precisa “retornar”, mas que são esses romanos que têm de retornar. “Nós não precisamos buscar pelo que fazer em Roma, mas sim pelo testemunho que podemos dar a toda a Igreja por sermos uma luz sobre um castiçal, e não debaixo de um alqueire”.   

            A linha de pensamento de Dom Tissier, tal como expressada nessas citações, é exatamente aquela de Dom Lefebvre. Os cucos modernistas que hoje ocupam o ninho dos rouxinóis, isto é, as estruturas da verdadeira Igreja, podem apresentar a aparência de rouxinóis, mas seu canto, ou seja, doutrina, doutrina, doutrina, imediatamente os trai. Na realidade, eles não são mais do que cucos sem direito de ocupar aquele ninho. O verdadeiro ninho não faz com que a doutrina deles seja verdadeira. Suas falsas doutrinas tornam falsa a sua ocupação daquele ninho. Eles podem ser vistos naquele ninho, mas, como sua doutrina demonstra, eles não são verdadeiros rouxinóis. Onde quer que os verdadeiros rouxinóis remanescentes estejam visivelmente reunidos, seu belo canto dá testemunho para qualquer um que tenha ouvidos de ouvir e saiba que os cucos são nada mais que cucos que roubaram o ninho católico que eles ocupam atualmente.
           
            Infelizmente, os líderes atuais da FSSPX são surdos, e não querem distinguir o canto dos cucos do dos rouxinóis, e assim julgam o Catolicismo pelas aparências do ninho e não pela realidade do canto. O que Dom Tissier disse aqui deve tê-los desagradado bastante. Sem dúvida alguma eles terão feito pressão, habilmente calculada, para terem certeza de que ele volte a andar na linha, a linha deles. E por “obediência”, o bispo arrisca fazer exatamente isso. Devemos orar por ele.

Kyrie eleison.

sábado, fevereiro 21, 2015

Comentários Eleison: O Pensamento da Neofraternidade - III

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CCCXVCII (397) - (21 de fevereiro de 2015)

O PENSAMENTO DA NEOFRATERNIDADE - III


A Fraternidade deseja a Roma conciliar?
Se não, acordem! Pois em breve ela será o seu novo lar.

            Estes “Comentários” declararam (395) que o Primeiro Assistente da Neofraternidade carece de doutrina, e (396) que essa carência de doutrina é um problema tão amplo quanto possa ser, nomeadamente: a modernidade em sua integralidade contra a integralidade da Verdade; e resta agora mostrar como esse problema universal se manifesta em uma série de erros particulares na entrevista que o Pe. Pfluger deu na Alemanha perto do fim do ano passado. Para abreviar, nós teremos de fazer uso do resumo (não essencialmente inexato) de seu pensamento mostrado aqui há duas semanas. Suas proposições estão em itálico:

A Igreja Católica é muito mais ampla do que somente o movimento Tradicional.

Sim, mas a doutrina do movimento Tradicional não é mais nem menos ampla do que a doutrina da Igreja Católica, pois é idêntica a ela, e essa doutrina é o coração e a alma do movimento Tradicional.

Nós nunca tornaremos a Tradição atrativa ou convincente se permanecermos mentalmente estagnados nas décadas de 50 ou 70.

A ideia de tornar a Tradição “atrativa ou convincente” é uma maneira muito humana de concebê-la. A Tradição católica vem de Deus, e ela tem um poder divino para convencer e atrair, desde que seja apresentada fielmente, sem mudanças ou alterações humanas. 

A Tradição não pode ser confinada dentro das condenações da Igreja ao liberalismo nos séculos XIX e XX.

É verdade, mas o Evangelho não poderia ser então defendido sem essas condenações doutrinais; e como o século XXI está mais liberal do que nunca, a Tradição não pode ser mantida atualmente sem elas.

Nosso tempo é diferente, não podemos nos imobilizar; muito do que é moderno não é imoral.

Nosso tempo não é muito diferente. É mais liberal do que nunca (por exemplo: “casamentos” homossexuais). Assim, pode ser que nem tudo seja imoral, mas a doutrina católica e absolutamente necessária para se separar o moral do imoral.

Então, devemos nos reposicionar, o que é um problema prático, e não uma questão de fé.

Qualquer reposicionamento por parte da Igreja deve sempre ser julgado à luz da . O reposicionamento da ExFSSPX desde 2012 está claramente deixando para trás a luta de Dom Lefebvre pela Fé.

O movimento “Resistência” tem fabricado sua própria “fé” pela qual condena a Neofraternidade.

Quaisquer que sejam as deficiências humanas da “Resistência”, ela, assim como o movimento Tradicional da década de 70, surgiu espontaneamente em todo o mundo como reação à traição da Neofraternidade. A reação pode ser desarticulada, mas está unida pela idêntica sustentada pelos resistentes.

O QG da FSSPX nunca traiu a Tradição em 2012, pois suas ações estavam sendo atacadas por ambos os lados.

Então a Verdade está sempre no meio para ser medida pelas reações humanas? Isso é política humana, inadequada para julgar a Verdade divina, absolutamente inadequada para resolver a atual crise da Igreja.

Os textos oficiais de 2012 da Neofraternidade não eram dogmáticos.

Mas o documento mais oficial de todos da ExFSSPX de 2012 foi o das seis condições do Capítulo Geral para um futuro “acordo” com Roma, ou seja, as seis gravemente inadequadas condições para submeter a defesa da aos seus inimigos mortais conciliares. A em sua integralidade não é dogmática?

Roma estava bem menos agressiva em 2012 em relação à ExFSSPX do que o estava em 2006.

Porque em 2006, e mesmo antes, Roma já podia ver a FSSPX continuamente se transformando em um tigre de papel.

A Neofraternidade segue o Espírito e se vale da Tradição.

Os carismáticos neoprotestantes “seguem o Espírito”, e os que participam da Missa de indulto “se valem da Tradição”.

Deve estar claro a esta altura que o Pe. Pfluger quer abandonar a Fraternidade doutrinal antiliberal de Dom Lefebvre e remoldá-la em uma Neofraternidade que se harmonizará com a Neoigreja do Vaticano II. Não é suficiente dizer que nenhum passo decisivo foi ainda dado pela ExFSSPX em direção a Roma, pois, a menos que surja uma resistência firme, e em  breve, no interior da Neofraternidade, seus líderes a seguirão levando, lentamente, mas firmemente, para os braços da Roma conciliar. É isso o que os católicos querem?


Kyrie eleison.  

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Como agir quando um local de trabalho exige compromissos morais?


Por Atila S. Guimarães
Traduzido por Andrea Patricia
 

Caro Sr. Guimarães,

Primeiramente quero agradecê-lo pela clareza com a qual o senhor tem provido os leitores do site Tradition in Action. Eu encontro uma grande consolação em sua perspectiva, enquanto eu leio mais e mais os artigos postados.
Eu gostaria de pedir que o senhor, por favor, me ajude com a seguinte questão: eu obtive um Doutorado num campo profissional de terapia anos atrás, e ensinei meio período numa universidade local (como temos filhos, eu tenho deveres e demandas em casa).
Aproximadamente dois anos atrás, quando eu acordei para os problemas na Igreja Católica, bem como para os meus próprios pecados, eu também percebi que a associação nacional a qual eu pertencia, a partir qual eu recebi algumas das minhas credenciais, possuía uma história relativamente longa de prover uma plataforma para avançar a agenda homossexual. (Ano passado, eles também contrataram uma palestrante para a sua convenção nacional que era uma forte apoiadora da Planned Parenthood, embora isso nunca tenha sido propagandeado em sua biografia impressa no boletim nacional).
Além disso, uns dois anos atrás, uma mulher católica escreveu uma carta ao editor da publicação mensal da associação nacional expressando sua preocupação sobre a afiliação da associação nacional com um grupo imoral. Ela foi subsequentemente caluniada e censurada nas edições seguintes da publicação por outros membros da associação, tudo com apoio do editor. Eu fiquei horrorizada. Devido a estes acontecimentos, eu havia decidido que eu não poderia mais justificar a adesão à associação nacional, pois eu não queria contribuir para a imoralidade do mundo, e temia estar diante de Deus quanto a isso.
O que aconteceu em seguida foi que eu pedi meu emprego porque a universidade não contrata profissionais que não são credenciados pela associação nacional. A adesão à associação nacional é vinculada às credenciais da pessoa, por mais estranho que pareça. Eu poderia recuperar minha adesão, o que me devolveria as minhas credenciais, mas o pensamento de fazer isso gerou um conflito em mim. Parece que se eu fizer isso eu estarei traindo a verdade (conhecida também pelo nome de Jesus Cristo) por causa de um emprego.
Eu não quero trair, mas sem as credenciais, é quase impossível obter um emprego. Eu tenho especialização e embora não trabalhe muito, eu sei que eu posso oferecer uma grande ajuda a pessoas que vierem buscar meu conhecimento.
Por favor, o senhor poderia me dar uma perspectiva sobre essa questão?
Eu o agradeço muito por qualquer ajuda que possa me prestar quanto a esta situação, e mais uma vez, pela luz que o senhor possa dar em um momento tão escuro.
Sinceramente,

E.S.
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O Editor responde:

Cara E.S.,

Obrigado por suas palavras gentis e por sua consideração em pedir meu conselho nesse assunto delicado.

Talvez você não saiba, mas eu não tenho nenhuma formação especial em Moral. Quando eu respondo questões como a sua, eu estou apenas aplicando os princípios do senso católico próprio para cada leigo. Com esse pressuposto, deixe-me ver se eu poderei ou não ajudá-la ao tentar interpretar a mente da Santa Madre Igreja e dar a você alguns parâmetros para orientá-la.

Resumindo, o problema é que você precisa de credenciais para exercer sua profissão, e o único órgão que as emite requer um juramento ou uma assinatura ou outro tipo de adesão (você não especificou qual) concordando que você irá respeitar homossexuais, planejamento familiar e outras coisas contra a Moral Católica.

Regra geral de caridade

O primeiro ponto que você deve esclarecer é em que grau essa associação nacional demanda sua adesão à promoção da homossexualidade e outras questões morais que você mencionou.

A princípio, um católico deve dar assistência a qualquer um de seus semelhantes em caso de emergência, independente de quem seja. Isso é o que Nosso Senhor nos ensinou na parábola do Bom Samaritano. Foi isso o que as inúmeras instituições católicas de caridade sempre fizeram através de toda a História.

Então, se os requisitos desta associação são gerais em termos, referindo-se a tais emergências onde homossexuais são incluídos entre outras vítimas, eu acredito que eles devem ser assistidos como qualquer outra pessoa.  Então, a minha opinião é que você pode concordar com tais requisitos sem preocupação de estar cometendo um pecado.

Enfrentando demandas imorais dos órgãos oficiais

Entretanto, se os requisitos são específicos, demandando tanto que você dedique uma parte considerável de seu tempo assistindo homossexuais ou se engajando na promoção de causas sobre os direitos homossexuais, então a questão demanda atenção maior.

A solução desse problema depende da sua resposta a esta questão: o quanto você realmente precisa trabalhar e ganhar dinheiro para sustentar sua família?
 
Para responder a esta questão, você deve considerar que com relação à necessidade, existe uma hierarquia. Quando você diz que você precisa trabalhar, você deve determinar qual o grau de sua necessidade a partir das seguintes categorias:

·       Indispensável – algo essencial para a vida – você precisa de dinheiro para manter a sua família; sem isso seus filhos irão passar fome ou sua mãe irá perder a assistência médica da qual ela precisa para viver, ou você irá perder sua casa porque você não consegue pagar as contas mensais;

·       Necessário - você precisa de dinheiro o qual seus filhos podem viver sem, mas na faltado dinheiro eles não poderão continuar com seus estudos, ir ao médico, ou se vestir de acordo com o nível social de sua família;

·        Conveniente – com esse dinheiro extra você poderia pagar por cursos de idiomas, e assim seus filhos poderiam ter empregos melhores, frequentar círculos sociais melhores, casar com pessoas de melhor situação econômica. Se não forem idiomas, então algo similar: associar-se a um clube adequado, vestir-se de modo mais digno e adequado aos princípios católicos.

·          Supérfluo – com esse dinheiro extra você poderia enviar seus filhos para passar férias na Flórida ou fazer uma viagem familiar para esquiar no Colorado para se livrar do estresse, ou você poderia remodelar o seu pátio num estilo mais na moda para o seu prazer e para causar uma boa impressão em os seus amigos.

Se a renda que você está procurando é para necessidades supérfluas ou convenientes, não tente pegar de volta a licença para seu trabalho. O acordo que você terá de fazer representa um prejuízo moral muito acima de suas necessidades.

Entretanto, se você precisa trabalhar para ganhar um salário para coisas indispensáveis ou necessárias, então você pode submeter-se às regras da associação sem concordar com elas. Ou seja, você aceita tais regras não pelo que elas representam, mas para adquirir meios para a sobrevivência de sua família. 

Se eu não estou enganado, isso é o que em Moral é chamado de princípio do duplo efeito.

Um exemplo simples é este: um homem precisa do seu carro para ganhar dinheiro para sobreviver; o único posto de gasolina da cidade apoia a homossexualidade. Quando ele vai encher o tanque de seu carro, ele não está apoiando a homossexualidade, mas adquirindo os meios para prover a si e sua família.

Concluindo: se a associação que dá as credenciais para seu emprego é o único órgão apto a fazer isso, e você precisa (indispensavelmente e necessariamente) desse emprego para prover sua família, você pode se submeter aos termos deles sem concordar com eles.  

Se esse é o caso, quando situações concretas se levantarem com as quais você não concordar, você pode fazer arranjos práticos para evitar promover a homossexualidade, planejamento familiar, etc. Se esses arranjos são impossíveis, é melhor deixar o emprego e buscar outros meios para prover sua família. Nunca é lícito promover a homossexualidade ou quaisquer outros assuntos contra a moral católica.

Tendo provido estas orientações, creio que você é a única pessoa que deve julgar como sua situação se encaixa nesses parâmetros.

Eu espero que esses princípios a ajudem a seguir em frente com a consciência em paz.

Cordialmente,

Atila S. Guimarães

Original aqui.

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