terça-feira, outubro 21, 2014

Vá e peque um pouco mais





De Novus Ordo Watch (trecho traduzido por mim e extraído de The Thinking Housewife):

Há um absoluto show de horrores em Roma neste momento. Encontrar aspectos “positivos” na fornicação, no adultério, na sodomia? Pobre São João Batista (veja Mateus 14) – ele poderia ter mantido sua cabeça presa ao pescoço se pelo menos ele soubesse o que o “Espírito Santo” estaria dizendo no Vaticano no futuro! Veja, se ele tivesse evitado tão “insensível” linguagem contra o Rei Herodes, linguagem claramente “discriminatória” contra ele, fazendo com que ele se sentisse “indesejável” e “julgado”, oh, o quanto mais ele poderia ter alcançado! Se ao menos o Batista houvesse reconhecido os “bons elementos” no adultério do Rei, tudo teria ido bem!...

Do mesmo modo, Nosso Senhor: em vez de “encorajar” a mulher no poço a esforçar-se pelo “ideal”de um casamento válido, Ele disse a ela sem rodeios: “Tivestes cinco maridos, e aquele que tens agora não é vosso marido” (Jo 4,18). Isto é tão insensível! O que dizer dos aspectos positivos do adultério dela? O que dizer sobre a “fidelidade” e o “amor” que ela certamente estava demonstrando ao seu “Marido número 5”? Ela não estava fazendo sacrifícios e tal? Ela não cozinhava para ele? Claramente o Espírito Santo de 2000 anos atrás ainda não havia “sentido o cheiro do povo”. Que bom que temos agora Bergoglio para endireitar tudo!

segunda-feira, outubro 20, 2014

Comentários Eleison: História Interna - I

Comentários Eleison – por Dom Williamson
CCCXXIX (379) - (18 de outubro de 2014):  

HISTÓRIA INTERNA - I


            Depois de 1917, em razão das mensagens de Nossa Senhora e dos eventos em Fátima, ficou claro para o mundo que a salvação deste e da Igreja (“um período de paz”) dependeria de duas coisas: da Consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração pelo Papa e todos os bispos do mundo, e também de os católicos fazerem a reparação ao seu Coração, que consiste em cada um receber a Confissão e a Comunhão, meditar por quinze minutos e orar um rosário em cada primeiro sábado do mês. Assim, que nenhum católico pense que nada há que se possa fazer para ajudar a Igreja e o mundo a sair de sua terrível crise atual. Cada católico que responde ao segundo pedido contribui para que o Papa responda ao primeiro.

            Mas essa resposta ainda não foi suficiente. Nos anos trinta, por exemplo, o Papa Pio XI estava bem a par do primeiro pedido feito por Nossa Senhora, mas não realizou a Consagração da Rússia. Por quê? De acordo com o Irmão Miguel da Santíssima Trindade, no segundo de seus três excelentes volumes de Toda a Verdade Sobre Fátima, o pontífice estava na época engajado em contatos diplomáticos com as autoridades russas em Moscou, e então achou que sua própria diplomacia seria uma maneira melhor de tratar com os comunistas do que a Consagração a Nossa Senhora. Ele preferiu o jeito humano ao divino de lidar com o problema, e então obviamente o problema permaneceu não resolvido. O mundo mergulhou na Segunda Guerra Mundial, e a Igreja se arruinou internamente pelo Concílio Vaticano II.

            Agora, na presente década, veio à luz uma história paralela de Nossa Senhora com mais um apelo. Desta vez, transmitido por uma mensageira de Dom Fellay, teria sido dirigido à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, para que se organizasse uma Cruzada do Rosário na qual se rezasse pela realização da Consagração da Rússia. Vale a pena analisar em uns poucos números destes “Comentários” se essa história é verdadeira (como eu acredito que seja, e alguns outros padres também acreditam), não para desacreditar Dom Fellay (cuja preferência pelos meios humanos é tão compreensível como a de Pio XI – Deus é seu juiz), mas a fim de enfatizar o quão urgente, quase cem anos depois, a Consagração da Rússia continua a ser, e especialmente a prática da devoção dos cinco primeiros sábados. Mas a história é verdadeira? Em particular, quão confiável é a mensageira?

            Eu mesmo me encontrei com ela muitas vezes, e acredito que sua história tem toda a possibilidade de ser verídica, em primeiro lugar por ser ela uma pessoa adulta séria, que dá todos os sinais de estar dizendo a verdade; mas principalmente porque o que ela conta é uma história interna, que corresponde a um grande número de fatos públicos e eventos bem conhecidos externamente, por assim dizer, e os explica. Quanto à mensageira, os leitores têm todo o direito de desconfiar de meu julgamento pessoal, mas quanto à correspondência entre a história interna e os fatos externos, os leitores podem julgar por si mesmos.

A história começa no Domingo do Bom Pastor de 2004, quando a Santíssima Virgem Maria apareceu para a mensageira e deu a ela uma mensagem que deveria ser transmitida ao Bispo da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, na qual havia o pedido para que a FSSPX liderasse os fieis em uma Cruzada do Rosário pela Consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração; a mesma que o Céu vem pedindo desde os anos vinte. Entendeu-se na década passada, que se isso fosse feito como Nossa Senhora pediu, poderia ao fim se obter através desta as graças para a realização da tão necessária Consagração.

Em junho de 2006, a mensageira entregou a mensagem em pessoa para Dom Fellay. Ele a discutiu com ela, mas não sabia ainda que se tratava de fato de uma diretiva da Mãe de Deus. E assim, em seu caminho de volta à Suíça, ela tomou uma importante primeira decisão. Como os americanos dizem: “Fiquem sintonizados”!
           
Kyrie eleison

sexta-feira, outubro 17, 2014

Dilma e Aécio no segundo turno

Um artigo do padre Lodi do Pró-Vida de Anápolis sobre as eleições 2014 (Dilma X Aécio). Para ler e refletir.

Eu não gosto da Dilma, nem gosto do Aécio. Mas devo dizer que mesmo sem apoiar Aécio ou o PSDB, eu votaria nele (estou fora de meu domicílio eleitoral, só justifico) por acreditar que seja um mal menor do que Dilma e o PT. Nós católicos devemos buscar nos informar e levar a sério assuntos como este.

Caros, vamos nos informar. Leiam com atenção e reflitam.

***

Dilma e Aécio no segundo turno

(o destino do país depende dos eleitores)

No primeiro turno das eleições para presidente da República (05/10/2014), os candidatos mais votados foram Dilma Rousseff (PT), com 43.267.668 votos (41,59% dos votos válidos) e Aécio Neves (PSDB), com 34.897.211 votos (33,55% dos votos válidos). A candidata Marina Silva (PSB) recebeu 22.176.619 votos (21,32%) e ficou em terceiro lugar. No último domingo de outubro, dia 26, conforme prevê a Constituição (art. 77, caput), Dilma e Aécio disputarão em segundo turno a Presidência da República. Em quem votar?
Dilma Rousseff
A posição de Dilma em favor do aborto é mais do que clara. Em 4 de outubro de 2007, ela dizia explicitamente em uma sabatina feita pela Folha de São Paulo:
- Como é que a senhora se define politicamente? A senhora é socialista?
- Eu sou.
- Sobre o aborto, qual a posição da senhora? A legislação atual é adequada ou a senhora defende uma ampliação?
 - Olha, eu acho que tem que haver a descriminalização do aborto. Hoje, no Brasil, isso é um absurdo que não haja... a descriminalização.[1]
Como socialista e defensora da descriminalização do aborto, Dilma está no partido certo. O Partido dos Trabalhadores se declara socialista[2] e o 3º Congresso do PT, ocorrido entre agosto e setembro de 2007, aprovou a resolução “Por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais”, que inclui a “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público[3]. Todo candidato filiado ao PT – inclusive Dilma – é obrigado a acatar essa resolução. O Estatuto do PT põe como requisito para ser candidato pelo Partido “assinar e registrar em Cartório o ‘Compromisso Partidário do Candidato ou Candidata Petista’” (art. 140, c)[4]. Tal assinatura, diz o Estatuto, “indicará que o candidato ou candidata está previamente de acordo com as normas e resoluções do Partido, em relação tanto à campanha como ao exercício do mandato” (art. 140, §1º). Se o político contrariar uma resolução como essa, que apoia o aborto, “será passível de punição, que poderá ir da simples advertência até o desligamento do Partido com renúncia obrigatória ao mandato” (art. 140, §2º). Em 17 de setembro de 2009, dois deputados petistas (Luiz Bassuma e Henrique Afonso) foram punidos pelo Diretório Nacional. O motivo alegado é que eles “infringiram a ética-partidária ao ‘militarem’ contra resolução do 3º Congresso Nacional do PT a respeito da descriminalização do aborto[5].
Em seu primeiro mandato (que esperamos seja o único), Dilma fez tudo o que podia para fomentar o aborto. Renovou por três vezes um contrato celebrado entre a União Federal através do Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz intitulado “Estudo e Pesquisa – Despenalizar o Aborto no Brasil” ou “Estudo e Pesquisa sobre o Aborto no Brasil”. Em junho de 2012 Dilma estava a ponto de lançar o “kit aborto” por meio do Ministério da Saúde: uma espécie de cartilha que, a pretexto de “reduzir os danos” do aborto, pretendia ensinar as gestantes a praticarem tal crime. A mulher já decidida a abortar receberia “cuidados de proteção pré-aborto”, inclusive a oferta do abortivo misoprostol (Cytotec). Os planos de Dilma, porém, foram barrados por deputados pró-vida, que exigiram, com base no artigo 50 da Constituição Federal, que o Ministério da Saúde prestasse contas das despesas feitas com a causa abortista.
Em 1º de agosto de 2013, Dilma sancionou uma lei[6] que obriga todos os hospitais do SUS a informar as (supostas) vítimas de violência sobre o (falso) direito que elas têm de abortar seus filhos e quais unidades hospitalares estão disponíveis para executar esse “serviço”. A lei, cujo único objetivo é expandir a prática do aborto, foi aprovada com o uso de má-fé junto aos parlamentares. Falava-se unicamente em atender a “pessoas em situação de violência sexual” e não se mencionava uma única vez a palavra aborto.
Se Dilma dispuser de mais quatro anos para governar, tendo consigo de um lado os “conselhos” populares[7] que tenderão a substituir o Legislativo, e de outro lado um Supremo Tribunal Federal composto de Ministros nomeados à imagem e semelhança do PT, poderemos estar preparados para a imposição da cultura da morte por um regime totalitário.
Aécio Neves
O adversário de Dilma declara-se contra o aborto, embora não seja um pró-vida “de carteirinha”. Debatendo com Eduardo Jorge (PV) na Band em 26/08/2014, Aécio em vez de propor a educação para a castidade, repetiu a velha e equivocada tese de que a anticoncepção preveniria o aborto: “Acredito que a legislação atual deve ser mantida, mas defendo que haja cada vez mais informação, sobretudo a adolescentes de baixa renda no Brasil, sobre anticoncepcional e outras formas contraceptivas[8].
Não é hora, porém, de detectar defeitos em Aécio. Ele não é perfeito, mas não pretende, como sua adversária, destruir o que resta de valores cristãos em nosso país. O candidato pertence a um partido (PSDB) que, ao contrário do que faz o PT, não exige de seus membros um compromisso com o aborto. Na luta contra a ideologia de gênero no Plano Nacional de Educação (PNE), foi importante a ajuda de deputados federais e senadores do PSDB, coisa absolutamente impensável em se tratando de parlamentares petistas.
O perigo dos votos em branco e nulo
Os votos nulos, assim como os em branco, não são computados (art. 77, §2º, CF). Mas eles acabam contribuindo para eleger o candidato mais popular. Para exemplificar: se dentre 1000 pessoas, nenhuma tiver votado branco ou nulo, todos os votos serão válidos e ganhará o candidato que receber mais de 50% dos votos, ou seja, 501 votos. Mas se dentre essas 1000 pessoas, 50 tiverem votado em branco ou nulo, significa que teremos apenas 950 votos válidos. Portanto, o mesmo candidato será eleito se alcançar 476 votos.
Se não queremos correr o risco de que nosso voto, nulo ou em branco, acabe favorecendo a vitória de Dilma, convém que votemos no adversário dela.

Anápolis, 11 de outubro de 2014.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis

[2]Art. 1º - O Partido dos Trabalhadores (PT) é uma associação voluntária de cidadãos e cidadãs [...] com o objetivo de construir o socialismo democrático”.
[3] Resoluções do 3º Congresso do PT, p. 82. in: http://old.pt.org.br/arquivos/Resolucoesdo3oCongressoPT.pdf
[4] Partido dos Trabalhadores. Estatuto, art. 140, c in: http://old.pt.org.br/arquivos/ESTATUTO_PT_2012_-_VERSAO_FINAL_registrada.pdf
[5] DN suspende direitos partidários de Luiz Bassuma e Henrique Afonso. Notícias. 17 set. 2009, in: http://www.pt.org.br/portalpt/documentos/dn-suspende-direitos-partidarios-de-luiz-bassuma-e-henrique-afonso-254.html
[6] Lei 12.845/2013, que “dispõe sobre o atendimento obrigatório e integral de pessoas em situação de violência sexual”.
[7] Tais “conselhos” foram criados pelo Decreto 8243, de 23 de maio de 2014.

quinta-feira, outubro 16, 2014

Comentários Eleison: Lançamento de "Website"

Comentários Eleison – por Dom Williamson
CCCXXVIII (378) - (11 de outubro de 2014): 

LANÇAMENTO DE WEBSITE


            Foi recentemente lançado na internet, no dia da festa de Nossa Senhora do Rosário, um website que pode ser de sério interesse para os leitores regulares destes “Comentários Eleison”: www.stmarcelinitiative.com. Ele oferecerá em inglês e italiano o último número dos “Comentários” e todos os anteriores desde 2007; e em francês, alemão e espanhol o último número e pelo menos os dos últimos cinco anos. E para os leitores que preferem ler em papel a fazê-lo numa tela eletrônica, o website oferecerá vários meios para escolher edições antigas e imprimi-las em conjunto.

            Uma segunda seção do website, “Livros e Palestras”, disponibilizará cópias em papel dos dois primeiros dos quatro volumes das “Cartas do Reitor” de Dom Williamson escritas nos EUA entre 1983 e 2003, gravações de seus sermões e conferências, e de todos os seminários existentes do Dr. White sobre literatura. Mais uma vez a eletrônica moderna propiciará uma variedade de meios para se pesquisar essas gravações e fazer o seu download, mas apenas umas poucas estarão ao mesmo tempo em áudio e vídeo. Pedidos de compra podem ser feitos também pelo telefone, discando + 1844 SMI SHOP, ou seja, 1 (844) 764-7467.

            Os católicos – e não católicos! – que ainda não estão familiarizados com as gravações literárias do Dr. White deveriam aproveitar essa oportunidade para ver como ele usa os clássicos da literatura mundial como uma ponte para conectar a Fé ao mundo à nossa volta. O espaço entre esses dois aumenta a cada dia. Os católicos conciliares tentaram adaptar a Fé de ontem ao mundo de hoje, e muitos perderam sua Fé no processo. Os católicos tradicionais são levados a menosprezar tanto o mundo de hoje, considerando-o como irremediavelmente perdido, quanto a literatura mundial, por considerem-na como irremediavelmente “não espiritual”, e a Fé de muitos deles têm se distanciado muito da realidade nesse processo. Dr. White tem tanto uma fé firme, como uma compreensão sólida do mundo real que hoje nos circunda, e seu domínio da literatura mundial lhe permite dar sentido a ambas para inúmeras almas, velhas e jovens, que de outro modo cairiam em uma desesperada esquizofrenia mental. Altamente recomendado.

            Uma terceira seção do website é referente às “Doações”. Ela apresentará uma variedade similar de meios eletrônicos de doação para ajudar a manter um oásis de, espera-se, bom senso no meio do atual deserto de absurdidades. Também deverá ajudar os benfeitores a doarem o quanto quiserem, quando quiserem, no horário em que quiserem, e com facilidade. Na realidade, só a despesa para configurar o website já tem sido bastante alta. Pensamos que com o tempo ele deveria provar o seu valor, mas essa tem sido uma razão a mais para que nós apelemos desde já para a generosidade de vocês. Agradecemos antecipadamente.

            A quarta seção é intitulada “Informação”. Ela dirá um pouco sobre a St Marcel Initiative, sobre como o site opera, e sobre o que Dom Williamson tem feito e espera fazer. Contudo, novidades sobre seus futuros compromissos deverão ser disponibilizadas com certa cautela, pois ele não tem apenas amigos ao redor do mundo.

            A Internet tem sérios perigos e inconvenientes, mas não há dúvida de que por uma variedade impressionante de meios eletrônicos há muitas verdades que não podem ser encontradas em nenhum outro lugar. Nós esperamos gentilmente que esse novo site contribua com essa reserva de verdades. Muito trabalho tem sido feito para reuni-las, e além da contribuição de muitos trabalhadores, a de muitos benfeitores também tem sido indispensável. Nós agradecemos sinceramente a todos os interessados. Possa Deus retribuir a cada um deles, a cada um de vocês.


Kyrie eleison.          

Sobre o Purgatório - Parte I



O Purgatório é um Dogma da Fé
Por Dr. Remi Amelunxen
Traduzido por Andrea Patrícia



  Nossa Senhora provê consolo para as Pobres Almas no Purgatório

Os temas do Privilégio Sabatino, das Trinta Missas Gregorianas e das indulgências foram abordados para mostrar sua vantagem na libertação de almas do Purgatório. O que segue é uma apresentação mais detalhada daquele muito esquecido – se não negado – dogma do Purgatório, o lugar onde as almas dos membros da Igreja padecente fazem expiação dos seus pecados.
Na sua época, São Francisco de Sales (1567-1622) deplorou como os nossos falecidos são esquecidos, afirmando: “A memória deles parece perecer com o som dos sinos funerários.” (1) Como o jesuíta Pe. François Xavier Schouppe afirma em seu brilhante livro Purgatory Explained, “as principais causas desse esquecimento são a ignorância e a falta de fé; nossas noções sobre o Purgatório são vagas demais e nossa fé débil demais.”
Para corrigir estas deficiências, ele apresenta três fontes de luz para elucidar os fieis sobre a grande importância desse assunto: a doutrina da Igreja, os ensinamentos dos Doutores da Igreja e dos teólogos, e a revelação dos Santos.
Ensino dogmático sobre o Purgatório

A Igreja apresenta duas verdades claramente definidas como dogmas da fé: primeiro, existe um Purgatório; segundo, as almas que estão no Purgatório podem ser assistidas pelo sufrágio dos fieis, especialmente pelo Santo Sacrifício da Missa.

 
Em resposta a Revolução Protestante, o Concílio de Trento reafirmou a existência do Purgatório como já ensinada no Primeiro Concilio de Lion. Ele também instruiu Bispos a ensinar e pregar por toda parte a sadia doutrina da Igreja sobre o Purgatório para que seja mantida e acreditada pelos católicos. Eis três importantes citações dos Cânones de Trento:
Sessão 255 (1563) – Decreto sobre o Purgatório – Desde que a Igreja, instruída pelo Espírito Santo, ensinou nos Sagrados Concílios e muito recentemente em seu Concílio Ecumênico, seguindo as Sagradas Escrituras e a tradição antiga dos Pais, de que há um Purgatório, e que as almas lá detidas são auxiliadas pelos sufrágios dos fieis e sobretudo pelo aceitável Sacrifício do Altar, o Santo Concílio ordena que os Bispos empenhem-se diligentemente para que a sã doutrina do Purgatório, transmitida pelos Pais e pelos Sagrados Concílios, seja acreditada e mantida pelos fieis de Cristo, e seja ensinada e pregada por toda parte.
Sessão 6 (1547) - Cânon 30 – Se alguém diz que após receber a graça da justificação [Sacramento da Penitência], o culpado é totalmente remido e o débito da punição eterna é então apagado para cada pecador arrependido de modo que nenhum débito de punição temporal permanece para ser quitado tanto neste mundo quanto no Purgatório, antes que os portões do Paraíso possam ser abertos, seja anátema.

Sessão 14 (1551) - Cânon 12 – Se alguém diz que Deus sempre perdoa toda a pena juntamente com a culpa e que a satisfação [pelo pecado] feita pelos penitentes não é senão a fé pela qual eles percebem que Cristo tenha satisfeito por eles, seja anátema.
Cânon 13 – Se alguém diz que a satisfação pelos pecados, quanto a sua punição temporal, de modo algum é feita a Deus através dos méritos de Cristo pelas punições infligidas por Ele e pacientemente suportadas, ou por aquelas [penitências] impostas pelo sacerdote, ou mesmo aquelas voluntariamente empreendidas como jejuns, orações, esmolas ou quaisquer outras obras de piedade, e que, portanto, a melhor penitência é meramente uma vida nova, seja anátema.
Cânon 14 – Se alguém diz que as satisfações pelas quais os penitentes expiam pelos seus pecados através de Cristo não são um culto a Deus, mas sim uma tradição dos homens, que obscurecem a doutrina da graça e verdadeiro culto a Deus e o próprio benefício da morte de Cristo, seja anátema.

Desta doutrina fica claro que a existência do Purgatório é um dogma da Igreja Católica e aqueles que o negam não podem chamar a si mesmos de católicos.

O valor das revelações privadas

As revelações feitas aos Santos, chamadas de revelações privadas, não pertencem ao Depósito da Fé confiado por Nosso Senhor Jesus Cristo à Sua Igreja. Elas são fatos históricos, baseadas no testemunho humano que nós podemos não acreditar e ainda assim não pecar contra a fé. Mas como elas são autenticadas, nós não podemos rejeitá-las sem ofensa contra a razão, que exige assentimento à verdade quando adequadamente demonstrada.
As revelações privadas são de dois tipos: visões e aparições. Visões são luzes subjetivas infusas por Deus para compreensão de pessoas escolhidas para revelar Seus mistérios. Tais são as visões de muitos Profetas e Santos para transmitir sobrenaturalmente verdades espirituais para o homem.
Três impressões digitais queimadas sobre a capa do livro de orações por uma Pobre Alma – veja a história aqui

Aparições são fenômenos objetivos que podem ser provados por evidência material exterior às pessoas que as receberam. Aparições das almas do Purgatório são frequentes e podem ser provadas pelos objetos que elas tocaram que foram marcados com impressões de fogo. Tais aparições são encontradas em grande número na vida dos Santos.
Evidências concretas deixadas para trás por estas almas foram coletadas por um sacerdote no século XIX, Pe. Victor Jouet, e depositadas num especial Museu das Pobres Almas em Roma. Você pode ler sobre estes artefatos aprovados pela Igreja aqui e aqui.
Deus permite aparições deste tipo para alívio das almas bem como para inspirar nossa compaixão e orações por elas. Elas também servem para enfatizar como são terríveis os rigores de Sua Justiça contra aquelas faltas que nós infelizmente consideramos apenas triviais.
Nossa Senhora consola as Pobres Almas

As almas da Igreja Padecente sempre imploraram os sufrágios dos membros da Igreja Militante. Nossas orações e oferecimentos em nome delas são uma fonte de tremendo alívio para elas. Para os viventes, este é um meio de maior santidade.
Uma grande consolação para as almas do Purgatório são as visitas da Santíssima Virgem Maria. Nas Revelações de Santa Brígida, a Rainha do Céu chama a si mesma pelo lindo nome de “Mãe das Almas do Purgatório, a Mãe daqueles que estão no lugar de expiação.” Ela continua: “Minhas orações mitigam os castigos infligidos nos pecadores por suas faltas.” (2)
Nossa Senhora exercita sua misericórdia no Purgatório especialmente nos Sábados e nas suas diferentes festas, que tornam-se dias festivos no Purgatório. Como visto nas revelações de muitos Santos, no Sábado – o dia especialmente consagrado a ela, Nossa Senhora desce aos calabouços do Purgatório para visitar e consolar aqueles devotados a ela. De acordo com crença piedosa, ela livra as almas que usaram o escapulário e que merecem o Privilégio Sabatino, e então alivia e consola as outras almas que praticaram verdadeira devoção a ela.

Um anjo provê alívio para uma alma no Purgatório

Uma testemunha disso foi a Venerável Irmã Paula de Santa Teresa, uma religiosa Dominicana do Convento de Santa Catarina em Nápoles. Num Sábado ela sentiu-se em êxtase e foi transportada em espírito ao Purgatório, que estava transformado num paraíso de delícias, iluminado por luz brilhante em vez de trevas. Então ela viu a Rainha do Céu cercada por Anjos, a quem ela dava ordens de libertar aquelas almas especiais e conduzi-las ao Paraíso. (3)
O dia de festa da gloriosa Assunção parece ser um dia de especial libertação. São Pedro Damiano afirma que neste dia, a Mãe Santíssima liberta vários milhares de almas. (4) Isso acontece porque Nossa Senhora encanta-se em introduzir seus filhos na Glória do Céu no dia em que ela mesma teve a visão beatífica.

Além das consolações recebidas pela Mãe Santíssima, as Pobres Almas são também consoladas pelos Santos Anjos, especialmente pelos seus Anjos da Guarda. Os Doutores da Igreja ensinam que a missão protetora dos Anjos da Guarda termina somente com a entrada de seus protegidos no Paraíso.
Se, no momento da morte, uma alma em estado de graça ainda não é digna de ver a face de Deus, o Anjo da Guarda conduz a alma ao lugar de expiação e permanece lá para buscar para aquela alma toda a assistência e consolação em seu poder. (5) O objetivo do devotado Guardião é ajudar aquela alma a entrar em seu lar no Céu.
Na aparição a Santa Margarida de Cortona que estava rezando pelas Pobres Almas do Purgatório, Nosso Divino Redentor disse a ela: "As dores que elas suportam são muito grandes, mas seriam incomparavelmente maiores se elas não fossem visitadas e consoladas por Meus Anjos, cuja visão as conforta em seus sofrimentos e as refresca em sua purificação." (6)
Estas revelações são perfeitamente consistentes com o ensino da Igreja. De acordo com muitos Doutores da Igreja, os Anjos da Guarda informam às almas do Purgatório quem são seus benfeitores e as exorta a rogar por eles.
A Venerável Agnes de Jesus, que viveu em constante intercurso familiar com os Santos Anjos, relata muitas aparições nas quais ela viu os Anjos da Guarda intercedendo por seus protegidos, trazendo-lhes consolações em meio as chamas onde eles sofriam, e levando-os ao Céu quando o tempo da expiação havia chegado ao fim. (7)
Nossa Senhora e os Santos Anjos são intermediários naturais entre o Purgatório e a Terra, assim como são entre o Céu e o Purgatório. Que consolação para aqueles que durante suas vidas mostraram devoção a Santíssima Virgem e aos seus Anjos da Guarda!

(Continua)
F. X. Schouppe, Purgatory Explained by The Lives and Legends of the Saints, Rockford: TAN, 2006, p. xxxiii
  1. Revel: 8, Brig., lib. 4, c 50, in ibid., p. 178
  2. Rossign., Merc., 50; Marchese, tom. i., p. 56, in ibid., p. 180
  3. Opusc. 34, c.3,f.2, in ibid., p. 180
  4. Rev. H. Faure, S.M., The Consolations of Purgatory, Benzinger Bros, 1912, p. 65
  5. Ibid.
  6. Ibid, p. 66

Original aqui.

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