sábado, julho 19, 2014

Comentários Eleison: A Prioridade da Tradição

Comentários Eleison – por Dom Williamson
CCCLXVI (366) - (19 de julho de 2014): 

A PRIORIDADE DA TRADIÇÃO


            A palavra “Magistério”, que vem do latim para “mestre” (“magister”), significa na Igreja tanto o ensinamento autorizado da Igreja como seus Mestres autorizados. Pois bem, da mesma forma que um mestre é superior ao ensinado, o Magistério é superior ao povo católico que é por ele ensinado. Mas os Mestres católicos têm livre-arbítrio, e Deus lhes dá liberdade para errar. Assim, se eles erram gravemente, pode o povo resistir e dizer, todavia respeitosamente, que estão errados? É na verdade que se encontra a resposta, e por isso a pergunta pode se tornar confusa quando a maioria das pessoas dela se distancia, tal como acontece nos dias de hoje.

            Por um lado é certo que Nosso Senhor dotou a Sua Igreja com uma autoridade de ensino, para ensinar a nós, seres humanos falíveis, que só a Verdade pode nos levar para o Céu – “Pedro, confirma teus irmãos”. Por outro lado, Pedro devia apenas confirmá-los na fé que Nosso Senhor lhe havia ensinado – “Eu roguei por ti, para que a tua fé não falte; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22, 32). Em outras palavras, essa fé governa Pedro, que tem como função apenas guardá-la e expô-la fielmente, tal como foi depositada nele, o Depósito da Fé, que deve ser transmitido para sempre como Tradição. A Tradição ensina a Pedro, que então ensina ao povo.

            O Vaticano I (1870) diz a mesma coisa. Os católicos devem crer em “todas as verdades contidas na palavra de Deus ou naquelas transmitidas pela Tradição”, que a Igreja propõe, por meio de seu Magistério Extraordinário ou Ordinário Universal (recorde-se que sem a Tradição em seu sentido mais amplo não haveria a “palavra de Deus”, ou seja, a Bíblia), como divinamente revelada. O Vaticano I diz ainda que seu Magistério é dotado da infalibilidade da Igreja, mas essa infalibilidade exclui o ensinamento de qualquer novidade. Então, a Tradição em seu sentido amplo governa o que o Magistério pode dizer que ela é, e enquanto o Magistério tem autoridade para ensinar dentro da Tradição, não tem autoridade para ensinar ao povo qualquer coisa fora dela.

            No entanto, as almas precisam de um Magistério vivo para ensiná-las a verdade da salvação dentro da Tradição católica. Essas verdades são imutáveis, assim como Deus ou a Sua Igreja, mas as circunstâncias do mundo onde a Igreja opera mudam constantemente, e assim, de acordo com a variedade dessas circunstâncias, a Igreja precisa de Mestres vivos a fim de variar frequentemente as apresentações e explicações das verdades invariáveis. Portanto, nenhum católico em seu juízo normal contesta a necessidade que se tem dos Mestres vivos da Igreja.

            Mas e se esses Mestres alegam que há algo dentro da Tradição que, na realidade, não está lá? Por um lado, eles são homens instruídos, autorizados pela Igreja a ensinar ao povo, e o povo é relativamente ignorante. Por outro lado, há o famoso caso do Concílio de Éfeso (428), onde o povo se insurgiu em Constantinopla para defender a Maternidade divina da Santíssima Virgem Maria contra o herético Patriarca Nestor.

            A resposta é que a verdade objetiva está igualmente acima dos Mestres e do povo, de modo que se o povo tem a verdade do seu lado, ele será superior aos seus Mestres caso estes não tenham a verdade. Por outro lado, se o povo não tem a verdade, não tem direito de se insurgir contra os Mestres. Em suma: se ele está com a verdade, ele tem o direito; se não está, não o tem. E o que diz se ele está com a verdade ou não? Nem (necessariamente) os Mestres, nem (menos necessariamente ainda) o povo, mas a realidade, mesmo que os Mestres ou o povo, ou ambos, estejam a conspirar para abafá-la.


Kyrie eleison.

segunda-feira, julho 14, 2014

Curso de Português de Carlos Nougué: Abertura das Inscrições


Abertura das Inscrições
 
• Hoje, ou seja, à zero hora da segunda-feira 14 de julho de 2014, abre-se o período de inscrições para o curso on-line de 60 horas Para Bem Escrever na Língua Portuguesa, do Professor Carlos Nougué. As inscrições devem fazer-se em nosso próprio site (cursos.questoesgramaticais.com.br), e o curso terá início no dia 11 de agosto próximo.
• Para informações globais sobre o curso (ementa, metodologia, material para imprimir, biografia do professor, etc.) e sobre tudo o mais que ele oferece (concursos, etc.), ver  Curso Para Bem Escrever na Língua Portuguesa. Para vídeos de demonstração, ver Vídeos do Professor.
• Para a resposta às perguntas ou dúvidas mais frequentes, ver FAQ.

domingo, julho 13, 2014

Comentários Eleison: O Acordo Já Está Aí

Comentários Eleison – por Dom Williamson
CCCLXV (365) - (12 de julho de 2014): 


O ACORDO JÁ ESTÁ AÍ


            Em 13 de dezembro do ano passado, na Casa de Santa Marta, em Roma, o Papa, que lá atualmente vive, encontrou-se brevemente com Dom Fellay, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. A Fraternidade nega oficialmente que esse encontro tenha tido algum significado, mas um tal de Giacomo Devoto (G.D.), um comentarista italiano que possui alguma familiaridade com o modus operandi de Roma, argumenta que há nisso provas de que foi estabelecido um acordo Roma-FSSPX. Vejam em: http://www.unavox.it/ArtDiversi/DIV812_Devoto_Notizia_intrigante.html  

Resumidamente:

            Na manhã do dia 13, Dom Fellay e seus dois Assistentes que integram a liderança da FSSPX, encontraram-se no Vaticano com os líderes da Comissão Ecclesia Dei por convite do Monsenhor Guido Pozzo, reintegrado à Comissão pelo Papa Francisco para tratar das relações problemáticas entre Roma e a FSSPX. Uma publicação oficial da Fraternidade, a DICI, alegou que esse encontro foi meramente “informal”; mas G.D. diz que, mesmo sendo informal, ele não pode ter ocorrido sem que tenha havido previamente uma série de contatos discretos com o propósito de reparar a ruptura das relações ocorrida em junho de 2012. G.D. acrescenta ainda que esse tipo de encontro é uma fase preliminar necessária para qualquer reunião “formal”.

            De qualquer modo, depois desse encontro, Dom Guido Pozzo, Dom Di Noia e os três membros da liderança da FSSPX foram almoçar na Casa de Santa Marta, onde o Papa normalmente almoça. Quando, após a refeição, este se levantou para sair, Dom Fellay foi ao seu encontro. Eles trocaram umas poucas palavras diante dos demais presentes, e o Bispo beijou-lhe o anel (ou ajoelhou-se diante dele para receber a benção, de acordo com o Vatican Insider de Roma). E mais uma vez DICI minimizou a importância do ocorrido afirmando não se tratar de nada mais que um encontro casual com uma espontânea troca de cortesias. De encontro a isso, G.D. mantém, e com razoabilidade, que mesmo tendo sido um encontro “casual”, não poderia ter ocorrido sem o consentimento do Papa.
           
            Além disso, diz G.D. que na arte da diplomacia tais encontros se dão para que suavemente se “quebre o gelo”, e proporcionam uma elasticidade na maneira de interpretá-los, destinada a significar muito ou pouco de certos aspectos, conforme se pretende. Por um lado, o contato cortês ocorreu de modo a ser notado por todos, em um lugar freqüentado por membros da Neoigreja, e ele poderia ser entendido como um apoio papal ao que ocorreu na reunião da manhã com a Comissão. Por outro lado, as circunstâncias permitiram que tanto Roma como a FSSPX pudessem negar com plausibilidade que o encontro tenha tido qualquer significado real para além de uma simples troca de cortesias.
           
            Assim, depois que os rumores começaram a circular no início deste ano, a FSSPX negou por meses que teria havido qualquer discussão sobre um acordo entre Roma e a FSSPX. Só no dia 10 do mês de maio é que a DICI admitiu ter havido algum contato entre o Papa e Dom Fellay, e então tentou minimizar demasiadamente a importância do evento, o que para G.D. foi um sinal claro de que um acordo havia sido estabelecido em privado. (Na política moderna, como diz o ditado cínico, nada pode ser tido por verdadeiro até que seja oficialmente negado.)

            Na realidade, o problema principal agora para o Papa Francisco e para Dom Fellay não é como chegar ao acordo pretendido por ambos, mas como fazer para que os mais progressistas e os mais conservadores aceitem tal acordo. Contudo, isso está sendo resolvido por eles no dia a dia, já que a Fraternidade, outrora gloriosa em sua defesa da Fé, está se transformando na ingloriosa Neofraternidade. Pois, efetivamente, quantos bispos da Neoigreja continuam a temer a Neofraternidade como uma ameaça à Neoigreja? E quantos sacerdotes da FSSPX continuam convencidos de que qualquer acordo com Roma seria um desastre, especialmente se lhes é prometido que “não terão de mudar nada”? Tal acordo dificilmente precisará ser anunciado. Em muitas mentes e corações ele já está aí.

Kyrie eleison.

quinta-feira, julho 10, 2014

Entrevista com o Bispo Williamson a respeito de posições controversas

Por Stephen Heiner
Traduzido por Andrea Patrícia




.
Esta entrevista é um dos resultados de quatro dias de conversação com o Bispo Richard Nelson Williamson quando era o reitor do Seminário da Fraternidade São Pio X, Nuestra Senora Corredentora, em La Reja, na Argentina.

Ao longo dos anos o Bispo Williamson explorou muitas questões relacionadas com a invasão da cultura anticatólica que nos rodeia. Muitos leram as cartas, mas poucos sabem muito sobre ele.


P- Vossa Excelência, por que suas palavras dividem tanto as opiniões?

R - Porque esse personagem Williamson é um dinossauro militante, não contente em ser extinto. Ele há muito tempo já chegou à conclusão de que o mundo moderno está muito errado. Mas o mundo moderno surgiu porque muitas pessoas acreditaram (e ainda acreditam) nele. Então, se ele se recusa a acreditar nele, não admira que haja um confronto.

P - Eu admito que costumava ser muito difícil para mim ouvir o que o senhor tinha a dizer. Eu não podia suportar as suas ideias, Vossa Excelência, nos meus primeiros anos de Tradição. Mas quanto mais eu aprendi mais sobre a minha fé e sobre a crise, mais eu percebi que eu não estava vendo o quadro inteiro, como o senhor estava.

A entrada da Wikipedia sobre Richard Williamson é uma verdadeira ladainha das posturas controversas de Williamson, com uma imagem encantadora de Julie Andrews em seu filme favorito. Deixe-me pedir breves relatos de suas ideias mais controversas:

Mulheres e calças

O Bispo de Castro Mayer disse que calças são piores nas mulheres do que as minissaias porque minissaias atacam apenas o homem inferior através da sensualidade, enquanto que as calças das mulheres atacam a parte superior do homem por perverter a própria ideia de mulher, colocando-a em roupas masculinas.

Cada vez que uma mulher coloca uma saia ou calça ela reconhece em si mesma, consciente ou inconscientemente, a diferença entre as duas para sua psique. São as mulheres que me dizem isso. É lógico.

Mulheres e Faculdade

Universidades verdadeiras são para ideias.
Meninas verdadeiras não são para ideias.
Meninas verdadeiras não são para universidades verdadeiras.

Isso levanta a questão, o que é verdadeiro para meninas?

Ser mãe, seja física ou espiritual. Em seu sentido mais amplo e nobre. A maternidade é sagrada. É o futuro da humanidade. A Mãe de Deus é a glória do Catolicismo.

Alegado antissemitismo

Só um tolo é contra os judeus, simplesmente porque eles são judeus. Deve haver pouquíssimos diretores de seminários católicos tradicionais, que tenham convidado, como eu fiz uma vez, um rabino judeu para palestrar para seminaristas. Por outro lado, apenas um católico que não entende a sua fé não é contra os inimigos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eu sou contra judeus ou gentios, que são inimigos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Maçonaria

A Maçonaria é uma organização secreta que tem sido repetidamente condenada pelos Papas Católicos em seu juízo perfeito, porque desde o início ela foi projetada para subverter a Igreja Católica. Há alguns maçons, talvez haja muitos deles, que não sabem que este é o propósito profundo da Maçonaria, e que deixariam de ser maçons se soubessem. No entanto, os Papas Católicos sempre souberam disso.

A Noviça Rebelde (The Sound of Music)

É subversivo. Por exemplo, Julie Andrews interpreta uma gatinha sexy que é uma irmã para filhas de seu marido, em vez de ser mãe, entre outras coisas. Em última análise, A Noviça Rebelde é uma apresentação falsa sobre maternidade, paternidade, família, autoridade, vida. Há mais, mas isso é suficiente.

Tecnologia

Em teoria, a tecnologia é um instrumento neutro aberto para ser usado para o bem ou para o mal, mas na prática, hoje em dia desempenha um papel enorme no materialismo do homem moderno, pois o homem moderno seria muito melhor espiritualmente, se ele não tivesse as tentações e distrações da tecnologia, especialmente dos eletrônicos.

Diz-se que o dino-bispo Williamsorus Rex, é excessivamente pessimista. Uma das cartas do padre Le Roux do Seminário mencionou recentemente que não somos uma religião de pessimismo ou otimismo, porque a virtude da Esperança supera tais ideias transitórias. Então deixe-me enquadrar a próxima série de perguntas para o senhor nos dizer onde vê esperança, e onde precisamos melhorar.

Famílias e Pais

Sempre que há famílias com grande número de crianças, algo está dando certo, de acordo com o plano de Deus. Quanto mais as famílias se expõem à tradição católica, mais vemos famílias numerosas no mundo.

No entanto, muitos pais mais jovens precisam pensar sobre o quanto mais eles precisam fazer a fim de garantir a salvação eterna de todos (leia-se: todos) os membros de sua família.

Mães

Quando eu costumava visitar os EUA, para a Crisma, eu via regularmente jovens mães com várias crianças pequenas. Estas mães eram, obviamente, femininas, felizes, e mulheres realizadas.

No entanto, mais e mais moças precisam receber ajuda para perceber que a sua verdadeira felicidade está na maternidade, com todos os seus vínculos e obrigações.

Adolescentes

Existem poucos pais de família que dão suficiente bom exemplo de levar a sua religião a sério para evitar que os meninos se afastem da prática de sua religião, como muitos o fazem, quando chegam aos 13, 14, 15 anos de idade.

No entanto, mais pais precisam manter os seus meninos longe de eletrônica ao lidar com o mundo real, em qualquer modo, tamanho ou forma. Além disso, os pais devem manter o difícil equilíbrio entre deixar seus meninos se contaminar pelo mundo e mantê-los em uma bolha de superproteção a qual os meninos são obrigados a estourar. Nenhum garoto digno desse nome quer viver na artificialidade, mesmo numa artificialidade piedosa.

Escolas

Nossa esperança aqui é a própria existência de escolas católicas tradicionais. É uma espécie de milagre que elas existam.

No entanto, as escolas católicas de hoje devem manter o mesmo equilíbrio difícil como os pais, ou seja, entre superproteger as crianças do mundo de hoje e desprotegê-las, o que naturalmente causa danos incalculáveis
​​aos seres humanos em seus anos mais jovens e vulneráveis. Ninguém finge que é um equilíbrio fácil de manter. Uma fé forte é necessária.

Paróquias

Como a família é a unidade básica da natureza, a paróquia é a unidade básica do sobrenatural. É encorajador ver quase-paróquias crescerem ao redor da Verdadeira Missa, em todo o mundo. Mas estas quase-paróquias sofrem grandes dificuldades de distância, podendo apenas se encontrar no domingo, e assim por diante. Assim, o sacerdote que garante uma missa dominical sabe que deve fazer o que puder para construir uma família sobrenatural em torno da Missa

Ambiente de trabalho

Em primeiro lugar, os homens devem, na medida do possível, ficar de fora do ambiente de trabalho de hoje. E as mulheres devem ficar em casa, onde esses homens devem fomentar e amar a maternidade de suas esposas.

Quanto aos homens, que devem estar no ambiente de trabalho de hoje, eles devem, pelo menos, perceber de quantas maneiras este ambiente é prejudicial ao seu bem-estar espiritual, e eles devem sabiamente agir da forma mais evasiva possível.

Mais e mais mulheres estão querendo ficar em casa. Isso é definitivamente esperançoso. Mas para isso tanto o pai quanto a mãe devem desejar e amar crianças. Porque, sem filhos, a mãe é susceptível de ser insuficientemente empregada em casa, e insuficientemente respeitada para ficar em casa.

Quanto aos homens, o desejo de fugir da cidade grande e moderna é certamente um sinal de sanidade. Se eles podem fazê-lo é outra questão.

Modos de vida

Muitos católicos tradicionais estão começando a ver a artificialidade radical da maneira suburbana [1] de vida. Isso é esperançoso.

Em termos gerais, a grande cidade moderna e subúrbios são ambiente totalmente anticatólicos. Em termos gerais, quanto mais uma família puder se manter afastada dos eletrônicos e retornar à natureza, ou o campo, melhor. No entanto, um retorno ao campo e à vida do campo, que é muito mais saudável para as crianças, precisa ser bem pensado e planejado de antemão, se é para ter sucesso e não falhar em seu propósito.

Um grande tema que o senhor fala muitas vezes é os “1950 ismos”. O senhor pode definir esse termo para os nossos leitores que não o conhecem?

É o tipo de catolicismo a partir da década de 1950 que nos levou ao colapso conciliar do Vaticano II. A aparência de religião sem a substância. Um sentimentalismo farisaico. Uma dieta espiritual de balas e doces. Como tentar viver de doces.

O antídoto é uma Fé forte que não quer fugir da realidade, a não ser para ir para o Céu. O Céu é real. Nenhum caminho irreal vai nos levar ao Céu real.

O senhor, como eu, acredita que o 11 de setembro foi um trabalho interno. Por que é tão difícil para os católicos tradicionais até mesmo ter a mente aberta para ouvir essa possibilidade? E o que o senhor diz sobre a acusação de que deve manter a questões religiosas e deixar de colocar questões laicas, neste caso, o assassinato de 3.000 civis, para leigos?

Bem, para responder a sua última pergunta, qualquer questão humana é essencialmente uma questão religiosa, e o 11 de setembro foi um trabalho tremendo feito nas mentes e vontades humanas.

Para a primeira pergunta, eu responderia que o 11 de setembro causou uma grande mudança no pensamento mundial. Pessoas foram movidas numa direção globalista. Então, deve-se examinar em primeiro lugar se o 11 de setembro foi uma fraude global, e se foi, então deve-se examinar se é produtivo ou contraprodutivo dizer isso.

No entanto, mesmo para começar a examinar os fatos, devemos divagar. Isto porque, para muitos queridos americanos, sua religião verdadeira é o seu governo. Para tais americanos, o 11 de setembro não pode ser uma fraude porque o seu governo maravilhoso não poderia fazer uma coisa dessas com eles!

Mas como poderia um governo secular se transformar em religião de um povo?

Porque os Estados Unidos estão unidos pela liberdade religiosa, o que significa que todas as religiões particulares contradizendo umas às outras não são sérias, nenhuma delas, deixando como fonte de unidade e da salvação da nação apenas seu governo secular. A liberdade religiosa é o porquê de muitos americanos tratarem o seu governo como a sua verdadeira religião, e por isso é claro que não podem lidar com a noção de o 11 de setembro ser uma fraude global.

O famoso político conservador-liberal do século XVIII na Inglaterra, Edmund Burke, foi um caso semelhante?

Sim, ele também queria glorificar uma revolução nacional, a chamada Revolução Gloriosa de 1688. Mais tarde, ele condenou a Revolução Francesa de 1789, mas o deslizar de um para o outro era inevitável, a menos que as almas se voltassem para o verdadeiro Deus, ou seja, para o Catolicismo.

E o deslizar para o Anticristo é agora inevitável? Posso fazer alguma coisa para impedi-lo?

Você e eu podemos abrandar o deslizar, permanecendo fiéis a Deus, mas pelas Escrituras, sabemos que o deslizar moderno termina com o Anticristo. O globalismo está em marcha. Mais rápido do que nunca.

Voltando à ideia do campo, no sermão do Arcebispo [Lefebvre] por seu jubileu sacerdotal na Festa de São Pio X, de 1979, em Paris, ele é citado como dizendo (e aqui estou citando a biografia de Tissier de Mallerais, p. 513) que as famílias deveriam “fazer a escola em casa, se possível, e voltar para o campo, que é saudável, aproxima de Deus, equilibra temperamentos, e nos encoraja a trabalhar”. Algumas pessoas disseram que esta citação “é fora de contexto”, mas dada a forma que o Arcebispo favoreceu o ambiente rural em Êcone, alguém pode seriamente sustentar que o Arcebispo não defendia regressar ao campo sempre que possível? E em que contexto isso poderia ser colocado como tendo um significado diferente?

Obviamente, o Arcebispo quis dizer o que disse. Inúmeros pensadores sérios, e não apenas católicos, têm entendido o quanto a grande cidade moderna é prejudicial para os seres humanos que vivem vidas humanas, quanto mais para chegar ao Céu.

O Arcebispo está apenas dizendo o que é o senso comum para qualquer um que tenha pensado sobre o assunto. Mas é claro que é um tanto exigente de bom senso. É por isso que alguém pode inventar uma desculpa conveniente para sair dela, como dizer que a citação está “fora de contexto”.

Em seguida ele diz “escola em casa quando possível”. Em uma entrevista com Bernard Janzen recentemente transcrita e publicada pela Angelus, o senhor foi citado como tendo dito que o ensino em casa é o segundo melhor. O senhor ainda se sente assim, e como pesa a sua resposta no contexto da citação do Arcebispo?

É muito simples. Três, dois, um.

O terceiro melhor ensino é o das escolas públicas corruptas em todos os lugares hoje. O segundo melhor é a pureza do ensino em casa [homeschooling].  O primeiro melhor ensino é o das boas escolas fora de casa, especialmente para os meninos.

Mas o que dizer do custo dessas boas escolas (se não houver bolsas de estudo ou ajuda financeira disponível)?

“A necessidade exige”, diz o provérbio. Se o papai não pode pagar por uma boa escola fora de casa, em seguida, a escola em casa torna-se a melhor opção. Infelizmente, boas escolas são sempre caras.

E ainda mais em uma época sem muitas Irmãs e Irmãos ensinando...

Verdade. No entanto, os católicos em eras passadas sempre fizeram sacrifícios enormes para a educação escolar de seus filhos, porque eles sempre souberam sua importância.

“The Restoration of Christian Culture” [“A Restauração da Cultura Cristã”] é o título de um livro do falecido Dr. John Senior que soa como um desafio assustador. No entanto, alguns defendem que tudo o que é necessário é ir a Missa e para tentar converter as pessoas, em vez de “resolver os problemas do mundo”, por exemplo, voltar para o campo. Como o senhor responde, Excelência?

A simples frequência a Missa obviamente não é o suficiente.

Se um homem se vê no meio de um pântano, ele tem duas perguntas:

1) Onde é que ele quer colocar o pé em seguida?
2) Em que direção fica a terra seca?
Estas duas perguntas não são a mesma coisa.
Praticidade imediata é uma coisa, o objetivo a longo prazo é outra. Talvez eu tenha que pisar imediatamente a sul, a fim de ir finalmente para o norte.

O senhor chamaria tal catolicismo mínimo uma mentalidade de ‘cerco bunker’ [2]?

As pessoas que só querem ir à missa e não fazem mais nada para catolicizar suas vidas não estão em uma mentalidade de ‘cerco bunker’, eu não acho que eles sequer sabem que estão sob cerco.

Elas ainda não perceberam o quão perigosa tornou-se a situação moderna. E como o ambiente moderno é sempre anticatólico.

Uma hora e meia no domingo não pode defender de 166,5 horas de ataque (24 horas por dia, 7 dias da semana - 1,5) .

Falando de cercos e bunkers, Excelência, e esta crise do Líbano que eclodiu recentemente?


Os israelenses fazer praticamente o eles querem, e o que eles querem não é justo. Se alguém quer dizer que é antissemita, que eles saibam que eu poderia muito bem ter dito a mesma coisa sobre os nazistas no início da 2ª Guerra Mundial, e os nazistas eram principalmente gentios.

Pensamentos finais, meu senhor?

Vigiai e orai, vigiai e orai,
Quinze Mistérios, todos os dias!


Entrevista publicada em 2009.

Original aqui.

__________________________________________

Notas da tradutora:

[1] No texto o subúrbio é referente aos Estados Unidos. No Brasil a palavra subúrbio refere-se a bairros afastados do centro da cidade, mas não propriamente áreas projetadas para residências, como acontece nos EUA. Lá o subúrbio é uma área mais afastada do centro da cidade, mas com quase nada de comércio, bastante artificial, onde as pessoas terminam tendo que trabalhar muito para manter um padrão de vida mais elevado. Por exemplo, como é distante, é preciso ter dois carros e sendo assim todos os gastos aumentam, fazendo com que muitas vezes as mulheres tenham que trabalhar fora para ajudar com as despesas. No fim das contas desfavorece a família, e por isso também é ruim.

[2] “Bunker”- construção para proteger as pessoas de ataques de bombas, feitas geralmente em áreas subterrâneas.

terça-feira, julho 08, 2014

Desmascarando o Dalai Lama e o budismo


Recomendo a leitura do artigo Desmascarando o Dalai Lama e o budismo

Trechos (grifos meus): 

Nos anos 50 (...) no Tibete (...) sete em cada dez cidadãos eram servos presos à propriedade.  Se fossem flagrados fugindo, ganhavam castigos que iam de açoites à amputação dos pés, mãos, nariz, orelhas e olhos.  Garotos serviam como escravos sexuais dos monges, que governavam o país e a justiça local.  À frente desse sistema estava ninguém menos que Tenzin Gyatso, o grande líder espiritual, o ganhador do Nobel da Paz, o homem que ainda hoje percorre o mundo espalhando mensagens de sabedoria e é conhecido como sua santidade, o Dalai Lama.

(...)



OS CRIMES BÁRBAROS DO BUDISMO


Uma das leis máximas do budismo tibetano é que não se deve matar seres vivos.  Os monges budistas evitam matar animais (até baratas) por acreditar que eles poderiam ter sido gente em vidas passadas.  Desse modo, não poderiam condenar os prisioneiros à morte.  Mas para tudo há um jeitinho.  Um deles era chicotear o condenado até que ficasse agonizante e então liberá-lo.  Uma inglesa que visitou a cidade de Gyantse em 1922 testemunhou um chicoteamento público de uma pessoa que depois foi forçada a passar a noite no topo de uma montanha, onde congelou até morrer.  A morte era apenas questão de tempo, mas seria considerada “um ato divino”.  Mesmo quem concorda com essas punições para criminosos graves há de convir que elas não combinam com mestres de tolerância e da compaixão.

Outras formas de punição incluíam decepar mãos na altura dos pulsos, arrancar os olhos usando tiras de couro de iaque e ferro quente, pendurar um prisioneiro pelos dedões. Esses castigos parecem boatos criados pelos comunistas chineses para justificar a invasão. Não são. Em diversos relatos de oficiais ingleses e de outros estrangeiros que viveram no Tibete, há comentários sobre pessoas com olhos arrancados e sem uma das mãos ou uma das pernas por terem cometido crimes.   


Leia o artigo completo aqui.

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