Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Mente sã em corpo são

Por Sertillanges


Consagrai todos os dias algum tempo a exercícios corporais. Lembrai-vos da observação dum médico inglês: "Quem não encontra tempo para fazer ginástica, há-de encontrá-lo para estar doente". Se não podeis exercitar-vos ao ar livre, não faltam métodos excelentes que suprem essa deficiência. O de J.-P. Muller, é um dos mais inteligentes; mas existem outros(1).

O trabalho manual suave e distractivo é igualmente precioso para o espírito e para o corpo. Os antepassados sabiam-no muito bem; mas o nosso século zomba da natureza. Por isso a natureza vinga-se. Reservai-vos todos os anos, e no decurso do ano, férias para descansar a sério. Não quero dizer que vos abstenhais de todo o trabalho, pois isso afrouxaria faculdades naturalmente activas, mas sim que predomine, nesses períodos de tempo, o repouso, o ar livre e o exercício em plena natureza.

Cuidai da alimentação. Uma alimentação leve, simples, moderada em quantidade e em qualidade, permitir-vos-á trabalhar com mais prontidão e liberdade. O pensador não passa a vida em sessões de digestão.

Cuidai mais ainda do sono: não seja demasiado nem escasso. Demasiado, embrutece e entorpece, espessa o sangue e o pensamento; escasso, expõe-vos a prolongar e a sobrepor perigosamente as excitações do trabalho. Observai-vos; no que respeita ao sono, como ao alimento, encontrai a justa medida que vos convém e proponde não sair dela. Não se pode marcar aqui lei comum.

Em suma, o cuidado do corpo, instrumento da alma, é, para o intelectual, virtude e prova de sabedoria. S.Tomás reconhece isso mesmo e classifica esta sabedoria do corpo entre os elementos que concorrem para a felicidade temporal, incentive da outra(2). Não vos torneis raquíticos, malogrados possivelmente futuros idiotas, velhos antes do tempo, portanto ecónomos insensatos do talento que o Mestre lhes confiou.


( 1) J.P. Muller, O meu sistema, trad. Port., Lisboa, Bertrand.
( 2) Contra os Gentios. III, Cap. 141.


Do livro "A Vida Intelectual", de A. D. Sertillanges.
vida

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

35 atos de bondade

Por Sheila Morataya
Traduzido e adaptado por Andrea Patrícia



A capacidade para a bondade existe em cada uma de nós sem exceção alguma. Não importa o tipo de dor que você tenha sentido em sua vida, essa capacidade nunca é destruída.


Nos dias de intenso movimento que nos toca viver, muitas vezes e sem nos dar conta nós vamos caindo em uma rotina com os nossos, os vizinhos, colegas de trabalho e pessoas em geral sem nos dar conta. É a rotina do esquecer-se de ser amável, atenta, e bondosa, pois estás constantemente competindo e trabalhando por objetivos. Você tem que alcançar as metas que tem a companhia para sobreviver na selva do marketing.

Entretanto, seu coração experimenta sentimentos de profunda ternura quando um dia como outro qualquer você topa repentinamente com um ato de bondade de alguém a quem não conhece. Como aconteceu com meus amigos ao passar pelo guichê de pedágio em uma congestionada estrada da cidade de Chicago. Ao estender sua mão para pagar os 50 centavos de dólar o guardião da mesma lhes disse: “sigam seu caminho amigos, pois a pessoa que ia adiante pagou por vocês e desejo a vocês um feliz dia”. Que bonito não? Atos de bondade na aparência insignificantes, mas que tocam o coração de uma forma especial e lhe fazem pensar na bondade que há em cada coração humano. É bom observar detalhes em pessoas que muitas vezes você não conhece e que lhe fazem crescer como mulher. Não sabemos como um destes atos pode alegrar o dia dessa pessoa como aconteceu com meus amigos.

A seguir dou algumas idéias para que você também se anime a implementá-los em sua vida.

1- Dê um bom dia com um grande sorriso à pessoa que vai subir contigo no elevador.
2- Pague o pedágio para a pessoa que passará depois de ti.
3- Tome alguns minutos para orientar a uma pessoa que está perdida, embora tenha pressa.
4- Escreva uma carta ao filho que necessita um pouco mais de sua atenção.
5- Ofereça-se para ir a fazer as compras no supermercado para uma pessoa idosa.
6- Dê a um mendigo seu almoço desse dia.
7- Diga “te amo” a alguém que você ame.
8- Se você comprou dois novos trajes, procura dar de presente um deles.
9- Envie flores a uma amiga que não tem tempo de ver.
10- Leve o café para o seu assistente.
11- Quando disser obrigado e por favor trate de dizê-lo diretamente de dentro do seu coração.
12- Escute com todos seus sentidos.
13- Não interrompa quando alguém esteja dando seu ponto de vista.
14- Embora a pessoa não tenha a razão passa-o por alto para promover a harmonia.
15- Deixe que um condutor agressivo te tire o passo sem te encolerizar.
16- Sorria para a caixa do supermercado especialmente se ela não te der um sorriso.
17- Ponha seu carrinho de supermercado de novo em seu lugar.
18- Escreva a uma professora que tenha sido importante em sua vida.
19- Leve uma caixa de confeitaria fina para compartilhá-la no escritório. Surpreenda-os!
20- Esquece a dívida que uma amiga tem para contigo e nunca mais o recorde.
21- Escreva uma nota ao chefe de uma pessoa que colaborou muito contigo e lhe explique o maravilhoso trabalho que essa está pessoa fazendo.
22- Simplesmente diga “sinto muito” quando cometer um erro.
23- Quando for ao cinema, a um piquenique ou visitar um parque recolha o lixo.
24- Manifeste simpatia a alguém que é arrogante.
25- Atenda ao telefone amavelmente embora não esteja de bom humor.
26- Deixa uma gorjeta generosa para o quem te serviu no restaurante.
27- Ensine alguém a dirigir.
28- Ensine um menino a ler.
29- Ensine com muita paciência a seus filhos a utilizar os talheres.
30- Embora morra de vontade de criticar a alguém não o faça.
31- Leve rosas a sua mãe sem motivo algum.
32- Abraça o seu papai e lhe diga quanto o quer bem.
33- Somente por este dia não discuta com seu cônjuge.
34- Somente por este dia compreenda a sua filha adolescente.
35- Somente por este dia faça um ato de bondade e sinta seu coração vivo.


Querida amiga, estas são apenas algumas idéias que pode levar a cabo se quer fazer uma diferença na vida de outros e que ajudam a crescer como mulher vivendo enfocada nas necessidades dos outros. Pois para levar a cabo estes “atos de luz” é preciso esquecer-se de si mesma sabendo que ao fazê-lo encontra todo o amor que reside em sua natureza feminina. É necessário que se anime a abrir seu coração cada vez mais e melhor. Consciente até a raiz última de ti mesma que como mulher ninguém pode manifestar estes atos de bondade e luz como você.

Cada vez que você estende parte de si mesma aos outros, dá-te conta de que estás intimamente unida a seus amigos, vizinhos, e inclusive àqueles com quem você não se dá bem. É por isso mesmo que a generosidade e a bondade têm o poder de te transformar e melhorar aos outros ao mesmo tempo em que também converte a ti em beneficiária do amor. Não o esqueça.

Original em Sheila Morataya
vida

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Dedique os frutos de suas ações a Deus e seja livre




Gostaria muito de sempre me lembrar de dedicar o fruto de minhas boas ações a Deus.  Quero mais e mais fazer isso. Também seria ótimo se eu não exigisse coisas em troca do que faço. Bom, isso cada vez mais em minha caminhada vai deixando de acontecer, mas acontece. Queria nunca ter que pedir ou pensar em querer nada em troca. Nada. Realmente gostaria de ter uma mente muito tranqüila que deixasse que Ele se encarregasse de trazer o que preciso.

Hoje em dia eu oro todas as manhãs oferecendo os frutos de minhas ações, pensamentos, sentimentos, tudo o que eu tiver ou que acontecer comigo, a Deus. Ofereço tudo a Ele.

Eu até oro assim: “Deus, se for de Sua vontade, que assim seja”. Mas há momentos que chega quase a doer ter de fazer uma oração dessas, pois a vontade que dá é de conseguir as coisas do meu jeito.Todo mundo quer algo, mas nem sempre sabe se aquilo é o melhor mesmo. Então o melhor é deixar que Aquele-que-Tudo-Sabe guie cada um até o que precisa.

“Deus ajuda a quem cedo madruga”. A verdade é que se eu fizer a minha parte, Ele faz a Dele. Não é assim? Mas nem tudo acontece como eu quero, quando eu madrugo e fico esperando porque nem tudo me convém. Ele sabe melhor do que eu o que é bom para mim. E qual o momento adequado para as coisas acontecerem.

Sim, sim é bom também lembrar de agradecer a Deus e a todas as pessoas. É graças a todos eles que eu aprendo, cresço e caminho rumo à felicidade eterna. Afinal de contas, a esperança é a última que morre!

É libertador oferecer os frutos das ações, pensamentos e sentimentos a Deus. Não consigo explicar isso, mas sinto essa liberdade. Simplesmente ao fazer isso eu vou abrindo mão do controle. Ao me entregar mais e mais a Ele, fico mais feliz, me sinto mais perto Dele, de alguma forma.
vida

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Amor, Liberdade, Retribuição e Desapego

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Quem ama liberta, dizem por aí. O que é amar? Às vezes é tão difícil entender isso.

Até onde vai a liberdade em um relacionamento? Até onde uma vontade sua torna-se uma proibição para o outro? Mesmo que você não tenha dito a palavra “proíbo”, o parceiro pode entender que está sendo limitado, coagido, proibido mesmo de fazer algo.

A pessoa que deseja ter o ser amado ao seu lado o tempo todo e impõe seu desejo, não está amando mesmo, está escravizando o outro...ou tentando fazê-lo.

Lidar com o outro - com seus gostos, vontades, medos – é algo tão delicado e tão complicado às vezes. Complica mais ainda quando se trata de relacionamento entre homem e mulher. Porque os dois são diferentes. Mesmo. Cada um exerga as coisas, age e reage de um jeito. O que para mim está claro como água pura, para o outro é a mais negra escuridão. Como lidar com isso? Como entender o outro? Será que dá para realmente compreender o parceiro? Um dia o homem vai entender a mulher e vice-versa? Creio que não totalmente. Mas até que é bom isso, pois sem um pouquinho de mistério não dever haver tanta graça.

Há momentos em que você coloca o seu ponto de vista sobre determinado assunto e este é justamente o oposto do que o outro pensa. Então tenta fazer com que o outro veja da mesma maneira que você vê. Diz: "percebe? Vê bem que é assim como estou dizendo?" E o outro olha com aquele ar de quem não consegue compreender nada. E ele até está tentando, em algum momento até ensaia dizer algo que pareça uma concordância com seu ponto de vista, mas daí acontece outro desentendimento e se não houver paciência e respeito os dois correm o risco de pôr tudo a perder.

O verdadeiro amor traz consigo o desapego. Mas aí está algo muito difícil de fazer: desapegar-se! O apego gera ciúme, dor, egoísmo, mágoa. Então o que fazer? Abandonar tudo e se mudar para o alto do Himalaia ou entrar para um convento? Não penso assim. Não adianta fugir. Erramos e devemos aprender com os erros. Claro que nem sempre é isso o que acontece. Podemos melhorar? Sim, e devemos trabalhar nisso.

É importante aceitar as falhas. E procurar se reerguer a cada queda. E é muito importante entender que o outro tem qualidades e defeitos do mesmo jeito que você. E que ele também quer acertar.

Se existe amor, existe também mais vontade de fazer dar certo uma relação. E ao mesmo tempo o melhor é desapegar da idéia de fazer dar certo a qualquer custo.

Apenas amar sem exigir algo em troca. Deus é assim. Ele ama e não exige nada como retribuição. Mas ah, como é difícil amar sem querer nada em troca!

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Sexualidade humana e família

Alguns trechos do documento Sexualidade Humana: verdade e significado, do Conselho Pontifício Para a Família, selecionados e grifados por Julie Maria.


66. O processo de maturação de cada criança como pessoa é diferente, pelo que os aspectos que tocam mais a sua intimidade, tanto biológica como afetiva, devem ser-lhe comunicados por meio de um diálogo personalizado.6 No diálogo com cada filho, feito de amor e confiança, os pais comunicam algo do seu próprio dom de si, o que os torna capazes de testemunhar aspectos da dimensão afetiva da sexualidade, de outro modo não transmissíveis.


67. A experiência demonstra que este diálogo se desenvolve melhor quando o « pai » que comunica as informações biológicas, afetivas, morais e espirituais, é do mesmo sexo da criança ou do jovem. Conhecedoras do papel, das emoções e dos problemas do próprio sexo, as mães tem um laço especial com as suas filhas, e os pais com os filhos. É preciso respeitar estes laços naturais; por isso, o « pai » que se encontre só deverá comportar-se com grande sensibilidade ao falar com um filho de sexo diverso, e poderá decidir confiar os aspectos particulares mais íntimos a uma pessoa de confiança do mesmo sexo da criança. Para esta colaboração de caráter subsidiário, os pais podem servir-se de educadores conscienciosos e bem formados no âmbito da comunidade escolar, paroquial ou das associações católicas.


68. 2. A dimensão moral deve sempre fazer parte das suas explicações. Os pais poderão pôr em realce que os cristãos são chamados a viver o dom da sexualidade segundo o plano de Deus que é Amor, isto é, no contexto do matrimônio ou da virgindade consagrada ou ainda no celibato.7 Deve-se insistir no valor positivo da castidade, e na capacidade de gerar verdadeiro amor para com as pessoas: este é o seu aspecto moral mais importante e radical; só quem sabe ser casto saberá amar no matrimônio ou na virgindade.

vida

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Culpa e penitência

vida



Quando uma vez se tropeça e cai é preciso ter cuidado para que isso não se torne um hábito. Comemos do fruto proibido e cá estamos todos enrodilhados até o pescoço. Por causa de caprichos abrimos feridas que parecem não cicatrizar nunca.

Viver a fugir da contemplação dos olhos de sangue da destronada, chorar por ter causado o amargor na juventude despreocupada de alguém.

Sentir doer o coração e a alma, lacerada pelo erro. A culpa pesa mais que chumbo. A dor do vencedor é leve para o que tudo perdeu.


Pensando em fazer o bem levamos o mal a tiracolo. Que remédio?


Misericórdia.

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Entrevistas concedidas por Paul Johnson

Trechos das entrevistas concedidas por Paul Johnson ao jornalista Geneton Moraes Neto e a Revista "Veja".

GMN – Qual foi o pecado capital do século XX?

Paul Johnson – É o que chamo de relativismo moral: a negação de que haja valores absolutos. Acontece que há coisas que são absolutamente certas e outras que são absolutamente erradas, sim! O relativismo moral afirma – pelo contrário - que todo bem ou todo mal é relativo. Todos os valores seriam relativos, portanto.

Vejo o relativismo moral sob toda maldade totalitária e todo tipo de pecado do século XX. Precisamos voltar - acho que já estamos voltando - a cultivar valores absolutos.

GMN – O senhor diz que já não há uma idéia absoluta sobre o que é errado e o que é certo. Pode dar um exemplo do que é certo e do que é errado, no mundo de hoje?

Paul Johnson – O exemplo mais comum é o da sexualidade humana. A maioria das pessoas da minha geração - que viveu a década de trinta - foi educada para acreditar que havia certos e errados absolutos na sexualidade humana. É um fato que o relativismo moral esconde e ofusca. Crianças de hoje não aprendem que há certos e errados! Aprendem que devem fazer o que os outros fazem. Isso é relativismo moral! É um grande mal. Devemos lutar contra ele.

GMN – O senhor se declara um combatente na guerra das idéias. Qual foi a pior e a melhor idéia política do século XX?

Paul Johnson – A pior idéia - que começou antes da Primeira Guerra, ainda por volta de 1910 - é a de que o Estado faz as coisas de uma maneira melhor do que os indivíduos. Mas há poucas coisas em que o Estado é melhor que o indivíduo. A verdade é que a idéia de que o Estado age bem é a pior de todas. Aprendemos agora esta lição. A melhor idéia é a seguinte: sempre que possível, os indivíduos devem ser deixados sós para fazerem o que puderem com os próprios recursos. Quanto maior a liberdade, maior a justiça, maior a eficiência e maior a felicidade humana.

O Brasil é um desses países que têm um futuro incrível. Chegará a esse futuro, dourado e glorioso, se acreditar mais em liberdade individual e menos no Estado.

GMN – Por que o senhor diz que a mentalidade politicamente correta é uma nova forma de totalitarismo?

Paul Johnson – Não gosto que venham me dizer como pensar,que palavras e expressões devo ou não usar. Para mim, esta é a origem do totalitarismo. Hoje, o totalitarismo vem começando de novo, no campus das universidades, nos Estados Unidos, sob o disfarce politicamente correto. Temos de lutar – muito! - contra este fenômeno, antes que o totalitarismo disfarçado de posições politicamente corretas se estabeleça de verdade.

GMN – Quanto o senhor pagaria por um quadro de Picasso? Por que o senhor é tão rigoroso na hora de julgar mestres da arte moderna, como Picasso e Cézanne?

Paul Johnson – A arte precisa ter um propósito moral. Acontece que nunca pude detectar qualquer propósito moral claro na obra de Picasso. Era um homem perverso e imoral. Não vejo, em nenhuma de suas obras, um esforço para mostrar a arte com um propósito moral. Tal esforço é a essência do grande artista. Então, desconsidero Picasso completamente.

GMN – A obra mais famosa de Picasso, "Guernica", é uma denúncia contra a violência do totalitarismo. Por que é,então, que o senhor diz que não havia nenhum sentido moral na obra de Picasso?

Paul Johnson – Porque Picasso não lutava contra o totalitarismo! Picasso não era comunista: era stalinista! Ficou do lado da União Soviética totalitária, durante quase toda a vida. É um escândalo! Não acreditava na liberdade, exceto para si próprio.

GMN – O senhor diz que a religião aprendeu a absorver todos os impactos da ciência. Agora que até seres humanos podem ser criados em laboratório, o senhor acredita que a fé religiosa vai sobreviver?

Paul Johnson – A rapidez no avanço da ciência, especialmente nas ciências da vida – aquelas que afetam os seres humanos – vem tornando a religião mais importante do que nunca. Porque, em cada estágio do avanço da ciência, devemos trazer Deus à discussão. Devemos dizer: "Isso é moral? É Justo? É algo que se encaixa no plano divino para a Humanidade? Ou é algo que vai contra ele?". O fator "Deus" na ciência é, hoje, mais importante do que nunca.

GMN – O senhor consegue irritar as feministas e os esquerdistas com suas opiniões. Os dois são seus inimigos prediletos?

Paul Johnson – Não sou, certamente, um inimigo das feministas. Sou pró-mulher: acredito que o século XXI será o século das mulheres. Dei palestras em Londres para milhares de senhoras japonesas : disse que elas têm o dever de tomar o poder que hoje parece disponível para elas no Japão – que era uma sociedade muito machista. Sou muito a favor das mulheres. Quanto à esquerda, não gosto de dividir pessoas em setores rígidos - esquerda e direita. Posso até dizer que sou radical - especialmente nas questões femininas, por exemplo. O meu ponto de vista é o de que todos os assuntos devem estar abertos à discussão. Não estou do lado da esquerda ou da direita: estou do lado da razão e da justiça.

Veja – O senhor escreveu que o desenvolvimento social e tecnológico humano não avançou tanto quanto poderia por causa da eterna batalha entre duas forças antagônicas do homem: sua criatividade e sua capacidade de crítica e destruição. Como assim?

Paul Johnson – Os seres humanos são naturalmente criativos. Amam criar. Também são apaixonados pela destruição e pela crítica. Acredito que todas as artes – sendo que considero formas de arte a política, o desenvolvimento tecnológico, econômico e social, assim como a pintura e a literatura – necessitam dessas duas forças antagônicas. É a tese, a antítese e a síntese. Mas é vital que a criatividade, a tese, supere seu adversário e vença, pois só ela pode garantir o progresso. Não tenho dúvida de que, se houvesse apenas a criatividade, a humanidade teria avançado muito mais rapidamente.

Veja – O senhor poderia citar exemplos de forças destrutivas que impediram um avanço maior da nossa civilização?

Paul Johnson – O exemplo mais primário disso é o marxismo. Marx compreendeu mal o capitalismo, foi desonesto com as evidências e sua contribuição para o mundo foi totalmente negativa. Graças a ele e a outros pensadores, por mais de um século muitos países perderam a chance de crescer economicamente. Seus povos deixaram de ter acesso à informação e à liberdade, fundamentais para o processo criativo, milhares de pessoas foram mortas injustamente e muito dinheiro foi jogado fora em vez de ser usado para a melhoria da qualidade de vida. Não há absolutamente nada a dizer em favor do marxismo.


Fonte: Allor Mi Dolsi