segunda-feira, fevereiro 12, 2018

Comentários Eleison: Defendendo Menzingen

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLII (552) (10 de fevereiro de 2018)



DEFENDENDO MENZINGEN
  


Desde cima reina a confusão,
Rezem pelo Papa e pelos Bispos, antes que venham a falecer!

Graças às palavras e aos atos diretamente anticatólicos dos últimos cinco anos manifestados pelo presente ocupante da Sé de Pedro, delinquências estas cujo caminho fora inaugurado pelo Vaticano II, é menos compreensível que nunca que os sucessores de Dom Lefebvre ainda queiram colocar a Fraternidade sob o controle romano; mas, de fato, eles querem. Um chapéu cardinalício ser-lhes-ia atraente? Teriam cansado da batalha? Estariam desesperados para serem “reconhecidos” pelos conciliaristas? E a pensar realmente que o Arcebispo aprovaria o que estão fazendo? Só Deus o sabe. Independentemente do que seja, os servidores de Menzingen ainda estão tentando defender seus vinte anos de desvio da posição do Arcebispo. Eis dois exemplos recentes:

Em primeiro lugar, para defender a política de Dom Fellay de aceitar de Roma uma prelazia pessoal, um padre da Fraternidade (http://fsspx.news/en/content/34797) parece pensar que tal prelazia garantirá a ela proteção contra os modernistas em Roma. Mas Roma controlará ou não a prelazia? Se ela estiver no controle, demorará o tempo que for necessário, como aconteceu com a Fraternidade São Pedro, mas usará seu controle lentamente para estrangular a Tradição dentro da prelazia. Pensar o contrário é simplesmente não ter compreendido o que esses romanos são.  “Somente santos acreditam no mal”, disse Gustavo Corção. O Arcebispo os chamava “anticristos”. E se a prelazia não os colocasse no controle, eles nunca a concederiam, antes de mais nada.

Em segundo lugar, o padre tenta desacreditar os adversários da prelazia afirmando que eles dizem que o Arcebispo mudou seus princípios quando recusou o Protocolo de Maio de 1988. A afirmação é infundada. Como o próprio padre diz, a mudança do Arcebispo foi meramente prudencial, seguindo a demonstração definitiva que os romanos haviam acabado de dar nas negociações do Protocolo, de que eles não tinham intenção nenhuma de manter a Tradição tal como a Fraternidade e o Arcebispo a compreendiam. Enquanto os romanos deram qualquer sinal de preocupação genuína com a Tradição, o Arcebispo foi paciente, e foi tão longe quanto pôde para encontrá-los (de fato, no Protocolo foi além do que deveria, como ele uma vez, mais tarde, admitiu). Mas uma vez que eles deixaram claro que na realidade não tinham tal preocupação, então o Arcebispo foi inexorável – a partir daí, a doutrina tomaria o lugar da diplomacia, e os romanos teriam de provar, antes de tudo, que sua doutrina era a da Tradição Católica. Não houve da parte do Arcebispo mudança de princípios, senão que um mero reconhecimento final de que os romanos estavam voltados para a descristianização, e não para a recristianização, como ele escreveu um mês depois ao Cardeal Ratzinger.

Da mesma forma, o blog Catholic Family News de novembro do ano passado serve a Menzingen. O blog é inteligente, e especula que a isca e a armadilha reais de Roma para apanhar a Fraternidade não são visar à sua rendição maciça, mas à sua divisão e desintegração gradual (de fato, Roma está alcançando ambas). Assim, Roma faz repetidas ofertas sedutoras, e cada uma delas divide os sacerdotes da Fraternidade, de modo que alguns se separem, enquanto Menzingen aumenta suas esperanças, somente para vê-las despedaçadas por outra exigência impossível de Roma. E o jogo continuará até que a Fraternidade esteja completamente desfeita. Portanto, conclui o CFN, a Fraternidade tem de permanecer unida a todo custo, e nenhum padre da Fraternidade deve desertar.

Mas, caro CFN, em primeiro lugar, como o Arcebispo construiu sua Fraternidade? Certamente ele também sofreu com divisões e deserções sob suas ordens. Ele por acaso a construiu clamando por unidade, unidade, unidade? Este foi o maior argumento de Roma contra o Arcebispo! Seu maior argumento foi a Fé, a Verdade, a Fé. Advogar, como vocês fazem, em favor da unidade da Fraternidade por detrás dos pró-Roma de Menzingen, é advogar pela destruição da Fraternidade! A unidade é sempre especificada pelo entorno ao qual se deve unir. Sob a direção do Arcebispo, o que estava em torno era a Fé Católica, que era toda a força da Fraternidade. Desde 2012, ela está em torno de Menzingen, que hoje é a divisão e a ruína da Fraternidade.

Tenham coragem, caríssimos leitores. “A Verdade é forte e prevalecerá”, com ou sem a Fraternidade Sacerdotal São Pio X.                                    
                                                                                                                                        
Kyrie eleison.                

            Traduzido por Leticia Fantin.

sexta-feira, fevereiro 09, 2018

Comentários Eleison: "Igreja Oficial?"

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLI (551) (3 de fevereiro de 2018)


"IGREJA OFICIAL?"


Manobrar, esquivar, enganar, defraudar, Roma poderá,
Mas certo por linhas tortas Deus escreverá.

É preciso ter muito cuidado com as palavras, porque com as palavras nossa mente opera sobre as coisas, e as coisas constituem a vida cotidiana. Portanto, das palavras depende o modo como conduziremos nossas vidas. Na igreja paroquial emblemática da Fraternidade de São Pio X em Paris, França, existe um sacerdote da Fraternidade que tem o devido cuidado com as palavras. O Pe. Gabriel Billecocq escreveu na edição do mês passado (nº 333) da revista mensal da paróquia, Le Chardonnet, um artigo intitulado "Você disse 'Igreja oficial'?". No artigo ele nunca menciona a Sede da Fraternidade em Menzingen, na Suíça, mas reclama do "desejo" que vem de algum lugar, presumivelmente de cima, de que as palavras "Igreja conciliar" devem ser sempre substituídas pelas palavras "Igreja oficial". E ele está certo, porque as palavras "Igreja conciliar" são perfeitamente claras, enquanto as palavras "Igreja oficial" não são claras, mas ambíguas.

Pois, por um lado, "Igreja conciliar" significa claramente que grande parte da Igreja de hoje está mais ou menos envenenada com os erros do Concílio Vaticano II. Esses erros consistem essencialmente na centralização do homem no centro da Igreja, que deveria estar centrada em Deus. Por outro lado, "Igreja oficial" é uma expressão com dois significados possíveis. Pode antes significar que a Igreja foi oficialmente instituída por Cristo e trazida oficialmente para nós ao longo dos tempos pela sucessão de Papas, e a essa "Igreja oficial" nenhum católico pode opor-se, pelo contrário. Ou "Igreja oficial" pode significar a massa dos funcionários da Igreja dedicados ao Vaticano II que durante o último meio século tem usado seu poder oficial em Roma para infligir aos católicos os erros conciliares, e a esta "Igreja oficial" nenhum católico pode não opor-se. Portanto, "Igreja conciliar" expressa algo automaticamente mal, enquanto "Igreja oficial" expressa algo bom ou mal, dependendo de qual dos dois significados esteja sendo dado. Portanto, substituir "Igreja conciliar" por "Igreja oficial" é substituir a clareza pela confusão, e também impede que os católicos se refiram ao mal do Vaticano II.

O Pe. Billecocq nunca sugere que o Quartel-General da Fraternidade tenha "desejado" tal coisa, mas um fato e uma especulação o sugerem. Quanto ao fato, no início deste mês, o Superior do Distrito Francês da Fraternidade, o Pe. Christian Bouchacourt, entrevistado em público sobre as próximas eleições em julho, disse: "Assim que um Superior Geral for eleito, o Vaticano será imediatamente notificado da decisão". Essa notificação do Vaticano pela Fraternidade sobre as eleições desta nunca foi feita antes. E sugere fortemente que os atuais líderes da Fraternidade esperam que Roma não só seja informada, mas também que dê sua aprovação oficial à escolha de seus líderes – para que notificar, senão para conseguir aprovação? O que mais a Neofraternidade implorará da Neoigreja? O que não implorará? Como se afastou a Fraternidade dos tempos em que a fé do Arcebispo Lefebvre costumava fazer Roma implorar!

Quanto à especulação, se ouve que dois candidatos principais estão sendo preparados por Menzingen para que os eleitores escolham como Superior Geral nas eleições de julho da Fraternidade, pois o posto não será mais ocupado por um Bispo. Suponha-se que Roma já está no controle virtual dessas decisões importantes que estão sendo tomadas dentro da Sede da Fraternidade. Nesse caso, Roma não tem muito por que temer que algum desses dois candidatos mudem substancialmente as políticas pró-romanas do Bispo Fellay, enquanto possa ter muito que ganhar com a aparência de uma mudança no topo, e ela pode ser capaz de fazer uso do Bispo Fellay em Roma como  líder de uma Congregação Ecclesia Dei "renovada", que inclua todas as comunidades tradicionais, incluindo sua própria antiga Fraternidade.

Quem pode duvidar da habilidade dos romanos para tirar vantagem de todas as situações? A menos que... a menos que existissem novamente na Fraternidade a Fé e a Verdade que foram a força motriz do Arcebispo Lefebvre e de sua vitória sobre todos os liberais e modernistas em Roma. Esses demônios se esforçam para desfazer de uma vez por todas a Tradição Católica de Deus, que é o obstáculo potencial mais grave para sua nova Religião Mundial Única. E Deus pode exigir nada menos que o sangue dos mártires católicos para detê-los. Os mártires que vêm de entre os sacerdotes e os leigos da Fraternidade serão a sua glória.

Kyrie eleison.

quarta-feira, janeiro 31, 2018

Comentários Eleison: Mozart em Broadstairs

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DL (550) (27 de janeiro de 2018)


MOZART EM BROADSTAIRS


Um mundo desequilibrado, desarmonioso, triste,
Para alinhar as almas é necessário Mozart, sábio e alegre.

Entre as 18h da tarde da quinta-feira 23 de fevereiro e o meio-dia do domingo 25 de fevereiro, haverá na Casa Rainha dos Mártires em Broadstairs um modesto final de semana musical apresentando exclusivamente a música do famoso compositor austríaco do final do século XVIII, Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). Por que a música, quando o mesmo tempo e esforço poderiam ser gastos em algo mais diretamente religioso? E por que Mozart em particular?

Por que música? Porque a música é um dom de Deus para o mundo que Ele criou, uma expressão da harmonia no centro de Seu universo, ao qual todos os membros vivos desse universo respondem, não apenas os anjos e os seres humanos, mas até os animais e as plantas ao seu modo. Quanto às plantas, os pesquisadores do Colorado, nos EUA, construíram quatro caixas com medidas de luz, ar, umidade, solo e plantas idênticas em todas as quatro, e canalizaram para três delas cantos gregorianos ou música clássica ou rock, enquanto a quarta eles deixaram no silêncio. Com o rock, a planta cresceu mas murchou, com o gregoriano ela floresceu, com a música clássica e o silêncio, o resultado foi intermediário. Quanto aos animais, muitos vaqueiros colocam música calma em seus estábulos no momento da ordenha para aumentar a produção de leite, assim como nos supermercados colocam-se música tranquila para aumentar o volume de compras pelos clientes humanos. Surpreendente? Foi Deus quem a criou para nós, e não nós mesmos (Sl IC, 3); somos Suas criaturas com a parte harmoniosa que Ele projetou para que possamos brincar em Seu universo como um todo.

Para os seres humanos, a música é a linguagem suprema dada por Deus para o acesso à harmonia d’Ele, mesmo que, como Brahms, não se acredite em nenhum Deus. A música é, portanto, natural para os seres humanos, e tem uma enorme influência moral sobre eles, para o bem ou para o mal. À medida que a Madre Igreja recorre ao gregoriano e à polifonia para elevar as almas para o Céu, então o Demônio utiliza o Rock e todo tipo de música moderna para carregar as almas para o Inferno. “Diga-me qual é tua música, e eu te direi quem és”, diz o ditado. Quase todos os homens têm alguma música em si, e ai daquele que não tiver – diz Shakespeare (O Mercador de Veneza, V, 1):

“O homem que não tem a música em si
          É feito para traições, estratagemas e pilhagens...
Que não se confie em um homem desses.
Ouça a música”.

Alguém pode dizer que o homem que não tem música dentro de si não é confiável porque está fora de sintonia com Deus.

E o mundo moderno está fora de sintonia com Deus, o que corresponde ao ruído deplorável que tantas vezes hoje se passa por música, e que as pessoas ainda gostam, porque a música é tão natural para o homem e penetra muito profundamente em sua alma. E esse ruído feio é o que há na alma de inúmeras pessoas que nos rodeiam, e através delas ele pode influenciar-nos e afastar-nos de Deus, se permitirmos isso. A questão é religiosa, afinal. Qualquer coisa profundamente humana está relacionada a Deus, e a música é sem dúvida profundamente humana.

Por outro lado, Mozart pertencia a um mundo muito mais saudável do que o nosso, e sua música corresponde a um momento especial de harmonia e equilíbrio entre a velha ordem e a emotividade moderna. Mozart é o músico dos músicos. Eis alguns dos testemunhos de músicos famosos: Tchaikovsky disse: “Encontro consolo e descanso na música de Mozart. Nela, ele expressa essa alegria de viver que fazia parte de seu temperamento são e saudável”; Schubert disse: “Que imagem de um mundo melhor que você nos deu, ó Mozart!”; Gounod disse: “Mozart, o Céu pródigo deu-lhe tudo, graça e força, abundância e moderação, equilíbrio perfeito”; Brahms disse: “É um verdadeiro prazer ver música tão brilhante e espontânea, expressa com a facilidade e a graça correspondentes”.

Mozart escreveu todos os tipos de música, mas destacam-se as suas óperas e os seus concertos para piano. Em Broadstairs não podemos executar as óperas, mas John Sullivan, que tocou a metade das sonatas de Beethoven aqui em 2016, pode facilmente administrar um feito similar com os concertos e sonatas para piano de Mozart. Avise-nos se você pretende vir, para que possamos ter uma ideia dos números. Não há ingressos para comprar. Mozart não tem preço!

                                                                                                                                   
           Kyrie eleison.


Traduzido por Cristoph Klug

terça-feira, janeiro 23, 2018

Comentários Eleison: Sobrevivência na Prisão

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DXLIX (549) (20 de janeiro de 2018)



SOBREVIVÊNCIA NA PRISÃO


O inferno globalista vindoiro desperta-lhe temor?  
Construa bem, e preencha com Deus seu castelo interior.

Alexander Solzhenitsyn (1918-2008) é um dos poucos escritores do século XX verdadeiramente proeminentes por não ser ele ateu, pois se voltou para Deus graças a seus sofrimentos sob a tirania totalitária da Rússia comunista, que durou de 1917 até 1989. Sua principal obra é o Arquipélago Gulag, em três volumes, nos quais ele descreve extensivamente sua própria experiência de ter vivido de 1945 a 1953 dentro do arquipélago comunista de campos de prisioneiros espalhados por toda a Rússia. Ele sobreviveu à experiência, e seus escritos incluem sugestões ou conselhos válidos de como sobreviver em prisões totalitárias modernas. Ouve-se dizer que os globalistas já construíram prisões em todos os Estados Unidos para calar os inimigos do estado globalista, que seguramente incluirão cristãos convictos. A seguinte receita em sete tópicos para a sobrevivência foi extraída do Arquipélago Gulag e apresentada recentemente na França:

* No interrogatório preliminar, não tente enganar ou iludir os interrogadores quando, durante uma semana, você recebeu o mínimo de alimentos e de sono o suficiente para sobreviver. Em vez disso, banque o idiota do início ao fim, dizendo, por exemplo, "eu não sei", "não consigo lembrar". Em qualquer caso, não se engane, são os interrogadores que escrevem o interrogatório – o Partido é a consciência deles, e eles não querem perder seus empregos.

* Uma vez dentro da prisão, pratique qualquer tipo de atividade mental de modo suficientemente intenso para que nenhum tipo de sofrimento seja capaz de desequilibrar sua mente.

* Coloque em sua cabeça, o mais rápido possível, que sua vida anterior acabou, e inclusive a sua própria vida. Uma vez que não tiver mais nada a perder e estiver convencido disto, que você tiver tomado uma decisão que cumprirá a qualquer custo e seguirá fielmente qualquer linha de ação que tiver traçado, então você não terá mais medo, encontrará automaticamente as respostas certas e o modo de dá-las, e eles não terão mais poder sobre você, que se tiver de morrer, fará isto com dignidade e consciência tranquila. Aqui está a força moral que eles temem e que eles fazem tudo o que podem para romper, por exemplo, levantando falsas esperanças de receber um perdão.

* Não possua nada, seja separado de tudo, e você terá a calma e a liberdade mental para julgar serenamente as pessoas e as circunstâncias. Confie somente em sua memória para recordar tudo o que conhece do homem e da natureza humana.

* Desista de qualquer desejo de organizar sua própria vida, a fim de preservar sua paz mental.

* Não acredite em ninguém, desconfie de todos: dentro do gulag, ninguém faz algo por nada.

* Finalmente, fique perto de companheiros de prisão decentes contra os criminosos e os informantes, fazendo justiça com suas próprias mãos se necessário. Pois, de fato, uma das descobertas mais notáveis em sua jornada através desta cena do Inferno é que seus piores inimigos não são os guardas da prisão, mas ... seus companheiros de prisão. A lei desta selva é, hoje é você que chuta o balde, amanhã é a minha vez. Tudo o que você pode fazer é atacar em primeiro lugar, mesmo se você for esfaqueado em troca... em breve, faça-se respeitar se você não quiser ser explorado.

Quanto ao uso da força física pela autodefesa, a Igreja ensina que deve ser proporcional à ameaça de ataque. Mas o ponto principal de Solzhenitsyn é a renúncia a toda esperança terrena, o desapego de todos os bens, a calma da mente, a paz da consciência; resumindo, a força moral interior que transfere o medo de si para os adversários. Aqui os católicos são universalmente reconhecidos como vitoriosos, que têm uma vida de oração com a qual vivem perto de Deus. "Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé" (I Jo 5, 4).


Kyrie eleison.

domingo, janeiro 14, 2018

Comentários Eleison: Fé Crucial - II

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DXLVIII (548) (13 de janeiro de 2018)


FÉ CRUCIAL  –  II


Deus está sempre ali, ainda que para nós seja invisível,
Somente se um homem crer n’Ele, compartilhar Seu Céu lhe será possível.


Sua Excelência,

            Conversando com um sacerdote de indulto (que diz a verdadeira Missa, mas obedece aos oficiais da Igreja em Roma), fiquei confuso sobre Dom Lefebvre e a posição que ele tomou em defesa da Fé. Eu acreditava que ele estava certo, mas agora já não tenho tanta certeza. Eis aqui alguns dos argumentos do sacerdote:

1 O Arcebispo desobedeceu Roma. Isto prova que ele era orgulhoso.
2 Tivesse ele desistido de sua Fraternidade e seminários para obedecer Roma, isto teria sido heroico.
3 Se ele desobedeceu Roma para salvar a Tradição, ele fez o mal para alcançar o bem, o que é errado.
4 Obedecer a um papa tão mal orientado quanto o Papa Francisco é um martírio pelo qual se imita a Cristo.
5 Dom Fellay entrar na jaula dos leões romanos é, em termos espirituais, heroico.


Prezado Senhor,

            Em tempos sãos a Igreja Católica dá às almas uma direção clara sobre o que é verdadeiro ou falso, certo ou errado, e o senhor não estaria confuso. Mas desde o Concílio Vaticano II (1962-1965) estes não têm sido tempos sãos, porque os próprios clérigos romanos naquele Concílio abandonaram a verdadeira religião católica de Deus e adotaram uma falsa religião feita pelo homem, à qual podemos chamar conciliarismo. Assim, a partir dos anos 60 os católicos tornaram-se confusos de alto a baixo na Igreja por tentarem ir em duas direções ao mesmo tempo. Por exemplo, este sacerdote de indulto diz a Missa da verdadeira religião, enquanto pretende obedecer aos romanos subordinados à falsa religião. Não admira que o senhor esteja confuso após ouvi-lo. E continuará confuso até que compreenda completamente a diferença entre a verdadeira religião de Deus e o conciliarismo dos homens – talvez Deus queira que faça mais dever de casa!

Um católico é um católico pela Fé na qual acredita, pelos sacramentos que recebe e pela hierarquia à qual obedece. Mas ele é primeiramente católico pela Fé, sem a qual não se interessaria pelos sacramentos e hierarquia católicos. Portanto, a Fé católica é fundamental para um católico, e foi esta Fé que os oficiais romanos abandonaram no Vaticano II para saírem da sintonia com Deus e entrarem na sintonia com o homem moderno. Assim, o conciliarismo é fundamentalmente diferente do catolicismo, e cria um ponto de vista extremamente diferente sobre o que considera orgulho, heroísmo, obediência, e assim por diante. O ponto de vista católico é verdadeiro, o ponto de vista conciliar é falso. Agora, vamos aos argumentos do sacerdote de indulto:

1 O Arcebispo não era orgulhoso, pois estava defendendo a verdade de Deus e colocando-O antes dos homens. Em contrapartida, hereges como Lutero e os conciliaristas são orgulhosos por desafiarem a Deus para agradar aos homens.
2 Ele foi heroico por não ceder a Roma, e por resistir a ela, para colocar Deus em primeiro lugar.
3 Quando fez o que fez para salvar a Tradição, ele não estava fazendo um mal, mas um bem para alcançar um bem.
4 O martírio católico consiste em sofrer o mal e a morte não por qualquer causa, mas somente pela verdadeira Fé católica. O Arcebispo sofreu um verdadeiro martírio por não ceder aos Papas que erravam, e por fazer tudo o que pôde para que eles enxergassem como estavam abandonando a Fé verdadeira.
5 Em contrapartida, seus sucessores vêm pelo menos desde o ano 2000 fazendo tudo o que podem para colocar a Fraternidade do Arcebispo sob o controle dos romanos conciliares, não sendo, portanto, de modo algum heroicos, porque estão colocando os homens antes de Deus. Tampouco são mártires ou verdadeiros imitadores de Cristo. São, na verdade, orgulhosos.

Prezado senhor, espero que agora possa ver que tudo na Igreja deve, em última análise, ser julgado à luz da Verdade e da Fé. Isto porque a fé de um homem ou a falta dela é sua atitude básica para com Deus. Um homem pode escolher ir para o Inferno se quiser, mas se ele quer ir para o único Céu verdadeiro do único Deus verdadeiro, então deve começar acreditando n’Ele, de acordo com a verdadeira Fé.

Kyrie eleison.

Tradução: Leticia Fantin.