quinta-feira, março 26, 2015

O Dogma do Inferno – Parte I



Inferno dos Condenados, o Lugar Onde as Almas Permanecem Para Sempre
Por Dr. Remi Amelunxen
Traduzido por Andrea Patrícia
 

 Nosso Senhor Jesus Cristo presidindo o Juízo Final



Após estudar o Purgatório, (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) parece lógico discorrer sobre o Inferno. Este dogma também foi muito esquecido e até mesmo negado, especialmente como sendo um lugar onde as almas dos condenados estão por toda a eternidade.
A fonte principal para esta série de artigos é o livro excepcional de Pe. François Xavier Schouppe intitulado Hell: The Dogma of Hell Illustrated by Facts Taken from Profane and Sacred History. [Inferno: O Dogma do Inferno Ilustrado por Fatos Extraídos da História Profana e Sacra](1) Esta série irá resumir esta obra, escrita há mais de 100 anos, e também apresenta pensamentos e opiniões de outros autores.
O dogma de que o Inferno existe é, como observa o Pe. Schouppe: “a mais terrível verdade de nossa fé. Nós temos tanta certeza do Inferno como temos da existência de Deus.” (2) Nosso Senhor mesmo proclamou isto ao menos 50 vezes no Evangelho.
A Revelação é apoiada pela razão, e a existência do Inferno está em harmonia com a Lei Natural, que é a expressão da imutável Justiça Divina. De fato, na história nunca existiu um povo que não tivesse um sistema de punição para aqueles que não seguissem as leis comuns. Uma variedade de punições terminando com a pena de morte é a regra normal de qualquer sociedade.

Esta realidade penal que existe em toda parte não é nada mais senão o reflexo da Justiça Divina. Não é difícil enxergar que uma punição eterna – o Inferno – é um prato da balança da Lei Divina. O outro prato é a recompensa eterna para aqueles que são fieis. Isto é o que a razão nos diz sobre o Inferno.

Algumas noções explícitas sobre o Inferno sempre foram conhecidas por muitos povos. O Inferno nunca foi negado por hereges, Judeus e Maometanos. Ironicamente, foi apenas na era do Iluminismo, no século XVIII, que separou-se a fé da razão, e criou esta enorme estupidez chamada Ateísmo. Um filósofo ateu é tão estúpido quanto um cientista que finge que a luz e o calor que beneficiam a terra não vêm do sol. Então, após essa “iluminação” nós temos que suportar estas toupeiras que não conseguem enxergar um palmo diante de seus narizes e negam Deus como causa da Criação e da Lei Natural. Ateus também negam o Inferno.

Tristemente, em nossos dias, com o objetivo de “adaptar-se ao mundo moderno”, o Progressismo aceita as pressuposições desses ateus e também minimiza – quando não rejeita – a  existência do Inferno. Mesmo altos escalões eclesiásticos na própria Igreja Católica estão fazendo o mesmo…


Tolos sofismas
 


Pe. Schouppe retrata algumas pessoas infelizes que persuadem a si de que o Inferno não existe baseadas em interesseiros sofismas internos. O raciocínio delas é o seguinte:
  1. Eu não acredito em Inferno;
  2. Aqueles que acreditam neste dogma não têm prova de sua existência, já que a futura vida após a morte é um problema insolúvel, um invencível “talvez”;
  3. Ninguém retornou do além da tumba para testemunhar que existe um Inferno.
 
Aqueles que negam o Inferno são tolos insensatos, caminhando numa perigosa corda bamba


Vejamos brevemente cada um desses raciocínios. “Eu não acredito em Inferno”, alguns simplesmente dizem. O Inferno deixará menos de existir porque você não quer acreditar nele? Se você negar sua própria existência, você cessará de existir? (3)  
“Ninguém sabe o que é a vida futura e o Inferno é apenas um ‘talvez’”. De fato, este argumento é resolvido pela Revelação, que fala sem incertezas sobre o Inferno. A verdade do Inferno é conhecida pela infalível palavra de Deus. Apenas o mais tolo dos homens se basearia num “talvez” e assim exporia a si mesmo à punição do fogo eterno
Quanto ao terceiro argumento, existem, de fato, almas condenadas que retornaram para revelar seus castigos eternos como veremos na última parte deste artigo.

As Sagradas Escrituras falam sobre o Inferno


Há muitas referências à existência do Inferno (4) no Antigo Testamento. Dentre outras, as seguintes:
• O perverso deverá ser lançado no Inferno, e todas as nações que se esqueceram de Deus. (Sl 9,18)
• Portanto, o Inferno alargará sua alma e abrirá sua boca sem quaisquer limites, e seus fortes e seu povo, e seus altos e gloriosos cairão dentro dele. (Is 5,14)
 
As Escrituras falam frequentemente de um lugar de fogo eterno onde os Demônios e as almas dos condenados ficam

• Que a morte venha sobre eles e que eles caiam vivos no Inferno. Pois há perversidade entre eles e em suas moradas. (Sl 54,16)
• Eu abalei a nação com o som de sua queda, quando o lancei no Inferno com aqueles que caem dentro do abismo. (Ez 31,16)
• Pois eles também deverão cair com ele no Inferno para perto daqueles que foram mortos pela espada: e o braço de cada um deverá cair sob sua sombra em meio às nações. (Ez 31,17)
• Vós os transformareis em fornalhas ardentes no tempo de vossa ira: o Senhor irá confundi-los com Sua ira e o fogo os devorará. (Sl 20,10)
No Novo Testamento nós encontramos estas palavras infalíveis: 



• Se vossa mão os escandaliza, corte-a fora; é melhor entrar na vida mutilado do que ter duas mãos e ir para o Inferno, dentro do fogo infindável: onde os vermes não morrem e o fogo não se extingue. (Mc 9,43)
• E vós, Cafarnaum, que vos eleva até o Céu, deverá ser lançada no Inferno. (Lc 10,15)
• Deus não poupou os anjos que pecaram, mas lançou-os com cordas infernais no fundo do Inferno entre tormentos, onde estão reservados até o julgamento. (2 Pe 2,4)
• Então Ele dirá para aqueles que estiverem à sua esquerda: apartem-se de mim, malditos, para o fogo eterno que foi preparado para o demônio e seus anjos. (Mt 25,41)
• Desceu fogo vindo de Deus no Céu e os devorou, e o demônio, que os seduziu, foi lançado num lago de fogo e enxofre, onde tanto a besta quanto o falso profeta serão atormentados dia e noite, para sempre. (Apoc 20,9-10)
• Eles irão para o castigo eterno. (Mt 25,46)

O ensino De fide da Igreja


Em seu Fundamentals of Christian Dogma [Fundamentos do Dogma Cristão], o teólogo Ludwig Ott apresenta estes dois ensinamentos de fide no tópico sobre reprovação e Inferno:
1. As almas daqueles que morrem em condição de pecado mortal entram no Inferno (5) – O Credo Atanasiano declara: “Aqueles que fizeram o mal irão para o fogo eterno” (Denzinger 40).
Bento XII declarou na Constituição Benedictus Deus: “De acordo com o decreto geral de Deus, as almas daqueles que morrem em pecado mortal descem imediatamente ao Inferno, onde serão atormentadas pelas dores do Inferno” (Denz. 531). 
Os Pais da Igreja atestam unanimemente a realidade do Inferno. Por exemplo, Santo Inácio de Antioquia afirma que aqueles que corrompem a fé em Deus através de ensinos errôneos “irão para o fogo insaciável – assim como aqueles que deram ouvidos a eles.” São Justino baseia a punição do Inferno na ideia de Justiça Divina, que exige punição para aqueles que transgridem a lei de Deus. (6)
2. O castigo do Inferno dura por toda a eternidade – Afirmando a natureza eterna do Inferno, falada com frequência na Sagrada Escritura, (7) o Quarto Concílio de Latrão (1215) declarou: “Aqueles [os rejeitados] receberão uma punição perpétua com o demônio.” (Denz. 429) 


Uma impressionante manifestação do Inferno


Em Sua misericórdia, Deus ajuda nossa fé sobre a verdade do Inferno através de manifestações de uma natureza sensível. Estas são mais numerosas do que se pensa, e são apoiadas por provas suficientes. Eis um exemplo impressionante, provado judicialmente no processo de canonização de São Francisco de Jerome (1642-1716) e atestado sob juramento por um grande número de testemunhas oculares.
São Francisco estava pregando em Nápoles sobre o Inferno e os terríveis castigos que esperam pecadores obstinados. Uma prostituta descarada da região chamada Catarina veio perturbar seu sermão com gestos e gritos.


São Francisco de Jerome pregando as Últimas Coisas

O santo gritou para ela: “Cuidado, minha filha, ao resistir à graça. Antes que se tenham passado oito dias, Deus irá puni-la.”

Em vez de prestar atenção às palavras dele, a mulher apenas zombou dele com mais veemência.

Após oito dias, o santo estava novamente naquela região e disseram a ele que Catarina havia morrido subitamente naquele mesmo dia. Ele disse: “Bem, vamos deixar que ela nos diga agora o que ela ganhou ao rir do Inferno.”

Seguido por uma multidão, ele foi até a câmara mortuária, descobriu o cadáver, e disse em voz alta: “Catarina, diga-nos onde você está agora.”

A mulher morta levantou a cabeça e abriu os olhos. Suas feições tomaram uma expressão de desespero e, numa voz lamentosa, ela disse: “No Inferno. Eu estou no Inferno.” Então ela caiu de volta na condição de cadáver.

Pe. Schouppe registra as palavras de uma testemunha, que disse: “Eu nunca pude transmitir a impressão que este incidente produziu em mim e nos espectadores, e que eu ainda sinto toda vez que eu passo por aquela casa e vejo aquela janela. Eu ainda ouço grito triste ressoando: ‘No Inferno. Eu estou no Inferno’.” (8)

Este é apenas um exemplo das manifestações de almas que retornaram a terra para admitir que elas sofrem punição eterna.

(Continua)
  1. Francois Xavier Schouppe, The Dogma of Inferno, Illustrated by Facts Taken from Profane and Sacred History, Rockford, IL: TAN, 1989
  2. Ibid., p. 1.
  3. Ibid., p. 2.
  4. Outras referências no Antigo Testamento, Ez 31,18, Ez 32,21, 27, Pr 7,27, Pr 9,18, Pr 15,24, Is 29,10, Is 24,21f., Judt 6, Ecl 21,10-12, Sl 87,5,7, Sl 37,12f, Sb 4,20, Jó 22,17-20, Dan 12,2, Sb 5,1-3, Sb 5,4f, Sb 5,79, Is 33,14, Deut 32,39.
    Outras referências no Novo Testamento, Mc 9,46-47., Mt. 7,13, Mt. 10,23, Mt 7,13, 2 Pet 2,9, Mt. 18,8, Lc 13,27, 2 Ts 1,9, Mt 25,30, Mt 3,12, Mc 9,44, Lc 16,23, 2 Pet 2,9, Ef 5,6, Rom 1,28-32, Ap 22,15, Ap 21,8
  5. Ludwig Ott, Fundamentals of Christian Dogma, St. Louis, Herder, 1969,p. 479-480.
  6. Ibid., p. 480
  7. Dan 12,2; Sb 4,19; Judith 16,21, 7; Mt 18,8, 25,41, 46, 3,12; Mc 9,43; Mc 9,45f, 2 Ts 1,9; Ap 19,3, 20,10.
  8. F.X. Schouppe, The Dogma of Inferno, p. 3-4.
Original aqui.


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