sábado, janeiro 24, 2015

Comentários Eleison: Hebdomania

Comentários Eleison – por Dom Williamson
CCCXCIII (393) - (24 de janeiro de 2015): 

HEBDOMANIA


Atualmente as coisas nunca são o que aparentam.   
Os hábeis mentirosos ao povo sem Deus estimam.  

            O ataque ao Charlie Hebdo em 7 de janeiro no qual dois muçulmanos armados mataram uma dúzia de cartunistas e jornalistas no escritório de uma revista francesa semanal de humor satírico em Paris, e o enorme protesto público de 11 de janeiro contra o ataque no qual os líderes de muitas nações europeias foram oportunamente fotografados como partícipes, são melhor compreendidos se considerados como mais um episódio na guerra que vem sendo travada pelos inimigos de Deus contra o pouco que ainda resta da civilização cristã. Vamos considerar em ordem: os cartunistas, os homens armados, os políticos fantoches, as pessoas que serviam de instrumento para o islã e os manipuladores de fantoches por trás de todos eles.

            Os cartunistas satirizaram não apenas o islã e os muçulmanos, mas também a única verdadeira religião do mundo, a Santíssima Trindade, nosso divino Salvador e a Santíssima Virgem Maria. Pois bem, o único Deus verdadeiro é extremamente paciente, mas não se deixa ser alvo de zombarias (Gl 6, 7). Assim como os homens têm um direito de não ser vítimas de terrorismo, o verdadeiro Deus tem o direito de não suportar a repetição pública de caricaturas obscenas e blasfemas. Então, ninguém justifica o terrorismo enquanto tal, mas diante do fato de que a Igreja e as autoridades do Estado franceses se recusaram a censurar blasfêmias obscenas, seria surpresa se Deus permitisse que os muçulmanos vingassem a sua honra?

Os atiradores, dois jovens muçulmanos, devem ter agido religiosamente, porque politicamente era totalmente previsível que sua ação poderia despertar a opinião pública contra o islã. Ainda assim, como se atreveram a atacar? Porque através da Europa os muçulmanos estão, segundo a sua taxa de natalidade e de imigração, constantemente se fortalecendo em número, e eles não fazem segredo do fato de que, tão logo se tornem fortes o suficiente, irão, se necessário por um banho de sangue, islamizar as nações outrora cristãs da Europa.  

            Então, quem persuadiu essas nações a adotar a política suicida de imigração quase sem restrições e com inacreditáveis benefícios de bem estar social para os de fato inassimiláveis imigrantes, e assim por diante? Quem além de nossos subornados ou intimidados políticos fantoches? Há cerca de um ano, em um momento de verdade, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, admitiu que o “multiculturalismo”, a mistura de culturas completamente diferentes, não funciona. Mas há cerca de uma semana, em conexão com o ataque ao Charlie Hebdo, não proclamou ela que “o islã pertence à Alemanha”? Ela foi forçada a obedecer. É um fantoche, pois está constantemente agindo contra os verdadeiros interesses da Alemanha. Por exemplo, se não houvesse muitos muçulmanos na França, teria mesmo o Charlie Hebdo se preocupado em ridicularizar o islã? E quem são os que votam nesses políticos fantoches? Pessoas fantoches, que permitem que seu pensamento seja escravizado por seus meios vis de comunicação.
 
            Quem são então os manipuladores de fantoches? São os inimigos de Deus que pretendem estabelecer sua própria Nova Ordem Mundial sem Deus, um Estado policial designado para garantir que nenhuma alma viva escape do Inferno eterno. Vamos chamá-los de “globalistas”. Foi, portanto, o ataque ao Charlie Hebdo trabalho seu, um de seus eventos tais como o 11 de setembro nos EUA e o 7 de julho no Reino Unido, planejado para manipular a opinião pública em direção à liberdade para blasfemadores e à guerra civil? Muito provavelmente. O evento não foi certamente aquilo que foi feito para parecer. Um famoso exemplo: o vídeo de três minutos mostrando um homem armado atirando à queima-roupa na cabeça de um “policial muçulmano” caído na calçada, sem sangue, sem recuo da arma, e com muito pouco movimento da “vítima”. O vídeo pode ainda ser encontrado aqui: http://youtu.be/gobYWXgzWgY
           
            E o Bom Deus no meio de toda essa loucura? “Aqueles que Ele quer destruir, Ele primeiro enlouquece”, diz o velho ditado. Rezem os 15 Mistérios por dia pelo triunfo que Ele obterá, apenas por meio de Sua Mãe. Que surpresa ainda terão os pobres globalistas!


Kyrie eleison.      

quinta-feira, janeiro 22, 2015

Intimidade divina

Pe. Bernard-Marie de Chivré, O.P.
Traduzido por Andrea Patrícia



Habitar: significa não apenas chegar, instalar-se e permanecer, mas significa por conta de tudo isso: mudar de mentalidade pelo próprio fato de uma presença equipada com a sua própria. Quando o visitante é Cristo, a Presença não é um estranho para nós. Ele conhece-nos, pesa-nos, e ama-nos.

Receba-O com a mentalidade de um membro da família: “Jam non dicam servos meos sed amicos meos - Eu não vos chamo servos, mas amigos". Não há necessidade de temer um conflito de opinião ou de gostos entre Ele, o Homem perfeito, e nós, no que possuímos como verdadeiramente humano, isto é, o bem natural e a virtude sobrenatural. Este aspecto humano está predisposto desde o início para dar-se bem com o visitante Divino. Este aspecto representa a região do nosso ser em que a sua presença vai sentir que era esperada e vai sentir-se em casa, instintivamente.

"Minha alegria é estar entre os filhos dos homens". Nossas qualidades naturais instigam a Deus em benefício das atividades de Sua graça. Sua chegada em nós, portanto, "não incomoda", e, em princípio, o ser humano verdadeiro e o verdadeiro cristão em nós devem sentir senão um desejo irresistível de recebê-Lo em conta da harmonia que é pré-estabelecida entre Ele e nós. Se nós O conhecêssemos do modo como Ele é para cada um de nós, se nós O conhecêssemos com o que Ele traz para cada um de nós, então haveria uma real recepção (sabendo que é esperado, sabendo que é recebido, sabendo que se implora a Ele para não ir embora).

"Habite em mim como eu habito em vós". Como eu habito em vós. Cristo vem a nós oculto, como se Ele não quisesse ser visto entrando em nossa casa, de modo que ninguém pode vir a incomodá-Lo durante a conversa que Ele quer ter com todos nós sozinhos. Escondido: pertencer a nós pelo maior tempo possível. Ele vem a nós sincero, tal como Ele é, o Redentor, ansioso para associar-nos com Ele, sem as convenções mundanas das aparências; como Ele é com Sua vida fabulosa, a explicação de Sua generosidade fabulosa. Ele vem a nós enterrado na humildade do presépio, intrépido na atividade do apostolado, fiel ao Seu redentor dever de Estado, desprezado em seu Calvário, cegando com a glória de Sua Ressurreição.

Não há necessidade de especificar se tal chegada vai criar uma atmosfera um pouco diferente da nossa magreza moral e espiritual. A prova: logo que há comunhão, as atividades habituais param. Aquelas que são manuais: passamos a ouvir a Ele que acaba de chegar; intelectuais: o fluxo de nossos pensamentos muda de direção, adotamos o fluxo de Seus pensamentos; psicológicas: as preocupações passam para ocupações superiores; voluntárias: as atenções são afastadas do natural e se voltam para o absoluto.

Está-se pronto para qualquer coisa. Amar é tornar-se o amor em aproximar-se de um ser amoroso. Quem é mais amoroso do que Cristo? Nossa morada oculta é banhada por um novo clima que responde às expectativas instintivas de nossas faculdades superiores. A Habitação tornou-se mais a nossa habitação, porque Ele está lá. Nós somos mais nós mesmos, e, em vez de estar com pressa para vê-Lo sair como um estranho, nós gostaríamos de vê-Lo prolongar Sua visita: "Mane nobiscum, Domine - Fique conosco, Senhor". Nosso coração volta-se durante o dia para a Comunhão da manhã.
Sua Presença sacramental vai embora, mas deixa a realidade de Sua presença oculta ou mística, que habita desde que o ato deliberado de um pecado mortal não tenha mostrado-Lhe a porta. A Visita Eucarística ocorreu. A permanência sacramental terminou. Mas a chegada definitiva foi realizada. De Visitante Ele tornou-se Convidado, e de Convidado Ele tornou-se amigo, isto é, Ele que fica para amar e ser amado.

Cabe a cada um de nós, então, dizer-Lhe: "Habite em mim", depois que Ele nos disse: "Como eu habito em vós". Amar é ter uma vontade de permanência. Como proceder para melhor imitar, por nossa vez, Sua maneira de apresentar-Se em nós:

1) Ocultar-se Nele: enterrar na Sua mentalidade luminosa, unificada, as nossas contradições que dividem. Renunciar nossos pontos de vista míopes; deixar de acreditar neles absolutamente; sacudir sua tirania. Inspirar profundamente Sua visão eterna da existência. Inspirar profundamente Suas fragrâncias libertadoras do Calvário. Assimilar totalmente Seu programa redentor intelectualmente por Sua doutrina do mundo; moralmente por Sua santidade de vida, socialmente por Sua ansiedade para servir e salvar, e tudo isso "em segredo" sem exibicionismo ou pretensão afetada.

2) Seja sincero como Ele: acolhê-Lo em nossa morada, depois de ter escovado o pó dos móveis pela nossa contrição, é claro, mas sem mover os móveis ao redor para dar-lhe a impressão de que sabe como receber em grande estilo, criando para si uma mentalidade artificial de nouveau riche, simulando um fervor artificial por Ele, um entusiasmo artificial, uma santidade artificial. Ele tem horror a tudo o que é fabricado e pré-fabricado.

Ele prefere ser acolhido no estábulo. Ele sente-Se em casa ali. A palha de nossos desejos maus, o burro de nossas vontades ruins, o boi de nossa natureza terrena, a nossa simplicidade; a gratidão sincera, humilde de um São José por ter sido convidado para vigiar perto Dele; a pureza dos desejos de Sua mãe. Aí está Ele na Sua habitação.

Ele prefere ser acolhido em Nazaré em uma oficina, aquela dos nossos esforços por Ele, de nossos arranhões veniais por causa Dele, do nosso cansaço moral, de nossas atividades apostólicas. Ele sente-Se em casa. "Habite em Mim". Ele prefere ser bem-vindo ao ar livre, onde quer que nossa caminhada apostólica nos encontre: na estrada de nossas resoluções que Seu encontro nos permite fortalecer; no meio da multidão de nossos chamados no qual Sua passagem nos permite impor o silêncio, para ouvir o que Ele pensa; nas idas e vindas de nossos sonhos apostólicos de influência e ação, aos quais Ele traz a decisão do "Sequere Me" [1]. Ali também, Ele está em casa. "Habite Comigo".

Ele prefere ser bem-vindo no meio do nosso Calvário, durante a agonia das nossas angústias que nascem dos nossos medos de não sermos capazes de ficar firmes no menosprezo de uma reputação ridicularizada ou incompreendida, a flagelação de uma sensibilidade arrependida, a coroação de espinhos de uma situação humilhante, o carregar de uma cruz de uma vida meritória, ou a crucificação de uma vida que não se aguenta mais.

Ali acima de tudo Ele reconhece-Se e encontra-Se em casa: "Habite Comigo. Faça sua habitação Comigo e perto de Mim". Em seguida, a Presença tem raiz e com isso nossos hábitos de pensamento se desenvolvem mais estranhamente; eles adquirem uma lucidez estranha sobre a filosofia humana, capaz de julgá-la como Cristo julgou e uma serenidade forte sobre o problema da existência, com a certeza de sua consumação, como Cristo tinha certeza de sua própria.

A Habitação é verdadeiramente habitada por Ele e por nós. Voltamos às nossas atividades com Suas atividades em nós, tanto que no retorno às nossas, descobrimos que elas são tanto Suas quanto nossas. Não há arrependimento por ter cedido o lugar a Ele, mas lamento por ter cedido o lugar a Ele tão tarde ou de forma tão desajeitada.
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Pe. Bernard-Marie de Chivré, O.P., foi ordenado em 1930. Ele foi um tomista ardente, estudante da Escritura, mestre de retiro, e amigo do Arcebispo Lefebvre. Ele morreu em 1984.

Original aqui.

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Nota da tradutora:

[1] Segue-Me.

segunda-feira, janeiro 19, 2015

Comentários Eleison: Epitáfio Contraditório

Comentários Eleison – por Dom Williamson
CCCXCII (392) - (17 de janeiro de 2015): 

EPITÁFIO CONTRADITÓRIO


Feita boa por Deus, nossa natureza Adão desfigurou.    
O que de há de bom que por Deus ela deseja, ele difícil tornou.




Sob o céu estrelado e ingente
Cavem a sepultura, deixe-me jacente,
Feliz vivi, morri alegremente,
Deixa um pedido este que é do mundo egresso.

Que sobre minha tumba possam este verso gravar:
Aqui ele jaz onde quis descansar.
Retorna a casa o marinheiro do mar
Das colinas ao lar, do caçador o regresso. 

— R. L. Stevenson (1850-1894)

            Este epitáfio para o próprio poeta é eloquente por sua simplicidade, e tocante, porque ele toca na morte, essa inevitável tragédia da vida humana. Quando comemoram a vida e o amor, os poetas frequentemente falam sobre a morte, que tão misteriosamente sela ambos. Todavia, sem querer pensar sobre o sentido da vida ou da morte, os pobres materialistas excluem a poesia e buscam imprimi-la como prosa quando podem, precisamente para não terem de pensar sobre qualquer coisa que seja superior à matéria. Mas o mistério permanece...

            Na teoria, o Epitáfio de Stevenson é corajoso. Nas últimas três linhas de cada estrofe, em seis das oito linhas, ele diz de seis diferentes modos que está feliz por morrer. Mas o poema é carregado de contradições. Se “feliz” ele viveu, como poderia ele morrer alegremente? Se ele estava tão feliz por morrer, como poderia ter sido feliz por viver? Para estar tão feliz por morrer como alega, ele deveria ter perdido seu desejo pela vida, ou posto um fim nele, algo que apenas poderia fazer se recusasse para sua vida qualquer destino, ou significado, ou existência para além de sua morte animal; e isso ele poderia fazer somente ao pretender ser não mais do que um animal. Mas que tipo de animal levanta o problema para escrever poemas eloquentes e tocantes?  

            Ó, Robert Louis, você sabe que não era apenas um animal. Você se deu ao trabalho de escrever muitas obras literárias, incluindo uma fascinante conto de vida e aventura para meninos: A Ilha do Tesouro, e um angustiante conto de corrupção e morte para adultos: O Médico e o Monstro; e sua coleção de obras faz de você atualmente o vigésimo sexto autor mais traduzido no mundo. É verdade que seus pais eram presbiterianos escoceses, uma seita calvinista de meados do século XIX rígida o suficiente para converter bons homens ao ateísmo. Mas como pode você se desvalorizar tanto diante da morte? Como pode você pretender que a morte seja seu “lar”?

            O Criador não projetou originalmente para a morte animal o animal racional que é o homem. Se todos os homens desde Adão e Eva usassem corretamente a sua racionalidade, ou razão, pela duração estabelecida para suas vidas terrenas, então, ao invés de sua morte animal agora inevitável, eles teriam passado gradativamente e de modo indolor para a vida eterna, o que o uso correto de sua razão teria lhes dado direito. Mas esse projeto original foi frustrado quando Adão desobedeceu ao seu Criador, e quando pela misteriosa solidariedade de toda a humanidade futura com seu primeiro pai, ele arrastou todos os homens para o pecado original. Desde esse momento, a contradição é intrínseca a toda a natureza e vida humanas, pois nós temos uma natureza criada por Deus em guerra contra nossa natureza que caiu por causa de Adão. Nossos verdadeiros – e não falsos – “anseios imortais” vêm de nossa natureza tal como feita por Deus e para Deus, enquanto nossa morte animal é “lar” apenas para nossa natureza enquanto caída. “Infeliz homem que eu sou”, exclama São Paulo (Ro 7, 24-25), “Quem me libertará deste corpo de morte? A graça de Deus por Jesus Cristo Nosso Senhor”.


Kyrie eleison       

domingo, janeiro 11, 2015

Comentários Eleison: O Arcebispo Comentado - II

Comentários Eleison – por Dom Williamson
CCCXCI (391) - (10 de janeiro de 2015): 

O ARCEBISPO COMENTADO - II

O Arcebispo não desejava que Roma o aprovasse,
Mas que, pelo bem da Igreja, ela se mobilizasse.


            Antes de deixar as realistas observações de Dom Lefebvre feitas em 1991 (cf. os dois últimos CEs), vamos comentar um pouco mais, na esperança de ajudar os católicos a manter seu equilíbrio entre o desprezo pela autoridade em nome da verdade e a depreciação da verdade por causa da autoridade. Porque desde que os homens da Igreja do Vaticano II (1962-1965) desprezaram sua completa autoridade em prol da Revolução da Igreja (liberdade religiosa, igualdade colegial e fraternidade ecumênica), os católicos têm frequentemente perdido esse equilíbrio: quando a Autoridade pisoteia a Verdade, como pode alguém manter de fato o respeito por ambas?     

            Pois bem, na atormentada sequência do Vaticano II, de quem se pode dizer que tenha produzido frutos comparáveis àquela preservação da doutrina, da Missa e dos sacramentos católicos da qual Dom Lefebvre foi (ainda que não o único) o principal responsável? Assim, o equilíbrio que ele próprio atingiu entre a Verdade e a Autoridade merece especialmente consideração.

            Em primeiro lugar, vamos considerar uma simples observação do Arcebispo sobre a autoridade: “Agora nós sofremos por causa da tirania da autoridade, pois não há mais nenhuma das regras do passado”. Entre os seres humanos, todos com o pecado original, a verdade precisa do apoio da autoridade, pois é uma ilusão jeffersoniana que a verdade lançada dentro do mercado da região será completamente preservada por si mesma sem a necessidade de haver um desastre para que a realidade seja mostrada. A autoridade é para a verdade como o meio é para o fim, e não como o fim é para o meio. É a fé católica que salva, e essa Fé repousa sobre uma série de verdades, não na autoridade. Essas verdades são de tal modo a substância e o propósito da Autoridade Católica que quando este é desligado daquela, como feito pelo Vaticano II, fica então à deriva até que o primeiro tirano ponha as mãos sobre ela e a redirecione conforme sua vontade. A tirania de Paulo VI foi consequência natural do Concílio, e assim também, ao perseguir a aprovação dos campeões do mesmo Concílio, a liderança da Fraternidade Sacerdotal São Pio X passou a se comportar de forma tirânica nos últimos anos. Em contraste, foi servindo à Verdade que o Arcebispo estabeleceu sua autoridade na Tradição.          

            Uma segunda observação dele de 1991 que é merecedora de mais comentários é aquela em que ele diz, depois de ter tentado em 1988 chegar a um acordo com Roma por meio de seu Protocolo de 5 de maio: “acho que agora posso também dizer que fui ainda mais longe do que deveria ter ido”. De fato, esse Protocolo é sujeito a críticas em pontos importantes, e então aqui está o próprio Arcebispo admitindo ter perdido momentaneamente seu equilíbrio, inclinando-se brevemente a favor da autoridade de Roma e contra a verdade da Tradição. Mas ele se inclinou apenas brevemente, pois, como bem se sabe, na manhã seguinte ele repudiou esse Protocolo, e nunca mais voltou a vacilar até sua morte, de tal modo que desde então ninguém poderia mais dizer nem que ele não tinha feito tudo o que podia para alcançar um acordo com a Autoridade, nem que seria coisa fácil manter sempre o equilíbrio correto entre a Verdade e a Autoridade.
           
            Uma terceira observação lança luz sobre motivação do Arcebispo ao buscar de 1975 a 1988 algum acordo com a Autoridade Romana. Julgando seus motivos segundo as próprias intenções, seus sucessores na liderança da FSSPX falam como se ele sempre tivesse buscado a regularização canônica da Fraternidade. Mas ele mesmo explicou assim o Protocolo: “Eu esperei até o último minuto que pudéssemos presenciar um pouco de lealdade em Roma”. Em outras palavras, ele sempre perseguiu o bem da Fé, e nunca honrou a Autoridade por outra razão que não o bem da Verdade. Pode-se dizer o mesmo de seus sucessores?


Kyrie eleison. 

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