terça-feira, janeiro 22, 2019

Comentários Eleison: Incêndios Californianos

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DCI (601) (19 de janeiro de 2019)



Incêndios Californianos


Cuidado com qualquer coisa que sobre suas cabeças esteja a voar.
Os novos mundialistas agora apontam – para matar!    

Se alguém, especialmente nos EUA, mas também em qualquer parte do mundo, ainda pensa que as Nações Unidas são uma organização benevolente, ou que os incêndios mais recentes que assolaram o Estado da Califórnia são incêndios florestais normais, têm de pensar melhor em ambos os casos. Há sérios indícios de que os incêndios que destruíram no mês passado as cidades de Paradise e Malibu, e mataram só Deus sabe quantas centenas de pessoas, foram iniciados artificialmente, e há uma suspeita razoável de que eles faziam parte de um plano da ONU para reduzir o número da população dos EUA e expulsá-la do campo para as grandes cidades. Paranoia? Ou um novo paradigma? Sigam lendo.

Por uma larga experiência que se têm no estado da Califórnia, as características de um incêndio florestal normal são bem conhecidas. As temperaturas não costumam ser tão altas a ponto de derreterem metais ou pneus de borracha, os incêndios nunca começam repentinamente em vários lugares de uma vez só, as árvores que cercam as casas raramente permanecem intactas quando as casas queimam, e as casas normalmente não desmoronam deixando um monte de cinzas, principalmente e cor branca. Mas estas são características dos incêndios que destruíram Malibu e o Paradise. Além disso, as estradas pelas quais os habitantes tentavam deixar as cidades em chamas foram transformadas em cemitérios, com destroços de carros com seus motoristas sendo queimados até as cinzas, enquanto as árvores nas beiras das mesmas estradas se mantinham intactas. Na Internet há uma grande quantidade de provas visuais. Para terem apenas um exemplo, vejam themillenniumreport.com.

De longe, a explicação mais provável é a de que os incêndios foram causados ​​por armas DEW, armas de energia dirigida, por exemplo, armas de laser disparadas do alto, de helicópteros ou aviões. Os raios de algumas dessas armas, que existem há décadas, foram capturados pelas câmeras de celular de alguns habitantes, e explicariam o superaquecimento e a seletividade da queimada. Mas quem na terra programaria um satélite ou pilotaria um avião para assassinar deliberadamente seus concidadãos? Leitores, a menos que suas cabeças estejam enterradas na areia, vocês já devem saber que poucas pessoas ainda acreditam que o 11 de setembro foi obra de dezenove árabes. A maioria das pessoas agora admite que as evidências apontam para um trabalho interno, se não do governo público ou das forças armadas, em alguma medida do que agora está sendo chamado "Estado Profundo", em outras palavras, o governo privado oculto dentro do governo público, e que governa o governo público. E o 11 de setembro foi em 2001. Quão mais assassinos esses quase jogadores de Nintendo se tornaram desde então...!

Mas por que o Estado Profundo faria tal coisa? Para cumprir qualquer um dos inúmeros planos para a tirania da Nova Ordem Mundial. Em 1992 foi realizada uma importante reunião das Nações Unidas no Rio de Janeiro, onde 178 governos votaram pela adoção da Agenda 21, um plano de “desenvolvimento sustentável” para o futuro do mundo. Um candidato a presidente dos EUA, Albert Gore, não propôs ali uma redução de nove décimos da população mundial? Por que não fritar essa parcela com jogos de Nintendo lá do céu? É uma séria pergunta para esses futuros gerentes do nosso mundo sem Deus! Se vocês amam a Deus, despertem e sintam o cheiro do incêndio!

O Objetivo 15 da Agenda 2030 da ONU, adotada em 2015 para substituir a Agenda 21 é o seguinte: proteger, restaurar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, manejar florestas de forma sustentável, combater a desertificação e deter e reverter a degradação da terra, e interromper a perda da biodiversidade. Em linguagem simples, obrigar os seres humanos a se mudarem para grandes conurbações, onde podem “empacotar e empilhar” e serem mais facilmente controlados; criminalizar a propriedade privada da terra; criminalizar a autossuficiência e forçar a completa dependência do governo. Mas talvez o mais provável é que haja um quarto propósito: aterrorizar a população desde cima com armas precisas de raio superpotentes, contra as quais não há defesa. Afinal de contas, o objetivo é uma tirania mundial, e como vai a Califórnia, assim vão os EUA, e como vão os EUA, assim vai o mundo.

Agora os leitores veem por que Nossa Senhora disse em 1973 em Akita, no Japão: "Só eu posso ajudá-los agora"?

Kyrie eleison.

segunda-feira, janeiro 14, 2019

Comentários Eleison: Arapuca fechada?

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DC (600) (12 de janeiro de 2019)



ARAPUCA FECHADA?


Algo deve ceder, e não será a Verdade,
Mesmo quando desprezada, sua juventude mantém a imortalidade.

E assim, a Igreja e o mundo passaram outro ano do calendário com todos os preparativos para uma terceira Guerra Mundial que tende a varrer a humanidade da face da terra. E estes "Comentários" chegaram ao número 600, quando parece que ontem mesmo eles estavam celebrando o número 500. O mundo está girando em um ritmo vertiginoso – em latim, "volvitur orbis" –, mas Deus Todo-Poderoso segue plenamente no comando, e Sua Cruz firmemente plantada, sem mover-se – "stat crux". Ele dá um grande grau de liberdade para Seus inimigos, para que atuem como seu flagelo sobre uma geração ateia. Mas o flagelo é para o bem, para separar as ovelhas das cabras, e para impedir que as ovelhas deslizem para o inferno. E que seus inimigos não pensem que obterão o melhor d’Ele – Ele usou os assírios para castigar os israelitas, mas ai dos assírios que pensaram que escapariam de Sua Justiça (Isaías X, especialmente o versículo 15)! De Deus não se escarnece.

Mas no centro mesmo dos problemas do mundo está o problema sem precedentes da Igreja Católica. A Igreja depende de sua hierarquia de Bispos e sacerdotes, pela qual seria lógico que se Deus planejou que Sua Igreja sofresse uma decadência antes do fim do mundo (Lc. XVIII, 8), então a hierarquia deveria estar envolvida, e esse foi o Concílio Vaticano II (1962-1965). O tempo de sua fortaleza durou desde a Contrarreforma nos anos de 1500, fazendo quatro séculos admiráveis de catolicismo, Mas depois dessa resistência a hierarquia cedeu, e substituiu a Igreja Católica de Deus por sua própria igreja nova ou conciliar. Na década de 1970 ainda havia fé suficiente nos católicos para tornar possível uma continuação séria da resistência, para a qual o Arcebispo Lefebvre e sua Fraternidade Sacerdotal São Pio X forneceram orientação, mas depois de mais quarenta anos seus sucessores renunciaram a esse esforço, e então os católicos se encontraram mais abandonados do que nunca.

Hoje em dia parece que a vida ainda está sendo drenada para fora deles. É uma ilusão agir ou reagir como se ainda estivéssemos na década de 1970. "Volvitur orbis". O mundo seguiu em frente, e com ele, a Igreja. Condições extremas exigem medidas extremas. Assim como as anteriormente prósperas instituições católicas se transformam lentamente em uma farsa atrás da outra, os católicos se transformaram lentamente em fantasmas ambulantes daquilo que eram antes, e parece que há muito pouco que podem fazer a respeito. Nem a retórica nem as palavras bonitas são a solução. As palavras bonitas estão desgastadas, e a retórica é oca. Os católicos dependem de sua hierarquia, e sua hierarquia está abatida. O Pastor foi ferido, as ovelhas estão dispersas, e de nada adianta se voltarem para o pastor atingido. Ele se foi!

Uma notícia recente, ou rumor – a geometria varia, segundo a reação do público –, é que a subcongregação romana, Ecclesia Dei (ED), fundada por Roma imediatamente após as Consagrações de 1988 da Fraternidade para alcançar os católicos tentados a ssguir o Arcebispo Lefebvre em vez de Roma, vai ser reabsorvida na Congregação para a Doutrina da Fé (CDF). Aparentemente, a reabsorção deveria ter sido anunciada em 20 de dezembro, mas Roma talvez tenha pensado duas vezes. Porque enquanto os próprios líderes atuais da Fraternidade podem estar muito felizes por renunciarem ao alcance especial da ED, e de porem fim assim ao seu próprio “cisma” (segundo sua visão) ao permanecerem completamente sob a CDF “normal”, pode ser que ainda haja um número suficiente de católicos que queira que Roma faça pelo menos algum gesto em favor da Tradição e mantenha a ED. Mas esta é há muito tempo um engano. Tanto Roma como os líderes da Fraternidade querem que se feche a arapuca romana...

Então, o que devem fazer os católicos que têm a Fé e querem mantê-la? Antes de tudo, avaliem a situação. O edifício da Igreja em Roma foi cimentado por duzentos e cinquenta anos de sangue de mártires, sangue jorrado de homens, mas também de muitas moças. Onde estão os potenciais mártires de hoje? Deus Todo-Poderoso está farto dos católicos que se tornaram mais e mais fracos na Fé através dos séculos, e está trazendo de volta os leões para formar alguns candidatos dignos para o Céu. Em segundo lugar, cinjamos nossos lombos de acordo com isto, e nos humilhemos ante a Sabedoria e a Justiça de Deus. Em terceiro lugar, lembremo-nos de que muitos dos últimos podem prontamente serem os primeiros, e vice-versa. E em quarto lugar, sempre: "Vigiai e orai, vigiai e orai; todos os dias quinze mistérios deveis rezar".

Kyrie eleison.

sábado, janeiro 12, 2019

Avanço e Traição

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Devido ao fato de que muitos dentre nós conhecem pouco da história do sedevacantismo, apresentamos o que Dom Williamson já escrevia sobre ele em 1984. As atitudes dos sedevacantistas são extremamente graves e os brasileiros têm obrigação de conhecê-las para resistirem aos lobos que querem invadir os apriscos do Cristo Rei e lhe roubar as almas. Mas os principais culpados são a Roma neomodernista e neoprotestante e o Concílio Vaticano II, como me lembrou Dom Williamson há poucos dias.
+ Dom Tomás de Aquino OSB

Avanço e Traição
5 de junho de 1984

Por Sua Excelência Reverendíssima
Dom Richard Nelson Williamson

Em maio, a visita do Arcebispo Lefebvre aos Estados Unidos desencadeou outra tremenda batalha entre Jesus Cristo e Satanás, seu eterno adversário! Desta batalha vieram boas e más notícias. Comecemos pelas boas!
Em primeiro lugar, a Fraternidade tem um novo padre americano, Pe. John Hogan de Michigan. Sua Excelência, o Arcebispo Lefebvre, de 78 anos, chegou da Europa no dia 10 de maio e deu a tonsura ou ordens menores a doze seminaristas no sábado pela manhã; em 12 de maio, crismou aproximadamente 50 crianças e adultos à tarde; e deu ordens maiores aos seminaristas mais antigos no domingo pela manhã, dia 13 de maio.
Foi uma bela cerimônia, diante de um altar-mor verdadeiramente impressionante, posto (bem a tempo!) por diversos dedicados seminaristas e leigos dentro da nova igreja. Do lado de fora, o sol luzia brilhantemente para dar as boas-vindas a cerca de 500 visitantes de todo os Estados Unidos e Canadá. Segundo vários comentários feitos pessoalmente, e também frequentemente por carta, muitos estavam profundamente impressionados e tocados pela majestade e beleza do catolicismo tradicional. Em uma de suas mais nobres cerimônias, a de ordenação sacerdotal, que festa para os olhos! Que elevação para a alma! Que esperança para o futuro!
O Superior Geral da Fraternidade, Pe. Franz Schmidberger, e o Superior do mais novo Distrito da Fraternidade, Pe. François Laisney, também estavam presentes como diácono e subdiácono da missa de ordenação, acompanhando o Arcebispo. Imediatamente após a cerimônia, ambos partiram para Michigan, onde eu gostaria que muitos dos nossos pudessem ter visitado nossa igreja, o santuário de São José, em Armada. Eles ficariam maravilhosamente edificados em ver doze padres, a maioria – mas não todos – da Fraternidade, fazendo um retiro em silêncio, por alguns dias, sob a direção do Pe. Schmidberger. Eles vieram de todas as partes dos Estados Unidos e Canadá, uniram-se humildemente em oração para buscar a Deus e prosseguir em comum o árduo trabalho de salvar almas. Que esperança para o futuro! Estes sacerdotes não estão lutando por si mesmos. Mais ainda, eles têm um pai no sacerdócio, um fiel e corajoso bispo da Igreja Católica Romana! O Arcebispo Lefebvre visitou-os no meio do retiro, depois de administrar a crisma numa capela não pertencente à Fraternidade em Pittsburgh, e estava pronto para falar longamente com cada um que quisesse vê-lo. Este é o retrato de um quadro católico atrativo e singular: o bispo entre seus sacerdotes, os sacerdotes ao redor de seu bispo.
De lá, o Arcebispo partiu para Minnesota, onde crismou aproximadamente 80 almas. Aqui, apesar de ter pintado um quadro sóbrio sobre a situação obscura em Roma, as pessoas se sentiam obviamente elevadas e tremendamente encorajadas por sua visita. Sua Excelência, então, partiu para St. Mary’s, Kansas, onde passou três felizes dias crismando, conversando com vários leigos que estavam auxiliando o Pe. de la Tour (o qual administra este importante estabelecimento educacional), e celebrando uma missa solene pontifical no sábado pela manhã. Uma pequena resenha está na publicação deste mês do The Angelus. Ele retornou a Nova Iorque para, dois dias após, voltar à Europa. Antes de partir, o Arcebispo disse que estava muito feliz com o espírito da Fraternidade, visto tê-la encontrado florescente no seminário, em St. Mary’s, e nos vários centros da Fraternidade que visitou.
Pe. Schmidberger, que chegou aos Estados Unidos no dia 10 de maio, passará um mês aqui até o dia 11 de junho, fazendo um longo e exaustivo tour por todo o país para se familiarizar diretamente com muitos dos empreendimentos da Fraternidade, o melhor método de construir sobre firmes alicerces a obra futura da Fraternidade neste país. Na metade de seu tour, ele está sendo acompanhado pelo novo superior na América, Pe. Laisney, cuja juventude, energia e inteligência prometem torná-lo uma grande aquisição para que a obra da Fraternidade nos Estados Unidos dê um passo importante a frente. Dos meados de junho em diante, é provável que ele permaneça (ao menos provisoriamente) em Dickinson, Texas, que se torna temporariamente um quartel-general para toda a Fraternidade nos Estados Unidos.
Por último – e talvez o mais importante –, Pe. Schmidberger está ansiosamente planejando estabelecer nos Estados Unidos um mosteiro para freiras que orem e se sacrifiquem, com a ajuda da Madre Marie-Christiane, atualmente a responsável por três carmelos florescentes na Europa ligados à Fraternidade São Pio X. Ele tem desejado ardentemente que ela venha aos Estados Unidos inspecionar dois possíveis locais para um quarto carmelo!
Madre Marie-Christiane, irmã de sangue do Arcebispo Lefebvre e freira carmelita há 56 anos, tem desejado, desde há um ano e meio, uma fundação nos Estados Unidos. A experiência direta de Pe. Schmidberger com a necessidade urgente de santas orações para atrair a graça de Deus sobre os Estados Unidos levou-o a apressar o anseio de longa data da irmã. Rezemos para que surta efeito!
Toda esta obra de construção e reconstrução por meio da Fraternidade é uma resistência ao demônio, a qual ele não iria deixar em paz. Sua reação não tardou!
Numa noite de domingo, no dia 20 de maio, quando o Arcebispo voltou ao seminário bem tarde da noite, vindo do Kansas, um tanto cansado pela viagem, mal ele pôs o pé para fora do carro, recebeu uma intimação para comparecer a um tribunal civil, num processo para expulsar a Fraternidade da propriedade do seminário aqui em Connecticut, processo esse aberto pelos padres Cekada, Dolan, Jenkins, Kelly e Sanborn. Os que estavam presentes notaram, e não se esquecerão jamais, o semblante de dor na face do Arcebispo que, é bom lembrar, era o pai no sacerdócio, destes padres. Até o momento, de acordo com o Antigo Código de Direito Canônico, qualquer um que citar civilmente [citar civilmente consiste levar em alguém diante de um juiz civil – NT] um bispo católico, antes de um julgamento canônico, incorre em excomunhão automática (1341). Então, de acordo com o único Código de Direito Canônico que eles mesmos [os padres que abriram o processo contra Dom Lefebvre – NT] reconhecem, estes cinco padres estão excomungados!
Alguns dias depois, eis um acontecimento que não surpreenderia nenhum católico familiarizado com a passagem do Evangelho sobre a traição a Nosso Senhor, mas que, não obstante, causou profundo choque, sofrimento e escândalo para muitos deles: dos quatro padres recém-ordenados, que livremente pediram e receberam a ordenação sacerdotal na Fraternidade Sacerdotal São Pio X pelas mãos de seu fundador, o Arcebispo Lefebvre, depois de, na véspera, livremente prestarem solene juramento de fidelidade a seus superiores, com as mãos postas sobre os Evangelhos, dois, na tempestuosa noite do dia 23 de maio, em meio a relâmpagos e chuva torrencial, saíram do seminário e se uniram a nove sacerdotes que haviam desertado no ano anterior e, dois dias depois, um terceiro, já ausente, anunciou que estava fazendo o mesmo. E era noite.
Alguns fatos ressaltarão a natureza deste ato. Primeiramente, agora sabemos que bem pouco tempo depois da deserção dos nove [sacerdotes] um ano atrás, estes três, de fato, disseram a alguém que eles tinham a intenção de mentir para alcançarem o sacerdócio. Certamente, depois de um ano inteiro, suas palavras e ações no seminário tinham o caráter de persuadir a todos, sacerdotes, seminaristas, e mesmo visitantes, de que eles seriam leais à Fraternidade. Eles viveram, por um ano inteiro, mentindo?
Em segundo lugar, na véspera de suas ordenações, de acordo com os requisitos necessários da Santa Madre Igreja, todos os três fizeram um solene Juramento de Fidelidade no altar de Deus, com suas mãos tocando os Evangelhos diante do Santíssimo Sacramento no tabernáculo aberto, jurando, entre outras coisas, que respeitosamente obedeceriam a seus superiores na Fraternidade São Pio X. O texto completo deste juramento e as assinaturas dos três acompanham esta carta.
As alterações feitas no texto por um deles sugerem que ele não estava à vontade; e, de fato, para fazer tal juramento, cada um deve ter encontrado, ou recebido de alguém, uma maneira de justificar ou tornar razoável, para si mesmos e para os outros, o que fizeram. Entretanto, em terceiro lugar, se diante de Deus cometeram perjúrio, terem recebido as ordens sacras em tal estado terá sido um grave sacrilégio.
Em quarto lugar, ao fim da cerimônia tradicional de ordenação, cada um colocou sua mão entre as mãos do Arcebispo, que lhes perguntou em latim “Prometes-me a mim e aos meus sucessores reverência e obediência?” Cada um respondeu claramente “Promitto”, que quer dizer “Eu prometo”.
Em quinto lugar, a ruptura (ao menos aparente), após dez dias, destas promessas e juramentos solenes, vista em conjunto com todas as outras circunstâncias da última deserção, causou e continuará a causar um terrível escândalo para os católicos, não somente àqueles ligados à Tradição, que sustentaram financeiramente e ajudaram os três [citados sacerdotes – NT], porque confiaram que eles seguiriam ao Arcebispo Lefebvre em defesa da Fé, mas também a muitos outros que ainda não se ligaram à Tradição e que erroneamente, mas de modo compreensível, dirão que se a Tradição fomenta este tipo de deslealdade, não querem nada com ela.
À guisa de comentário a estes fatos, cremos que três citações no momento sejam suficientes. No dia 27 de maio deste ano, Pe. Sanborn disse no púlpito em Traverse City, Michigan, “Estou muito contente em anunciar que três dos quatro sacerdotes, que foram ordenados pelo Arcebispo Lefebvre em 13 de maio, decidiram se juntar a nós. Isto me alegra porque os formei, e nem todos os frutos de meu trabalho como reitor do seminário foram perdidos.” (Pe. Sanborn compreendeu que frutos ele reivindica serem seus?)
No dia 28 de abril do ano passado, pouco tempo depois da separação entre a Fraternidade e os nove sacerdotes, o Arcebispo Lefebvre disse no seminário a todos os seminaristas, inclusive a estes três que desertaram há pouco tempo:
Espero que façam a escolha certa. Mas devem escolher, [pois] se concordam com a posição, a atitude e a orientação do Pe. Kelly, então sigam-no. Se pensam que Monsenhor Lefebvre está correto, então sigam a atitude de “Monseigneur” [Este é o modo de chamar Dom Lefebvre na língua francesa – NT] e da Fraternidade. Mas vocês devem ser claros… honestos. Não digam: Ficarei em silêncio até depois da minha ordenação. Isto é errado! Deus sabe! É uma mentira diante de Deus… não diante de mim. Eu não sou nada. Mas diante de Deus! Os senhores não podem fazer isso! Foi exatamente isto que o Pe. Dolan disse, “Eu soube ficar quieto até minha ordenação.” Não consigo compreendê-lo fazendo isso! Um futuro padre fazendo isto??
E no dia 30 de maio deste ano, um dos três últimos desertores, quando uma senhora censurou-o dizendo que um golpe como este que deram poderia ter matado o Arcebispo, replicou, “Ah, ele já está com 78 anos mesmo. Veja, sou grato a ele, porque sem ele eu não seria sacerdote”.
As pessoas podem se perguntar porque algo assim aconteceria dentro de um seminário, e se o mesmo não acontecerá novamente. A resposta é que Jesus viu as profundezas do coração do homem (João 6, 65-71), e mesmo assim preferiu permitir que um Apóstolo fosse infiel. Quanto aos sacerdotes de Jesus, só podemos perscrutar os corações humanos “tão longe quanto a fragilidade humana nos permita conhecer” (palavras do próprio rito de ordenação). Caso contrário, se chega a um ponto de desconfiança, no qual o serviço de Deus para de funcionar e um seminário católico já não consegue mais operar, porque a caridade “tudo crê e tudo espera” (I Cor. 13,7). Entretanto, estamos de olhos abertos, e um seminarista já foi convidado a se retirar, desde a deserção, pois, sob questionamento, ele confessou que compartilhava claramente o modo de pensar dos desertores.
Para fortificar sua fé, o seminário e o santuário St. Joseph, novamente neste verão, estão oferecendo alguns dias com os grandes Exercícios Espirituais de Santo Inácio. Aproveitem esta incomparável oportunidade para fortalecer sua vida espiritual, que é mais importante do que qualquer outra coisa. De nossa parte, com o auxílio de Deus, nem a Fraternidade nem o seminário sairão de seu curso, mas a despeito destas experiências, ou mesmo por causa delas, ambos prosperarão como a Deus aprouver. Nosso próximo projeto é a abertura de outra missão em Long Island, onde muitos católicos encontram-se em perigo.
Que a vontade santíssima e imperscrutável de Deus seja sempre adorada, e que sua Mãe Santíssima, a Virgem fidelíssima, um dia nos obtenha, nestes tempos infiéis, as graças da fidelidade e da lealdade!
Tradução do texto original em inglês (que se encontra abaixo) “Letters From the Rector of St. Thomas Aquinas Seminary”, Volume 1: The Ridgefield Letters (p. 31 to 38) 

segunda-feira, janeiro 07, 2019

Campanha para terminar a Capela de Anagé!

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Caros leitores, ajudemos!



Comentários Eleison: Hamlet = Apostasia

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DXCIX (599) (5 de janeiro de 2019)






HAMLET = APOSTASIA

O mundo está apodrecido, rapazes, mas é indubitável:
Se ele está assim por toda parte, Deus permanece imutável.  


Se Hamlet é possivelmente a mais desconcertante, provavelmente a mais interessante, e indubitavelmente a mais moderna de todas as trinta e sete peças teatrais de Shakespeare, isto se dá por uma mesma razão: há um elefante na sala. Esse elefante é a apostasia da Inglaterra, que abandonou a Fé católica, que estava sendo triturada pelo governo inglês quando Shakespeare escreveu a peça, por volta de 1600 d.C., o que o estava levando ao desespero, porque ele era um católico devoto. Então (1) Hamlet é a mais intrigante de suas peças para a multidão de leitores pós-católicos, de aficionados por teatro e de críticos, que não têm nem ideia de que "Reforma" foi o maior desastre que já se abateu sobre a Inglaterra. (2) É a mais desconcertante das peças porque é fundamental e conflituosa em relação à Idade Média que passou e a Idade Moderna que se seguiu. (3) É a mais moderna, porque nos últimos quatrocentos anos praticamente o mundo inteiro passou a compartilhar da apostasia da Inglaterra.

(1) Mas quem se importa com a apostasia hoje em dia? Quantas pessoas sabem ao menos o que a palavra significa (um afastamento da fé católica)? Houve um tempo, como em 1600 na Inglaterra, em que o diabo perseguiu ferozmente a fé, de modo que Shakespeare teve de disfarçar a fé em suas peças para não ser enforcado, eviscerado e esquartejado. Mas hoje o Diabo destrói muito mais almas, fazendo com que elas acreditem que a religião é de tão pouca importância que qualquer um pode escolher qualquer religião que queira, ou inclusive nenhuma. E os vis meios de comunicação estão tão inundados de erros e imoralidade que a massa de pessoas não se dá mais conta destes (vejam o livro Shadowplay, de Clare Asquith, para a codificação católica em todas as obras de Shakespeare). Mas se a mãe incestuosa de Hamlet, a rainha Gertrude, realmente representa a Inglaterra cometendo incesto com o protestantismo, que o cunhado dela representa, é de estranhar que nossos contemporâneos se encontrem incapazes de perceber a melancolia do príncipe Hamlet?

(2) A peça é fundamental e conflituosa porque, como nenhuma outra peça de Shakespeare, está suspensa entre o mundo medieval e a Nova Ordem Mundial, e porque o próprio Shakespeare estava sendo sacudido até a medula pelo aparente sucesso da erradicação da Fé em seu amado país, como se pode ler em sua obra, desde a amargura do Príncipe até quase todos os que o rodeiam, especialmente seu verdadeiro amor, Ofélia. Ora, um católico não é amargo, mas Shakespeare estava assim ao escrever Hamlet (essa amargura, porém, não durou muito). Leiam o valiosíssimo livro de John Vyvyan, The Shakespearean Ethic, se quiserem discernir o padrão moral subjacente a todas as peças teatrais que foi a gloriosa herança do Shakespeare da Inglaterra medieval. Está presente até mesmo em Hamlet, sobretudo no desprezo do Príncipe por Ofélia para abrir espaço em seu coração para a vingança. Mas em Hamlet, como em nenhuma outra obra, a corrupção da sociedade – nem mais nem menos que por apostasia – é tão terrível que o Príncipe antissocial surge como um herói absoluto, o primeiro de uma longa lista de heróis antiautoritários (cf. Hollywood) que precisam anular todo respeito natural pela autoridade social. A apostasia mata a sociedade.

(3) Assim, Hamlet é a mais moderna das peças de Shakespeare, porque é a peça que mais se afasta do modelo medieval ou se sobrepõe a ele. Shakespeare escreveu muitas obras depois dela, mas nunca mais se sentiu tentado a substituir o amor pela vingança ou a voltar do Novo para o Antigo Testamento. Ele recuperou sua calma e equilíbrio enquanto ainda escrevia magníficas peças de teatro, mas em 1611 ele abandonou o cenário e Londres, deixando os puritanos tomarem o controle da Inglaterra e levarem eventualmente todo mundo para longe de Deus. Hoje, gerações de jovens amamentados pelos anti-heróis se transformaram em anti-homens, com pouco ou nada restando neles de sua herança medieval. Mas a natureza humana não mudou, e os seres humanos ainda precisam de homens para liderá-los, e é por isso que as meninas estão tentando-se transformar em homens, e os jovens dos dois sexos desprezam cada vez mais um ao outro. Em uma frase de Macbeth, "A confusão fez sua obra-prima".

Se vocês lerem Hamlet, tenham cuidado com o Fantasma no Primeiro Ato. Se vocês são católicos, sabem que o Deus Todo-Poderoso nunca deixaria uma alma sair do Purgatório para buscar vingança. Então, de onde poderia vir o Fantasma senão do Inferno? Nesse caso, o príncipe é realmente um herói? A amargura de Shakespeare era compreensível, mas distorceu sua teologia. Rapazes, adorem e amem a Jesus Cristo, amem a Sua Mãe, rezem o seu Rosário e liderem as moças. É para isso que elas precisam de vocês.

Kyrie eleison.