quinta-feira, agosto 16, 2018

Defraudando a Indissolubilidade do Matrimônio

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Por Lyle J. Arnold, Jr.
Traduzido por Andrea Patrícia
Fariseus tentaram enganar Nosso Senhor na questão sobre o divórcio


Em um livro sobre o problema do divórcio publicado um ano antes do Vaticano II, este paradoxo é apontado: “Justamente quando o mundo pós-cristão entrou num período sem paralelo de ideais hedonistas, e de desprezo por noções tão não lucrativas como o mundo que há de vir, autocontrole e penitência, os católicos emergiram de seu próprio enclave privado para tornarem-se mais uma parte do mundo à volta deles do que eles foram por séculos." (1) Foi com este mundo de "ideais hedonistas" que o Vaticano II fundiu-se, não para remediar o problema, mas para garantir seu sucesso. Seu objetivo era promover e acelerar o motor desse hedonismo adicionando o dinamismo da Igreja a isto. Um dos campos onde seus efeitos foram claramente sentidos foi o do casamento católico. Destruir a indissolubilidade do casamento é destruir os augustos benefícios da família. No processo de anulação, praticamente qualquer pretexto vem sendo aceito para pôr um fim em casamentos e o resultado disto é que acontecem cerca de 60.000 anulações por ano. Uma anulação feita sob a autoridade da Igreja é agora uma forma de divórcio em tudo menos no nome. O "divórcio católico" é extremamente nocivo para a família e a sociedade. Ele fere os filhos bem como os esposos, frequentemente induz o requerente a deturpar o passado, e leva muitos para longe da Igreja. É um desastre. Em Seu Sermão da Montanha (Mt 5,31-32), Nosso Senhor proíbe expressamente o divórcio, mas os judeus rejeitaram este preceito imediatamente. Passando pelo distrito da Pereia, nós O vemos assediado por Seus mais amargos inimigos, os Fariseus, que não O deixam em paz em parte alguma. Tendo decidido apressar a morte Dele, eles estavam sempre observando para tentar encontrar algum “erro” de Sua parte para que assim eles pudessem condená-Lo. Eles achavam que haviam encontrado um no assunto do casamento. Com os corações cheios de malícia, os judeus colocaram esta questão para Nosso Senhor: “O grande legislador Moisés permitiu o divórcio e o recasamento. Você nega a validade da Lei deste homem de Deus?" (2) Nosso Senhor assinalou que Moisés fez esta concessão temporária por causa da dureza dos corações dos judeus. Ele permitiu o divórcio em alguns casos na Antiga Lei, mas sua permissão temporária teve um fim com a Nova Aliança. Assim, Ele reestabeleceu a indissolubilidade do casamento em toda a sua casta beleza. (3) A indissolubilidade do casamento era o Estado de Direito na Igreja Católica desde o tempo de Nosso Senhor até o Vaticano II, quando os agentes do Progressismo conceberam um método para defraudar o mandamento de Nosso Senhor, isto é, colocar a indissolubilidade do casamento em uma situação quase impossível. Este defraudamento é um grande constrangimento ao ensino tradicional da igreja, que é colocado pelo Pe. Paul Sretonovic em dois artigos muito úteis neste site (aqui e aqui).


Inversão dos fins do casamento

Deixe-me explicar o que quero dizer com o progressismo defraudando a indissolubilidade do casamento. 

O ensino católico sobre o casamento tem duas perspectivas: uma moral e uma jurídica. Quanto a perspectiva moral, nós temos visto uma inversão dos fins do casamento – apoio mútuo dos esposos e amor colocados antes da procriação e da formação da prole. Esta posição encontra base na constituição conciliar Gaudium et Spes (48-52). Com esta inversão fundamental, toda a moral torna-se invertida. 

Desde que o “amor” é agora considerado mais importante do que a prole, há um óbvio encorajamento ao uso de contraceptivos. Este tipo de dilema é comum: “para agradar a ele/ela e manter nosso casamento, nós precisamos coabitar, mas nós não podemos arcar com os custos de mais filhos. O que devemos fazer?” Quase todos os confessores dirão: “Sigam em frente e usem contraceptivos.” 

Outra consequência desta inversão toca o nosso assunto diretamente: Desde que o “amor” tornou-se o objetivo principal do casamento, como é possível evitar a conclusão que quando o amor acaba, o casamento não pode ser mantido? Assim, sua indissolubilidade é largamente posta em perigo.

Quanto a perspectiva jurídica, o que se seguiu foi uma liberalização geral nas leis do casamento no Novo Código de Direito Canônico (1983), que causou danos incalculáveis e destruiu a estabilidade católica do casamento. Estas leis, também introduzidas no despertar do Vaticano II, são a razão principal para o dilúvio de anulações que estamos testemunhando. Os católicos tradicionais devem estar avisados sobre estas mudanças desastrosas e resistir a elas. Você pode ler sobre estas leis e suas interpretações aqui, aqui e aqui. [todos em inglês]

Como católicos que reconhecem a autoridade do Papa e dos tribunais de casamento diocesanos, nós aceitamos estas anulações como válidas mesmo que não concordemos com o critério negligente sendo aplicado. A negligência de nossos tribunais eclesiásticos não tornam suas decisões nulas. Como Pe. Sretenovic assinalou: “Certamente os maus juízes – neste caso os Bispos, a Rota Romana, e finalmente o Papa – terão que prestar contas a Deus por suas decisões. Mas para o católico comum, não resta nenhuma outra possibilidade senão aceitá-las." (3) [Nota da trad.: muito complicado. Como aceitar isso?]

Encarando esses fatos nós vemos que os tribunais diocesanos da Igreja Conciliar defraudaram a indissolubilidade do casamento: eles estão tornando impossível manter o casamento católico tradicional, como enfatizado em outro artigo aqui.

O próprio Nosso Senhor fez a lei proibindo o divórcio e o recasamento. Pari passu Ele deu ao Papa e aos Príncipes da Igreja a autoridade judicial para anular os laços do casamento em casos excepcionais, quando há provas de impedimento. Hoje quase qualquer coisa é considerada impedimento. Nós quase podemos dizer que a regra – um casamento estável – tornou-se a exceção – um casamento anulado – é a regra. 

Processos tornados mais fáceis e mais simples 

Considere que antes do Vaticano II cerca de 300 anulações por ano eram concedidas no mundo inteiro; mas sob a Igreja Conciliar o número saltou para 60.000 por ano. Uma larga proporção delas 70% do total – são nos Estados Unidos.

Certamente o processo inteiro foi tornado mais fácil e mais simples em nosso país. Até 1969 petições de anulação só podiam ser apresentadas na diocese onde o casamento havia sido celebrado. Mas em 1970 a Santa Sé aprovou que casos de nulidade fossem apresentados na diocese onde o requerente vive. Isto permitiu que o requerente tivesse sua petição ouvida no tribunal mais conveniente para ele mesmo, o que facilitou o processo.

Outra mudança permitiu que um único juiz ouça um caso em vez de requerer três juízes para ouvir cada petição. Novos prazos para acelerar as anulações foram instituídos, e por aí vai. (4). Um perito em direito canônico gabou-se: “Não há um só casamento na América que nós não possamos anular” (5)

O resultado desta defraudação do antigo sistema nós sabemos qual é: famílias destruídas e perda da fé por dezenas de milhares. Nosso Senhor Jesus Cristo estabeleceu o Sacramento do Matrimônio com sua indissolubilidade. O Progressismo é defraudado no plano de Deus. 


Notas:
  1. Claire McAuley, "Whom God Hath Not Joined," Sheed and Ward, NY, 1961, pp. 5-6.
  2. Fr. L.C. Fillion, The Life of Christ - A Historical, Critical, and Apologetic Exposition, St. Louis: Herder Book Co., 1943, Vol. III, p. 156.
  3. Ibid.
  4. Sheila Rauch Kennedy, Shattered Faith, Holt Paperbacks, 1998, p. 12.


Original aqui.

quarta-feira, agosto 15, 2018

Exorcismo, demônios, comunicação com mortos? Alerta!

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Cuidado com as armadilhas contidas em livros assim

Um alerta importante.

Muito cuidado com os livros sobre exorcismo, sobre demônios, que estão disponíveis por aí. Eu li vários, especialmente os do padre Amorth (envolvido com RCC, Medjugorje, entre outros problemas), e de fato eles são perigosos pois ensinam erros. Há quem ficou neurótico após ler tais livros. São mais alguns sintomas da crise que vivemos hoje.

Atenção ao alerta do Mário Umetsu, hipnoterapeuta e pesquisador em Parapsicologia:


Uma mescla de espiritismo e catolicismo já acontecia na Igreja mesmo entre o médio e alto clero na intenção de evocar e consultar espíritos dos mortos. Uns foram chutados da Igreja, outros não, mas essa influência italiana irradiou-se para o Brasil e bem provavelmente inspirava a crença do pe. Amorth na possibilidade de um humano morto possuir o corpo de um vivo, e por ele se confessar tardiamente e depois ir para o céu, sem nenhum estranhamento de sua parte - apesar de o famoso exorcista conceder uma nota afirmando que seu assentimento não se encaixava na teologia católica clássica.
Não sou quevediano na demonologia, mas uma de suas denúncias está mais do que certa: a demonofilia de muitos especialistas (ou nem tão especialistas assim) forçosamente arrasta o adepto ao espiritismo. Está confirmado em centenas de centenas de oportunidades. É só saber ler os livros, sem permitir-se impressionar com as narrativas fantásticas.

segunda-feira, agosto 13, 2018

Fraude: Tecnologia de Reconhecimento Facial Mostra que a Irmã Lúcia I (Pré-1958) e a Irmã Lúcia II (Pós-1958) NÃO São a Mesma Pessoa.

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Bomba!

Testes de reconhecimento facial, da mais alta tecnologia, confirmaram que a Irmã Lúcia apresentada após 1958 não é a mesma Irmã Lúcia que recebeu as mensagens de Nossa Senhora em Fátima! 

Há anos que se especula sobre este assunto, e o trabalho do Dr. Peter Chojnowski está sendo fenomenal, pois ele levou a investigação adiante, criou uma organização sem fins lucrativos - Sister Lucy Truth - para descobrir de forma científica a verdade sobre Irmã Lúcia dos Santos. 

O site Tradition in Action já publicou artigo sobre o tema, fazendo comparações das fotos. Lembro de ter lido e concordado com as comparações. Realmente não há como crer que as dias são a mesma pessoa. Não são! Leia o artigo, aqui (está em inglês, mas se você não compreende o idioma, ao menos poderá ver as comparações de imagens). Veja aqui outro artigo do TIA, desta vez traduzido para o português.

Toda essa história de esconder a verdadeira Irmã Lúcia obviamente tem que ver com esconder o verdadeiro Terceiro Segredo de Fátima, que ao que tudo indica fala sobre a apostasia na Igreja e sobre um tremendo castigo que virá sobre a humanidade.

Leia abaixo a tradução que eu fiz do pequeno texto do Dr. Peter Chojnowski, o responsável pelos testes faciais.



Irmã Lúcia I: Desaparecida - Irmã Lúcia II: Impostora


Fraude: Tecnologia de Reconhecimento Facial Com 2.400 Comparações de Imagens Mostra que a Irmã Lúcia I (Pré-1958) e a Irmã Lúcia II (Pós-1958) Definitivamente NÃO São a Mesma Pessoa.

Agora eu posso liberar os resultados gerais dos testes de reconhecimento facial que foram realizados usando a tecnologia mais atualizada disponível, analisada pelos técnicos de software mais sofisticados e organizada e analisada por um investigador especialista.

"A única coisa semelhante foi o hábito" foram as palavras que acabei de ouvir do investigador em nossa conversa telefônica sobre o resultado dos testes. Mais detalhes sobre os aspectos técnicos do resultado seguirão este anúncio inicial.

Fui aconselhado a não revelar ainda os nomes dos investigadores, os nomes das empresas envolvidas ou os nomes dos programas que estão sendo usados. Eles são os melhores. Todos estão trabalhando em um relatório abrangente e definitivo sobre os resultados e isso será divulgado nas próximas semanas. Eu quero evitar qualquer interferência na investigação. Depois que o relatório final de reconhecimento facial estiver completo, a segunda fase da investigação será lançada, a qual descobrirá a identidade da impostora e descobrirá o que aconteceu com nossa querida Irmã Lúcia dos Santos.

Mais em breve.

Original aqui.

domingo, agosto 12, 2018

Comentários Eleison: Capítulo Geral - III

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLXXVIII (578) (11 de agosto de 2018):



CAPÍTULO GERAL – III


Deus poderá trazer ao porto a Igreja ou a Fraternidade,
Mas não o fará enquanto os homens rejeitarem Sua bondade.

Quando a Verdade católica e a Autoridade católica se separam, como no Vaticano II, não pode ter sido a verdade que se moveu, uma vez que a doutrina católica não muda. Só a Autoridade é que pode ter-se movido, e, portanto, só as autoridades da Igreja podem ser as culpadas pela separação. Essa é mais uma razão para que se dê muito valor às autoridades que não traíram a Verdade, como o Arcebispo Lefebvre e sua Fraternidade Sacerdotal São Pio X. É mais uma razão para dar pelo menos mais uma olhada no que aconteceu com esta em seu recente Capítulo Geral – terá a Fraternidade realmente voltado à trilha do Arcebispo que ela deixou em 2012, ou a ela se aplica o provérbio francês: “Quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas”?

No início do Capítulo, três novos homens foram eleitos para formar o triunvirato (corpo de três homens) que dirige a Fraternidade, e muitos bons sacerdotes da Fraternidade respiraram aliviados e aproveitaram uns poucos dias de verdadeira esperança para o futuro. Mas então, no final do Capítulo, foram eleitos para o Conselho Geral da Fraternidade, onde as decisões mais importantes são tomadas, o Superior Geral anterior junto com seu predecessor como tal. Isto se deu pela criação de uma novidade na Fraternidade, um novo posto de “Conselheiro”. E o coração desses bons sacerdotes deve ter-se afundado no peito. Que esperança poderia haver agora para uma mudança no curso desastroso da Fraternidade, da Verdade fiel para as autoridades infiéis, quando os dois principais arquitetos deste curso foram restabelecidos no Conselho Geral da Fraternidade?

Pelo menos um dos participantes do Capítulo teve a garantia de que os dois “conselheiros” não viverão na sede da Fraternidade em Menzingen, na Suíça; que eles só estarão aconselhando sobre questões relacionadas à criação ou ao fechamento de casas da Fraternidade e à admissão ou à expulsão de membros dela; que a criação dos “conselheiros” foi um movimento inteligente do Capítulo porque ajudará a curar as divisões na Fraternidade. Alguém se sente aliviado? Menzingen deve recuperar a confiança que sua política ambígua foi perdendo durante vinte anos. Aqui está um comentarista entre muitos que não confiam nas recentes palavras suavizadoras dos dirigentes da Fraternidade:

Na realidade, a eleição – estabelecida de antemão – do Pe. Pagliarani como novo Superior Geral disfarça a política também estabelecida de antemão de confirmação do statu quo quanto à direção futura da Fraternidade. Desavergonhadamente foram colocados ao lado do Novo Superior mais dois assistentes, dificilmente destacáveis por sua resistência à Roma modernista. Além disso, o Capítulo teve a ousadia de inventar a função de dois “Conselheiros”, desconhecida nos Estatutos da Fraternidade, e de “eleger” para o cargo os dois personagens mais favoráveis ​​a um acordo com Roma que a Fraternidade já teve: o Pe. Schmidberger, conhecido por sua amizade com o cardeal Ratzinger; e o Bispo Fellay, conhecido por seus “novos amigos” em Roma e por sua dedicação em liquidar a Fraternidade para ser entregue de mãos e pés atados aos apóstatas romanos.

O quadro que emerge não é necessariamente o da rendição incondicional, mas que se vislumbra uma nova maneira de aproximar-se de Roma, com um pouco mais de cautela e um pouco mais de diplomacia para com os sacerdotes e fieis da Fraternidade. No entanto, dado que Deus tanto vê como prevê, e que enquanto o homem propõe, é Deus quem dispõe, então outra possibilidade é que Nosso Senhor intervenha e infunda no relativamente jovem Pe. Pagliarani os Dons de Conselho, de Fortaleza e de Temor de Deus que ele precisará para endireitar o curso do bote salva-vidas da Fraternidade e trazê-lo com segurança para o porto. Que se faça a vontade de Deus!

Para ser justo, o Capítulo conseguiu mudar o Superior Geral, que era a coisa mais importante que tinha de fazer. O Bispo Fellay e o Pe. Schmidberger como “conselheiros” podem continuar conspirando com os romanos para que o que resta da Fraternidade do Arcebispo se ponha sob o calcanhar da Roma conciliar, mas o poder supremo na Fraternidade agora pertence ao Pe. Pagliarani. Ele fará bom uso disso? Só Deus o sabe. “A caridade... tudo crê, tudo espera” (I Cor. 13, 7). Devemos orar por ele.

Kyrie eleison.

quinta-feira, agosto 09, 2018

A Guerra Progressista Contra a Família

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Por Lyle J. Arnold, Jr.
Traduzido por Andrea Patrícia

Os Bispos Americanos atacaram o casamento e a família ao conceder tantas anulações
America, 18 de outubro de 2004.


Samuel S. Leibowitz foi advogado criminal por 21 anos, e juiz por 16 anos na corte criminal do Brooklyn. Em 1950, os crimes da juventude haviam alcançado um estágio crítico, Leibowitz começou a criticar as "soluções" do estado de bem estar social ao lidar com a crise. Eles estavam ignorando a causa dos crimes, e e tratando apenas dos efeitos dos delitos juvenis: "fazendo toques de recolher adolescentes e mais áreas de lazer, punindo os pais pelos crimes de seus adolescentes, conseguindo mais assistentes sociais, montando um departamento federal sobre delinquência juvenil, estabelecendo comitês psiquiátricos para pesquisar a psique adolescente."

O juiz averiguou que o país com a mais baixa taxa de crimes juvenis era a Itália. Intrigado, ele resolveu investigar a razão para esta evidência direta, então ele viajou para lá e passou semanas em várias cidades italianas, conversando com os comissários de polícia, diretores de escolas, prefeitos, etc. E ele encontrou a resposta: a juventude na Itália respeitava a autoridade, que começava em casa. A fortiori, ela começava respeitando a autoridade do pai. Mesmo nas famílias mais pobres, o pai era respeitado pela esposa e pelos filhos como seu chefe. Ele formulou este achado, afirmando: "Nove palavras que podem parar a delinquência juvenil: Ponha o pai de volta à cabeça da família" (1). Agora, vamos avançar para o século XXI.

A hierarquia e o clero progressistas da Neoigreja não apenas não reconhecem esta simples verdade descoberta pelo juiz, mas com sua política de fácil anulação, declararam guerra a família em si. De fato, até 2002 os Bispos haviam concedido 50.000 anulações de casamentos anualmente (2).

Este ataque violento contra o Sacramento do Matrimônio e contra a necessidade espiritual e social por famílias estáveis não é nada menos que diabólico. É dito que a Revolução Francesa de 1789 desencadeou mais revoluções. Ela levou europeus esquerdistas com tendência ao anarquismo ou – para usar uma expressão de Fromkin - seguindo Nietzsche, a um clima de "esmagar as coisas" (3).

Pode-se dizer que a Revolução do Vaticano II, é também uma consequência da Revolução Francesa, pior ainda que a de 1789. Ela esmagou tudo o que foi uma vez parte do sagrado passado católico. Uma vez que o punho Nietzschiano esmagou uma família, ela nunca mais será a mesma, é impossível. Uma vez quebrada, sua própria natureza foi modificada.

Deirdre e seu esposo, um talentoso médico, foram casados por 28 anos com três filhos. Ele solicitou, e conseguiu, uma anulação do Tribunal Metropolitano da Arquidiocese de Boston. (4) Estes Bispos alegam com "uma certeza moral" que para começar nunca houve casamento porque na época do casamento, havia uma "falta de discrição necessária" da parte do marido.

Fazendo uma análise simples sobre a decisão do Tribunal, eis como a esposa relata a sentença do Tribunal:

"Em setembro de 1965, este homem, com 31 anos de idade, com inteligência acima da média, não psicótico, não coagido, vindo de um ambiente familiar normal, sofria de algum distúrbio que fez com que ele não fosse capaz de entender o que o matrimônio implica ou a não cumprir as suas obrigações. Este distúrbio aparentemente continuou não detectado por 38 anos e inadvertidamente o impediu de alguma vez experimentar um verdadeiro casamento mesmo que ele tenha tornado-se pai e criado três filhos, e ele era um médico bem sucedido também" (5).


São Thomas Morus foi assassinado por sua oposição a anulação

Como o marido de Deirdre casou-se novamente logo após a anulação, ela fez esta pergunta final:

"Concedamos por um momento que [o Tribunal estava] correto. Por que então deixar uma pessoa com tal julgamento deficiente casar-se novamente oito semanas depois na Igreja Católica?" (6).

Dificilmente pode-se acusar alguém de ser sarcástico hoje em dia se ele acusa a hierarquia atual de acreditar que o martírio de São Thomas Morus - que morreu porque recusou conceder ao Rei uma anulação imprópria - não tinha sentido, que não foi nada mais do que um ato de fútil espetáculo de ostentação. Entretanto, como se o escândalo de anulação não fosse ruim o bastante, adicione a isto o fato de que um pároco de hoje "pode esperar que cerca de 97% a 99% de seus recém-casados estarão usando métodos de controle de natalidade” (7).

O filósofo inglês Edmund Burke disse uma vez: "Tudo o que é necessário para que o mal triunfe é que os bons não façam nada." O juiz Leibowitz começou sua investigação sobre criminalidade juvenil porque ele percebeu que o que estava sendo tratado era o efeito do crime, não a causa. Ele foi um homem bom que fez alguma coisa. 

Nós podemos dizer que nossa hierarquia católica é formada por homens bons fazendo nada? Eu acho que é mais do que isso. Eles são líderes de almas que estão fazendo um mal incalculável porque eles adotaram uma latrina de ideias progressistas, com a qual eles dirigem os fiéis. Uma evidência que nos mostra que nossos Pastores tornaram-se lobos é a permissão que eles deram a incontáveis anulações, ou, melhor dizendo, divórcios católicos.

O caminho para o inferno é pavimentado de boas intenções, diz a máxima. A filosofia de Rousseau ecoou isso quando ele disse: "O único dever do homem é seguir em tudo a inclinação do seu coração" (8). Os líderes da Neoigreja certamente devem concordar com Rousseau. Seus corações foram transformados para cumprir sua agenda progressista. 



Notas:

1."This Week," 12-15-57. Condensado na edição de março de 1962 pela Reader's Digest intitulado, "Nine words that can stop juvenile delinquency."
2. The Remnant, 12-15-06.
3. David Fromkin, Europe's Last Summer, NY: Alfred A. Knof, 2004, p. 39.
4. Sheila Rauch Kennedy, Shattered Faith, NY: Pantheon Books, 1997, p. 43.
5. Ibid.
6. Ibid.
7 Catholic Family News, 1-06, p. 11.
8 The Latin Mass magazine, Spring 07, 30.


Original aqui.