quarta-feira, abril 22, 2015

segunda-feira, abril 20, 2015

Orgulho ou Preconceito?


Resposta do Mosteiro da Santa Cruz à Revista VEJA
Quarta-Feira, 15 de Abril de 2015
Por Dom Tomás de Aquino


 
A revista VEJA publicou uma matéria sobre as controvertidas cerimônias realizadas no mosteiro da Santa Cruz (Nova Friburgo – RJ) entre as quais a de maior importância foi a sagração episcopal de Mgr Jean-Michel Faure. Esta sagração feita por Mgr Richard Williamson foi seguida da ordenação sacerdotal do Irmão André Zelaya de León, da Guatemala, monge de nosso mosteiro há mais de vinte anos. Ambas cerimônias foram apresentadas como atos de rebelião. Aliás, o título do artigo é: “Rebelião no altar”, artigo que se termina da seguinte maneira: “O francês Faure, cheio de orgulho, tem até apelido para o racha: La Resistance”. Orgulho mesmo ou preconceito da revista? Eis a questão.

Orgulho se pode tomar em dois sentidos. Ou será o senso da dignidade de sua condição como quando um filho da Santa Igreja se declara, com justo orgulho, católico, apostólico, romano. Ou será um vício, um pecado; pecado de rebelião contra Deus. O pecado de Lúcifer.
 
Talvez o autor do artigo quisesse deixar ao leitor a escolha, já que o jornalista da VEJA foi bastante cordial conosco, embora o tom geral do artigo indique de preferência o sentido de revolta. Seja como for, a pergunta permanece: orgulho de Mgr Faure, de Mgr Williamson e dos monges de Santa Cruz ou preconceito contra eles? A questão continua não respondida.
 
Retrocedamos no tempo, pois assim fazendo encontraremos o fio de Ariane  que nos tirará do labirinto em que a crise atual da Igreja nos lançou, e nos fornecerá o necessário para responder à pergunta já feita. Retrocedamos até a Reforma protestante e ao declínio do Cristianismo na Europa e no mundo. Declínio contra o qual lutaram vitoriosamente, mas só por um tempo, o Concílio de Trento e os grandes santos da Contra-Reforma. Duas forças se chocaram então e se chocam até hoje. Uma nova religião que põe o homem no centro da civilização e combate a Igreja Católica antes de combater Nosso Senhor Jesus Cristo em pessoa para terminar negando a existência de Deus, com o marxismo, e mesmo corrompendo a eterna noção de Verdade com o Modernismo, condenado por São Pio X.
 
Dois mundos, dois amores; o amor de Deus levado até o esquecimento de si, e o amor de si mesmo levado até a negação de Deus. Dois mundos, duas forças, duas correntes históricas que se opõem há mais de cinco séculos. Qual das duas é movida pelo orgulho? Eis mais do que uma pista para encontrarmos a resposta à nossa pergunta inicial.
 
Aprofundemos pois a pista já indicada e entremos na atualidade, ou melhor, na história recente da Igreja. Falemos de Vaticano II. Os Papas do século XIX e do século XX até a morte de Pio XII haviam condenado o Liberalismo Católico dos que queriam a união da Igreja com os princípios da Revolução Francesa. Não só o Liberalismo mas também o Modernismo, o Neomodernismo, o Progressismo e demais erros modernos haviam sido devidamente condenados. A Igreja Católica dizia e dirá sempre “não” a estes erros.
 
Porém o velho sonho dos mais cruéis inimigos da Igreja realizar-se-ia. Um Concílio consagraria os teólogos modernistas, liberais e progressistas. Este Concílio foi o Concílio Vaticano II. Mas dois Bispos permaneceram fiéis e denunciaram este Concílio. Mas só dois? Não é pouco demais? Para um mundo que preza mais a quantidade do que a Verdade, dois é igual a nada. Mas em questão de doutrina não é o número que conta, e as doutrinas apregoadas pelo Vaticano II já haviam sido condenadas por Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII, São Pio X, Bento XV, Pio XI e Pio XII para citar apenas alguns da longa série de Papas que dista de São Pedro à Pio XII, os quais guardaram o depósito da Fé que lhes havia sido confiado por Deus Ele mesmo.
 
Mas o que isso tem que ver com a sagração do 19 de março de 2015 em Nova Friburgo? Isto tem tudo que ver com essa sagração, já que Mgr Williamson foi ele mesmo sagrado por estes dois bispos fiéis à Tradição bimilenar da Igreja. Estes dois bispos são Mgr Marcel Lefebvre e Mgr Antônio de Castro Mayer.
 
Contudo, eles sagraram Mgr Williamson, assim como Mgr Fellay, Mgr Tissier e Mgr de Galarreta, contra a vontade de João Paulo II em junho de 1988? Sim, é verdade. Logo eles são uns rebeldes e uns orgulhosos? Não. A verdade não se deixa encontrar tão facilmente assim. Desobedecer ao Papa pode ser, em casos extremos, um ato de virtude, enquanto que obedecê-lo pode ser, em casos extremos, um pecado. “Quem faz o mal porque lhe ordenaram, não faz ato de obediência, mas de rebelião”, diz São Bernardo.
 
A rebelião no altar não se deu em Nova Friburgo, no dia 19 de março. Se aprofundarmos a questão veremos que a rebelião no altar se deu não em Friburgo, mas em Roma desde o Concílio até hoje. 
 
Quem duvidar do que afirmamos, que estude os livros que falam da crise atual e lá verão que o próprio Cardeal Ratzinger, futuro Bento XVI, afirma que o Vaticano II foi um “contra-Syllabus”, ou seja, que ele vai o ensinamento do Magistério da Igreja, contra uma doutrina já definida pelos Papas anteriores.
 
Não! Mgr Faure não falou com orgulho, ou melhor, falou com justo orgulho de defender este Magistério infalível da Igreja contra os erros de Vaticano II. Mas como um Concílio pode ensinar erros? Eis a grande pergunta. Leiam pois as obras de Mgr Marcel Lefebvre. Estudem, aprofundem-se na Fé, pois o mal é grande e a abominação da desolação foi posta no lugar santo. Portanto, a revolta no altar não está no mosteiro da Santa Cruz. A revolta no altar está – é triste repeti-lo – no Vaticano.
 
Mas quem nos crerá? Orgulho nosso ou preconceito da VEJA? Só estudando. Só rezando. Sem oração e estudo ninguém poderá encontrar a resposta. Ela está ao alcance de quem a procura, mas antes de tudo é preciso procurá-la. O que já dissemos é o suficiente por ora. Agora, caro leitor, lhe cabe a sua parte, caso deseje tirar a limpo se é orgulho nosso ou preconceito da VEJA chamar-nos de rebeldes. Bom trabalho.
 

sábado, abril 18, 2015

Comentários Eleison: Bom Senso Sobre a Vacância da Sé

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDV (405) - (18 de abril de 2015): 


BOM SENSO SOBRE A VACÂNCIA DA SÉ – I

Concílios da Igreja podem desligar um Papa herege,
Mas Cristo o depõe, pois de sua total destruição Ele a protege.


            Os sacerdotes Dominicanos de Avrileé, França, fizeram a todos nós um grande favor ao republicar as considerações sobre a Sé vacante de Roma escritas há uns quatrocentos anos por um famoso teólogo tomista da Espanha, João de Santo Tomás (1589-1644). Por ser um fiel sucessor de Santo Tomás de Aquino, ele se beneficia daquela sabedoria superior da Idade Média, época em que os teólogos podiam medir os homens por Deus ao invés de medir Deus pelos homens, uma tendência que começou como uma necessidade (se as almas não podiam mais tomar a penicilina medieval, teriam de tomar um remédio menos eficaz), mas que culminou no Vaticano II. Eis aqui, de forma bem resumida, as principais ideias de João de Santo Tomás sobre a deposição de um Papa:

I Pode um Papa ser deposto?
Reposta: sim, pois os católicos são obrigados a se separar dos hereges depois destes terem sido advertidos (Tt 3, 10). Além disso, um Papa herético põe toda a Igreja em um estado de legítima defesa. Mas o Papa deve ser primeiro advertido tão oficialmente quanto seja possível, para que possa se retratar. Também sua heresia deve ser pública, e declarada tão oficialmente quanto seja possível, para evitar confusão generalizada entre os católicos, vinculados entre si pela obediência.

II Por quem ele deve ser oficialmente declarado herege?
Resposta: não pelos Cardeais, porque embora eles possam eleger um Papa, não podem depor nenhum, porque é a Igreja Universal que é ameaçada por um Papa herético, e então a maior autoridade universal possível da Igreja é a única que pode depô-lo, a saber, um Concílio da Igreja composto de um quorum de todos os Cardeais e Bispos da Igreja. Estes poderiam ser convocados não autorizadamente (o que só o Papa pode fazer), mas entre eles.

III Por qual autoridade poderia um Concílio da Igreja depor o Papa?
(Aqui está a principal dificuldade, porque Cristo dá ao Papa poder supremo sobre toda a Igreja, sem exceção, tal como o Vaticano I definiu em 1870. Já João de Santo Tomás deu argumentos de autoridade, razão e Direito Canônico para provar esse supremo poder do Papa. Então, como pode um Concílio, sendo inferior ao Papa, ainda assim depô-lo? João de Santo Tomás adota a solução fornecida por outro famoso teólogo dominicano, Tomás Caetano (1469-1534). A deposição do Papa por parte da Igreja cairia não sobre o Papa enquanto Papa, mas sobre a ligação entre o homem e seu Papado. Isso pode parecer um tanto sutil, mas é lógico.)

            Por um lado, nem mesmo o Concílio da Igreja tem autoridade sobre o Papa; mas por outro lado, a Igreja é obrigada a evitar os hereges e a proteger o rebanho. Portanto, como em um Conclave os Cardeais são os ministros de Cristo para vincular esse homem ao Papado, mas somente Cristo dá a ele sua autoridade papal; assim o Concílio da Igreja seria por sua declaração solene os ministros de Cristo para desvincular esse herege do Papado, mas somente Cristo, por sua autoridade divina acima do Papa, poderia autorizadamente depô-lo. Em outras palavras, o Concílio da Igreja deporia o Papa não autorizadamente, mas apenas ministerialmente. João de Santo Tomás confirma esta conclusão com base no Direito Canônico da Igreja, que afirma em muitos lugares que somente Deus pode depor o Papa, mas que a Igreja pode julgar sua heresia.

            Infelizmente, como assinalam os Dominicanos de Avrilée, quase todos os Cardeais e Bispos da Igreja hoje estão tão infectados pelo modernismo que não há esperança humana de um Concílio da Igreja que veja de modo claro o bastante para condenar o modernismo dos Papas conciliares. Nós podemos apenas orar e esperar pela solução divina, que virá na boa hora de Deus. A seguir: não estaria um Papa automaticamente deposto por uma simples heresia sua?


Kyrie eleison. 

quinta-feira, abril 16, 2015

O Dogma do Inferno – Parte II



As Dores Infligidas aos Réprobos no Inferno
Por Dr. Remi Amelunxen
Traduzido por Andrea Patrícia
 



O fogo do Inferno é um fogo real 


O Inferno foi revelado por Nosso Senhor pelo menos 50 vezes no Evangelho, como vimos no artigo anterior. Aqui nós iremos examinar as dores do Inferno, como os católicos devem pensar sobre o Inferno, o medo salutar que dele nós devemos ter, e como isso deve influenciar nossas ações diárias.
Algo predominante nas palavras da Escritura Sagrada sobre o Inferno é a tortura terrível do fogo. As Escrituras chamam o Inferno de “lago de enxofre e fogo”, “a Geena de fogo,” “o fogo eterno”, e a “fornalha ardente onde o fogo nunca se apaga.”
“O fogo do Inferno é um fogo real ”, afirma o Pe. François Xavier Schouppe em seu livro The Dogma of Inferno Illustrated by Facts Taken from Profane and Sacred History [O Dogma do Inferno Ilustrado por Fatos Extraídos da História Profana e Sacra].

“É um fogo que queima como o fogo do mundo, embora seja infinitamente mais ativo. Não deve haver um fogo real no Inferno, visto que existe um fogo real no Purgatório?”(1)
“É o mesmo fogo”, diz Santo Agostinho, “que tortura os condenados e purifica os eleitos.” (2)
A horrível agonia de ser consumido pelo fogo na terra termina quando o fogo consome a pessoa. Mas no Inferno a angústia das dores do fogo nunca cessa, já que o fogo de lá queima, mas não consome. É por isso que é bom para nós pensar sobre o Inferno como um meio de nos encorajar a desistir dos prazeres culposos, das amizades e das ligações que estejam nos levando para lá.
Só a visão de uma alma que cai no Inferno já causa incomparável dor. Santa Margarida Maria Alacoque observou a aparição de uma de suas irmãs na religião que havia morrido recentemente. Esta irmã disse à Santa Margarida Maria que ela estava sofrendo cruelmente no Purgatório, e implorou por suas orações e sufrágios.
“Veja a cama onde estou deitada” ela disse à Santa Margarida, “onde estou suportando dores intoleráveis.”
“Eu vi a cama” a santa reportou em seus escritos “e isso ainda me faz estremecer. Era toda eriçada com pontas afiadas e flamejantes que entravam na carne. A falecida disse-me que ela estava sofrendo esta tortura por causa de sua preguiça e negligência em observar a regra.”
“Mas isso não é tudo”, continuou a irmã. “Meu coração é rasgado em meu peito para punir meus murmúrios contra meus superiores. Minha língua sofre dor por causa de minhas palavras contrárias à caridade e minhas violações do silêncio. Mas tudo isso é coisa pequena em comparação com outra dor que Deus me fez experimentar. Embora não tenha durado muito, foi mais dolorosa para mim do que todos os meus sofrimentos.”
Então ela contou à Santa Margarida Maria que Deus havia mostrado a ela uma de suas parentas que havia morrido em estado de pecado mortal sentenciada pelo Supremo Juiz e lançada no Inferno, uma visão que causou a ela tal pavor, horror e dor que nenhuma palavra poderia descrever. (3)

 Todos os sentidos são atormentados pelos demônios no Inferno


Este é apenas um relato. Pe. Schouppe apresenta muitas histórias tanto de religiosos quanto de leigos revelando os horrores do Inferno. Um curto incidente envolveu um santo sacerdote que exorcizava um homem possesso. Durante o exorcismo, ele perguntou ao Diabo quais dores ele tinha no Inferno. Ele respondeu: “Um fogo eterno, uma maldição eterna, uma raiva eterna e um pavoroso desespero por nunca poder olhar para Aquele que me criou.”
Numa ocasião parecida, o exorcista inquiriu ao Diabo qual era a maior de suas dores. Ele respondeu com um tom de indescritível desespero: "Sempre, sempre! Nunca, nunca!" (4)
Outro sofrimento do Inferno é o mau cheiro corporal, que é mais insuportável que o mau cheiro dos cadáveres. Se o corpo de uma pessoa condenada, diz São Boaventura, fosse colocado na terra, ele somente seria suficiente para tornar a terra inabitável. Iria preencher a terra com seu mau cheiro e com infecção, como um cadáver deixado para apodrecer numa casa espalharia seu insuportável mau cheiro por tudo à sua volta. (5)
Perto do fim da vida de São Martinho de Tours, o Diabo veio tentá-lo sob uma forma visível. O espírito da mentira apareceu diante dele com magnificência real, uma coroa de ouro em sua cabeça, e disse que ele era o Rei da Glória, o Filho de Deus. O Santo Bispo reconheceu o tentador sob estas aparências de grandeza humana e expulsou-o com desprezo. O orgulhoso Satã foi confundido; ele desapareceu. Mas deixou o quarto cheio de mau cheiro imundo tão terrível que o Santo não conseguiu permanecer mais lá.

Pensar no Inferno para evitar cair nele

Um leitor pode objetar: “Qual o sentido de ouvir todas essas histórias aterrorizantes? É melhor pensar na bondade e na misericórdia de Deus.”
Isso não é difícil de responder. Antes do Vaticano II, confessores costumavam contar histórias como estas do púlpito, e encorajavam as pessoas a pensar sobre os tormentos do Inferno para preveni-las de cair nele. É muito fácil ser condenado, e o número de condenados é muito grande.
Santa Teresa D’Ávila compara aquelas almas perdidas a flocos de neve que caem no inverno, de tão numerosas que são. (6)
Um Bispo, por permissão especial de Deus, recebeu uma visita de um pecador que havia morrido impenitente pouco tempo antes. Esta alma condenada perguntou ao Bispo se ainda havia sobrado algum homem na terra. Então ele explicou: “Desde quando vim para esta triste habitação, eu tenho visto tal prodigiosa multidão chegar que eu não consigo conceber que ainda haja homens na terra." (7)
De fato, nós somos avisados exatamente disto no Evangelho. "Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos há que irão para lá. Quão estreita é a porta e reto é o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem" (Mt 7,13-14).
Para evitar o Inferno, é vital evitar o caminho para ele. Para isso, nós devemos evitá-lo sob todas as formas e lutar para permanecer sempre em estado de graça.
Quem quer que pense no Inferno está no caminho de evitá-lo. Pois, no momento da tentação, este pensamento irá ajudá-lo a não pecar. Nós temos o exemplo de São Martiniano, um eremita de Cesaréia na Palestina no século IV. Ele viveu 25 anos em solidão quando Deus permitiu que sua fidelidade fosse posta a prova num violento teste.

 Grande é o número de almas que caem na boca do Inferno


Um dia, uma cortesã chamada Zoe, disfarçada de mendiga, foi até a sua cela durante uma tempestade e implorou por abrigo. O santo anacoreta a deixou entrar e acendeu um fogo para ela secar suas roupas. Mas a prostituta, jogando a esfarrapada capa emprestada, apareceu num sedutor vestido e começou a usar de todo o seu charme fascinante.
Quando ele percebeu o quanto estava tentado, Martiniano sentou diante do fogo e colocou seus pés descalços dentro dele diante dos olhos da perplexa cortesã. A dor arrancou lágrimas dele, mas ele gritou: "Ai, minha alma, se você não consegue aguentar o fogo agora, como poderá suportar o fogo do Inferno?"
A tentação foi vencida, Zoe foi convertida e mais tarde tornou-se freira em Belém. Tal foi o efeito salutar do pensamento sobre o Inferno.
  
A sociedade dos demônios é horrenda

Outra tortura do Inferno é a horrível sociedade dos demônios e dos condenados. Algumas almas tolas suavizam este aspecto e até mesmo fazem piada sobre isso dizendo: “Bom, pelo menos não ficarei lá sozinho.” Na realidade, elas não irão encontrar consolo, mas a miséria dos condenados sentenciados a usar ferros juntos nas galeras. Mas mesmo um condenado pode encontrar algum consolo na companhia de outros seres humanos. Mas não é assim no Inferno, onde os condenados são torturadores mútuos.
Santo Tomás diz: “No Inferno os associados de uma alma condenada, longe de aliviar seu sofrimento, tornarão este ainda mais intolerável para ela.” (8) Mesmo a sociedade daquelas pessoas que foram os mais queridos amigos é insuportável para a alma condenada no Inferno.
No Inferno as almas condenadas lamentam pelo tempo perdido em diversões vãs, por deixar de cumprir sua obrigação dominical indo à Missa, por um pecado mortal intencionalmente não confessado. Então, elas anseiam retornar por uma hora para fazer uma boa confissão, mas não adianta nada. O tempo na terra previsto para eles por Deus terminou, e agora eles devem encarar a consequência que dura uma eternidade.
Pe. Schouppe conta-nos uma história verdadeira, sobre a qual nós faríamos bem em ponderar seriamente.
Um sacerdote, encontrando-se num lugar isolado onde estava retirado para rezar, ouviu gemidos pesarosos que só poderiam proceder de uma causa sobrenatural. Ele exigiu saber quem eram os autores daqueles gritos lastimosos, e o que eles tencionavam.
Então, uma voz triste respondeu: "Nós somos os condenados. É preciso que se saiba que estamos lamentando no Inferno o tempo perdido, o tempo precioso que desperdiçamos na terra em vaidades e crimes. Ah! Uma hora nos daria o que uma eternidade não nos pode dar mais." (9)

(Continua)
  1. Francois Xavier Schouppe, The Dogma of Inferno, Illustrated by Facts Taken from Profane and Sacred History, Rockford, IL: TAN, 1989, p. 21
  2. Ibid.
  3. Ibid., pp. 25-26.
  4. Ibid., p. 31
  5. Ibid., p. 30
  6. Ibid., p. 34
  7. Ibid.
  8. Santo Tomás de Aquino, Summa Theologica, Suppl. 9, 86, A.1., apud F.X. Schouppe, The Dogma of Inferno, pp. 30-31.
  9. F.X. Schouppe, The Dogma of Inferno, p. 34

Original aqui.

quarta-feira, abril 15, 2015

Início do curso A EXISTÊNCIA DE DEUS E A CRIAÇÃO DO MUNDO - SEGUNDO SANTO TOMÁS DE AQUINO


Inicia-se hoje (15/04/2015) o novo curso on-line do Prof. Carlos Nougué: A EXISTÊNCIA DE DEUS E A CRIAÇÃO DO MUNDO - SEGUNDO SANTO TOMÁS DE AQUINO
As inscrições estão abertas e podem ser feitas a qualquer tempo, clicando neste link

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