terça-feira, maio 03, 2016

Coerência Abandonada

Por Syllabus
Traduzido por Andrea Patrícia




O Pe. Pfeiffer é um dos sacerdotes que tem se erigido fragorosamente como um dos paladinos da Resistência, campeões da ortodoxia católica, guardiões da integridade doutrinal, vigias zelosos que se encarregam de manter a pureza da religião "custe o que custar e doa a quem doer", denunciando as "heresias" que corroem a virtude salvaguardada por eles. Tal qual doutores incoercíveis, como novos Atanásios, Hilários e Agostinhos, estendem-se numa incansável e empolada verborreia ao longo de discursos extensos e espontâneos que apelam aos mais caros sentimentos do fieis. Lançam seus dardos com voz tonitruante a quem está disposto a escutá-los para segui-los em suas campanhas libertadoras contra quem apontam como seus mais implacáveis inimigos pessoais, a quem juraram derrubar. O único problema é que esses Mestres da verdade, esses Generais da guerra santa, esses Líderes impetuosos de uma nova cruzada, longe de serem fontes de água pura e cristalina, são pelo contrário como "cisternas rachadas que não podem reter a água" (como disse o profeta Jeremias), que somente oferecem uma água turva e pantanosa. De seus tanques só saem agora ignorância teológica, incoerência, hipocrisia e petulância.

Como vemos neste caso do falso bispo Moran, coam o mosquito e engolem o camelo. Também pode aplicar-se a parábola de Lucas 6, 41, pois apontam o argueiro que acreditam ver no olho do irmão, sem ver a trave em seu próprio olho. Neste caso, criando caso contra Dom Williamson por causa de uma resposta deficiente a uma mulher birritualista (em uma conferência nos EUA, em julho de 2015), e fazendo abstração de toda a sua conduta e de suas palavras de sempre. Lemos recentemente num artigo que o mesmo aconteceu com São Paulo, que pregou tantas vezes contra a necessidade de circuncisão para receber a fé, e no entanto circuncidou seu discípulo Timóteo. Desde então os "vigias" da fé de então - sem tentar compreender as razões do Apóstolo - começaram a atacar violentamente a São Paulo e tratá-lo como herege, aos quais o grande Apóstolo teve de num dado momento os repreender.

O Pe. Pfeiffer disse que assistir às missas da FSSPX era incorrer em pecado e delito canônico decommunicatio in sacris (o que é falso e demonstra a grave incompetência teológica deste sacerdote, pois não se pode dizer que os sacerdotes da FSSPX não são católicos, por mais que o liberalismo os tenha invadido), mas logo levou um falso bispo que nem sequer é católico para seu seminário e sua capela de Boston para que exercesse ali suas "sacras" funções, com o que incorreu, ele sim, em pecado e delito canônico de communicatio in sacris, levando seus fieis a participar ativamente de um rito celebrado por um não católico (Cfr. CIC 1917, Can. 1258).

O Pe. Pfeiffer acusou Dom Williamson de encobrir um sacerdote que há algumas décadas cometeu certos pecados muito graves, mas logo o Pe. Pfeiffer levou para o seu seminário um sacerdote pedófilo condenado (preso por posse de pornografia infantil), removido do estado clerical e retomado o estado leigo (ver aqui). Desde então ele submete seus seminaristas à tal escória mesmo tendo recebido tantos avisos.

Depois de tudo isto, o Pe. Pfeiffer ainda se atreve a falar como um grande defensor da fé e da verdade?

Como podemos ver, esses "guardiões da fé", na realidade, se rodeiam de uma grande parafernália para ocultar sua vocação cismática, fecham-se num orgulho inveterado o qual demanda apoiar-se num inimigo que atua como o diabo de seu filme. Este inimigo é Dom Williamson, espécie de monstro Endríago que deve ser vencido pelos Amadises de Gaula de nossos dias, vestidos com batinas tamanho extra grande. Os outros dois bispos antiliberais e fieis continuadores de Dom Lefebvre na Resistência também ocupam agora tal maléfico papel de antagonista.

Mas embora tenham sido ampla e racionalmente rebatidos em diversos sites e blogs da Resistência, não obstante, esses neoapóstolos agressivos e fanáticos, buscando os primeiros lugares, continuam sua aviltante tarefa de enganar e arrastar a quem, mais desvalidos, desconhecem suas armadilhas para conduzi-los ao círculo fechado do farisaísmo, onde eles receberão o cobiçado prêmio de serem os "melhores".  Para isto não hesitam em denegrir, caluniar, acusar, tergiversar, mentir ou perseguir a quem se lhes oponha. Mas a verdade é muito paciente, e sem necessidade de fazer o barulho que fazem seus escandalosos opositores, simplesmente se apresenta, se mostra e deixa que aquele que a queira ver, que veja. A verdade não força ninguém, mas tampouco se ausenta daquele que a deseja. Lá está exposta. Os que agem como cismáticos buscam novos disfarces para tapar seus erros. Cortinas de fumaça para distrair a atenção. Campanhas de difamação para elevar a si mesmos. Como diria o Padre Castellani: “Cuidado com as criaturas que se escondem nas cisternas rachadas”!


A ilusão do espiritismo


“É preciso reconhecer que o espiritismo, ou a doutrina da metempsicose ou transmigração dos espíritos, conhecida vulgarmente no Brasil como kardecismo, atrai e cativa muitas pessoas boas, mas incautas, que buscam uma explicação para a breve e atribulada vida terrena do homem.

Com efeito, à primeira vista, o espiritismo, com sua doutrina de “evolução” espiritual, de progresso moral através de sucessivas reencarnações pelas quais o homem se vai libertando de seus defeitos e purificando-se dos seus pecados até alcançar a perfeição ou a condição de espírito superior – o espiritismo diz que os homens perfeitos se transformam em anjos!-, com sua doutrina que nega um juízo inapelável sobre o destino eterno do homem, o espiritismo pode seduzir aquelas pessoas que se sentem frágeis diante da enorme responsabilidade moral implicada no conceito de livre arbítrio ou se acham desconcertadas ante a desigualdade de condições entre os homens. Um Deus que não julga ninguém, que não condena ninguém mas a todos dá oportunidades sem fim de, mais cedo ou mais tarde, chegar a sua meta é um Deus que ilude o homem apegado às suas más inclinações e não lhe impõe à consciência nenhum dever moral irretorquível. Um Deus assim parece realmente facilitar as relações entre a criatura e o Criador. Acresce que o espiritismo, com sua promessa de comunicação entre os vivos e os mortos, por um lado, cativa as pessoas mais débeis na fé que não se conformam com a perda de seus entes queridos e, por outro lado, com a sua propaganda das obras de caridade (ou melhor, de filantropia), conquista aquelas pessoas generosas e abnegadas que têm compaixão pelo sofrimento dos seus semelhantes. Tudo isso, sem dúvida, gera, em nossa cultura naturalista que confia na capacidade de o homem por seus próprios esforços alcançar a sua salvação, um clima de simpatia pelo espiritismo.

Como se sabe, a doutrina da metempsicose não é uma novidade; desde a mais remota antiguidade, contou com ilustres defensores como Pitágoras e Platão, entre outros. Igualmente, entre os antigos israelitas, nos períodos de decadência e ignorância religiosa, surgia a crença na transmigração da alma. Assim, por exemplo, quando Nosso Senhor interrogou os seus discípulos dizendo: Quem dizem os homens que é o Filho do Homem? responderam-lhe que uns diziam que era João Batista, outros que era Elias e outros que era Jeremias ou algum dos profetas (Mt. XVI, 13-14). Esta resposta mostra-nos que havia entre os judeus ignorantes da sua própria religião uma crença na reencarnação sem nenhum fundamento nas Escrituras. Contudo, o espiritismo moderno, surgido na França no século XIX, não é herdeiro das antigas teorias da metempsicose. Surgiu em ambientes socialistas e revolucionários, influenciados pelo evolucionismo então em voga.

Em nossos dias, os espíritas gostam de citar aquela passagem do Evangelho segundo São Lucas que diz que São João Batista veio com o espírito e a virtude de Elias (Lc, I, 17) como se o precursor fosse a reencarnação do grande profeta que combateu os adoradores de Baal. Ora, Santo Agostinho, em seu belíssimo livro A Trindade explica que uma coisa é o espírito que recebemos para viver (a alma ou princípio vital) outra coisa é o espírito que recebemos para ser santos, quer dizer, o Espírito Santo que nos é dado como Dom. No caso, chama-se espírito de Elias o Espírito Santo recebido por Elias (A Trindade, livro V, capítulo 14).

Entretanto, hoje é muito mais importante uma refutação filosófica (racional) do espiritismo que uma refutação teológica extraída da Sagrada Escritura, tão desprestigiada está a teologia.

Cumpre, em primeiro lugar, dizer que a metempsicose defendida por Platão e fundamentada em mitos e mistérios escatológicos da antiguidade deve-se ao fato de o filósofo não ter conseguido explicar bem o conhecimento humano a partir dos sentidos e, então, propor a teoria do mundo das idéias, segundo a qual o conhecimento se daria por recordação e, conseqüentemente, só ser possível se a alma fosse preexistente. Ademais, Platão não soube explicar bem a união entre a alma e o corpo. Para ele, no homem não há uma união substancial entre corpo e alma. Concebe o corpo como um cárcere da alma. Aliás semelhante equívoco foi defendido por Orígenes que dizia serem as almas preexistentes e, por castigo de uma culpa grave, se transformavam em demônios ou se uniam a corpos materiais.

Ao contrário, Aristóteles e Santo Tomás de Aquino explicaram o conhecimento humano com base na distinção entre conhecimento sensível e conhecimento intelectivo. No homem não há idéias inatas; a alma não é preexistente, o conhecimento não se dá por recordação nem iluminação (salvo uma revelação sobrenatural), mas a partir dos sentidos. A alma (ou princípio vital) é a forma do corpo; é ela que organiza o corpo de um ser vivo e lhe garante uma unidade em suas operações. Como forma substancial de um ser vivo, a alma não pode informar senão o corpo do qual é forma, não pode encarnar em outro corpo, porque é parte constitutiva do homem.

Como explana de modo admirável o Padre Enrico Zoffoli em sua obra Principi di Filosofia: “Toda alma difere das outras da sua espécie segundo a determinada e inconfundível porção de matéria que é destinada a informar. Trata-se de uma distinção profunda, que a caracteriza como substância absolutamente única, inédita, irrepetível. E acrescenta logo a seguir: “À luz da genética pode-se dizer que a individuação deriva de uma entre milhares de bilhões de combinações dos cromossomos maternos com os paternos que fixam o código genético da cada zigoto. Portanto, as diferenças entre as almas dependem da relação de cada uma à particular constituição do corpo ao qual Deus a destina em sintonia (misteriosa) com a causalidade desenvolvida pelos respectivos genitores. (…) Resulta que não seria humana uma alma que, por absurdo, não se relacionasse a um determinado corpo” (o. c. p. 325).

Por conseguinte, é um desarrazoado e contra os dados da ciência genética afirmar que a alma possa reencarnar em diferentes e sucessivos corpos.

O espiritismo, independentemente da boa fé das pessoas que por ignorância o abraçaram como uma filosofia de vida, é uma grave ofensa ao Deus Criador. Efetivamente, a alma humana, por ser imaterial, é incorruptível e após a morte está sob o domínio de Deus, aguardando o Juízo Final e a ressurreição da carne para voltar a unir-se ao corpo de que é a forma. É uma injuria ao Criador, é uma forma de magia diabólica pretender evocar uma alma para entrar em comunicação com os homens aqui na Terra. Nisto só pode haver charlatanismo ou ocasião para que o demônio possa enganar as pessoas que ousam desobedecer à lei de Deus que interdiz tal prática. Ademais, a crença no espiritismo e suas diversas práticas como as mesas falantes, mediunidade etc levam muitas pessoas a perder a sua própria identidade, a não saber mais quem elas são depois de terem “incorporado” tantos espíritos. É, portanto, um grande mal para o homem, também.

Nós católicos, nestes tempos de grande confusão de idéias, de ignorância religiosa, em que parece que os homens, cansados da verdade que lhes impõe graves responsabilidades diante de Deus e do próximo, correm atrás de fábulas e novidades, devemos permanecer firmes na doutrina católica tradicional, na qual não há lugar para nenhuma fantasia perturbadora da nossa mente, mas sempre plena harmonia entre a fé e a razão.”

(Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa, A Ilusão do Espiritismo)
Fonte: Spem in Alium

segunda-feira, maio 02, 2016

domingo, maio 01, 2016

Respostas a acusações levantadas recentemente contra Bispos da Resistência – V

Por R. de Souza


Sobre Dom Williamson e a Missa Nova.


1- Que se deve pensar de fieis que assistem à Missa Nova?

R. Segundo Dom Lefebvre e Dom Williamson, a Missa Nova, celebrada de acordo com o rito publicado em Roma, não é herética nem necessariamente inválida (Dom Lefebvre - Carta ao Cardeal Ratzinger de 17 de abril de 1985), mas conduz à heresia, e é, portanto objetivamente má. Assim, quem a assiste peca objetivamente e subjetivamente se o faz consciente disto, mas não subjetivamente se não tem consciência da maldade desse novo rito.

2- Teria Dom Williamson dito que a Missa Nova é boa e que qualquer um pode assisti-la para nutrir sua fé?

R. Não, ele jamais o fez. Pelo contrário, tem reiterado nos últimos meses em Seus Comentários Eleison que ela é , que é repugnante para Deus, que é um rito protestantizado, que é o ato central de culto da nova religião humanista, que leva à perda da Fé, etc.
Eis uma assertiva que publicou em janeiro deste ano e que se deve ter como base para a boa compreensão de seu pensamento sobre o assunto: A obrigação de manter-se longe do NOM é proporcional ao conhecimento que uma pessoa tenha sobre o quão mau ele é (CE 445).

3- Então não é verdade que Dom Williamson promoveu a Missa Nova em uma conferência nos EUA?

R. Não. Nessa conferência, realizada em junho do ano passado nos EUA, depois de uma fiel perguntar a ele em tom emotivo se poderia continuar frequentando a Missa Nova durante a semana, e a Santa Missa Tridentina aos domingos, o Bispo respondeu-lhe (com algum embaraço por ter sido pego de surpresa, notadamente tentando conciliar o conteúdo de certos conselhos de caráter particular a pessoas que ainda estão em processo de conversão, com o caráter público da conferência) tecendo críticas gerais à Missa Nova, e disse que a regra é que ela deve ser evitada por ser má, mas que excepcionalmente a nova religião, que tem por rito central a mesma Missa Nova, pode ser usada para construir a Fé (por exemplo, de alguns cristãos que tenham reto desejo de conversão e não estejam devidamente a par da crise atual da Igreja), pelo fato de que nem sempre o rito novo é inválido e por haver sacerdotes no Novus Ordo que ainda preservam e difundem algum sentimento de piedade por práticas legítimas como o Santo Rosário e a Adoração ao Santíssimo. Acrescentou o Bispo que da mesma forma as Missas da Neofraternidade devem ser evitadas, salvo também em casos excepcionais.
                         
4- Mas nas Missas Novas e nas Missas da Neofraternidade não há omissão de crítica ou até mesmo defesa do Concílio?

R. Sim. E por isso mesmo Dom Williamson complementou, decerto também na intenção de tentar afastar gradualmente aquela fiel do NOM: ...no momento em que você vigia e escuta uma nota desafinada chegando, ou o padre seguindo a correnteza, não pregando contra o Concílio, talvez até sugerindo que o Concílio não seja tão mau, já não critica mais o Papa Francisco (apesar dos horrores que saem da boca dele)... Você tem de ficar longe disso... quando isso começa a infiltrar na Missa da FSSPX ou se estiver claro na Missa do Novus Ordo, fique longe.

5- Que outras críticas o Bispo fez à Missa Nova na conferência?

R. Disse ele que se trata de um rito projetado para minar a fé dos católicos e desviar a crença em Deus para a crença no homem, que não é um rito bom, não é uma missa aceitável, e geralmente é um perigo tremendo assisti-la, etc.

6- É certo dizer que a nova religião pode ser usada para construir a Fé?

R. É fato que um sem número de fieis tem chegado à Tradição depois de ter sido atraído inicialmente para a nova religião conciliar, e nela ter entrado em contato gradualmente com bons ensinamentos e práticas da verdadeira religião católica (tais como venerar e seguir o exemplo dos santos, rezar o Santo Rosário, adorar ao Santíssimo, reconhecer e se submeter ao Primado Petrino, frequentar os sacramentos, etc.), não poucos que se chocam frontalmente com os valores do mundo moderno (como os relacionados à castidade, à hierarquia, à Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Seu Reinado Social, à corredenção de Nossa Senhora, etc.).
Portanto, somente pelo que nela resta de católico, mas jamais pelo que é próprio dela, sim, a nova religião pode ser excepcionalmente usada para construir a Fé; e ainda mais se se leva em conta que ela hoje se encontra infiltrada na Igreja e está muito mais visível (através da hierarquia que a professa, de sua sede, de sua influência midiática, etc.) do que a Verdadeira Religião (de cuja própria existência atualmente pouca gente no mundo tem suficiente conhecimento), e, como se não bastasse, ainda se apresenta como esta.
Há uma miríade de exemplos, e um conhecido é o de Gustavo Corção, que assistia à Missa Nova antes de se voltar para a Tradição.

7- Mas isto se tem dado em razão da nova religião ou apesar dela?

R. Sobre isto, explica o Padre Trincado que a nova religião conciliar é uma heresia surgida na Igreja Católica, e que, portanto, conserva elementos da verdadeira religião. Dá-se o mesmo com as falsas religiões protestantes, por exemplo, em relação ao batismo válido (católico). Se este é recebido por uma criança no protestantismo, também transmite a fé infusa, juntamente com a graça santificante, e produz os demais efeitos do sacramento do batismo. Negar isto é herético, assim como é herético negar que a comunhão sacramental possa transmitir a graça a um fiel bem disposto que a receba em uma Missa Nova válida.
Portanto, assim como na heresia protestante, o bem é causado pelo que na nova religião conciliar permanece da religião verdadeira, não pelo que nessa nova religião há de próprio, não pelo que nela há de novo.

8- Pode-se dizer que os que praticam a nova religião conciliar permanecem católicos?

R. O que se pode seguramente dizer é que há um incontável número de fiéis que pratica a nova religião conciliar mas que crê piamente estar praticando a mesma Religião Católica praticada por seus avós, bisavós, tataravós, etc., não poucos deles que não se dão conta da real dimensão da crise atual, e que até mesmo jamais ouviram falar da existência de grupos tradicionalistas (que inclusive estão não raro ausentes nas cidades em que residem); e que buscam os sacramentos, fazem novenas, romarias, rezam o Rosário, adoram ao Santíssimo, veneram os santos, sobretudo Nossa Senhora, e buscam seguir seus exemplos, reconhecem a hierarquia, a autoridade do Sumo Pontífice, e que, portanto, não podem ser de modo algum acusados de agir com contumácia. Mais: também não poucos criticam muito do que veem atualmente, e se sentem notoriamente confusos por falta de acesso mesmo às boas informações, e inclusive por estarem sendo enganados por sacerdotes, padres e bispos, a quem se entregam ingenuamente à orientação.  
Não podem, portanto, ser acusados de heresia formal por sua relação com a nova religião conciliar, e também de não ser verdadeiramente católicos, pois, sobretudo, como explica o Padre Trincado, a teología ensina que o católico batizado que é herege material não deixa de pertencer à Igreja apenas por este motivo. A heresia deve ser formal para que alguém deixe de pertencer à Igreja Católica; e para que haja heresia formal, deve haver pertinácia ou contumácia ou obstinação.

9- Dom Williamson também disse na conferência que se deve fazer o que for necessário para nutrir, para manter a Fé. Não é uma recomendação liberal?

R. Não, porque o necessário para nutrir ou manter a Fé provém unicamente da Igreja Católica.

10- Está claro que os dizeres de Dom Williamson na conferência devem ser compreendidos baseando-se na óptica pastoral, e muitas vezes com sentido subjetivo. O que recomendava Dom Lefebvre nesse sentido?

R. Sim. Eis as palavras do próprio Dom Lefebvre: ...com respeito ao juízo que devemos ter sobre aqueles que dizem essa Missa Nova e sobre aqueles que assistem à Missa Nova... Se, por exemplo, temos a consciência de que se fizermos essas pessoas perceberem a falta que cometem, elas continuarão cometendo... É necessário por vezes ir prudentemente para lhes abrir os olhos, para lhes dizer o que devem fazer, e nem sempre ser brutal na maneira de atuar em relação às almas. As almas são objetos delicados que não podemos maltratar. Arriscamo-nos a fazer mais danos a uma alma maltratando-a – ao invés de fazê-la compreender as coisas docemente –, dizendo-lhe imediatamente: “você comete um pecado mortal”, “você irá para o inferno”, etc., em lugar de a fazer compreender, de lhe explicar, de lhe abrir os olhos sobre a falta que cometem. É uma questão, eu diria, de pastor, mas é necessário agir para com essas pessoas como pastor também, e não as condenar imediatamente.

11- Essa postura destoa significativamente da que tomou Dom Williamson?

R. Não. Dom Williamson alertou a fiel reiteradas vezes sobre os males da Missa Nova ao longo da conferência, sem acusá-la por estar pecando objetivamente (ainda que, provavelmente, não subjetivamente).

12. E quanto a Dom Williamson ter dito na conferência haver milagres no Novus Ordo?

R. Dom Williamson mencionou os supostos milagres não no sentido de que confirmam que a nova religião é boa ou aceitável, o que seria absurdo, mas (e sem abordar aqui a questão da causa particular de cada suposto milagre) no de que há nela ainda elementos verdadeiros (e há, inegavelmente) que podem excepcionalmente ajudar certos fieis a construir a Fé.  
Ver mais sobre esta e outras questões aqui: http://nonpossumus-vcr.blogspot.com.br/2015/07/sobre-una-palabras-recientes-de-mons.html

13- Mas não há momentos na conferência em que se pode sugerir que ele estaria não só dando permissão implícitamente (pois não deu tal permissão expresamente) à fiel para continuar indo à Missa Nova, como querendo dizer que há algo de bom naquele rito além dos elementos tradicionais que ele conserva, tal como: Por isso eu não diria que todo mundo deva ficar longe de toda missa do Novus Ordo?

R. O que diz o Bispo, reiteramos, deve ser analisado dentro do contexto, com base na citação que destacamos no início, levando-se em consideração que ali ele estava um tanto embaraçado, tentando conciliar um conselho particular com o fato de estar falando em público, tratando de uma exceção, dirigindo-se a alguém em proceso de conversão, dando ao mesmo tempo enfoques objetivos (ou de lei) e subjetivos (ou de consciencia). Seus dizeres, assim, lamentavelmente soaram ambíguos. Neste ponto se pode dizer que o Bispo foi infeliz por não se expressar com a devida clareza o que seria de caráter objetivo e o que seria de caráter subjetivo.
O trecho acima, portanto, refere-se a casos excepcionais, ou seja, enfoca o tema sob o aspecto subjetivo (outro exemplo, ilustrativo, mas real: não é prudente recomendar a um fiel sem fácil acesso às Missas da Tradição e que alega que pecará mortalmente se não frequentar a Missa Nova, que fique longe desta), e não objetivo, como entenderam seus críticos, tal como apontou Non Possumus (http://nonpossumus-vcr.blogspot.com.br/2015/07/sobre-una-palabras-recientes-de-mons.html).
Ademais, vale notar também que o trecho citado na questão, assim como os demais que parecem sugerir a permissão implícita à fiel, vêm em geral seguidos de uma condenação à Missa Nova na fala do Bispo; no presente caso, por exemplo: Mas ela por si causa danos, sem sombra de dúvidas. É um rito projetado para minar a fé dos católicos e desviar a crença em Deus para a crença no homem.

14- Há alguma outra crítica que possa ser feita ao Bispo no episódio?

R. A outra crítica pertinente que pode ser feita em relação a ele, e que, inclusive, ele mesmo se faz no final da conferência, é que suas colocações deveriam ter sido feitas em privado, e não em público. Mas, uma vez que ele assim procedeu, é por bem reiterar que se deve dar desconto ao que é dito em conferências, já que durante a fala se está mais sujeito ao erro, sobretudo em situações como aquela, que deixa o conferencista surpreso e embaraçado, em contraste com o desejo positivo de tentar clarear as questões para os fieis, sobretudo diante da imensa carência atual de bons sacerdotes.

15- Digamos que implicitamente, ou mesmo privadamente, ele tenha dado permissão à fiel para que continue frequentando a Missa Nova. Que se deveria pensar disto? 

R. Escreveu o Pe. Olmedo da FSSPX (advogado e profesor de Teologia Moral e de Direito Canônco no Seminário de La Reja) na década de 90: O católico deve abster-se de assistir à missa válida, mas ilícita do sacerdote herege ou cismático..., porém, o que tem consciência invencivelmente errônea é incorrigível, e devemos deixá-lo nas mãos da providência divina.
Isto, segundo o professor tomista Carlos Nougué, significa precisamente que o sacerdote tradicionalista debe-se abster de proibir a assistência à Missa Nova a quem tenha “consciência invencivelmente errônea”. Mais que isso, porém: a conclusão de que esta ou aquela pessoa tem “consciência invencivelmente errônea” quanto à Missa Nova compete, única e exclusivamente, aos bispos e aos padres, os quais são os que têm luzes de estado para tal; e até pode dizer-se que um bispo as há de ter mais que um padre.

16. Por fim, que dizer das acusações de que Dom Williamson teria mudado de visão em direção ao modernismo?

R. Que não houve mudança nenhuma. Dom Williamson continua defendendo os mesmos pontos que sempre defendeu (neste vídeo utilizado por seus críticos, ele trata da regra, não da exceção: https://youtu.be/wNiHZRzodg0), ou seja, que se por um lado a Missa Nova pode ser válida e não é herética, por outro, ela é envenenada, normalmente conduz à perda da fé, e que peca objetivamente e subjetivamente quem a assiste ciente disto; mas não peca quem sem culpa ignore isto. É com base nesse pensamento que, como vimos aqui, tem transmitido suas recomendações pastorais.


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Parte I: Respostas a acusações levantadas recentemente contra Bispos da Resistência – I: Sobre árvores e seus frutos.

Parte IIRespostas a acusações levantadas recentemente contra Bispos da Resistência – II