sexta-feira, agosto 31, 2018

Da Murmuração e da Calúnia

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Murmurar é descobrir sem necessidade as faltas ou vícios do próximo.

Sem necessidade, dizemos, nem para bem público, nem para bem particular, porquanto se torna as vezes preciso divulgar certos males, ainda com prejuízos e desonra de quem o fez, v.g. declarando-os aos pais, mestres ou mais superiores, para que ponham cobro aos desmandos do seus inferiores, e preservem os mais do contágio e outros prejuízos eminentes. Fora esses casos excepcionais, lembremo-nos que nem todas as verdades se dizem.

Caluniar é imputar ao próximo defeitos ou culpas que não tem.
Inventa, pois, o caluniador perverso, e propala falsidade contra a honra do próximo, a quem rouba cruelmente a fama, que é dos bens o mais precisos: crime, pois, mais odioso que o precedente, já que fere a um tempo a verdade, a caridade e a própria justiça.

Tanto este como aquele pecado da língua designa-se com o nome de Detração. A Detração, em geral, é a difamação injusta do próximo ausente, por palavras ou sinais.

Arranca ou rasga o detrator a honra alheia, tira-lhe a seu irmão a fama ou reputação, difama-o. 

Para bem avaliar a gravidade deste pecado, é preciso levar em conta várias circunstâncias:
 
1º A qualidade do detrator, a posição social, o conceito de que goza de inteligente e criterioso, agravam notavelmente a ferida e o prejuízo. 
 
2º A qualidade do ofendido; se for pessoa de consideração, um sacerdote, um prelado, um magistrado, que será feito da sua autoridade e do respeito que merece? Se for um negociante, não focará desacreditado e seu negócio arruinado? Como achará emprego o criado, o operário assim difamado? Como achará arranjo uma pobre moça com o nome já mareado? 
 
3º O objeto ou matéria da detração pode ser de maior ou menor importância, mais ou menos secreto e oculto o mal que a vítima se assaca. 
 
4º O número e qualidade dos ouvintes. 
 
5º Os inconvenientes, as consequências, ora mais, ora menos funestas. 6º A paixão e a maldade com que se perpetra o atentado.

Muitos são os modos por que os detratores ofendem a fama do próximo.
1º Uns inventam e atribuem a outro, mal que não fez; são estes propriamente os caluniadores, execrados de Deus e dos homens, Imponens.

2º Outros exageram o mal, Augens.

3º Outros, é este o caso mais frequente, revelam misérias secretas do particulares ou das famílias, as vezes até em público raso, muitas vezes segredando ao ouvido duma ou outra pessoa: Sabe, v.m., o que dizem de fulano, de fulana...?
Fulana não é feliz com o marido, triste casal;... a moça fulana, dizem que é bastante leviana com fulano; - e que tal a ladroeira de fulano?... a fulano andam-lhe mal os negócios... Olhe, v.m., que é segredo, a mais ninguém o digo!
Ah! Segredo, e por que o não guarda? Assim o entregaria se de si se tratasse?
Que comichão de falar...oh! faísca bastante para incendiar uma vasta floresta! Malditos mexericos, malditos mexeriqueiros que acendem as inimizades e as ateiam, referindo a uns e outros o que pode provocar desuniões e rancores quase irremediáveis! Manifestans.

4º Difama-se o próximo deitando-lhe as ações a mal, atribuindo-lhes más intenções em seus atos, ora indiferentes, ora até louváveis. – Ah! Coração perverso, mede aos mais pela sua vara; seus olhos maus veem mal em tudo. 

Guarde-as para si suas interpretações malignas, que, voltando-se feitiço contra feiticeiro, perde a própria fama, e ninguém lhe acreditará nas boas intenções, já que aos mais, as nega. In mala vertens.

5º Tira-se a honra do próximo negando o bem que outros dizem dele. Ainda que não seja verdade o que se diz em louvor duma pessoa, que tem com isto o detrator? Qui negat.

6º Com a mesma injustiça diminui-se o elogio do próximo, ou se torna duvidoso o bem que lhe é atribuído. A quem louva uma bela ação, o bom procedimento, a generosidade, o zelo, o trabalho, a caridade, a fortuna, o comércio, os sucessos de um ausente, responde o murmurador: “Ora, que não há tanto assim... Nem tudo que luz é ouro!”... Não há como medir o alcance destruidor dessas e quejandas restrições. Qui minuit.

7º Os mesmo danados fins conseguem outros só com o calar-se; que há silêncio calculado e maldoso mais eloquente que as palavras. Estão a dizer mal de alguém, vós poderíeis defende-lo; em o não fazendo, cooperais a degolação desta inocente vítima. Qui tacet!

8º O louvar frouxamente pode ser, às vezes, venenosa maledicência. Ao louvar-se alguém a vista de outro, acode este com um sim tão seco, em tom de frieza, de indiferença e de constrangimento como de quem o solta contra sua opinião; tanto faz, como dizer que coisas sabe que desabonam o mérito da pessoa louvada, e é quanto basta para tudo eclipsar.
Outra manha do detrator: começa ele próprio com os encômios do ausente e, de repente: Mas! Muito homem de bem... muito boa mulher... moça muito trabalhadeira... etc.,... mas! Funesto mas! Murmuração tremenda! Disse muito uma palavra, uma palavra, um monossílabo, disse demais! Ai! Que foi isto enfeitar a vítima para degolar! Laudatque remisse.

Importa notar que para o crime de detração coopera também que assiste e escuta, que não houvera murmuradores, se não encontrassem ouvidos para atende-los.

Assim verifica-se o dizer dos Doutores que é de três pontas a língua do murmurador, e fere três vítimas a um tempo: quem fala, com quem e de quem se fala.

Entenda-se porém esta doutrina da participação voluntária, que não incorre em tão funesta cumplicidade quem, em não podendo tapar a boca maldizente ou tomar formalmente as dores do paciente, encerra-se em significativo silêncio de tristeza, de contrariedade, de distração, que basta quase sempre o rosto triste para deter a língua do maldizente, como dissipa o vento do aquilão as chuvas (Pv., 25,23).

Pior se torna e muito mais funesta e mais irremediável a detração quando perpetrada por escrito, e que será pela imprensa! Multiplica-se então os cúmplices no infinito: escritores, impressores, vendedores e leitores sem conta possível, cercam a pobre vítima como vespas peçonhentas, ou antes como assassinos implacáveis, de quem não pode escapar.

Urge-lhes os detratores de qualquer denominação a obrigação irreclinável de ressarcir o prejuízo que causaram ao próximo, obrigação de justiça qual a de restituir o que se roubou: Redde quod debes. Repõe o que me tirastes, pode clamar a vítima do detrator; roubaste-me a honra, a reputação, o crédito, o negócio, a posição; repõe-me isso tudo, que o reclamo em nome da razão, da religião, da justiça e da caridade. “O seu a seu dono!” Assim quiseras para ti, assim faze para os outros, senão, ouve a sentença de santo Agostinho que é da justiça divina: Non remittitur peccatum nisi restituatur ablatum. 


Fonte: Manual do Cristão - 1930

quarta-feira, agosto 29, 2018

Novena Irresistível ao Sagrado Coração de Jesus

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Uma novena linda! Faça você também!


Para se rezar com devoção, piedade e confiança, e assim alcançar as melhores graças e bênçãos celestiais


Em uma das aparições a Santa Margarida Maria Alacoque, Jesus disse: “Eis o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até esgotar-se e consumir-se, para testemunhar-lhes seu amor. Como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões...”
E em outro momento de suas aparições, ele ainda completou: “Meu Coração se dilatará para distribuir com abundância o seu divino amor sobre aqueles que lhe prestem culto.”
Daí a importância de rezarmos com piedade e confiança esta oração, por onde o Coração de Jesus derramará sobre nós graças e bênçãos abundantes.
Apesar das ofensas, dos pecados e das ingratidões da humanidade, Jesus abre o seu Coração e mostra aos homens todo o seu amor e a sua misericórdia. Nada melhor do que recorrer ao Sagrado Coração de Jesus para pedir tudo o que necessitamos. Afinal Ele mesmo prometeu: “Eu darei aos devotos do meu Coração todas as graças necessárias ao seu estado”.
“As pessoas que propagarem essa devoção terão seus nomes eternamente inscritos no meu Coração”.

NOVENA 
1. Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo, pedi e recebereis, procurai e achareis, batei e ser-vos-á dado!” Eis que bato, procuro e peço a graça...
Pai Nosso, Avé Maria e Glória.
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós!



2. Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo, qualquer coisa que peçais ao meu Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá!” Eis que ao Vosso Pai, em Vosso nome, eu vos peço a graça...
Pai Nosso, Ave Maria e Glória
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós!


3. Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo, passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão!” Eis que, apoiado na infalibilidade das Vossas santas palavras, eu Vos peço a graça...
Pai Nosso, Ave Maria e Glória
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós!

           São José,
           Amigo do Sagrado Coração de Jesus,
           rogai por nós.

           Salve Rainha.

A Meditação Católica

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Por Flores da Modéstia





Quando falamos em Meditação, logo vem a mente a seita budista. Infelizmente com a proliferação das falsas doutrinas, Existe a Meditação CATÓLICA e se pesquisarem vão ver que os Santos meditavam sempre.  A mais excelente Meditação e que agrada muito a Deus é a meditação da Paixão e morte de Cristo na Cruz. Por que ai vamos descobrindo o quanto Deus nos amou e ainda nos ama, o mistério da Cruz é algo que para nós é realmente um Mistério. Nunca vamos entender o quanto Deus nos amou nos dando seu filho, e o quanto Jesus nos amou morrendo por nós e pagando um preço caro pelos nossos pecados.


O que o Catecismo fala sobre a Meditação? Eis um link: Catecismo e Meditação

Como fazer uma meditação Católica?

Vejamos o que é necessário para uma boa meditação:

1. O Livro (um bom Livro CATÓLICO).

2. O Lugar (Lugar calmo, silencioso, o qual você possa ouvir a voz de Deus).

3. A  Hora (Manhã, logo quando acorda preferencialmente).

4. A Duração (Depende da leitura, é bom escolher uma folha ou uma capítulo pequeno do livro escolhido por dia, dura no máximo 20 minutos).

5. O Método: A Reflexão do que foi lido e como aplicar isso no seu dia a dia.

Resumindo: Logo pela manhã, faz o sinal da cruz, reza uma Ave Maria, e um Pai nosso, põe-se na presença de Deus. Pega o livro escolhido, lê um parágrafo, ou uma folha, um trecho. Fecha o livro. Fecha os olhos e reflete, é aconselhável fazer-se as seguintes perguntas sobre a leitura:

- Eu tenho vivido isso em minha vida? 


- Que profundidade isso tem? Como pode me aproximar do Senhor?

- Como e o que devo fazer para mudar e aplicar estes ensinamentos no dia de hoje e no futuro?




Faz o sinal da cruz, logo mentaliza uma frase (a mais marcante da meditação), para lembra-la durante o dia.

Pronto, fácil, simples e edificante!

Dica de livros recomendados para Meditação:

- Imitação de Cristo - Tomas de Kempis.
- Filotéia - São Francisco de Sales.
- A Prática do Amor a Jesus Cristo - Santo Afonso de Ligório

Espero que tenham gostado!
Salve Maria!

terça-feira, agosto 28, 2018

Farsas: falsas curas ou curandeirismo

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Franciele Frota explica o que acontece em certas igrejas, seitas, terreiros de macumba. Uma breve explicação das falsas curas, do curandeirismo:



Bibliografia: -Curandeirismo um mal ou bem (Oscar Quevedo) -Os poderes secretos do homem (Robert Tocquet) -Controle cerebral e emocional (Narciso Irala)


segunda-feira, agosto 27, 2018

Comentários Eleison: Videogame Manipulado - II

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLXXX (580) (25 de agosto de 2018):

Videogame Manipulado - II



Se o Céu diz que aqui está a solução,
Aqui está ela, e não na revolução.

Conta-se a história da grande monarca católica da Espanha, a rainha Isabel (1451-1504), que quando perguntada uma vez o que queria ver em uma pintura, ela respondeu “um padre dizendo missa, uma mulher dando à luz e um criminoso sendo enforcado”. Em outras palavras, todos têm um papel para desempenhar na vida, e todos devem desempenhar esse papel e não outro. Podemos apenas imaginar o que ela teria dito sobre um mundo em que padres celebram piqueniques eucarísticos, mulheres usam da contracepção e abortam livremente, e criminosos são condenados a penas cada vez mais curtas em prisões que lembram hotéis de luxo. Hoje “Nada é senão o que não é” (Macbeth, I, 3).

Hoje muitas pessoas sentem que a vida moderna é falsa, mas poucos conseguem ver por que nada é senão o que não é, ou por que “Nada é real, e nada por que preocupar-se, Strawberry Fields para sempre” (Beatles). Observam a opressão policial, jornalistas que mentem, medicamentos que envenenam, advogados que trapaceiam, políticos que traem, mulheres que se autoesterilizam, jovens que se suicidam, professores que corrompem, médicos que matam, e assim por diante; e o pior de tudo, sacerdotes que apostatam. Não é difícil ver à nossa volta um mundo desordenado que é exatamente o oposto da ordem correta que a rainha Isabel tinha em mente para a Espanha. Mas a desordem está tão disfarçada que se assemelha no presente à correta ordem do passado, de modo que poucas pessoas podem descobrir de onde vem a desordem, e muitos desistem da tentativa de localizá-la, estabelecendo-se entre os confortos materiais que ela têm para oferecer. Por exemplo, muitos músicos de rock ganham um bom dinheiro gritando contra os maus frutos do materialismo, mas poucos, se é que há algum, vão atrás das raízes destes, de modo que a maioria acaba como materialista bastante cômodo, parte integrante da falsidade que ela reconheceu corretamente nos dias em que ganhava dinheiro.

Nas palavras da velha canção, “Por quê, por quê, por quê, Dalila?” Porque as pessoas se livraram da presença de Deus em suas vidas e não têm noção de que Sua ausência é o problema. E se alguma vez têm um pressentimento, então pela mesma razão que elas se livraram d’Ele em primeiro lugar, agora procurarão em qualquer lugar, e não na direção d’Ele, pela a solução. No entanto, foi Cristo quem criou, para o fim do mundo, aquela Cristandade que elevou na Idade Média a civilização a alturas sem precedente, e da qual a “civilização ocidental” é a sucessora sem Cristo. Mas Cristan-dade sem Cristo é “-dade”, ou melhor, “fatalidade”.

Mas a “fatalidade” tem de competir com a Idade Média, pois, caso contrário, os homens vão querer voltar a Cristo. Daí que as aparências da lei cristã, dos hospitais, dos parlamentos, etc., devem ser mantidas mesmo que a substância seja esvaziada. Por isso que nos últimos quinhentos anos há uma série de “conservadores” que não conservaram nada além da última conquista dos liberais, daí uma longa procissão de políticos hipócritas, aparentemente direitistas, mas de fato esquerdistas, porque é isso que os povos querem – líderes que parecerão prestar homenagem aos remanescentes de Deus e de Cristo, mas que na realidade estão servindo ao Diabo, abrindo caminho para mais liberdade de Deus e de Cristo.

Daí o Concílio Vaticano II na Igreja, que mantém a aparência exterior do catolicismo, ainda que o substitua pela realidade do modernismo. Daí o Capítulo de 2012 na Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que pretendeu manter a Tradição Católica mesmo enquanto se preparava para subordiná-la ao Vaticano II. Daí o Capítulo da Fraternidade de 2018, fingindo livrar-se do arquiteto do Capítulo de 2012, mesmo assegurando que ele permanecesse no poder. Daí um Capítulo representando não a realidade da situação da Igreja ou da Fraternidade, mas um videogame manipulado para tranquilizar aqueles que resistem à marcha da Fraternidade em direção à Roma conciliar, mesmo enquanto protegem essa marcha. Queira Deus que a situação não esteja assim.

Então, se o mundo inteiro estiver manipulando videogames, há alguma solução? É impossível que o Céu nos tenha deixado sem solução. Desde a Idade Média, Nossa Senhora tem nos dado a todos nós o Rosário. Nos tempos modernos, ela nos deu a devoção dos primeiros sábados. Se negligenciamos seus remédios é por nossa própria conta e nosso próprio risco.
                                                                                                                                   

Kyrie eleison.

*Traduzido por Cristoph Klug.


sexta-feira, agosto 24, 2018

A Era da Incontinência Emocional

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"Por que estão nos convencendo a incorporar doenças mentais? Porque é mais fácil controlar uma população em constante estado de fragilidade emocional.Paul Joseph Watson.


Assista este vídeo (no final da postagem) do Paul Joseph Watson. É muito interessante a análise dele, mas ele dá a solução errada: o antídoto para este mal não é o estoicismo, é o Cristianismo!

Afinal de contas, quem são os heróis do controle emocional, as pessoas que souberam de fato vencer seus maus impulsos, souberam resistir bravamente a perseguições, humilhações, torturas, sofrimentos vários? Nós, católicos, sabemos a resposta: os santos! Todos imitando Nosso Senhor Jesus Cristo.

Então, controle emocional de verdade quem ensina é o Cristianismo.

No vídeo ele fala sobre os Reality Shows e as redes sociais, como veículos de propagação de comportamentos nocivos ao ser humano, à sociedade. As pessoas assistem a estes programas ou vídeos no youtube, frequentam redes sociais, e terminam por macaquear os comportamentos apresentados nestas mídias, comportamentos infantilóides, exagerados, falsos. E o pior é que quem não se deixa levar por tais "modelos" termina sendo rotulado de "estranho", "frio", "insensível", isso porque não abre o berreiro como um bebê ao sentir uma emoção... Não, não precisamos ser assim tao espontâneos, precisamos sim ser sinceros, mas não grosseiros, não inconvenientes, não descontrolados.

Leia abaixo a descrição do vídeo de Watson:
"Por milênios, o Ocidente construiu e estabeleceu um universo emocional saudável e muitíssimo adequado à natureza humana.
Naturalmente, ríamos com as loucuras de Dom Quixote e nos sentíamos apreensivos com as aventuras de Odisseu. Os treze círculos do inferno de Dante nos causavam terror, e o amor tempestuoso de Catherine e Heathcliff nos arrepiou imensamente. Mas e hoje em dia, na época do Twitter e da sociedade do espetáculo, o que faz as pessoas desabarem em lágrimas? - a foto de um homem sorrindo - receber o molho errado no Mc Donald's - receber uma pintura acompanhada de uma troca de móveis - a morte de uma celebridade aleatória O sentimentalismo exacerbado dos tempos hodiernos desgasta as nossas percepções e sabotam os nosso sentimentos em relação às coisas realmente importantes."


quinta-feira, agosto 23, 2018

A Gravidade do Matrimônio

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Por Lyle J. Arnold, Jr.
Traduzido por Andrea Patrícia

Salomé recebendo de Herodes a cabeça do Batista

São João Batista incitou o ódio fanático de Herodíades por repreender seu casamento ilícito ao Tetrarca Herodes Antipas. Suas palavras foram: "Não te é lícito possuí-la" (Mt 14, 4).
De fato, era para aplacar o ódio da cruel e desavergonhada Herodíades que o Tetrarca lançara João na prisão. Mas a mulher odiosa, que teve uma influência fatal sobre ele, só ficaria satisfeita com nada menos que a morte de João Batista, seu “inimigo mais perigoso”. (1)
A oportunidade para o crime dela veio durante um grande banquete, marcado para o aniversário de Herodes. Salomé, a filha de Herodíades, realizou uma dança para Herodes e seus convidados para o jantar. Naquela época, ela teria quase 20 anos. Seu desempenho foi mais do que indecente, Pe. Fillion nos conta em sua Vida de Cristo, foi uma verdadeira degradação.
O desempenho de Salomé chamou a atenção de todos e conseguiu conquistar o favor do Tetrarca. Superaquecido com vinho, ele tolamente prometeu dar a ela o que ela pedisse, “mesmo que seja metade do meu reino”. (2)
Instruída por sua mãe, Salomé disse: “Eu desejo que você me dê aqui em um prato a cabeça de João Batista” (Mateus 14, 8). A iníqua ordem foi prontamente realizada e, após uma curta ausência, o soldado retornou ao salão de banquetes, carregando numa bandeja manchada de sangue a cabeça do Batista, e colocou-a nas mãos de Salomé. (3)
Séculos depois, mais duas cabeças cairiam no machado por razões análogas. John Fisher e Thomas More se opuseram veementemente e abertamente à decisão de Henrique VIII de se estabelecer como chefe supremo da Igreja na Inglaterra.
O motivo do rei não era primariamente teológico; ele desejou que Roma anulasse seu casamento com Catarina de Aragão e Roma recusou. A desculpa hipócrita de Henrique para romper com Roma baseava-se em sua pretensão de que a vontade de Deus era que ele o fizesse, já que ele não possuía um herdeiro homem.
Os bispos capitularam ao desejo do rei. Os bispos ingleses ouviram com docilidade e seu porta-voz, o velho arcebispo Warham, deu sua resposta. “Isso é verdade, se isso agrada a sua Alteza. Não duvido que todos os meus irmãos aqui afirmem o mesmo” (4). Houve uma repentina agitação na sala lotada quando os planos deram errado. A voz de John Fisher ecoou pela sala: "Não, senhor, não eu. O senhor não tem meu consentimento para isso". (5) O chanceler do rei, Thomas More, mais tarde adotou a mesma postura. E assim São John Fisher e São Thomas More enfrentaram o mesmo destino de São João Batista.
Mutatis mutandis, é assombrosamente lembrado aos Bispos de nossa época que tomaram atitudes negligentes quanto às anulações do casamento.
Onde estamos hoje
Não é necessário lidar com estatísticas. Ainda assim, é útil ver algumas figuras para ter uma ideia da grande mudança no número anual de anulações nos Estados Unidos antes e depois do Vaticano II.

Carimbo de borracha e desenrolamento rápido dos escritórios diocesanos

Antes do Concílio, havia cerca de 300 anulações anuais nos Estados Unidos; depois, mais de 30.000 por ano, com um pico de 63.933 em 1991. (6)
Diante desta maré de anulações - muitas concedidas rapidamente e baseadas simplesmente em “razões psicológicas” ou “imaturidade” - moralmente falando, todo católico digno desse nome se pergunta como algo tão grave como o voto matrimonial pode ser tão facilmente dissolvido.
Eu acredito que existem três causas para essas anulações:
1. O Vaticano II inverteu o objetivo principal do casamento de ter filhos e criá-los bem para o amor dos cônjuges. O que era um fim objetivo sério, procriação, passou durante da noite para o dia a ser um propósito subjetivo disputável, amor. Com esse objetivo subjetivo e, de certo modo, hedonista, afirmado como supremo, muitos casamentos estavam em jogo. Antes, a regra era: um casamento deve continuar mesmo sem amor; hoje, tornou-se: sem amor, o casamento deve terminar, mesmo que haja filhos.
2. Depois do Concílio, os sacerdotes pararam de falar nos púlpitos e nos confessionários sobre a gravidade do casamento e a obediência aos seus votos. Em vez de resistir à falta de moralidade ou imoralidade do mundo, os católicos seguem cada vez mais essas tendências ruins, já que não têm uma direção clara.
3. Os papas pós-conciliares, em vez disso, estabeleceram que qualquer tribunal episcopal pode anular um casamento, tornando incrivelmente fácil obter uma anulação e, ao fazê-lo, levantou uma tentação desnecessária para os casais e perturbou a estabilidade da família católica.

Outro compromisso a ser feito?

Nos dias 20 e 21 de fevereiro de 2014, o Papa Francisco se reunirá com os cardeais pouco antes do consistório de sábado, onde serão criados 19 novos cardeais. Uma questão candente na mesa para discussão serão as regras relaxadas para os católicos que se divorciam e voltam a casar sem anulação para receber a Comunhão e os outros sacramentos da Igreja. Esta sessão com os Cardeais estabelecerá diretrizes para o Sínodo dos Bispos que se reunirá para discutir a família e o casamento em outubro.
Alguns estão sentindo o cheiro de um compromisso no ar. (7) Uma vez que uma questão doutrinária está envolvida, há Prelados que estão inclinados a conceder permissão para uma pessoa se casar novamente sem uma anulação para receber os Sacramentos.

O'Malley propõe anulações ainda mais fáceis; Francisco pede mais misericórdia

Outras ideias estão sendo "lançadas", também, para afrouxar as leis supostamente severas da Igreja sobre o casamento. O Cardeal Sean O'Malley, de Boston, sugere acelerar o processo de anulação, eliminando apelos a Roma. Além disso, um grupo de advogados italianos canônicos argumenta que as razões para as anulações devem ser expandidas. Isso incluiria a desculpa do “mama-ismo” - que um dos cônjuges estava muito sob o controle de sua “mãe” e tão incapaz de fazer um julgamento maduro.
Um jornalista progressista resume a situação: “Anulações mais rápidas, mais fáceis e mais baratas podem ser uma maneira de dar a todos pelo menos o que eles querem - defender a indissolubilidade do casamento, mas também fornecer a milhões de católicos divorciados e recasados uma estratégia de saída de sua forma de limbo” (8).
São João Batista foi decapitado porque se recusou a reconhecer o casamento ilícito de Herodes. São John Fisher e São Thomas More também foram condenados à morte por não aceitarem o divórcio e o novo casamento do rei.
Hoje estamos testemunhando a capitulação em massa devido à negação da gravidade do sacramento do matrimônio e seus votos matrimoniais. O casamento é um sacramento destinado a levar os participantes à salvação. Hoje, sob a nuvem negra do Progressismo, transformou-se em um rock-and-roll burlesco.
Peçamos a Nossa Senhora e a São José, o mais perfeito exemplo de matrimônio do mundo, que ponha fim a essa insanidade moral que, por sua própria natureza, é a causa de lares desfeitos e crianças dispersas.
De 19 de fevereiro de 2014.
Notas:
  1. Rev. L.C. Fillion, The Life of Christ - A Historical, Critical, and Apologetic Exposition, S.S, St. Louis: Herder Bk,1943, Vol II, p. 470.
  2. Ibid, p. 471- 472.
  3. Ibid, pp. 472-473.
  4. John Farrow, The Story of Thomas More, NY: Sheed and Ward, 1954, p. 149. Nota de rodapé 4
  5. Ibid.
  6. Veja aqui
  7. John Allen, “In Busy Week, Pope Francis may float compromise on divorce,” Boston Globe, 17 de fevereiro, 2004
  8. Ibid.
Original aqui.



terça-feira, agosto 21, 2018

Padre Quevedo: Espiritismo, Milagres e Parapsicologia

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Leia abaixo trechos de Padre Quevedo tratando sobre milagres, espiritismo e Parapsicologia.

Destaco os trechos:

"Como acontece com os milagres: há tipos de fenômenos que superam nitidamente as forças da natureza e que só aconteceram, ao longo de toda a História. em ambiente claramente religioso divino," Sim, o Padre Quevedo crê nos milagres da Igreja.

"Muitas coisas a Parapsicologia no estado atual não sabe explicar.". Não, Padre Quevedo NÃO diz que a Parapsicologia explica tudo.

 Consegui os trechos com Mário Umetsu:


"Posso afirmar, sem medo de errar. que hoje não ha nenhum tipo de fenômeno espiritóide que a Parapsicologia não haja pesquisado amplamente e que não saiba explicar. Mas teoricamente, se houvesse algum fenômeno inexplicado a conclusão logica seria a mesma: ignorância não é argumento. Para atribuir ao além, não basta o falso argumento negativo de não se saber explicar, é preciso demonstrar positivamente que só tem explicação sobrenatural. E assim que se procede no diagnóstico dos milagres divinos: exclusivos de determinado ambiente, e tão diferentes e tão superiores a todos os fenômenos espiritóides ou parapsicológicos de todos os tempos e ambientes etc.
O que há hoje, e provavelmente haverá sempre, são alguns aspectos ainda por desvendar, ou precisar ou aprofundar, em muitas ou ate em todas as faculdades parapsicológicas.

Isto é, mesmo que um caso ou mesmo um tipo de fenômenos a Parapsicologia hoje não soubesse explicar— não existem em ambiente espiritóide, mas falo em hipótese —, isso nada provaria. Seria preciso demonstrar positivamente que esse caso ou esse tipo de fenômenos só os espíritos dos mortos poderiam fazê-lo e só eles o fizeram. Como acontece com os milagres: há tipos de fenômenos que superam nitidamente as forças da natureza e que só aconteceram, ao longo de toda a História. em ambiente claramente religioso divino, como positivamente está demonstrado. Essa dupla prova os espiritas jamais a apresentaram. Jamais superaram os desafios da Ciência. O que acontece em ambiente espirita acontece também em qualquer outro ambiente.

Algumas pessoas querem e pedem uma explicação completa, até os últimos detalhes, das faculdades parapsicológicas, seus mecanismos, seu funcionamento, a natureza interna de PG, da telepatia, do ectoplasma. do próprio inconsciente e do próprio psiquismo na situação parapsicológica... Muitas coisas a Parapsicologia no estado atual não sabe explicar.

Sabemos muito do que os fenômenos parapsicológicos não são. Não são demoníacos. Não são espiritas. Não são... E sabemos muito do que os fenômenos parapsicológicas são: são humanos ou divinos. São caracteristicamente humanos, ou caracteristicamente divinos. São de condições humanas, ou são exclusivos da liberdade divina. São vinculados aos vivos ou são exclusivos de ambiente divino. Uns são materiais (EN). Outros são espirituais (PN). Outros são psicofísicos. Alguns claramente por poder de Deus (SN)."

Comentários Eleison: Videogame Manipulado - I

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLXXIX (579) (18 de agosto de 2018):

Videogame Manipulado - I


Toda política, toda economia, toda paz e toda guerra:

Seja contra ou a favor, em torno de Cristo Tudo gira.

A caridade certamente guia os rogos pelo novo Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, para que Deus possa dar-lhe o discernimento e a força para trazer a Fraternidade de volta ao curso estabelecido para ela – e para o bem da Igreja Universal – pelo Arcebispo Lefebvre; mas, na verdade, pode ser que o padre Pagliarani nem tenha o desejo de fazer tal coisa. Para sermos realistas, no nível humano as indicações são de que ele está no mesmo comprimento de onda que Dom Fellay, e que sua eleição como Superior Geral foi o plano de apoio conjunto de Roma e de Dom Fellay para o Capítulo se este não fosse reeleito, tal como se deu. Assim, se o P. Pagliarani cuidasse dos interesses de Dom Fellay, este, em caso de necessidade, promoveria sua candidatura a Superior Geral. Eis algumas indicações de que os dois estão conspirando para pôr a Fraternidade tradicionalista sob a Roma Conciliar:

* No Capítulo Geral intermediário (não eletivo) de 2012, relatou-se que foi o Pe. Pagliarani quem salvou Dom Fellay de argumentos devastadores apresentados ao Capítulo para sua destituição e substituição como Superior Geral. O Pe. Pagliarani disse ao Capítulo que não deviam dar uma bofetada na cara do Superior – e o frágil Capítulo passou diretamente para outros assuntos.

* Logo depois daquele Capítulo, o Pe. Pagliarani foi promovido – recompensado? – por Dom Fellay com o cargo elevado de Reitor do Seminário da Fraternidade para a América Latina em La Reja, nas Argentina. Lá ouviram o Pe. Pagliarani criticando quem não entende a necessidade de um acordo entre a Fraternidade e Roma – a mesma política de Dom Fellay.

* Podemos esperar que um dia saibamos exatamente como foi que os dois "Conselheiros" foram acrescentados ao Conselho Geral da Fraternidade, colocando assim Dom Fellay de volta à sede do poder na Fraternidade da qual ele acabava de ser destituído alguns dias antes. Mas é possível que os tão dóceis e respeitosos capitulares tivessem votado por tal medida se esta não agradasse ao próprio novo Superior Geral? E ainda mais, se não tivesse sido proposta pelo próprio Pe. Pagliarani?

Tais questões seguem como especulações até que os fatos sejam conhecidos, mas não são especulações vãs, porque o curso da Fraternidade nos próximos anos depende bastante da Igreja Universal. Será que a Fraternidade se tornará novamente o baluarte central da resistência à apostasia conciliar que causa estragos na Igreja, ou ela se juntará a esse movimento de apostasia? Dentro da Igreja oficial a Fraternidade sempre foi numericamente insignificante quando comparada com todas as outras instituições que compõem a Igreja Universal, mas a fidelidade única da Fraternidade à doutrina católica e aos Sacramentos de todos os tempos, que estão sendo abandonados ou pervertidos pelas mais altas autoridades da Igreja, fez com que a Fraternidade fosse uma força por levar-se em conta. A posição do Arcebispo em relação à Verdade tornou-o temível. Os Papas conciliares não podiam tragá-lo nem cuspi-lo. Mas eles há muito tragaram e comeram Dom Fellay.

O tempo dirá como o Pe. Pagliarani lidará com suas imensas responsabilidades. Enquanto isso, oramos por ele, mas não estamos humanamente esperançosos. É grande demais o risco de que os líderes da Fraternidade sigam o restante dos líderes do mundo, e transformem a Fraternidade em um "videogame manipulado", como alguém descreveu tão bem o mundo de hoje. Para castigar a humanidade que abandona a Deus em todos os lugares, Ele está dando poder aos seus inimigos para erradicarem os últimos restos mortais de Cristo e da civilização cristã. No entanto, pelo menos por um tempo ainda as aparências de Cristo e de Sua Igreja devem ser mantidas até que não despertem mais a nostalgia dos homens que estão sendo descristianizados. Daí o videogame sem realidade sob as aparências que se desvanecem. Daí a manipulação das eleições e de Capítulos para instaurar o Admirável Mundo Novo, sem Cristo e sem Deus.

Infelizmente, para esses pobres inimigos... Deus existe, e o braço de Nosso Senhor se torna mais e mais pesado!

Kyrie eleison.










quinta-feira, agosto 16, 2018

Defraudando a Indissolubilidade do Matrimônio

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Por Lyle J. Arnold, Jr.
Traduzido por Andrea Patrícia
Fariseus tentaram enganar Nosso Senhor na questão sobre o divórcio


Em um livro sobre o problema do divórcio publicado um ano antes do Vaticano II, este paradoxo é apontado: “Justamente quando o mundo pós-cristão entrou num período sem paralelo de ideais hedonistas, e de desprezo por noções tão não lucrativas como o mundo que há de vir, autocontrole e penitência, os católicos emergiram de seu próprio enclave privado para tornarem-se mais uma parte do mundo à volta deles do que eles foram por séculos." (1) Foi com este mundo de "ideais hedonistas" que o Vaticano II fundiu-se, não para remediar o problema, mas para garantir seu sucesso. Seu objetivo era promover e acelerar o motor desse hedonismo adicionando o dinamismo da Igreja a isto. Um dos campos onde seus efeitos foram claramente sentidos foi o do casamento católico. Destruir a indissolubilidade do casamento é destruir os augustos benefícios da família. No processo de anulação, praticamente qualquer pretexto vem sendo aceito para pôr um fim em casamentos e o resultado disto é que acontecem cerca de 60.000 anulações por ano. Uma anulação feita sob a autoridade da Igreja é agora uma forma de divórcio em tudo menos no nome. O "divórcio católico" é extremamente nocivo para a família e a sociedade. Ele fere os filhos bem como os esposos, frequentemente induz o requerente a deturpar o passado, e leva muitos para longe da Igreja. É um desastre. Em Seu Sermão da Montanha (Mt 5,31-32), Nosso Senhor proíbe expressamente o divórcio, mas os judeus rejeitaram este preceito imediatamente. Passando pelo distrito da Pereia, nós O vemos assediado por Seus mais amargos inimigos, os Fariseus, que não O deixam em paz em parte alguma. Tendo decidido apressar a morte Dele, eles estavam sempre observando para tentar encontrar algum “erro” de Sua parte para que assim eles pudessem condená-Lo. Eles achavam que haviam encontrado um no assunto do casamento. Com os corações cheios de malícia, os judeus colocaram esta questão para Nosso Senhor: “O grande legislador Moisés permitiu o divórcio e o recasamento. Você nega a validade da Lei deste homem de Deus?" (2) Nosso Senhor assinalou que Moisés fez esta concessão temporária por causa da dureza dos corações dos judeus. Ele permitiu o divórcio em alguns casos na Antiga Lei, mas sua permissão temporária teve um fim com a Nova Aliança. Assim, Ele reestabeleceu a indissolubilidade do casamento em toda a sua casta beleza. (3) A indissolubilidade do casamento era o Estado de Direito na Igreja Católica desde o tempo de Nosso Senhor até o Vaticano II, quando os agentes do Progressismo conceberam um método para defraudar o mandamento de Nosso Senhor, isto é, colocar a indissolubilidade do casamento em uma situação quase impossível. Este defraudamento é um grande constrangimento ao ensino tradicional da igreja, que é colocado pelo Pe. Paul Sretonovic em dois artigos muito úteis neste site (aqui e aqui).


Inversão dos fins do casamento

Deixe-me explicar o que quero dizer com o progressismo defraudando a indissolubilidade do casamento. 

O ensino católico sobre o casamento tem duas perspectivas: uma moral e uma jurídica. Quanto a perspectiva moral, nós temos visto uma inversão dos fins do casamento – apoio mútuo dos esposos e amor colocados antes da procriação e da formação da prole. Esta posição encontra base na constituição conciliar Gaudium et Spes (48-52). Com esta inversão fundamental, toda a moral torna-se invertida. 

Desde que o “amor” é agora considerado mais importante do que a prole, há um óbvio encorajamento ao uso de contraceptivos. Este tipo de dilema é comum: “para agradar a ele/ela e manter nosso casamento, nós precisamos coabitar, mas nós não podemos arcar com os custos de mais filhos. O que devemos fazer?” Quase todos os confessores dirão: “Sigam em frente e usem contraceptivos.” 

Outra consequência desta inversão toca o nosso assunto diretamente: Desde que o “amor” tornou-se o objetivo principal do casamento, como é possível evitar a conclusão que quando o amor acaba, o casamento não pode ser mantido? Assim, sua indissolubilidade é largamente posta em perigo.

Quanto a perspectiva jurídica, o que se seguiu foi uma liberalização geral nas leis do casamento no Novo Código de Direito Canônico (1983), que causou danos incalculáveis e destruiu a estabilidade católica do casamento. Estas leis, também introduzidas no despertar do Vaticano II, são a razão principal para o dilúvio de anulações que estamos testemunhando. Os católicos tradicionais devem estar avisados sobre estas mudanças desastrosas e resistir a elas. Você pode ler sobre estas leis e suas interpretações aqui, aqui e aqui. [todos em inglês]

Como católicos que reconhecem a autoridade do Papa e dos tribunais de casamento diocesanos, nós aceitamos estas anulações como válidas mesmo que não concordemos com o critério negligente sendo aplicado. A negligência de nossos tribunais eclesiásticos não tornam suas decisões nulas. Como Pe. Sretenovic assinalou: “Certamente os maus juízes – neste caso os Bispos, a Rota Romana, e finalmente o Papa – terão que prestar contas a Deus por suas decisões. Mas para o católico comum, não resta nenhuma outra possibilidade senão aceitá-las." (3) [Nota da trad.: muito complicado. Como aceitar isso?]

Encarando esses fatos nós vemos que os tribunais diocesanos da Igreja Conciliar defraudaram a indissolubilidade do casamento: eles estão tornando impossível manter o casamento católico tradicional, como enfatizado em outro artigo aqui.

O próprio Nosso Senhor fez a lei proibindo o divórcio e o recasamento. Pari passu Ele deu ao Papa e aos Príncipes da Igreja a autoridade judicial para anular os laços do casamento em casos excepcionais, quando há provas de impedimento. Hoje quase qualquer coisa é considerada impedimento. Nós quase podemos dizer que a regra – um casamento estável – tornou-se a exceção – um casamento anulado – é a regra. 

Processos tornados mais fáceis e mais simples 

Considere que antes do Vaticano II cerca de 300 anulações por ano eram concedidas no mundo inteiro; mas sob a Igreja Conciliar o número saltou para 60.000 por ano. Uma larga proporção delas 70% do total – são nos Estados Unidos.

Certamente o processo inteiro foi tornado mais fácil e mais simples em nosso país. Até 1969 petições de anulação só podiam ser apresentadas na diocese onde o casamento havia sido celebrado. Mas em 1970 a Santa Sé aprovou que casos de nulidade fossem apresentados na diocese onde o requerente vive. Isto permitiu que o requerente tivesse sua petição ouvida no tribunal mais conveniente para ele mesmo, o que facilitou o processo.

Outra mudança permitiu que um único juiz ouça um caso em vez de requerer três juízes para ouvir cada petição. Novos prazos para acelerar as anulações foram instituídos, e por aí vai. (4). Um perito em direito canônico gabou-se: “Não há um só casamento na América que nós não possamos anular” (5)

O resultado desta defraudação do antigo sistema nós sabemos qual é: famílias destruídas e perda da fé por dezenas de milhares. Nosso Senhor Jesus Cristo estabeleceu o Sacramento do Matrimônio com sua indissolubilidade. O Progressismo é defraudado no plano de Deus. 


Notas:
  1. Claire McAuley, "Whom God Hath Not Joined," Sheed and Ward, NY, 1961, pp. 5-6.
  2. Fr. L.C. Fillion, The Life of Christ - A Historical, Critical, and Apologetic Exposition, St. Louis: Herder Book Co., 1943, Vol. III, p. 156.
  3. Ibid.
  4. Sheila Rauch Kennedy, Shattered Faith, Holt Paperbacks, 1998, p. 12.


Original aqui.